27 de abril de 2026

EMERSON, LAKE & PALMER - TARKUS (1971)

 


Tarkus é o segundo álbum de estúdios da banda britânica Emerson, Lake & Palmer. O lançamento oficial aconteceu em 4 de junho de 1971, através do selo Island. As gravações se deram entre janeiro e fevereiro daquele mesmo ano, no Advision Studios, em Londres, no Reino Unido. A produção ficou a cargo de Greg Lake.





A estreia e o pós lançamento


Após seus primeiros shows em agosto de 1970, a banda excursionou pelo Reino Unido e pela Europa durante o resto do ano, período durante o qual seu álbum de estreia, Emerson, Lake & Palmer, foi lançado.


Durante a turnê, o tecladista Keith Emerson descobriu que ele e o baterista Carl Palmer estavam explorando ideias rítmicas mais complexas. Ele pegou os padrões que Palmer estava tocando em suas baterias de ensaio e descobriu que eles complementavam as execuções que ele havia desenvolvido no piano, e usou isso como base para o material de Tarkus.


O grupo abordou o álbum tendo uma faixa central para estabelecer um conceito, mas uma história ou ideia definitiva para ele não havia sido discutida nesta fase.


O grupo interrompeu os compromissos de turnê, em dezembro de 1970, e reservou o mês seguinte para gravar. Assim como em sua estreia, a banda gravou no Advision Studios em Londres, com o baixista Greg Lake cuidando da produção e Eddy Offord retornando como engenheiro de som.


Carl Palmer



Começo das gravações


No início das sessões, Emerson apresentou a base da faixa-título para Lake e Palmer; Lake não ficou nada entusiasmado com sua direção e ameaçou deixar o grupo. Uma reunião subsequente entre a banda e seu empresário convenceu Lake a permanecer no conjunto, e ele passou a contribuir com a faixa e a maioria das outras músicas do álbum, incluindo as letras, para as quais ele usou a arte como inspiração.


Embora Lake tenha pensado que a abertura era "muito demonstrativa" para ser inteligente, ele não queria dividir o grupo por causa de tal questão e entrou no álbum enquanto a gravação prosseguia.


A banda só conseguiu elaborar "Tarkus" durante as sessões de estúdio de janeiro de 1971, então eles reservaram mais tempo no Adivsion, em fevereiro, para trabalhar no lado dois, para o qual não tinham material preparado.


O disco


O lado A é ocupado pela faixa-título de 20 minutos que possui sete seções. Foi composta por Emerson, com Lake creditado por "Battlefield" e contribuições para "Stones of Years" e "Mass".


Keith Emerson



É uma peça conceitual cuja narrativa permanece ambígua e aberta à interpretação, mas a obra retrata o personagem Tarkus na forma de um híbrido tanque de tatu que nasce e perde uma luta com uma manticora, que termina com o aparecimento de um animal aquático, versão de Tarkus, chamada Aquatarkus.


O lado B apresenta seis músicas não relacionadas à faixa-título conceitual.


O álbum foi embalado em uma capa gatefold e apresenta a arte do artista escocês William Neal, cujo tatu desde então se tornou uma imagem icônica do rock progressivo. Neal estava envolvido com a CCS Associates, com sede em Londres, que normalmente produzia arte para álbuns de reggae, mas ocasionalmente recebiam outros discos para trabalhar, como foi o caso de Tarkus. Quando a banda rejeitou os designs já concluídos, Neal relembrou: “Em um dos meus desenhos, havia um pequeno rabisco no final da página. Era de um tatu com pegadas de tanque, mas era apenas uma ideia que realmente não ia a lugar nenhum."


Originou-se de um dos projetos iniciais de Neal de uma metralhadora com um cinto de balas substituído por uma fileira de teclas do teclado, que ele inadvertidamente esboçou com um lápis durante uma conversa telefônica que produziu a imagem do tanque. Emerson gostou e sugeriu que fosse desenvolvido "mais como uma história de desenho animado", altura em que ele compôs "Tarkus" e achou que a música combinava com as imagens.


Greg Lake



Neal recebeu uma cópia do álbum para ouvir enquanto completava a capa final, que inspirou os outros desenhos. O gatefold apresenta onze painéis que ilustram os acontecimentos da faixa-título, começando com um vulcão em erupção, abaixo do qual Tarkus emerge de um ovo. Tarkus então enfrenta uma série de criaturas cibernéticas, culminando na batalha contra a manticora que fere o olho de Tarkus, e Tarkus recua sangrando para um rio.


Emerson seguiu com os designs de Neal e começou a pensar nos títulos dos álbuns. "Para todos, representava o que estávamos fazendo naquele estúdio. No dia seguinte, quando cheguei de Sussex, a imagem do tatu continuou me atingindo. Tinha que ter um nome. Algo gutural. Tinha que começar com a letra ' T' e termina com um floreio".


Emerson reconheceu que Tarka (de Tarka, a Lontra) pode ter sido uma inspiração, "mas este tatu precisava de um nome de ficção científica que representasse a teoria da evolução de Charles Darwin ao contrário. Alguma mutilação das espécies causada pela radiação", ponto em que ele veio com "Tarkus". O "Tarkus" na capa é feito de ossos esbranquiçados do esqueleto de um lagarto devorado.


Tarkus foi lançado em 14 de junho de 1971 no Reino Unido pela Island Records, aparecendo dois meses depois nos EUA pela gravadora subsidiária da Atlantic Records, Cotillion Records.


TARKUS


A suíte que ocupa todo o lado A e supera a casa de 20 minutos é uma primeira amostra do talento dos músicos que compunham esta soberba banda, contando com tudo que o Prog pode oferecer de melhor.


Liricamente, a canção aborda a futilidade da guerra, revoluções fracassadas e o ciclo destrutivo do poder. Lake descreveu o tema como uma crítica à “hipocrisia” e ao resultado inútil dos conflitos.





Stones of Years” (trecho da suíte) foi lançado como single, mas não entrou nas paradas.


JEREMY BENDER


Canção com pegada pop, com menos de 2 minutos.


Liricamente, é leve e caricatural — quase uma vinheta humorística sobre um personagem picaresco. Funciona como alívio cômico após a densidade da suíte.


BITCHES CRYSTAL


Esta canção representa uma abordagem curta, mas, ao mesmo tempo, intrincada, e com ótimos vocais de agressivos de Greg Lake.


A letra é menos explícita, mas segue uma linha mais abstrata, típica do prog: tensão emocional e imagens fragmentadas, acompanhando a energia caótica da música.


THE ONLY WAY (HYMN)


Esta música traz Keith Emerson dominante ao piano, demonstrando todo seu talento.


O verso mais marcante questiona a fé diante do Holocausto, evidenciando uma postura abertamente cética e provocadora.





INFINITE SPACE (CONCLUSION)


Aqui a banda faz um exercício com uma pegada jazzística bem interessante, com destaque pra Emerson.


Sem letra, sua “temática” é puramente musical: um espaço contemplativo após a tensão teológica de “The Only Way”.


A TIME AND A PLACE


Com os teclados de Keith Emerson como protagonistas e bem intensos, a pesada composição traz um toque Hard ao Prog do grupo.


Apresenta lirismo mais direto, com sensação de urgência e deslocamento — quase existencial. Menos conceitual, mas ainda alinhada ao espírito progressivo de tensão e movimento.


ARE YOU READY, EDDY?


Faixa bastante divertida, em que a banda traz um rockabilly contagiante.


É quase uma piada interna dedicada ao engenheiro Eddie Offord. Inspirada no rock dos anos 1950, especialmente em Bobby Troup. Liricamente irrelevante em termos conceituais, funciona como epílogo festivo, celebrando o fim das gravações.


Considerações Finais


Tarkus foi um inegável sucesso comercial, atingindo nada menos que o topo da parada britânica, além de conquistar a 9ª posição da Billboard 200, feito que a banda só conseguiria repetir com Trilogy.


A seção ‘Stones of Years’, integrante da suíte “Tarkus”, foi lançada como single, mas não repercutiu nas paradas de sucesso.


Embora agora seja considerado um álbum de rock progressivo por excelência, Tarkus recebeu críticas geralmente desfavoráveis de críticos após seu lançamento, como David Lebin na Rolling Stone, que o chamou de medíocre. Críticas contemporâneas ressaltam o valor da obra, especialmente a solidez da faixa-título, como é o caso do site AllMusic.


A banda retomou a turnê com sua primeira tour norte-americana, começando em 24 de abril de 1971 no Thiel College em Greenville, Pensilvânia, e continuou até o final de maio. Outras datas em toda a Europa seguiram até o final do ano.


Um novo álbum da banda, o ao vivo Pictures at an Exhibition, foi lançado como um álbum econômico no Reino Unido em novembro de 1971.


Prêmio


  • Em 2015, Sean Murphy do PopMatters classificou Tarkus como o 21º melhor álbum de rock progressivo clássico de todos os tempos.


Segundo algumas estimativas, Tarkus supera a casa de 500 mil cópias vendidas apenas nos EUA.





Formação:

Keith Emerson – Hammond, Órgão de tubos na Igreja de São Marcos, Piano, Celesta, Sintetizador modular Moog, Minimoog

Greg Lake – Vocais, Baixo, Guitarras

Carl Palmer – Bateria, Percussão


Faixas:

01. Tarkus (Emerson/Lake) - 20:46

02. Jeremy Bender (Emerson/Lake) - 1:57

03. Bitches Crystal (Emerson/Lake) - 3:59

04. The Only Way (Hymn) (Emerson/Lake) - 3:47

05. Infinite Space (Conclusion) (Emerson/Palmer) - 3:23

06. A Time and a Place (Emerson/Lake/Palmer) - 3:03

07. Are You Ready, Eddy? (Emerson/Lake/Palmer) - 2:12


Opinião do Blog:

Não há o que se conjecturar sobre a excelência de uma banda como a Emerson, Lake & Palmer; uma vez que todos os seus integrantes são verdadeiros referenciais para músicos dentro das várias abordagens que o Rock pode proporcionar.


Tarkus é o primeiro momento em que o grupo abraça mais diretamente o Rock Progressivo, o qual aparecia ainda incipiente no bom disco de estreia do grupo. A suíte principal, que ocupa todo o lado A, é uma amostra das construções complexas e intrincadas – e, ao mesmo tempo, cativantes – que o conjunto passaria a compor.


E é óbvio que a faixa título é a grande composição do álbum. Seus arranjos complexos, suas seções desafiadoras e cujos caminhos são imprevisíveis, chamam o ouvinte ao desafio de interpretá-la segundo suas próprias convicções e é um deleite para amantes do Prog.


Bitches Crystal” é um prog mais padrão, embora executado com excelência. A ótima “A Time and a Place” traz um flerte Hard ao Prog do grupo. “The Only Way (Hymn)” traz uma profunda inspiração de música sacra e até “Are You Ready, Eddy?” é divertida ao emular o Rockabilly.


Enfim, por tudo que expomos, penso que Tarkus deve ser conhecido e mais recomendado. Claro que a banda ainda traria trabalhos mais aclamados, mas Tarkus (e sua faixa-título) merecem ser mais reverenciados, especialmente para quem quer gostar de Prog.

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