31 de julho de 2011

DIO - HOLY DIVER (1983)



Holy Diver é o álbum de estreia da carreira solo de Ronnie James Dio. Seu lançamento ocorreu no dia 25 de maio de 1983 e a produção ficou sob responsabilidade do próprio Dio. O álbum foi gravado já em 1983 no Sound City Studios, em Van Nuys, na Califórnia.

Quando se lançou em carreira solo, Ronnie batizou sua banda simplesmente de DIO, pois era um nome reconhecido internacionalmente, devido, principalmente, sua presença anteriormente em bandas consagradas do rock, como Rainbow e Black Sabbath.

Em 1982, Dio ainda estava como vocalista do Black Sabbath, embora alguns problemas já tivessem acontecido anteriormente e desgastado a relação de Dio com os demais membros do Sabbath.

Já em 1980, quando gravaram o clássico Heaven And Hell, Dio ficou irritado quando o álbum foi lançado e as composições das músicas foram creditadas a todos os membros da banda. Dio afirmou posteriormente que ele e Tony Iommi foram responsáveis pela criação musical de todo o álbum.

Durante a gravação de Mob Rules, em 1981, o problema foi outro. Dio afirmou que lutava diariamente contra o que chamou de “negatividade” da banda, mais notadamente do baixista Geezer Butler. Dio disse que apresentava as canções para os membros do grupo e tinha que enfrentar o pessimismo que havia em relação às gravações e a repercussão das músicas. Este descontentamento foi explicitado na música “Over And Over” do próprio álbum.

Ao sair em turnê em 1981, algumas apresentações foram gravadas para lançarem um álbum ao vivo, Live Evil, de 1982. Durante a mixagem do álbum, Dio foi acusado de “sabotagem” pelos demais membros da banda, acusando-o de entrar nos estúdios e aumentar o volume de sua voz nas faixas.

Com isso, Dio é demitido da banda. Para continuar sua carreira, o vocalista decide montar uma banda própria e que permitisse explorar suas características como compositor. O baterista do Black Sabbath na época e grande amigo de Dio, Vinny Appice, também deixa o Sabbath e o acompanha para sua nova banda.

Para a guitarra o escolhido foi Vivian Campbell, que era da banda Sweet Savage, e depois veio a tocar em bandas do calibre de Whitesnake e Def Leppard. Quando Campbell se reúne à banda, a maior parte de Holy Diver já estava composta. O guitarrista ainda gravaria mais dois álbuns com Dio, The Last In Line (1984) e Sacred Hart (1985). Mas, por motivos comerciais, os dois acabariam tendo uma contenda judicial e nunca foram amigos. Encontram-se algumas entrevistas em que Campbell ‘detona’ Dio, especialmente enquanto ‘homem de negócios’.

O baixista foi um velho conhecido de Dio, Jimmy Bain, que havia tocado ele com no clássico do Rainbow, Rising, de 1976 (já analisado por este blog). Inclusive, para a gravação do álbum Holy Diver, Bain e Dio se revezaram nos teclados, pois a banda ainda não contava com um tecladista.

Para a turnê, o tecladista Claude Schnell foi contratado e trabalharia em mais alguns álbuns com o vocalista.

A arte da capa causou alguma polêmica, pois possui um desenho de um demônio matando um padre. Dio disse certa vez que a capa pode ser interpretada ao contrário, com o Padre matando o demônio. O diabo é o mascote da banda, chamado Murray, e também apresenta o logotipo da banda Dio, que alguns dizem que pode ser lido como Die (matar, em inglês) ou Devil (diabo, em inglês). Ronnie James Dio disse que isso foi tirado das cabeças das pessoas, que o que está escrito é apenas o nome da banda.

“Stand Up And Shout” abre o álbum de forma magnífica. É uma canção bem rápida, com um riff excepcional e um vocal forte e impressionante de Dio. O solo de guitarra de Campbell também é ótimo, com muita velocidade. É realmente uma ótima faixa para se começar um grande trabalho.

A faixa homônima ao álbum, “Holy Diver”, é a segunda do álbum. Trata-se de um dos grandes clássicos não só da carreira do vocalista, mas da história do Heavy Metal. A canção começa com um som do vento acompanhado pelo teclado. O riff da canção é forte e marcante, com ótima atuação de Dio nos vocais. O solo também é dos melhores.

Quando era tocada nas rádios, as mesmas cortavam a introdução instrumental da música. Lançada como single, alcançou apenas a quadragésima posição nas paradas dos Estados Unidos. Era presença mais que obrigatória nos shows de Dio.

“Gypsy” é a terceira faixa do álbum. A faixa também aposta em um riff bem rápido e pesado e conta com ótimos solos por parte do talentoso Campbell. O vocal de Dio é bem agressivo. Trata-se de uma canção de curta duração, mas mesmo assim é muito boa.

“Caught In The Middle” é a quarta canção do álbum. O riff da faixa é ótimo, bem contagiante. Ela não é tão rápida quanto as anteriores, tem um ritmo um tanto mais cadenciado. A atuação de Dio nos vocais é fabulosa, abusando dos agudos, mas sem soar forçado. O refrão é empolgante e de excelente gosto. Um dos pontos mais altos do álbum.

Na sequência surge a fantástica “Don’t Talk To Strangers”. A música se inicia em um ritmo bastante lento, em ritmo muito leve, quase soando como uma balada. Entretanto, a canção, após esta introdução suave, desencadeia em um riff poderoso e pesado, de ritmo bem mais veloz, dando margem a vocais mais agressivos de Dio. Os solos são ótimos. Mais para o final a faixa volta ao ritmo inicial. A atuação do vocalista nesta faixa é fabulosa. Excepcional faixa!

“Straight Through The Heart” é mais uma faixa pesada e que conta com vocais ótimos do grande vocalista. Tem um ritmo mais cadenciado e contém um dos melhores e mais inspirados solos do álbum. O solo final é pequeno, mas também muito bom.

“Invisible” tem uma introdução bem mais lenta e suave, com ótima atuação de Dio, demonstrando sua versatilidade. Mas também logo dá espaço a um riff mais forte, embora não seja dos mais velozes. O refrão também é ótimo.

Mais um grande clássico da carreira de Dio está presente no álbum, é a mais que conhecida “Rainbow In The Dark”.

Certa vez Dio afirmou que após gravar “Rainbow In The Dark”, ele ficou bastante descontente com o resultado da faixa, considerando-a muito pop. Disse que teve vontade de destruir a fita, mas foi persuadido pelos demais membros da banda a não o fazer, pois eles gostaram da música. Curiosamente, ela se tornou um dos maiores sucessos da carreira do baixinho e uma das prediletas de seu público fiel. Dio agradeceu bastante aos seus companheiros de banda por não tê-lo permitido destruir o clássico!

A letra é uma referência ao seu sentimento quando foi dispensado do Black Sabbath, sentindo-se rejeitado e sozinho, como um “Rainbow In The Dark”, apesar da canção conter no nome a denominação de outra banda anterior de Dio, o Rainbow.

Lançada como single, alcançou a 14ª posição na parada norte-americana, a Billboard. Também foi produzido um videoclipe para promovê-la.

A ótima “Shame On The Night” fecha o álbum, uma canção mais cadenciada, mas repleta de peso e melodia. O destaque vai para a atuação magnífica de Dio nos vocais, imprimindo muita emoção na interpretação da faixa.

Todas as letras de Holy Diver são de autoria de Ronnie James Dio.

Após o lançamento do álbum, a banda iniciou a Holy Diver Tour, para promover o álbum. Na parada norte-americana de álbuns, Holy Diver alcançou a 13ª posição, além de sempre estar muito bem posicionado em todas as eleições de grandes discos de Heavy Metal de ‘todos os tempos’.

Já em 1984 a banda gravaria seu segundo álbum de estúdio, o ótimo “The Last In Line”.

Em 2005, Dio gravou um álbum ao vivo que continha todas as faixas de Holy Diver tocadas na íntegra, o álbum Holy Diver – Live. Uma justa homenagem a este álbum fantástico.

Infelizmente, Ronnie James Dio faleceu no dia 16 de maio de 2010, vítima de complicações decorrentes de um câncer de estômago.

Formação:
Ronnie James Dio – Vocal, Teclados
Vivian Campbell – Guitarra
Jimmy Bain – Baixo, Teclados
Vinny Appice – Bateria

Faixas:
01. Stand Up and Shout (Bain/Dio) - 3:18
02. Holy Diver (Dio) - 5:51
03. Gypsy (Campbell/Dio) - 3:39
04. Caught in the Middle (Appice/Campbell/Dio) - 4:14
05. Don't Talk to Strangers (Dio) - 4:53
06. Straight Through the Heart (Bain/Dio) - 4:31
07. Invisible (Appice/Campbell/Dio) - 5:24
08. Rainbow in the Dark (Appice/Bain/Campbell/Dio) - 4:15
09. Shame on the Night (Appice/Bain/Campbell/Dio) - 5:20

Letras:
Para conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/dio/

Opinião do Blog:
Esta resenha é antes de mais nada uma humilde, mas sincera homenagem ao grande talento de Ronnie James Dio, não apenas como o excepcional vocalista que foi, mas também para o também grande compositor.

Dio teve grandes trabalhos à frente de todas as bandas nas quais se apresentou, seja no Elf, no Rainbow, no Black Sabbath (Heaven And Hell) e em sua carreira solo. São inúmeros álbuns e músicas, verdadeiros hinos do Rock And Roll, como Rising, do Rainbow  e Heaven And Hell do Black Sabbath, só como exemplos.

Holy Diver é uma aula de Heavy Metal, uma grande amostra que o peso do estilo não limita a criatividade e nem prejudica as melodias nas canções. Um álbum fantástico, repleto de músicas que são clássicos dentro do estilo.

Infelizmente, Dio nos deixou em 2010 e ficou uma sensação de enorme perda para o mundo metal. Não somente pelo talento enorme que possuía, mas pelo caráter de sua pessoa, basta vermos as manifestações dos mais diferentes músicos quando de seu falecimento.

Dio se foi, mas sua obra ficará para sempre. Cabe aos fãs desse grande vocalista, apresentarmos sua obra às novas gerações, apresentando-lhes quem foi uma das maiores, se não a maior, vozes da história do Heavy Metal. RIP, Dio!

Vídeos Recomendados:

Holy Diver, ao vivo em 2005


Caught In The Middle


Don't Talk To Strangers, ao vivo


Rainbow In The Dark, ao vivo


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30 de julho de 2011

DEF LEPPARD - HYSTERIA (1987)



*Resenha sugerida e dedicada a minha amiga e grande fã do Blog Karen Cristyne

Hysteria é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa Def Leppard. Seu lançamento ocorreu em 3 de agosto de 1987 e teve a produção a cargo de John “Mutt” Lange em parceria com a  própria banda. Sua gravação durou quase três anos, de fevereiro de 1984 a janeiro de 1987.

Alguns estúdios foram usados para a gravação do álbum, sendo: Wisseloord Studios, em Hilversum, na Holanda, Windmill Lane Studio 2, em Dublin, na Irlanda; Studio Des Dames, em Paris, na França.

O álbum anterior do Def Leppard, Pyromania, foi lançado em 1983 e foi um tremendo sucesso, especialmente nos Estados Unidos. O álbum alcançou a segunda posição na parada norte-americana, sendo batido apenas por Thriller, de Michael Jackson. Mas seu principal single “Photograph” chegou a ser o videoclipe mais pedido da MTV dos Estados Unidos, suplantando “Beat It”, do Rei do Pop.

Assim a banda fez uma grande turnê em 1983 e era tida como uma das grandes bandas de rock à época, ao lado de nomes como Rolling Stones e AC/DC. Após a turnê, a banda deu uma pequena parada para começar a gravação de seu novo álbum em 1984.

Em fevereiro de 1984, a banda se mudou para Dublin, na Irlanda, e começou a escrever e gravar o novo álbum sob a produção de “Mutt” Lange. No entanto, Lange pediu para se retirar da produção do álbum, alegando que sua agenda de trabalho praticamente ininterrupta estava o deixando exausto. Para seu lugar a banda traz Jim Steinman, que trabalhou com o Meat Loaf.

O trabalho com Steinman foi um verdadeiro desastre, a começar pela intenção do novo produtor em captar um álbum com som cru e gravado “ao vivo” no estúdio. A banda, no entanto, queria uma produção bem mais limpa e voltada a uma sonoridade um pouco mais pop e menos ‘crua’. Assim, Steinman foi demitido e o que se gravou naquela época nunca foi aproveitado.

Se as coisas não estavam dando certo, pioraram no dia 31 de dezembro de 1984. Um terrível acidente automobilístico com o baterista Rick Allen nas cercanias de Sheffield, na Inglaterra. Rick bateu com seu Corvette em alta velocidade após sair da pista em uma curva. O baterista sobreviveu ao acidente, mas acabou perdendo seu braço esquerdo.

Embora existisse a dúvida sobre a capacidade de Rick Allen em tocar o instrumento, o Def Leppard nunca pensou em substituir Rick e o deu forças para se recuperar e voltar  a tocar.

Rick, então, começou a desenvolver técnicas em que certos movimentos feitos com o braço esquerdo fossem substituídos por movimentos com as pernas. Em parceria com a Empresa Simmons, desenvolveu um kit de bateria eletrônica em que Allen poderia atuar. Sua volta ocorreu no Monsters Of Rock de 1986, em Donnington Park, na Inglaterra.

Embora tenha caminhado lentamente nas gravações do álbum, a banda continuava compondo. Surpreendentemente, “Mutt” Lange volta para produzir o álbum e Rick Allen começa a gravar suas partes no álbum. Entretanto, a gravação ainda iria atrasar mais um pouco devido ao vocalista Joe Elliott ter contraído caxumba e ficado impossibilitado de finalizar as gravações.

A técnica utilizada para a gravação do álbum teve cada um dos músicos tocando cada uma das faixas separadamente, ao invés de todos tocá-las juntos. Enquanto algumas faixas foram rapidamente escritas e gravadas outras, como “Animal”, levaram quase os três anos para surgirem com a versão final.

“Mutt” Lange queria que o álbum Hysteria fosse a versão Hard Rock do álbum Thriller, de Michael Jackson, ou seja, que todas as faixas tivessem potencial para serem ‘hits’. Em parte, Lange alcançou seu objetivo.

As gravações terminaram em janeiro de 1987, mas “Mutt” Lange levaria ainda mais três meses para mixar o álbum.

Na época de seu lançamento, Hysteria foi o álbum de Rock mais longo a ser lançado, com um tempo total de 62 minutos e 52 segundos.

A arte da capa foi desenvolvida pelo artista Andie Airfix, que faria outras capas para a banda. O nome Hysteria foi sugerido pelo baterista Rick Allen, sintetizando o período de seu acidente e sua recuperação em associação com a cobertura dada pela imprensa.

“Women” é a faixa que abre o álbum e já apresenta a sonoridade que seria a aposta da banda para o álbum, um rock bem mais cadenciado, lento. Apresenta um riff bem simples, mas muito bom.

Foi o primeiro single lançado nos Estados Unidos, enquanto no resto do mundo o primeiro single foi “Animal”. “Women” é uma ótima faixa, com ótimo ritmo, mesmo sendo simples, possui bons solos.

Na parada de singles dos Estados Unidos, atingiu a posição número oitenta. O seu lado B, “Tear It Down” foi relançada no álbum Adrenalize, de 1992.

“Rocket” é a segunda faixa do álbum. Segue a mesma sonoridade da faixa anterior, embora seja um pouco mais agitada. Possui bons vocais de Joe Elliott, como de costume. Foi o último single retirado de Hysteria.

Assim como em “Women”, também foi filmado um videoclipe para a música. Enquanto single, foi bem melhor sucedida que a faixa anterior na parada norte-americana, alcançando a 12ª posição.

A terceira faixa acabou se tornando um dos grandes sucessos da banda, a música “Animal”. Conforme escrito anteriormente, a faixa durou quase três anos para ser finalizada e entrar no álbum Hysteria.

Ela segue a mesma sonoridade das faixas anteriores, embora seja ainda mais cadenciada, aumentando o ritmo no refrão, este sendo bem forte. O solo no meio da faixa é bom.

“Animal” também foi lançada como single e foi o primeiro a fazer sucesso no Reino Unido, alcançando a sexta posição na parada do país. Apesar de todo sucesso do álbum anterior, Pyromania, nos Estados Unidos, o Def Leppard ainda não havia obtido sucesso em casa.

“Animal” também possui videoclipe, sendo que à época ficou entre os mais exibidos nos Estados Unidos. Na parada norte-americana de singles, alcançou a 19ª posição.

“Love Bites” é mais um grande sucesso do álbum Hysteria e do Def Leppard. É uma balada das mais lentas e que possui aqueles refrãos bem ‘grudentos’. Mas é uma faixa cheia de feeling e sentimento. O destaque da faixa é mesmo da atuação do vocalista Joe Elliott, que imprime bastante emoção à música.

Também para “Love Bites” foi gravado um videoclipe e lançada no formato de single e todos os lançamentos fizeram muito sucesso.

Na Inglaterra o single atingiu a 11ª posição e nos Estados Unidos foi além, atingindo a primeira posição em 1988. Até hoje é o único single do Def Leppard a realizar tal feito. Claro, fato que alavancou as vendas de Hysteria nos Estados Unidos.

A próxima canção é “Pour Some Sugar On Me”. É uma faixa com mais peso que as anteriores e com mais semelhanças aos álbuns anteriores. Foi composta a partir de um riff que Joe Elliott ficava tocando nos estúdios e “Mutt” Lange sugeriu algumas adaptações, para que fosse uma faixa para “despertar o interesse de quem conhecia o Pyromania”.

Lançada como single, também, alcançou a segunda posição nos Estados Unidos e a 18ª posição no Reino Unido. Foi um dos vídeos mais pedidos da MTV americana em 1988. É uma ótima faixa.

“Armageddon It” é uma faixa típica de Hard Rock, com um ótimo riff que se estende por toda a faixa. Nesta faixa as guitarras aparecem com um pouco mais de força, ficando com uma sonoridade mais ‘pop’ na ponte que leva ao refrão. Mesmo assim é uma boa canção.

Adivinhe? Isso mesmo, foi lançada como single e gravado videoclipe, só para variar um pouco. No Reino Unido alcançou a 20ª posição e nos Estados Unidos foi bem melhor, ficando na terceira. O videoclipe foi retirado de um show da banda em 1988.

“Gods Of War” é mais uma canção que ficou famosa no álbum Hysteria. Ela contém uma mensagem anti-guerra e, especialmente, contra as idéias do presidente americano Ronald Reagan. Embora não foi lançada como single, possui videoclipe. É mais pesada, uma das melhores do álbum.

Outro destaque do álbum é a música homônima ao álbum, “Hysteria”. É uma boa balada, repleta de ritmo, com ótimos vocais por parte de Joe Elliott. O refrão é ótimo.

Foi mais um single retirado do álbum e que atingiu excelente posição na parada dos Estados Unidos (décima posição). Também possui videoclipe para promover o álbum. Foi a terceira faixa do disco a ser lançada como single.

Com base em tantos singles bem sucedidos não é difícil deduzir que o álbum Hysteria foi um sucesso absoluto. Foi o álbum responsável por trazer o sucesso para a banda em sua terra natal, o que era tão desejado pelo Def Leppard. Hysteria conseguiu atingir a primeira posição na parada de álbuns tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. E permaneceu na parada de álbuns americana por três anos consecutivos em posições ‘Top 40’.

É um dos pouquíssimos álbuns a terem sete singles retirados de suas faixas e estes entrarem em posição ‘Top 100’ na parada americana (Billboard). Já vendeu mais de 20 milhões de cópias pelo mundo.

Após isso a banda se lançou em uma grande turnê muito bem sucedida de 15 meses. No encarte, a banda pede desculpas aos fã por ter demorado tanto tempo a lançar um novo álbum após Pyromania e prometia não repetir o fato.

Entretanto, uma série de motivos, entre eles a morte do guitarrista Steve Clark, não permitiu que o novo álbum fosse lançado antes de março de 1992, quase cinco anos após Hysteria.

Formação:
Joe Elliott – Vocal
Steve Clark – Guitarras
Phil Collen – Guitarras
Rick Savage – Baixo
Rick Allen – Bateria

Faixas:
01. Women (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:41
02. Rocket (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 6:37
03. Animal (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:02
04. Love Bites (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:46
05. Pour Some Sugar on Me (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:25
06. Armageddon It (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:21
07. Gods of War (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 6:37
08. Don't Shoot Shotgun (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:26
09. Run Riot (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:39
10. Hysteria (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:54
11. Excitable (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:19
12. Love and Affection (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:37

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/def-leppard/

Opinião do Blog:
Quando o Def Leppard surgiu, foi amplamente associado ao movimento New Wave Of British Heavy Metal e, ao ouvirmos os álbuns On Through The Night (1980) e High ‘n’ Dry (1981), isto não é nenhum absurdo.

Hysteria em nada tem em comum com estes lançamentos anteriores, somente o fato de ser a mesma banda. Nem mesmo Pyromania, de 1983, que já apresentava uma sonoridade diferente, assemelha-se ao álbum em análise.

Se você gosta somente de Heavy Metal e de uma sonoridade mais pesada, passe bem longe de Hysteria, pois não há nada neste álbum que chegue próximo a este tipo de som. Já se você for mais eclético, vale à pena se arriscar.

Nenhum álbum tem sete singles tão bem sucedidos e alcança a primeira posição nas principais paradas de sucesso impunemente, ainda mais quando se trata de álbuns de rock. As composições são muito bem feitas, com muito feeling, muito sentimento e de bom gosto.

O fator humano não pode ser desconsiderado. Após tudo o que a banda passou e, especialmente, o baterista Rick Allen, lançar um álbum que fez tanto sucesso é uma vitória para a banda e ainda mais para o baterista.

Para quem curte um rock com uma boa veia pop, o álbum é indicado. Caso contrário, melhor não se aproximar.

Vídeos Recomendados:

Women, ao vivo


Animal


Love Bites


Hysteria, ao vivo


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29 de julho de 2011

VAN HALEN - VAN HALEN (1978)



Van Halen, ou I, é o álbum de estreia da banda norte-americana de Hard Rock homônima, ou seja, o Van Halen. Ele foi oficialmente lançado em 10 de fevereiro de 1978 e a produção do álbum ficou a cargo de Ted Templeman (que trabalharia mais vezes com a banda). Foi gravado entre setembro e outubro de 1977 no Sunset Sound Recorders Studio, em Holywood, Califórnia, nos Estados Unidos.

Eddie Van Halen e Alex Van Halen são dois irmãos holandeses que nasceram em Nijmegen, Holanda, filhos do músico Jan Van Halen, que incentivou os filhos a terem aulas de música desde cedo. Eddie tinha aulas de piano clássico e mais tarde de bateria e Alex treinava guitarra. Entretanto, diversas vezes Eddie pegou Alex treinando em sua bateria e resolvia, então, tocar a guitarra de Alex. E nessa troca eles acabaram encontrando suas vocações.

Em 1972, os irmãos Van Halen formaram uma banda chamada Mammoth, que tinha como formação Eddie na guitarra e como vocalista, Alex na bateria e o baixista Mark Stone. Eles alugavam um sistema de som de um cara chamado David Lee Roth, e, para economizar dinheiro, resolveram adicionar Lee Roth como vocalista da banda, mesmo que suas audições anteriores para entrar na banda tenham sido mal sucedidas.

Em 1974, o baixista Mark Stone deixa a banda. Para substitui-lo, eles fazem uma audição com o baixista e vocalista Michael Anthony, de uma banda chamada Snake. Após a audição, Anthony é contratado e assume o baixo e os backing vocals.

Essa é a formação que se solidificaria. Também é considerada a formação clássica da banda e que permaneceu a mesma até 1984.

Ainda em 1974 a banda muda o nome para Genesis, mas descobre que este nome já era usado por outra banda. Então, seguindo a sugestão de David Lee Roth, a banda muda seu nome para Van Halen. Segundo Roth, o nome Van Halen seria um nome muito forte, como era o nome Santana (da banda do guitarrista Carlos Santana).

A banda começa a tocar em escolas e festas e o seu público ia crescendo através de uma espécie de autopromoção. A própria banda ia para frente de escolas e distribuía panfletos promovendo as apresentações. Logo estariam começando a tocar em diferentes clubes noturnos de Los Angeles.

Assim, sob contrato com novos managers, Mark Algorri e Mario Miranda, a banda grava sua primeira fita demo e passa a ser o nome mais forte da cena musical de Los Angeles no circuito de clubes noturnos. Em uma dessas apresentações, o DJ Rodney Bingenheimer de uma famosa rádio de Los Angeles, fica impressionado com a banda e indica a Gene Simmons, baixista do KISS, para assisti-los.

Assim, Gene produz uma demo do Van Halen e sugere que a banda mude seu nome para “Daddy Longlegs”, mas a proposta é recusada pela banda. A demo continha uma versão de “Runnin’ With The Devil” e não foi muito bem sucedida. E seu envolvimento com o Van Halen termina por aí.

Mas a sorte do Van Halen começou a mudar quando Mo Ostin e Ted Templeman assistem à banda se apresentar no clube Starwood, em Holywood, na Califórnia. Mesmo com um público bem pequeno, eles ficaram bastante impressionados com a banda e ofereceram um contrato com a Warner Brothers Records para a gravação de um álbum. Este álbum foi o Van Halen!

A capa do álbum apresenta os quatro músicos da banda em fotografias retiradas de uma apresentação da banda no clube noturno Whiky a Go Go, em Holywood, na Califórnia. Nela, Eddie Van Halen está com sua famosa guitarra Frankenstrat, que foi construída na garagem da casa de seus pais.

“Runnin’ With The Devil” é a faixa que abre o álbum. Ela se inicia apresentando um clássico riff no melhor estilo de Eddie Van Halen. Os vocais de David Lee Roth variam em tons mais baixos a gritos mais altos e combinam muito bem com a alteração de ritmos da faixa.

O solo feito por Eddie é dos melhores, com muito feeling. Destaque também para a bateria de Alex, simples, mas precisa. A faixa foi inspirada pela música “Runnin’ From The Devil”, de uma banda de R&B chamada The Ohio Players.

Foi considerada por uma eleição do canal VH1 a 9ª melhor música de Hard Rock de todos os tempos, em 2009.

“Eruption” é a segunda faixa do álbum. Na verdade essa é uma faixa instrumental, um solo escrito e tocado pelo guitarrista Eddie Van Halen. Muito frequentemente é considerado um dos melhores solos de guitarra de todos os tempos.

A técnica usada por Eddie Van Halen para tocar parte de “Eruption”, conhecida como  two-handed tapping, foi popularizada a partir desta canção e foi infinitamente usada por toda a década de oitenta.

O Van Halen nem considerava usar “Eruption” como uma faixa para seu álbum de abertura. Ela era (e ainda é) usada como uma abertura para tocar “You Really Got Me” nas apresentações da banda.

Mas certa vez Eddie estava a ensaiando no estúdio e o produtor Ted Templeman a gravou e a colocou no álbum. Em entrevistas posteriores Eddie chegou a afirmar que nem sequer a versão de “Eruption” presente no álbum era a melhor, pois há um ‘erro’ no final da faixa. Disse também que se soubesse que ela seria incluída no álbum teria feito bem melhor.

Assim como nos shows da banda, também no álbum após “Eruption” está “You Really Got Me”, terceira faixa do álbum Van Halen. Trata-se na realidade de um cover que a banda fez da versão original escrita por Ray Davies para sua banda The Kinks.

Dave Davies, um dos membros do The Kinks, odiou a versão feita pelo Van Halen. Chegou a afirmar que o Van Halen não seria a banda que foi sem “You Really Got Me”. Fato é que a faixa foi propulsora da carreira de ambas as bandas, tanto da banda The Kinks, em 1964, quanto do Van Halen em 1978. Mas apesar da polêmica, quem compôs a música, Ray Davies, gostou da versão do Van Halen.

Lançada como single, “You Really Got Me” chegou à posição 36 na parada dos Estados Unidos.

Outra ótima faixa do álbum é “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love”. A faixa tem um dos melhores e mais conhecidos riffs da carreira de Eddie Van Halen. Outro destaque da faixa é a atuação do vocalista David Lee Roth, perfeita para a canção. O solo principal da faixa é ótimo.

Há relatos de que quando Eddie compôs a música, cerca de um ano antes da gravação do álbum, ele não a considerou boa suficiente para a presentar aos seus companheiros de banda.

A música foi lançada como single, mas não obteve muito sucesso. Entretanto, hoje é reconhecida como uma das melhores músicas da banda.

Bandas como Velvet Revolver e Pearl Jam já fizeram versões cover da faixa em apresentações. E o ex-vocalista do Iron Maiden, Paul Di’Anno, gravou a versão que consta do álbum tributo ao Van Halen.

Outra curiosidade sobre “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” é que a música é tocada nos jogos do time de futebol americano New England Patriots quando está defendendo, para motivá-los a fazer uma interceptação ou recuperar a bola roubando-a (fumble).

“I’m The One” é uma faixa com um riff bem rápido e pesado do álbum. Lee Roth abusa dos gritos e faz um bom trabalho. É uma faixa que resume bem a sonoridade que a banda faria até a saída de Lee Roth do grupo.

“Jamie’s Cryin’” é outra ótima faixa do álbum. Diferente das anteriores, ela é bem mais cadenciada, mas também possui um riff bem marcante.

Quando a banda foi gravá-la, David Lee Roth queria estar com a voz bem limpa, para casar melhor com o estilo da canção. Então ficou mais de semana sem beber e fumar antes de gravá-la. Entretanto, a voz limpa do vocalista desagradou bastante o produtor Ted Templeman, que mandou Roth sair do estúdio e fumar um cigarro para ‘recuperar’ sua rouquidão característica. Roth fumou o cigarro e, para ‘ajudar’, bebeu meia garrafa de uísque. Voltou aos estúdios e gravaram a versão constante no álbum.

“Atomic Punk” é uma canção de riff bem veloz e conta com ótimo solo de Eddie. Destaque total para a guitarra nesta faixa. “Feel Your Love Tonight” já é mais cadenciada, bem ao estilo de “Jamie’s Cryin’”. A atuação de Roth é ótima e o refrão é ‘pegajoso’. Ótima faixa.  “Little Dreamer” é ‘quase’ uma balada, pois possui um ritmo mais lento, com ótimo trabalho de baixo e bateria. A guitarra de Eddie é marcante, mas o maior destaque é para a atuação de Roth, talvez a melhor no álbum.

“Ice Cream Man” é um cover da música de John Brim, um guitarrista de blues. A faixa é ótima, com uma levada bem calma no início, acústica, e se transforma em um blues rock formidável, com excelente destaque para a guitarra de Eddie em um verdadeiro show. “On Fire” é a faixa que fecha o álbum, mais uma música que possui um riff marcante, pesado e veloz de Eddie Van Halen.

O álbum atingiu a ótima 19ª posição na parada americana após seu lançamento e continua sendo um dos mais bem sucedidos álbuns de estreia de bandas de Rock. Até hoje, estima-se que o álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias.

Para promoção de Van Halen, o grupo saiu em turnê como banda de abertura do Black Sabbath, na qual ficou famosa pelo poderio de suas apresentações, contando com o talento quase inigualável de seu guitarrista Eddie e nas atuações performáticas de seu vocalista David Lee Roth.

Ainda em 1978 a banda voltaria aos estúdios para gravar seu segundo álbum de estúdio, o Van Halen II.

Formação:
David Lee Roth – Vocal, Violão em "Ice Cream Man"
Eddie Van Halen – Guitarra, Backing Vocals
Michael Anthony – Baixo, Backing Vocals
Alex Van Halen – Bateria

Faixas:
01. Runnin' with the Devil (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:36
02. Eruption (Instrumental) (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 1:43
03. You Really Got Me (Ray Davies) - 2:38
04. Ain't Talkin' 'bout Love (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:50
05. I'm the One (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:47
06. Jamie's Cryin' (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:31
07. Atomic Punk (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:02
08. Feel Your Love Tonight (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:43
09. Little Dreamer (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:23
10. Ice Cream Man (John Brim) - 3:20
11. On Fire (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:01

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/van-halen/

Opinião do Blog:
O álbum de estreia do Van Halen já valeria somente pelo fato de ser o debut de um dos melhores guitarristas da história do Rock: Eddie Van Halen!

Mas não é apenas isto. O mais impressionante de Eddie é que ele não usa a banda apenas como um apoio para suas exibições nas seis cordas. Eddie é um ótimo compositor, pois sempre criou belas melodias, riffs poderosos e solos muito inspirados. Mais ainda, o guitarrista sempre usou o seu talento em prol da música da banda.

Faixas como “Runnin’ With The Devil” e “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” são grandes clássicos do Hard Rock, empolgantes e que influenciaram diversas bandas oitentistas do estilo. Sem falar em “Eruption”, um solo sensacional.

Se você ainda não ouviu este álbum, não sabe o que está perdendo. Pena que hoje em dia o Van Halen seja uma banda muito mais famosa por suas polêmicas que pela excelente música que fez, especialmente no fim da década de setenta e nos anos oitenta.

Banda obrigatória para qualquer fã de Rock.

Vídeos Recomendados:


Runnin' With The Devil


Eruption, ao vivo em 1984


Ain't Talkin' 'Bout Love, ao vivo


You Really Got Me, ao vivo em 1983


28 de julho de 2011

PINK FLOYD - WISH YOU WERE HERE (1975)



Wish You Were Here é o nono álbum de estúdio da banda inglesa de Rock Progressivo chamada Pink Floyd. O lançamento do álbum ocorreu em 12 de setembro de 1975 e a produção ficou sob a responsabilidade da própria banda. A gravação ocorreu de janeiro a julho de 1975 no Abbey Road Studios, em Londres, na Inglaterra.

26 de julho de 2011

DEEP PURPLE - IN ROCK (1970)



In Rock é o quarto álbum de estúdio da banda de Hard Rock inglesa chamada Deep Purple. Ele foi lançado oficialmente no dia 3 de Junho de 1970 e a produção ficou a cargo da própria banda. Foram utilizados os estúdios IBC, De Lane Lea e o famoso Abbey Road Studios, em Londres, na Inglaterra. As gravações ocorreram de agosto de 1969 a maio de 1970.

THE BEATLES - THE BEATLES (1968)



*Resenha sugerida e dedicada ao amigo e fã do blog Caio Lara

The Beatles, ou o “Álbum Branco”, é o décimo álbum de estúdio da banda inglesa de rock The Beatles. Ele foi lançado em 22 de novembro de 1968 e foi gravado de 30 de maio a 14 de outubro do mesmo ano. A produção ficou a cargo de George Martin (lendário produtor dos Beatles) e os estúdios Abbey Road Studios e Trident Studios, ambos em Londres, na Inglaterra, foram utilizados para a gravação.

Desde o fim de 1966 os Beatles já havia deixado as turnês e se tornado uma banda exclusivamente de estúdio. O último show foi em 29 de agosto de 1966, no Monster Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Os quatro músicos da lendária banda passaram os primeiros meses de 1968 na Índia, para aprenderem a meditação transcendental com o guru Maharishi Mahesh Yogi, seu criador. A experiência seria fundamental para a criação de canções que constariam no álbum.

Entretanto, a banda deixou a Índia antes do tempo necessário. Ringo Starr foi o primeiro a sair, queixando-se do tédio e do tempero indiano, com o qual não se adaptou. Paul McCartney foi o segundo. Harrison e Lennon deixaram a Índia juntos, algumas semanas depois. Lennon teria se desapontado com Maharishi Mahesh Yogi, pois supôs que este teve um caso com Mia Farrow, o que serviu de inspiração para a canção do álbum em questão chamada “Sexy Sadie”.

Após deixarem a Índia, Lennon e McCartney foram para Nova Iorque para anunciar a criação da Apple Records, selo discográfico que distribuiria os trabalhos que seriam lançados pela banda a partir dali. Em tempo, acabou também como selo dos álbuns solos do ex-membros dos Beatles após a dissolução da banda até 1975.

Embora se esteja tratando de um álbum de importância indiscutível, o “Álbum Branco” pode ser considerado o começo do fim da banda. Foi durante sua gravação que uma série de eventos começou a provocar desentendimentos entre os membros da banda que, com o decorrer do tempo, tornar-se-iam insolúveis.

O padrão de gravação que havia nos discos anteriores, com o grupo trabalhando em conjunto de forma entusiasmada e dinâmica deu espaço a um modo de atuar drasticamente individual por parte dos músicos. Muitas vezes foi comum ver Lennon em um estúdio, McCartney em outro e Starr e Harrison em um terceiro, cada qual com técnicos responsáveis pela gravação diferentes.

Os motivos para desentendimentos na banda têm algumas possíveis explicações.

Com a morte do Manager da banda, Brian Epstein, em agosto de 1967, a banda se dividiu quanto ao novo gerente da banda. Lennon, Harrison e Starr desejavam que o novo gerente fosse Allen Klein, que gerenciava os Rolling Stones. McCartney, entretanto, desejava que o novo manager fosse o empresário Lee Eastman, pai da então namorada e futura esposa  de Paul, Linda. Os outros três membros da banda ficaram receosos de que Eastman favoreceria seu futuro genro em detrimento dos interesses da banda. Klein acabou escolhido, embora Paul nunca tenha ratificado o contrato, e depois se descobriu que Allen desviou 5 milhões de libras da banda.

Mas não era somente isso: incomodava aos demais membros do grupo a suposta arrogância de Paul McCartney, cada vez mais se colocando em uma posição de líder do grupo e a dificuldade da dupla Lennon e McCartney em aceitar as novas composições de George Harrison.

A banda possuía uma espécie de pacto de que, na época das gravações, namoradas ou esposas estariam fora dos estúdios enquanto os músicos gravavam e compunham. Mas John Lennon acabou ‘quebrando’ este pacto com sua nova namorada, Yoko Ono. Lennon afirmou que após começar a se relacionar com Yoko sua criatividade aflorou e suas composições ficaram consideravelmente melhores, sendo a presença de Ono fundamental.

Já George Harrison afirmou que: "John apresentou as instalações de Abbey uma vez, e ela nunca mais foi embora… Aparecia todo santo dia”.

Outro motivo de tensão foi o tempo para a gravação das faixas. Algumas, dado o perfeccionismo exigido, principalmente, por McCartney, tiveram cerca de 60 tomadas. Isto acabou irritando bastante a todos.

Fato mais comprobatório da tensão que acabou tomando conta do grupo durante as gravações do álbum foi quando o baterista Ringo Starr deixou a banda, em 22 de agosto de 1968, cansado das excessivas gravações e de ser colocado em uma posição menor perante aos demais membros do grupo. Duas semanas após a sua saída, Ringo voltaria à banda, dado que os outros três membros da banda imploraram por sua volta. Durante a sua ausência, o sensacional músico Paul McCartney assumiu as baquetas em “Back In The USSR” e “Dear Prudence”.

Para se ter uma ideia do clima durante as gravações, mesmo antes da saída temporária de Ringo, o engenheiro de som Geoff Emerick, que trabalhava com o grupo desde Revolver (1966) anunciou em 16 de julho de 1968 que não trabalharia mais com a banda devido ao “desgosto e deterioração do ambiente de trabalho”.

O próprio produtor do álbum e de longa data da banda chegou a afirmar que trabalhar com os Beatles estava se tornando insuportável e que suas maiores qualidades estavam se tornando desfocadas.

A arte da capa ficou a cargo de Richard Hamilton e o conceito adotado foi o contraste com a capa do álbum anterior, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), que era muito colorida. Foi a primeira capa de álbum que não continha os membros do grupo, sendo simplesmente branca, com o nome da banda em alto-relevo.

O álbum branco foi o primeiro (e único) álbum duplo da banda. O produtor George Martin e Ringo Starr eram a favor de se lançar apenas um álbum, com as melhores músicas. Harrison afirmou que havia uma batalha de egos na banda e que lançar o álbum duplo era uma forma de mostrar o seu trabalho de compositor e limpar o catálogo da banda na época. Já McCartney disse que o álbum saiu da forma que deveria.

A ótima “Back In The U.S.S.R.” abre o álbum. É um rock vigoroso, composta por McCartney e ele mesmo gravou a bateria da faixa como dito anteriormente, pois Starr havia saído da banda. Lennon e Harrison trabalham muito bem nos Backing Vocals. Na verdade, trata-se de uma brincadeira de Paul com a música de Chuck Berry “Back In The USA”. Grande faixa de abertura.

“Dear Prudence” é uma composição de John Lennon. Foi feita durante o retiro da banda na Índia e sua sonoridade reflete um pouco da sonoridade típica daquele país. É uma faixa mais calma e de excepcional qualidade.

“Glass Onion” é uma canção com certo apelo psicodélico e traz uma brincadeira de John Lennon sobre o fato das pessoas procurarem mensagens subliminares nas composições da banda.

“Ob-La-Di, Ob-La-Da” é um clássico da banda. É quase um Reggae, com um ótimo ritmo contagiante, bem alto astral. Composta por McCartney, durante a sua gravação, chegou a ser gravada por mais de 60 vezes, fato que irritou profundamente Lennon, que chegou a afirmar que “odiava a música”. O grupo Marmelade alcançou o topo das paradas inglesas com uma regravação desta faixa.

“While My Guitar Gently Weeps” foi composta por George Harrison, sendo uma ótima canção. O solo da música foi tocado pelo guitarrista Eric Clapton, amigo íntimo de Harrison. Mesmo assim seu nome não foi creditado no álbum. Ótimo solo!

“Martha My Dear” é uma homenagem que McCartney fez à sua cadela Martha e contém um ritmo bem mais próximo ao Jazz. É a faixa que abre o lado B do primeiro disco.

“Blackbird” é uma faixa que conta com Paul cantando e tocando violão. É uma bela balada que conta com sons de pássaros ao fundo, com uma marcação rítmica bem simples. É uma das melhores do álbum.

“Piggies” é mais uma composição de George Harrison para o álbum. Suas letras contém uma forte crítica social. “Rocky Racoon” é uma composição de Paul que conta com George Martin ao piano, com um estilo voltado ao velho oeste americano.

“Don’t Pass Me By” é uma contribuição de Starr para o álbum, música bem alegre, em clima de alto astral. “Why Don’t We Do It In The Road” é uma faixa em que Paul toca todos os instrumentos e Lennon sempre achou esta uma das melhores faixas de Paul. “Julia” fecha o primeiro disco, com uma ótima balada composta por John Lennon em homenagem à sua mãe.

“Birthday” abre o segundo disco de “The Beatles”. É mais uma canção bem rock and roll, com ótimo ritmo e bem agitada. É uma das últimas composições genuinamente feita em parceria Lennon e McCartney. Conta com a participação de Yoko Ono e Pattie Harrison (esposa de George) no coro de vozes.

“Yer Blues” é uma das melhores do álbum, um blues com muito feeling e sentimento composto por John Lennon. A melodia é pesada e, de certa forma, melancólica. Faixa sensacional.

“Sexy Sadie” é uma canção composta por John Lennon que reflete seu desapontamento com o guru indiano Maharishi que, supostamente, ficava flertando com as mulheres que faziam parte do grupo de meditação, em especial com Mia Farrow.

Outro clássico presente na obra é “Helter Skelter”. Foi a tentativa de Paul McCartney fazer a música mais pesada dos Beatles, supostamente, em resposta a “I Can See For Miles”, do grupo The Who. Há uma lenda que haveria uma versão de “Helter Skelter” que teria duração de 27 minutos e que permanece inédita até hoje. Bandas do quilate de U2 e Motley Crüe fizeram versões da faixa. Certamente uma das melhores do álbum.

“Revolution 1” é uma faixa praticamente acústica que abre o lado B do segundo disco. Recebe no nome o número 1 porque é a versão original de “Revolution”, gravada com guitarras para o lado B do single “Hey Jude”.

“Savoy Truffle” é mais uma contribuição de Harrison para o álbum. Faixa alegre que contém algumas referências à faixa “Ob-La-Di, Ob-La-Da”. “Cry Baby Cry” é uma balada composta por John Lennon e tem como elemento principal o piano. “Revolution 9” é praticamente uma colagem de sons desconexos e criou mais atrito entre John e Paul, já que este não a considera uma música “Beatle”. “Good Night” é uma bela balada composta por John Lennon, na qual Ringo Starr está no vocal e é acompanhado por orquestrações. A faixa fecha o álbum.

Como dito anteriormente, nesta fase o grupo não realizava mais turnês, embora fizessem aparições em programas de televisão à época.

Durante a gravação do “Álbum Branco”, a banda gravou a faixa “Hey Jude”, um dos maiores sucessos da banda e música que foi composta para não entrar como parte de nenhum álbum. É o primeiro single lançado pela Apple Records e é, até hoje, o single mais vendido da carreira da banda. Seu lado B, como dito anteriormente, é uma modificação da faixa “Revolution 1”, constante no álbum, mas desta vez tocada mais rápida e com guitarras, chamada de “Revolution” apenas.

Evidentemente o álbum foi um sucesso absoluto e é o décimo álbum mais vendido nos Estados Unidos. Foi também o primeiro álbum gravado em 8 canais e o último a ser lançado no Reino Unido com a mixagem alternativa mono, uma vez que a versão americana já contava com a tecnologia estéreo.

Formação:
George Harrison – Vocal e Backing Vocals; Guitarra Base e Solo, Violão, Baixo de 4 e 6 cordas; Hammond órgão; Bateria e Percussão

John Lennon – Vocal e Backing Vocals; Guitarra Base e Solo, Violão, Baixo de 4 e 6 cordas; Hammond órgão; Bateria e Percussão, Gaita, Saxofone e assobios.

Paul McCartney – Guitarra Base e Solo, Violão, Baixo de 4 e 6 cordas; Hammond órgão; Bateria e Percussão (Bateria em "Back in the U.S.S.R." e "Dear Prudence").

Ringo Starr – Bateria e Percussão; Piano Elétrico e Sleigh Bell (sinos) em "Don't Pass Me By"; Backing Vocals em "The Continuing Story of Bungalow Bill"; Vocal em "Don't Pass Me By" e "Good Night"

Faixas:

Disco 1

01. Back in the U.S.S.R. (Lennon/ McCartney) - 2:43
02. Dear Prudence (Lennon/ McCartney) - 3:56
03. Glass Onion (Lennon/ McCartney) - 2:17
04. Ob-La-Di, Ob-La-Da (Lennon/ McCartney) - 3:08
05. Wild Honey Pie (Lennon/ McCartney) - 0:52
06. The Continuing Story of Bungalow Bill (Lennon/ McCartney) - 3:13
07. While My Guitar Gently Weeps (Harrison) - 4:45
08. Happiness Is a Warm Gun (Lennon/ McCartney) - 2:43
09. Martha My Dear (Lennon/ McCartney) - 2:28
10. I'm So Tired (Lennon/ McCartney) - 2:03
11. Blackbird (Lennon/ McCartney) - 2:18
12. Piggies (Harrison) - 2:04
13. Rocky Raccoon (Lennon/ McCartney) - 3:32
14. Don't Pass Me By (Starr) - 3:50
15. Why Don't We Do It in the Road? (Lennon/ McCartney) - 1:40
16. I Will (Lennon/ McCartney) - 1:45
17. Julia (Lennon/ McCartney) - 2:54

Disco 2

01. Birthday (Lennon/ McCartney) - 2:42
02. Yer Blues (Lennon/ McCartney) - 4:00
03. Mother Nature's Son (Lennon/ McCartney) - 2:47
04. Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey (Lennon/ McCartney) - 2:24
05. Sexy Sadie (Lennon/ McCartney) - 3:15
06. Helter Skelter (Lennon/ McCartney) - 4:29
07. Long, Long, Long (Harrison) - 3:03
08. Revolution 1 (Lennon/ McCartney) - 4:15
09. Honey Pie (Lennon/ McCartney) - 2:40
10. Savoy Truffle (Harrison )- 2:54
11. Cry Baby Cry (Lennon/ McCartney) - 3:02
12. Revolution 9 (Lennon/ McCartney) - 8:13
13. Good Night (Lennon/ McCartney) - 3:11

Letras:
Para conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/the-beatles/

Opinião do Blog:
Somente o nome Beatles já é um revelador de qualidade quando está se falando de Rock. Praticamente toda a discografia da banda é formada por álbuns clássicos, indiscutivelmente.

Destacamos este álbum pelo fato de ser o começo do fim da banda mais bem sucedida comercialmente e mais reconhecida da história da música. O fato do ambiente pesado de gravação não influenciou na enorme qualidade das músicas, pelo simples fato da banda contar com músicos da mais alta qualidade.

Esta também é uma forma de reconhecer todo o legado da banda para a música em geral, não apenas para o rock. Ao ouvir o álbum, depara-se com a enorme versatilidade da banda em termos de sonoridades diversas que encontramos ao longo do álbum. É indiscutível a contribuição do grupo para a música moderna. Bandas de diferentes estilos citam os Beatles como influência, por exemplo, Black Sabbath, Ramones e Oasis, todas muito diferentes entre si.

Então, se você não é fã do quarteto de Liverpool, no mínimo deve reverenciá-los, pois a música que você adora curtir todos os dias tem enorme contribuição musical e técnica por parte dos Beatles. Portanto, nosso muito obrigado!

Vídeos Relacionados:

Helter Skelter


Back To USSR


While My Guitar Gently Weeps


Ob-La-Di, Ob-La-Da