4 de maio de 2026

ALMAH - FRAGILE EQUALITY (2008)

 


Fragile Equality é o segundo álbum de estúdios da banda brasileira Almah. O lançamento oficial ocorreu em 18 de novembro de 2008, pelos selos AFM e Blistering. As gravações aconteceram no primeiro semestre de 2008, no Norcal Studios, em São Paulo. A produção ficou cargo de Edu Falaschi e de Felipe Andreoli.





Almah foi uma banda brasileira de heavy metal. Fundada inicialmente em 2006 como um projeto paralelo do ex-vocalista do Angra, Edu Falaschi, a banda lançou cinco álbuns e deixou de ser um projeto solo para se tornar uma banda com atividades regulares.


Edu Falaschi afirmou que procurava um nome de banda que fosse fácil de lembrar e pronunciar em todos os idiomas. Em português e espanhol, Alma significa “alma”. Ele descobriu que em hebraico Almah, com "h", significa virgem e pureza.


Ele também afirmou que muitas pessoas religiosas dizem que o que isso significa é o oposto:


Decidi falar sobre sentimentos humanos em um álbum inteiro – e os sentimentos humanos podem ser bons e ruins – como a liberdade, como o amor, podemos sentir como a liberdade, podemos sentir inveja e ganância – sentimentos ruins. Foi assim que decidi escrever sobre os sentimentos humanos”


Edu Falaschi



O primeiro álbum da banda, Almah, foi lançado no segundo semestre de 2006. Além de cantar, Edu Falaschi também produziu o disco, compôs todas as músicas e escreveu todas as letras.


O álbum foi gravado na Finlândia e no Brasil com músicos como Emppu Vuorinen (guitarra – Nightwish), Lauri Porra (baixo – Stratovarius) e Casey Grillo (bateria – Kamelot), e participações especiais de Mike Stone (guitarra – Queensrÿche), Edu Ardanuy (guitarra – Dr. Sin) e Sizão Machado (baixo – Tom Jobim, Chico Buarque e outros), entre outros.


O álbum recebeu boas críticas em revistas e sites de rock em todo o mundo. Falaschi foi considerado um dos melhores cantores pelos leitores da revista Burrn! (Japão).


O primeiro show oficial completo da banda foi realizado dia 2 de setembro de 2006, na cidade de São Caetano do Sul, e em São Paulo, no Victoria Hall. A banda contava com os antigos membros da banda Symbols (antiga banda de Edu Falaschi); Demian Tiguez (guitarra) e Adriano Daga (bateria), mais seu irmão Tito Falaschi (baixo); Rafael Bittencourt (Angra) (guitarra) e Renato Tribuzy (vocal) também participaram de shows como convidados especiais, nessa turnê Edu também tocava guitarra em algumas músicas. Foram 7 shows e 2 pockets shows, passando pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.


Em junho de 2007, o Angra fez uma pausa de dois anos e Falaschi se concentrou no trabalho com o Almah. O projeto solo se transformou em uma banda com formação estável.


Falaschi: O Angra realmente parou em julho de 2007. E então quando lancei o primeiro álbum, era um álbum solo, eu sabia que talvez no futuro o Almah pudesse ser uma banda. E quando o Angra realmente parou, não sabíamos sobre o futuro do Angra e não sabíamos quando voltaríamos com o Angra. Decidi em dezembro de 2007 criar um novo álbum do Almah, mas como uma banda de verdade, como uma banda em tempo integral.


Edu Falaschi



A primeira turnê do Almah é retomada no dia 19 de julho de 2007, no Anime Friends em São Paulo, com público de 4.500 pessoas. A banda tinha novidades na formação; sendo o baterista Aquiles Priester, o tecladista Fábio Laguna e o baixista Felipe Andreoli, todos do Angra; mais o guitarrista Edu Ardanuy do Dr. Sin, que fez apenas 2 shows. Depois disso ele indica o guitarrista brasiliense Marcelo Barbosa, do Khallice.


Data de lançamento e selo


O segundo álbum do Almah foi lançado inicialmente em 24 de setembro de 2008 no Brasil, durante a feira musical ExpoMusic. O disco teve lançamentos escalonados em diferentes mercados, sendo 24 de setembro de 2008 no Brasil (Laser Company), 2008 em Ásia (Victor-JVC) e 17 de outubro de 2008 na Europa, Estados Unidos e Canadá (AFM Records).


O selo principal responsável pela edição internacional foi AFM Records, tradicional gravadora alemã especializada em heavy metal e hard rock.


Composição e concepção musical


Todas as composições foram desenvolvidas no contexto da consolidação do Almah como banda — e não mais apenas como projeto solo de Edu Falaschi. Esse line-up surgiu durante a pré-produção do álbum em 2008, quando Schroeber e Moreira foram incorporados definitivamente ao grupo.


A composição do material foi conduzida principalmente por Falaschi e Andreoli, com forte colaboração dos demais músicos no desenvolvimento de arranjos instrumentais e na construção do direcionamento sonoro do disco.


Gravação do álbum

As gravações ocorreram no primeiro semestre de 2008. O trabalho foi realizado no Norcal Studios, localizado em São Paulo.


Durante as sessões, o processo envolveu registros individuais das partes instrumentais e vocais — inclusive com material divulgado mostrando sessões de gravação de baixo conduzidas por Felipe Andreoli, evidenciando o clima de trabalho em estúdio.


Produção, mixagem e masterização


O álbum foi produzido por Edu Falaschi e Felipe Andreoli. As etapas técnicas principais envolveram Brendan Duffey e Adriano Daga na mixagem; e Walter Lima e Fabio Ernesto, na masterização.


Arte da capa


A arte gráfica do álbum foi criada pelo designer brasileiro Gustavo Sazes, responsável pelo estúdio Abstrata Art & Design. Sazes é um dos ilustradores mais requisitados do heavy metal contemporâneo, tendo trabalhado com bandas como Arch Enemy, Machine Head, Morbid Angel e Firewind.


Vamos às Faixas:


BIRDS OF PREY


O disco é aberto com “Birds of Prey” um power metal intenso e técnico, com Edu cantando de uma forma mais agressiva que fazia no Angra, na mesma época.


A letra utiliza a metáfora das aves de rapina para representar forças dominantes e predatórias presentes nas relações humanas e sociais. A imagem desses predadores no céu remete a indivíduos ou sistemas que exercem poder sobre outros, criando um clima de tensão e vigilância constante.


BEYOND TOMORROW


Beyond Tomorrow” continua com uma sonoridade pesada e bastante técnica, com destaque para a seção rítmica.


A letra sugere que o amanhã não deve ser encarado como uma ameaça, mas como um campo de possibilidades.


MAGIC FLAME


Magic Flame” é mais curta e mais direta, com uma pegada que lembra o Helloween.


A letra enfatiza perseverança, inspiração e transformação interior, aproximando-se de temas recorrentes no power metal, onde elementos simbólicos e quase místicos costumam representar processos psicológicos ou espirituais.


ALL I AM


Na sequência, “All I Am” que, embora sendo mais melódica e suave, seu forte refrão e a interpretação emocional de Edu, trazem um sentimento de tristeza – mas belo.


O eu lírico confronta a necessidade de reconhecer quem realmente é, sem máscaras ou ilusões. Esse tipo de reflexão dialoga com uma tradição do metal melódico que frequentemente aborda crises de identidade e processos de autoconhecimento.


YOU’LL UNDERSTAND


You’ll Understand” tem mais influências progressivas, com passagens mais intrincadas.


O tema central é o reconhecimento tardio: a ideia de que certas decisões só fazem sentido com o tempo.


Edu Falaschi



INVISIBLE CAGE


Uma pegada Rebirth (do Angra) pode ser ouvida em “Invisible Cage”, com presença de música regional brasileira junto ao power metal da banda.


A letra sugere que o maior obstáculo para a liberdade muitas vezes não é externo, mas interno.


FRAGILE EQUALITY


Fragile Equality é muito pesada (para o padrão do disco), com uma pegada próxima ao Thrash Metal moderno.


A letra reflete sobre o equilíbrio delicado entre forças opostas — razão e emoção, ordem e caos, esperança e desespero.


TORN


Torn” é uma composição forte, contando com bastante peso e intensidade, sendo um Power Metal que chega a flertar com o Thrash.


Em “Torn”, o foco lírico é o conflito interno. A palavra “torn” — que pode ser traduzida como “dilacerado” ou “dividido” — descreve um estado emocional marcado por dúvida e ambivalência.


SHADE OF MY SOUL


Explorando possibilidades vocais de Edu, “Shade of My Soul” é uma balada competente.


A letra aborda as “sombras” da alma, ou seja, aspectos ocultos da personalidade que frequentemente permanecem reprimidos.


MEANINGLESS WORLD


Meaningless World” encerra o álbum com um resumo da musicalidade do disco: um power metal intrincado e técnico.


A letra descreve um mundo aparentemente desprovido de sentido, dominado por superficialidade e alienação. No entanto, em vez de simplesmente afirmar um niilismo absoluto, a música parece questionar essa visão. Ao reconhecer a falta de significado aparente, o narrador sugere implicitamente a necessidade de criar sentido próprio.


Considerações Finais


O álbum chegou à 188ª posição na parada semanal da Oricon, no Japão, um resultado significativo para um grupo brasileiro em um mercado altamente competitivo e historicamente receptivo ao power metal europeu e latino-americano. A primeira tiragem nacional do álbum esgotou-se rapidamente durante seu lançamento na feira musical ExpoMusic em setembro de 2008, obrigando a gravadora a providenciar uma nova prensagem pouco tempo depois.


Uma resenha publicada no portal Novo Metal, reproduzida posteriormente pelo site Whiplash, destacou que o álbum apresentava uma evolução significativa em relação ao disco de estreia, tanto em termos de composição quanto de produção e performance instrumental. O texto também apontava a diversidade de influências — heavy, power, thrash e metal progressivo — como um dos principais atrativos do trabalho.


Felipe Andreoli



No site Metal Archives, uma das bases de dados mais respeitadas da cena metal, o álbum mantém avaliação média próxima de 87%, resultado de críticas e avaliações de usuários especializados.


Resenhas posteriores também enfatizam a evolução musical do grupo entre o primeiro disco e este segundo trabalho. Uma análise publicada no site Sputnikmusic descreve o álbum como um salto qualitativo significativo, destacando a maior diversidade sonora e o aprimoramento da produção. Segundo o texto, o disco consolidou o Almah como um competidor legítimo no cenário internacional do power metal.


A turnê de divulgação do álbum começou em novembro de 2008, em São Paulo, poucos meses após o lançamento do disco, e seguiu até abril de 2009, quando foi encerrada com um show no tradicional Circo Voador, no Rio de Janeiro. Durante esse período, o grupo percorreu diversas cidades brasileiras, apresentando um repertório que combinava músicas do novo álbum com material do disco de estreia.


Apesar do bom andamento da turnê, sua duração acabou sendo menor do que inicialmente planejado. Em 2009, o retorno das atividades do Angra exigiu que Falaschi e o baixista Felipe Andreoli, que também integravam aquela banda, redirecionassem sua agenda para compromissos relacionados ao grupo principal.


Em 2009 e 2010, o Almah ainda tocou em diversos eventos no Brasil, incluindo festivais e apresentações em casas especializadas em rock. Uma das últimas etapas do ciclo promocional ocorreu em 2010, quando o grupo realizou mais uma série de shows em território brasileiro. O encerramento simbólico dessa fase aconteceu no festival Marreco’s Fest, em Brasília.


Ainda em 2009 e 2010, Falaschi e Andreoli começaram a trabalhar em novas ideias para o terceiro álbum do Almah, Motion, o qual seria lançado em 2011.





Formação:

Edu Falaschi – Vocal

Felipe Andreoli – Baixo

Marcelo Barbosa – Guitarra

Paulo Schroeber – Guitarra

Marcelo Moreira – Bateria


Faixas:

01. Birds of Prey (Falaschi/Schroeber) - 4:45

02. Beyond Tomorrow (Andreoli/Falaschi) - 4:03

03. Magic Flame (Andreoli/Barbosa/Falaschi/Moreira) - 3:32

04. All I Am (Andreoli/Falaschi) - 4:40

05. You'll Understand (Andreoli/Falaschi/Moreira) - 6:03

06. Invisible Cage (Falaschi/Schroeber) - 5:46

07. Fragile Equality (Andreoli/Falaschi) - 3:48

08. Torn (Andreoli/Falaschi) - 4:42

09. Shade of My Soul (Andreoli/Falaschi) - 4:58

10. Meaningless World (Andreoli/Falaschi) - 4:48


Opinião do Blog:

Temple of Shadows, o quinto álbum do Angra (e o segundo com Edu nos vocais), marcou a carreira de Falaschi, definitivamente.


A partir de então, ele passou a ser uma meta (em maiores ou menores graus), de sua carreira, com diferentes resultados. Em Fragile Equality, toda a categoria do supracitado disco é emulada de forma satisfatória.


O grupo aposta em um disco pesado, um Power Metal agressivo que flerta algumas vezes com Thrash e, em sua maior parte, demonstra uma sonoridade rebuscada, intrincada e com boa dose de pegada Prog Metal. Também há algum espaço para canções mais suaves, bem melódicas, as quais conseguem demonstrar o grande talento de Edu como vocalista.


Magic Flame” e “Beyond Tomorrow” são bons exemplos deste Power Metal mais intricado, com peso e agressividade. Os flertes com o Thrash Metal são visíveis em “You'll Understand” e “Torn” (minha preferida neste trabalho).


Como dissemos a suavidade e a sensibilidade melódica dão as caras em belas composições como “All I Am” e “Shade of My Soul”.


Diante do exposto, pode-se afirmar que Fragile Equality é um dos melhores trabalhos do Edu Falaschi fora do Angra e uma espécie de prenúncio para a bela carreira-solo que ele formaria nos anos 2020.

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