10 de abril de 2015

PANTERA - VULGAR DISPLAY OF POWER (1992)


Vulgar Display Of Power é o sexto álbum de estúdio da banda norte-americana chamada Pantera. Seu lançamento oficial aconteceu em 25 de fevereiro de 1992, através do selo Atco Records. As gravações se deram durante o ano de 1991, no Pantego Sound Studio, em Pantego, no estado norte-americano do Texas. A produção ficou a cargo de Terry Date e do baterista Vinnie Paul.


Em seus primórdios, o Blog já tratou do clássico álbum do Pantera, Cowboys From Hell. Agora, vai-se focar nos fatos (poucos, é verdade) que antecederam o lançamento de Vulgar Display Of Power.

Embora seja o quinto álbum de estúdio do grupo, Cowboys From Hell foi considerado – pela própria banda – como sua estreia. O disco trouxe toda uma nova musicalidade para os texanos, apontando para um movimento mais agressivo e impetuoso.

Longe de ter sido um grande sucesso comercial, 'Cowboys' ofereceu à banda resultados muito mais importantes: fez o conjunto sepultar definitivamente o Glam Metal insosso de seus 4 primeiros trabalhos e os colocou em um novo patamar diante da mídia e dos fãs.

Em 1991, o Pantera voltou ao Pantego Sound Studio para gravar seu segundo lançamento sob contrato com a Atco Records, o qual se tornaria Vulgar Display of Power. O álbum acabaria sendo produzido por Terry Date, o qual se especializou nos gêneros rock e metal e que já havia trabalhado com a banda em Cowboys from Hell (1990).

Antes de Terry Date começar a trabalhar no álbum, a banda possuía a base para três faixas, "A New Level", "Regular People (Conceit)" e "No Good (Attack The Radical)". O resto das canções foram escritas em estúdio.

Depois de estar no estúdio durante dois meses, o Pantera foi convidado a abrir para o Metallica e o AC/DC no Monsters of Rock de 1991, em Moscou, na Rússia. O show foi gratuito e teve lugar no Tushino Airfield, em 28 de setembro de 1991.

Após o show, a banda voltou ao estúdio para continuar a trabalhar no álbum. O grupo viajou para Nova York para masterizar seu novo disco no Masterdisk.

Embora o guitarrista Darrell Abbott tenha sido creditado no álbum com o apelido de "Diamond Darrell", durante a gravação do mesmo ele abandonou esse apelido e assumiu "Dimebag Darrell", e o baixista Rex Brown também largou o pseudônimo de "Rexx Rocker".

Phil Anselmo
Vinnie Paul disse que Cowboys from Hell estava realmente perto do som definitivo do Pantera.

Segundo o baterista do Pantera, quando o Metallica lançou seu auto-intitulado álbum de 1991, o Pantera o considerou uma decepção para os fãs, pois acreditava que o Metallica havia abandonado o Thrash Metal de seus álbuns anteriores. Assim, o Pantera sentiu que tinha uma oportunidade e uma lacuna a preencher e quis fazer seu registro mais pesado de todos os tempos.

As letras para o álbum foram inspiradas em fatos reais. Após a turnê de Cowboys From Hell, alguns amigos do grupo começaram a pensar que o estrelato havia subido à cabeça do grupo. Assim, Phil Anselmo quis deixar a mensagem para quem estava com esta atitude: “Mantenha essa merda longe de mim.”

O título do álbum foi retirado de uma frase do filme O Exorcista, de 1973. Quando o padre Damien Karras pede a Regan MacNeil (ou o demônio que a possui) para quebrar suas próprias tiras e soltar-se usando seu poder maligno, Regan responde: "that's much too vulgar a display of power."

Dimebag Darrell
Em abril de 2007, o título do álbum foi usado para o livro A Vulgar Display of Power:. Courage and Carnage at the Alrosa Villa, que inclui muitos nomes de músicas do Pantera como títulos dos capítulos. O livro detalha os envolvidos e os detalhes que levaram ao assassinato do guitarrista Dimebag Darrell Abbott, em 2004.

A capa do álbum é uma foto, agora icônica, de um homem sendo socado no rosto. A foto para a capa do álbum foi realizada pelo fotógrafo Brad Guice, o qual havia feito também a fotografia da capa de Cowboys From Hell.

A banda pediu a sua gravadora que eles gostariam, na capa, de "algo vulgar, como um cara levando um murro". A primeira versão da capa que o selo trouxe para a banda mostrava um boxer com uma luva de perfuração, mas a banda não gostou. Então, a gravadora fez uma segunda versão que mostrava um homem que está sendo socado.

De acordo com Vinnie Paul, o homem na capa foi pago por US$ 10 por soco e foi atingido no rosto próximo de 30 vezes para se obter a imagem ideal. No entanto, Brad Guice afirmou que o homem na capa, chamado Sean Cross, nunca foi realmente atingido.

Vamos às faixas:

MOUTH FOR WAR

A bateria frenética de Vinnie Paul e um riff poderoso, embora mais cadenciado, de Dimebag Darrell dão às cartas no início da faixa. Logo depois, vocais furiosos de Phil Anselmo se encaixam perfeitamente com a proposta musical. O solo demonstra todo o feeling de Darrell. Enfim, o Pantera mostra a que veio logo de cara!

Segundo Phil Anselmo, a letra se refere a canalizar o ódio para algo construtivo:

There comes a time within everyone to close your eyes to
What's real
No comprehension to fail
I vacuum the wind for my sail
Can't be the rest
Let others waste my time
Owning success is the bottom line
Like a knife into flesh
After life is to death
Pulling and punching the rest of duration
No one can piss on this determination

“Mouth For War” é um grande clássico do Pantera, sendo uma das canções favoritas dos fãs.


Foi lançada como single e alcançou a boa 24ª posição da parada norte-americana desta natureza. Também atingiu a 73ª colocação na correspondente britânica.

Um videoclipe foi lançado para promover a canção. Entre os covers famosos estão das bandas Disarmonia Mundi e Biohazard.



A NEW LEVEL

Um riff sensacional, pesado e intenso, embora também cadenciado, dita o ritmo de "New Level". O ritmo e a velocidade crescem gradativamente à medida que os vocais de Anselmo vão se tornando cada vez mais agressivos. A canção é uma verdadeira porrada, mantendo o álbum em nível estratosférico.

A letra trata de confiança e mudança:

Demanding plea for unity between us all
United stand
Death before divided fall
In mock military order
Vulgar
Power
Impatient
Because time is shorter



WALK

Provando estar em estado de graça, Dimebag Darrell traz um novo riff primoroso em "Walk". A pegada é cadenciada, mas repleta de peso e groove, trazendo a composição para um patamar ainda mais elevado. Phil Anselmo faz uma interpretação vocal sublime, casando sua maneira de cantar perfeitamente com o instrumental. O ouvinte está diante de uma das mais marcantes composições dos anos 90.

A letra é uma imposição de respeito:

Is there no standard anymore?
What it takes, who I am, where I've been, belong
You can't be something you're not
Be yourself, by yourself, stay away from me
A lesson learned in life, known from the dawn of time

“Walk” é outro tremendo clássico do Pantera presente em Vulgar Display Of Power. Seu videoclipe teve intensa circulação nos anos 90.

Lançada como single, atingiu a boa 23ª colocação da parada norte-americana desta natureza. Também teve a respeitável 35ª posição da correspondente britânica.


“Walk” está na 16ª posição da lista do canal musical VH1 de 40 Greatest Metal Songs. Já a revista Guitar World elegeu o solo da canção como o 57º melhor de todos os tempos.

Como covers mais famosos, há o de bandas como Trivium, Seether, Disturbed e Avenged Sevenfold.

A música também está presente em games como Madden NFL 2010 e Rock Band 3.



FUCKING HOSTILE

A menor composição de Vulgar Display Of Power não brinca em serviço: bebendo nas fontes mais ricas do Thrash Metal norte-americano, "Fucking Hostile" é agressiva, direta e inquietante. Impossível não se lembrar de bandas como o Exodus ao se ouvir a música. Brilhante!

A letra é um convite de fuga contra a hipocrisia do sistema:

Come meet your maker, boy
Some things you can't enjoy
Because of heaven/hell
A fucking wives' tale
They put it in your head
Then put you in your bed
He's watching say your prayers
'Cause God is everywhere
Now I'll play a man learning priesthood
Who's about to take the ultimate test in life
I'd question things because I am human
And call no one my father who's no closer that a stranger



THIS LOVE

Já em "This Love", a banda opta por colocar os pés no freio, trazendo uma melodia mais suave e lenta, acompanhada por vocais bem comportados de Phil Anselmo. Mas logo o peso, o groove e os vocais agressivos de Phil Anselmo aparecem, exatamente no refrão. Em uma construção bastante interessante, a faixa alterna momentos mais suaves e intimistas com outros extremamente pesados, baseados no Thrash Metal. Destaque para Dimebag Darrell, esbanjando talento! É o modo do Pantera anos 90 fazer balada: espetacular!

A letra é sobre sofrimento amoroso:

If ever words were spoken,
painful and untrue.
I said I loved,
but I lied.
In my life,
all i wanted..was the keeping of someone like you.
As it turns out,
deeper within me,
love was twisted and pointed at you.
- Never ending pain. Quickly ending life -

“This Love” foi outro grande sucesso do Pantera. Teve outro videoclipe para sua promoção, dirigido por Kevin Kerslake.


Lançada como single, atingiu a excepcional 6ª colocação da parada norte-americana.

Está presente em games como Doom II e Rock Revolution. Entre os covers mais famosos estão o de bandas como Kiuas e Staind.



RISE

A pegada Thrash Metal está de volta em "Rise" que já em seu início demonstra toda a fúria instrumental do grupo texano. O riff é bastante pesado e direto e os vocais de Anselmo acompanham o ritmo sempre com exatidão. Destaque para a insanidade da bateria de Vinnie Paul e para o bom refrão.

A letra fala sobre fé e dominação:

Taught when we're young to hate one another
It's time to have a new reign of power
Make pride universal so no one gives in
Turn our backs on those who oppose
Then when confronted we ask them the question
What's wrong with their mind? What's wrong with your mind?



NO GOOD (ATTACK THE RADICAL)

Mais uma vez fica em evidência a criatividade da banda, contando com outro riff brilhante. O peso e a cadência fazem a diferença na questão. Por alguns momentos os vocais de Anselmo se alternam entre agressivos, suaves, ou mesmo chegando a 'recitar' a letra, em um estilo que lembra o Rap norte-americano. Canção bastante criativa.

A letra aborda o preconceito racial:

Race, pride, prejudice
Black man, white man, no stand
Live in the past, we make it last, a hated mass
No solution, mind pollution, for revolution



LIVE IN A HOLE

O peso absurdo de "Live In A Hole" é algo intrigante. A guitarra de Dimebag Darrell está insana, contribuindo decisivamente para o sucesso da faixa. O riff é ótimo e os solos esbanjam feeling. A opção por apresentar uma música com andamento mais devagar, mas repleta de intensidade, revela-se mais que acertada. Mais um momento marcante da obra.

A letra fala de aceitação:

I promised myself somewhere in the teenage life
I'd never submit to the ones I will not be like
Live in a hole
But stay close to my kind
Cause they understand what burns in my mind
I still feel incomplete
Friends are few and far between



REGULAR PEOPLE (CONCEIT)

Vinnie Paul abre os trabalhos em "Regular People (Conceit)", com a costumeira insanidade nas baquetas. Logo é seguido pelo excelente trabalho de seu irmão Darrell nas seis cordas, com um riff criativo, pesado, mas mais cadenciado. Também Phil Anselmo 'brinca' com sua voz, acompanhando a alternância rítmica da massa sonora. Destaque para o ótimo solo de Dimebag!

A letra é uma luta contra o sistema:

I've trampled on that road
That you think you own
You had that smartass attitude
It's time to stop the fiction



BY DEMONS BE DRIVEN

A pegada Thrash Metal está novamente bastante evidente no início de "By Demons Be Driven". Logo o estilo noventista da banda aparece de maneira claríssima, com a guitarra de Dimebag Darrell cortando a canção. Bons vocais de Anselmo e um riff com forte inspiração no Black Sabbath constroem outro momento importante do trabalho.

A letra é uma crítica à religião:

Serving the faith
Abduction the oath
It lie in wait for the offering
Religion is old
For drawing the young
Purity withers and dies
Never return to the ones that provided
Children draining parents of will
I hold out my hand to bloodless child
I'm taken by the one I was saving
From death



HOLLOW

A décima primeira - e última - música de Vulgar Display Of Power é "Hollow". Uma suave e belíssima melodia embala a voz de Phil Anselmo, desta feita, cantando de maneira contida e cativante. A guitarra de Dimebag Darrell é, mais uma vez, destaque absoluto, retocando a canção com um feeling absurdo. A partir de sua metade a agressividade natural do grupo aparece, tornando a experiência ainda mais dramática e de extremo bom gosto! "Hollow" é uma composição de alto grau de categoria!

A letra fala de alguém que se encontra em estado vegetativo:

I'm close with his mother
And she cries endlessly
Lord how we miss him
At least what's remembered
It's so important to make best friends in life
But it's hard when my friend sits with blank expressions

Embora “Hollow” seja um clássico inconteste da banda, não repercutiu nas principais paradas de sucesso quando lançada como single.


Considerações Finais

Lançado em fevereiro de 1992, o impacto de Vulgar Display Of Power foi praticamente imediato, especialmente em relação ao público undergorund.

Em termos de paradas de sucesso, ficou com a 44ª posição na parada norte-americana e com a 64ª na sua correspondente britânica.

O álbum recebeu críticas positivas após seu lançamento. Muitos críticos têm elogiado o trabalho do guitarrista Darrell Abbott no álbum pelo uso de riffs pesados para definir o tom do álbum. Os revisores também apontaram a mudança nos vocais de Anselmo em relação aos trabalhos anteriores, com ele usando poderosos vocais para acompanhar os riffs cativantes e letras mais agressivas.

Steve Huey, do Allmusic, declarou que o álbum é um dos mais influentes da década de 90 para o gênero. O disco está na 333ª posição da lista The 500 Greatest Rock & Metal Albums of All Time, da revista Rock Hard.

Além disto, Vulgar Display Of Power está presente na obra 1001 Albums You Must Hear Before You Die. Chad Bowar, do About.com, colocou o disco na 2ª posição dos melhores álbuns de Heavy Metal dos anos 90, atrás somente de Rust In Peace, do Megadeth. Já o site IGN o colocou como o 11º lugar entre os álbuns mais influentes da história do Heavy Metal em sua lista Top 25 Metal Albums.

Vulgar Display Of Power foi relançado em 2012, por uma edição comemorativa pelo seu 20º aniversário, contando com uma música até então inédita, “Piss”.

Vulgar Display Of Power ultrapassa a casa de 2,6 milhões de cópias vendidas.


Formação:
Philip Anselmo - Vocal
Darrell Abbott – Guitarra, Backing Vocal
Rex Brown - Baixo, Backing Vocal
Vinnie Paul - Bateria

Faixas:
01. Mouth for War (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 3:57
02. A New Level (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 3:57
03. Walk (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 5:14
04. Fucking Hostile (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 2:48
05. This Love (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 6:32
06. Rise (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 4:36
07. No Good (Attack the Radical) (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 4:49
08. Live in a Hole (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 5:00
09. Regular People (Conceit) (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 5:27
10. By Demons Be Driven (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 4:40
11. Hollow (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) – 5:48

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/pantera/


Opinião do Blog:
Enquanto alguns gigantes do Heavy Metal passavam por momentos não tão gloriosos em suas carreiras, durante os anos noventa, o Pantera assumia uma tonalidade agressiva e desconcertante que acabaria caindo nas graças dos fãs do estilo. Embora a banda seja uma das principais influências da famigerada vertente New Metal, seus inegáveis legado e influência permanecem irretocáveis até hoje.

É difícil definir o ponto mais alto desta fase Heavy Metal da banda, mas para o Blog dificilmente o Pantera atingiu maior ápice que Vulgar Display Of Power: trata-se de um dos grandes álbuns de toda a história do Heavy Metal.

A banda aposta em uma sonoridade agressiva e instigante, abusando do peso e do groove, fórmula que seria exaustivamente seguida pelos grupos influenciados pelos texanos.

No álbum, o ouvinte está diante de um time coeso e bem entrosado. Vinnie Paul segue seu estilo insano na bateria, tocando de maneira frenética. Rex Brown cumpre seu papel no baixo e esta seção rítmica é primordial no peso absurdo da massa sonora do Pantera.

Phil Anselmo demonstra ser um vocalista de primeiro time, alternando seus vocais agressivos com alguns mais suaves, mas sempre em posição de colocar a composição em um patamar mais elevado. Mas o maior destaque vai mesmo para a guitarra de Dimebag Darrell, magnífico. Bebendo em fontes como o Metallica e o Black Sabbath, seu estilo marcante é inconfundível, seja em solos brilhantes ou riffs precisos.

As letras são boas, por vezes abordando temáticas diversas, mas com um olhar angustiante e ressentido da vida, fator este que se combina simbioticamente com a proposta sonora do grupo.

Em um álbum histórico e decisivo dentro do Heavy Metal dos anos 90 fica até difícil se falar em melhores faixas. Todas são acima da média. Músicas como "Mouth For War", "A New Level" ou "Fucking Hostile" definem o que o Pantera é como banda.

Mas impossível não demonstrar o apreço por composições mais intricadas como "This Love" e "Hollow", as quais contrapõem o peso absurdo e a melodia criativa. Mas é em "Walk" que o Pantera conquista definitivamente o Blog, uma das mais incríveis composições da história do Heavy Metal.

Em resumo, o ouvinte está diante de uma banda em seu ápice criativo, furiosa e determinada a conquistar um lugar no Olimpo do Heavy Metal. Com um álbum brilhante como Vulgar Display Of Power, o Pantera atingiu seu objetivo com sobras. Disco essencial!

6 de março de 2015

MICHAEL SCHENKER GROUP - THE MICHAEL SCHENKER GROUP (1980)


The Michael Schenker Group é o álbum de estreia da banda de mesmo nome, assim sendo, o Michael Schenker Group. Seu lançamento oficial aconteceu em Agosto de 1980 através do selo Chrysalis. As gravações ocorreram entre Maio e Julho daquele mesmo ano, no Wessex Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou a cargo de Roger Glover.


O Michael Schenker Group foi a banda formada pelo excelente guitarrista alemão Michael Schenker com a finalidade de dar continuidade em sua carreira de forma mais autonômica. O Blog vai tratar da origem do projeto para depois apresentar o álbum, como de costume.

Em Junho de 1978, a excelente banda britânica UFO lançava seu sétimo álbum de estúdio, Obsession, o quinto contando com o guitarrista alemão Michael Schenker em sua formação. No disco há ótimas canções como “Only You Can Rock Me” e “Hot 'n' Ready”.

Mais tarde, ainda em 1978, a banda saiu em turnê nos EUA e gravou um álbum ao vivo, Strangers In The Night, que foi lançado em janeiro de 1979. Strangers foi um grande sucesso comercial e de crítica, chegando à 8ª posição da parada britânica de discos.

Apesar do crescente sucesso do UFO, internamente, as coisas não iam tão bem assim.

O intenso abuso de álcool por parte de Michael Schenker exacerbou ainda mais as tensões entre ele e o vocalista do UFO, Phil Mogg.

Michael Schenker
Logo após o show final da turnê norte-americana do UFO, em outubro de 1978, em Palo Alto, Califórnia, Schenker deixou a banda.

Apenas algumas semanas depois de ser ejetado do UFO, por seu abuso de álcool, Michael Schenker também retornou ao Scorpions por um curto período durante as gravações para o álbum Lovedrive, de 1979.

Isso deu à banda alemã três guitarristas (embora a contribuição de Schenker para a versão final foi limitada a apenas três músicas).

Lovedrive é um álbum que alguns críticos consideram ser o auge da carreira do Scorpions, contendo canções como "Loving You Sunday Morning", "Always Somewhere", "Holiday" e "Coast to Coast". O disco chegou à 55ª posição na parada dos Estados Unidos.

Após a conclusão e lançamento do álbum, o Scorpions decidiu manter Michael Schenker na banda, forçando a saída de Matthias Jabs. No entanto, após algumas semanas de turnê, Michael, ainda lidando com o alcoolismo, perdeu uma série de shows, chegando a ter um colapso no palco.

Jabs foi trazido de volta para substituí-lo nas ocasiões em que Michael Schenker estava incapaz de tocar. Em abril de 1979, durante uma turnê na França, Jabs foi convidado de forma permanente para substituir Michael em definitivo.

Ainda em 1979, Schenker chegou a fazer um teste para substituir Joe Perry no Aerosmith. De acordo com Martin Huxley, Schenker deixou os estúdios depois que o produtor Gary Lyons fez várias piadas sobre nazistas.

Sem fazer parte de nenhuma banda, a solução encontrada para Michael Schenker foi óbvia: seguir em carreira-solo.

Para tanto, o guitarrista fundou o Michael Schenker Group.

Assim, logo depois, Michael começou a procurar um vocalista para o seu grupo e foi assim que surgiu a figura de Gary Barden.

Gary Barden
Barden foi descoberto por Schenker após a audição de uma “fita demo” do vocalista em sua banda anterior, o Fraser Nash.

Logo após, Schenker e Barden começaram a trabalhar juntos na composição de canções que formariam o primeiro trabalho do Michael Schenker Group.

Com as canções com uma cara, era o momento de se iniciarem as gravações, no Wessex Studios, em Londres, já em Maio de 1980.

Assim a banda foi completada por músicos convidados, como o excelente tecladista Don Airey, o baixista Mo Foster e o baterista Simon Phillips.

A capa é simples, com uma imagem de Schenker. Vamos às faixas:

ARMED AND READY

O álbum de estreia do Michael Schenker Group já começa com o prenúncio do que teremos: um riff muito bom, carregando uma inconfundível áurea do Hard Rock setentista, fonte esta em que "Armed And Ready" bebeu fartamente. Ótimos solos, esbanjando feeling, marcam um dos clássicos da banda do guitarrista alemão.

A letra é simples:

Are you high tonight,are you feeling right
Cos I need you now, like I never did before
Is it hard enough, is it luod enough
Cos if you don't approve, you can use the door
Armed and ready,
I gotta gunsight trained on you


Foi o primeiro single retirado do álbum a fim de o promover.



CRY FOR THE NATIONS

Uma suave e bela melodia, de inspiração Pop, abre a segunda faixa do disco, mas que acaba sendo substituída por outro ótimo riff, desta feita mais cadenciado, embora repleto de peso e intensidade. A guitarra de Schenker é um fator de brilho intenso na canção, a qual também conta com boa atuação de Gary Barden. Outro clássico da carreira de Michael.

A letra mistura magia e encantamento:

A time of fear, so long ago,
Lived a man in Salon,
In his dark and magic room,
He gazed on times to come,
All is then revealed, and visions on water speak true!


“Cry For The Nations” foi o segundo single originado do álbum de estreia do Michael Schenker Group.



VICTIM OF ILLUSION

Em "Victim Of Illusion", Michael Schenker sobe mais um degrau no peso das músicas apresentadas no trabalho, pois traz uma melodia bastante Heavy Metal dos anos 70. Para o Blog, a canção lembra bastante o Judas Priest da supracitada década. O ritmo é intenso, mesmo em um tom cadenciado, mas com o peso e fúria exatos. Schenker dá um show na guitarra. Faixa brilhante!

A letra é em tom de desespero:

I can't put out the fire, been blinded by the flame
I have to run for cover, can't stand the pain
Can't stand the pain
The screams are loud but then he can't hear
Nightmare shows his face, then disappears,
Ooh victim of illusion, ooh victim of illusion



BIJOU PLEASURETTE

A quarta faixa do disco tem um toque mais melódico e suave, com um certo tom medieval. Curta e totalmente instrumental, é uma clara demonstração da sensibilidade musical do guitarrista alemão.



FEELS LIKE A GOOD THING

A bateria de Simon Phillips aparece bem destacada nesta canção, a qual apresenta um riff pesado, mas, simultaneamente, repleto de uma melodia com muita malícia. Esta música já possui um ar mais moderno (para a época), mesclando a clara referência setentista com a sonoridade Hard Rock que seria desenvolvida na década seguinte. Muito interessante.

A letra é em tom de conquista:

I know what I need, and you've got what I want
Use your imagination'
Got that look in your eye's
So hard to disguise your situation



INTO THE ARENA

Com pouco mais de 4 minutos, "Into The Arena" é mais uma ótima faixa instrumental do álbum de estreia do Michael Schenker Group. Baseada em um ótimo riff, pesado e cadenciado, Schenker esbanja feeling com alguns solos muito viscerais. Os teclados de Airey também aparecem de maneira mais clara.



LOOKING OUT FROM NOWHERE

Um ótimo solo de Schenker abre "Looking Out From Nowhere". A faixa é preenchida por uma excelente melodia, intensamente maliciosa, transbordando o espírito do Hard Rock. Schenker apresenta solos brilhantes durante a canção, em um dos melhores momentos do álbum. Bom trabalho de Barden.

A letra é em tom de autoconhecimento:

But, now the time is right
I've got to break out to the other side
But you can never know
What the other side has got to show!
As I try to get through, it seems like
They don't understand me,
And they keep pulling me back
To take part in their fantasies



TALES OF MYSTERY

Uma triste e melancólica melodia apresentam esta música, contando com vocais precisos de Barden, perfeitamente adequados à parte instrumental. A faixa é curta, mas traz à memória o que Schenker fazia no UFO, em parceria com Phil Mogg, neste tipo de canção. Muito tocante!

A letra possui significado romântico:

More and more, each day girl
I'm coming back to your heart
And the tides of time keep flowing
Telling tales of mystery...



LOST HORIZONS

A nona - e última - faixa do álbum de estreia do Michael Schenker Group é "Lost Horizons". Com mais de 7 minutos, esta é a maior música do disco. Trata-se de um Hard Rock pesado, intenso e angustiante, qualidades estas trazidas muito em conta por parte da atuação magistral da guitarra de Michael Schenker. A atuação de Gary Barden também é muito boa. O solo próximo aos 3 minutos de reprodução é de arrepiar! Fecha o álbum de maneira incrível.

A letra reflete luta e angústia:

Bid farewell, the works of men
When cries of anger sound again
My tears of shame, cut like a knife,
How can I justify this life!



Considerações Finais

O Hard Rock, melódico e criativo, gerou frutos novamente para o guitarrista Michael Schenker.

A escolha de seguir em carreira-solo, com mais liberdade e autonomia para ir em direção ao que desejava, revelou-se o caminho certo para o alemão através de seu Michael Schenker Group.

O álbum de estreia acabou alcançando a ótima 8ª posição da principal parada britânica de álbuns, atingindo a modesta 100ª na correspondente norte-americana. Ainda conquistou a 59ª colocação na parada japonesa.

Já como uma banda consolidada, o Michael Schenker Group lançaria seu segundo disco, MSG, em 1981.



Formação:
Michael Schenker - Guitarra
Gary Barden - Vocal
Músicos Adicionais:
Don Airey - Teclados
Mo Foster - Baixo
Simon Phillips - Bateria

Faixas:
01 - Armed and Ready (Schenker/Barden) - 4:05
02 - Cry for the Nations (Schenker/Barden) - 5:08
03 - Victim of Illusion (Schenker/Barden) - 4:41
04 - Bijou Pleasurette (Schenker) - 2:16
05 - Feels Like a Good Thing (Schenker/Barden) - 3:44
06 - Into the Arena (Schenker) - 4:10
07 - Looking Out from Nowhere (Schenker/Barden) - 4:28
08 - Tales of Mystery (Schenker/Barden) - 3:16
09 - Lost Horizons (Schenker/Barden) - 7:04

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/michael-schenker-group/

Opinião do Blog:
É indiscutível a profunda admiração que o autor do Blog tem pela obra musical de Michael Schenker, especialmente no que tange ao que o guitarrista produziu na banda UFO durante os anos 70, em álbuns fabulosos (como Phenomenon, por exemplo), verdadeiras cartilhas para os fãs do Hard Rock setentista.

O talento inegável de Michael Schenker na guitarra (e como compositor) foi colocado novamente à prova quando ele resolveu partir em carreira-solo, criando seu Michael Schenker Group e gravando seu álbum de estreia, homônimo à banda. É muito palpável o bem que a liberdade criativa fez à música de Schenker através do resultado final do disco.

Bons músicos completaram a formação da banda a qual gravou este trabalho inicial do guitarrista em carreira-solo. Don Airey aparece com o habitual talento nas vezes em que o teclado se destaca. Gary Barden também contribui de maneira significativa para o sucesso do álbum, com uma atuação convincente.

Mas, evidentemente, o destaque absoluto do trabalho vai para Michael Schenker. A guitarra está especialmente 'infernal' no disco, com riffs repletos de peso, intensidade e ritmo, além de seus solos que esbanjam feeling e técnica. Também há espaço para o especial senso melódico do guitarrista. Em resumo, Michael dá um verdadeiro show pelas músicas que compõem o álbum.

As letras são na média habitual.

Em um disco muito bom, não há grandes diferenças de qualidade entre as canções. Mas cabe destacar faixas que trazem o melhor do Hard Rock como "Armed And Ready", "Cry For The Nations" e "Victim Of Illusion". "Tales Of Mystery" traz a belíssima capacidade de Schenker em compor lindas melodias e ainda há a espetacular "Lost Horizons", talvez, a melhor do álbum.

Enfim, Michael Schenker buscou suas referências no Hard Rock setentista para compor o álbum. Muitas vezes é possível lembrar daquilo que o próprio guitarrista fez no UFO durante aquela década.

Schenker partiu em carreira-solo e presenteou seus fãs com um álbum de qualidade ímpar, sendo sua audição de extremo prazer. Um dos principais guitarristas da história do Hard Rock deu mais uma aula para fãs do estilo nesta obra, a qual é mais que recomendada pelo Blog. Obrigatório!

1 de março de 2015

ALCATRAZZ - NO PAROLE FROM ROCK 'N' ROLL (1983)


No Parole From Rock 'n' Roll é o álbum de estreia da banda norte-americana Alcatrazz. Seu lançamento oficial aconteceu em 15 de Outubro de 1983, através do selo Rocshire Records. As gravações ocorreram no Rocshire Studios, em Anaheim, e no Skyline Studio, em Topanga, ambas na Califórnia, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Dennis Mackay.

17 de fevereiro de 2015

CAPTAIN BEYOND - CAPTAIN BEYOND (1972)


Captain Beyond é o álbum de estreia da banda britânica/norte-americana de mesmo nome, ou seja, Captain Beyond. Seu lançamento oficial aconteceu em Julho de 1972, através do selo Capricorn Records. As gravações ocorreram entre 1971 e 1972, no Sunset Sounds Recorders, em Hollywood, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo da própria banda.


O Captain Beyond foi uma banda que gravou apenas três álbuns de estúdio, mas que se tornou um verdadeiro mito entre os aficionados em Hard Rock setentista, especialmente por conta de seu álbum de estreia. O Blog vai apresentar um resumo do aparecimento do grupo para depois adentrar em seu primeiro disco mais especificamente.

Para se entender melhor a história do Captain Beyond, o Blog optou por voltar alguns anos antes ao lançamento de seu primeiro trabalho, abordando a figura de seu futuro vocalista.

Em 21 de Junho de 1969, nos Estados Unidos, era lançado o terceiro álbum de estúdio do Deep Purple, homônimo ao grupo (e algumas vezes mencionado como Deep Purple III). Nesta época, o Deep Purple era formado pelo tecladista Jon Lord, o baterista Ian Paice, o guitarrista Ritchie Blackmore, o baixista Nick Simper e o vocalista Rod Evans.

Rod Evans
Foi com esta formação que o Deep Purple gravou seus três primeiros discos, Shades Of Deep Purple (1968), The Book Of Taliesyn (1968) e o supracitado Deep Purple (1969).

O álbum continha instrumentos de cordas e sopros em uma das faixas, “April”, apresentando referências clássicas de Jon Lord, como Bach e Rimsky-Korsakov. Além disto, várias outras influências estavam em evidência, mais claramente o Vanilla Fudge. (Lord e Blackmore alegaram que o grupo, na época, gostaria de ser um "clone do Vanilla Fudge".)

E, entretanto, esta seria a última gravação da formação original.

Na realidade, a sonoridade do Deep Purple em seus trê primeiros álbuns é consideravelmente distante daquilo que a banda faria a partir de então. Em seu início, o Purple apresentava uma sonoridade Rock, com bastantes influências Psicodélicas e distante do Hard Rock que o consagraria.

Retornando à história, o selo norte-americano responsável pelo álbum Deep Purple, Tetragrammaton, atrasou a produção do disco até depois que a turnê americana da banda, em 1969, estivesse terminada. Isto, bem como a promoção sem brilho por um selo quase em falência, fez com que o álbum tivesse péssimo desempenho comercial, passando longe do Billboard Top 100.

Logo após o lançamento do terceiro álbum, o selo Tetragrammaton saiu dos negócios, deixando a banda sem dinheiro e com um futuro incerto.

Durante a já supracitada turnê americana de 1969, Lord e Blackmore se reuniram com Paice para discutirem o desejo de levarem a banda em uma direção mais pesada. Sentindo que Evans e Simper não se encaixariam bem com um novo estilo de rock bem mais pesado, ambos acabariam substituídos naquele verão (no hemisfério norte).

Ian Paice, declarou: "A mudança tinha que vir. Se eles não tivessem deixado, a banda teria se desintegrado totalmente." Ambos, Simper e Blackmore, observaram que Rod Evans já tinha um pé para fora do grupo. Simper declarou que Evans havia conhecido uma menina em Hollywood e tinha pretensões em ser um ator, enquanto Blackmore foi mais incisivo: "Rod só queria ir para a América e viver na América."

Quase ao mesmo tempo, outra ótima banda do final dos anos 60 e início dos anos 70, o Iron Butterfly, lançava seu quarto álbum de estúdio, Metamorphosis, em 13 de agosto de 1970. Naquele ponto o grupo era formado pelo tecladista Doug Ingle, o baterista Ron Bushy e pelo baixista Lee Dorman, além de contar com o guitarrista Larry “Rhino” Reinhardt e o vocalista Mike Pinera.

O álbum Metamorphosis tem um som pesado, com bases fincadas no Hard Rock, contando com faixas como “Easy Rider” e “Stone Believer”. O disco atingiu a 16ª posição da parada norte-americana, a Billboard.

Doug Ingle deixou o grupo logo após o lançamento de Metamorphosis. Sem um tecladista, pela primeira vez em sua história, os quatro membros remanescentes lançaram um single, “Silly Sally”, que não obteve maiores repercussões e acabou por ser a sua última gravação em algum tempo.

A banda se separou depois de fazer seu último show em 23 de maio de 1971. Dorman e Reinhardt seriam, posteriormente, encontrados no Captain Beyond.

Foi exatamente em 1971 que surgiria o Captain Beyond, fundado pelo ex-vocalista do Deep Purple, Rod Evans.

Evans havia se estabelecido na Califórnia e se juntou a dois ex-membros do Iron Butterfly: o baixista Lee Dorman e o guitarrista Larry 'Rhino' Reinhardt. Bobby Caldwell, ex-membro da banda de Johnny Winter, foi o baterista.

Bobby Caldwell
Também o tecladista Lewie Gold tomou parte da banda, mas acabou saindo antes mesmo da gravação de seu álbum de estreia.

Rapidamente, a banda conseguiu um contrato de gravação com a Warner Bros. O álbum de estreia seria auto-intitulado.

Na capa do álbum o próprio “Capitão do Além”, sendo que nas primeiras 2000 cópias prensadas, o próprio vinha em formato de holograma.

Neste primeiro trabalho, Evans parecia querer provar aos seus ex-colegas de Deep Purple que seria capaz de tomar parte em um álbum pesado. E, como se verá a seguir, conseguiu. Vamos às faixas:

DANCING MADLY BACKWARDS (ON A SEA OF AIR)

Bobby Caldwell apresenta uma interessante levada em sua bateria antes que a guitarra de 'Rhino' apresente um riff pesado, mas cadenciado, que se casa perfeitamente com a atuação vocal de Rod Evans. A partir de pouco mais de 1  minuto e meio, a canção ganha intensidade e rapidez, perfazendo um Hard Rock de primeira! Ótimo início.

A letra pode ser entendida como uma mensagem de esperança:

Wishing all your wishes
Landing on a star
Knowing you are planted here
Knowing that('s) so far
Dance, dance faster
Madly dance away
But remember underneath you
Is just a sea of air
Just remember underneath you
Is just a sea of air



ARMWORTH

"Armworth" aposta em um criativo riff o qual traz consigo toda a influência e musicalidade da década imediatamente anterior ao que o álbum foi lançado. É uma música muito curta, mas que vai direto ao ponto, sem rodeios.

A letra tem tom de resignação:

What has my arm gained
In a the balance of things
Are there still birds a-flying
And a brushing of wings
Or could it still be disguised
Could it still be disguised
As a terrible thing
And spoiling all their singing, babe
And smashing up their wings
Wish I could go with them brother
But of all things
It's only a stub of the original thing
That was there when I signed and then saluted my king



MYOPIC VOID

Já em "Myopic Void", o grupo apresenta um pouco da influência psicodélica do mesmo. Uma melodia mais suave e leve envolve a atmosfera do álbum. A atuação de Rod Evans merece destaque por intensificar a musicalidade desenvolvida pelo Captain Beyond nesta faixa. Da metade para o final o Hard Rock volta à tona, com a melodia da primeira música do trabalho!

A letra é fantasiosa:

You know i can't feel nothing
Ah you push me all the time
You know, you know
You know i can't feel nothing
Oh, you're looking really fine



MESMERIZATION ECLIPSE

Peso, intensidade e fúria já podem ser sentidos nos primeiros momentos da quarta faixa do trabalho. A atuação de Evans é bem mais agressiva que aquela apresentada nas canções anteriores. Certamente a guitarra de 'Rhino' também merece destaque, em um dos melhores momentos do disco.

A letra pode ser interpretada como uma alusão à uma viagem espacial:

Sun and moon in the valley at the same time
Bringing out the golden braid
Guess we're gonna reach the peak in no time
Optic nerve just rot away (I think earth is a runaway)
Mesmerization eclipse in the movement, hey
Desperation is setting in, baby
Erratic movement to and fro
Need your love to make it right, baby
Cause I have no place to go



RAGING RIVER OF FEAR

Mais um precioso e furioso riff de guitarra traz o Hard Rock setentista à tona em "Raging River Of Fear". Novamente a atuação de Rod Evans é impecável, permitindo à sonoridade instrumental da faixa ganhar ainda mais peso. Atuação impecável de todos os instrumentistas em uma música totalmente brilhante!

A letra é uma metáfora sobre o medo:

The raging river of fear my friend
Is running through us all
The mind is just a mental battlefield
Memories full of thought
Raging river of fear
Questions to us all



THOUSAND DAYS OF YESTERDAYS (INTRO)

Com pouco mais de um minuto, esta curta faixa apresenta uma sonoridade leve, mas simultaneamente sombria.

A letra é em tom de esperança:

I said soon
Gonna wake, no sleepy eyes
And soon, sun will light your (the) entire (tired?) sky
Today is just as soon again
Reflections see myself are (on) them
Where the start and where's the end
Ooo pala dan dan da da pala pa la
Days gone by never to return...



FROZEN OVER

"Frozen Over" apresenta um novo riff forte e intenso pela guitarra de 'Rhino', transbordando peso, mas sem perder nenhuma miligrama de melodia. A seção rítmica formada por Caldwell e Dorman faz um trabalho primoroso, propiciando que a guitarra tenha destaque absoluto. Mais uma obra-prima da banda!

A letra é em tom de rompimento amoroso:

Honey, your face is frozen
Frozen as could be
Baby, your face is like a block of ice
Cold as the deep dark sea



THOUSAND DAYS OF YESTERDAYS (TIME SINCE COME AND GONE)

Já nesta canção, a banda abusa de uma bela e envolvente melodia, mas com um sensível e palpável toque mais leve em comparação às canções imediatamente precedentes. Evans opta por vocais bem mais comedidos, casando-os com a sonoridade de maneira perfeita. Ótimo solo de 'Rhino'.

Assim como sua primeira parte, o tom é de esperança:

A thousand days of yesterdays
Time since come and gone
A thousand days of yesterdays
Are all goodbye so long



I CAN'T FEEL NOTHIN' (PART 1)

Nesta música muito interessante, é difícil destacar algum músico em especial, pois o conjunto funciona de maneira impecável. Caldwell e Dorman estão ótimos e a guitarra de 'Rhino' está especialmente saborosa, com o peso e feeling irretocáveis. Outro momento brilhante do álbum de estreia do Captain Beyond.

Desta vez, a letra é em sentido desolador:

Thinking of oceans
Birds in the sky
A feeling's coming
But it just ain't right
Skys fly to next stars
Winking at the night
The orange worlds are sinking
My love's (?) burning bright



AS THE MOON SPEAKS (TO THE WAVES OF THE SEA)

A música apresenta uma grande variação, mesmo sendo bastante curta em seus poucos mais de 2 minutos. Em sua primeira metade, uma melodia leve e suave com inspiração no Led Zeppelin e, já na parte final, um Hard Rock pesado e veloz.

A letra possui significado amoroso:

As the moon speaks
To the waves of the sea
An open ocean relic
Of the times that used to be
Many years have passed
Since your vision came to me
And I think of you only
As the moon speaks to the sea



ASTRAL LADY

"Astral Lady" é uma pequena vinheta com 15 segundos.




AS THE MOON SPEAKS (RETURN)

Nesta pequena faixa, há uma bela fusão de melodia e peso com a banda abusando da mistura de sonoridades. Mais para o final, a parte percussiva ganha força, demonstrando um lado instigante do grupo.

A letra é uma pequena mensagem de esperança:

Memories have only open space to give
And as i think to the past
There's nothing left to see
So future man open your arms to me
Let me have the words as the moon speaks to the sea





I CAN'T FEEL NOTHIN' (PART 2)

Em pouco mais de 1 minuto, temos um Hard Rock intenso e feroz para fechar o disco com chave-de-ouro!

A letra é uma celebração:

You know I can't a'feel a'nothin'
Oh, you pushed me all the time
Na-na-na-na-nothin'
Ah, you're lookin' really fine
Ow, ow, ow, ooh!
Mm-mm-hm
Body's kinda groovin'
Ah, you're groovin' all the time
Ooh, you're lookin' good, ow!
Ah, you're lookin' so fine
Mm-mm-mm, mm-mm
Mm-mm-mm-mm-mm



Considerações Finais

Sem muita repercussão e divulgação, o álbum acabou não tendo números expressivos, comercialmente falando e também passou ao largo das principais paradas de sucesso.

Mas o álbum, com o passar dos anos, foi se tornando referência para as bandas e fãs do Hard Rock setentista.

Larry 'Rhino' Reinhardt
O disco Captain Beyond é um dos pioneiros, entre obras predominantemente Hard Rock, no fato de conter uma grande variedade de Rock, Heavy Metal, e influências de jazz, muitas vezes com várias assinaturas de tempo e ampla gama de alternâncias dentro da mesma música.

As primeiras cinco músicas são compostas de uma forma bastante simples, mas o resto do álbum é composto de duas "suites" de músicas interligadas; sendo a primeira "Thousand Days Of Yesterdays (Intro)" que continua em "Thousand Days Of Yesterdays (Time Since Come And Gone)". A segunda começa com "I Can't Feel Nothin' (Part 1)" e acaba em sua “Parte 2”, a qual termina o álbum.

Outro destaque é o fato das músicas fluírem diretamente uma para a outra sem o benefício de qualquer intervalo de tempo entre as mesmas, uma característica que é compartilhada com outras bandas mais progressistas da época, como o Moody Blues e o Jethro Tull. Isto traz a característica de tornar todo o disco uma massa única e coesa musicalmente falando.

As músicas foram todas oficialmente creditadas para Evans e Caldwell, embora, já em 2010, o baterista tenha afirmado que Reinhardt também tenha auxiliado na composição das canções, assim como Dorman em algumas. Mas ambos ainda estavam sob contrato com o Iron Butterfly, fato que os impedia de serem devidamente creditados como compositores.

Ao vivo, as apresentações do Captain Beyond eram bombásticas, invariavelmente terminando com ovações pelo público, o qual aplaudia a banda de pé.

Logo após o lançamento do álbum, Bobby Caldwell deixou o grupo para se juntar ao Derringer e foi substituído por Brian Glascock. O grupo também acabaria adicionando o tecladista Reese Wynans e Guille Garcia no atabaque.

Depois, Marty Rodriguez acabaria assumindo a bateria antes do lançamento de seu segundo álbum, Sufficiently Breathless, de 1973, um disco com considerável direcionamento diferente que seu antecessor. Mas isto é outra história.


Formação:
Rod Evans - Vocal
Larry "Rhino" Reinhardt - Guitarras
Lee Dorman - Baixo, Piano, Órgão Hammond, Backing Vocals
Bobby Caldwell - Bateria, Percussão, Órgão Hammond, Sinos, Vibrafone, Backing Vocals

Faixas:
01 - Dancing Madly Backwards (On a Sea of Air) (Evans/Caldwell) – 4:08
02 - Armworth (Evans/Caldwell) – 2:50
03 - Myopic Void (Evans/Caldwell) – 3:37
04 - Mesmerization Eclipse (Evans/Caldwell) – 3:45
05 - Raging River of Fear (Evans/Caldwell) – 3:48
06 - Thousand Days of Yesterdays (Intro) Evans/Caldwell – 1:30
07 - Frozen Over (Evans/Caldwell) – 3:55
08 - Thousand Days of Yesterdays (Time Since Come and Gone) (Evans/Caldwell) – 4:05
09 - I Can't Feel Nothin' (Part 1) (Evans/Caldwell) – 3:07
10 - As the Moon Speaks (To the Waves of the Sea) (Evans/Caldwell) – 2:30
11 - Astral Lady (Evans/Caldwell) – 0:15
12 - As the Moon Speaks (Return) (Evans/Caldwell) – 2:16
13 - I Can't Feel Nothin' (Part 2) (Evans/Caldwell) – 1:11

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/captain-beyond/

Opinião do Blog:
Os anos setenta são riquíssimos em bandas e discos que passaram muito longe de obter qualquer sucesso comercial, mas guardam em seu conteúdo verdadeiras jóias musicais. Há muita gente que se especializou em garimpar estas relíquias para os amantes da música. E o Hard Rock setentista é um dos maiores fornecedores deste tipo de preciosidade.

O álbum de estreia do Captain Beyond se tornou, muito tempo depois de seu lançamento, um marco representativo da melhor sonoridade que o Hard Rock é capaz de produzir. Aqui se tem um trabalho que mistura sonoridades e melodias com competência e um bom gosto raríssimo de se ver.

Claro, o Hard Rock é o estilo proposto e predominante, mas a banda flerta com o Folk Rock, com o Rock dos anos 60 e com o Psicodélico. Sempre com a mesma eficiência e qualidade absurdos!

Rod Evans, querendo ou não provar alguma coisa, teve sua melhor performance vocal da carreira. Alternando entre momentos agressivos e contidos, sua voz é fator determinante para a qualidade da música desenvolvida.

Poucas bandas possuíram uma seção rítmica tão presente e marcante quanto Bobby Caldwell e Lee Dorman formaram neste álbum. E Larry 'Rhino' Reinhardt dá um verdadeiro show com seus solos e riffs.

As letras retomam a temática de uma viagem espacial e estão na média em geral.

Um álbum que apresenta variedade de sonoridades dentro de um mesmo estilo sempre com a mesma qualidade não possui pontos baixos e está em um patamar altíssimo. Mesmo assim podemos citar pelo menos 4 faixas que são magníficas: "Mesmerization Eclipse", "Raging River Of Fear", "I Can't Feel Nothin' (Part 1)" e a espetacular "Frozen Over".

O álbum de estreia do Captain Beyond está entre os melhores de todos os tempos quando o assunto é Hard Rock. Apresenta criatividade, inspiração e execução em um nível dos mais elevados dentro da música em geral. Obrigatório para todo fã de Rock e uma verdadeira aula para todo mundo que quiser adentrar o estilo Hard Rock.