Abigail é o segundo álbum de estúdio do artista dinamarquês King Diamond, lançado em junho de 1987, através do selo Roadrunner. As gravações se deram no Sound Track Studio, em Copenhague, na Dinamarca e a produção ficou a cargo do próprio King Diamond.
O segundo álbum da banda Mercyful Fate, Don't Break the Oath, foi lançado em 7 de setembro de 1984. Durante a turnê de divulgação do álbum, o grupo tocou nos EUA por dois meses e fez aparições em festivais na Alemanha.
Apesar de ganhar seguidores cult em todo o mundo, o Mercyful Fate se separou em abril de 1985, devido a diferenças musicais. O guitarrista Hank Shermann queria que a banda mudasse para um som mais comercial; King Diamond se recusou e anunciou sua saída do Mercyful Fate, o que levou à separação da banda.
A banda foi formada em 1985 pelo vocalista King Diamond, pelo guitarrista Michael Denner e pelo baixista Timi Hansen. Os três haviam saído recentemente do grupo Mercyful Fate.
Segundo Diamond, quando ele, Denner e Hansen decidiram formar uma nova banda, escolheram o nome "King Diamond" para "conseguir melhores negócios", e porque o nome já era conhecido do Mercyful Fate. Para completar a formação da banda King Diamond, o grupo contratou o baterista Mikkey Dee e o guitarrista Andy LaRocque.
Em julho de 1985, a banda começou a gravar seu álbum de estreia no Sound Track Studio em Copenhague, Dinamarca. Em 25 de dezembro, eles lançaram seu single de estreia "No Presents for Christmas".
Fatal Portrait, o primeiro álbum de estúdio completo da banda, foi lançado em 14 de março de 1986, pela Roadrunner Records. Produzido por Rune Höyer e pelo vocalista King Diamond, o álbum alcançou a posição 33 na parada de álbuns sueca, e gerou o single "Halloween", que foi lançado em 6 de junho de 1986.
O disco
Em dezembro de 1986, King Diamond começou a gravar seu segundo álbum de estúdio, mais uma vez no Sound Track Studio em Copenhague, Dinamarca. A banda lançou o single "The Family Ghost" em 1º de julho de 1987, para o qual também gravaram seu primeiro videoclipe.
Abigail é o primeiro álbum conceitual da banda. O disco conta a história de um jovem casal, Miriam Natias e Jonathan La'Fey, que se mudam para uma antiga mansão herdada por La'Fey. Acontece no verão de 1845. Ao chegarem, são avisados por sete cavaleiros para não se mudarem para a casa porque, se o fizerem, "18 se tornarão 9". Eles não acatam o aviso e seguem para a mansão. Durante a primeira noite, Jonathan se encontra com o Conde de La'Fey, o Fantasma da Família, que é um parente falecido. O fantasma mostra a ele um caixão no qual repousa o cadáver de uma criança natimorta, Abigail. O fantasma informa que Miriam carrega o espírito de Abigail e que a criança logo renascerá. Ele insiste que Jonathan deve matar Miriam imediatamente para evitar o renascimento.
O disco foi gravado entre dezembro de 1986 e fevereiro de 1987 no Sound Track Studio, em Copenhague, com a produção a cargo do próprio King Diamond.
FUNERAL
A abertura é uma introdução teatral, não uma canção de heavy metal convencional. Com aproximadamente um minuto e meio, “Funeral” estabelece o ambiente sombrio que dominará o disco. A voz de King Diamond surge como parte da encenação, introduzindo o ouvinte à história de Abigail e à atmosfera de morte que envolve a narrativa.
ARRIVAL
“Arrival” apresenta o heavy metal propriamente dito. A música entra com guitarras velozes, solos elaborados e uma seção rítmica que combina precisão e agressividade. A composição estabelece o ambiente da chegada à mansão que ocupa o centro da história. O deslocamento até esse lugar é importante porque a casa não funciona apenas como cenário, pois ela representa o ingresso dos personagens em um universo de segredos familiares e acontecimentos sobrenaturais.
A MANSION IN DARKNESS
“A Mansion in Darkness” transforma a mansão em uma presença quase tão importante quanto os personagens. O título sintetiza o ambiente gótico da história, no qual o espaço físico está associado a mistérios e ameaças.Com um show de Mikey Dee na bateria, guitarras em profusão e um Hevy/Thrash bem intenso, temos uma faixa brilhante. A letra reforça a sensação de que a chegada à propriedade representa o começo de algo perigoso.
THE FAMILY GHOST
Riff inicial poderoso, uma atuação impactante de Diamond nos vocais, e um Heavy Metal tradicional intenso e impactante. Em “The Family Ghost”, o terror assume uma dimensão explicitamente familiar. O fantasma mencionado no título não é apenas uma presença assustadora, já que ele está ligado à história da família e aos segredos que a mansão preserva. A composição combina riffs de heavy metal, mudanças de dinâmica e uma estrutura vocal que favorece a progressão dos acontecimentos. Em vez de repetir indefinidamente um mesmo padrão, a música avança por diferentes seções, dando à narrativa uma sensação de movimento. Foi o single que não repercutiu.
THE 7TH DAY OF JULY 1777
“The 7th Day of July 1777” destaca-se pela variedade de recursos empregados. A introdução utiliza elementos acústicos, arranjos atmosféricos e efeitos sonoros antes de conduzir o ouvinte novamente ao heavy metal. Essa mudança de textura evita que o álbum se torne uma sucessão de faixas rápidas e pesadas sem variação dramática. A data específica no título confere à narrativa uma aparência de registro histórico, como se o horror que domina a mansão pudesse ser rastreado até um episódio concreto.
OMENS
“Omens” concentra-se na atmosfera de antecipação e ameaça que percorre o álbum. Depois de a história apresentar a mansão e aprofundar suas conexões com o passado, a música reforça a sensação de que acontecimentos terríveis estão prestes a se concretizar. A composição mantém o peso característico do disco, com guitarras distorcidas, riffs incisivos e uma interpretação vocal que enfatiza o caráter dramático da narrativa.
THE POSSESSION
The Possession é uma das faixas mais curtas do álbum, mas sua importância narrativa é considerável. O título aponta diretamente para o componente sobrenatural da história e para a ideia de que uma força externa pode assumir o controle de um corpo. A música se apoia em riffs pesados e diretos, mantendo a intensidade sem precisar de uma longa introdução.
ABIGAIL
A faixa-título é o centro conceitual do álbum. É nela que a figura de Abigail assume protagonismo e que a narrativa sobrenatural se torna mais explícita. O nome, apresentado desde a abertura do disco, finalmente ganha sua dimensão dramática completa. Musicalmente, “Abigail” sintetiza várias das qualidades que distinguem o álbum: riffs marcantes, guitarras melódicas, mudanças de intensidade e vocais teatrais. A composição equilibra o peso do heavy metal com uma abordagem quase operística, na qual a interpretação vocal desempenha um papel tão importante quanto os instrumentos.
BLACK HORSEMEN
Com aproximadamente sete minutos e quarenta segundos, “Black Horsemen” dispõe de espaço para desenvolver uma conclusão musical e narrativa mais extensa do que as faixas anteriores. A composição alterna passagens pesadas com momentos melódicos e atmosféricos, explorando mudanças de andamento e de intensidade. A presença dos cavaleiros no título reforça a dimensão sombria e fatalista da história. Épica, longa e dramática, a faixa que encerra o disco é uma jornada emocionante de Heavy Metal.
Considerações Finais
O álbum alcançou as posições 39 na Suécia, 68 na Holanda, e 123 na Billboard 200. Após o lançamento de Abigail, Denner deixou a banda devido a problemas de turnê. Ele foi posteriormente substituído por Mike Moon na turnê de divulgação do álbum, durante a qual a banda gravou o álbum ao vivo In Concert 1987: Abigail (no entanto, não foi lançado até 1991).
Eduardo Rivadavia do AllMusic escreveu que Abigail é "amplamente reconhecida como a obra-prima solo de King Diamond" e "também é inquestionavelmente um dos maiores álbuns conceituais do heavy metal". O jornalista canadense Martin Popoff comentou a "excelência metálica" do álbum, mas ficou surpreso negativamente com o "pacote assustador" e as letras.
O guitarrista Andy LaRocque disse que é seu álbum favorito do King Diamond, já que "a boa atmosfera que tínhamos como banda naquela época é capturada no álbum".
Após a conclusão da turnê Abigail, o guitarrista Mike Moon e o baixista Timi Hansen foram substituídos por Pete Blakk e Hal Patino respectivamente.
Prêmios
O site Metal Storm colocou Abigail na 15ª posição de sua lista Top 100 Metal Albums.
O site Metal Kingdom coloca Abigail na 323ª colocação da lista 500 Greatest Metal Albums of All Time.
Em 20 de junho de 1988, King Diamond lançou o terceiro álbum "Them".
Formação:
King Diamond – Vocal
Andy LaRocque – Guitarra
Michael Denner – Guitarra
Timi Hansen – Baixo
Mikkey Dee – Bateria
Faixas:
01. Funeral (Diamond) - 1:30
02. Arrival (Diamond) - 5:26
03. A Mansion in Darkness (Diamond/LaRocque) - 4:34
04. The Family Ghost (Diamond) - 4:06
05. The 7th Day of July 1777 (Diamond/LaRocque) - 4:50
06. Omens (Diamond) - 3:56
07. The Possession (Diamond/Denner) - 3:26
08. Abigail (Diamond) - 4:50
09. Black Horsemen (Diamond) - 7:40
Opinião do Blog:
Pelo uso indiscriminado, algumas palavras foram, ao longo do tempo, perdendo seu poder e seu impacto, mas este aqui é o caso de se usar a palavra “mestre” para King Diamond.
Apesar da extensa carreira e de uma discografia com vários pontos altos, penso que Abigail é sua obra-prima. E vou apontar alguns destaques.
A sonoridade é uma verdadeira ode ao Heavy Metal: riffs em profusão, solos inebriantes e guitarras-gêmeas em êxtase, tudo graças a uma brilhante dupla de guitarristas. A seção rítmica, capitaneada pelo excelente Mikey Dee, traz peso e fúria às canções.
Diamond brilha ao construir todo o conceito do álbum, desenvolvendo a união perfeita entre uma sonoridade angustiante com uma história sombria, aflitiva e aterrorizante. O arcabouço lírico é muito inteligente.
Claro, abusando de seus tradicionais falsetes, recursos eletrônicos e uma versatilidade invejável, King Diamond é exuberante nos vocais. Há quem não goste: eu acho simplesmente genial.
Aqui não há faixas de enchimento ou desnecessárias. Todas as canções são no mínimo muito boas. Destacamos como preferidas “A Mansion in the Darkness”, o clássico “The Family Ghost” e “Abigail”.
Enfim, não se deixe enganar: Abigail é um dos melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos.





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