13 de junho de 2022

BRUCE SPRINGSTEEN - DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN

 


Darkness on the Edge of Town é o quarto álbum de estúdio do cantor norte-americano Bruce Springsteen. O lançamento oficial do trabalho aconteceu em 2 de junho de 1978, através do selo Columbia Records. As gravações ocorreram entre 1º de junho de 1977 e março do ano seguinte, nos estúdios Atlantic e Record Plant, ambos em New York City, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Jon Landau e do próprio Bruce Springsteen.


Finalmente o grande Bruce Springsteen retorna a nossas páginas com um de seus álbuns mais interessantes. Vai-se acompanhar os fatos que se antecederam ao lançamento do disco para se contextualizar a obra.





Antecedentes


Em agosto de 1975, Bruce Springsteen lançou Born to Run, seu terceiro álbum de estúdio, uma obra aclamada por crítica e público e que foi analisada pelo site aqui.


Na sequência, Springsteen entrou em uma disputa judicial com seu ex-empresário, Mike Appel, o que obrigou Bruce a ficar longe dos estúdios, mas o manteve em uma longa turnê com a E Street Band.


Springsteen só retornaria aos estúdios em 1977, após um acordo com Appel e as novas canções se tornariam Darkness on the Edge of Town.





Gravações


Darkness on the Edge of Town soa “menos comercial” que seu antecessor, embora Bruce tenha “repetido a fórmula” de Born to Run aqui: As faixas que abriam os 2 lados do LP original eram mais intensas e explosivas, enquanto as que os encerram são mais introspectivas e lamuriosas.


Ao contrário de Born to Run, as músicas foram gravadas pela banda inteira, de uma só vez, frequentemente logo após Springsteen as compor. Steven Van Zandt recebeu créditos por assistência à produção, já que auxiliou Bruce com os arranjos.


Durante as sessões de Darkness, Springsteen escreveu ou gravou muitas músicas que acabou não usando no álbum. Manter a temática do disco era muito importante para ele, e as músicas se acumularam porque as sessões foram contínuas por quase um ano.


Um conceito de álbum chamado "Badlands" foi preparado em outubro de 1977, completo e até com capas, mas foi rejeitado no último minuto por Springsteen, pois ele não estava confortável com aquele lançamento e queria continuar gravando.


As sessões de gravação foram concluídas em janeiro, mas a mixagem continuou por mais três meses. De acordo com Jimmy Iovine, Springsteen escreveu pelo menos 70 músicas durante este período, e 52 dessas músicas foram gravadas e estavam completas, com 18 não totalmente concluídas.





Alguns dos materiais não utilizados tornaram-se hits para outros artistas como "Because the Night" para Patti Smith; "Fire" para Robert Gordon e para a the Pointer Sisters; "Rendezvous" para Greg Kihn; "Don't Look Back" para The Knack; e duas faixas para o conjunto Southside Johnny and the Asbury Jukes: "Hearts of Stone" e "Talk to Me".


Outras músicas como "Independence Day", "Drive All Night", "Ramrod" e "Sherry Darling" apareceriam no próximo álbum de Springsteen, The River, de 1980, enquanto outras se tornaram clássicos piratas até aparecerem nas compilações de Springsteen intituladas Tracks (1998) e The Promise (2010).


A foto da capa e do encarte foram tiradas pelo fotógrafo Frank Stefanko dentro de sua casa em Haddonfield, Nova Jersey.


Vamos às faixas:


BADLANDS


Badlands” é uma faixa incrível que abre o disco de forma arrebatadora!


A letra demonstra o eu lírico revoltado com a vida:


Talk about a dream, try to make it real
You wake up in the night with a fear so real
You spend your life waiting for a moment that just don't come
Well, don't waste your time waiting



Badlands” foi o segundo single retirado do disco e alcançou a 42ª posição da principal parada norte-americana destinada a este tipo de lançamento.


Os editores da Rolling Stone classificaram "Badlands" como a segunda maior música de Springsteen, atrás apenas de "Born to Run", e consideram que ela se encaixa na definição de um hino do rock.


ADAM RAISED A CAIN


Adam Raised a Cain” é um Hard Blues Rock simplesmente incrível, com potência e uma atuação histórica dos vocais de Bruce.


A letra explica uma relação pai-filho, através de figuras bíblicas:


In the Bible Cain slew Abel
And East of Eden he was cast
You're born into this life paying
For the sins of somebody else's past
Daddy worked his whole life, for nothing but the pain


SOMETHING IN THE NIGHT


A bela “Something in the Night” é mais introspectiva e contida.


O eu lírico se apresenta sem esperanças:


When we found the things we loved,
They were crushed and dying in the dirt.
We tried to pick up the pieces,
And get away without getting hurt,
But they caught us at the state line,
And burned our cars in one last fight,
And left us running burned and blind,
Chasing something in the night


CANDY’S ROOM


Os teclados dominam na intensa “Candy’s Room”.


A letra fala sobre uma paixão:


She says baby if you wanna be wild
You got a lot to learn, close your eyes
Let them melt, let them fire, let them burn
'Cause in the darkness there'll be hidden worlds that shine
When I hold Candy close, she makes those hidden worlds mine


RACING IN THE STREET


Racing in the Street” é uma linda balada, com soberba atuação vocal de Bruce.


A letra fala sobre fuga de responsabilidade:


We take all the action we can meet
And we cover all the northeast states
When the strip shuts down, we run ’em in the street
From the fire roads to the interstate
Now, some guys, they just give up living
And start dying little by little, piece by piece
Some guys come home from work and wash up


THE PROMISED LAND


The Promised Land” é uma canção típica do Bruce Springsteen – e é muito boa!


A letra é uma homenagem a “Promised Land”, de Chuck Berry:


The dogs on Main Street holw 'cause they understand
If I could take one moment into my hands
Mister I ain't a boy no I'm a man
And I believe in a promised land


Como várias outras músicas de Darkness on the Edge of Town, Springsteen tinha o refrão de "The Promised Land" antes que ele pudesse criar as letras para os versos. Embora lançada como single, não alcançou as principais paradas de sucessos desta natureza.


FACTORY


Factory” é curtinha, mas muito tocante e bela.


A letra fala sobre um trabalhador:


Through the mansions of fear, through the mansions of pain,
I see my daddy walking through them factory gates in the rain,
Factory takes his hearing, factory gives him life,
The working, the working, just the working life


STREETS OF FIRE


Apesar de mais contida, “Streets of Fire” é bem bonita.


A letra é bem sombria:


When the night's quiet and you don't care anymore
And your eyes are tired and there's someone at your door
And you realize you want to let go
And the weak lies in cold walls you embrace you


PROVE IT ALL NIGHT


Prove It All Night” tem um ótimo refrão e um clima dançante bem agradável.


A letra fala sobre promessas de amor:


A kiss to prove it all night, prove it all night
Girl, there's nothing else that we can do
So prove it all night, prove it all night
And girl I'll prove it all night for you




Prove It All Night” foi o primeiro single lançado para promoção do disco, atingindo o 33º lugar da principal parada norte-americana desta natureza.


DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN


Darkness on the Edge of Town” encerra o disco de forma incrível, sendo uma composição intensa e comovente.


A letra menciona alguém muito azarado:


I'll be there on time and I'll pay the cost
For wanting things that can only be found
In the darkness on the edge of town


A revista Rolling Stone designou a música no 8º lugar em uma lista das 100 melhores músicas de Bruce Springsteen.


Considerações Finais


Darkness on the Edge of Town atingiu a 5ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, bem como a 14ª colocação em sua correspondente britânica.


Na Rolling Stone, Dave Marsh viu Darkness on the Edge of Town como um registro marcante no rock and roll por causa da clareza de sua produção, guitarra única de Springsteen, e por conectar os personagens e temas em uma forma sutil, mas coesa.


Robert Christgau estava menos entusiasmado no The Village Voice. Ele achou as narrativas de Springsteen versáteis e os personagens notáveis em "Badlands", "Adam Raised a Cain" e "Promised Land", (…) porém, ele considerou outras canções, particularmente "Streets of Fire" e "Something in the Night", mais impressionistas e exageradas, afirmando que Springsteen era "um importante artista menor ou um grande artista muito falho e inconsistente".


No Reino Unido, o álbum foi classificado em 1º lugar entre os "Álbuns do Ano" de 1978, pela NME.


William Ruhlmann, do AllMusic, em retrospectiva, dá uma nota 4,5 (em 5) para o disco, afirmando: “(…) Springsteen apresentou essas duras verdades em ambientes de hard rock, as faixas ritmadas por poderosas baterias e solos de guitarra abrasadores. Embora não tão fortemente produzido quanto Born to Run, Darkness recebeu um som encorpado, com teclados proeminentes e vocais duplos. As histórias de Springsteen estavam se tornando menos heróicas, mas seu estilo musical permaneceu grandioso (…)”.


Em 2003, o disco foi classificado no 151º lugar da lista da Rolling Stone dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, reclassificado em 150º em uma lista revisada de 2012, enquanto subiu para o 91º em uma revisão adicional em 2020.


Em 2013, o álbum foi classificado na 109ª posição em uma lista semelhante pelo NME.


A turnê de 1978, para promover o álbum, tornou-se lendária pela intensidade e pela duração de seus shows.


Em setembro de 1979, Springsteen e a E Street Band se juntaram ao coletivo antinuclear Musicians United for Safe Energy, no Madison Square Garden, por duas noites, tocando um set abreviado enquanto estreavam duas músicas de seu próximo álbum.


O disco ao vivo daquelas apresentações, No Nukes, bem como o documentário No Nukes do verão norte-americano seguinte, representou as primeiras gravações oficiais e filmagens do, hoje, lendário show de Springsteen, bem como o registro da primeira vez em que Springsteen teve envolvimento político.


Darkness on the Edge of Town supera a casa de 3 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos.





Formação:

Bruce Springsteen – Vocal, Guitarra-solo, Gaita

The E Street Band:

Roy Bittan – Piano, Backing vocals

Clarence Clemons – Saxophone, Backing vocals

Danny Federici – Hammond, Glockenspiel

Garry Tallent – Baixo

Steven Van Zandt – Guitarra-base, Backing vocals

Max Weinberg – Bateria


Faixas:

Todas as faixas creditadas a Bruce Springsteen.

01. Badlands - 4:03

02. Adam Raised a Cain - 4:32

03. Something in the Night - 5:11

04. Candy's Room - 2:51

05. Racing in the Street - 6:53

06. The Promised Land - 4:33

07. Factory - 2:17

08. Streets of Fire - 4:09

09. Prove It All Night - 3:56

10. Darkness on the Edge of Town - 4:30


Letras:

Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/bruce-springsteen/


Opinião do Blog:

O RAC traz o excepcional Darkness on the Edge of Town para nossas páginas.


Fica bem difícil, para o site, falar sobre este álbum sem soar muito piegas, pois é um dos preferidos da casa. Bruce Springsteen é um de nossos músicos prediletos e Darkness está entre suas melhores obras.


Neste álbum, Bruce Springsteen continua aquilo que havia criado em Born to Run, mas seguindo em frente. As letras, ótimas, estão mais ácidas e sua musicalidade dá um passo – embora curto – a uma visão mais agressiva.


Isto produz faixas incríveis e intensas como a espetacular “Adam Raised a Cain”, possivelmente a melhor do disco. Mas aqui não há nenhuma faixa de enchimento e a audição do álbum flui perfeitamente.


Enfim, se você que está lendo esta resenha nunca ouviu Darkness on the Edge of Town vá correndo o fazer. Não é preciso dizer mais nada.

3 comentários:

  1. Mais um álbum do "The Boss" aparecendo aqui no blog. Bom, na minha opinião, Darkness on the Edge of Town não é tão bom quanto o aclamado Born to Run, que consagrou o cara, mas ao mesmo tempo não é de todo um trabalho ruim, pelo contrário. Ele mostra a evolução de Springsteen em sua longa caminhada de sucesso após o sucesso conquistado três anos antes, trazendo canções com uma sonoridade bem diferente em comparação ao Born to Run, também com letras em sua maioria desesperançosas e sombrias, que refletiam a situação dos Estados Unidos no fim dos anos 1970, incluindo o período judicial que Springsteen se submeteu com seu antigo empresário Mike Appel.

    Inclusive, li numa matéria que o próprio Springsteen não costuma tocar muito nos shows as músicas desse álbum, por serem bem deprimentes. Felizmente, o músico se redimiu em 1980 ao lançar aquele que para mim é o seu melhor disco em toda a discografia: o duplo The River. Enfim, para os fãs de rock clássico e para os fãs de Springsteen como eu, DotEoT é mais do que recomendado e essencial em qualquer biblioteca musical que se preze.

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