10 de setembro de 2021

BLACK COUNTRY COMMUNION - BLACK COUNTRY COMMUNION (2010)

 


Black Country Communion é o álbum de estreia da banda anglo-americana de mesmo nome, por óbvio, a Black Country Communion. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 20 de setembro de 2010 através dos selos Mascot e J&R Adventures. As gravações ocorreram entre janeiro e abril daquele mesmo ano no Shangri-La Studios (Malibu, California), The Cave Studio (Malibu, California) e Germano Studios (Nova Iorque); todos nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Kevin Shirley.




 

Origens do Supergrupo

 

Glenn Hughes (ex-Trapeze e ex-Deep Purple) e Joe Bonamassa se conheceram no 2006 NAMM Show em Anaheim, Califórnia, após o qual eles tocaram juntos no estúdio de Hughes, em Hollywood, com a ideia de fazerem música juntos no futuro.

 

Bonamassa também trabalhou com Jason Bonham (filho do lendário baterista do Led Zeppelin, John Bonham) naquele ano, quando o baterista tocou no quinto álbum de estúdio do guitarrista, You & Me, por recomendação do produtor e amigo em comum Kevin Shirley.

 

Hughes e Bonamassa se reuniram três anos depois, em novembro de 2009, tocando juntos no House of Blues, em Los Angeles, para o Guitar Center. Foi neste ponto que os dois decidiram formar uma nova banda.

 

A ideia de convocarem Bonham e o tecladista Derek Sherinian (ex-Dream Theater) para completarem a formação da banda foi sugerida por Shirley, após um segundo guitarrista foi brevemente considerado em vez de um tecladista.

 

O quarteto completo se apresentou pela primeira vez junto durante o encore em um dos shows solo de Bonamassa em Riverside, Califórnia, em 17 de março de 2010, tocando "One Last Soul" e uma versão cover da música "Mistreated" do Deep Purple.

 

O nome Black Country Communion não foi finalizado até maio de 2010, depois que a ameaça de uma ação legal de outra banda impediu o grupo de usar o nome Black Country.


Glenn Hughes


 

Hughes mais tarde revelou que a banda em questão, de Baltimore, Maryland, supostamente exigiu 500 mil dólares pelo direito de usar o nome Black Country, um movimento que ele rapidamente condenou como "simplesmente rude". O baixista mais tarde elaborou melhor a situação em uma entrevista de 2016, explicando que seu grupo havia comprado com sucesso o nome Black Country da banda de Baltimore (por menos do que os 500 mil dólares inicialmente anunciados), embora, na época em que o caso foi resolvido, já era tarde demais para usar o nome e, em vez disso, tiveram que continuar usando o apelido mais longo Black Country Communion.

 

Álbum de Estreia

 

A banda gravou seu álbum de estreia no Shangri-La Studios de Los Angeles no início de 2010, agendando um lançamento em setembro através da Mascot Records (na Europa) e do selo J&R Adventures, de Bonamassa (na América do Norte).

 

Hughes descreveu o álbum como "uma grande declaração do rock britânico", comparando o som da banda ao de seus grupos anteriores Deep Purple e Black Sabbath, bem como ao Led Zeppelin.

 

"One Last Soul" foi a primeira música a ser lançada, recebendo sua estreia mundial na estação de rádio britânica Planet Rock em 2 de agosto de 2010. A faixa foi lançada posteriormente como um download digital gratuito no site oficial da banda.

 

Pouco antes do lançamento do álbum, a Planet Rock também transmitiu um documentário de uma hora com entrevistas exclusivas com a banda e uma seleção de faixas do disco.


Joe Bonamassa


 

Trabalho de Composição

 

O baixista Glenn Hughes e o guitarrista Joe Bonamassa escreveram a maior parte do álbum de estreia da banda juntos, em questão de dias. O produtor Kevin Shirley, o baterista Jason Bonham e o tecladista Derek Sherinian também contribuíram para a composição de várias faixas.

 

Falando sobre o processo de composição em uma entrevista com EspyRock, Hughes explicou que escreveu quatro canções em dezembro de 2009 e as apresentou ao resto da banda no ano novo, acrescentando que mais tarde "trancou Joe em minha casa por três tardes em três quintas-feiras diferentes por três horas de cada vez ... e nós apenas nos sentamos e escrevemos todas as músicas que você está ouvindo no meu estúdio".

 

Adicionada às faixas originais está uma versão cover de "Medusa", originalmente gravada pela banda Trapeze, de Hughes, em 1970, em seu álbum de mesmo nome.

 

A gravação também foi concluída rapidamente, devido às agendas e compromissos de cada membro da banda, bem como à preferência do grupo - Hughes notou que gosta de trabalhar "under the gun", enquanto Bonamassa sugeriu que ele e Shirley não acreditam em "passar muito tempo vagando no estúdio".

 

Nas notas do encarte do álbum, Bonham afirma que "Demorou apenas 4 dias para estabelecer as faixas básicas e 10 dias para gravar e mixar o álbum inteiro". Da mesma forma, Hughes afirma que "O álbum foi gravado, totalmente, em cinco ou seis dias com vocais e instrumentos".


Derek Sherinian


 

A maior parte da gravação ocorreu no Shangri-La Studios em Malibu, Califórnia, com overdubs adicionais registrados no estúdio de Shirley em Malibu (The Cave) e no German Studios na cidade de Nova York.

 

A arte da capa é obra da Dennis Friel Art Studios.

 

Vamos às faixas:

 

BLACK COUNTRY

 

“Black Country” abre o disco com força e muita intensidade, flertando até mesmo com o Metal.

 

A letra é uma ode à própria banda:

 

I am a messenger

Listen my prophecy

I'm goin' back

To the Black Country

 

ONE LAST SOUL

 

“One Last Soul” é um Hard Rock bem legal, baseado em um riff eficiente e pesado, embora mais cadenciado.

 

A letra fala sobre resiliência:

 

You're the one last soul

Who can win it

You're the one last soul

If you try

You're the one last soul

If you live it

You're the one last soul

Tell you why

 

THE GREAT DIVIDE

 

“The Great Divide” continua com um andamento mais cadenciado e ótimo trabalho das guitarras.

 

A letra possui um sentimento de culpa:

 

I can't fake it

And I crucify myself

I've been shot down

By a stone

I'm gonna walk

Across the stateline

Gotta take a higher road

 

DOWN AGAIN

 

“Down Again” possui uma ótima pegada Hard/Blues Rock, com a guitarra brilhando intensamente.

 

A letra define uma volta por cima:

 

My caravan

Has gone and departed

And the wind

Cried in my face

I have walked

Upon the wasteland

Tied and bound

To the killing floor

 

BEGGARMAN

 

“Beggarman” é um Hard mais padrão, indo diretamente ao ponto, sem muitas firulas.

 

A letra novamente aborda um espírito de volta por cima:

 

You Kill me like an Animal

You kill me

And I won't, no I won't

I won't be no Beggarman

I won't be no Beggarman

And I won't, no I won't

I won't be no Beggarman

No more, no more...

 

SONG OF YESTERDAY

 

Contando com ótimos vocais de Bonamassa, “Song of Yesterday” é uma belíssima canção, mesclando passagens mais intimistas com outras bem intensas.

 

A letra fala sobre vingança:

 

Code of silence of a dying heart

Don't know where the end begins

And the truth starts

When the hammer falls

It falls on you

I sit here waiting, waiting to you

 

Jason Bonham



NO TIME

 

“No Time” é um petardo Hard, com andamento mais rápido e boa dose de peso.

 

A letra tem um sentido de urgência:

 

I open my mind

And I'm healed by the Sun

I pull down the Blind

And I wait, for the Gun

 

MEDUSA

 

“Medusa” é uma versão para o clássico da banda Trapeze, presente no segundo álbum da banda, de 1970.

 

A letra tem referência ao mito grego de Medusa:

 

I've got myself to blame

Through talking to your brother

Too late to say I'll stay

Too late to say I'll bother

 

THE REVOLUTION IN ME

 

“The Revolution in Me” é mais lenta, sem abrir mão do peso, mas acaba não deslanchando.

 

A letra pondera sobre o passado:

 

Now it's mind over matter

Story of legends, you'll see

Like the fields of Dunkirk

Still The Revolution In Me

 

STAND (AT THE BURNING TREE)

 

“Stand (at the Burning Tree)” é outro Hard Rock mais cadenciado, com outro bom riff, mas que acaba exagerando no ponto.

 

A letra é uma metáfora sobre permanência:

 

I'm ten miles away

And I won't

Be afraid

I've been locked in this dream

Far too long

And I lie awake

And the hurt

Breaks my fall

All alone, in this world

With my symphony

 

SISTA JANE

 

“Sista Jane” possui uma pegada com forte influência Blues, mas tem um refrão pesado e teclados bem legais.

 

A letra fala sobre contradições internas:

 

You get your faith

And your therapy

But your mind's spun

A lie in your head

And you're full

Of contradiction

You never heard

A word that I said

I can stay until the mornin'

You know the hour

Is late

Now you're walkin' on a wire

Don't it make your big day

 

TOO LATE FOR THE SUN

 

“Too Late for the Sun” encerra o disco como sua faixa mais extensa, com mais de 11 minutos, sendo uma canção bastante inspirada.

 

A letra pode ter uma interpretação ambiental:

 

Slowly I lay down this burden

Beside me

And I start to stumble

And rise to my feet

It's all that I have

I cannot wander

So hard to swallow

It's so bittersweet

 

Considerações Finais

 

O álbum Black Country Communion teve uma boa repercussão. Ele ficou com a 54ª posição na principal parada norte-americana, bem como com a 13ª colocação em sua correspondente britânica.

 

Nos Estados Unidos, o disco vendeu mais de 7 mil cópias na semana de lançamento.

 

A resposta da mídia à estreia do Black Country Communion foi geralmente positiva. Muitos críticos focaram seus elogios na alta qualidade do álbum em comparação com os esforços de estreia lançados por outros supergrupos no mesmo período, incluindo Them Crooked Vultures e Chickenfoot.

 

Revendo o lançamento pelo AllMusic, Eduardo Rivadavia afirmou que a banda "entrega os frutos em grande parte deste álbum", sugerindo que "a estreia do Black Country Communion tira o pavor da equação do supergrupo". Da mesma forma, Greg Moffitt, para a BBC, sugeriu que a banda "desafiou as probabilidades de entregar uma coleção que é toda dourada e sem albatroz", destacando faixas como "Black Country" e "One Last Soul".

 

Paul Elliott, da revista Mojo, diferenciou o Black Country Communion do Them Crooked Vultures ao elogiar as "ótimas canções" da banda, particularmente "One Last Soul" e "Song of Yesterday", concluindo que "Black Country Communion é um supergrupo que realmente faz jus às suas expectativas". Paul Cole, do Sunday Mercury, saudou Black Country Communion como "um ótimo álbum de rock and roll e a estreia garantida que você só consegue de jogadores no topo de seu jogo".

 

Após o lançamento do disco, Black Country Communion foi reconhecido em várias categorias da Enquete de Fim de Ano da Planet Rock, em 2010 - o álbum ficou em terceiro lugar na enquete de Álbum do Ano, enquanto a banda ganhou Banda do Ano e Melhor Banda Nova.

 

Ao anunciar os resultados, a Planet Rock elogiou a banda destacando "Um excelente álbum, vários músicos no auge e um monte de canções que colocam o clássico no rock clássico".

 

Black Country Communion também foi incluído na lista Álbuns do Ano 2010, publicada no final do ano, pela revista Metal Hammer, classificando-se em 16º lugar na lista.

 

Conversas sobre um segundo álbum começaram a circular já em outubro de 2010, apenas um mês após o lançamento de Black Country Communion, quando Bonham estimou que a banda começaria a gravar novamente em janeiro de 2011.

 

Em dezembro, Hughes já havia escrito nove faixas para o álbum, que ele sugeriu que serviriam como uma sequência direta para o primeiro. O disco foi agendado para lançamento em junho de 2011, com a banda definida para embarcar em uma turnê promocional para coincidir com seu lançamento.

 

Black Country Communion 2 foi lançado em junho de 2011.




 

Formação:

Glenn Hughes - Baixo, Vocal (exceto nas faixas 6 e 9)

Joe Bonamassa - Guitarra, Vocal (nas faixas 6 e 9)

Jason Bonham - Bateria

Derek Sherinian - Teclados

 

Faixas:

01. Black Country (Hughes/Bonamassa) - 3:15

02. One Last Soul (Hughes/Bonamassa) - 3:52

03. The Great Divide (Hughes/Bonamassa) - 4:45

04. Down Again (Hughes/Bonamassa/Sherinian) - 5:45

05. Beggarman (Hughes) - 4:51

06. Song of Yesterday (Bonamassa/Hughes/Shirley) - 8:33

07. No Time (Hughes) - 4:18

08. Medusa (Hughes) - 6:56

09. The Revolution in Me (Bonamassa/Sherinian) - 4:59

10. Stand (At the Burning Tree) (Hughes/Bonamassa) - 7:01

11. Sista Jane (Hughes/Bonamassa) - 6:54

12. Too Late for the Sun (Hughes/Bonamassa/Sherinian/Bonham/Shirley) - 11:21

 

Letras:

Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/black-country-communion/

 

Opinião do Blog:

Supergrupos surgem cercados de grandes expectativas e não são poucas as vezes em que eles são grandes decepções.

 

Mas o Black Country Communion, em sua estreia, pode ser considerado um sucesso. De fato, seu homônimo álbum inicial, supera as esperanças nele depositadas, pois entrega um trabalho homogêneo, inspirado e muito competente.

 

Black Country Communion, o disco, é baseado principalmente na guitarra de Joe Bonamassa, o que é um grande acerto. Sua sonoridade gira em torno do Hard Rock e Bonamassa entrega riffs e solos muito certeiros. Os teclados também são eficientes e a seção rítmica é competente.

 

Um ponto que não prejudica o álbum, mas poderia ser melhor, são os vocais de Glenn Hughes. Sim, ele é um ótimo vocalista e eu gosto bastante do seu trabalho, mas em Black Country Communion ele soa exagerado, forçando vocais “gritados” em passagens que funcionariam melhores com interpretações mais amenas.

 

As letras são na média geral.

 

O disco não possui faixas de enchimento e é muito consistente, sendo que o site destaca a excepcional “Song for Yesterday” como seu principal destaque.

 

Superando – e muito – as expectativas, Black Country Communion foi uma gratíssima surpresa e continua sendo um álbum de destaque deste século na cena Hard Rock. Foi muito bom ver a banda seguindo em frente e lançando mais trabalhos de qualidade posteriormente.


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