YES - THE YES ALBUM (1971)


The Yes Album é o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Yes. Seu lançamento oficial aconteceu em 19 de fevereiro de 1971, através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram no segundo semestre de 1970, no Advision Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou por conta de Eddie Offord e do próprio Yes.

Após um longo período, o Yes retorna às nossas páginas com um trabalho muito interessante e determinante para os rumos da banda. Nosso primeiro post sobre o grupo pode ser visto aqui. O RAC, como de praxe, vai contar os antecedentes ao lançamento do álbum para se contextualizar sua obra.


Time and a Word

Em 24 de julho de 1970, o Yes lançava seu segundo álbum de estúdio, Time and a Word.

Nesta época, o Yes era formado pelo vocalista Jon Anderson, pelo guitarrista Peter Banks, pelo baixista Chris Squire, pelo tecladista Tony Kaye e pelo baterista Bill Bruford.

O disco acabou alcançando a 45ª posição da principal parada britânica desta natureza, sendo o primeiro álbum do Yes a conseguir este feito. “Time and a Word” e “Sweet Dreams” foram os dois singles lançados para promoverem o trabalho.

O álbum teve uma recepção mista. Recebeu uma crítica entusiasta de Roy Carr, da revista britânica New Musical Express, em agosto de 1970, que o saudou como um dos melhores lançamentos do ano.

Para o revisor, seu material era “mentalmente exultante” e a faixa ““No Opportunity Necessary, No Experience Needed” (na verdade, um cover da canção composta por Richie Havens) definiu o padrão e o humor das restantes sete faixas”. Os arranjos de Cox foram louvados, o que combinou bem com a habilidade do grupo “para tocar passagens de conjunto intrincadas e altamente complexas com meticulosa destreza e precisão”. (Nota do Blog: Richard Pierce "Richie" Havens foi um cantor e compositor norte-americano. Sua música englobava elementos de folk, soul e blues. Ele é mais conhecido por seu estilo intenso de guitarra rítmica, covers espirituosos de canções pop e folk e por seu desempenho na abertura no Festival Woodstock, em 1969).

Carr creditou a força instrumental da banda através do baixo ‘identificável’ de Squire, a qual criou uma seção rítmica ‘formidável’ quando emparelhada com a ‘experiência’ de Bruford.

Chris Squire
O álbum não vendeu mais cópias do que o disco de estreia do grupo, Yes (1969), fato este que levou o gerenciamento da Atlantic Records considerar dispensá-lo do selo. Phil Carson, um diretor da Atlantic e fã do Yes, conseguiu convencer a gravadora a manter o conjunto, no mesmo momento em que a banda garantia Brian Lane como seu novo manager.

O guitarrista Peter Banks deixa o grupo em maio de 1970, dois meses antes do lançamento do álbum. Tendo manifestado a insatisfação com a ideia de gravar com uma orquestra, bem como com a dispensa de Flynn no início do ano, Banks indicaria, mais tarde, que ele foi demitido por Anderson e Squire - e que Kaye e Bruford não tinham conhecimento prévio daquilo que estava acontecendo. (Nota do Blog: Roy Flynn foi Manager do Yes entre 1968 e 1970).

Time and a Word apresenta músicas originais e duas novas versões - “Everydays”, do Buffalo Springfield e, como foi dito, “No Opportunity Necessary, No Experience Needed”, de Richie Havens.

O substituto de Banks foi o guitarrista da banda Tomorrow, Steve Howe, o qual aparece na fotografia do grupo na versão americana do disco, apesar de não ter tocado nele.

The Yes Album

A banda se retirou para uma fazenda alugada em Devon, Reino Unido, para escrever e ensaiar novas músicas para o seu próximo álbum.

Steve Howe se estabeleceu como parte integrante da sonoridade do grupo com sua Gibson ES-175 e várias guitarras acústicas. (Nota do Blog: A Gibson ES-175 é uma guitarra elétrica fabricada pela Gibson Guitar Corporation, atualmente ainda em produção. É uma guitarra completa de corpo oco de 24 ¾", com um cordão de trapézio e uma ponte Tune-O-Matic. É uma das guitarras de jazz mais famosas da história. Entre guitarristas famosos que usavam o modelo estão B.B. King, Pat Metheny, Wes Montgomery, Joe Pass, Keith Richards, Howard Roberts e, claro, Steve Howe).

Com o produtor e engenheiro de som, Eddy Offord, as sessões de gravação duraram até 12 horas, com cada faixa sendo montada por pequenas seções simultâneas, as quais foram reunidas para formar uma canção completa.

Bill Bruford
A banda então aprenderia a tocar a música completa após a conclusão da mixagem final.

Conforme dito, o Yes já havia gravado dois álbuns para a Atlantic Records até meados de 1970, mas nenhum deles havia sido comercialmente bem-sucedido e o selo estava pensando em demiti-los.

A adição de Steve Howe, o qual apreciava tocar uma variedade mais ampla de estilos, incluindo música folk e country, permitiu uma interessante mistura de guitarras elétricas e acústicas. O vocalista Jon Anderson afirmou que Howe poderia “pular de uma coisa para a outra, muito rápido, muito talentoso”.

Após alguns shows de aquecimento com Howe, a banda se mudou para Devon, para compor e ensaiar novo material. Eles chegaram a uma casa de campo em Churchill, ao norte de Barnstaple, mas o grupo sentiu-se restrito no local, pois não era permitido nenhum barulho após o anoitecer.

O conjunto fez um anúncio no jornal local para uma nova locação, mudando-se para Langley Farm em Romansleigh, perto de South Molton, a cerca de 20 milhas de distância. Howe, em particular, gostava de trabalhar na fazenda e, eventualmente, comprou-a.

Após os ensaios, a banda foi até os Advision Studios, em Londres, com o produtor Eddie Offord, e realizou a gravação no outono. A banda gostou das sessões e logo teve material suficiente para um álbum.

Em novembro de 1970, o grupo esteve envolvido em um acidente de carro quando retornava de um show em Basingstoke. A banda sofreu um choque, e Kaye quebrou o pé. O tecladista teve que fazer os próximos shows e a sessão de fotos da capa do álbum com o membro engessado.

Howe usou principalmente uma guitarra semi-acústica Gibson ES-175 e uma acústica Martin 00-18 para a gravação, embora ele tentasse tocar uma variedade de estilos com os dois instrumentos. Os principais instrumentos de Kaye foram o órgão Hammond e um piano, incluindo um solo em “A Venture”.

Kaye já havia tocado com o Hammond M-100, mas para este álbum usou o B-3, um movimento que ele viu como ‘um ponto de viragem’. Ele não estava interessado em tocar teclados eletrônicos, que começaram a aparecer no mercado.

A capa da frente foi fotografada por Phil Franks, no dia seguinte ao acidente de Basingstoke. Franks já havia tirado algumas fotos do show do em Lyceum, mas achava que precisava de algo mais para a capa. A banda estava atrasada, no hospital, no início daquele dia, e apenas 30 minutos estavam disponíveis para uma fotografia.

Steve Howe
Incapaz de obter uma foto satisfatória no estúdio, Franks levou o grupo para seu apartamento, pegou uma cabeça de manequim de poliestireno de uma lixeira, colocou uma lâmpada de 1.000 watts na luz da cozinha e improvisou a fotografia.

Franks creditou ao designer da capa, o diretor de arte da edição britânica da Rolling Stone, Jon Goodchild, por ter feito do trabalho um sucesso.

Quando o Yes tocou uma versão ao vivo de “Yours Is No Disgrace”, para a série de televisão alemã Beat-Club, em abril de 1971, a filmagem da banda foi combinada com a de outra cabeça de manequim, girando sobre uma cadeira, imitando o conceito da capa.

O encarte do disco mostra Kaye tocando um órgão Hammond, enquanto a capa frontal mostrava sua perna engessada, após o acidente. Anderson é creditado como ‘John Anderson’ no disco, mas ele deixou cair o ‘h’ de seu primeiro nome para o próximo trabalho.

Vamos às faixas:

YOURS IS NO DISGRACE

"Your Is No Disgrace" é um excelente esforço progressivo do Yes e a qual apresenta algumas das primordiais características do grupo. A onipresença do baixo de Chris Squire é indiscutível. O tema principal da canção conta com um riff magistral do guitarrista Steve Howe e a dominância do teclado de Tony Kaye. As mudanças de ritmo e sonoridade são impressivas, com direito a passagens jazzísticas. Excelente composição!

A letra, padrão Yes, é uma mensagem antiguerra:

Battleships confide in me and tell me where you are
Shining, flying, purple wolfhound, show me where you are
Lost in summer, born in winter, travel very far
Lost in losing circumstances, that's just where you are


“Yours Is No Disgrace” é um clássico do Yes.

A música também foi lançada como single em alguns países da Europa continental, como Itália e Holanda. Na Itália, a música foi dividida entre o lado A e o lado B. Na Holanda, foi lançada como um maxi single, apoiada por “Your Move” e “Sweet Dreams”.

A canção tem sido uma presença comum nos shows do Yes. Também aparece em muitos álbuns ao vivo e coletâneas, incluindo Yessongs, Classic Yes e Yesstory.



CLAP

"Clap" é uma excepcional demonstração do quão acertada foi a decisão do Yes em contar com o guitarrista Steve Howe. Em um esforço acústico, inteiramente desenvolvido por ele, "Clap" é simplesmente empolgante.



STARSHIP TROOPER

A beleza de "Starship Trooper" é estonteante. Novamente, é impossível ignorar os protagonismos de Chris Squire e Tony Kaye, dominando boa parte da canção. Por volta do minuto 3:30, Steve Howe toma a música de assalto para si, brilhantemente e abruptamente, da mesma forma com que sucumbe, em uma passagem acústica soberba. Os vocais de Jon Anderson estão sensacionais e o solo final do guitarrista Steve Howe é de cair o queixo. Monumental!

A letra foi inspirada no romance Starship Troopers, do escritor Robert A. Heinlein:

Mother life, hold firmly on to me
Catch my knowledge higher than the day
Lose as much as only you can show
Though you've seen them, please don't say a word
What I don't know, I have never shared

“Starship Trooper” possui mais de 9 minutos e é dividida em três partes: “Life Seeker”, “Disillusion” and “Würm”.

“Starship Trooper” foi construída a partir de peças de música escritas separadamente por Anderson, Howe e Squire. Anderson foi o principal autor de “Life Seeker”.

Squire escreveu a maior parte da seção “Disillusion”; sendo que esta seção já havia sido usada com letras ligeiramente diferentes como a ponte para a música “For Everyone”, com o próprio Squire fornecendo os vocais principais.

Howe escreveu a seção instrumental “Würm” enquanto estava em uma banda anterior, a Bodast.

A música foi fortemente construída em estúdio de gravação e, como resultado, a banda nunca conseguiu reproduzi-la, em pleno modo, como foi gravada. A canção varia seus humor, ritmo, tempo e estilo continuamente, mas, de acordo com o biógrafo do Yes, Chris Welch, ainda consegue ‘mantê-los unidos’.

Os autores Pete Brown e Lisa Sharken descrevem a seção “Würm” como “uma espécie de bolero”, na qual a “sequência de acordes que se constrói em um solo explosivo”. Eles apontam que o solo de Howe incorpora elementos da música rockabilly e do country, em vez da música baseada no blues com distorção, como é típico para esses tipos de solos.

“Starship Trooper” aparece em muitos álbuns e DVDs ao vivo do Yes, incluindo Yessongs, 9012Live, Keys to Ascension e Symphonic Live. Também aparece em coletâneas como Yesstory.



I’VE SEEN ALL GOOD PEOPLE

O primeiro momento de "I've Seen All Good People", denominado de 'Your Move', é um extraordinário esforço folk do grupo, com as flautas de Colin Goldring tendo um papel determinante na beleza da melodia. Na sua segunda metade, "All Good People", aparece o Yes mais tradicional e roqueiro, com grande atuação da guitarra de Steve Howe, contando com uma pegada bluesy, bem sessentista. Genial!

A letra é uma metáfora genial sobre relacionamentos:

Don't surround yourself with yourself
Move on back two squares
Send an instant karma to me
Initial it with loving care
Don't surround yourself

“I’ve Seen All Good People” é dividida em duas partes chamadas “Your Move” e “All Good People”.

A seção “Your Move” foi lançada como single e atingiu a 40ª posição da principal parada de singles norte-americana.

O crítico norte-americano do jornal Village Voice, Robert Christgau, chamou a canção de um ‘grande corte’, sendo aquele em que o ecletismo do Yes se une.

A música foi incluída em vários álbuns de compilação, como o Classic Yes e The Ultimate Yes, desde o lançamento inicial em The Yes Album, em 1971. Foi tocada muitas vezes durante as turnês do Yes, uma versão ao vivo foi lançada recentemente em Live at Montreux, de 2003, que foi distribuído pela Eagle Records.

Tanto “I’ve Seen All Good People” quanto a parte “Your Move” foram alvos de versões por diferentes artistas como Matthew Sweet e Susanna Hoffs, Shaw Blades e a banda norte-americana Ra.



A VENTURE

O ponto que mais chama a atenção em "A Venture" é a dominância do baixo de Chris Squire, ditando tanto o ritmo quanto o pulso melódico da canção de maneira incontestável, abrindo espaço para que o piano de Tony Kaye apareça de maneira protagonista.  

A letra se refere à bravura:

He told all his sons of all the antics of adventure,
Then he told another one who drove himself to drink
Not to hide away, hide away



PERPETUAL CHANGE

A sexta - e última - faixa de The Yes Album é "Perpetual Change". A derradeira canção do disco é uma amostra da grandiosidade do Yes enquanto banda, com alternância de ritmos, algum tom épico, mas dotada de melodias sutis e simultaneamente brilhantes. Fantástica atuação do vocalista Jon Anderson.

A inspiração para a letra foi a passagem da banda pela casa de campo em Churchill:

And there you are
Making it up but you're sure that it is a star
And boy you'll see
It's an illusion shining down in front of me
And then you'll say
Even in time we shall control the day
When what you'll see
Deep inside base controlling you and me



Considerações Finais

The Yes Album foi o disco que conduziu o Yes ao sucesso comercial.

O álbum atingiu a excelente 4ª posição da principal parada britânica desta natureza, conquistando a 40ª colocação em sua correspondente norte-americana. Ainda ficou com os 7º, 46º e 20º lugares nas paradas de Holanda, Canadá e Austrália; respectivamente.

O baixista Chris Squire disse posteriormente que uma razão fundamental para o sucesso do álbum foi que houve uma greve postal a qual impediu que os lojistas enviassem seus dados de vendas reduzindo os disponíveis a alguns varejistas em Londres.

Como o Yes possuía sua maior base de fãs nessas lojas, isso permitiu uma boa posição na parada britânica. Entretanto, quando a greve terminou, o disco começou a vender bem devido ao seu sucesso inicial aparente.

O álbum teve uma recepção positiva dos críticos. John Koegel, escrevendo para a revista norte-americana Rolling Stone, elogiou a unidade instrumental entre Squire, Howe e Kaye, mas sentiu falta de músicas ‘cover’ presentes nos álbuns anteriores da banda.

O álbum é um dos três do Yes a aparecer no livro 1,000 Recordings to Hear Before You Die. O autor, Tom Moon, prefere a unidade do grupo que ele afirma desaparecer em lançamentos posteriores do Yes e deu uma impressão positiva aos vocais de Anderson.

Anderson estava preocupado com a resposta inicial ao álbum, mas, após cerca de um mês, percebeu que os fãs começaram a cantar as canções nos concertos e concluiu que esse estilo musical poderia ser desenvolvido e ainda permanecer popular.

Kaye concluiu que, em geral, era “um álbum bastante simples, considerando onde o Yes chegou a partir de lá”. O vocalista e baixista do Rush, Geddy Lee, incluiu The Yes Album entre seus álbuns favoritos. Já o tecladista do Genesis, Tony Banks, disse que este era seu álbum favorito do Yes e preferia a banda quando Kaye era membro.

J. D. Considine, escrevendo no The New Rolling Stone Album Guide, afirma: “Foi a adição da pirotecnia do violão de Steve Howe que finalmente permitiu ao Yes encontrar sua verdadeira identidade. O The Yes Album é um salto gigante para a frente”.

Bruce Eder, do site AllMusic, dá ao álbum uma nota 4 de um máximo possível de 5, afirmando: “The Yes Album cumpriu o que tinha que fazer, superando os dois primeiros álbuns do grupo e fazendo da banda uma presença estabelecida na América, onde, pela primeira vez, começaram a se exibir regularmente no rádio FM”.

O Yes embarcou em uma excursão de 28 dias pela Europa, com o Iron Butterfly, em janeiro de 1971. Seu primeiro show na América do Norte ocorreu em 24 de junho, em Edmonton, no Canadá, apoiando o Jethro Tull.

O tecladista Tony Kaye fez seu show final no Yes no Crystal Palace Bowl, em agosto. A decisão foi tomada após a fricção que surgiu entre Howe e ele, na turnê, por conta de sua relutância declarada em tocar Mellotron e sintetizador Minimoog.

O Yes encontrou seu novo tecladista - Rick Wakeman, um músico de formação clássica que deixou o grupo de folk rock Strawbs no início daquele ano.

The Yes Album supera a marca de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Jon Anderson - Vocal, Percussão
Chris Squire - Baixo, Vocal
Steve Howe - Guitarras Elétricas e Acústicas, Vachalia, Vocal
Tony Kaye - Piano, Órgão, Moog
Bill Bruford - Bateria, Percussão
Músicos adicionais:
Colin Goldring - Flautas em “Your Move”

Faixas:
01. Yours Is No Disgrace (Anderson/Squire/Howe/Kaye/Bruford) - 9:41
02. Clap (Howe) - 3:17
03. Starship Trooper (Anderson/Howe/Squire) - 9:29
    a. Life Seeker
    b. Disillusion
    c. Würm
04. I've Seen All Good People (Anderson/Squire) - 6:56
    a. Your Move
    b. All Good People
05. A Venture (Anderson) - 3:21
06. Perpetual Change (Anderson/Squire) - 8:58

Letras:
Para o conteúdo completo das letras recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/yes/

Opinião do Blog:
Após um longo período, o Yes retorna ao RAC com aquilo que definitivamente o consagrou na história da música: seu inconfundível Rock Progressivo.

The Yes Album é um ponto importante na carreira do grupo britânico. É o marco inicial da solidificação da sonoridade da banda em torno da temática progressiva e de seus elementos, com várias alternâncias de ritmos, complexidade de arranjos, técnica e aspecto épico andando lado a lado, de maneira simbiótica.

Esta mudança sonora ficou facilitada com a adição do extraordinário guitarrista Steve Howe e seu talento pode ser ouvido por todo o disco. Riffs, solos, abordagens acústicas, enfim, Howe despeja sua técnica soberba por onde se quer olhar no álbum.

Claro, a dominância do baixo de Chris Squire é assustadora, no melhor sentido da afirmação. Talento incrível! Jon Anderson dispensa comentários, bem como o baterista Bill Bruford. E o pianista/tecladista Tony Kaye é outro grande destaque do trabalho.

As letras são muito boas e valem mais que uma conferida.

Sem pontos baixos, The Yes Album é um disco que merece ser ouvido na íntegra, atenciosamente e sem interrupções. Sua 'unicidade variante' é especialmente saborosa.

"Yours Is No Disgrace" é um clássico da banda, belíssima em sua forma progressiva. "I've Seen All Good People", a qual varia entre o Folk e o Rock, é outra canção incrível. E "Perpetual Change" mostra do que o Yes era capaz.

Mas o RAC elege a maravilhosa "Starship Trooper", com uma monumental atuação do trio Kaye/Squire/Howe, como a melhor do álbum. Simplesmente fantástica!

Enfim, The Yes Album é um disco formidável e dá início ao melhor momento da carreira do Yes, quando o grupo definitivamente encontrou sua identidade dentro do Rock Progressivo e que resultaria posteriormente em trabalhos antológicos como Fragile e Close to the Edge. Enfim, The Yes Album é extremamente recomendado pelo Blog.

8 Comentários

  1. Bem, como deixei claro no post sobre o álbum 90125 aqui analisado, meu álbum favorito do Yes (e na minha opinião o melhor da carreira) é o duplo e contestado Tales from Topographic Oceans (1973), mas também gosto bastante dos três álbuns que a banda fez entre 1971 e 1972.

    The Yes Album foi o momento no qual o grupo inglês - um dos meus favoritos do rock progressivo diga-se de passagem, ao lado do Pink Floyd e do Genesis - finalmente encontrou o caminho do sucesso em todos os termos (visuais, comerciais e artísticos), e é um dos álbuns que mais me agradam ouvir em se tratando do Yes. A chegada do multi-guitarrista Steve Howe se mostrou mais do que necessária para isso acontecer.

    Eu particularmente gosto mais do disco seguinte, Fragile, por ter sido o primeiro com o tecladista Rick Wakeman (nada contra Tony Kaye), pelo fato de ele conter os clássicos hinos "Roundabout" e, em especial, "Heart of the Sunrise" (com o melhor desempenho de Bill Bruford na bateria), e principalmente, por mostrar toda a qualidade musical do Yes, tanto coletivamente quanto individualmente. E as vinhetas individuais de seus membros (esqueci de citar o grande vocalista e compositor Jon Anderson e o genial baixista Chris Squire, que infelizmente não está mais entre nós) provam tudo isso.

    Lembrando que não sou muito fã de Close to the Edge pelo fato de ser um disco muito superestimado pelos fãs do Yes e por observar nele uma falta de equilíbrio em alguns momentos de sua duração. Mas, mesmo assim, gosto de "Siberian Khatru" e "And You and I", mas não tenho grande estima pela faixa-título. Outro fator negativo que observo neste álbum e que nunca vou compreender foi a saída de Bill Bruford após as gravações e antes da turnê de promoção de CTTE, sendo substituído por Alan White, o baterista que mais tempo permaneceu no Yes e que gravou grandes álbuns com a banda nos anos seguintes.

    Felizmente todos aqueles problemas que eu citei em relação ao CTTE não acontecem no duplo TFTO, álbum que até hoje algumas pessoas não gostam e que também nunca vou entender o porque disso...

    Mas como este post é sobre a fase pré-Topographic Oceans, encerro meu comentário parabenizando ao patrão Daniel por resenhar o disco onde tudo realmente começou para o gigante Yes, o The Yes Album.

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  2. Considero que o Yes “nasceu” a partir desse álbum. Nada contra os anteriores, mas esse está anos-luz de qualidade à frente dos dois que vieram antes. Concordo que essa obra não tem pontos baixos, pelo contrário, todas as músicas são muito boas. O incrível é que esse disco conseguiu emplacar vários clássicos da banda, que vieram a ser músicas carimbadas nos shows deles, como é o caso de “I’ve seen All Good People”, “Yours Is No Disgrace”, “Clap” e “Starship Trooper”.

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    1. Obrigado pelo comentário. Qualquer banda que tivesse o acréscimo de um músico tão completo como Steve Howe subiria muitos patamares e é o que se ouve aqui. Mas confesso que até curto os 2 primeiros álbuns e os considero melhores do que a banda fez nos anos 90. Saudações!

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    2. Sábias palavras, chefe. Mas acho que após a entrada de Steve Howe, o Yes melhorou ainda mais com a chegada de Rick Wakeman e o lançamento de Fragile, o melhor disco deles para a grande maioria dos fãs.

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    3. Sim, obviamente, mas me ative a apenas a este The Yes Album e aqui foi "somente" a entrada de Howe.

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