11 de dezembro de 2012

YES - 90125 (1983)



Post sugerido e dedicado ao amigo Silvio Tavares

90125 é o décimo-primeiro álbum de estúdio da banda inglesa chamada Yes. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 14 de novembro de 1983, com sua gravação acontecendo basicamente em parte do primeiro semestre daquele ano. A produção ficou a cargo do conceituado produtor Trevor Horn e o disco saiu sob o selo da Atco Records.



O espaço aqui é muito pequeno para se contar a história de um grupo como o Yes até o ano de 1983, então, o blog preferiu fazer apenas uma rápida pincelada no passado (glorioso) do conjunto e se ater à época mais especificamente do lançamento de 90125.

O início do Yes data do ano de 1968, quando o baixista Chris Squire foi apresentado ao cantor Jon Anderson, sendo que ambos possuíam interesse em músicas como as de Simon & Garfunkel e, também, em harmonias vocais.

Com uma formação que contava com Jon Anderson nos vocais, Chris Squire no baixo, Peter Banks na guitarra, Tony Kaye no órgão/piano e Bill Bruford na bateria, a banda lançaria seu primeiro álbum, homônimo ao grupo e que é considerado por alguns como o primeiro disco de rock progressivo da história.

Com a mesma formação do grupo, sairia o segundo álbum da banda, Time And a Word, de 1970.

Foi por volta de 1971, já com Steve Howe nas guitarras – substituindo Peter Banks – que o Yes trouxe para o grupo o excelente tecladista Rick Wakeman, para o lugar de Tony Kaye. Wakeman traria para o Yes maiores contribuições para o estilo Progressivo/Sinfônico que a banda tanto gostava.

O primeiro trabalho com Wakeman no Yes foi seu quarto álbum de estúdio, o aclamado Fragile, de 1971.

Durante os anos setenta, o Yes lançou vários álbuns de sucesso, com praticamente todos entre as 10 primeiras posições da parada britânica de discos, sendo que dois deles atingiram o topo: Tales From Topographic Oceans (1974) e Going For The One (1977).

O grupo também sofreu com algumas mudanças de formação durante o período – como a saída de Wakeman em 1974, insatisfeito com o resultado das gravações de Tales From Topographic Oceans – voltando poucos anos depois.

Após a gravação do nono álbum de estúdio do grupo, Tormato (1978), tensões surgiriam dentro do Yes e que causariam algumas mudanças na direção musical do conjunto.

Para o próximo trabalho, o Yes se reuniu em Paris com o produtor Roy Thomas Baker, que durante as sessões musicais favorecia as partes desenvolvidas pelo vocalista Jon Anderson e o tecladista Rick Wakeman. Estas passagens eram mais leves e delicadas, fato este que inervou o grupo formado por Chris Squire, Steve Howe e Alan White, que desejavam uma veia mais rock and roll para as músicas.

Chris Squire


Em 1980, Squire, Howe e White não gostaram de nenhuma das composições apresentadas por Jon Anderson como material para o próximo trabalho, mais uma vez consideradas “leves demais”. Para complicarem mais as coisas, as sessões de gravação tiveram que serem interrompidas, pois Alan White quebrou seu pé enquanto patinava.

Quando o grupo voltou para novas gravações, a situação se tornou irremediável. Diferenças musicais – e, talvez financeiras – fizeram com que Jon Anderson deixasse o Yes. Logo em seguida, pensando em que a banda não conseguiria prosseguir sem sua voz, Wakeman também sai do conjunto.

Em 1980, a dupla pop The Buggles era formada pelo tecladista Geoffrey Downes eo vocalista Trevor Horn, com Brian Lane como um gerente musical. Eles tiveram um sucesso mundial com o single "Video Killed the Radio Star" e estavam trabalhando no mesmo escritório com o Yes.

Inclusive, a dupla já tinha uma música chamada "We Can Fly From Here", que tinha sido escrita com o Yes em mente. Para a surpresa dos The Buggles, eles foram convidados a participar do Yes como membros em tempo integral. Aceitando o convite, apareceram no álbum Drama, de 1980.

O álbum exibiu um som mais pesado, certamente mais rock que o material gravado com Anderson em 1979, abrindo com a faixa "Machine Messiah", certamente bem mais forte que o habitual. O disco alcançou a segunda posição na parada do Reino Unido e 18ª na correspondente norte-americana.

A turnê de 1980, na América do Norte e no Reino Unido, recebeu uma reação mista das audiências. Eles foram bem recebidos nos Estados Unidos e premiados com um certificado comemorativo depois de terem conquistado um recorde de 16 apresentações consecutivas com ingressos esgotados no Madison Square Garden (Nova Iorque), desde 1974.

Após a turnê, o Yes se reuniu na Inglaterra para decidir o próximo passo da banda. Eles demitiram Lane como gerente e Horn escolheu seguir uma carreira na produção musical.

White e Squire foram os próximos a partirem, deixando Downes e Howe, como os únicos membros do grupo. Eles optaram por não continuarem com a banda e seguiram caminhos separados em dezembro de 1980. Uma coletânea de performances ao vivo 1976-1978 foi lançada com o nome de Yesshows, que chegou à 22ª colocação no Reino Unido e à 43ª nos EUA.

O anúncio oficial veio março 1981, confirmando que o Yes já não existia mais. Downes e Howe se reuniram para formar a Ásia com o ex-baixista e vocalista do King Crimson, John Wetton,  e o baterista Carl Palmer; do Emerson, Lake e Palmer.

Squire e White continuaram a trabalharem juntos, inicialmente sessões de gravação com Jimmy Page para uma proposta de banda chamada XYZ (abreviação de "ex-Yes-e-Zeppelin").  Robert Plant também chegou a estar envolvido como vocalista, mas ele perdeu o entusiasmo, citando seu luto pelo recentemente falecido baterista do Led Zeppelin, John Bonham.

O grupo produziu poucas faixas demo, elementos que apareceriam na banda de Page e Paul Rodgers, The Firm, e em canções futuras do Yes, como "Drive Mind" e "Can You Imagine?".

Em 1981, Squire e White lançaram "Run With The Fox", um single de Natal com Squire nos vocais e com letra de Peter Sinfield, que recebeu boa divulgação de rádios nas décadas de 1980 e início de 1990, durante os períodos de Natal. Uma coletânea do Yes, Classic Yes, foi lançada em Novembro de 1981.

Em 1982, Squire e White juntaram-se ao cantor e guitarrista sul-africano Trevor Rabin, em uma nova banda, a qual teria o nome de Cinema. Rabin havia feito o seu nome com um conjunto chamado Rabbitt, posteriormente, lançou três álbuns em carreira solo, trabalhou como produtor musical e até mesmo tocou em uma versão inicial da banda Ásia. Squire também recrutou outro músico que tocou no Yes, Tony Kaye, que cuidaria das partes referentes a teclados no novo grupo. Apesar da presença de três músicos oriundos do Yes, o Cinema não foi, inicialmente, concebido para ser uma continuação do Yes.

A banda Cinema, posteriormente, entrou em estúdio para gravar um álbum. Apesar de Rabin e Squire inicialmente compartilharem os vocais, Trevor Horn foi convidado para o projeto para atuar como vocalista, mas posteriormente mudou de função, tornando-se o produtor da banda. Horn trouxe para as canções da banda efeitos modernos de estúdio e toques digitais usando o CMI Fairlight, além de, também, desempenhar um papel de destaque nos arranjos vocais (contribuindo para os backing vocals).

Trevor Rabin


No entanto, seus confrontos com Tony Kaye (complicados pelo fato de que Rabin estava tocando a maioria dos teclados durante as sessões de gravação), levou à saída de Kaye, após cerca de seis meses de ensaio. Trevor Horn e Trevor Rabin estavam se revezando nos teclados, com Eddie Jobson sendo convidado a entrar para ser tecladista. Por motivos legais, algum tempo depois, Tony Kaye voltou para o grupo e Jobson, caiu fora.

Enquanto isso, Jon Anderson lançou dois álbuns solo desde que deixou o Yes. Também alcançou sucesso com o projeto Jon and Vangelis. Anderson e Squire encontraram-se em uma festa em Los Angeles, e Squire mostrou-lhe faixas demo da banda Cinema e, posteriormente, convidou-o para se tornar o vocalista principal do grupo.

Anderson se juntou ao projeto durante as últimas semanas de sessões de gravações, tendo relativamente pouco contribuído com o processo criativo, apenas adicionando seus vocais e reescrevendo algumas letras.

Por sugestão dos executivos da gravadora, Cinema, então, mudou seu nome para Yes. Rabin inicialmente se opôs a isso, pois, agora, tinha, inadvertidamente, unido-se a uma banda reunida, com uma história, bagagem e expectativas, em vez de ajudar a lançar um novo projeto.

No entanto, a presença de quatro ex-membros da banda Yes (sendo três membros fundadores, incluindo o vocalista principal) sugeriu que a mudança de nome seria uma estratégia benéfica no sentido comercial.

O novo álbum marcou uma mudança radical no estilo musical do Yes. O “novo” grupo adotou um som pop rock, que mostrou pouco de suas raízes progressivas e sinfônicas. Esta encarnação da banda, popularmente, por vezes foi informalmente conhecida como "Yes-West", refletindo a nova base do conjunto, que se moveu para Los Angeles, em vez de Londres.

O nome do álbum, 90125, é originalmente o número de catálogo que a Atco Records deu ao novo disco do Yes. Garry Mouat foi o responsável por desenvolver e criar a capa do trabalho.

OWNER OF A LONELY HEART

Abre o álbum “Owner Of A Lonely Heart”.

O riff inicial até engana, pois é pesado e com ótima pegada, mas ele é apenas a base melódica para o que se ouve depois. A canção é dominada pelos teclados de Rabin, mesmo que em certos momentos sua guitarra seja também ouvida. Jon Anderson canta de maneira bastante suave e melosa, construindo uma música com uma veia pop bastante acentuada.

Embora as letras sejam simples, elas contêm uma mensagem bastante interessante, podendo ser inferida uma mensagem de sentido libertário:

Say you don't want to chance it
You've been hurt so before
Watch it now the eagle in the sky
How he dancin' one and only
You, lose yourself
No, not for pity's sake
There's no real reason to be lonely
Be yourself, give your free will a chance
You've got to want to succeed

“Owner Of A Lonely Heart” é um dos maiores sucessos da carreira do Yes. A canção foi lançada como single e atingiu a 1ª posição da parada de singles desta natureza nos Estados Unidos, conquistando a 9ª colocação em sua correspondente britânica.



A música foi composta originalmente por Trevor Rabin, em 1980, que a “guardou” em uma fita-demo. Rabin chegou a mostra-la para o produtor Trevor Horn, que a descartou completamente de início.

Após a conclusão da gravação de todas as outras faixas de 90125, Horn sentia que o álbum carecia de uma canção com forte apelo para se tornar um single de sucesso. Ao se lembrar da fita-demo de Rabin, Horn sentiu que algumas passagens tinham potencial, e, assim, ele se debruçou sobre a mesma realizando várias modificações na versão original, resultando no que se ouve no álbum.

Além de um videoclipe, “Owner Of A Lonely Heart” está presente em muitas coletâneas do Yes. Também possui incontáveis versões remixadas, além de diversas gravações “covers” por parte de muitos grupos musicais.

É considerada uma canção que influenciou decisivamente a música pop dos anos oitenta. Um dos maiores legados da faixa é, sem dúvida, o início da ZTT Records e do grupo eletrônico The Art of Noise. Sendo um ex-membro do Yes, Trevor Horn teve o papel de produtor global durante a gravação de 90125.

Sua equipe regular incluía Gary Langan, J.J. Jeczalik e Anne Dudley, que trabalharam como músicos de sessão, programadores, engenheiros de teclado e arranjadores em vários projetos de Horn. De posse de uma coleta de amostras e loops diretamente retirados dessas sessões de gravação do Yes (assim como de amostras do trabalho feito no grupo de Malcolm McLaren, Duck Rock, produzido por Horn), a supracitada mesma equipe regular de gravação, posteriormente, formou o Art of Noise sob os auspícios de Trevor Horn, tornando-se o primeiro contratado do selo ZTT Records.

Os ‘samples’ orquestrais e os tambores ensurdecedores de "Owner Of A Lonely Heart" foram reutilizados nas gravações iniciais do The Art Of Noise. O Mix do The Red & Blue para a versão de “Owner Of A Lonely Heart”, incluído no cassete de remix chamado Twelve Inches on Tape, lançado pelo Yes, mostra o emergente som do The Art Of Noise muito claramente.

De acordo com Questlove, baterista do The Roots, "Owner Of A Lonely Heart" continha o primeiro uso de um ‘sample’ como um ‘breakbeat’ (em oposição a um efeito de som). O Yes incorporou cinco segundos de Funk, Inc. 's "Kool Is Back" (1972), um cover de Kool & the Gang "Kool Is Back".



HOLD ON

A segunda faixa de 90125 é “Hold On”.

Em “Hold On”, o Yes continua a apostar em um som pop, baseado em melodias vocais bem características, com o uso de várias vozes simultaneamente. Em alguns momentos a guitarra de Trevor Rabin se faz presente, incluindo um pequeno, mas sensível, solo.

Mais uma vez, as letras são belíssimas. Elas podem ser traduzidas com uma mensagem de esperança, ao mesmo tempo em que flertam com o aspecto de finitude (ou transitoriedade) da vida, de maneira brilhante:

Talk the simple smile
Such platonic eye
How they drown in incomplete capacity
Strangest of them all
When the feeling calls
How we drown in stylistic audacity
Charge the common ground
Round and round and round
We living in gravity
Shake - We shake so hard
How we laugh so loud
When we reach
We believe in eternity
I believe in eternity

“Hold On” foi composta originalmente pelo guitarrista Trevor Rabin, antes de entrar para o Yes, mas como duas canções diferentes: “Hold On” e “Moving In”. À época de gravação de 90125, Chris Squire e Jon Anderson acabaram combinando as duas músicas e fazendo novos arranjos. Tanto que nesta faixa, não somente Trevor Horn é creditado como produtor, tanto que o próprio Yes se dá os méritos da produção.



Lançada como single em 1985, não teve maior repercussão nas paradas de sucesso desta natureza.



IT CAN HAPPEN

A terceira canção do álbum é “It Can Happen”.

Um som típico de cítara indiana acompanhado de uma bateria marcante é o que se apresenta no minuto inicial da música. Depois, a faixa se desenvolve em um misto de um Pop/Rock bem criativo com momentos de um teclado extremamente presente, dando um toque “New Wave” ao que se ouve. Sonoramente, é uma canção menos ‘alegre’ que as anteriores.

As letras, outra vez, são brilhantes. Em “It Can Happen”, pode-se inferir uma tentativa de contrapor o orgulho humano ao fator destino:

It can happen today
As it happens
It happens in every way
This world I like
We architects of life
A song a sigh
Developing words that linger
Through fields of green through open eyes
This for us to see
Look up - Look down

Lançada como single, atingiu a 51ª posição da parada desta natureza nos Estados Unidos. “It Can Happen” foi composta na época em que Chris Squire e Alan White se juntaram a Trevor Rabin, formando o que teria sido a banda Cinema. Quando Jon Anderson se juntou ao novo Yes, ele reescreveu as letras e também fez os vocais da música.



CHANGES

A quarta música do trabalho é “Changes”.

“Changes” deixa o ouvinte intrigado, pois em grande parte da canção, que quase se apresenta como uma balada, misturam-se alguns momentos de um rock quase psicodélico, com doses pequenas – quase homeopáticas – de um pop-rock (mas com a guitarra de Rabin muito presente) e um rock tradicional bem construído. A faixa é absolutamente genial.

Embora “Changes” retrate o ‘batido’ tema do fim de um romance, o Yes o aborda de maneira especial, demonstrando a fase depressiva como agente de transformação da vida:

I look into the mirror
I see no happiness
All the warmth I gave you
Has turned to emptiness
The love we had has fallen
The love we used to share
You've left me here believing
In love that wasn't there

“Changes” também foi um single que falhou ao entrar nas principais paradas de sucesso do gênero. Amostra clara do brilhante compositor que Trevor Rabin era, a faixa foi composta inicialmente por ele antes de formar a banda Cinema. Alan White e Jon Anderson acabaram a modificando para a versão encontrada em 90125.

A banda Din Whitin fez uma versão cover da canção.



CINEMA

A quinta faixa de 90125 é “Cinema”.

“Cinema” é um pequeno momento de volta ao passado do Yes, pois apresenta um pequeno trecho apenas instrumental. A passagem é bem psicodélica, lembrando, em partes, o que o grupo fazia na década de setenta.

A canção é uma das menores na discografia do Yes, embora tivesse sido projetada para ter mais de 20 minutos e sob o nome de “Time”. Foi inicialmente composta no momento em que o grupo que se chamaria Cinema estava se compondo.



LEAVE IT

A sexta música do trabalho é “Leave It”.

“Leave It” se inicia com um coral de vozes cantando de maneira demasiadamente forte. Após este início inusitado, a canção se desenvolve em um pop com fortes influências da chamada música “New Wave”, com boas doses de efeitos eletrônicos e um teclado marcante. Uma faixa bem excêntrica.

Outra vez o Yes esbanja talento na construção das letras, pois a música pode ser entendida em um contexto que simboliza a eterna solidão do músico:

No phone can take your place
You know what I mean
We have the same intrigue
As a court of kings



Lançada como single, alcançou a 24ª e a 56ª posições nas paradas de singles dos Estados Unidos e Reino Unido, respectivamente. Inúmeros remixes foram realizados na música através do tempo.



OUR SONG

A sétima faixa do álbum é “Our Song”.

Em “Our Song”, teclados e guitarras se intercalam de maneira bem criativa. A base da canção é ainda um pop com leves – e bote leve nisso – pitadas de Rock, que dá as caras nos momentos em que a guitarra é reforçada. Mas o melhor da música são os vocais de Jon Anderson. O pequeno solo de Rabin também é interessante.

Nas letras, a cidade de Toledo, em Ohio, na qual a banda fez um show memorável em 1977 e que foi o de maior temperatura (dentro do ginásio) na história do Yes até aquele momento – cerca de 52 graus celsius:

Toledo was just another good stop
Along the good king's highway
My fortification took me by surprise
And hit me sending me sideways

Lançada como single, não obteve maiores repercussões nas principais paradas de sucesso.



CITY OF LOVE

“City Of Love” é a oitava faixa de 90125.

A música segue o mesmo ritmo da faixa anterior, com o teclado e efeitos eletrônicos bem proeminentes, mas, ao mesmo tempo, a guitarra de Rabin aparece em alguns momentos com mais intensidade. Entretanto, a canção é destacadamente pop, com o destaque indo para como as harmonias vocais são unidas, às vezes com realce em Jon Anderson, em outros para os backing vocals.

As letras desta vez são mais simples, em um tom de conquista e luxúria:

Take him for a ride
Have a good time
Like a legend the man he sharp
His woman gladly watching
As he strides out of the dark
Better be quick get away



HEARTS

A nona – e última – música do álbum é “Hearts”.

“Hearts” é a maior faixa de 90125. Ela segue em um ritmo bem cadenciado, em uma fusão de pop com rock tradicional (mesmo que este esteja bem suave). A voz de Jon Anderson imprime uma harmonia melódica que é fundamental para o sucesso da canção. Trevor Rabin faz um belo solo de guitarra no meio da música. Faixa bem cativante.

Com letras brilhantes, “Hearts” faz uma ode à essência da vida, com metáforas representando os momentos mais intensos da existência:

As we flow down life's rivers
I see the stars glow - One by one
All angels of the magic constellation
Be singing us now



Considerações Finais

Comercialmente, não há o que se discutir o sucesso de 90125. O álbum soava contemporâneo, moderno e inspirador; com o advento da MTV norte-americana, os videoclipes retirados das canções de 90125 trouxe uma nova legião de fãs para o grupo que não estava habituada ao antigo Yes.

Em termos de parada de sucesso, o álbum alcançou a 5ª posição na parada norte-americana de álbuns, com a 16ª posição na sua correspondente do Reino Unido.

O sucesso de “Owner Of A Lonely Heart” foi fundamental para alavancar as vendas e repercussão de 90125, especialmente pelo fato de atingir o topo da parada norte-americana de singles.

Também a faixa “Cinema” proporcionou honra ao grupo: ela deu ao Yes seu único prêmio Grammy, como “Best Rock Instrumental Performance”.

Jon Anderson


A turnê da banda entre 1984 e 1985 foi a mais lucrativa de sua história e gerou 9012Live, um filme-concerto dirigido por Steven Soderbergh, com adição de efeitos especiais Charlex que custaram US $ 1 milhão. O mini-LP lançado, em 1985, 9012Live:The Solos, deu ao Yes uma nomeação para um segundo Grammy para o prêmio de Best Rock Instrumental Performance para o solo de guitarra de Squire, uma versão de "Amazing Grace".

Inegavelmente um maior sucesso comercial nos Estados Unidos que no Reino Unido (onde o álbum não foi tão bem, mas longe de ir mal), estima-se que 90125 vendeu mais de 6 milhões de cópias pelo mundo, sendo o mais bem sucedido álbum, comercialmente falando, da história do Yes.

Formação:
Jon Anderson – Vocal
Tony Kaye – Teclados
Trevor Rabin – Guitarras, Backing Vocals, Teclados
Chris Squire – Baixo, Backing Vocals
Alan White – Bateria, Percussão, Backing Vocals
Músicos Adicionais:
Deepak Khazanchi: Citara e Tambura em "It Can Happen"
Graham Preskett: Violino em "Leave It"

Faixas:
01. Owner of a Lonely Heart (Rabin/Anderson/Squire/Horn) - 4:29
02. Hold On (Anderson/Rabin/Squire) - 5:16
03. It Can Happen (Squire/Anderson/Rabin) - 5:29
04. Changes (Rabin/Anderson/White) - 6:20
05. Cinema (Squire/Rabin/White/Kaye) - 2:08
06. Leave It (Squire/Rabin/Horn) - 4:14
07. Our Song (Anderson/Squire/Rabin/White) - 4:18
08. City of Love (Rabin/Anderson) - 4:51
09. Hearts (Anderson/Squire/Rabin/White/Kaye) - 7:39

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/yes/

Opinião do Blog:
Mudanças na música costumam ser traumáticas, especialmente para a relação entre bandas e suas bases de fãs, em particular no que diz respeito ao Rock. Muitos fãs da vertente não veem com bom grado uma alteração de estilo em seus grupos favoritos.

Em 90125, o Yes abandonou quase que por completo a sua sonoridade característica dos anos 1970, em que o estilo era mais voltado ao Rock And Roll, com um viés progressivo/sinfônico muito marcante.

No álbum em questão, 90125, o Yes virou-se para uma sonoridade muito mais Pop, com boas influências de New Wave e toques com efeitos eletrônicos. O Rock aparece em doses quase homeopáticas, com uma guitarra mais forte aqui e um solinho acolá.

O Blog deve afirmar ao leitor que o estilo em questão do disco não é o prato principal de quem o escreve. Longe disso. Mas é necessário marcar a importância que 90125 teve tanto para o Yes quanto para o desenvolvimento da música pop dos anos 1980. O contraditório é que o espasmo do som setentista na banda dentro do disco, “Cinema”, deu ao grupo seu único prêmio Grammy.

Outra característica marcante de 90125 é o seu conteúdo lírico. As letras são absolutamente sensacionais. Esqueçam abordagens superficiais, romantismo clichê ou músicas sobre bebedeiras ou sexo. O Yes faz reflexões intensas sobre aspectos da vida com toques dotados de profundidade e sutileza. Genial.

Enfim, se o leitor também gosta de uma música mais suave, o álbum é altamente recomendado. O Yes é uma grande banda da história do Rock e marca presença, agora, no Blog.

5 comentários:

  1. Outro ícone do rock progressivo que eu vejo aqui no blog. Porém não gosto muito dessa fase oitentista do Yes. Prefiro mais a década de 70. Meu top 5 dos melhores discos do Yes é este:

    1. Tales from Topographic Oceans (1973)
    2. Close to the Edge (1972)
    3. Fragile (1971)
    4. Going for the One (1977)
    5. Tormato (1978).

    Menção honrosa para "The Yes Album" (1971) e "Relayer" (1974).

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    1. Não havia visto este comentário, rsrsrs. Pelo que vejo, o Progressivo é seu estilo favorito, certo?

      Este álbum foi um pedido de um grande amigo. Eu não o conhecia bem, ouvi, mas não me causou maiores comoções. Já havia, na época, ouvido o Yes há muito tempo e sabia que no auge fizeram coisas muito diferentes. Mas isto foi há quase 4 anos...

      Desde o ano passado eu passei a ouvir muito mais progressivo e começar a entender o estilo. É algo que merece dedicação e empenho. O Yes é uma banda incrível e gostei muito de seus trabalhos iniciais. Meus favoritos, por enquanto, são o Fragile e Close to the Edge, mas eu confesso que ainda preciso ouvir muito, mas muito mais mesmo.

      Mas obrigado por esta ótima contribuição, Igor.

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    2. De nada, Daniel. Gosto de quase todos os estilos do rock, mas acho que você acertou em cheio: o progressivo é mesmo o meu estilo favorito. Quero ver mais postagens de Yes e Pink Floyd, e aproveito pra deixar uma sugestão: tem como postar alguma coisa do Genesis? A fase com Peter Gabriel pra mim foi a melhor da banda, depois que ele saiu, aí é que o Genesis perdeu a graça.

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    3. Ainda não conheço tão bem assim o Genesis, mas do que ouvi eu gostei bastante de Nursery Cryme (1971), Foxtrot (1972) e Selling England by the Pound (1973), especialmente o último que é um disco incrível. Futuramente, é bem possível que apareçam por aqui.

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    4. Realmente, SEBTP é incrível, mas foi só depois do The Lamb Lies Down on Broadway (1974) e da saída de Gabriel, aí é que o Genesis pra mim acabou.

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