25 de julho de 2013

DIAMOND HEAD - LIGHTNING TO THE NATIONS (1980)


Lightning To The Nations é o álbum de estreia da banda britânica chamada Diamond Head. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 3 de outubro de 1980 através do selo Happy Face. As gravações aconteceram no Old Smithy Recording Studio, em Worcester, Inglaterra, no ano anterior. A produção ficou a cargo de Reg Fellows.



O Blog já tratou de outras bandas da chamada New Wave Of British Heavy Metal, ou NWOBHM, como Iron Maiden, Saxon e Def Leppard. Chegou o momento de abordarmos outro ótimo grupo oriundo deste movimento e que teria um legado valiosíssimo para o mundo do Heavy Metal.

As origens do Diamond Head começam com amigos de escola, Brian Tatler e Duncan Scott, brincando de tocarem instrumentos. O nome da banda surgiu de um pôster, que Tatler tinha em seu quarto, do álbum de mesmo nome de Phil Manzanera (famoso guitarrista britânico).

De uma viagem com a escola também veio o vocalista do conjunto: Sean Harris, que durante a viagem cantava “Be-Bop-A-Lula”, música de Gene Vincent. No quarto de Brian Tatler, Sean Harris foi testado e aprovado para o posto.

O grupo se concentrou em fazer shows locais na região de Black Country, com sua primeira maior apresentação em 10 de fevereiro de 1977, em uma escola na cidade de Stourbridge, mas que não deixou boas recordações.

Brian Tatler


Em seus primeiros dias, a banda tocou somente alguns covers e se concentrou em compor seu próprio material. As exceções foram "Paranoid" do Black Sabbath, "It’s All For The Love of Rock and Roll" do Tuff Darts e "Motorhead" da legendária banda de mesmo nome.

Brian Tatler disse em uma entrevista que havia composto mais de 100 canções antes do primeiro lançamento oficial do grupo, mas que apenas 1 uma música do set list que o conjunto apresentava em 1978 apareceu no álbum de estreia – “It’s Eletric”.

A banda gravou algumas fitas-demo do próprio bolso em 1979. O seu som único e a qualidade da composição ganharam a atenção suficiente para a banda fazer uma turnê de apoio aos gigantes do AC/DC e do Iron Maiden.

Apesar de várias gravadoras manifestarem interesse em contratar a banda, os fracassos eram constantes. O Diamond Head, na época, era gerido por Reg Fellows e a mãe de Sean Harris, Linda Harris, que supostamente recusaram uma oferta de gestão dos influentes Leiber / Krebs Management.

Assim, enquanto outras bandas da NWOBHM assinaram com grandes gravadoras e lideravam suas próprias turnês, o Diamond Head permaneceu independente. A administração do grupo decidiu que iria lançar seu material através de um selo que pertencia a Muff Murfin, chamado "Happy Face Records". Muff também possuía um estúdio onde a banda fez muitas de suas primeiras gravações.

O primeiro lançamento do grupo foi o single “Shoot Out The Lights”, de 1979. Já em 1980, sairia o segundo single, através da Media Records, “Sweet and Innocent”.

No mesmo ano, a banda também gravou seu álbum de estreia pela Happy Face Records. Mais comumente conhecido como Lightning To The Nations, o disco, oficialmente, não tem título. Ele foi gravado em sete dias no The Old Smythy Studio, em Worcester, um local que a banda descreveu mais tarde como "morto".

O álbum foi embalado em uma capa lisa e sem título ou listas de músicas, apenas com a assinatura de um dos membros da banda. Os gestores do grupo pensaram que ele deveria ser percebido como um “álbum-demo”, e, assim, nenhuma capa mais trabalhada seria necessária, o que a tornou muito menos onerosa para que fosse produzida.

As primeiras 1000 cópias foram prensadas e disponibilizadas nos concertos ou através de ordens de pedidos (pelo correio), com preço por cerca de 3,50 libras.

A única publicidade se deu através da Sounds (publicação britânica) e correu por seis semanas, mas a banda não pagou pela publicidade e acabou sendo processada.

A ideia de gravar o álbum de estreia do grupo veio dos gestores Reg Fellows e Linda Harris como uma tentativa para exporem as faixas como meio de atrair a atenção de uma gravadora, a qual bancaria os custos da gravação.

Sean Harris


Lightning To The Nations tornou-se um dos itens mais procurados entre os colecionadores de discos. Mais 1000 cópias foram prensadas (desta vez com a lista das músicas) uma vez que as primeiras mil já haviam se esgotado.

Infelizmente, as fitas originais em estéreo foram perdidas depois que foram enviadas para a gravadora alemã, Woolfe Records, e nunca mais voltaram de lá. No entanto, a Woolfe Records lançou uma versão em vinil do álbum com uma nova capa. As fitas foram finalmente recuperadas por volta de 1989.

Lightning To The Nations, muitas vezes, devido a capa paupérrima da primeira prensagem, é conhecido como White Album (Álbum Branco).

LIGHTNING TO THE NATIONS

Homônima ao álbum, “Lightning To The Nations” abre o álbum.

O que se houve é um Heavy Metal tradicional, bem forte e presente, marcado pela intensa presença das guitarras através do inspirado riff que dá corpo à canção. A sonoridade e o clima é bem típico pra quem conhece a NWOBHM, mas com o toque do Diamond Head: a agressividade das guitarras.

As letras têm um tom jovem e o refrão funciona muito bem:

I'm going to set you down
I'm going to make it right
I'm going to bring it home
I'll bring you lightning to the nations



THE PRINCE

A segunda faixa do disco é “The Prince”.

A velocidade e o peso estão presentes logo de cara no início da segunda canção do álbum: um forte riff logo dá passagem a um eficiente solo. Após isto, outro riff – o principal da música – se apresenta. Ele mantém certa cadencia, mas é composto de peso e melodia simultaneamente. A interpretação de Sean Harris é muito boa.

As letras possuem certa obscuridade e tons de terror sendo o personagem uma figura diabólica:

Angel from below, change my dreams
I want for glory's hour, for wealth's esteem
I wish to sell my soul, to be reborn
I wish for earthly riches, don't want no crown of thorns



SUCKING MY LOVE

A terceira música de Lightning To The Nations é “Sucking My Love”.

A maior canção do disco não deixa o ritmo do mesmo cair. O riff inicial tem uma pegada típica da NWOBHM, desta vez mais cadenciado, mas sem perder um naco sequer de peso. Harris mostra sua versatilidade como vocalista ao longo dos quase 10 minutos da faixa. Certamente um dos pontos bem altos do trabalho.

As letras têm clara conotação sexual:

Tasty, tasty, tasty, tasty
Into her valley, all her charms taste of love
Oh yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
Fragrance of my dreams, yeah go down, take my love



AM I EVIL?

A quarta faixa do trabalho é “Am I Evil?”.

Com guitarras e bateria marcantes, o início de “Am I Evil?” é inconfundível, com o solo bem curto, mas cativante, logo após a intro. O riff principal da canção é cativante, pesado e repleto de uma malícia agressiva contagiante. A interpretação de Sean Harris é cheia de emoção e sentimento, formando, em seu conjunto final, um dos maiores hinos da história do Heavy Metal.

A letra mistura um espírito de vingança associada a temas como bruxaria e obscurantismo:

As I watched my Mother die, I lost my head
Revenge now I sought, to break with my bread
Takin' no chances, you come with me
I'll split you to the bone
Help set you free

“Am I Evil?” acabou se tornando uma das mais conhecidas canções do grupo, presença garantida e obrigatória no set list da banda.

A banda Faith No More fez uma versão para este clássico, mas não chega nem perto da repercussão da versão que o Metallica executou, lançando-a como lado B do seu single “Creeping Death”.

Muito graças a esta gravação, a música se popularizou e está presente em diversos games de diferentes plataformas. Um clássico.



SWEET AND INNOCENT

A quinta canção do disco é “Sweet And Innocent”.

“Sweet And Innocent” é a menor música do álbum, sendo mais simples e direta. O riff forte e com o peso certo a transformam em uma faixa que contagia qualquer fã de Heavy Metal tradicional. Os vocais de Sean Harris, talvez, sejam o ponto de maior destaque dentro desta interessante composição.

A letra tem uma conotação bem maliciosa em tons de conquistas:

You live it good girl
And baby you live it high
You reach it easily, makes me wanna cry
You look so fine girl
I suppose you always do
So fine and so sweet
It's good to look at you
Sweet and innocent
And settled down
Sweet and innocent



IT’S ELECTRIC

“It’s Electric” é a sexta música de Lightning To The Nations.

Simples, curta e direta, “It’s Electric” contagia devido ao riff extraordinário criado por Tatler e pela interpretação completamente vigorosa de Harris. O refrão que repete apenas o nome da canção funciona de maneira maravilhosa, assim como o solo que transborda feeling por todos os cantos. Faixa sensacional.

A letra é quase autobiográfica, mostrando um jovem com as ambições e sonhos de construir uma carreira:

I'm gonna be a rock 'n' roll star
Gotta groove from night to day
Gotta blow my honey jar, yeah
Gotta blow my blues away
I'm gonna make a stand
I'm gonna make a million



HELPLESS

A sétima – e última – faixa do álbum é “Helpless”.

Uma pequena introdução da bateria de Duncan Scott abre a canção, mas logo é dominada pelo riff, cadenciado, mas repleto de peso e agressividade. Próximo do refrão, há uma intensificação do andamento e da velocidade do riff inicial, fato o qual permite à música se tornar ainda mais interessante e cativante. Ótimo solo!

A música tem letras simples, em tom de perdição que se transfere como destino da personagem central:

I can see the stars, I can see what's going on
Every night alone, I sing my songs just for fun
Only time will tell if I make it myself someday
The stage is mine, music is my destiny
Cannot squeeze the life from me
I can see the stars, I can see what's going on




Considerações Finais

Como foi um álbum praticamente independente e com mínima divulgação, não houve eficiência suficiente para que o trabalho entrasse nas paradas de sucessos de Reino Unido ou Estados Unidos.

Entretanto, o boca-a-boca e a divulgação através dos fãs – em conjunto com a incessante capacidade do grupo se apresentar em espetáculos – fez com que Lightning To The Nations lançasse o Diamond Head como um dos principais nomes da NWOBHM.

O sucesso foi tanto que a principal repercussão do trabalho foi o seu legado: influenciar bandas que surgiriam depois, auxiliando de maneira indireta na criação do Thrash Metal norte-americano. O Diamond Head, através de Lightning To The Nations, influenciou o Megadeth e mais fortemente o Metallica.

Metallica que costumeiramente tocava covers de canções do álbum: “The Prince”, “Helpless”, “Am I Evil?”, “It’s Electric” e “Sucking My Love” eram presentes nos shows dos californianos e todas, exceto a última, foram gravadas e são encontradas em lançamentos oficiais do Metallica. (obs: procure o álbum Garage Inc., de 1998).

A revista japonesa Burn elegeu Lightning To The Nations como o álbum terceiro colocado em uma lista de melhores discos com riffs em todos os tempos. O livro Guitarists' Book of Heavy Metal colocou “Am I Evil?” como quinto melhor riff de todos os tempos.

Depois, outras gravadoras maiores lançaram novamente Lightning To The Nations em novas tiragens através do mundo, incluindo uma que consta os singles previamente lançados ao álbum.



Formação:
Sean Harris – Vocal
Brian Tatler – Guitarra
Colin Kimberley – Baixo
Duncan Scott – Bateria

Faixas:
01. Lightning to the Nations (Harris/Tatler) - 4:15
02. The Prince (Harris/Tatler) - 6:27
03. Sucking My Love (Harris/Tatler) - 9:35
04. Am I Evil? (Harris/Tatler) - 7:39
05. Sweet and Innocent (Harris/Tatler) - 3:13
06. It's Electric (Harris/Tatler) - 3:37
07. Helpless (Harris/Tatler) - 6:52

Letras:
Para o conteúdo complete das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/diamond-head/

Opinião do Blog:
Falar de Lightning To The Nations é mencionar um dos mais influentes álbuns da história do Heavy Metal. Ao encantar um jovem dinamarquês de nome Lars Ulrich, o disco foi contribuição notável para o estilo que seria desenvolvido pelo Metallica.

O blogeiro confessa que somente conheceu o Diamond Head por conta dos inúmeros covers que a banda californiana fez das canções de Lightning To The Nations. Claro que o Metallica impôs seu estilo nas músicas, mas sem fazer com que elas perdessem sua personalidade original.

Lightning To The Nations é, na opinião do Blog, um dos mais fantásticos discos da história do Heavy Metal. Não há músicas de enchimento, nem embromação, nem perda de tempo. Toda duração do trabalho é uma aula de Metal e de riffs.

O que falar da faixa título, de “It’s Electric”, de “The Prince” e de “Helpless”? Nada. São canções que transbordam do melhor da NWOBHM. E “Am I Evil?” é das melhores canções de todos os tempos, uma rifferama infernal.


Não há muito mais o que se dizer. Se você gosta de Heavy Metal, certamente vai se deliciar – como o baterista Lars Ulrich – com este álbum espetacular.

16 de julho de 2013

WISHBONE ASH - WISHBONE ASH (1970)


Wishbone Ash é o álbum de estreia da banda britânica de mesmo nome, ou seja, o Wishbone Ash. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 4 de dezembro de 1970 com as respectivas gravações ocorrendo no mês de setembro daquele mesmo ano, no De Lane Lea Studios, em Londres, na Inglaterra. O produtor foi Derek Lawrence e o disco saiu pelo selo Decca/MCA.



Falar de Wishbone Ash é debater sobre uma banda que marcou a história do Rock. É tratar de pioneirismo no uso das chamadas “guitarras gêmeas”.

O Wishbone Ash foi formado em torno do mês de outubro de 1969, sendo fundado pelo baixista Martin Turner e o baterista Steve Upton, na cidade de Torquay, na Inglaterra.

O primeiro guitarrista do grupo foi o irmão do baixista Martin Turner, Glenn Turner, que tocava em um grupo chamado Tanglewood. Mas, brevemente, Glenn deixa-os para retornar à sua cidade natal.

Assim, o Manager da banda, Miles Copeland III, publicou um anúncio em jornais procurando por um guitarrista e, também, por um tecladista para completarem o futuro conjunto que surgia.

Para o posto de guitarrista, a disputa se encerraria com dois postulantes ao cargo: Andy Powell, um londrino que viu o anúncio no jornal musical Melody Maker. O outro candidato era Ted Turner – que não era parente de Martin – natural da cidade de Birmingham.

Andy Powell


Incapazes de se decidirem por Powell ou Turner, a decisão marcou não só a formação do conjunto mas também o futuro do Rock: a solução foi deixar os dois guitarristas tomarem parte do grupo e ver como isto influenciaria a sonoridade da banda.

A musicalidade da banda foi tomada pelo surgimento da chamada “twin lead guitars” (ou guitarras gêmeas). Diferentemente do som das guitarras da banda The Allman Brothers Band, o Wishbone Ash incluiu fortes elementos de rock progressivo, folk e música clássica.

Faltava, “apenas”, um nome para o grupo. Após os membros da banda escreverem vários nomes sugeridos em duas folhas de papel, Martin Turner pegou uma palavra de cada lista e formou o nome do conjunto  - eram as mesmas 'Wishbone' e 'Ash'.

Ted Turner


No início de 1970, a banda marcou um show de abertura para o já famoso grupo Deep Purple. Isto mudaria a história do Wishbone Ash.

Durante a passagem de som, o guitarrista do Purple, Ritchie Blackmore, estava aquecendo sozinho no palco, quando Andy Powell subiu, ‘plugou’ sua guitarra e começou a tocar e a improvisar junto com Blackmore.

Blackmore, impressionado, posteriormente recomendou o Wishbone Ash ao produtor do Deep Purple, Derek Lawrence, ajudando a banda a garantir um contrato com a gravadora Decca / MCA Records.

O álbum de estréia da banda, Wishbone Ash, foi lançado em dezembro de 1970. As gravações ocorreram no De Lane Lea Studios, em Londres, durante o mês de setembro do mesmo ano. A arte da capa é bem simples e o produtor do disco acabou sendo o próprio Derek Lawrence.

BLIND EYE

Abre o disco a faixa “Blind Eye”.

A canção já se inicia com uma sonoridade bem bluesy, com um riff carregado de Blues Rock. A interpretação dos vocais também segue a linha, assim como a cozinha de Martin Turner e Steve Upton. É uma música simples e bem direta, mas muito empolgante.



A letra é pequena e simples, como se pode notar:

You turned a blind eye to everything I ever said,
 You turned a blind eye to everything I ever did
You didn't worry, why call your telephone?
You didn't worry, baby,
You're just content to roam around
Yes, you are

Lançada como single, não obteve maior repercussão nas paradas de sucesso do gênero.



LADY WHISKY

A segunda faixa do álbum é “Lady Whisky”.

Nesta canção, oque se houve é um típico rock setentista com um pé no Hard e bastante melodia. As guitarras gêmeas dão as cartas em um riff bem inspirado e cheio de ritmo. Os vocais se casam muito bem com a parte instrumental da música. Solo inspirado!

A letra apresenta uma metáfora sobre o abuso de álcool de maneira criativa:

Lady Whiskey, such a sad sight, stumblin' as she walks
She even hates herself sometimes
Keep her clear, for it's Saturday night
Drowns her sorrow, eases her pain,
Waits for tomorrow, when she'll do the same again



ERRORS OF MY WAY

A terceira música de Wishbone Ash é “Errors Of My Way”.

Desta vez, o Wishbone Ash aposta em uma melodia surpreendentemente dotada de suavidade e, ao mesmo tempo, intensa. As guitarras gêmeas, obviamente, dão as caras em um momento contagiante e espetacular. Os vocais se casam perfeitamente à parte instrumental, construindo uma canção especial no disco.

A letra, pequena e simples, é dotada de sentido de culpa e fé, em forma de agente de mudança:

Guess I got no one around to pull me through
I just need someone to turn to, yes, I do
Doin' my best just to change my yesterday,
Then I won't have no more errors of my way



QUEEN OF TORTURE

“Queen Of Torture” é a quarta música do trabalho.

“Queen Of Torture” é a menor faixa do disco e aposta em um som mais direto e simples. O riff é empolgante, trazendo o puro Hard Rock setentista. As guitarras brilham, em especial no solo inicial. A canção é curta, mas funciona muito bem.

As letras são simples e com uma alusão à solidão e abandono:

She walked right out on me. Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
Has anybody seen my woman out around the city?
She ain't been home for two weeks now,



HANDY

A quinta faixa do álbum é “Handy”

“Handy” é a maior música do disco, superando os 11 minutos. Os primeiros 1:40 minutos são dedicados ao baixo de Martin Turner e a partir daí uma belíssima e suave melodia servirá de base para a canção. Em uma faixa quase que toda instrumental, percebe-se todo o talento do grupo que flerta com o Blues, apresenta algumas pitadas folk e tem toques de rock progressivo e psicodélico. “Handy” está recheada de solos matadores e guitarras gêmeas, tornando-a genial.

A letra é quase imperceptível, simples e fala de um amor que não deu certo:

Was sat down by my fire, hear a voice of desire,
Want to be friends again
I keep tellin' you,man, she's only a pain
She don't fit in my scene,
She don't fit in my world no more



PHOENIX

A sexta – e última – canção de Wishbone Ash é “Phoenix”.

A faixa “Phoenix” também é longa, superando a casa dos 10 minutos. Um riff muito belo e dotado de suavidade é a principal construção da música. Assim como sua predecessora, há influência do rock psicodélico e progressivo em sua constituição, com as guitarras de Andy Powell e Ted Turner brilhando de maneira impressionante. Outra canção muito acima da média.

Como o nome sugere, a letra se refere ao mitológico pássaro que renasce de suas próprias cinzas, sugerindo o renascer da vida:

Bird, rise high from the cinders, leave it all behind,
All the ruins and the fire
Bird, raise your head from the ashes - many men lay dead.
You can see them like I
Phoenix rise, raise your head to the sky



Considerações Finais

O álbum de estreia do Wishbone Ash nunca foi um tremendo sucesso comercial. Mesmo assim, está longe de ser um fracasso.

Acabou conquistando posições nas duas principais paradas de sucesso de álbuns: a mais que modesta 208ª colocação na parada norte-americana do gênero e a muito boa (em especial para uma banda desconhecida) 29ª em sua correspondente britânica.

O disco acabou ficando mais conhecido e demonstrando sua importância com o passar do tempo e à medida que o Wishbone Ash conseguiu ser uma banda mais conhecida e bem-sucedida comercialmente.

O uso das guitarras gêmeas e a fusão de estilos e influências acabaram sendo reconhecidos pela imprensa especializada e se tornaram um marco no pioneirismo de seu uso.

Após sair em turnê para promover o seu álbum de estreia, o grupo começou a compor e gravar seu segundo disco, o afamado Pilgrimage, de 1971.



Formação:
Andy Powell – Guitarra Solo,Vocal
Ted Turner – Guitarra Solo, Vocal
Martin Turner - Baixo, Vocal
Steve Upton – Bateria

Faixas:
01. Blind Eye (Powell/Turner/Turner/Upton) – 3:15
02. Lady Whisky (Powell/Turner/Turner/Upton) – 6:13
03. Errors of My Way (Powell/Turner/Turner/Upton) – 6:56
04. Queen of Torture (Powell/Turner/Turner/Upton) – 3:23
05. Handy (Powell/Turner/Turner/Upton) – 11:37
06. Phoenix (Powell/Turner/Turner/Upton) – 10:26

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indica-se o acesso a: http://letras.mus.br/wishbone-ash/

Opinião do Blog:
O Wishbone Ash é mundialmente conhecido por ser uma das bandas pioneiras no uso das “guitarras gêmeas”, com os guitarristas Andy Powell e Ted Turner sendo considerados dos mais importantes do Rock em todos os tempos, muito por ajudarem a desenvolver uma técnica que seria extensivamente usada por bandas como Iron Maiden e Judas Priest, por exemplo.

Ao construir canções que se apoiam muito mais nas partes instrumentais que propriamente em letras ou vocais, o Wishbone Ash deixa transparecer uma gama diversificada de influências.

Suas canções mesclam o Blues, o Rock Psicodélico e o Rock Progressivo em doses generosas, todos em consonância com seu estilo Hard Rock setentista da melhor qualidade. Com o passar dos anos, não tanto neste álbum de estreia, o Folk também foi aparecendo.

Propriamente em seu debut, a banda apostou em composições próprias e que mesclam de maneira satisfatória quase todos os elementos supracitados. Há canções curtas e que funcionam muito bem como “Blind Eye”e a bela “Errors Of My Way”.

Também, apresentam duas faixas longas, quase que instrumentais e de extremos bom gosto e inspiração: as ótimas “Handy” e “Phoenix”.


Enfim, uma das bandas obrigatórias para quem gosta do Rock dos anos setenta. Álbum muito interessante.

25 de junho de 2013

URIAH HEEP - SALISBURY (1971)


Salisbury é o segundo álbum de estúdio da banda britânica chamada Uriah Heep. Seu lançamento oficial ocorreu em janeiro de 1971 sob o selo Vertigo Records. As gravações aconteceram entre outubro e novembro de 1970, no Lansdowne Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou sob a responsabilidade de Gerry Bron.



Como de praxe, o Blog vai contar um pouco a história do grupo antes de focar-se no álbum propriamente dito.

Foi em 1967 que o Uriah Heep começou a surgir. O guitarrista Mick Box, então com 19 anos, na cidade de Brentwood, formou uma banda chamada The Stalkers, a qual começou a se apresentar em bares e clubes locais.

O vocalista deixa o grupo e o então baterista, Roger Penlington, sugere seu primo David Garrick para ser o substituto. Garrick já conhecia o The Stalkers e aceita o convite.

Quase que instantaneamente, Garrick e Box se entrosam e formam uma forte parceria em termos de composição. Com aspirações musicais mais elevadas que seus colegas, os dois abandonam seus trabalhos normais cotidianos e partem para uma tentativa de se tornarem profissionais.

Assim eles montam um novo conjunto chamado Spice e David Garrick decide mudar seu sobrenome para Byron. O baterista escocês Alex Napier assume as baquetas após ter respondido um anúncio em um jornal.

David Byron:


O baixista Paul Newton, da banda The Gods, completou a formação inicial.

Segundo Mick Box, o grupo, desde seu início, evitou tocar covers, procurando seguir o caminho de composições próprias e esforçando-se para criar uma sonoridade original. Inicialmente, o conjunto era gerenciado pelo pai do baixista Paul Newton.

Assim que a banda foi crescendo de nível, chamou novos interesses. Gerry Bron, que era o chefe da Hit Records Production, assistiu a uma apresentação do grupo no clube Blues Loft e acabou assinando um contrato para gerenciar a banda. Logo depois, conseguiu um contrato do conjunto com a Vertigo Records.

A banda, ainda com o nome de Spice, enclausurou-se no Lansdowne Studios, em Londres, para começar a gravação do que se tornaria seu primeiro álbum de estúdio.

Então, o nome foi mudado para Uriah Heep. Esta era uma personagem do livro David Copperfield, de Charles Dickens, pois, de acordo com o biógrafo Kirk Blows, o nome de Dickens estava em toda parte durante o Natal de 1969 devido ao fato de ser o centésimo aniversário de sua morte.

Juntamente à mudança de nome, veio a decisão de ampliar o som. Após gravarem metade do primeiro álbum, o grupo decide que seria uma boa ideia acrescentar teclados ao som da banda.

Box era um grande fã do Vanilla Fudge, com seu órgão Hammond e guitarras fortes e o Uriah Heep possuía os potentes vocais de David Byron, os quais combinariam bem com este tipo de som, segundo o guitarrista.

Em um primeiro momento, o tecladista Colin Wood foi trazido por Gerry Bron. Depois, Ken Hensley, um ex-colega de Newton no The Gods, que à época estava tocando guitarra no Fat Toe, foi convidado. "Eu vi um grande potencial no grupo para fazer algo muito diferente", lembrou Ken Hensley.

O álbum de estreia do grupo foi chamado ...Very 'eavy... Very 'umble, sendo lançado em junho de 1970. Enquanto a banda escreveu o trabalho, no Centro Comunitário Hanwell, o Deep Purple estava ensaiando no quarto ao lado, construindo uma relação entre os conjuntos.

Em ...Very 'eavy... Very 'umble, o Uriah Heep apresenta um marco inicial de sua sonoridade. Estão presentes o órgão pesado de Hensley, os vocais poderosos de Byron e a guitarra marcante de Box.

Box e Byron compuseram a maioria das músicas e Hensley não pode contribuir muito, mas a química entre eles, na execução das faixas, é palpável. O clássico “Gypsy” está presente no disco (que saiu com o nome Uriah Heep nos Estados Unidos).

Embora tenha recebido críticas não muito positivas na época, o disco foi ganhando respeito com o passar do tempo e é um dos marcos iniciais dos nascentes gêneros Hard e Heavy dos anos setenta.

Alex Napier esteve fora de três quartos das gravações do álbum de estreia do Uriah Heep, sendo substituído por Nigel Olsson, que foi indicado a David Byron pelo astro Elton John.

Com uma formação que contava com Mick Box na guitarra, David Byron nos vocais, Paul Newton no baixo, Keith Baker na bateria e Ken Hensley no teclado, o Uriah Heep volta ao Lansdowne Studios, em Londres, para gravar seu segundo álbum de estúdio.

Mick Box:


Desta vez, ao contrário do disco de estreia, o principal compositor das canções foi o tecladista Ken Hensley.

O nome do álbum, Salisbury, remete a uma área de treinamento do exército britânico. A arte da capa do trabalho apresenta um tanque British Chieftain, da primeira guerra mundial.

BIRD OF PREY

Abre o álbum a ótima “Bird Of Prey”.

O riff inicial é pesado, na medida certa, e com uma cadência envolvente. Os vocais agudos, muitas vezes dobrados, dão o ritmo certo para a canção. A intensidade é variável, ora mais lenta, ora pouco mais acelerada. David Byron se mostra bem versátil e a guitarra é contagiante, em um excelente Hard setentista.

As letras são interessantes em um jogo que envolve guerra e conquista:

I can see that look that says beware
Try to move in closer if you dare
So I must sit and play
My waiting game
And for a while I know
She'll do the same
Fly away

Embora não tenha sido lançada como single para promover o álbum, “Bird of Prey” acabou se tornando uma das faixas mais celebradas e adoradas pelos fãs do Uriah Heep.



THE PARK

A segunda faixa do álbum é “The Park”.

Uma melodia calma e tocante, ao teclado e depois acompanhada por um violão, marca o início de “The Park”. Depois, Byron começa a cantar de maneira muita suave e cativante. Este ritmo segue até os 3:40 minutos, quando o teclado começa a acelerar o andamento da canção, fazendo um solo pequeno, mas interessante. Depois tudo retorna ao início.

As letras são belíssimas e é possível vislumbrar a metáfora dos lados escuros do parque representando os horrores da guerra:

Let me walk a while alone
Among the sacred rocks and stones
Let me look in vain belief
Upon the beauty of each leaf
There is green in every blade
The tree tops lean providing shade



TIME TO LIVE

A terceira canção de Salisbury é “Time To Live”.

Bateria, guitarra e teclados mais intensos já estão de volta no começo de “Time To Live”. Já nos momentos iniciais, Mick Box encaixa um pequeno e intenso solo. O riff principal tem peso e melodia, contrapondo-se ao teclado de Hensley. Byron completa tudo com sua poderosa voz, em uma bela música. Hard setentista de primeira linha!

A letra é boa e tensa, refletindo alguém que esteve preso e mesmo tendo pagado, faria tudo outra vez:

But if you smile that smile
I know I couldn't ask for more
I know I'd do it all again
Yes, I would
I know I'd do it all again



LADY IN BLACK

O clássico “Lady In Black” é a quarta música do álbum.

O ritmo suave e melodioso está de volta nesta belíssima canção, em uma construção verdadeiramente brilhante. A balada “Lady In Black” possui linhas realmente tocantes, encantadas pela maravilhosa forma como é cantada pelo tecladista Ken Hensley. A constância é quase sempre a mesma e a faixa é sensacional.

A letra tem um tom de esperança:

Oh lady lend your hand outright
And let me rest here at your side
Have faith and trust in peace she said
And filled my heart with life

A obra, creditada a Ken Hensley, segundo o mesmo, trata de um homem que vaga por um cenário devastado pela guerra e encontra uma espécie de deusa que passa a consolá-lo. Ela teria sido composta em um momento em que Hensley teve uma visão após estar em estado de profunda depressão.

É tida por críticos e fãs como uma das mais belas melodias compostas por Ken.



Acabou se tornando uma das faixas mais populares da história do Uriah Heep, absolutamente adorada pelos fãs do grupo. Lançada como single, atingiu o topo da parada alemã, onde fez enorme sucesso (assim como na Rússia).

Inúmeros são os grupos que fizeram versões para a faixa, incluindo outros membros que passaram pela banda. Como exemplo, John Lawton (que foi vocalista do Uriah Heep) e o Blackmore’s Night.



HIGH PRIESTESS

“High Priestess” é a quinta faixa de Salisbury.

Mais uma vez o início é suave, mas logo a guitarra de Mick Box aparece de forma mais intensa e furiosa. O riff é mais veloz, típico do Hard dos anos 70, e é embalado por ótimos vocais e uma bateria marcante por parte de Keith Baker. A canção é curta, rápida e empolgante e possui um bom solo de Box.

A letra tem uma certa conotação de amor proibido:

You, who brought
The sunshine to my eyes
You, who wondered
Through my sad disguise
And I have a love



SALISBURY

Homônima ao álbum, “Salisbury” é a sexta – e última – faixa do álbum.

Com mais de 16 minutos de duração, “Salisbury” é uma canção épica repleta de variantes melódicas e de intensidade. A brilhante construção tem teclados marcantes, algumas pequenas orquestrações, riffs e solos inspirados. Há uma influência de rock progressivo que se casa perfeitamente com o Hard Rock do Uriah Heep.

A letra tem conotação de romance:

As time passed and all too fast
I just knew we couldn't last
And I guessed that the end
Was near at hand
Though we tried our love inside
It just crumpled up and died
What went wrong
I will never, never understand
You tell me why
Alone again
How could you leave me
Alone again



Considerações Finais

Salisbury, o álbum, não chegou a ser um grande sucesso comercial, mas foi um disco fundamental para a história do Uriah Heep.

Em termos de paradas de sucesso, atingiu a modesta 103ª posição na parada norte-americana de álbuns. Ficou com a 31ª na sua correspondente alemã e com 1ª colocação na Finlândia.

Logo depois da gravação de Salisbury, Keith Baker deixou o grupo, sendo substituído por Ian Clarke.

O álbum permitiu que Ken Hensley se aprimorasse e se colocasse como o principal compositor do Uriah Heep, assinando solitariamente a maioria das composições. Também, segundo os críticos, apresentou o Heavy Metal seminal dos anos 70, com doses generosas de Folk e Rock Progressivo.

Ken Hensley:


O álbum também permitiu que o grupo excursionasse pela primeira vez pelos Estados Unidos, sendo a banda de abertura para o Three Dog Night e o Steppenwolf.

Logo após a turnê, ainda em 1971, o Uriah Heep gravaria e lançaria seu terceiro álbum de estúdio, o clássico Look At Yourself.

Formação:
Mick Box – Guitarra, Violão, Backing Vocals
David Byron – Vocal
Ken Hensley –Violão, Backing Vocals, Piano, Vocal (em "Lady in Black” e “High Priestess")
Paul Newton – Baixo, Backing Vocals
Keith Baker – Bateria, Percussão

Faixas:
01. Bird of Prey (Box/Byron/Hensley/Newton) - 4:13
02. The Park (Hensley) - 5:41
03. Time to Live (Box/Byron/Hensley) - 4:01
04. Lady in Black (Hensley) - 4:44
05. High Priestess (Hensley) - 3:42
06. Salisbury (Box/Byron/Hensley) - 16:20

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/uriah-heep/

Opinião do Blog:
O Uriah Heep é das bandas mais importantes e marcantes dentro dos fantásticos anos 70, berço de boa parte do que há de melhor dentro do Rock & Roll. É, também, dos grupos prediletos deste humilde blogeiro.

Salisbury não está entre os álbuns mais vendidos da história do estilo e nem entre os mais badalados, mas é um disco muito importante e, além disto, cheio de qualidade.

Marca uma banda que ajudou a desenvolver o Hard/Heavy inicial, mas que acabou criando seu estilo. Em Salisbury, o grupo abusa de melodias acústicas e, ao mesmo tempo, apresenta riffs, teclados e vocais muito inspirados.

David Byron é um vocalista formidável, assim como é Ken Hensley nos teclados – e um compositor de mão cheia. As guitarras de Mick Box também são mais que compotentes e a cozinha formada por Baker e Newton faz bem seu trabalho.

“Salisbury” é uma canção muito acima da média, épica, com seus fabulosos 16 minutos. “Lady In Black” é uma balada como poucas, com ritmo tocante e letras interessantes. Destaques também para “Bird Of Prey” e “Time To Live”.

O Uriah Heep gravaria álbuns de bem maiores sucessos que este (e que aparecerão por aqui depois), mas de forma alguma deve-se descartar um trabalho tão instigante quanto Salisbury.