Demons and Wizards é o quarto álbum
de estúdio da banda inglesa Uriah Heep. O seu lançamento oficial
aconteceu em 19 de maio de 1972 pelos selos Bronze e Island Records.
As gravações ocorreram entre março e abril daquele mesmo ano, no
Lansdowne Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou a
cargo de Gerry Bron.
Look At
Yourself é o terceiro álbum de estúdio da banda britânica Uriah
Heep. Seu lançamento oficial aconteceu em setembro de 1971 através
dos selos Bronze Records (Reino Unido) e Mercury Records (Estados
Unidos). As gravações ocorreram durante julho de 1971 no Lansdowne
Studios, em Londres, Inglaterra. A produção ficou a cargo de Gerry
Bron.
O Uriah
Heep é uma das bandas favoritas do 'blogeiro' e já apareceu
anteriormente por aqui com o álbum Salisbury (1971). O Blog vai
tratar brevemente dos fatos que antecederam o lançamento de Look At
Yourself para depois abordar as faixas que o compõem.
O segundo
álbum da banda, Salisbury, foi um esforço com direcionamento
voltado à vertente do gênero rock progressivo, contando com a
lindíssima peça de 16 minutos que dá nome ao trabalho,
“Salisbury”.
Outra das
faixas do álbum, a balada “Lady in Black”, tornou-se um hit na
Alemanha após o seu relançamento em 1977 (dando à banda o prêmio
Radio Luxemburg Lion).
Produzido
por Gerry Bron, o segundo disco do Uriah Heep é definido por Donald Guarisco, do Allmusic, como: "mistura do poder do Heavy Metal
com a complexidade do Rock Progressivo".
Outro
ponto importante e significativo foi a instantânea consolidação de
Ken Hensley para a posição de principal compositor da banda.
Hensley assina todas as faixas de Salisbury, sendo que 3 delas
solitariamente.
Ken Hensley
Logo após
o lançamento de Salisbury, o baterista Keith Baker deixou a banda.
Seu substituto foi Iain Clark, que fazia parte do grupo Cressida,
este, outro conjunto do catálogo da Vertigo Records.
Com ele,
a banda fez sua primeira turnê pelos Estados Unidos, como suporte
para nomes como Three Dog Night e Steppenwolf.
Na
primavera britânica de 1971, o contrato de Gerry Bron, manager do
Uriah Heep, com a gravadora Vertigo Records acabou e, então, ele
decidiu criar seu próprio selo, o Bronze Records.
O
terceiro álbum foi gravado durante o mês de julho de 1971, no verão
britânico, em apenas três visitas da banda ao Lansdowne Studios, em
Londres.
Mick Box
Gerry
Bron, em entrevista anos depois, afirma: "Foi o momento em que a
banda realmente encontrou uma direção musical sólida".
Look At
Yourself marcaria a solidificação de diferentes ideias musicais que
haviam começado a surgirem em Salisbury, unificando e direcionando a
sonoridade da banda.
A arte
original da capa em LP contava com uma peça simples, com uma
abertura cortada na frente, através do qual uma folha de material
reflexivo (que funcionava como espelho) ficava exposta, transmitindo
uma imagem distorcida de qualquer pessoa que olhasse diretamente para
ela.
A ideia,
originalmente idealizada pelo guitarrista Mick Box, era para a capa
refletir diretamente o título do álbum, e este tema é
complementado através das fotos da banda na parte traseira da capa
do LP, que também foram distorcidas.
O próprio
LP era alojado em um cartão interior, de material mais resistente,
com as letras.
Vamos às
faixas:
LOOK
AT YOURSELF
Com um ritmo urgente, a faixa-título abre os trabalhos. O andamento é cadenciado, mas com o peso necessário para intensificar a massa sonora produzida pelo grupo. O baixo está bastante presente, bem como os teclados. Os vocais de Ken Hensley são muito bons. Um clássico do Hard setentista!
A letra é
um chamado para uma autoavaliação:
I see you
running Don't know what You're running from Nobody's
coming What'd you do that was so wrong?
“Look
At Yourself” é um grande clássico do Uriah Heep.
Lançada
como single principal do álbum, não obteve maior repercussão em
termos das principais paradas de sucesso, as britânica e
norte-americana. No entanto, foi 33º e 4º lugares nas paradas de
Alemanha e Suíça, respectivamente.
Escrita e
cantada pelo tecladista Ken Hensley, a razão pela qual ele assumiu
os vocais foi por conta do vocalista David Byron haver sofrido
problemas de garganta durante a sessão de gravação. No entanto,
Byron fazia os vocais durante as performances ao vivo da banda.
A música
também foi incluída no primeiro álbum ao vivo do Uriah Heep, Uriah
Heep Live (1973) e em sua primeira coletânea, The Best of
Uriah Heep (1976).
Entre
versões cover conhecidas para “Look At Yourself”, tem-se a de
bandas como Gamma Ray e do grupo canadense GrimSkunk.
I
WANNA BE FREE
Em "I Wanna Be Free", o Uriah Heep aposta em um Hard Rock pesado e intenso, mas com boas doses de melodia e sensibilidade. A guitarra de Mick Box está ótima, assim como o baixo de Paul Newton, este, responsável direto pelo peso da canção. O nível continua bastante elevado.
A letra é
bem legal e reflete a transitoriedade da vida e a liberdade:
So
bring fire and bring steel
For
you know the way I feel
Bring
a silver horse
To
carry me away
I'm no
stranger, I'm a friend
And my
pain will never end
Till
the world will let us
Live
our lives as one
JULY
MORNING
Virtuosismo, intensidade, mudanças de ritmo, técnica, peso considerável, melodia. Todas estas características estão presentes nos mais de 10 minutos que constituem "July Morning". Trata-se de uma das mais belas peças compostas na riquíssima década de 70 e que não existem palavras suficientes para defini-la. A, também, destacar-se a monumental atuação de David Byron. Um espetáculo!
A letra
pode ser interpretada como a busca de um sentido para a vida:
There I
was on a July morning looking for love With the strength of a new
day dawning and the beautiful sun At the sound of the first bird
singing I was leaving for home With the storm and the night behind
me and a road of my own With the day Came the resolution I'll
be looking for you
“July
Morning” é uma das principais músicas compostas pelo Uriah Heep.
Foi lançada como single apenas na Venezuela e no Japão.
A canção
foi escrita pelo tecladista da banda Ken Hensley e o vocalista, David
Byron. Aproximadamente, os últimos quatro minutos da peça consistem
em um solo virtuoso de órgão.
Os
incríveis riffs de sonoridade 'Calliope' são tocados por Manfred
Mann, que, de acordo com o encarte do álbum, "aparece pela
primeira vez com o seu sintetizador Moog".
A música
também foi lançada como um single do primeiro álbum ao vivo da
banda, Uriah Heep Live, de 1973.
Dave
Thompson, do AllMusic, descreveu a canção como a melhor produzida
pelo Uriah Heep, com "arranjo e performance magníficos",
e, no ano de 1995, uma estação de rádio finlandesa chamada
Radiomafia adicionou "July Morning" à sua lista de
Top 500 Songs.
Em 2009,
a banda lançou uma nova versão da canção no álbum Celebration.
O Manager
do Uriah Heep, Gerry Bron, acrescentou que Manfred Mann não só
desempenhou um papel importante no estúdio durante a gravação
original, mas teve também um papel crucial no desenvolvimento da
faixa.
Um fato
curioso: todos os anos, na Bulgária, no dia 30 de Junho, pessoas de
todo o país viajam para a costa do Mar Negro para assistir ao nascer
do sol no dia 1º de julho. Durante o evento, muitas vezes as pessoas
entoam "July Morning".
A canção
aparece em vários álbuns ao vivo e coletâneas da banda. Uma de
suas versões cover mais destacáveis é a presente no disco The
Masquerade Ball, de 2000, do guitarrista alemão Axel Rudi Pell.
TEARS
IN MY EYES
Em "Tears In My Eyes", a guitarra de Mick Box está ainda mais presente, em um Hard Rock vigoroso e, simultaneamente, muito melódico. Nas passagens mais calmas, uma belíssima melodia encanta o ouvinte. Os solos de Box são muito bons e as harmonias vocais contribuem fartamente para a beleza da faixa.
A letra
fala de rompimento amoroso:
It's the
same weary story Of a woman abusing her man So I have to forget
you Though I'm not even sure if I can
SHADOWS
OF GRIEF
Em "Shadows Of Grief", o Uriah Heep mostra a grandiosidade de sua formação sonora. É claro que a canção mostra o peso típico do Hard Rock da época, mas a banda flerta ainda mais proximamente com um viés Progressivo, engrandecendo a composição. Hensley está assustadoramente brilhante nos teclados e é acompanhado com maestria por Mick Box. Faixa sensacional!
A letra,
novamente, aborda um conturbado relacionamento amoroso:
North,
South, East and West
Wherever
you go
You'll
find the same
And
the only way you'll ever learn
Is to
realize that you're to blame
WHAT
SHOULD BE DONE
Já em "What Should Be Done", o Uriah Heep retira o peso e a intensidade de sua sonoridade e aposta em uma canção mais melódica e bastante intimista. A proposta suave acaba cativando, pois aponta para um trabalho bem composto e de extremo bom gosto. Atuação brilhante de David Byron nos vocais.
A letra
fala sobre a consequência de nossas próprias escolhas:
Will
you run the risk
Of
being taunted
By
doing what you wanna do
Or do
you prefer to have
Your
whole life haunted
By the
ones who
Choose
to care for you
LOVE
MACHINE
A sétima - e última - faixa de Look At Yourself é "Love Machine". A menor canção do álbum demonstra a veia principal da banda, um Hard Rock simples, direto, mas extremamente vigoroso e intenso. A seção rítmica brilha, bem como a guitarra e o teclado. Fecha o trabalho de maneira incrível.
A letra
possui conteúdo sexual:
Lovely
little lady
You
got me on the run
You're
a love machine
And
you say that I'm your gun
Considerações
Finais
Look At
Yourself, com o tempo, acabou se tornando um álbum de referência
dentro da discografia do Uriah Heep, bem como um dos favoritos de sua
base de fãs.
Embora
não tenha sido um grande sucesso comercial, o disco teve um pequeno
destaque nas principais paradas de sucesso: 39ª posição na parada
britânica e 93ª colocação na correspondente norte-americana.
Ainda galgou os 11º e 14ª lugares nas paradas de Alemanha e
Noruega, além de conquistar o topo da parada finlandesa!
David Byron
Entre os
sucessos presentes no disco e que caíram na graça dos fãs
destacam-se a faixa-título, “Tears In My Eyes” e “July
Morning”. Esta, um épico que muitos fãs do Uriah Heep consideram
em um patamar semelhante a “Stairway To Heaven”,do Led Zeppelin,
ou “Child In Time”, do Deep Purple.
"Eu
acho que July Morning é um dos melhores exemplos da forma como a
banda estava se desenvolvendo naquele ponto no tempo. Ela introduziu
uma série de dinâmicas, uma grande quantidade de luz e sombra no
nosso som", disse Ken Hensley.
Na
maioria das críticas, Look At Yourself é visto de maneira muito
positiva. Donald A. Guarisco, do AllMusic, por exemplo, afirma: “Nota
especial também deve ser dada à performance vocal de David Byron;
seu multi-oitava estilo operístico foi, sem dúvida, uma influência
sobre vocalistas de Heavy Metal posteriores, como Rob Halford.
Portanto, Look At Yourself é, simultaneamente, um dos melhores e
mais coesos álbuns do Uriah Heep e um ponto alto do Heavy Metal dos
anos 1970”.
Pós-lançamento
do álbum, até o final de 1971, tornou-se claro, de acordo com
Hensley, que ele próprio, Byron e Box tornaram-se o núcleo coeso da
banda. Sentindo-se marginalizado, primeiro o baixista Paul Newton
deixou o grupo, sendo substituído brevemente por Mark Clarke.
Em
seguida, em novembro de 1971, o baterista Iain Clark foi substituído
por Lee Kerslake, então na banda The Gods. O baixista neozelandês
Gary Thain, membro da banda Keef Hartley, juntou-se como membro
permanente do Uriah Heep, no meio do caminho de mais uma turnê
norte-americana.
"Gary
tinha um estilo próprio, foi incrível porque cada baixista no mundo
que eu conheci sempre amou seu estilo, com essas linhas de baixo
melódicas," afirmou o guitarrista Mick Box.
Assim, o
"clássico" Uriah Heep foi formado e, de acordo com o
biógrafo K. Blows, "Tudo se encaixou no lugar." O
resultado seria visto no ano seguinte, com um dos melhores álbuns de
todos os tempos: Demons And Wizards.
Formação:
David
Byron - Vocal
Mick Box
- Guitarra
Ken
Hensley - Órgão, Piano, Guitarra, Violão, Vocal em “Look At
Yourself”
Paul
Newton - Baixo
Iain
Clark - Bateria (sem créditos no lançamento original)
Músicos
Adicionais:
Manfred
Mann - Sintetizador Moog (em "July Morning")
Ted Osei,
Mac Tontoh e Loughty Amao - Percussão (em "Look At Yourself")
O Uriah Heep é uma das grandes bandas do Hard Rock setentista. Com uma discografia sólida, naquele período, o Blog pensa que o grupo britânico merecia um reconhecimento maior junto ao grande público, pois a qualidade da música produzida pelo conjunto é incrível.
Nos seus primeiros trabalhos, o grupo esbanjava inspiração, trazendo vários elementos criativos para seu alicerce fundado no Hard Rock/Heavy Metal daquela época. Mas a extrema criatividade e categoria de seus músicos diferenciavam a banda da maioria.
E o incrível Look At Yourself é uma prova fundamental desta afirmação.
Uma banda que conta com o ótimo guitarrista Mick Box e o excelente multi-instrumentista Ken Hensley dispensa maiores explicações sobre sua parte técnica. Hensley, ainda, é um compositor extraordinário, responsável direto pela mairoria dos grandes clássicos da discografia do Uriah Heep.
Adicione-se a isto um vocalista talentoso (e muito subestimado) como David Byron. Não apenas por sua belíssima voz, mas por uma interpretação e atuação impecáveis durante todo o disco. Byron engrandece as composições, transmitindo com a emoção exata o conteúdo lírico exposto.
E as letras são muito boas, principalmente quando abordam a temática dualística vida/morte.
Um trabalho de qualidade extrema como Look At Yourself não possui faixas de enchimento. O álbum deve ser apreciado na íntegra, sem cortes. Todas as faixas são, no mínimo, muito boas.
Mas a tradição do Blog manda dar destaques. A faixa-título apresenta um Hard Rock vigoroso, repleto de classe e imposição. "What Should Be Done" é uma amostra do viés intimista e sofisticado do grupo e é outra atuação impressionante da banda.
"Shadows Of Grief" é uma composição brilhante e aponta um viés Progressivo ao som do Uriah Heep, contribuindo para tornar a canção ainda melhor. Tudo isto é intensificado em "July Morning", uma música magnífica, definitiva e definidora do que é o Uriah Heep. Uma das melhores faixas de todos os tempos.
Por tudo que se aponta, Look At Yourself apresenta-se como uma obra fundamental, não apenas na discografia do Uriah Heep, bem como dentro do universo do Rock setentista. Sua audição é obrigatória para fãs do estilo. E é difícil imaginar, estando em um patamar tão elevado, que o grupo ainda faria outro álbum deste nível em seu sucessor, Demons and Wizards, de 1972. Look At Yourself é um álbum essencial e extremamente recomendado pelo Blog!
Salisbury é o segundo álbum de estúdio da banda
britânica chamada Uriah Heep. Seu lançamento oficial ocorreu em janeiro de 1971
sob o selo Vertigo Records. As gravações aconteceram entre outubro e novembro
de 1970, no Lansdowne Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou sob
a responsabilidade de Gerry Bron.
Como de praxe, o Blog vai contar um pouco a
história do grupo antes de focar-se no álbum propriamente dito.
Foi em 1967 que o Uriah Heep começou a surgir. O
guitarrista Mick Box, então com 19 anos, na cidade de Brentwood, formou uma
banda chamada The Stalkers, a qual começou a se apresentar em bares e clubes
locais.
O vocalista deixa o grupo e o então baterista,
Roger Penlington, sugere seu primo David Garrick para ser o substituto. Garrick
já conhecia o The Stalkers e aceita o convite.
Quase que instantaneamente, Garrick e Box se
entrosam e formam uma forte parceria em termos de composição. Com aspirações
musicais mais elevadas que seus colegas, os dois abandonam seus trabalhos
normais cotidianos e partem para uma tentativa de se tornarem profissionais.
Assim eles montam um novo conjunto chamado Spice e
David Garrick decide mudar seu sobrenome para Byron. O baterista escocês Alex
Napier assume as baquetas após ter respondido um anúncio em um jornal.
David Byron:
O baixista Paul Newton, da banda The Gods,
completou a formação inicial.
Segundo Mick Box, o grupo, desde seu início, evitou
tocar covers, procurando seguir o caminho de composições próprias e
esforçando-se para criar uma sonoridade original. Inicialmente, o conjunto era
gerenciado pelo pai do baixista Paul Newton.
Assim que a banda foi crescendo de nível, chamou
novos interesses. Gerry Bron, que era o chefe da Hit Records Production,
assistiu a uma apresentação do grupo no clube Blues Loft e acabou assinando um
contrato para gerenciar a banda. Logo depois, conseguiu um contrato do conjunto
com a Vertigo Records.
A banda, ainda com o nome de Spice, enclausurou-se
no Lansdowne Studios, em Londres, para começar a gravação do que se tornaria
seu primeiro álbum de estúdio.
Então, o nome foi mudado para Uriah Heep. Esta era
uma personagem do livro David Copperfield, de Charles Dickens, pois, de acordo
com o biógrafo Kirk Blows, o nome de Dickens estava em toda parte durante o Natal
de 1969 devido ao fato de ser o centésimo aniversário de sua morte.
Juntamente à mudança de nome, veio a decisão de
ampliar o som. Após gravarem metade do primeiro álbum, o grupo decide que seria
uma boa ideia acrescentar teclados ao som da banda.
Box era um grande fã do Vanilla Fudge, com seu
órgão Hammond e guitarras fortes e o Uriah Heep possuía os potentes vocais de
David Byron, os quais combinariam bem com este tipo de som, segundo o
guitarrista.
Em um primeiro momento, o tecladista Colin Wood foi
trazido por Gerry Bron. Depois, Ken Hensley, um ex-colega de Newton no The
Gods, que à época estava tocando guitarra no Fat Toe, foi convidado. "Eu
vi um grande potencial no grupo para fazer algo muito diferente", lembrou Ken
Hensley.
O álbum de estreia do grupo foi chamado ...Very
'eavy... Very 'umble, sendo lançado em junho de 1970. Enquanto a banda escreveu
o trabalho, no Centro Comunitário Hanwell, o Deep Purple estava ensaiando no
quarto ao lado, construindo uma relação entre os conjuntos.
Em ...Very 'eavy... Very 'umble, o Uriah Heep
apresenta um marco inicial de sua sonoridade. Estão presentes o órgão pesado de
Hensley, os vocais poderosos de Byron e a guitarra marcante de Box.
Box e Byron compuseram a maioria das músicas e Hensley
não pode contribuir muito, mas a química entre eles, na execução das faixas, é
palpável. O clássico “Gypsy” está presente no disco (que saiu com o nome Uriah
Heep nos Estados Unidos).
Embora tenha recebido críticas não muito positivas
na época, o disco foi ganhando respeito com o passar do tempo e é um dos marcos
iniciais dos nascentes gêneros Hard e Heavy dos anos setenta.
Alex Napier esteve fora de três quartos das
gravações do álbum de estreia do Uriah Heep, sendo substituído por Nigel
Olsson, que foi indicado a David Byron pelo astro Elton John.
Com uma formação que contava com Mick Box na
guitarra, David Byron nos vocais, Paul Newton no baixo, Keith Baker na bateria
e Ken Hensley no teclado, o Uriah Heep volta ao Lansdowne Studios, em Londres,
para gravar seu segundo álbum de estúdio.
Mick Box:
Desta vez, ao contrário do disco de estreia, o
principal compositor das canções foi o tecladista Ken Hensley.
O nome do álbum, Salisbury, remete a uma área de
treinamento do exército britânico. A arte da capa do trabalho apresenta um
tanque British Chieftain, da primeira guerra mundial.
BIRD OF PREY
Abre o álbum a ótima “Bird Of Prey”.
O riff inicial é pesado, na medida certa, e com uma
cadência envolvente. Os vocais agudos, muitas vezes dobrados, dão o ritmo certo
para a canção. A intensidade é variável, ora mais lenta, ora pouco mais
acelerada. David Byron se mostra bem versátil e a guitarra é contagiante, em um
excelente Hard setentista.
As letras são interessantes em um jogo que envolve
guerra e conquista:
I can see that look that says beware
Try to move in closer if you dare
So I must sit and play
My waiting game
And for a while I know
She'll do the
same
Fly away
Embora não tenha sido lançada como single para
promover o álbum, “Bird of Prey” acabou se tornando uma das faixas mais
celebradas e adoradas pelos fãs do Uriah Heep.
THE PARK
A segunda faixa do álbum é “The Park”.
Uma melodia calma e tocante, ao teclado e depois
acompanhada por um violão, marca o início de “The Park”. Depois, Byron começa a
cantar de maneira muita suave e cativante. Este ritmo segue até os 3:40
minutos, quando o teclado começa a acelerar o andamento da canção, fazendo um
solo pequeno, mas interessante. Depois tudo retorna ao início.
As letras são belíssimas e é possível vislumbrar a
metáfora dos lados escuros do parque representando os horrores da guerra:
Let me walk a while alone
Among the sacred rocks and stones
Let me look in vain belief
Upon the beauty of each leaf
There is green in every blade
The tree tops lean providing shade
TIME TO LIVE
A terceira canção de Salisbury é “Time To Live”.
Bateria, guitarra e teclados mais intensos já estão
de volta no começo de “Time To Live”. Já nos momentos iniciais, Mick Box
encaixa um pequeno e intenso solo. O riff principal tem peso e melodia,
contrapondo-se ao teclado de Hensley. Byron completa tudo com sua poderosa voz,
em uma bela música. Hard setentista de primeira linha!
A letra é boa e tensa, refletindo alguém que esteve
preso e mesmo tendo pagado, faria tudo outra vez:
But if you smile that smile
I know I couldn't ask for more
I know I'd do it all again
Yes, I would
I know I'd do it all again
LADY IN BLACK
O clássico “Lady In Black” é a quarta música do
álbum.
O ritmo suave e melodioso está de volta nesta
belíssima canção, em uma construção verdadeiramente brilhante. A balada “Lady
In Black” possui linhas realmente tocantes, encantadas pela maravilhosa forma
como é cantada pelo tecladista Ken Hensley. A constância é quase sempre a mesma
e a faixa é sensacional.
A letra tem um tom de esperança:
Oh lady lend your hand outright
And let me rest here at your side
Have faith and trust in peace she
said
And filled my heart with life
A obra, creditada a Ken Hensley, segundo o mesmo,
trata de um homem que vaga por um cenário devastado pela guerra e encontra uma
espécie de deusa que passa a consolá-lo. Ela teria sido composta em um momento
em que Hensley teve uma visão após estar em estado de profunda depressão.
É tida por críticos e fãs como uma das mais belas
melodias compostas por Ken.
Acabou se tornando uma das faixas mais populares da
história do Uriah Heep, absolutamente adorada pelos fãs do grupo. Lançada como
single, atingiu o topo da parada alemã, onde fez enorme sucesso (assim como na
Rússia).
Inúmeros são os grupos que fizeram versões para a
faixa, incluindo outros membros que passaram pela banda. Como exemplo, John
Lawton (que foi vocalista do Uriah Heep) e o Blackmore’s Night.
HIGH PRIESTESS
“High Priestess” é a quinta faixa de Salisbury.
Mais uma vez o início é suave, mas logo a guitarra
de Mick Box aparece de forma mais intensa e furiosa. O riff é mais veloz,
típico do Hard dos anos 70, e é embalado por ótimos vocais e uma bateria
marcante por parte de Keith Baker. A canção é curta, rápida e empolgante e
possui um bom solo de Box.
A letra tem uma certa conotação de amor proibido:
You, who brought
The sunshine to my eyes
You, who wondered
Through my sad disguise
And I have a
love
SALISBURY
Homônima ao álbum, “Salisbury” é a sexta – e última
– faixa do álbum.
Com mais de 16 minutos de duração, “Salisbury” é
uma canção épica repleta de variantes melódicas e de intensidade. A brilhante
construção tem teclados marcantes, algumas pequenas orquestrações, riffs e
solos inspirados. Há uma influência de rock progressivo que se casa
perfeitamente com o Hard Rock do Uriah Heep.
A letra tem conotação de romance:
As time passed and all too fast
I just knew we couldn't last
And I guessed that the end
Was near at hand
Though we tried our love inside
It just crumpled up and died
What went wrong
I will never, never understand
You tell me why
Alone again
How could you
leave me
Alone again
Considerações
Finais
Salisbury, o álbum, não chegou a ser um grande
sucesso comercial, mas foi um disco fundamental para a história do Uriah Heep.
Em termos de paradas de sucesso, atingiu a modesta
103ª posição na parada norte-americana de álbuns. Ficou com a 31ª na sua
correspondente alemã e com 1ª colocação na Finlândia.
Logo depois da gravação de Salisbury, Keith Baker
deixou o grupo, sendo substituído por Ian Clarke.
O álbum permitiu que Ken Hensley se aprimorasse e
se colocasse como o principal compositor do Uriah Heep, assinando
solitariamente a maioria das composições. Também, segundo os críticos,
apresentou o Heavy Metal seminal dos anos 70, com doses generosas de Folk e
Rock Progressivo.
Ken Hensley:
O álbum também permitiu que o grupo excursionasse
pela primeira vez pelos Estados Unidos, sendo a banda de abertura para o Three
Dog Night e o Steppenwolf.
Logo após a turnê, ainda em 1971, o Uriah Heep
gravaria e lançaria seu terceiro álbum de estúdio, o clássico Look At Yourself.
Formação:
Mick
Box – Guitarra, Violão, Backing Vocals
David
Byron – Vocal
Ken
Hensley –Violão, Backing Vocals, Piano, Vocal (em "Lady in Black” e “High
Priestess")
Paul
Newton – Baixo, Backing Vocals
Keith
Baker – Bateria, Percussão
Faixas:
01.
Bird of Prey (Box/Byron/Hensley/Newton) - 4:13
O Uriah Heep é das bandas mais importantes e
marcantes dentro dos fantásticos anos 70, berço de boa parte do que há de melhor dentro do
Rock & Roll. É, também, dos grupos prediletos deste humilde blogeiro.
Salisbury não está entre os álbuns mais vendidos da
história do estilo e nem entre os mais badalados, mas é um disco muito
importante e, além disto, cheio de qualidade.
Marca uma banda que ajudou a desenvolver o
Hard/Heavy inicial, mas que acabou criando seu estilo. Em Salisbury, o
grupo abusa de melodias acústicas e, ao mesmo tempo, apresenta riffs, teclados
e vocais muito inspirados.
David Byron é um vocalista formidável, assim como é
Ken Hensley nos teclados – e um compositor de mão cheia. As guitarras de Mick
Box também são mais que compotentes e a cozinha formada por Baker e Newton faz
bem seu trabalho.
“Salisbury” é uma canção muito acima da média,
épica, com seus fabulosos 16 minutos. “Lady In Black” é uma balada como poucas,
com ritmo tocante e letras interessantes. Destaques também para “Bird Of Prey”
e “Time To Live”.
O Uriah Heep gravaria álbuns de bem maiores
sucessos que este (e que aparecerão por aqui depois), mas de forma alguma
deve-se descartar um trabalho tão instigante quanto Salisbury.