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14 de fevereiro de 2023

URIAH HEEP - DEMONS AND WIZARDS (1972)

 


Demons and Wizards é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa Uriah Heep. O seu lançamento oficial aconteceu em 19 de maio de 1972 pelos selos Bronze e Island Records. As gravações ocorreram entre março e abril daquele mesmo ano, no Lansdowne Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou a cargo de Gerry Bron.

11 de janeiro de 2016

URIAH HEEP - LOOK AT YOURSELF (1971)


Look At Yourself é o terceiro álbum de estúdio da banda britânica Uriah Heep. Seu lançamento oficial aconteceu em setembro de 1971 através dos selos Bronze Records (Reino Unido) e Mercury Records (Estados Unidos). As gravações ocorreram durante julho de 1971 no Lansdowne Studios, em Londres, Inglaterra. A produção ficou a cargo de Gerry Bron.


O Uriah Heep é uma das bandas favoritas do 'blogeiro' e já apareceu anteriormente por aqui com o álbum Salisbury (1971). O Blog vai tratar brevemente dos fatos que antecederam o lançamento de Look At Yourself para depois abordar as faixas que o compõem.

O segundo álbum da banda, Salisbury, foi um esforço com direcionamento voltado à vertente do gênero rock progressivo, contando com a lindíssima peça de 16 minutos que dá nome ao trabalho, “Salisbury”.

Outra das faixas do álbum, a balada “Lady in Black”, tornou-se um hit na Alemanha após o seu relançamento em 1977 (dando à banda o prêmio Radio Luxemburg Lion).

Produzido por Gerry Bron, o segundo disco do Uriah Heep é definido por Donald Guarisco, do Allmusic, como: "mistura do poder do Heavy Metal com a complexidade do Rock Progressivo".

Outro ponto importante e significativo foi a instantânea consolidação de Ken Hensley para a posição de principal compositor da banda. Hensley assina todas as faixas de Salisbury, sendo que 3 delas solitariamente.

Ken Hensley
Logo após o lançamento de Salisbury, o baterista Keith Baker deixou a banda. Seu substituto foi Iain Clark, que fazia parte do grupo Cressida, este, outro conjunto do catálogo da Vertigo Records.

Com ele, a banda fez sua primeira turnê pelos Estados Unidos, como suporte para nomes como Three Dog Night e Steppenwolf.

Na primavera britânica de 1971, o contrato de Gerry Bron, manager do Uriah Heep, com a gravadora Vertigo Records acabou e, então, ele decidiu criar seu próprio selo, o Bronze Records.

O terceiro álbum foi gravado durante o mês de julho de 1971, no verão britânico, em apenas três visitas da banda ao Lansdowne Studios, em Londres.

Mick Box
Gerry Bron, em entrevista anos depois, afirma: "Foi o momento em que a banda realmente encontrou uma direção musical sólida".

Look At Yourself marcaria a solidificação de diferentes ideias musicais que haviam começado a surgirem em Salisbury, unificando e direcionando a sonoridade da banda.

A arte original da capa em LP contava com uma peça simples, com uma abertura cortada na frente, através do qual uma folha de material reflexivo (que funcionava como espelho) ficava exposta, transmitindo uma imagem distorcida de qualquer pessoa que olhasse diretamente para ela.

A ideia, originalmente idealizada pelo guitarrista Mick Box, era para a capa refletir diretamente o título do álbum, e este tema é complementado através das fotos da banda na parte traseira da capa do LP, que também foram distorcidas.

O próprio LP era alojado em um cartão interior, de material mais resistente, com as letras.

Vamos às faixas:

LOOK AT YOURSELF

Com um ritmo urgente, a faixa-título abre os trabalhos. O andamento é cadenciado, mas com o peso necessário para intensificar a massa sonora produzida pelo grupo. O baixo está bastante presente, bem como os teclados. Os vocais de Ken Hensley são muito bons. Um clássico do Hard setentista!

A letra é um chamado para uma autoavaliação:

I see you running
Don't know what
You're running from
Nobody's coming
What'd you do that was so wrong?


“Look At Yourself” é um grande clássico do Uriah Heep.

Lançada como single principal do álbum, não obteve maior repercussão em termos das principais paradas de sucesso, as britânica e norte-americana. No entanto, foi 33º e 4º lugares nas paradas de Alemanha e Suíça, respectivamente.

Escrita e cantada pelo tecladista Ken Hensley, a razão pela qual ele assumiu os vocais foi por conta do vocalista David Byron haver sofrido problemas de garganta durante a sessão de gravação. No entanto, Byron fazia os vocais durante as performances ao vivo da banda.

A música também foi incluída no primeiro álbum ao vivo do Uriah Heep, Uriah Heep Live (1973) e em sua primeira coletânea, The Best of Uriah Heep (1976).

Entre versões cover conhecidas para “Look At Yourself”, tem-se a de bandas como Gamma Ray e do grupo canadense GrimSkunk.



I WANNA BE FREE

Em "I Wanna Be Free", o Uriah Heep aposta em um Hard Rock pesado e intenso, mas com boas doses de melodia e sensibilidade. A guitarra de Mick Box está ótima, assim como o baixo de Paul Newton, este, responsável direto pelo peso da canção. O nível continua bastante elevado.

A letra é bem legal e reflete a transitoriedade da vida e a liberdade:

So bring fire and bring steel
For you know the way I feel
Bring a silver horse
To carry me away
I'm no stranger, I'm a friend
And my pain will never end
Till the world will let us
Live our lives as one



JULY MORNING

Virtuosismo, intensidade, mudanças de ritmo, técnica, peso considerável, melodia. Todas estas características estão presentes nos mais de 10 minutos que constituem "July Morning". Trata-se de uma das mais belas peças compostas na riquíssima década de 70 e que não existem palavras suficientes para defini-la. A, também, destacar-se a monumental atuação de David Byron. Um espetáculo!

A letra pode ser interpretada como a busca de um sentido para a vida:

There I was on a July morning looking for love
With the strength of a new day dawning and the beautiful sun
At the sound of the first bird singing I was leaving for home
With the storm and the night behind me and a road of my own
With the day
Came the resolution
I'll be looking for you

“July Morning” é uma das principais músicas compostas pelo Uriah Heep. Foi lançada como single apenas na Venezuela e no Japão.

A canção foi escrita pelo tecladista da banda Ken Hensley e o vocalista, David Byron. Aproximadamente, os últimos quatro minutos da peça consistem em um solo virtuoso de órgão.

Os incríveis riffs de sonoridade 'Calliope' são tocados por Manfred Mann, que, de acordo com o encarte do álbum, "aparece pela primeira vez com o seu sintetizador Moog".

A música também foi lançada como um single do primeiro álbum ao vivo da banda, Uriah Heep Live, de 1973.

Dave Thompson, do AllMusic, descreveu a canção como a melhor produzida pelo Uriah Heep, com "arranjo e performance magníficos", e, no ano de 1995, uma estação de rádio finlandesa chamada Radiomafia adicionou "July Morning" à sua lista de Top 500 Songs.

Em 2009, a banda lançou uma nova versão da canção no álbum Celebration.

O Manager do Uriah Heep, Gerry Bron, acrescentou que Manfred Mann não só desempenhou um papel importante no estúdio durante a gravação original, mas teve também um papel crucial no desenvolvimento da faixa.

Um fato curioso: todos os anos, na Bulgária, no dia 30 de Junho, pessoas de todo o país viajam para a costa do Mar Negro para assistir ao nascer do sol no dia 1º de julho. Durante o evento, muitas vezes as pessoas entoam "July Morning".

A canção aparece em vários álbuns ao vivo e coletâneas da banda. Uma de suas versões cover mais destacáveis é a presente no disco The Masquerade Ball, de 2000, do guitarrista alemão Axel Rudi Pell.



TEARS IN MY EYES

Em "Tears In My Eyes", a guitarra de Mick Box está ainda mais presente, em um Hard Rock vigoroso e, simultaneamente, muito melódico. Nas passagens mais calmas, uma belíssima melodia encanta o ouvinte. Os solos de Box são muito bons e as harmonias vocais contribuem fartamente para a beleza da faixa.

A letra fala de rompimento amoroso:

It's the same weary story
Of a woman abusing her man
So I have to forget you
Though I'm not even sure if I can



SHADOWS OF GRIEF

Em "Shadows Of Grief", o Uriah Heep mostra a grandiosidade de sua formação sonora. É claro que a canção mostra o peso típico do Hard Rock da época, mas a banda flerta ainda mais proximamente com um viés Progressivo, engrandecendo a composição. Hensley está assustadoramente brilhante nos teclados e é acompanhado com maestria por Mick Box. Faixa sensacional!

A letra, novamente, aborda um conturbado relacionamento amoroso:

North, South, East and West
Wherever you go
You'll find the same
And the only way you'll ever learn
Is to realize that you're to blame



WHAT SHOULD BE DONE

Já em "What Should Be Done", o Uriah Heep retira o peso e a intensidade de sua sonoridade e aposta em uma canção mais melódica e bastante intimista. A proposta suave acaba cativando, pois aponta para um trabalho bem composto e de extremo bom gosto. Atuação brilhante de David Byron nos vocais.

A letra fala sobre a consequência de nossas próprias escolhas:

Will you run the risk
Of being taunted
By doing what you wanna do
Or do you prefer to have
Your whole life haunted
By the ones who
Choose to care for you



LOVE MACHINE

A sétima - e última - faixa de Look At Yourself é "Love Machine". A menor canção do álbum demonstra a veia principal da banda, um Hard Rock simples, direto, mas extremamente vigoroso e intenso. A seção rítmica brilha, bem como a guitarra e o teclado. Fecha o trabalho de maneira incrível.

A letra possui conteúdo sexual:

Lovely little lady
You got me on the run
You're a love machine
And you say that I'm your gun



Considerações Finais

Look At Yourself, com o tempo, acabou se tornando um álbum de referência dentro da discografia do Uriah Heep, bem como um dos favoritos de sua base de fãs.

Embora não tenha sido um grande sucesso comercial, o disco teve um pequeno destaque nas principais paradas de sucesso: 39ª posição na parada britânica e 93ª colocação na correspondente norte-americana. Ainda galgou os 11º e 14ª lugares nas paradas de Alemanha e Noruega, além de conquistar o topo da parada finlandesa!

David Byron
Entre os sucessos presentes no disco e que caíram na graça dos fãs destacam-se a faixa-título, “Tears In My Eyes” e “July Morning”. Esta, um épico que muitos fãs do Uriah Heep consideram em um patamar semelhante a “Stairway To Heaven”,do Led Zeppelin, ou “Child In Time”, do Deep Purple.

"Eu acho que July Morning é um dos melhores exemplos da forma como a banda estava se desenvolvendo naquele ponto no tempo. Ela introduziu uma série de dinâmicas, uma grande quantidade de luz e sombra no nosso som", disse Ken Hensley.

Na maioria das críticas, Look At Yourself é visto de maneira muito positiva. Donald A. Guarisco, do AllMusic, por exemplo, afirma: “Nota especial também deve ser dada à performance vocal de David Byron; seu multi-oitava estilo operístico foi, sem dúvida, uma influência sobre vocalistas de Heavy Metal posteriores, como Rob Halford. Portanto, Look At Yourself é, simultaneamente, um dos melhores e mais coesos álbuns do Uriah Heep e um ponto alto do Heavy Metal dos anos 1970”.

Pós-lançamento do álbum, até o final de 1971, tornou-se claro, de acordo com Hensley, que ele próprio, Byron e Box tornaram-se o núcleo coeso da banda. Sentindo-se marginalizado, primeiro o baixista Paul Newton deixou o grupo, sendo substituído brevemente por Mark Clarke.

Em seguida, em novembro de 1971, o baterista Iain Clark foi substituído por Lee Kerslake, então na banda The Gods. O baixista neozelandês Gary Thain, membro da banda Keef Hartley, juntou-se como membro permanente do Uriah Heep, no meio do caminho de mais uma turnê norte-americana.

"Gary tinha um estilo próprio, foi incrível porque cada baixista no mundo que eu conheci sempre amou seu estilo, com essas linhas de baixo melódicas," afirmou o guitarrista Mick Box.

Assim, o "clássico" Uriah Heep foi formado e, de acordo com o biógrafo K. Blows, "Tudo se encaixou no lugar." O resultado seria visto no ano seguinte, com um dos melhores álbuns de todos os tempos: Demons And Wizards.


Formação:
David Byron - Vocal
Mick Box - Guitarra
Ken Hensley - Órgão, Piano, Guitarra, Violão, Vocal em “Look At Yourself”
Paul Newton - Baixo
Iain Clark - Bateria (sem créditos no lançamento original)
Músicos Adicionais:
Manfred Mann - Sintetizador Moog (em "July Morning")
Ted Osei, Mac Tontoh e Loughty Amao - Percussão (em "Look At Yourself")

Faixas:
01. Look at Yourself (Hensley) – 5:09
02. I Wanna Be Free (Hensley) – 4:00
03. July Morning (Byron/Hensley) – 10:32
04. Tears in My Eyes (Hensley) – 5:01
05. Shadows of Grief (Byron/Hensley) – 8:39
06. What Should Be Done (Hensley) – 4:15
07. Love Machine (Box/Byron/Hensley) – 3:37

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/uriah-heep/

Opinião do Blog:
O Uriah Heep é uma das grandes bandas do Hard Rock setentista. Com uma discografia sólida, naquele período, o Blog pensa que o grupo britânico merecia um reconhecimento maior junto ao grande público, pois a qualidade da música produzida pelo conjunto é incrível.

Nos seus primeiros trabalhos, o grupo esbanjava inspiração, trazendo vários elementos criativos para seu alicerce fundado no Hard Rock/Heavy Metal daquela época. Mas a extrema criatividade e categoria de seus músicos diferenciavam a banda da maioria.

E o incrível Look At Yourself é uma prova fundamental desta afirmação.

Uma banda que conta com o ótimo guitarrista Mick Box e o excelente multi-instrumentista Ken Hensley dispensa maiores explicações sobre sua parte técnica. Hensley, ainda, é um compositor extraordinário, responsável direto pela mairoria dos grandes clássicos da discografia do Uriah Heep.

Adicione-se a isto um vocalista talentoso (e muito subestimado) como David Byron. Não apenas por sua belíssima voz, mas por uma interpretação e atuação impecáveis durante todo o disco. Byron engrandece as composições, transmitindo com a emoção exata o conteúdo lírico exposto.

E as letras são muito boas, principalmente quando abordam a temática dualística vida/morte.

Um trabalho de qualidade extrema como Look At Yourself não possui faixas de enchimento. O álbum deve ser apreciado na íntegra, sem cortes. Todas as faixas são, no mínimo, muito boas.

Mas a tradição do Blog manda dar destaques. A faixa-título apresenta um Hard Rock vigoroso, repleto de classe e imposição. "What Should Be Done" é uma amostra do viés intimista e sofisticado do grupo e é outra atuação impressionante da banda.

"Shadows Of Grief" é uma composição brilhante e aponta um viés Progressivo ao som do Uriah Heep, contribuindo para tornar a canção ainda melhor. Tudo isto é intensificado em "July Morning", uma música magnífica, definitiva e definidora do que é o Uriah Heep. Uma das melhores faixas de todos os tempos.

Por tudo que se aponta, Look At Yourself apresenta-se como uma obra fundamental, não apenas na discografia do Uriah Heep, bem como dentro do universo do Rock setentista. Sua audição é obrigatória para fãs do estilo. E é difícil imaginar, estando em um patamar tão elevado, que o grupo ainda faria outro álbum deste nível em seu sucessor, Demons and Wizards, de 1972. Look At Yourself é um álbum essencial e extremamente recomendado pelo Blog! 

25 de junho de 2013

URIAH HEEP - SALISBURY (1971)


Salisbury é o segundo álbum de estúdio da banda britânica chamada Uriah Heep. Seu lançamento oficial ocorreu em janeiro de 1971 sob o selo Vertigo Records. As gravações aconteceram entre outubro e novembro de 1970, no Lansdowne Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou sob a responsabilidade de Gerry Bron.



Como de praxe, o Blog vai contar um pouco a história do grupo antes de focar-se no álbum propriamente dito.

Foi em 1967 que o Uriah Heep começou a surgir. O guitarrista Mick Box, então com 19 anos, na cidade de Brentwood, formou uma banda chamada The Stalkers, a qual começou a se apresentar em bares e clubes locais.

O vocalista deixa o grupo e o então baterista, Roger Penlington, sugere seu primo David Garrick para ser o substituto. Garrick já conhecia o The Stalkers e aceita o convite.

Quase que instantaneamente, Garrick e Box se entrosam e formam uma forte parceria em termos de composição. Com aspirações musicais mais elevadas que seus colegas, os dois abandonam seus trabalhos normais cotidianos e partem para uma tentativa de se tornarem profissionais.

Assim eles montam um novo conjunto chamado Spice e David Garrick decide mudar seu sobrenome para Byron. O baterista escocês Alex Napier assume as baquetas após ter respondido um anúncio em um jornal.

David Byron:


O baixista Paul Newton, da banda The Gods, completou a formação inicial.

Segundo Mick Box, o grupo, desde seu início, evitou tocar covers, procurando seguir o caminho de composições próprias e esforçando-se para criar uma sonoridade original. Inicialmente, o conjunto era gerenciado pelo pai do baixista Paul Newton.

Assim que a banda foi crescendo de nível, chamou novos interesses. Gerry Bron, que era o chefe da Hit Records Production, assistiu a uma apresentação do grupo no clube Blues Loft e acabou assinando um contrato para gerenciar a banda. Logo depois, conseguiu um contrato do conjunto com a Vertigo Records.

A banda, ainda com o nome de Spice, enclausurou-se no Lansdowne Studios, em Londres, para começar a gravação do que se tornaria seu primeiro álbum de estúdio.

Então, o nome foi mudado para Uriah Heep. Esta era uma personagem do livro David Copperfield, de Charles Dickens, pois, de acordo com o biógrafo Kirk Blows, o nome de Dickens estava em toda parte durante o Natal de 1969 devido ao fato de ser o centésimo aniversário de sua morte.

Juntamente à mudança de nome, veio a decisão de ampliar o som. Após gravarem metade do primeiro álbum, o grupo decide que seria uma boa ideia acrescentar teclados ao som da banda.

Box era um grande fã do Vanilla Fudge, com seu órgão Hammond e guitarras fortes e o Uriah Heep possuía os potentes vocais de David Byron, os quais combinariam bem com este tipo de som, segundo o guitarrista.

Em um primeiro momento, o tecladista Colin Wood foi trazido por Gerry Bron. Depois, Ken Hensley, um ex-colega de Newton no The Gods, que à época estava tocando guitarra no Fat Toe, foi convidado. "Eu vi um grande potencial no grupo para fazer algo muito diferente", lembrou Ken Hensley.

O álbum de estreia do grupo foi chamado ...Very 'eavy... Very 'umble, sendo lançado em junho de 1970. Enquanto a banda escreveu o trabalho, no Centro Comunitário Hanwell, o Deep Purple estava ensaiando no quarto ao lado, construindo uma relação entre os conjuntos.

Em ...Very 'eavy... Very 'umble, o Uriah Heep apresenta um marco inicial de sua sonoridade. Estão presentes o órgão pesado de Hensley, os vocais poderosos de Byron e a guitarra marcante de Box.

Box e Byron compuseram a maioria das músicas e Hensley não pode contribuir muito, mas a química entre eles, na execução das faixas, é palpável. O clássico “Gypsy” está presente no disco (que saiu com o nome Uriah Heep nos Estados Unidos).

Embora tenha recebido críticas não muito positivas na época, o disco foi ganhando respeito com o passar do tempo e é um dos marcos iniciais dos nascentes gêneros Hard e Heavy dos anos setenta.

Alex Napier esteve fora de três quartos das gravações do álbum de estreia do Uriah Heep, sendo substituído por Nigel Olsson, que foi indicado a David Byron pelo astro Elton John.

Com uma formação que contava com Mick Box na guitarra, David Byron nos vocais, Paul Newton no baixo, Keith Baker na bateria e Ken Hensley no teclado, o Uriah Heep volta ao Lansdowne Studios, em Londres, para gravar seu segundo álbum de estúdio.

Mick Box:


Desta vez, ao contrário do disco de estreia, o principal compositor das canções foi o tecladista Ken Hensley.

O nome do álbum, Salisbury, remete a uma área de treinamento do exército britânico. A arte da capa do trabalho apresenta um tanque British Chieftain, da primeira guerra mundial.

BIRD OF PREY

Abre o álbum a ótima “Bird Of Prey”.

O riff inicial é pesado, na medida certa, e com uma cadência envolvente. Os vocais agudos, muitas vezes dobrados, dão o ritmo certo para a canção. A intensidade é variável, ora mais lenta, ora pouco mais acelerada. David Byron se mostra bem versátil e a guitarra é contagiante, em um excelente Hard setentista.

As letras são interessantes em um jogo que envolve guerra e conquista:

I can see that look that says beware
Try to move in closer if you dare
So I must sit and play
My waiting game
And for a while I know
She'll do the same
Fly away

Embora não tenha sido lançada como single para promover o álbum, “Bird of Prey” acabou se tornando uma das faixas mais celebradas e adoradas pelos fãs do Uriah Heep.



THE PARK

A segunda faixa do álbum é “The Park”.

Uma melodia calma e tocante, ao teclado e depois acompanhada por um violão, marca o início de “The Park”. Depois, Byron começa a cantar de maneira muita suave e cativante. Este ritmo segue até os 3:40 minutos, quando o teclado começa a acelerar o andamento da canção, fazendo um solo pequeno, mas interessante. Depois tudo retorna ao início.

As letras são belíssimas e é possível vislumbrar a metáfora dos lados escuros do parque representando os horrores da guerra:

Let me walk a while alone
Among the sacred rocks and stones
Let me look in vain belief
Upon the beauty of each leaf
There is green in every blade
The tree tops lean providing shade



TIME TO LIVE

A terceira canção de Salisbury é “Time To Live”.

Bateria, guitarra e teclados mais intensos já estão de volta no começo de “Time To Live”. Já nos momentos iniciais, Mick Box encaixa um pequeno e intenso solo. O riff principal tem peso e melodia, contrapondo-se ao teclado de Hensley. Byron completa tudo com sua poderosa voz, em uma bela música. Hard setentista de primeira linha!

A letra é boa e tensa, refletindo alguém que esteve preso e mesmo tendo pagado, faria tudo outra vez:

But if you smile that smile
I know I couldn't ask for more
I know I'd do it all again
Yes, I would
I know I'd do it all again



LADY IN BLACK

O clássico “Lady In Black” é a quarta música do álbum.

O ritmo suave e melodioso está de volta nesta belíssima canção, em uma construção verdadeiramente brilhante. A balada “Lady In Black” possui linhas realmente tocantes, encantadas pela maravilhosa forma como é cantada pelo tecladista Ken Hensley. A constância é quase sempre a mesma e a faixa é sensacional.

A letra tem um tom de esperança:

Oh lady lend your hand outright
And let me rest here at your side
Have faith and trust in peace she said
And filled my heart with life

A obra, creditada a Ken Hensley, segundo o mesmo, trata de um homem que vaga por um cenário devastado pela guerra e encontra uma espécie de deusa que passa a consolá-lo. Ela teria sido composta em um momento em que Hensley teve uma visão após estar em estado de profunda depressão.

É tida por críticos e fãs como uma das mais belas melodias compostas por Ken.



Acabou se tornando uma das faixas mais populares da história do Uriah Heep, absolutamente adorada pelos fãs do grupo. Lançada como single, atingiu o topo da parada alemã, onde fez enorme sucesso (assim como na Rússia).

Inúmeros são os grupos que fizeram versões para a faixa, incluindo outros membros que passaram pela banda. Como exemplo, John Lawton (que foi vocalista do Uriah Heep) e o Blackmore’s Night.



HIGH PRIESTESS

“High Priestess” é a quinta faixa de Salisbury.

Mais uma vez o início é suave, mas logo a guitarra de Mick Box aparece de forma mais intensa e furiosa. O riff é mais veloz, típico do Hard dos anos 70, e é embalado por ótimos vocais e uma bateria marcante por parte de Keith Baker. A canção é curta, rápida e empolgante e possui um bom solo de Box.

A letra tem uma certa conotação de amor proibido:

You, who brought
The sunshine to my eyes
You, who wondered
Through my sad disguise
And I have a love



SALISBURY

Homônima ao álbum, “Salisbury” é a sexta – e última – faixa do álbum.

Com mais de 16 minutos de duração, “Salisbury” é uma canção épica repleta de variantes melódicas e de intensidade. A brilhante construção tem teclados marcantes, algumas pequenas orquestrações, riffs e solos inspirados. Há uma influência de rock progressivo que se casa perfeitamente com o Hard Rock do Uriah Heep.

A letra tem conotação de romance:

As time passed and all too fast
I just knew we couldn't last
And I guessed that the end
Was near at hand
Though we tried our love inside
It just crumpled up and died
What went wrong
I will never, never understand
You tell me why
Alone again
How could you leave me
Alone again



Considerações Finais

Salisbury, o álbum, não chegou a ser um grande sucesso comercial, mas foi um disco fundamental para a história do Uriah Heep.

Em termos de paradas de sucesso, atingiu a modesta 103ª posição na parada norte-americana de álbuns. Ficou com a 31ª na sua correspondente alemã e com 1ª colocação na Finlândia.

Logo depois da gravação de Salisbury, Keith Baker deixou o grupo, sendo substituído por Ian Clarke.

O álbum permitiu que Ken Hensley se aprimorasse e se colocasse como o principal compositor do Uriah Heep, assinando solitariamente a maioria das composições. Também, segundo os críticos, apresentou o Heavy Metal seminal dos anos 70, com doses generosas de Folk e Rock Progressivo.

Ken Hensley:


O álbum também permitiu que o grupo excursionasse pela primeira vez pelos Estados Unidos, sendo a banda de abertura para o Three Dog Night e o Steppenwolf.

Logo após a turnê, ainda em 1971, o Uriah Heep gravaria e lançaria seu terceiro álbum de estúdio, o clássico Look At Yourself.

Formação:
Mick Box – Guitarra, Violão, Backing Vocals
David Byron – Vocal
Ken Hensley –Violão, Backing Vocals, Piano, Vocal (em "Lady in Black” e “High Priestess")
Paul Newton – Baixo, Backing Vocals
Keith Baker – Bateria, Percussão

Faixas:
01. Bird of Prey (Box/Byron/Hensley/Newton) - 4:13
02. The Park (Hensley) - 5:41
03. Time to Live (Box/Byron/Hensley) - 4:01
04. Lady in Black (Hensley) - 4:44
05. High Priestess (Hensley) - 3:42
06. Salisbury (Box/Byron/Hensley) - 16:20

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/uriah-heep/

Opinião do Blog:
O Uriah Heep é das bandas mais importantes e marcantes dentro dos fantásticos anos 70, berço de boa parte do que há de melhor dentro do Rock & Roll. É, também, dos grupos prediletos deste humilde blogeiro.

Salisbury não está entre os álbuns mais vendidos da história do estilo e nem entre os mais badalados, mas é um disco muito importante e, além disto, cheio de qualidade.

Marca uma banda que ajudou a desenvolver o Hard/Heavy inicial, mas que acabou criando seu estilo. Em Salisbury, o grupo abusa de melodias acústicas e, ao mesmo tempo, apresenta riffs, teclados e vocais muito inspirados.

David Byron é um vocalista formidável, assim como é Ken Hensley nos teclados – e um compositor de mão cheia. As guitarras de Mick Box também são mais que compotentes e a cozinha formada por Baker e Newton faz bem seu trabalho.

“Salisbury” é uma canção muito acima da média, épica, com seus fabulosos 16 minutos. “Lady In Black” é uma balada como poucas, com ritmo tocante e letras interessantes. Destaques também para “Bird Of Prey” e “Time To Live”.

O Uriah Heep gravaria álbuns de bem maiores sucessos que este (e que aparecerão por aqui depois), mas de forma alguma deve-se descartar um trabalho tão instigante quanto Salisbury.