15 de junho de 2026

FAITH NO MORE - THE REAL THING (1989)

 


The Real Thing é o terceiro álbum de estúdios da carreira da banda norte-americana Faith No More, lançado oficialmente em 20 de junho de 1989, pelos selos Slash e Reprise. As gravações aconteceram no Studio D, em Sausalito, Estados Unidos, com produção de Matt Wallace e da própria banda.





O Faith No More passou por várias mudanças de formação antes de gravar seu primeiro álbum, We Care a Lot, lançado em 1985 e distribuído pelo selo Mordam Records, de São Francisco. No lançamento original em vinil, a banda é creditada como "Faith. No More" no encarte do álbum, na contracapa e no próprio disco.


Dentro de um ano, a banda assinou contrato com a Slash Records. A faixa-título do álbum de estreia, "We Care a Lot", foi posteriormente regravada, para o álbum seguinte, Introduce Yourself, em 1987, e lançada como seu primeiro single. A formação permaneceu estável até que o vocalista Chuck Mosley foi substituído por Mike Patton em 1988.


Mike Patton



A composição da maioria das músicas de The Real Thing ocorreu após a turnê de Introduce Yourself. Uma versão demo de "The Morning After", sob o nome provisório de "New Improved Song", com letras alternativas escritas e cantadas por Chuck Mosley foi lançada no Extended Play Sounds·Waves 2 com a revista Sounds.


"Surprise! You're Dead!" foi composta por Jim Martin na década de 1970, enquanto ele era guitarrista do Agents of Misfortune; uma banda que também contou com Cliff Burton em sua formação. A gravação da música ocorreu em dezembro de 1988, após Chuck Mosley ser demitido da banda, e foi concluída antes da contratação de Mike Patton, que então escreveu todas as letras das músicas e as gravou no mês seguinte.


O disco


As sessões de gravação renderam diversas músicas que não constaram no álbum. Duas delas, "The Grade" e "The Cowboy Song", apareceram mais tarde nos singles e na edição britânica de Live at the Brixton Academy.


James Martin



Uma terceira música, "Sweet Emotion", foi posteriormente regravada com letras diferentes como "The Perfect Crime" para a trilha sonora do filme, que também estrelou uma participação especial do guitarrista Jim Martin, Bill & Ted's Bogus Journey.


A versão original foi lançada em Flexible Fiend 3 com Kerrang! edição 258 da revista e em The Very Best Definitive Ultimate Greatest Hits Collection, a compilação dos maiores sucessos, de 2009, lançada para coincidir com a turnê de reunião da banda.


FROM OUT OF NOWHERE


O disco é aberto com “From Out of Nowhere”, um rock mais padrão, puxando para o alternativo, com os vocais de Patton como destaque.


Liricamente, retrata um choque, uma entrada abrupta (“from out of nowhere”) que pode ser interpretada como uma metáfora para encontros ou eventos que mudam a direção da vida.





Foi lançada como primeiro single, não entrou inicialmente no UK Singles Chart, mas, após o sucesso de “Epic”, alcançou #23 no Reino Unido


EPIC


Indubitavelmente a canção de maior sucesso do Faith No More, misturando peso, intensidade e muito groove.


As letras de Patton são enigmáticas e sugerem frustrações e impulsos que não são totalmente articulados — o que amplia seu impacto interpretativo.





Um single que atingiu a 9ª posição da Billboard Hot 100 e a 25ª na correspondente britânica.


FALLING TO PIECES


Bordin e Gould criam a base sobre a qual Patton tece uma interpretação brilhante em um clássico da banda.


A canção fala sobre desgaste emocional e coexistência de sentimentos contraditórios — a ideia de literalmente “despedaçar” as partes de si.





Um single que atingiu a 92ª posição da Billboard Hot 100 e a 41ª na correspondente britânica.


SURPRISE! YOU’RE DEAD!


Uma faixa que une Heavy Metal a uma vocalização mais agressiva de Patton, com bastante peso e uma bateria frenética.


As letras transparecem ironia e choque — quase como uma crônica acelerada sobre morte e surpresa existencial.


ZOMBIE EATERS


Zombie Eaters” tem muito groove e um ritmo mais ‘rapeado’, sem abrir mão do peso.


Uma das composições mais sarcásticas e sombrias do disco, cheia de imagens grotescas e humor mórbido — possivelmente uma metáfora perturbadora sobre consumismo, medo ou alienação.


THE REAL THING


A faixa-título é bastante pesada e intensa, além de ser a mais longa, contando com variações entre passagens fortes e outras calmas.


Liricamente, questiona autenticidade, identidade e a ideia do “verdadeiro” em meio à confusão emocional e existencial.





UNDERWATER LOVE


Underwater Love” é mais tradicional, com uma pegada rock mais padrão, porém, com o peso característico do grupo.


A letra usa a ideia de “amor submerso” como imagem de entrega intensa e possivelmente sufocante — um contraste deliberado com o peso bruto das faixas anteriores.


THE MORNING AFTER


The Morning After” é uma música em que o baixo e os teclados estão bem proeminentes, formando uma ótima base para esta interessante canção.


O que poderia parecer uma simples canção pós-noite, aqui é envolto em questões de arrependimento, consequência e introspecção — como refletir sobre as escolhas feitas e suas ramificações.


WOODPECKER FROM MARS


Um interlúdio instrumental expansivo e atmosférico. Ao dispensar letras, a faixa atua como um descanso reflexivo dentro da energia densa do álbum.


Considerações Finais


Graças ao sucesso do single “Epic”, The Real Thing atingiu a 11ª posição da Billboard 200 bem como a 30ª colocação de sua correspondente britânica.


O primeiro single a ser lançado do álbum foi "From Out of Nowhere" em 30 de agosto de 1989, que não conseguiu entrar no UK Singles Chart. Foi relançado em 2 de abril de 1990 e alcançou a posição 23 na parada britânica.


Mike Bordin



Entre esses lançamentos estava "Epic" em 30 de janeiro de 1990, cujo videoclipe foi amplamente exibido na MTV ao longo do ano, apesar de ter provocado a raiva de ativistas dos direitos dos animais por uma cena em câmera lenta de um peixe saindo da água.


"Falling to Pieces" foi lançado em 2 de julho de 1990, antes do relançamento de "Epic", que se tornou seu único single entre os dez primeiros na Billboard Hot 100.


The Real Thing é um dos álbuns de maior sucesso do Faith No More até hoje. Atualmente é considerado um álbum clássico do metal por fãs e críticos. Embora lançado em meados de 1989, The Real Thing não entrou na Billboard 200 até fevereiro de 1990, após o lançamento do segundo single do álbum, "Epic".


A turnê de divulgação de The Real Thing foi a primeira turnê do Faith No More conduzida com Mike Patton. A banda começou a ser comercializada como metal pela mídia após o lançamento do álbum, e agora eles tocavam principalmente com outras bandas do gênero heavy metal. Artistas notáveis com os quais Faith No More se apresentou durante o ciclo da turnê incluem Metallica, Billy Idol, Soundgarden, Voivod, Sacred Reich, Forbidden, Primus, Babes in Toyland e Poison.


O segundo show da turnê foi filmado para o videoclipe de "From out of Nowhere" na boate I-Beam. Durante o show, Patton teve uma garrafa de cerveja quebrada na mão direita, causando lacerações em alguns tendões. Ele recuperou o uso da mão depois de curada, mas perdeu sensibilidade.


A turnê de divulgação do álbum durou de 1989 a 1991. Devido ao seu pequeno catálogo na época, a banda eventualmente se cansou de tocar as músicas de The Real Thing no final da turnê. Isso foi citado como uma das razões para a mudança de sonoridade em seu próximo álbum, Angel Dust.


Prêmios


  • 1º lugar na lista “Álbuns do Ano” Revista Kerrang, em 1989.

  • 20º lugar na lista “Álbuns do Ano” Revista Sounds, em 1989.

  • 27º lugar na lista “Álbuns do Ano” Revista Village Voice, em 1989.

  • 50º lugar na lista "Álbuns que você deve ouvir antes de morrer, da Kerrang, em 1998.

  • 64ª posição na lista “100 melhores álbuns de rock de todos os tempos", da Classic Rock, em 2001.

  • Está no livro 1001 álbuns que você deve ouvir antes de morrer.


Resta dizer que The Real Thing supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas, segundo estimativas, nos Estados Unidos.





Formação:

Mike Bordin – Bateria

Roddy Bottum – Teclados

Bill Gould – Baixo

James Martin – Guitarras

Mike Patton – Vocal


Faixas:

01. From Out of Nowhere (Patton/Gould/Bottum) - 3:22

02. Epic (Patton/Gould/Bottum/Martin/Bordin) - 4:53

03. Falling to Pieces (Patton/Gould/Bottum/Martin) - 5:15

04. Surprise! You're Dead! (Patton/Martin) - 2:27

05. Zombie Eaters (Patton/Gould/Bottum/Martin/Bordin) - 5:58

06. The Real Thing (Patton/Gould/Bottum) - 8:13

07. Underwater Love (Patton/Gould/Bottum) - 3:51

08. The Morning After (Patton/Gould/Bottum/Martin) - 3:43

09. Woodpecker from Mars (instrumental) (Martin/Bordin) - 5:40


Opinião do Blog:

The Real Thing é um importante álbum para a carreira do Faith No More, não há muitas dúvidas quanto a isto, especialmente por conter bem possivelmente sua canção mais conhecida, “Epic”.


Quem viveu o fim dos anos 80 e início dos anos 90 e tinha acesso à MTV sabe o quanto este videoclipe de “Epic” passou exaustivamente na MTV Brasil e o quanto o Faith No More era uma banda importante e reconhecida.


Penso que outra camada importante para se revelar a importância de The Real Thing – e não exatamente algo que me agrade – é que suas canções inegavelmente foram fontes de inspiração para o então incipiente New Metal que seria catapultado ao mainstream no meio da década de 1990 (veja entrevistas de membros do Korn e as afirmações de como os caras curtiam o disco).


Pessoalmente, eu não consigo ver The Real Thing como exatamente New Metal, mesmo que alguns elementos já estejam presentes. Inegavelmente o som funkeado e grooveado, muito por conta da excelente seção rítmica formada por Mike Bordin e Bill Gould são elementos distintivos do grupo.


Obviamente, a adição de um vocalista talentoso como Mike Patton elevou – e muito – o patamar da banda e seu modo de cantar, muitas vezes com fortes toques de Rap e Hip Hop, são outro diferencial e influência para o New Metal. As guitarras de James Martin são pesadas e intensas.


The Real Thing” é uma faixa pesada, intensa e conta com vocais bem articulados de Patton. “From Out of Nowhere” traz um excelente riff inicial, com pegada metálica e teclados afiados. “Falling to Pieces” segue a mesma dinâmica intensa de todo o disco.


Mas elegemos como nossas preferidas a porrada direta “Surprise! You're Dead!” e, claro, “Epic”, uma composição atemporal e um dos grandes clássicos do Rock em sua história.


Por fim, penso que ficou bem clara a qualidade de The Real Thing enquanto um disco criativo e inovador e também de sua importância e influência para o Rock e o Metal da década seguinte. Merece uma conferida.

0 Comentários:

Postar um comentário