Music from Big Pink é o álbum de estreia da carreira da banda canadense/americana chamada The Band, lançado oficialmente em 1º de julho de 1968 pelo selo Capitol. As gravações ocorreram naquele mesmo ano, nos estúdios A&R (NY) e Capitol (LA), ambos nos Estados Unidos. A produção ficou sob responsabilidade de John Simon.
Os membros da The Band incluíam o baixista/vocalista Rick Danko, o pianista/vocalista Richard Manuel, o organista Garth Hudson, o guitarrista Robbie Robertson e o baterista/vocalista Levon Helm.
Eles começaram a criar seu som distinto em 1967, quando improvisaram e gravaram (com Bob Dylan) um grande número de covers e material original de Dylan no porão de uma casa rosa em West Saugerties, Nova York, localizada na 56 Parnassus Lane.
A casa foi construída por Ottmar Gramms, que comprou o terreno em 1952. A casa foi construída pouco tempo antes de quando Rick Danko a encontrou para alugar. Danko foi morar com Garth Hudson e Richard Manuel em fevereiro de 1967. A casa ficou conhecida localmente como "Big Pink" por seu revestimento rosa. A casa foi posteriormente vendida por Gramms em 1977 e, desde 1998, é uma residência privada.
Amplamente contrabandeado na época, inicialmente como Great White Wonder em julho de 1969, algumas das gravações que Dylan e a The Band fizeram foram lançadas oficialmente em 1975, em The Basement Tapes, e depois na totalidade em 2014, em The Bootleg Series Vol. 11: The Basement Tapes Complete.
No final de 1967, a banda sentiu que era hora de sair da sombra de Dylan e fazer a sua própria declaração.
O disco
O empresário da banda, Albert Grossman (que também era empresário de Dylan), abordou a Capitol Records para garantir um contrato de gravação para um grupo ainda informalmente descrito como "a banda de apoio de Dylan".
Alan Livingston da Capitol assinou com a Band, inicialmente sob o nome de Crackers. Armados com a notícia de um contrato de gravação para o grupo, eles atraíram Levon Helm de volta das plataformas de petróleo onde trabalhava para a Woodstock, onde assumiu sua posição crucial na The Band, cantando e tocando bateria.
O retorno de Helm coincidiu com um aumento de atividade na Big Pink, já que a banda embrionária não apenas gravou com Dylan, mas também começou a escrever suas próprias canções.
Após se encontrar com o produtor John Simon, a banda começou a gravar seu álbum de estreia em Manhattan, no A&R Studios, nos primeiros meses de 1968. A banda gravou "Tears of Rage", "Chest Fever", "We Can Talk", "This Wheel's On Fire" e "The Weight" em duas sessões.
Robertson contou que quando Simon perguntou como eles queriam que soassem, eles responderam: "Exatamente como soava no porão".
A Capitol, satisfeita com a sessão de gravação inicial, sugeriu que o grupo se mudasse para Los Angeles para terminar a gravação de seu primeiro álbum no Capitol Studios. Eles também gravaram algum material no Gold Star Studios em Santa Monica Boulevard.
As músicas de Big Pink gravadas em Los Angeles foram "In A Station", "To Kingdom Come", "Lonesome Suzie", "Long Black Veil" e "I Shall Be Released".
Dylan se ofereceu para cantar no álbum, mas finalmente percebeu que era importante para a The Band fazer seu próprio trabalho. Em vez disso, Dylan marcou sua presença contribuindo com uma pintura para a capa.
Barney Hoskyns escreveu que é significativo que a pintura retrate seis músicos. A capa de Music from Big Pink pretendia estabelecer o grupo como tendo uma visão diferente da cultura psicodélica de 1968.
O fotógrafo Elliott Landy voou para Toronto para fotografar as famílias Danko, Manuel, Robertson e Hudson reunidas na granja Danko. Foi inserida uma foto de Diamond e Nell Helm, que moravam em Arkansas. A foto apareceu na capa com a legenda "Parente mais próximo". O design geral da capa é de Milton Glaser (que também fez o pôster que acompanha o Greatest Hits de Bob Dylan de 1967).
Vamos às faixas.
TEARS OF RAGE
Uma canção linda, intimista, e com atuação incrível dos vocais de Richard Manuel.
A letra — originalmente escrita por Bob Dylan e musicada por Richard Manuel — evoca um lamento quase shakespeariano sobre expectativas frustradas e dor pelo distanciamento de quem se amou.
TO KINGDOM COME
Manuel e Robertson dividem os vocais nesta canção roqueira, a qual evoca a psicodelia.
Liricamente, há referências — implícitas — à queda e passagem de um estado elevado a um inferior, evocando imagens de julgamento e transformação.
IN A STATION
“In a Station” é uma bela balada, cantada por Manuel, de maneira mais contida e emocional.
Liricamente, o protagonista espera por algo indefinido numa estação, refletindo sobre perdas e destinos que se cruzam.
CALEDONIAN MISSION
Uma espécie de mistura gospel e folk, “Caledonian Mission” tem bons vocais de Danko.
Robertson evoca uma jornada em direção à redenção ou a um destino nomeado ‘Caledonia’ — podendo ser interpretada como uma metáfora para busca interior ou espiritual.
THE WEIGHT
Um grande clássico do Rock, conta com vocais incríveis de Helm e Danko. Uma musicalidade envolvente e atmosférica, evocando ecos de Blues. Fantástica.
Escrita por Robertson, a letra narra a chegada de um viajante numa cidade fictícia chamada Nazareth, onde ele encontra personagens simbólicos e é pedido para resolver problemas — “carregar o peso” dos outros.
A faixa, que foi um single para a promoção do álbum, alcançou os 63º e 21º lugares nas principais paradas dos Estados Unidos e do Reino Unido, respectivamente.
WE CAN TALK
Liderada pelos teclados de Manuel, a suave “We Can Talk” é bem divertida.
A letra é quase um tratado sobre comunicação, amizade e o diálogo como reconciliação e conexão.
LONG BLACK VEIL
Uma versão maravilhosa para a canção originalmente gravada pelo artista country Lefty Frizzell, contando com boa interpretação de Danko.
A letra conta a história de um homem condenado à morte que recusa provar sua inocência para manter seu amor em segredo, evocando mistério, perda e fidelidade trágica.
CHEST FEVER
Com vocais de Manuel, esta é uma das músicas mais intensas da obra, liderada por riffs intensos e um órgão poderoso.
A letra é menos linear, funcionando mais como um complemento hipnótico à performance.
LONESOME SUZIE
Esta canção é bem contida e introspectiva, contando com bons vocais de Manuel, uma balada com ecos gospel.
A letra é sobre um personagem (Suzie) isolado emocionalmente, em que o narrador tenta estar ao seu lado, mas percebe que não pode resgatá-la de sua tristeza.
THIS WHEEL’S ON FIRE
Uma das faixas mais enigmáticas do conjunto, escrita no período das Basement Tapes, por Bob Dylan e Danko. A versão do The Band é de arrepiar!
Liricamente, explora imagens de mudança, caos e fatalidade iminente — como se algo inevitável estivesse se aproximando, girando como uma roda em chamas.
I SHALL BE RELEASED
Manuel é a voz principal de uma grande canção de Dylan, mais contida e com forte pegada folk.
A letra é uma poderosa reflexão sobre prisão — literal e metafórica — e libertação espiritual
Considerações Finais
A recepção inicial do álbum foi positiva. Recebeu elogios pela qualidade orgânica da instrumentação, que foi gravada ao vivo sem overdubbing. Na Rolling Stone, houve a crítica entusiasmada de Al Kooper sobre Big Pink. Robert Christgau ficou menos entusiasmado no The Village Voice.
Em 1968, "The Weight" alcançou a posição 63 na parada de singles Hot 100 da Billboard nos EUA. A música foi um sucesso maior em outros lugares, alcançando a 35ª posição no Canadá e a 21ª posição no Reino Unido.
O álbum alcançou a 18ª posição no Canadá e alcançou a 30ª posição na parada de álbuns pop da Billboard em 1968, e então voltou a alcançar o 8º lugar na parada de álbuns da Internet em 2000.
"The Weight" ganhou grande popularidade pela apresentação da banda em 17 de agosto de 1969, no Woodstock, e parcialmente devido à sua inclusão no filme Easy Rider, embora tenha sido omitido da trilha sonora por questões de licenciamento.
A sensação descontraída do álbum atraiu a atenção de outros grandes artistas. Por exemplo, Eric Clapton cita o estilo rock de raiz do álbum como o que o convenceu a sair do Cream e a envolver Delaney, Bonnie e amigos como "Derek and the Dominos" em seu primeiro álbum solo.
George Harrison também ficou impressionado com a musicalidade e o senso de camaradagem do álbum, e Roger Waters do Pink Floyd o chamou de o segundo "disco mais influente na história do rock and roll", depois do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, e disse que isso "afetou profundamente o Pink Floyd". De acordo com Terry Burrows, o álbum gerou o gênero americana, enquanto o acadêmico musical Chris Smith disse que suas canções lançaram as bases para o roots rock.
Prêmios
Music from Big Pink foi eleito a posição 452 na terceira edição do All Time Top 1000 Albums de Colin Larkin (2000).
Em 2003, ficou em 34º lugar na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da Rolling Stone, uma classificação que manteve na lista revisada de 2012 da revista, antes de cair para o número 100 em uma lista revisada de 2020.
Segundo algumas estimativas, Music from Big Pink supera a casa de 500 mil cópias vendidas apenas nos EUA.
Formação:
Rick Danko – Baixo, Violino, Vocal
Levon Helm – Bateria, Pandeiro, Vocal
Garth Hudson – Órgão, Piano, Clavinete, Saxofones
Richard Manuel – Piano, Órgão, Vocal
Robbie Robertson – Guitarras, Vocal
Faixas:
01. Tears of Rage (Dylan/Manuel) - 5:23
02. To Kingdom Come (Robertson) - 3:22
03. In a Station (Manuel) - 3:34
04. Caledonia Mission (Robertson) - 2:59
05. The Weight (Robertson) - 4:34
06. We Can Talk (Manuel) - 3:06
07. Long Black Veil (Wilkin/Dill) - 3:06
08. Chest Fever (Robertson) - 5:18
09. Lonesome Suzie (Manuel) - 4:04
10. This Wheel's on Fire (Dylan/Danko) - 3:14
11. I Shall Be Released (Dylan) - 3:19
Opinião do Blog:
Depois de deixar o acompanhamento do lendário Bob Dylan, a The Band pode explorar todo seu potencial ao seguir seu próprio caminho.
Mergulhando na música Country e nas raízes do Rock ‘n’ Roll, o grupo construiu seu clássico Music from Big Pink, um álbum extremamente influente e que, de sua própria maneira, transformou o estilo Rock.
Muito se deve aos seus excelentes músicos, todos muito talentosos. Imagino que o tempo que o grupo trabalhou com um músico como Bob Dylan, um dos maiores artistas do século XX, elevou a capacidade musical da The Band a níveis que os próprios caras não sabiam que possuíam.
Embora, como afirmei, todos sejam músicos muito bons, destaco a capacidade criativa do guitarrista Robbie Robertson e sua abordagem nas guitarras, bem como os vocais cativantes de Richard Manuel.
Faixas como “Lonesome Suzie”, “This Wheel's on Fire” e “I Shall Be Released” são exemplos de canções suaves e cativantes. Há a lindíssima “Tears of Rage” e minha predileta, a espetacular “The Weight”.
Enfim, não há muito a que se dizer. Apenas conheça a The Band e ouça, muito, o Music from a Big Pink.




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