Wolfmother é o álbum de estreia da banda australiana de mesmo nome. O lançamento oficial aconteceu em 31 de outubro de 2005, pelo selo Modular. As gravações se deram no Sound City, em Los Angeles, Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Dave Sardy.
O Wolfmother é uma banda australiana de rock, oriunda de Sydney. Formado em 2004, o grupo é centrado no vocalista e guitarrista Andrew Stockdale, que é o único membro constante da formação.
A gênese do Wolfmother começou em 2000, quando os membros fundadores Andrew Stockdale, Chris Ross e Myles Heskett começaram a tocar juntos, antes de formar oficialmente a banda em 2004.
Antes disso, Stockdale era fotógrafo, Ross trabalhava com mídia digital e Heskett trabalhava como designer gráfico. Ross surgiu com o nome da banda.
A primeira apresentação ao vivo da recém-batizada Wolfmother aconteceu em 14 de abril de 2004, no Vic in the Park, um pub em Sydney. O grupo assinou contrato com o selo independente australiano Modular Recordings em agosto de 2004, com quem lançou seu primeiro EP autointitulado, Extended Play (EP) Wolfmother, no mês seguinte. O EP alcançou a 35ª posição na parada australiana.
A banda excursionou para promover o lançamento por aproximadamente seis meses, período durante o qual assinou um contrato de gravação internacional com o Universal Music Group.
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| Andrew Stockdale |
Depois de produzir uma demo para a Interscope Records, da Universal, em Sydney, o Wolfmother começou a gravar seu primeiro álbum de estúdio na Califórnia com o produtor Dave Sardy, em maio de 2005.
O disco
A banda ensaiou durante seis semanas no Cherokee Studios, antes de gravar no Sound City, Pass e Sunset Sound Studios. Sardy adotou uma abordagem minimalista para a produção, com o objetivo de capturar a natureza "crua e emotiva" dos shows ao vivo da banda e priorizando "o sentimento perfeito" em vez de uma "atuação impecável".
Contribuintes adicionais para o disco incluíram Lenny Castro (percussão), Dan Higgins (flauta) e o próprio Sardy (percussão). "Mind's Eye" foi lançado como o primeiro single do próximo álbum em 16 de outubro de 2005.
Na realidade, seis singles foram retirados do álbum de estreia de Wolfmother: "Mind's Eye" (com "Woman"), "White Unicorn", "Dimension", "Woman", "Love Train" e "Joker & the Thief", o último dos quais alcançou sucesso o mais alto, no oitavo lugar da parada australiana de singles.
| Chris Ross |
A capa do álbum, retirada de The Sea Witch, de Frank Frazetta, mostra uma ninfa parada contra um céu azul/laranja, sobre uma rocha, embora por exibir nudez o álbum seja vendido nas lojas Wal-Mart com uma capa alternativa apresentando simplesmente o logotipo branco da banda contra um fundo preto.
É o único álbum com os membros cofundadores Chris Ross e Myles Heskett, que deixaram a banda em agosto de 2008.
DIMENSION
“Dimension” é um rock pesado, embora mais cadenciado, abrindo o trabalho com intensidade.
A letra evoca expansão e isolamento existencial (“cair no deserto”, buscando escrever algo). Musicalmente, simboliza a jornada interior que perpassa o disco.
A canção foi um singles do álbum, mas não repercutiu nas principais paradas de sucesso.
WHITE UNICORN
“White Unicorn” é um Hard Rock vigoroso, com ótimos vocais e muita potência.
A imagem do “unicórnio branco” sugere busca de pureza ou transcendência. Psicodélico em sua execução, a canção equilibra metáforas com grooves intensos.
Foi um single do disco, mas não alcançou posições de maiores destaques.
WOMAN
“Woman” é rápida e intensa e, aos meus ouvidos, possui influências de Kiss.
Possui uma letra direta sobre fascinação e desejo. A simplicidade lírica combina com a melodia pegajosa.
Talvez seja o single de maior sucesso do trabalho, mas repercutiu apenas em paradas secundárias.
WHERE EAGLES HAVE BEEN
“Where Eagles Have Been” é uma canção que se inicia de modo mais tranquilo, mas depois vai ganhando potência e se encerra com um solo de guitarra muito empolgante.
Essa faixa traz uma abordagem lírica mais abstrata — sugerindo reflexão sobre jornadas, liberdade e lugares místicos (“onde as águias estiveram”).
APPLE TREE
Em “Apple Tree”, o grupo aposta em uma estrutura que intercala momentos calmos com agitação.
A letra evoca imagens naturais com um tom menos místico e mais terreno, quase rústico, e pode ser interpretada tanto como reflexão sobre simplicidade quanto como metáfora de tentação e desejo.
JOKER & THE THIEF
“Joker & the Thief” é um hard rock intenso, mas com um viés alternativo, contando com a guitarra bem afiada.
Conta com uma narrativa melódica com referências quase folclóricas — o “bobo da corte” e o “ladrão” como figuras ambíguas — que representam caos e rebeldia.
Foi lançada como single, mas não obteve destaque significativo.
COLOSSAL
O riff de “Colossal” é cativante, lento e pesado, em uma espécie de stoner muito especial.
Aborda temas de grandiosidade e intensidade — seja emocional, social ou metafórica — refletindo o próprio título.
MIND’S EYE
Composição maiúscula, uma balada poderosa, sentimental e extremamente comovente.
Aqui o foco recai sobre a percepção interior e imagética mental (“olho da mente”), sugerindo uma exploração introspectiva de consciência e visão expandida.
Mais um single, com repercussão na Austrália.
PYRAMID
“Pyramid” é um hard rock excelente, com alguns toques, digamos, orientais na guitarra e ótimos vocais.
Com referências a símbolos antigos (pirâmides), a letra joga com a ideia de estruturas imponentes e mistérios antigos, enquadrando-se no clima místico que atravessa o álbum.
WITCHCRAFT
“Witchcraft” possui passagens com flautas e cuja melodia remete imediatamente ao Jethro Tull.
A letra e o som sugerem invocação e energia carnal, num sentido clássico de “magia” aplicada a relações humanas.
TALES
“Tales” possui uma pegada mais calma, sendo uma balada que também evoca o Tull dos anos 1970.
As letras sugerem histórias contadas ao redor da fogueira — mitos pessoais ou coletivos, reforçando a estética folclórica e trippy do disco.
LOVE TRAIN
“Love Train” é pesada, possuindo um toque modernoso (para a época), embora seu ritmo seja bom.
A metáfora do “trem do amor” é conjurada para representar movimento, conexão e união emocional.
Mais um single com pouca repercussão nas principais paradas de sucesso.
VAGABOND
“Vagabond” encerra o trabalho com um “hard zeppeliano”, com uma mescla de melodia e potência.
Como faixa de encerramento, Vagabond evoca um espírito nômade, livre e um pouco solitário — reflexo ideal para fechar um álbum que constantemente fala de jornadas, misticismo e identidade interior.
Considerações Finais
Wolfmother foi lançado pela primeira vez na Austrália em 30 de outubro de 2005 pela Modular Recordings. Antes de seu lançamento, foi tocado em alta rotação na estação de rádio Triple J e, como resultado, foi o álbum de destaque da semana a partir de 28 de outubro, vencendo o prêmio J Award inaugural e o sendo escolhido como álbum do ano pelos ouvintes.
| Myles Heskett |
Também contribuiu com um total recorde de seis músicas para a parada Hottest 100 (australiana), das quais a mais alta foi "Mind's Eye" na 6ª posição. Em 2007, o álbum foi certificado cinco vezes platina e alcançou a posição número 3.
Para
o lançamento internacional do álbum, a lista de faixas foi
ligeiramente ajustada e "Love Train", anteriormente lançada
como lado B de "White Unicorn", foi adicionada.
O disco não foi tão bem recebido no Reino Unido e nos EUA como na Austrália, embora Wolfmother ainda tenha conseguido alcançar o número 25 e o número 22, respectivamente.
Após seu lançamento, Wolfmother recebeu críticas principalmente positivas dos críticos. Foi eleito o 15º melhor álbum de 2006 pela revista Rolling Stone. O som do álbum foi comparado ao de bandas de hard rock e heavy metal dos anos 1960 e 1970, como Led Zeppelin e Black Sabbath. bem como bandas mais modernas, incluindo Queens of the Stone Age e The White Stripes, embora isso tenha levado alguns críticos a acusarem o trio de copiar tais bandas.
A Q foi um pouco menos crítica, descrevendo a música como "longe da ciência dos foguetes, mas mesmo assim muito divertida". A Total Guitar deu ao álbum 9/10, descrevendo-o como "maravilhoso", acrescentando que "não pode deixar de te surpreender". A Record Review também elogiou a banda e sua estreia, comentando que se eles "continuarem a produzir músicas épicas e riffs memoráveis, não há dúvida de que estarão na vanguarda do rock and roll nos próximos anos".
Lars Ulrich, do Metallica, ficou registrado como um grande fã desta estreia, notando que ela foi "incrível" e que após seu lançamento, ele a ouviria "todos os dias".
Segundo estimativas, o álbum vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo.
Formação:
Andrew Stockdale – Vocal, Guitarra
Chris Ross – Baixo, Teclados
Myles Heskett – Bateria
Músicos adicionais:
Lenny Castro – percussão em "Apple Tree", "Witchcraft" e "Love Train"
Dan Higgins – flauta em "Witchcraft"
Faixas:
Todas as faixas creditadas aos 3 membros do grupo.
01. Dimension - 4:21
02. White Unicorn - 5:04
03. Woman - 2:56
04. Where Eagles Have Been - 5:33
05. Apple Tree - 3:30
06. Joker & the Thief - 4:40
07. Colossal - 5:04
08. Mind's Eye - 4:54
09. Pyramid - 4:28
10. Witchcraft - 3:25
11. Tales - 3:39
12. Love Train - 3:03
13. Vagabond - 3:50
Opinião do Blog:
Como nasci ainda no século XX, tendo a ver bandas que surgiram no século XXI como novas, mas este disco de estreia do Wolfmother já vai completar 20 anos de lançamento: como o tempo passa rápido.
A realidade é que o trio original do Wolfmother bebeu nas fontes setentistas e isto fica muito evidente neste álbum. A influência principal e mais notória é evidentemente o Led Zeppelin de álbuns como o Led Zeppelin II, muito embora a presença constante de teclados também remeta ao Deep Purple.
Outra influência setentista que se pode perceber, entretanto de forma menos onisciente, é de bandas como o Jethro Tull, seja em faixas em que elas são gritantes (a flauta de “Witchcraft”), ou em composições fantasiosas e elaboradas como “Tales”.
Como uma possível influência moderna (para 2005, diga-se), o som do Wolfmother tem uma inegável pegada Stoner, que me remeteu particularmente ao ótimo Queens of the Stone Age, e a fusão de todas elas gera uma sonoridade única ao trabalho.
A pesada base criada por Chris Ross e Myles Heskett, muitas vezes “sabática”, proporcionam que a guitarra de Stockdale seja protagonista. Stockdale também brilha com ótimos vocais.
A inspirada “Pyramid” é um destaque com a bateria de Heskett ditando o ritmo acelerado. “White Unicorn” é bem zeppeliana enquanto a prog “Witchcraft” consegue contagiar com estilo diferente.
Mas nossas preferidas ficam com a ótima e ascendente “Where Eagles Have Been” e com “Mind’s Eyes”, uma balada extradimensional e uma das mais incríveis músicas dos anos 2000.
Embora a produção me soe como excessivamente crua, Wolfmother é um dos melhores álbuns de Hard Rock do século XXI. Pena que a banda jamais conseguiu chegar próxima a esta excelência em seus trabalhos posteriores.




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