19 de julho de 2023

NAZARETH - 2XS (1982)

 


2XS é o décimo terceiro álbum de estúdio da banda escocesa Nazareth. Seu lançamento oficial aconteceu em fevereiro de 1982, através do selo A&M Records. A produção ficou a cargo de John Punter.


O Nazareth é uma ótima banda da cena Hard Rock setentista. O Blog vai passar um pouco pelos fatos que antecederam ao lançamento do disco para depois avaliar se vale, ou não, conferir este trabalho mais alternativo da banda.


O Nazareth adentrou os anos 80 com um novo disco gravado, Malice in Wonderland, lançado em fevereiro de 1980.


Entre faixas marcantes do trabalho encontram-se “Heart's Grown Cold” e “Ship Of Dreams”, além do single “Holiday”.


Todas contribuíram para que o álbum alcançasse a 41ª posição da principal parada norte-americana. Além disso, acabou atingindo a 19ª posição na parada canadense e a 9ª, na correspondente norueguesa.


Aliás, no Canadá o álbum teve bom sucesso comercial, ultrapassando a marca de 40 mil cópias vendidas.


Depois de uma longa turnê americana para promover o disco, a banda voltou para casa para descobrir que a sua empresa de gestão, 'Mountain', estava altamente endividada e prestes a falir.


Dan McCafferty



Então, durante semanas a fio, em vez de ensaiar, o baixista Pete Agnew e o baterista Darrell Sweet foram ao telefone, em tempo integral, conversando com empresários e apenas, desesperadamente, tentando evitar um colapso.


Segundo a banda, o guitarrista Zal Cleminson só queria tocar - dia e noite - e não conseguia lidar com todas as dificuldades financeiras, culminando com a decisão de abandonar o Nazareth para formar sua própria banda, a Tandoori Cassette, que nunca decolou.


Já em 1981, The Fool Circle foi lançado em fevereiro, sendo o primeiro álbum do Nazareth pela NEMS Records.


O álbum conquistou apenas a 60ª posição da parada britânica, com a 70ª posição na correspondente norte-americana.


A banda registrou o trabalho como um quarteto, com o tecladista John Locke, ex-Spirit, preenchendo o som em algumas faixas. A sonoridade se afastou da pegada mais americanizada e comercial (de Malice In Wonderland), e, apostou, em uma mescla de rock, reggae e blues, com algumas letras políticas e sociais.


Pete agora reflete "The Fool Circle foi uma experiência diferente para nós, eu acho. Nós o escrevemos separadamente - Dan (McCafferty, o vocalista) e eu compusemos a metade dele e Manny (Charlton, o guitarrista) fez o resto".


Mesmo assim, há faixas ao menos interessantes no trabalho: a mais tradicional “Dressed To Kill”, a reggae “Let Me Be Your Leader” e o cover, ao vivo, da clássica “Cocaine”, de JJ Cale, eternizada por Eric Clapton.


Pete Agnew



Novamente, foi no Canadá que o álbum se deu melhor, ultrapassando a casa de 40 mil cópias vendidas, como seu antecessor.


Depois de The Fool Circle, um jovem e respeitado guitarrista e compositor de Glasgow, que havia tocado na banda de Cleminson, foi recrutado. Seu nome era Billy Rankin.


Em torno do mesmo tempo, John Locke estava ansioso para juntar-se ao Nazareth, e, assim, próximo ao novo lançamento do grupo, um álbum duplo, ao vivo, em doses altíssimas de energia, Snaz (1981), O Nazareth tornou-se uma 'orquestra de 6 peças', segundo Dan e Pete.


Snaz foi gravado em Vancouver, em maio de 1981, contando com uma banda de 6 membros. O álbum contava com vários clássicos do conjunto escocês e mais alguns clássicos do rock, como a já citada “Cocaine” e “Tush”, do ZZ Top, as quais ajudaram a fazer do disco um grande sucesso internacional, incluindo comercialmente.


Snaz atingiu a 83ª colocação da parada norte-americana, com a 78ª posição na correspondente britânica. Além disso, faz parte da lista The 500 Greatest Rock & Metal Albums of All Time, da Revista Rock Hard, na 453ª posição.


Manny Charlton



A banda também gravou um vídeo ao vivo em Houston, Texas on the Tour, um grande show ao vivo com entrevistas do conjunto.


O próximo passo, já em 1982, seria um novo álbum: 2XS.


Vamos às faixas:


LOVE LEADS TO MADNESS


Embora com algum toque moderno (para a época), esta faixa contém reminiscências do som mais clássico do grupo.


A letra possui conotação romântica:


We've been up all night
Tryin' to avoid a situation
Hold me, let me feel your way
'Cause I wanna stay
Let them all start talkin'
We won't give ourselves away





Lançada como single, conquistou a modestíssima 105ª posição da parada norte-americana desta natureza, ficando com a 44ª colocação na correspondente canadense.


BOYS IN THE BAND


Boys in the Band” é mais roqueira e mais direta, um Hard Rock mais vigoroso, com ótimos vocais de Dan.


A letra exalta a própria banda:


Hey, you, who are you talkin' to
Hey, boy, haven't you heard the news
No one can fight more than these boys
No one can bite more than these boys


YOU LOVE ANOTHER


You Love Another” tem um toque reggae, mas fica por isto.


A letra fala de sofrimento romântico:


Don't make me cry she said
Just let me die she said
Kiss me goodbye she said


GATECRASH


A pegada mais rockabilly de “Gatecrash” é um ponto alto do disco.


A letra menciona abuso de um estilo de vida:


Gatecrash, Gatecrash
Get Yourself Ready For A Real Bash
Hide Your Ladies,'cause We'll Be Talkin' Trash
Snort Your Cocaine, Smoke Your Grass
So Get Yourself Ready For Our Gatecrash


GAMES


Games” é uma canção mais contida em que os vocais são o destaque novamente.


A letra possui sentido de uma censura:


Can't you see
We are not going to play at your games
We are not going to ask you for names
Or for part of your history
Did you know
That your father said it's all wrong
Just to keep it going along
It's a part of our mystery
It's our job you see


Lançada como single, não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.


BACK TO THE TRENCHES


Back to the Trenches” é mais roqueira e mais pesada.


A letra é uma forte crítica à guerra como a civil do Camboja, nos anos 70:


Presidents and peace spreading poets
Getting gunned down in the streets
Shown to us on our prime time screens
For our tea time treat
Lunatics we voted for denying
Everything that they swore
We sit around and shout about it
But we don't do nothing more


DREAM ON


Dream On” é uma balada bonita, com atuação impecável dos vocais de Dan.


A letra é sobre sofrimento amoroso:


You can laugh at me because I'm crying
You can tell your friends how much I begged you to stay
You can live your fantasy without me
But you'll never know how much I needed you





Foi o principal single do álbum. Embora não tenha repercutido como single nos Estados Unidos e Reino Unido, fez grande sucesso na Europa Central. Ficou em 2º lugar na parada suíça, 4º na austríaca e 15º na parada alemã.


É considerada um dos principais hits da discografia do Nazareth.


LONELY IN THE NIGHT


Lonely in the Night” é um rock com veia pop mais simples.


A letra é sobre solidão:


I'm runnin' tired of this deception
I have no wish to play this game
Too many times a bad connection
And you're still holding me away
We're living under false pretenses
Foolin' ourselves, believe the lies
I could not take one more rejection
You wanted more but would not try


PRESERVATION


Preservation” flerta com uma sonoridade mais oitentista, orientada ao pop.


A letra fala sobre a vida noturna:


They're Linin' Up To Make Their Entrance
When The Word's Out I'm In Town, They're Not Nice Girls
But That's Alright
They're Lookin' So Much Better When The Lights Go Down
But Nice Girls Is Just A Frame Of Mind


TAKE THE RAP


A roqueira “Take the Rap” traz um gás muito bem-vindo ao disco.


A letra remete ao processo de envelhecer:


It was lined up on the mirror
And you just started shavin'
Didn't know what you were smokin'
Cigarette came from a friend
Judge said you're delinquent
You don't want to think it
So you put your head down, started servin' time


MEXICO


Mexico” é uma faixa baseada nos teclados, bem bonita.


A letra se refere ao país latino como um refúgio:


Cold As Stone My Eyes Fall On Another
Just Another Name That's Runnin' Through My Mind
At Your Request I'll Do Whatever You Require
You Give Me The Light, I Supply The Fire


Considerações Finais


Embora a faixa “Dream On” tenha causado algum barulho, o disco passou longe em ser um grande sucesso comercial.


2XS acabou atingindo a modestíssima 122ª posição na principal parada de álbuns dos Estados Unidos. Entretanto conquistou as 74ª, 42ª e 9ª colocações nas paradas de Canadá, Alemanha e Noruega; respectivamente.


O single “Dream on” até vendeu bem nos Estados Unidos e Europa, ampliando a já extensa agenda de shows da banda.


Apesar de “Dream On” ser um sucesso assemelhado com "Love Hurts", especialmente na Alemanha e na Europa continental, 2XS surpreendentemente foi sequer lançado na Grã-Bretanha, graças a um processo legal com sua nova gravadora, a NEMS.


Locke deixou o Nazareth porque ele não suportava Jim White, que agora era o manager da banda.


Donald A. Guarisco, do AllMusic, deu ao álbum 3 estrelas, de um máximo de 5, relatando: “é um álbum que cria uma fusão eficaz e personalizada de elementos de Hard Rock e AOR. Pode não conter o suficiente destes estilos para os seus fãs mais puristas, mas os fãs do Nazareth e os fãs de Rock mais aventureiros vão encontrar muita coisa para apreciar em 2XS”.


O grupo lançaria Sound Elixer, seu próximo álbum de estúdio, em 1983.





Formação:

Dan McCafferty - Vocal

Manny Charlton - Guitarra

Pete Agnew - Baixo, Backing Vocals

Billy Rankin - Guitarra, Backing Vocals

Darrell Sweet - Bateria, Percussão, Backing Vocals

John Locke – Teclados


Faixas:

01. Love Leads to Madness (Agnew/Charlton/McCafferty/Sweet/Rankin) - 4:08

02. Boys in the Band (Agnew/Charlton/McCafferty) - 3:06

03. You Love Another ( Agnew/Charlton/McCafferty/Sweet/Rankin) - 3:58

04. Gatecrash (Charlton/McCafferty/Sweet/Rankin) - 3:19

05. Games ( Agnew/Charlton/McCafferty/Sweet/Rankin) - 4:48

06. Back to the Trenches (Agnew/Charlton/McCafferty) - 4:02

07. Dream On ( Agnew/Charlton/McCafferty/Sweet/Rankin) - 3:28

08. Lonely in the Night (Agnew/Charlton/Sweet/Rankin) - 4:21

09. Preservation (Agnew/Charlton/McCafferty) - 4:02

10. Take the Rap ( Agnew/Charlton/McCafferty/Sweet/Rankin) - 2:42

11. Mexico (Agnew/McCafferty/Sweet/Rankin) - 2:53


Letras:

Para conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/nazareth/


Opinião do Blog:

2XS é um álbum interessante sob a perspectiva de uma banda que sai da zona de conforto e se arrisca.


Embora os seus melhores momentos ainda sejam na área de atuação do Nazareth, como na diretaça “Boys in the Band” ou na superbalada “Dream On”, o grupo se arrisca por diferentes abordagens, com resultados também diversos. Acerta em cheio na Rockabilly “Gatecrash”, enquanto traz uma faixa quase catastrófica quanto “You Love Another” ou uma insípida como “Preservation”.


Mesmo com estes contrapontos, o grupo merece créditos por tentar novas abordagens e se arriscar. Há que se destacar o vocalista Dan McCafferty, cantando excepcionalmente em qualquer tipo de sonoridade.


Portanto, fãs mais puristas certamente vão torcer o nariz para 2XS, mas é um álbum diferente e diversificado, que merece ao menos uma ouvida curiosa.

2 comentários:

  1. Um bom disco de uma banda que, apesar de alguns escorregões, conseguiu manter uma carreira honesta e decente ao longo dos anos. "2XS" foi um dos primeiros discos que ouvi quando redescobri o Nazareth nos anos 80 (meu irmão mais velho adorava a banda e tinha o "RazAmaNaz", o "Rampant" e o "Hair of the Dog", mas não lembrava de muita coisa deles quando comecei a ouvir a banda na adolescência), e de cara me chamou a atenção por "Love Leads to Madness" - até hoje uma das minhas favoritas da banda. Gosto muito de "Dream On", bem como de "Back to the Trenches", mas até hoje não consigo gostar de "Games" - as outras são quase todas muito gostosas de ouvir. Pensar que o Pete Agnew é o único sobrevivente da banda original faz doer o coração - e Manny Charlton é, para mim, um guitarrista injustamente esquecido; talvez não seja muito impressionante em termos dos solos, mas os riffs dele são magistrais! Bela recuperação.
    Em tempo: "'SNaz" é um dos melhores discos ao vivo do começo dos anos 80!

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    1. Ótimo comentário, Marcello. Obrigado por contribuir com o post. Em tempo: assino embaixo o comentário sobre o Manny. Abraço.

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