1 de fevereiro de 2015

WHITE LION - PRIDE (1987)


Pride é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana chamada White Lion. Seu lançamento oficial aconteceu em 21 de junho de 1987, através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram naquele mesmo ano. A produção ficou a cargo de Michael Wagener.

O White Lion é mais uma banda norte-americana de Hard Rock a aparecer no Blog, também representando o estilo Glam Metal. O Blog, como de costume, vai passear um pouco pela história da banda antes de se concentrar no álbum propriamente dito.


As origens do White Lion estão no ano de 1983, na cidade de Nova York, Estados Unidos, quando o vocalista dinamarquês Mike Tramp e o guitarrista norte-americano Vito Bratta decidiram formar uma banda.

Depois de se mudar da Dinamarca para a Espanha e, em seguida, para New York City, o vocalista Mike Tramp (anteriormente das bandas Mabel, Studs e Danish Lions) se encontrou com o guitarrista Vito Bratta (ex-Dreamer) em 1983.

Logo depois, eles decidiram montar uma nova banda e para tal recrutaram o baterista Nicki Capozzi e o baixista Felix Robinson (ex-Angel), batizando o grupo de White Lion.

White Lion rapidamente assinou um contrato com a Elektra Records em 1984, gravando seu primeiro álbum, Fight To Survive.

No entanto, a Elektra ficou insatisfeita com o resultado final da gravação, e após se recusar a lançar o álbum, rescindiu o contrato com a banda.

Ambos, Capozzi e Robinson, logo deixaram o grupo. Nicki Capozzi foi substituído pelo ex-baterista do Anthrax, Greg D'Angelo, e Felix Robinson foi substituído pelo baixista Dave Spitz (irmão do guitarrista do Anthrax, Dan Spitz).

Mike Tramp
Em torno de um mês após se juntar ao White Lion, Dave Spitz deixa o conjunto (aceitando um convite para tocar baixo com o Black Sabbath), sendo substituído por James Lomenzo.

O álbum Fight To Survive acabou sendo regravado com a nova line-up e foi lançado no Japão pela RCA Records, em 1984. O pequeno selo independente norte-americano, Grand Slam Records, finalmente lançou o disco nos Estados Unidos, em 9 de novembro de 1985.

Poucos meses depois, a Grand Slam Records decretou falência.

Fight To Survive alcançou o número 151 na principal parada norte-americana, a Billboard, e contou com a estreia do primeiro single e videoclipe da banda, para a música “Broken Heart”.

No início de 1986, o White Lion, com um membro feminino fictício (interpretado por Louise Robey), teve um breve papel no filme The Money Pit (no Brasil, “Um Dia a Casa Cai”), estrelado por Tom Hanks e Shelley Long.

No início de 1987, a banda assinou contrato com a Atlantic Records.

Vito Bratta
Logo depois, o grupo se reuniu para compor e gravar o seu segundo álbum de estúdio, que viria a se tornar Pride. O processo de gravação do disco acabou durando cerca de 6 semanas.

O álbum tem uma capa simples, com a face de um leão branco. Vamos às músicas:

HUNGRY

Um riff muito pesado e intenso marca o início de "Hungry". A bateria de Greg D'Angelo está bastante presente, mas o maior destaque é realmente a guitarra de Vito Bratta, brilhante. A sonoridade é o típico Hard oitentista dos Estados Unidos. Um início de altíssimo nível para o álbum Pride!

A letra tem teor sexual:

keep your engine running high
when you take my love inside
but hold the trigger on my loaded gun
baby take off of your leather
and show me all your lace
gimme loving one thousand ways



LONELY NIGHTS

Uma suave melodia introduz um riff pesado, mas desta feita em um andamento mais cadenciado, embora, simultaneamente, repleto de melodia. A atuação de Mike Tramp nos vocais cativa e é decisiva para o sucesso final da composição. Outra música bem acima da média.

A letra mostra alguém que sofre por amor:

and somewhere in the night
there's a little cry
a girl who says
hey I wanna die
there's no one here who really cares
but if there's someone here who understands
just someone here who'll try to lend a hand
and bring her home tonight, tonight



DON'T GIVE UP

"Don't Give Up" é uma faixa bem direta, com ritmo e andamento acelerado, em especial devido a um riff inspirado guiado pela guitarra de Vito Bratta. Os vocais de Tramp se casam perfeitamente com a sonoridade proposta. Boa canção.

A letra pode ser interpretada como uma motivação para se adentrar à vida adulta:

making money you never have enough
neverending bills are building up
and the tax man stalking at your door
never giving always wanting more
you feel like changing the times
to get some peace in your mind



SWEET LITTLE LOVING

Já em "Sweet Little Loving", o ritmo é mais leve e cheio de melodia, com uma pegada Hard Rock mais evidente, comum ao estilo Glam Metal, fato este que torna a faixa diferente das anteriores presentes no disco. Porém, isto apenas engrandece o valor de Pride, pois se está diante de outro ponto alto do trabalho. Excelente solo de Bratta.

A letra tem conteúdo sexual:

late night work in sleezy bars
driving down the boulevard in fancy cars
she don't care what her daddy says
cause all that matters is how much it pays
for two hundred down you get a hell of a time
she takes you to the top , you never want to stop



LADY OF THE VALLEY

"Lady Of The Valley" possui mudanças de ritmo durante toda sua extensão, com momentos mais leves e suaves, os quais a aproximam bastante de uma balada. Em outros, no entanto, o peso e velocidade voltam com tudo, demonstrando que o grupo possuía influências vindas diretamente da New Wave Of British Heavy Metal. Grande música!

A letra é em tom de súplica:

in the valley lies the treasure
and the lady guards it well
he who bears all the pressure
is the one to break the spell
there's a sign that I've followed
and it has led me to your seat
I have brought my fallen brother
and I've laid him, yes I've laid him
at your feet



WAIT

O início leve e suave pode até enganar, mas logo o típico Hard Rock oitentista aparece em "Wait". O riff dá à canção melodia e ritmo, embora tanta a velocidade quanto o peso sejam bastante moderados. A música é cativante e empolga, com ótima atuação de Tramp. Um clássico!

A letra tem sentido de rompimento amoroso:

Wait just a moment before our love will die
cause I must know the reason why we say goodbye
wait just a moment and tell me why
cause I can show you lovin that you won't deny

“Wait” acabou se tornando uma das mais conhecidas canções do White Lion, frequentemente presente nos 'sets' de seus shows.


Foi o primeiro single lançado para promover o álbum Pride. Conseguiu atingir a ótima 8ª posição da principal parada de sucessos desta natureza nos Estados Unidos, a Billboard. Também conquistou a 48ª e a 88ª colocações, respectivamente, em suas correspondentes canadense e britânica.

Boa parte do sucesso do sucesso é devido à intensa circulação que o videoclipe feito para a música obteve na MTV norte-americana.



ALL YOU NEED IS ROCK 'N' ROLL

Nesta faixa, o White Lion volta a apostar mais no peso, mesmo que o andamento continue mais lento. Sempre melódico, a canção também empolga, especialmente devido ao interessante ritmo que a banda manifesta no refrão. Os vocais de Tramp estão um pouco mais contidos, mas funcionam de maneira exemplar.

A letra é uma ode ao Rock:

you can raise your hands
you can stomp your feet
get down and turn around
you can do it all cause there ain't no rules
when you feel the music
just move your feet, to that heavy beat

Também foi lançada como single, mas não obteve maior repercussão.



TELL ME

"Tell Me" possui a típica e clássica sonoridade do Glam Metal, ou seja, é um Hard Rock com algum peso e repleto de uma melodia empolgante. Os vocais de Tramp são bons e a guitarra de Bratta está bastante inspirada, construindo outro ponto alto do disco. O solo é repleto de feeling.

A letra possui conotação romântica:

tell me baby all through the night
that you'll never let me go
tell me baby cause I want the world to know
tell me baby I'm the only one
and who you ever need
tell me baby that you'll never let me go


Foi o segundo single lançado para promover o álbum Pride. Acabou alcançando a boa 58ª posição da parada norte-americana desta natureza.



ALL JOIN OUR HANDS

Nesta canção, o White Lion volta a apostar em sua veia mais pesada, flertando mais diretamente com a linha Heavy Metal, mesmo que o refrão possua uma tonalidade mais suave. É uma composição simples, embora com uma pegada bem interessante.

A letra possui uma mensagem de união, como sugere o título:

is this the way
we treat one another
days filled with hope
lives filled with fear
why must we live
at war with our brothers
when we could live
our future at last



WHEN THE CHILDREN CRY

A décima - e última - faixa de Pride é "When The Children Cry". Uma suave e bela melodia embala o início da canção, acompanhada por inspiradas linhas vocais de Mike Tramp. Assim a balada permanece durante toda sua extensão, sendo cortada apenas pelo excelente solo de Vito Bratta. Fecha o álbum de maneira marcante.

A letra possui uma terna mensagem de esperança:

When the children cry
Let them know we tried
´cause when the children fight
Then we know it ain´t right
When the children break
Let them know we´re awake
´cause when the children sings
The new world begins

“When The Children Cry” é uma balada que também se tornou um dos maiores sucessos da história do White Lion.


Seu videoclipe teve uma significativa veiculação na MTV norte-americana, contribuindo decisivamente para a popularização da canção

Lançada como single, atingiu a excepcional 3ª posição da principal parada de singles dos Estados Unidos. Ficou com a 88ª colocação na correspondente britânica.


Considerações Finais

Impulsionado pelo sucesso de, principalmente, “When The Children Cry”, o álbum fez bastante sucesso comercial. Atingiu a ótima 11ª posição da principal parada de sucessos dos Estados Unidos, a Billboard. Ainda conquistou as 44ª, 30ª e 51ª colocações nas paradas de sucesso de Canadá, Suécia e Reino Unido, respectivamente.

A turnê do álbum Pride começou em Julho de 1987, com o White Lion abrindo para a banda de Ace Frehley, Frehley's Comet. O próximo ano e meio foi preenchido com constantes turnês, com o grupo abrindo para conjuntos como Aerosmith, Ozzy Osbourne, Stryper e Kiss.

Em janeiro de 1988, o White Lion foi escolhido como banda de abertura para o AC/DC em sua Blow Up Your Video turnê norte-americana.

Quando o segundo single do álbum, "Tell Me", foi lançado, o White Lion tocou no Ritz Club, em New York City. O show foi filmado e depois foi ao ar pela MTV dos Estados Unidos.

O sucesso de "When the Children Cry" acabaria por impulsionar as vendas de Pride com bastante importância no processo. Além disso, Vito Bratta foi reconhecido por seus talentos instrumentais, acumulando prêmios como Best New Guitarrist tanto da revista Guitar World, quanto de outra publicação chamada Guitar for the Practicing Musician.

Na primavera (do hemisfério norte) de 1989, a turnê de Pride finalmente acabou, e a banda lançou seu primeiro vídeo intitulado "Live at the Ritz" e "One Night in Tokyo" ambos com shows completos em VHS.

Em seguida, a banda começou a trabalhar imediatamente em seu próximo álbum.

Mike Tramp considera Pride o melhor álbum do White Lion.

Pride ultrapassa a marca de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.


Formação:
Mike Tramp - Vocal
Vito Bratta - Guitarras
James Lomenzo - Baixo e Backing Vocals
Greg D'Angelo - Bateria

Faixas:
01 - Hungry (Bratta/Tramp) - 3:55
02 - Lonely Nights (Bratta/Tramp) – 4:11
03 - Don't Give Up (Bratta/Tramp) – 3:15
04 - Sweet Little Loving (Bratta/Tramp) – 4:02
05 - Lady of the Valley (Bratta/Tramp) – 6:35
06 - Wait (Bratta/Tramp) – 4:00
07 - All You Need Is Rock 'n' Roll (Bratta/Tramp) – 5:14
08 - Tell Me (Bratta/Tramp) – 4:28
09 - All Join Our Hands (Bratta/Tramp) – 4:11
10 - When the Children Cry (Bratta/Tramp) – 4:18

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/white-lion/

Opinião do Blog:
O Blog já manifestou diversas vezes que gosta do chamado Glam Metal, tanto que vários álbuns que podem ser associados ao estilo já apareceram por aqui e muitos outros também ainda vão ser apresentados.

Pride é mais uma brilhante obra que o Hard Rock norte-americano produziu, sendo originado por uma ótima banda, a qual vivia seu melhor e mais inspirado momento. A verdade é que o White Lion caprichou neste álbum.

O ouvinte mais atento vai claramente identificar duas linhas diferentes presente no disco: as primeiras canções possuem uma pegada mais pesada, que flertam e tangenciam o Heavy Metal e, também, claramente beberam na fonte do Van Halen setentista.

Da metade para o final do trabalho, o White Lion mostra que estava inserido na música de sua época, produzindo canções típicas do Hard Rock oitentista norte-americano e que em muitos momentos podem lembrar bandas como o Mötley Crüe.

Mas o White Lion possuía personalidade própria e muita identidade, especialmente por conta de seu guitarrista, Vito Bratta, o grande destaque do álbum. Seus riffs e solos mostram que o guitarrista possuía boa técnica e excelentes referências, sendo o motivo primordial da música da banda possuir tanta qualidade.

Mike Tramp também faz bons vocais, inspirados, contribuindo de maneira correta para o sucesso do que se ouve. O mesmo pode ser dito da seção rítmica composta por Lomenzo e D'Angelo. As letras são na média geral.

Pride é um disco bastante homogêneo, sem momentos ruins. Há as ótimas "Hungry" e "Lonely Nights"; "When The Children Cry" é bonita e comovente; "Wait" e "Tell Me" são excelentes amostras de Glam Metal. Mas a melhor do álbum, para o Blog, é "Lady Of The Valley", música brilhante!

Enfim, Pride é um prato cheio para fãs de Hard Rock norte-americano, mas também para quem curte uma banda que flerte com o Heavy Metal. Cheio de personalidade e com um guitarrista brilhante, Vito Bratta, o álbum é extremamente recomendado pelo Blog. Obrigatório para quem gosta de um som Hard Rock!

30 de janeiro de 2015

BLUE CHEER - VINCEBUS ERUPTUM (1968)


Vincebus Eruptum é o álbum de estreia da banda norte-americana chamada Blue Cheer. Seu lançamento oficial ocorreu em 16 de janeiro de 1968, através do selo Philips Records. As gravações aconteceram em 1967, no Amigo Studios, em Hollywood, na Califórnia. A produção ficou a cargo de Abe 'Voco' Kesh.


Intrinsecamente ligado às origens do Heavy Metal, o Blog vai contar um pouquinho do início do Blue Cheer para depois se ater ao álbum propriamente dito.

As origens do Blue Cheer remontam ao ano de 1967 e estão fortemente ligadas à figura de Dickie Peterson, fundador da banda.

1967 foi o ano do chamado “Verão do Amor”, no qual a cena do Rock Psicodélico – especialmente originado na Califórnia – explodiu para o mundo. Foi neste contexto que o Blue Cheer surgiu e o qual Dickie Peterson estava inserido.

Dickie Peterson vivia em San Francisco, onde a supracitada cena musical dos anos sessenta estava começando a alcançar o mainstream.

Peterson tinha sido anteriormente membro da banda Andrew Staples & The Oxford Circle, bem como os futuros membros do Blue Cheer, Paul Whaley e Gary Lee Yoder.

A primeira formação do Blue Cheer contava com o vocalista e baixista Dickie Peterson, o guitarrista Leigh Stephens e Eric Albronda, como baterista.

Albronda mais tarde foi substituído por Paul Whaley, e, simultaneamente, o Blue Cheer adicionou o irmão de Dickie, Jerre Peterson (guitarra), Vale Hamanaka (teclados) e Jere Whiting (vocal e gaita).

Paul Whaley
Albronda continuou a sua associação com o Blue Cheer como um membro da administração do grupo, além de ser o produtor ou co-produtor de cinco álbuns da banda.

A banda foi gerenciada por um ex-membro dos Hells Angels (famoso grupo de motociclistas) de nome Gut.

Já de início, foi decidido que a formação inicial do conjunto deveria ser diminuída em termos de números de integrantes.

Existe um boato que o Blue Cheer decidiu adotar uma configuração de power trio após os caras assistirem à apresentação de Jimi Hendrix no Monterey Pop Festival, mas Dickie Peterson desmentiu isto posteriormente, em uma entrevista.

Hamanaka e Whiting foram convidados a se retirarem da banda e Jerre Peterson não quis permanecer no grupo sem eles, e, assim, também saiu do Blue Cheer.

Desta forma, Dickie, Leigh e Paul acabaram formando um trio.

Dickie Peterson
O nome Blue Cheer refere-se a uma variedade de LSD e é de onde provavelmente se origina a denominação da banda.

O grupo estava influenciado, sim, pelo Rock Psicodélico, mas também trazia uma forte carga de Blues Rock, além de uma característica própria: muito peso e distorção. Tudo isto foi levado para a gravação de seu álbum de estreia, Vincebus Eruptum.

A capa é simples, contando com uma fotografia do trio. Vamos às faixas:

SUMMERTIME BLUES

Um riff bem inspirado abre o álbum, com os vocais de Dickie Peterson consideravelmente agressivos, mostrando a atitude mais pesada da banda. A bateria de Paul Whaley é bastante inspirada, assim como o solo de Leigh Stephens. Outra característica é a alternância entre momentos mais cadenciados e outros mais rápidos. Ótima versão!

A letra traz o espírito malicioso do jovem:

Well Lord I got to raise a fuss, Lord I got to raise a holler
Well I been working all summer just to try and earn a dollar
Well Lord I tried to call my baby, I tried to get a date......
Sometimes I wonder what I'm a-gonna do
Lord there ain't no cure for the summertime blues

“Summertime Blues” é uma versão para o clássico originalmente composto por Eddie Cochran e Jerry Capehart, sendo gravado pelo primeiro.

Foi lançada como single e fez muito sucesso, chegando a ser considerada como a 'primeira música Heavy Metal' a entrar nas principais paradas de sucesso.


Atingiu a excelente 14ª posição da principal parada norte-americana desta natureza, ficando com a 3ª colocação na correspondente canadense. Chegou ao 1º lugar na Holanda!

A versão do Blue Cheer para “Summertime Blues” é tão marcante que chegou a ficar na 73ª posição da lista The 100 Greatest Guitar Songs of All Time, da renomada revista Rolling Stone, de 2008.

Foi também esta versão do Blue Cheer que serviu de base para outro cover famoso da canção, desta feita lançado pelo Rush, em seu EP Feedback, de 2004.



ROCK ME BABY

O Blue Cheer adiciona um peso e distorção extravagantes ao ótimo Blues chamado "Rock Me Baby". O ritmo é cadenciado na medida exata, como pede o estilo original, casando-se perfeitamente com a interpretação que Dickie Peterson dá à canção. O solo de Leigh Stephens é bem legal. Outra boa versão.

A letra é simples e divertida:

Well ball me baby
Well ball me all night long (if you can)
Well ball me baby
Well ball me all night long (that feels pretty good)
Well roll me baby
Until my back ain't got no bones.
I ain't got no bones about you, don't bother me, no not at all!

Trata-se de outro cover, desta feita de um dos grandes clássicos do Blues, composto originalmente pelo mestre B.B. King e Joe Josea.



DOCTOR PLEASE

"Doctor Please" ressalta a influência da época em que o disco foi gravado, pois é nítida a percepção psicodélica presente na primeira composição autoral do álbum. O andamento lento e arrastado acaba se contraponto a outros em que a banda acelera o ritmo (e em especial durante o solo de Stephens). O resultado final soa de maneira bastante interessante.

A letra pode ser entendida como um pedido de socorro:

I got this funny feeling
Feeling inside my head
Without your good living, Doc
Well I believe that I'll be dead
Doctor don't you turn me down
And won't you hear what I say
I need your good living, Doc
And I need it right away!

Segundo Dickie Peterson, “Doctor Please” foi composta como uma apologia ao uso de drogas e, além disto, teria a escrito em cerca de '10 minutos'.



OUT OF FOCUS

Já "Out Of Focus" apresenta um riff bastante criativo, carregado de Rock sessentista, mas que ao mesmo tempo está embebido em um peso atordoante para a época. O Blues é outra influência nítida na canção, a qual possui um ritmo cadenciado, mas repleta de melodia e considerável dose do supracitado peso. Ótima composição.

A letra reflete uma reflexão:

Won't somebody tell me what's wrong
Cause Lord, I been searchin'
Searchin' so long
Oh, won't somebody
Oh, won't somebody
Tell me what's wrong with me

“Out Of Focus” também teria sido composta em poucos minutos, segundo Peterson.



PARCHMENT FARM

A quinta música do disco já apresenta um ritmo mais acelerado, contando com um riff rápido e preciso e, simultaneamente, com alto poder cativante. Contribui deveras para o ótimo resultado final a interpretação intensa de Peterson nos vocais. Mais uma versão que ficou excelente.

A letra é em tom de resignação:

I swear I'll be here for the rest of my life.
Yeah, I know I'll be here for the rest of my life.
I know I'll be here for the rest of my life.
All I did was shoot your wife.
She was no good, you can take my word for it!

“Parchment Farm” é outro cover, baseado na versão de Mose Alisson para “Parchman Farm”, de Bukka White.



SECOND TIME AROUND

A sexta - e última - canção de Vincebus Eruptum é "Second Time Around". Outra vez, o ouvinte está diante de um riff repleto de peso e personalidade, construindo uma melodia instigante. A distorção é outra característica palpável na composição, a qual conta com a presença marcante da bateria de Whaley. Fecha o álbum de ótima maneira.

A letra tem sentido de rompimento amoroso:

Listen here, babe
It's the end of the line
I'm so sorry that you outta time
I don't know what to do
I don't know what to say
All I know, try to leave that way



Considerações Finais

Catapultado pelo sucesso comercial do single “Summertime Blues”, Vincebus Eruptum foi um ótimo sucesso de vendas e crítica.

O álbum atingiu a excelente 11ª posição da principal parada de sucessos norte-americana, a Billboard! Ótimo para uma banda em seu disco de estreia e praticamente desconhecida.

Com o tempo, Vincebus Eruptum acabou caindo nas graças da crítica especializada em música.

Escrevendo para o site de música AllMusic, Mark Deming descreveu Vincebus Eruptum como “uma celebração gloriosa do rock & roll primitivo, executado através de amplificadores Marshall suficientes para ensurdecerem um exército”, elogiando também “som e fúria” da banda como um dos movimentos fundadores do Heavy Metal.

O serviço de música online Rhapsody listou o álbum em sua lista 10 Essential Proto-Metal Albums, sugerindo que a banda “não apenas inspirou o termo power trio”, mas praticamente “inventou o heavy metal”.

Além disso, Vincebus Eruptum está presente no livro 1001 Albums You Must Hear Before You Die.

Para Jim Morrison, do The Doors, o Blue Cheer era “a banda mais poderosa que eu já vi” e para Eric Clapton, o grupo seria “provavelmente, os criadores do Heavy Metal”.

Apoiado pelo sucesso, o Blue Cheer lançaria seu segundo álbum de estúdio ainda em agosto de 1968, Outsideinside.



Formação:
Dickie Peterson - Vocal, Baixo
Leigh Stephens - Guitarra
Paul Whaley - Bateria

Faixas:
01. Summertime Blues (Cochran/Capehart) - 3:47
02. Rock Me Baby (King/Josea) - 4:22
03. Doctor Please (Peterson) - 7:53
04. Out of Focus (Peterson) - 3:58
05. Parchment Farm (Allison) - 5:49
06. Second Time Around (Peterson) - 6:17

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/blue-cheer/

Opinião do Blog:
É claro que o surgimento do estilo musical chamado Heavy Metal foi a confluência de diversos e diferentes músicos, bandas e estilos musicais, os quais foram contribuindo com elementos diversificados em que, uma vez unidos, deram origem ao estilo. Vários foram os grupos que contribuíram para que a vertente Metálica do Rock surgisse e o Blue Cheer certamente está entre eles, de maneira relevante.

Esqueça, caro leitor, da técnica extremamente apurada e do requinte estilístico ao ouvir Vincebus Eruptum - mesmo porque a produção do álbum não é das melhores. O disco aqui apresentado é muito mais para ser sentido, pois a atitude de seus músicos é fator primordial na obra apresentada.

O Blue Cheer queria tocar alto - e certamente conseguiu - fazendo como talvez nenhuma banda naquele momento o fizera. É impressionante (lembrando o ano de 1968) a distorção presente no trabalho. 

Também é notável como a banda pretendia (e obteve sucesso) fazer um disco com peso, agressividade e força. Nisto, Vincebus Eruptum foi um marco importante no estilo de fazer músicas que não apenas fossem melódicas, mas que também mostrassem o peso e ferocidade que o Rock também poderia possuir.

Com base neste propósito, pode-se dizer que o objetivo foi amplamente alcançado, graças a atuação apaixonante com que Peterson, Stephens e Whaley atuam no álbum. Peterson, além do baixo, faz ótima aparição nos vocais, casando-os de maneira primordial com a parte instrumental a fim de transmitir a agressividade desejada pelo Blue Cheer.

Mesmo que metade do trabalho sejam covers, estamos diante de uma obra ímpar na história da música mais pesada. "Doctor Please" mistura peso e psicodelia de maneira brilhante, "Second Time Around" impressiona pela força e "Out Of Focus" é a melhor faixa do álbum.

Também merecem destaques o cover de "Rock Me Baby", bastante instigante, além da versão sublime de "Summertime Blues".

Somente por sua história e significado, Vincebus Eruptum já merecia ser ouvido pelos apreciadores de Rock. Mas é muito mais que isso: suas músicas são cativantes e a atitude contida nas canções são tocáveis como poucas vezes se viu. Um álbum importante, influente e essencial. Obrigatório!

23 de janeiro de 2015

HALFORD - RESURRECTION (2000)


Resurrection é o álbum de estreia da banda Halford. Seu lançamento oficial aconteceu em 8 de agosto de 2000, através do selo Metal God Records. As gravações ocorreram entre agosto de 1998 e junho de 2000. A produção ficou sob responsabilidade de Roy Z.


Halford é um esforço do lendário vocalista do Judas Priest, Rob Halford, em retornar a uma sonoridade mais tradicional do Heavy Metal. O Blog vai tratar de um pouco da história do “Metal God” para depois se ater ao álbum propriamente dito.

De 1974 a 1991, Rob Halford foi a voz do Judas Priest, gravando alguns álbuns fundamentais para a pavimentação e consolidação do Heavy Metal no mundo. Mas quase 20 anos depois do início, em 1991, o relacionamento dele com o restante da banda já parecia estar estremecido.

Um dos fatores tido como estopim final para a ruptura de Halford com o Judas Priest aconteceu em agosto de 1991, durante a turnê que promovia o sensacional álbum Painkiller, de 1990.

Como era de costume, Rob Halford adentrava o palco pilotando uma motocicleta Harley-Davidson. Ele acabou sofrendo uma colisão e caindo da moto, quebrando o seu nariz e perdendo a consciência. Halford acabou se recuperando e fazendo o show.

Anos depois, Rob Halford acabou dizendo que tudo foi apenas um acidente e não teve relevância para a sua saída da banda.

Halford anunciou para a banda, em 04 julho de 1991, que ele estava deixando o grupo e também acabou processando sua gravadora, a Sony, por práticas restritivas. Halford acabaria por deixar a banda em maio de 1992.

Rob Halford
Logo após deixar o Judas Priest, Rob Halford acabou formando outra banda: o Fight.

Primeiramente, Halford acabou convidando o baterista Scott Travis, também ex-integrante do Judas Priest. Completavam o grupo o baixista Jack 'Jay Jay' Brown e os guitarristas Brian Tilse e Russ Parrish.

O Fight acabou deixando dois álbuns de estúdio: o primeiro, War Of Words, de 1993, que possuía uma sonoridade simples e pesada e que atraiu alguns fãs para o trabalho.

O segundo disco, A Small Deadly Space, de 1995, foi gravado após Russ Parrish deixar o grupo e ser substituído por Mark Chausee. O estilo era diferente do primeiro registro, com uma sonoridade mais próxima ao Grunge, sendo rejeitado por boa parte daqueles que haviam apreciado o álbum anterior.

O Fight também lançou um EP chamado Mutations, contendo alguns sons ao vivo e mixagens alternativas.

Halford também havia gravado a canção “Light Comes Out Of Black”, para o filme Buffy The Vampire Slayer. A música teve a parte instrumental provida pelo Pantera, mas Halford não foi creditado.

Após o Fight, Halford colaborou com o guitarrista John Lowery em um projeto musical com influências da sonoridade Industrial, chamado 2wo. O projeto tinha como produção executiva de Trent Reznor e lançado por sua gravadora, Nothing Records.

Depois, Rob Halford sentiu que era o momento de retornar às raízes em sua carreira, tomando parte de um projeto mais voltado ao Heavy Metal tradicional. Seu novo projeto solo seria uma banda batizada com seu próprio nome, o Halford.

Para tanto, chamou como produtor Roy Z que, entre outros trabalhos, havia formado uma parceria formidável com Bruce Dickinson enquanto guitarrista, compositor e produtor de vários trabalhos na carreira-solo de Dickinson.

Patrick Lachman
Para a banda, os guitarristas foram Patrick Lachman e Mike Chlasciak (este último ex-integrante do Isolation Chamber), no baixo Ray Riendeau e na bateria Bobby Jarzombek (ex-integrante do Riot).

Vamos às faixas:

RESURRECTION

Muito peso e intensidade em um criativo riff são as marcas da primeira canção do álbum Resurrection. Homônima ao disco, "Resurrection" é simples e direta, trazendo o típico clima pesado inerente à sonoridade Heavy Metal. Ótimo início para o trabalho.

A letra é uma metáfora para a nova fase de Halford:

Holy angel lift me from this burning hell
Resurrection make me whole
Son of Judas bring the saints to my revenge
Resurrection bring me home


“Resurrection” foi lançada como single, mas não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.



MADE IN HELL

O ritmo continua firme e intenso em "Made In Hell". Para o Blog é impossível não associar a canção com o que o Judas Priest já havia feito nos anos 80. O riff é pesado e criativo, possuindo uma certa modernidade com o que o estilo do Heavy Metal apresentava no final dos anos 90.

A letra se refere ao surgimento do estilo:

From memories of '68 when the wizard shook the world
Metal came from foundries where the midlands sound unfurled
The bullring was a lonely place of concrete towers and steel
The coal mines and the industries were all I had to feel



LOCKED AND LOADED

Mais um riff criativo, mas desta feita contando com alguma malícia, é a base da terceira música de Resurrection. O refrão é simples e contagiante. A faixa também conta com bons solos, formando uma composição interessante.

A letra é em tom de vingança:

I'm gonna get to you
Just like you got to me
And then I'll do to you
Just what you did to me



NIGHT FALL

O ritmo continua bastante pesado em "Night Fall". Halford consegue um efeito bastante interessante casando sua potente voz com o andamento mais cadenciado desta canção. O refrão é novamente o ponto alto da composição.

A letra mostra sofrimento romântico:

You love is killing me,
It draws me to the dark
Your veil of ecstasy,
That leaves the telling mark
The spell you cast inside,
Is stabbing through my heart
It reaches deep within,
It´s pulling me apart


Também foi single de Resurrection e não obteve maior repercussão nas paradas de sucesso desta natureza.



SILENT SCREAMS

"Silent Screams" é a maior faixa de Resurrection, superando a casa dos 7 minutos. Seu início é suave, leve e melódico, contando com uma interpretação bem contida de Rob Halford. A canção ganha peso a partir dos 90 segundos, mas com um andamento bastante moroso, deixando-a um pouco arrastada. Próximo aos 4 minutos de duração, a música se torna ainda mais pesada e veloz, flertando moderadamente com uma linha Thrash Metal. O resultado final é uma das melhores composições do disco.

A letra é bem interessante, em uma mistura de virtude e resignação:

I prey upon your broken dreams you
Weakness gives me strength
Im laughing at your silent screams I'll
Crush you with my hate



THE ONE YOU LOVE TO HATE

O peso absurdo e o ritmo intenso estão de volta com tudo em "The One You Love To Hate". O andamento é mais cadenciado, mas os vocais são primordiais para trazerem brilho à faixa. É impossível não associar a sonoridade à excelente carreira-solo de Bruce Dickinson, o qual torna a música ainda mais interessante com sua participação.

A letra remete a um jogo de poder:

You may not like the future
And we're not here to preach to you
We'll take you to the killing floor
You think you want to know me
You think you want to own me
But I have nothing
You can buy

A canção tem participação especial de Bruce Dickinson, fazendo dueto com Rob Halford.



CYBERWORLD

"Cyberworld" mantém o ritmo padrão de Resurrection, com velocidade e peso típicos do Judas Priest oitentista. Rob Halford se aproveita da sonoridade, provendo vocais mais agressivos com sua classe habitual. O solo é bem legal.

A letra se refere ao mundo virtual:

My virus lurks throughout your veins
I'm spreading there inside your brain
A trojan horse that eats your mind



SLOW DOWN

"Slow Down", logo em seus primeiros segundos, também remete ao que Bruce Dickinson fazia em sua carreira-solo. Isto resulta em uma faixa pesada, de Heavy Metal puro, abrilhantada por uma atuação praticamente perfeita de Rob Halford nos vocais, oscilando entre momentos mais contidos e outros mais extravagantes. Ótima canção.

A letra pode ser entendida como um anti-estressante:

Break the strain
Feed my hunger
Tell my mind
To be stronger



TWIST

Com um ritmo bastante interessante, peso e melodia em doses certas, "Twist" é outra faixa bastante interessante do álbum. Rob Halford tem uma atuação novamente decisiva para o sucesso final da canção. O refrão é muito bom.

A letra tem sentido de dominação:

Wander why you try to run
Ought to quit admit I´ve won
No one is gonna hear you cry
Gonna hear you scream
Better get used to knowing
It´s just in your dreams - that you can



TEMPTATION

"Temptation" é um Heavy Metal típico, com muito peso e andamento mais arrastado. A faixa vai crescendo até o refrão, causando um conhecido e eficiente efeito de trazer grandiosidade à composição. Especialmente o primeiro solo de guitarra esbanja feeling. Mais uma marcante canção do disco.

A letra remete a um jogo de poder:

You gave so much to me
You left me feeling numb
So full of emptiness
From stealing what you´ve done
How can you bear
To stand the life you try to live
A sad and broken heart
Is all you´ve left to give



DRIVE

O peso é novamente marcante em "Drive", contando com um riff bastante interessante. O andamento é cadenciado, mas a melodia conta com certa malícia, a qual enriquece a canção. Destaque para a atuação de Jarzombeck na bateria.

A letra é muito simples, referindo-se a carros:

Drive, drive, drive with me
Our love will set you set us free
I´ve got you under my wheels now, baby
You´re moving away too fast
I´ve got you under my wheels now, baby
We´ve got to make it last



SAVIOUR

A décima-segunda - e última - faixa de Resurrection é "Saviour". Uma típica faixa de Heavy Metal, com a cara dos anos oitenta e que é impossível não se recordar do Judas Priest. A música é direta, contando com um riff bastante direto e com o peso na dose certa. Ótimos vocais de Rob, solos impressivos e bateria a mil, enfim, fechando o disco com chave-de-ouro!

A letra, novamente, remete ao poder:

Here I am now, I'm your savior
You can see I'm the one
There's no reason for such treason
Now your end has begun



Considerações Finais

Não há muitas dúvidas como Resurrection colocou o nome de Rob Halford novamente em alta entre boa parte do público fã de Heavy Metal.

Em termos de paradas de sucesso, sua atuação foi discretíssima nas duas mais importantes: 140ª posição na parada norte-americana com a 128ª colocação em sua correspondente britânica.

Entretanto, alçou o 9º lugar na parada japonesa.

Após o lançamento do álbum seguiu-se uma extensa turnê, a qual incluiu uma participação de Halford na 3ª edição do festival Rock in Rio, em janeiro de 2001.

A crítica recebeu bem e consagrou o trabalho. Resurrection está na 54ª posição da lista The Top 100 Heavy Metal Albums, de 2003, da revista online Metal-Rules.com. Também está na 320ª posição da lista The 500 Greatest Rock & Metal Albums of All Time, da revista Rock Hard, de 2005.


Formação:
Rob Halford - Vocal
Patrick Lachman - Guitarra
Mike Chlasciak - Guitarra
Ray Riendeau - Baixo
Bobby Jarzombek - Bateria
Músicos Adicionais:
Roy Z - Guitarra
Bruce Dickinson - Vocal em "The One You Love to Hate"
Pete Parada - Bateria em "The One You Love to Hate"
Ed Roth - Teclados em "Twist" e "Silent Screams"

Faixas:
01. Resurrection (Halford/Lachman/Z/Baxter) - 3:58
02. Made in Hell (Halford/Z/Baxter) - 4:12
03. Locked and Loaded (Halford/Lachman/Z) - 3:18
04. Night Fall (Halford/Lachman/Chlasciak) - 3:41
05. Silent Screams (Halford/Marlette) - 7:06
06. The One You Love to Hate (Halford/Z/Dickinson) - 3:11
07. Cyberworld (Halford/Z/Chlasciak) - 3:08
08. Slow Down (Halford/Z/Marlette) - 4:51
09. Twist (Halligan Jr) - 4:08
10. Temptation (Halford/Lachman/Z/Chlasciak) - 3:32
11. Drive (Halford/Z/Marlette) - 4:30
12. Saviour (Halford/Lachman/Z) - 2:57

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/rob-halford/

Opinião do Blog:
Após deixar o Judas Priest e fazer algumas tentativas musicais diferentes, Rob Halford encontrou novamente o sucesso retornando às origens que o consagraram: o Heavy Metal. Seu nome estará para sempre eternizado como o vocalista do Judas Priest, banda que revolucionou o estilo a partir da metade dos anos 70.

O Blog vai se ater apenas a qualidade do produto musical oferecido por Rob Halford com sua então nova banda, o Halford, em seu álbum de estreia. E o resultado foi muito bom, especialmente, para quem curte o bom e velho Heavy Metal.

O Halford não quis inventar a roda, muito pelo contrário, calcou-se nos pilares do estilo, em suas origens, com pequenos toques de modernidade (um Groove aqui, um peso extremo acolá) e um vocalista inspirado. Mas o tiro certeiro foi a escolha de Roy Z para produtor e que já havia feito um trabalho brilhante ao lado de Bruce Dickinson na carreira-solo do ex-vocalista do Iron Maiden.

Por algumas vezes é possível associar a sonoridade de Resurrection com a que Bruce Dickinson fazia em seus discos solos como Chemical Wedding, por exemplo.

A banda formada por Rob funciona de maneira bastante consistente. Bateria e Baixo estão presentes e fazem seu trabalho de maneira eficiente, assim como as guitarras. O maior destaque individual é mesmo de Rob Halford, bem mais contido, mas com o mesmo brilhantismo de sempre. Seu maior valor é empregar a intensidade vocal exata para engrandecer as faixas.

O disco todo é muito bom e não possui faixas de enchimento, impressionando suas coesão e homogeneidade. Destaques para as ótimas "Made In Hell" e "Temptation", a diretíssima "Saviour", a curiosa "Slow Down" e a preferida do Blog, "Silent Screams".

Mesmo com 12 faixas, Resurrection nunca soa extenso ou cansativo, sendo um deleite para amantes de Heavy Metal. O Halford mostrava a que havia vindo, com canções que cativaram os fãs do estilo, embaladas por uma das vozes mais emblemáticas da história do Rock. Álbum obrigatório!