5 de maio de 2014

JAMES GANG - RIDES AGAIN (1970)


Rides Again é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana chamada James Gang. Seu lançamento oficial aconteceu em julho de 1970, com as gravações ocorrendo em novembro de 1969, no Record Plant Studios. O selo responsável foi o ABC Records e a produção ficou sob a responsabilidade de Bill Szymczyk.

Embora não tão conhecida do grande público em geral, o James Gang é uma importante banda do início dos anos 70, responsável por auxiliar no desenvolvimento e popularização do Hard Rock. Vai-se contar um pouco da história do grupo para depois se abordar o álbum especificamente.


O início do James Gang se atrela ao baterista Jim Fox. Por volta de 1965, Fox (entre entradas e saídas diversas) tocou com a banda The Outsiders, obtendo algum sucesso.

Após deixar definitivamente o The Outsiders para retomar os estudos, Jim Fox resolveu montar sua própria banda, pois estava bastante influenciado pelos grupos britânicos Beatles e Yardbirds. Seu colega de classe, Ronnie Silverman, também foi convidado a tomar parte do novo grupo.

Aliás, algumas fontes consultadas afirmam que foi Ronnie Silverman quem sugeriu o nome James Gang para o grupo.

O primeiro line-up do James Gang tinha Jim Fox na bateria, Ronnie Silverman como guitarrista-base, Tom Kriss no baixo, Phil Giallombardo nos vocais e teclados e Greg Grandillo na guitarra-solo.

Rapidamente, Grandillo foi substituído por Dennis Chandler (que tocaria com Chuck Berry, BB King, entre outros) e este, por sua vez, deu lugar a um guitarrista apenas conhecido como Mouse.

Ao ouvir o ótimo guitarrista Glen Schwartz (que tinha acabado de sair do exército) e saber que duas de suas influências eram o Spencer Davis Group e Jeff Beck, Fox ficou atônito e convidou Schwartz para participar do James Gang.

Mouse, no entanto, não ficou tão entusiasmado com a maneira de Glen tocar e deixou o grupo logo em seguida. Ronnie Silverman foi o próximo, deixando o conjunto para adentrar ao exército.

Bill Jeric foi então trazido para tocar ao lado de Schwartz. Infelizmente, não há gravações lançadas por qualquer uma destas primeiras formações da banda.

Por volta do Natal de 1967, Schwartz, que acabou sendo declarado desertor do exército e acabara de romper o relacionamento com sua esposa, decidiu deixar a banda e se mudar para a Califórnia, onde acabou formando o Pacific Gas & Electric.

Poucos dias depois , logo após o novo ano de 1968, um amigo de Schwartz, Joe Walsh (de uma banda chamada The Measles), bateu na porta de Fox e pediu por um teste como substituto de Glen.

Joe Walsh

Walsh foi aceito e a banda continuou como um quinteto por um curto período de tempo até que Giallombardo, que ainda estava na escola no momento, deixou o grupo.

Jeric e Walsh trabalharam juntos em partes de guitarra, mas Jeric acabou deixando a banda na primavera de 1968. Ele foi então substituído pelo antigo membro Ronnie Silverman, que havia sido dispensado do serviço militar.

Em maio de 1968, o grupo fez um show em Detroit no Motown's Grande Ballroom, fazendo a abertura para o Cream. Em cima da hora, Silverman informou aos outros que ele não iria se juntar à banda na apresentação. O James Gang, desesperado por dinheiro, subiu ao palco como um trio. Gostando de seu som como um trio, os caras decidiram permanecer dessa forma.

Em 1968, a banda assinou com o manager Mark Barger. Barger coloca o James Gang em contato com o produtor Bill Szymczyk, da ABC Records, que os contratou com a nova filial da ABC (Bluesway Records) em janeiro de 1969.

Em março de 1969, o grupo, agora composto por Fox, Kriss e Walsh e produzido por Szymczyk, lançou seu primeiro LP, Yer' Album. Um bom trabalho, no qual o blog destaca “Funk #48” e “Take A Look Around”.

Já em novembro de 1969 é a vez do baixista Tom Kriss deixar o James Gang, sendo substituído por Dale Peters.

Fox, Peters e Walsh

Naquele mesmo mês, o grupo se reúne no estúdio The Record Plant para gravarem seu segundo álbum de estúdio, com a produção a cargo de Bill Szymczyk.

James Gang Rides Again tem uma capa bastante simples. Vamos às faixas.

FUNK #49

Talvez a mais conhecida canção do James Gang abre o seu segundo álbum. “Funk #49” mostra um grupo baseado em um riff bem voltado para o Hard Rock dos anos setenta, pois possui certo peso, mas simultaneamente se tem doses elevadas de melodia. A percussão está bem presente no meio da música e o trabalho é todo bastante empolgante.

A letra é totalmente simples, mostrando um vazio na vida de alguém:

Out all night, sleep all day,
I know what you're doing.
If you're gonna a-act that way,
Think there's trouble brewing

“Funk #49” foi lançada como single para promover o álbum, atingindo a 59ª posição na parada norte-americana desta natureza.


A faixa acabou se tornando um clássico do Rock Setentista, especialmente nos Estados Unidos. Está presente em muitos filmes e séries de televisão, como parte da trilha sonora. Como exemplo, está no filme de horror The Devil’s Rejects (2005) e na série da HBO The Sopranos.

Também aparece em jogos de videogames, como GTA IV, Test Drive Unlimited e Rock Band, além de comerciais do canal Fox Sports 1 nos Estados Unidos.



ASSHTON PARK

Seguindo a linha apresentada na primeira faixa, “Asshton Park” também possui um riff inspirado e repleto de melodia, que é a base sólida desta bastante curta canção. Trata-se de uma música instrumental. Bem legal.



WOMAN

A terceira música do álbum mostra a banda apostando mais pesadamente na sonoridade Hard, mas com fortes influências do Blues Rock. O riff principal da faixa é excelente, dando um clima muito intenso à canção. Grandioso momento do disco.

A letra tem conotação de flerte e é bem sensual:

Oh, woman, yeah
I don't want you to act so bad
Woman, yeah, yeah, yeah
You're the best thing I ever had
Wanna take you home, spend my time with you
You see it, babe, it's clear that I miss you



THE BOMBER

A quarta música de Rides Again é na verdade uma fusão de 3 diferentes canções: “Closet Queen” é uma composição própria do grupo; uma versão para “Boléro”, composição de Maurice Ravel; e “Cast Your Fate To The Wind”, de Vince Guaraldi. É uma faixa com bastante variação e muito interessante.

A letra de “Closet Queen” se refere à rebeldia juvenil:

When I became of age my mama sat me down
Said "Son, you've grown up, it's time you look around"
So I began to notice some things I hadn't seen before
That's what brought me here knockin' on your back door
Oh, yeah



TEND MY GARDEN

Repleta de melodia e sensibilidade é “Tend My Garden”, a quinta faixa do trabalho. Os vocais de Joe Walsh se casam perfeitamente com a musicalidade da canção, tornando-a ainda mais interessante. Não é exatamente uma balada, mas flerta com este tipo de música. Outro bom momento do disco.

A letra tem sentido romântico:

Flowers, she's sittin' for poses
She wants me to sing my song
Hours, she's a like a stoned Moses
Guess, I'll sing along, yeah yeah



GARDEN GATE

Outra canção bastante curta é “Garden Gate”. Sendo basicamente acústica, destacam-se o violão e a voz de Walsh, fazendo um momento mais melancólico do álbum, embora seja interessante como quebra do ritmo do disco.

A letra é bonita e é uma metáfora sobre a imprevisibilidade da vida:

The captain's in the chartroom
Navigating on a star
Can't know where we're going
'Cause he don't know where we are
Don't you think I don't know
How to tell the time
Can't you see you can't sell me 



THERE I GO AGAIN

“There I Go Again” segue o momento mais bucólico do trabalho, que tem uma levada mais calma e tranquila, com um clima quase acústico. A interpretação de Walsh se mostra perfeita para a sonoridade desenvolvida na faixa. Se falta peso e distorções, a banda compensa com feeling e bom gosto.

A letra se refere a uma decepção amorosa:

It may be I find my way
Not seeing her again
Tomorrow is a brighter day
Why should I pretend?
I know I won't see her again
We've gone our separate ways
Thinkin' of her now and then
Don't have much say



THANKS

“Thanks” também conta com uma levada mais suave, no violão, constituindo-se em uma balada que também demonstra o talento do grupo em compor este tipo de canção. O destaque fica para Walsh, o qual canta com muita emoção.

A letra é inteligente, misturando os sentidos de gratidão e crítica:

Thanks to them that feed you
Give the dog a bone
Thanks to them that give you
You haven't got your own
That's the way the world is
Get just what you can
Wake up again tomorrow
A little less a man
Yeah, oh, yeah



ASHES, THE RAIN AND I

A nona – e última – música de Rides Again é “Ashes, The Rain and I”. O lento e envolvente início da canção cria um clima bastante intenso para a mesma, que bebe fartamente na fonte do Blues mais melancólico aliada à presença de algumas orquestrações. O ritmo é mais calmo e bucólico, mas funciona de maneira bem interessante, fechando bem o trabalho.

A letra é bem pequena, mas repleta de significação. Reflete como a vida passa diante de nós sem que nos demos conta:

Sometimes I sit and I stare at the rain
Isn't rain filled with sorrow?
Wonder if I'll see my home again
Will it be dry tomorrow?
Time passes softly and I'm a day older
But still I'm living days gone by
Ashes to Ashes, the rain's turning colder
Finding tomorrow, the ashes, the rain and I



Considerações Finais

O álbum acabou por fazer algum barulho após seu lançamento, conquistando a 20ª posição da Billboard, a principal parada de sucesso norte-americana. Muito devido à boa repercussão de seu maior sucesso, “Funk #49”.

Também a crítica especializada recebeu o álbum de maneira positiva, destacando a melhora especialmente de Joe Walsh como compositor.

O resultado do sucesso do lançamento se refletiu no convite para o grupo ser a banda de abertura para a turnê norte-americana dos ingleses do The Who. O guitarrista Pete Townshend ficaria tão impressionado com o desempenho do James Gang que acabou os convidando para também fazer a abertura da turnê britânica do grupo!

No ano seguinte, o James Gang voltaria à Europa. Durante a turnê que promovia Rides Again, a banda acabou por dividir o palco com nomes consagrados como Grand Funk Railroad, Kinks e mesmo o fabuloso Led Zeppelin.



Formação:
Joe Walsh - Guitarras, Teclados, Piano, Percussão, Vocal
Dale Peters - Baixo, Teclados, Percussão, Backing Vocals
Jim Fox - Bateria, Percussão, Teclados, Órgão, Piano, Backing Vocals

Faixas:
01. Funk #49 (Fox/Peters/Walsh) – 3:54
02. Asshton Park (Fox/Peters/Walsh) – 2:01
03. Woman (Fox/Peters/Walsh)  – 4:37
04. The Bomber – 7:04
I - Closet Queen (Fox/Peters/Walsh)
II - Boléro  (Maurice Ravel)
III - Cast Your Fate to the Wind (Vince Guaraldi)
05. Tend My Garden (Walsh) – 5:45
06. Garden Gate (Walsh) – 1:36
07. There I Go Again (Walsh) – 2:51
08. Thanks (Walsh) – 2:21
09. Ashes, the Rain and I" (Peters/Walsh) – 5:00

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/james-gang/

Opinião do Blog:
O James Gang é mais uma banda do Rock Setentista a aparecer aqui no Blog, mostrando a admiração que este blogueiro tem pelo Hard Rock produzido naquela década. Embora não seja dos nomes mais conhecidos do público em geral, o grupo merece reconhecimento.

As inúmeras mudanças de formação podem ter atrapalhado a evolução natural do conjunto. Mas por suas linhas passaram pelo menos dois grandes nomes do Rock: Tommy Bolin (que foi o substituto de Ritchie Blackmore no Deep Purple na sua primeira saída, em 1975) e Joe Walsh, este que ficaria mundialmente conhecido por seu trabalho com a banda Eagles.

A fase que este blogueiro prefere da banda é justamente a que contava com Joe Walsh como líder e principal compositor. Os 3 primeiros álbuns do James Gang (os 3 que contam com Walsh) são extremamente recomendados aos leitores do Blog.

Mas o seu ponto mais alto é mesmo Rides Again. E aqui se pode observar 2 bandas “diferentes”.

A primeira é o James Gang mais pesado, flertando deliberadamente com o Hard Rock seminal da época de seu lançamento, presente nas 5 músicas iniciais do trabalho. Há riffs mais fortes e pesados, preenchendo o ambiente e sendo a base das canções.

Nas 4 faixas finais do disco, o James Gang mostra seu lado mais sensível, abusando mais do feeling, em levadas mais suaves e melódicas, muitas vezes quase acústicas. Entretanto, em ambas facetas percebe-se que a banda bebeu na fonte do Blues.

O destaque do álbum é o grande Joe Walsh, o qual canta de maneira perfeita para casar sua voz à sonoridade apresentada pelo grupo. Tudo é feito com absolutos talento e bom gosto.

“Woman” é uma excelente canção, assim como as belas “Tend My Garden” e “Ashes, The Rain and I”. Além disto há a incrível “Funk #49”, música que é um símbolo do grupo.

Com um álbum extremamente acima da média, o James Gang deixou um grande disco para a história do Rock. Ouça-o mais de uma vez e procure pelo menos os 3 primeiros discos do grupo, pois são extremamente recomendados pelo Blog. Até o próximo post!

11 de abril de 2014

MÖTLEY CRÜE - TOO FAST FOR LOVE (1981)


Too Fast For Love é o álbum de estreia da banda norte-americana Mötley Crüe. Seu lançamento oficial ocorreu em 10 de novembro de 1981, através do selo Leathur Records. As gravações se deram durante o ano de 1981, com a própria banda como produtora, no estúdio Hit City West, em Los Angeles, na Califórnia. No seu relançamento, em 1982, o selo responsável foi o Elektra e a produção ficou com Roy Thomas Baker.


Um dos – senão o mais – principais nomes da cena Glam Metal norte-americana dos anos 80 é o Mötley Crüe. Vamos abordar um pouco de sua história para depois focarmos nas canções do disco, seguindo a tradição do Blog.

O Mötley Crüe foi formado em 17 de janeiro de 1981, quando o baixista Nikki Sixx deixou a banda London e começou a ensaiar com o baterista Tommy Lee e com o vocalista e guitarrista Greg Leon. Lee já havia trabalhado com Leon numa banda chamada Suite 19 e o trio continuou a ensaiar juntos durante um tempo até que Leon decidiu não continuar mais.

Sixx e Lee começaram uma busca por novos membros e logo encontraram o guitarrista Bob Deal, mais conhecido como Mick Mars. Ele rapidamente fez o teste e, posteriormente, foi contratado.

Embora um vocalista de nome O'Dean tenha sido ouvido, Lee conhecia Vince Neil de seus dias de escola na Charter Oak High School, em Covina, Califórnia, e os dois haviam tocado simultaneamente em diferentes bandas no circuito de garagem.

Ao ver Neil tocar com a banda Rock Candy no Starwood em Hollywood, Califórnia, Mars sugeriu que deveriam tê-lo no grupo, afirmando: "Eu não me importo se ele pode cantar . Eu não me importo se ele pode fazer qualquer coisa. A maneira como ele tem aquela plateia consigo... esse é o cara de que precisamos".

Vince Neil

Neil recusou a primeira oferta, mas como os outros membros da Rock Candy se envolveram em outros projetos, o vocalista se decidiu por procurar outra coisa.

Quando Lee fez um apelo final para uma audição, Neil aceitou e foi contratado em 1º de abril de 1981. Mas a recém-formada banda ainda não tinha um nome.

Sixx afirma que ele disse aos outros companheiros de banda que estava "pensando em chamar a banda de Christmas (Natal)". Os outros membros não foram muito receptivos à ideia.

Então, enquanto tentavam encontrar um nome adequado, Mars se lembrou de um incidente que ocorreu quando ele estava tocando com uma banda chamada White Horse, quando um dos outros membros da banda chamou o grupo de "a motley looking crew.".

Ele se lembrou da frase e depois descreveu-a como Mottley Cru. Depois de modificar a grafia ligeiramente para "Mötley Crüe", passou a ser o nome da banda, com a decisão estilística sugerida por Neil em adicionar os dois tremas nas palavras, supostamente inspirados na Löwenbräu, uma cerveja alemã que os membros bebiam no momento.

A banda logo conheceu seu primeiro gerente, Allan Coffman, o cunhado de trinta e oito anos de idade, do amigo do motorista de Mars.

O primeiro lançamento da banda foi o single "Stick To Your Guns/Toast of the Town ", que foi lançado por sua própria gravadora, a Leathür Records, que tinha um acordo de pressagem e distribuição com a Greenworld Distribution de Torrance, Califórnia.

Em novembro de 1981, seu álbum de estreia, Too Fast for Love, foi produzido e lançado pela Leathür, vendendo 20 mil cópias.

O assistente de Coffman, Eric Greif, conseguiu uma turnê no Canadá, ao mesmo tempo em que ambos utilizaram o sucesso do Mötley Crüe na cena de clubes noturnos de Los Angeles para negociarem com várias gravadoras.

Por fim, assinaram um contrato com a gravadora Elektra Records no final da Primavera de 1982. O álbum de estreia foi então remixado pelo produtor Roy Thomas Baker e relançado em 20 de agosto de 1982, dois meses após o seu lançamento canadense pela Warner Music Group, o qual usara as mixagens originais da Leathür Records, objetivando coincidir com a turnê.

Há três prensagens conhecidas, em vinil, da versão original do álbum lançada pela Leathür Records, juntamente com uma versão em fita cassete e um CD promocional extremamente raro.

O primeiro vinil, em sua capa, tinha letras brancas (com a gravadora branca com letras pretas). Sua demo foi gravada em fevereiro de 1980, com as despesas financiadas por Ian Gillan, que quando viu a banda em um pub no centro de Los Angeles afirmou: "Sua aparência externa e música me fascinaram". Também a foto da capa de trás (de Vince Neil) o mostra com um penteado enorme, que precisou ser retocada em sua cor de cabelo, a qual não apareceu bem no encarte do álbum (que era branco).

A segunda prensagem tem letras vermelhas sobre a cobertura e a gravadora é novamente branca com letras pretas. O cabelo de Neil também foi corrigido na fotografia da capa traseira. Além disso, a segunda prensagem apresenta uma foto ligeiramente diferente da banda.

A terceira prensagem tem letras vermelhas sobre a cobertura e a gravadora está preta com letras brancas.

A primeira prensagem parece ser a mais rara, com apenas 900 cópias prensadas. A segunda prensagem parece ser a mais comum disponível no mercado secundário.

Nikki Sixx

Embora algumas fontes indiquem que a versão Leathür também continha a canção "Toast of the Town", isso não é verdade. Esta canção foi lançada como lado B do single de 7 polegadas de "Stick To Your Guns", que foi auto-lançado pela banda através do selo Leathür Records antes da gravação do álbum propriamente dito.

A capa é uma referência ao álbum Sticky Fingers, do Rolling Stones. Vamos às faixas:

LIVE WIRE

"Live Wire" começa bebendo na fonte do Heavy Metal tradicional. O riff é bem pesado e rápido, lebrando as bandas da New Wave Of British Heavy Metal. A interpretação dos vocais por Vince Neil também é ótima. Um ótimo começo para o trabalho.

A letra tem a conotação festiva e sexy do estilo Glam Metal:

Plug me in
I'm alive tonight
Out on the streets again
Turn me on
I'm too hot to stop
Something you'll never forget
Take my fist
Break down walls
I'm on top tonight

Foi lançada como single apenas em agosto de 1982, mas não obteve repercussão nas paradas deste tipo de lançamento.


Junto ao single, foi também realizado um videoclipe em que os próprios membros do grupo fizeram a direção da gravação.

Já o canal VH1 colocou “Live Wire” na 17ª colocação de sua eleição de 40 Melhores Canções de Metal de Todos os Tempos, de 2006.

Versões covers da canção foram feitas por bandas como Fozzy e Vamps. Está presente nos games Brütal Legend, Tony Hawk's American Wasteland e Saints Row: The Third.



PUBLIC ENEMY #1

A segunda canção do álbum já apresenta uma nova configuração, com um andamento mais cadenciado, denotado através de um riff mais leve e lento. Não há tanto peso, lembrando mais a sonoridade do Hard Rock setentista. Mas se trata de outra boa composição.

A letra é bem simples, em tom de fuga:

You and me
Under the gun tonight
On the run
We're lost in the lime light
Don't think about nothin'
Because we're gonna get crazy



TAKE ME TO THE TOP

Em "Take Me To The Top" o peso está de volta, em uma faixa que novamente mostra o grupo apresentando um som mais agressivo. O riff é ótimo, com peso e ritmo nas medidas exatas. O destaque vai para a ótima performance de Neil.

A letra pode ser entendida como alguém envolvido com substâncias ilegais:

No, no, no fight all temptation
Well, in a black hearted alley fight
I'm screaming
Take me to the heights tonigh



MERRY-GO-ROUND

A quarta música do trabalho apresenta um embrião da sonoridade que algumas composições futuras do Mötley Crüe teriam. Ela tem um início bem mais suave e lento, mas o refrão apresenta o riff de forma mais intensa. Outra composição bastante interessante.

A letra tem certa conotação romântica:

It's not easy puttin' on a smile
You're alone, lost and found
She waits at home just to love him
Through the night thinkin'
He's been gone so long now
Is he coming home
He's been gone so long now, oh!



PIECE OF YOUR ACTION

Mais um belíssimo e empolgante riff abre a quinta canção do disco. A seção rítmica está bastante presente, dando peso à música, assim como os vocais de Vince Neil estão bem mais agressivos. Mas o destaque maior é para a guitarra de Mick Mars, contando com um solo bem legal. Excelente faixa!

A letra tem caráter sexual:

Tight action, rear traction
So hot, you really blow me away
Fast moving, wet and ready
The time is right, so hold on tight
Live Wire, night prowler
Lay back and take me inside
You need me now, I'll teach you how
Come on let's go all the way



STARRY EYES

"Starry Eyes" tem uma atuação bem destacada de Tommy Lee, especialmente nos momentos mais iniciais da faixa. A canção segue uma linha um pouco mais cadenciada, mas o peso continua presente. Isto tudo é conseguido através de um riff bastante inspirado. Outro ótimo momento do disco.

A letra tem sentido de sofrimento amoroso:

When she laughs
She's got the power of a child in her eyes
And when you cry now
She'll hold you like a man's supposed to be held
I can't get into words how I feel
Get it right in this song now
I had to set her free
Needed a friend
Come back to me



STICK TO YOUR GUNS

A faixa começa de forma mais lenta, mas logo a velocidade do ritmo aumenta, mesmo que o peso não esteja tão presente desta vez. A construção da música é interessante, com bons vocais e uma guitarra sempre presente. Tende mais para o Hard Rock.

A letra tem conotação de luta:

Too much too soon. too much for you
Everyday has a hero, don't it though
Don't let it go
You got to fight, it just ain't right
Hey man, look at me, I'm screaming
Are you watching me bleed, are you believing'



COME ON AND DANCE

O peso volta a dar as caras em "Come On And Dance", com a música apresentando um ritmo e andamento bastante interessantes. Neil oscila entre vocais mais agressivos e outros mais suaves, especialmente no refrão. O solo é bastante inspirado.

Novamente, a letra tem alusão a sexo:

Fast and slick
Well she's cool and clean
In a pepsi sheen
She's a leather tease



TOO FAST FOR LOVE

Uma guitarra bastante forte e presente dá o ponto de partida da faixa-título. O riff segue a linha da maioria das faixas do álbum, pesadas e com um andamento mais cadenciado. O refrão, embora repita as mesmas palavras, é o ponto alto da canção, sendo construído de maneira divertida. Ótima música.

As letras também tem conotação sexual:

Oh, no, oh, no
She's a streamline queen
On a sex craved movie screen
Say it again
She'll use her time up
Have nothing to show
Well mark my words
Do you remember?
Well I remember
Oh, no, oh, no



ON WITH THE SHOW

A décima - e última - faixa do disco é "On With The Show". Ela se inicia de maneira mais suave, ganhando peso aos poucos. Tommy Lee deixa sua bateria bastante presente, em uma canção mais leve, aproximando-se de uma balada, mesmo não sendo uma. Ótimo solo de Mick Mars.

A letra mostra uma briga e a vida rebelde de um jovem:

With his six string knife
And his street wise pride
The boy was a man before his time
And she knew
All their dreams would come true



Considerações Finais

Em termos de parada de sucessos, o álbum não fez nenhum estardalhaço no ano de seu lançamento. Ficou com a 77ª posição na parada norte-americana e com a 42ª colocação na sua correspondente britânica.

Mas a força da qualidade das composições de Too Fast For Love acabou sendo reconhecida a medida que o grupo começou a fazer um gigantesco sucesso em meados dos anos 80 e os fãs buscaram os lançamentos iniciais do Mötley Crüe.

Durante a turnê canadense de 1982 chamada "Crüesing Through Canada Tour '82", houve vários incidentes amplamente divulgados.

Primeiro, a banda foi presa e em seguida liberada no Aeroporto Internacional de Edmonton por usar seu guarda-roupa customizado de spikes (considerado uma "armas perigosas" pela alfândega) e, também, por Neil chegar com uma pequena bagagem de mão repleta de revistas pornográficas (consideradas "materiais indecentes"). A alfândega canadense, eventualmente, reteve os itens confiscados e os destruiu.

Em segundo lugar, ao tocar “Scandals Disco” em Edmonton, uma "ameaça de bomba" contra a banda fez a primeira página do Jornal Edmonton, em 9 de Junho de 1982; o assistente de empresário da banda, Greif, e Lee foram entrevistados pela polícia como resultado. Isso também acabou sendo um golpe de publicidade, encenado e perpetrado por Greif.

Por fim, Tommy Lee lançou um aparelho de televisão a partir da janela superior do Sheraton Caravan Hotel. A revista canadense de rock Music Express observou que a banda foi "banida para a vida" (ou seja, perpetuamente) da cidade.

Apesar da turnê acabar prematuramente por ter sido um desastre financeiro, foi a base para a primeira entrevista internacional do grupo.

Too Fast For Love supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Vince Neil - Vocais
Mick Mars - Guitarras
Nikki Sixx - Baixo
Tommy Lee - Bateria, Percussão

Faixas:
01. Live Wire (Sixx) - 3:14
02. Public Enemy #1 (Sixx/Lizzie Grey) - 4:22
03. Take Me to the Top (Sixx) - 3:43
04. Merry-Go-Round (Sixx) - 3:22
05. Piece of Your Action (Sixx/Neil) - 4:39
06. Starry Eyes (Sixx) - 4:28
07. Stick to Your Guns (Sixx) - 4:20
08. Come on and Dance (Sixx) - 3:11
09. Too Fast for Love (Sixx) - 4:11
10. On with the Show (Sixx/Neil) - 4:07

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/motley-crue/

Opinião do Blog:
O Mötley Crüe está intimamente ligado ao que se convencionou chamar Glam Metal, ou seja, o Hard Rock norte-americano dos anos oitenta. Foi e sempre será um de seus maiores expoentes.

Too Fast For Love é o álbum inicial da banda e possui uma sonoridade um pouco diferente daquela que o grupo viria a apresentar em meados da década de 80 em seus álbuns mais consagrados. Aqui, o grupo californiano abusa do peso em suas canções.

Fica notório que o Mötley Crüe bebeu na fonte do Heavy Metal tradicional em faixas como "Live Wire" e "Take Me To The Top", por exemplo. Já "Public Enemy #1" lembra bastante os grandes nomes do Hard Rock Setentista norte-americano, mais especificamente o KISS.

Também é possível sentir alguma conexão, em todo o álbum, com a sonoridade desenvolvida pelo Van Halen em seu primeiro álbum, especialmente na estrutura das canções e nas guitarras.

Não há maiores destaques individuais no grupo: o forte é mesmo a conjunção dos músicos, tocando de maneira simples, mas contagiante. Tudo está em prol das canções.

"Too Fast For Love" é excelente, muito empolgante, ideal para uma festa. Também são excelentes músicas "Starry Eyes" e "Piece Of Your Action".

As letras são bastante simples, em tons mais festivos e algumas vezes sensuais. Nada que denigra o trabalho.

Enfim, o debut do Mötley Crüe mostra uma banda com garra e sedenta de sucesso. Traz uma sonoridade mais pesada, mas cheia de empolgação. Uma das bandas de que gosto bastante e um álbum bem acima da média. Mais que recomendado!

24 de março de 2014

MOUNTAIN - CLIMBING! (1970)


Climbing! é o álbum oficial de estreia da banda norte-americana chamada Mountain. Seu lançamento oficial se deu no dia 7 de março de 1970, através do selo Windfall. As gravações aconteceram entre 1969 e 1970, no Record Plant Studios, em New York, nos Estados Unidos. A produção ficou sob responsabilidade de Felix Pappalardi, próprio baixista do grupo.

O Mountain é uma banda muitas vezes citadas como influente e importante na formação da musicalidade Heavy Metal, sendo uma das pioneiras a flertar com os estilos Hard/Heavy, tendo o Blues Rock como base. Primeiro o blog vai contar um pouco da história do grupo para depois adentrar as faixas do disco.

No início de 1969, Leslie West, que pertenceu a uma banda de R&B chamada The Vagrants, resolveu montar um grupo próprio. Ele a denominou 'Leslie West Mountain', referindo-se ao seu tamanho bastante avantajado.

A banda contava com Norman Landsberg nos teclados e baixo e com Ken Janick na bateria, começando a fazer shows. Na mesma época, Felix Pappalardi (que era um colaborador da lendária banda Cream) se ofereceu para produzir o trabalho de West.

O resultado foi o álbum Leslie West Mountain, homônimo ao grupo, que algumas vezes aparece associado ao Mountain, mas é na verdade um lançamento da primeira banda de Leslie West.

O álbum Leslie West Mountain contou com Norman Landsberg como tecladista e N.D. Smart, ex-Remains, como baterista; bem como com o próprio Pappalardi no baixo.

Os destaques do álbum ficaram para os vocais de West, que se alternavam entre crus e melódicos, sua guitarra com forte influência de Blues, e também para o proeminente baixo de Pappalardi. Era evidente como os músicos beberam na fonte do Cream, a lendária banda inglesa que contava com Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker.

Leslie West

Como foi dito, Pappalardi foi um colaborador frequente do Cream: ele produziu Disraeli Gears, Goodbye e Wheels Of Fire, além de tocar órgão – e outros instrumentos – no último.

Steve Knight foi chamado para o lugar do tecladista Landsberg, que deixou a banda para formar o grupo Hammer, com o baterista Ken Janick.

Após optarem pelo nome reduzido de Mountain, West, Pappalardi, Smart e Knight fizeram shows na Costa Oeste antes de se apresentarem para seu quarto show como uma banda de apoio no Festival de Woodstock, de 1969, em Bethel, Nova York.

O Mountain foi recebido com entusiasmo pelo público do festival, mas a banda não apareceu no filme oficial do evento e nem tiveram sua apresentação incluída no volume 1 do álbum ao vivo do festival.

Suas performances de "Blood of the Sun" (do álbum de Leslie West) e "Theme for an Imaginary Western" (a canção que planejam gravar em Climbing! e foi coescrita pelo ex-baixista do Cream, Jack Bruce) aparecem no segundo volume de shows do Woodstock.

Felix Pappalardi

O DVD e Blue-Ray lançados para comemorarem o 40º aniversário do Woodstock possui performances do Mountain para “Beside The Sea” e “Southbound Train”.

Logo depois do Woodstock, Smart foi substituído pelo canadense Laurence "Corky" Laing na bateria.

Com West, Pappalardi, Laing e Knight; o Mountain vai para New York a fim de gravar seu disco de estreia, Climbing!

A capa conta com um desenho simples de autoria de Gail Collins – o qual também contribuiu na composição de várias canções do álbum. Vamos às faixas:

MISSISSIPPI QUEEN

O grande clássico do álbum, "Mississippi Queen", abre o disco. Já em seu início temos um riff bastante cativante, aliando peso, força e cadência precisos. A influência do Blues é palpável, bem como a certeza de que o grupo bebeu na fonte do Cream. A interpretação de West é fantástica, em uma canção que dispensa maiores apresentações. Fabulosa!

A letra se refere ao barco Mississippi Queen e uma mulher presente na embarcação:

Mississippi Queen,
If you know what I mean
Mississippi Queen,
She taught me everything

“Mississippi Queen” é inegavelmente o maior sucesso da história do Mountain, tornando-se um dos grandes hinos da história do Rock & Roll.

Lançada como single, atingiu a boa 20ª posição da parada norte-americana desta natureza. Era marca registrada nos shows do grupo.


O baterista Corky Laing afirma que havia começado a escrever as letras da canção antes mesmo de fazer parte do Mountain. Quando Leslie West procurava por letras para uma melodia criada na sua guitarra, Laing ofereceu a supracitada letra. Posteriormente, também Felix Pappalardi e o escritor David Rea receberam créditos pela música.

São inúmeras as versões existentes para “Mississippi Queen”. Para citarmos duas mais conhecidas, fica-se com a do W.A.S.P. (contida no relançamento do álbum The Last Command) e a de Ozzy Osbourne, com participação de Leslie West, no álbum Under Cover, de 2005.



THEME FOR AN IMAGINARY WESTERN

Em "Theme For An Imaginary Western" a banda opta por uma levada um pouco mais calma e lenta, onde a suavidade é apresentada através da bela melodia desenvolvida nos teclados. A guitarra é presente, assim como a seção rítmica. Outra bela música.

“Theme For An Imaginary Western” é uma canção composta por Jack Bruce e Pete Brown, originalmente gravada no álbum de Bruce chamado Songs For a Taylor, de 1969, o qual teve produção de Felix Pappalardi. E foi este quem levou a música ao Mountain, que a regravou em Climbing!, mas antes já havia a tocado no show em Woodstock.



NEVER IN MY LIFE

"Never in My Life" volta com a carga de Blues Rock característica do grupo. O riff principal da faixa é espetacular, com presença e força exatos. A interpretação vocal de West tem toda influência bluesy possível, deixando a canção ainda mais charmosa. Um dos pontos mais altos do trabalho e da discografia do grupo. Genial!

A letra mostra alguém apaixonado:

Never in My Life
Could I Find a Girl Like You
Never in My Life
Could I Find a Girl Like You
When I Turned Around to Wake Her
About the Way She Moves
I Don´t Want to Leave Her
But I Want Love You Too



SILVER PAPER

Um solo que esbanja feeling por todos os lados é a abertura marcante de "Silver Paper". A levada da canção tem um toque mais essencial do rock do final dos anos 60, mas ainda é baseada no seu Hard Bluesy que marca o som da banda. Também o solo do meio da música encanta. A faixa mantém o nível estratosférico do trabalho.

A letra tem temática romântica:

Sun Is Shining On My World
Sun Is in My Shoes
While I´m Passin´ Through This Life
This Job Is Spent With You
Wrap My Dreams in Silver Paper
Gonna Give Them All to You
Use Them On Some Rainy Morning
And They´ll Tell You What to Do



FOR YASGUR'S FARM

A quinta faixa de Climbing! é "For Yasgur's Farm". Nela, o grupo escolhe uma levada que se aproxima bastante de uma balada, mas optando por intensificar o ritmo e o peso no refrão, construindo uma música muito interessante e bastante comum no Hard Rock. Tudo faz da faixa mais uma vez encantadora, mostrando o poder do trabalho.

A temática da canção é outra vez romântica, envolvendo encontros e desencontros de um casal:

Quiet As the Voices in a Dream
Without Two Shadows the Things I´ve Seen
Remember the Evening I Let You Walk Away
Were You the One
Or Is It We´re the Same


Lançada como single, alcançou a modestíssima 107ª posição na parada norte-americana deste tipo de lançamento.



TO MY FRIEND

Já em "To My Friend", West compôs uma canção totalmente instrumental, levada apenas no violão. Há uma certa influência celta na melodia, com toques tradicionais da música norte-americana. É tudo belo e de muito bom gosto, mas quebra um pouco o ritmo do disco.



THE LAIRD

"The Laird" mantém uma introdução que segue um pouco a linha da faixa acústica anterior, mas com Pappalardi fazendo vocais que se casam bem com o clima melancólico desenvolvido pela melodia principal da canção. A guitarra solo encanta, esbanjando feeling, mas o clima da música é um pouco triste.

As letras são simples, em tom aventureiro:

The Laird Is Arriving
He Ran to the East
He Stood in the Courthouse
Pleading His Case
His Crime Was a Passion
An Aching For Peace



SITTIN' ON A RAINBOW

"Sittin' On A Rainbow" volta ao tradicional Hard Rock forte do grupo, com a levada bastante agressiva e vocais que se casam perfeitamente ao instrumental. Impressionante como o grupo conseguiu produzir outro riff que bebe na fonte do Blues, mas com o DNA mais pesado do grupo. Empolgante!

A letra é um convite para se curtir a natureza e contemplá-la:

Riding On a Jet Plane
Higher Than a Bird
Looking Out the Window
Don´t Believe a Word
Earning Time, Earning Pay
When the Sunshine´s On Its Way
This Is What You Hear Me Say



BOYS IN THE BAND

Piano e guitarra se casam em uma melodia extremamente cativante na última faixa do álbum Climbing! Aqui a banda opta por uma levada bastante cadenciada, mas que intercala a melodia cativante do piano com guitarras extremamente presentes, com um peso na dose exata. A construção é de extremo bom gosto, formando outra música excepcional.

A temática se refere ao próprio fato de se estar em uma banda:

We Play Tunes Today
Leaving Memory of Yesterday
All the Circles Widen Getting in the Sun
All the Seasons Spinning All the Days One By One
Comin´ Back Before Long
Comin´ Back ´till I´m Gone
Goodbye Travelling
So Long to the Boys in the Band
Goodbye Travelling
So Long to the Boys in the Band



Considerações Finais

Climbing! foi muito bem recebido pela crítica devido ao seu som pesado e visceral para a época. Baseado no sucesso da extraordinária “Mississippi Queen”, o álbum conseguiu atingir um bom patamar nos Estados Unidos.

Em termos de parada de sucesso, Climbing! alcançou a ótima 17ª posição da Billboard, a principal parada norte-americana de discos.

A boa repercussão do trabalho também permitiu que o grupo se lançasse em uma intensa turnê de divulgação do álbum, no meio da qual (nas pausas entre shows) eles foram gravando seu segundo disco de estúdio, Nantucket Sleighride, lançado em janeiro de 1971.

O sucesso era tanto que “Mississippi Queen” acabou tomando parte da trilha sonora do filme Vanishing Point, dirigido por Richard Sarafian e estrelado por Barry Newman.



Formação:
Leslie West - guitarras em todas as faixas, exceto 6; vocais nas faixas 1, 3 e 8; vocal compartilhado nas faixas 4, 5 e 9
Felix Pappalardi - baixo em todas as faixas, exceto 6 e 7; piano nas faixas 1, 2 e 9; vocais e guitarra nas faixas 2 e 7; vocal compartilhado nas faixas 4, 5 e 9
Corky Laing - bateria em todas as faixas, exceto 6 e 7; percussão nas faixas 7 e 9
Steve Knight - órgão nas faixas 2, 3, 4 e 5; mellotron nas faixas 2 e 9

Faixas:
01. Mississippi Queen (Laing/Pappalardi/Rea/West) - 2:32
02. Theme for an Imaginary Western (Brown/Bruce) - 5:08
03. Never in My Life (Collins/Laing/Pappalardi/West) - 3:53
04. Silver Paper (Collins/Gardos/Knight/Laing/Pappalardi/West) - 3:19
05. For Yasgur's Farm (Collins/Gardos/Laing/Pappalardi/Rea/Ship) - 3:23
06. To My Friend (West) - 3:38
07. The Laird (Collins/Pappalardi) - 4:39
08. Sittin' on a Rainbow (Collins/Laing/West) - 2:23
09. Boys in the Band (Collins/Pappalardi) – 3:43

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indica-se o acesso a: http://letras.mus.br/mountain/

Opinião do Blog:
Fui levado ao Mountain através de sua faixa mais emblemática, a excepcional "Mississippi Queen". Mas ao pegar e ouvir Climbing! pela primeira vez, foi quase impossível não ficar de queixo caído com a qualidade do que se ouve.

A banda tem sim - e é nítido e notório - forte influência do fantástico Cream, de Eric Clapton. Bebeu bastante na fonte do Blues Rock, mas não ficou apenas nisto. Imprimiu peso extra em suas canções e, pensando-se que era o ano de 1970, foi também influência para os grupos do estilo que surgiriam depois.

O álbum é incrível e vai muito além de apenas "Mississippi Queen". "Theme for an Imaginary Western" é ótima, há as excepcionais "Never in my Life" e "Silver Paper", mas minhas favoritas são a bela "Boys in the Band" e a extraordinária "For Yasgur's Farm".

A execução das faixas pelos músicos é soberba. Todos os instrumentos são muito bem tocados, com passagens belíssimas e melodias que encantam. Os vocais tanto de West quanto de Pappalardi se encaixam perfeitamente nas músicas, embora West me encante mais com sua poderosa voz.

As letras são bem simples, mas não afetam em nada a qualidade especial de Climbing!

Enfim, não há muito mais o que dizer. Climbing! é um álbum excepcional, com qualidade estratosférica. Para amantes de Blues Rock, com uma poderosa veia Hard Rock, um álbum importante e seminal na construção das sonoridades mais pesadas. Um dos meus álbuns preferidos. Clássico absoluto!