5 de junho de 2012

DOKKEN - BACK FOR THE ATTACK (1987)



Back For The Attack é o quarto álbum de estúdio da banda norte-americana chamada Dokken. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 27 de novembro de 1987, com suas gravações sendo realizadas entre dezembro de 1986 e agosto de 1987. A produção do álbum ficou a cargo do produtor Neil Kernon.

A história da banda Dokken está ligada de forma indissociável à de seu vocalista Donald Maynard Dokken, ou Don Dokken, fundador do grupo.



Don começou sua carreira sendo o vocalista de uma banda que se apresentava na área de Los Angeles, sua cidade natal, com o nome de Airborn. Por volta de 1978, a banda descobre que havia outro grupo com o mesmo nome e a qual já havia conseguido um contrato com gravadora e decide mudar o seu nome para Dokken.

A banda era formada por Don Dokken, Jim Monanteras, Greg Leon, e Mick Brown.

Don Dokken então vê uma oportunidade de firmar um contrato com uma gravadora na Alemanha. Após assistir a uma apresentação de uma banda chamada Xciter, Don convida o guitarrista George Lynch e o baterista Mick Brown para se juntarem a ele na busca de fecharem o contrato na Alemanha, mas ambos não estavam interessados naquele momento.

Mesmo assim, Don Dokken vai para a Alemanha. Durante seu tempo naquele país, ele acaba se tornando amigo da grande banda alemã Scorpions. Tanto que durante as gravações do álbum Blackout dos alemães, Dokken substitui Klaus Meine para gravar as guias vocais para a gravação das faixas do álbum enquanto Meine esteve com uma doença nas cordas vocais. Meine se recuperou e gravou o álbum, mas muitos dos vocais de Don Dokken foram mantidos como background na maioria das faixas de Blackout.

Enquanto Don ajudava o Scorpions, a tradicional banda alemã Accept estava gravando em outro estúdio e o manager dela assegura a Dokken um contrato com a Carrere Records, com um auxílio de uma canção da banda Xciter.

Don Dokken


Assim, o guitarrista George Lynch e o baterista Mick Brown aceitam a nova oferta de Dokken e, com a adição (para a gravação) do baixista Peter Baltes (do Accept), a banda estava formada e gravam Breaking The Chains.

Embora no álbum os créditos para o baixo sejam dados ao futuro baixista Juan Croucier, foi Peter Baltes quem gravou as partes de baixo no álbum, conforme George Lynch assegurou em uma entrevista em 2001.

O álbum foi lançado em 1981 apenas na Europa, com o nome Breakin’ The Chains, como um EP e sob o nome de Don Dokken. Ele contém algumas versões e mixagens alternativas em relação à nova versão que seria lançada mais tarde nos Estados Unidos.

Com George Lynch na guitarra, Mick Brown na baterista e, agora sim, com Juan Croucier no baixo, a banda do vocalista Don Dokken estava formada. Nos Estados Unidos, o manager Cliff Bernstein consegue um contrato com uma gravadora e uma turnê para a banda se apresentar juntamente com o Blue Öyster Cult.

Em 1983, Breaking The Chains é lançado nos Estados Unidos. Embora tenha alcançado a modestíssima 136ª posição na parada norte-americana, o álbum continha ótimas músicas, como a faixa-título “Breaking The Chains” (a qual foi eleita 62ª melhor canção de Hard Rock de todos os tempos em uma eleição do canal de TV VH1 décadas depois) e a excelente canção “Paris Is Burning”, ao vivo.

Entretanto, se o sucesso na Europa era crescente – a revista inglesa Kerrang! ajudava a divulgar o grupo – o Dokken permanecia praticamente desconhecido nos Estados Unidos e, pior, com muito pouco dinheiro.

Ainda em 1983, o baixista Juan Croucier deixa o grupo para se juntar ao Ratt e o substituto é Jeff Pilson. Com esta formação a banda grava e lança seu segundo álbum de estúdio, Tooth And Nail, no dia 13 de setembro de 1984.

Tooth And Nail é um divisor de águas para a carreira do Dokken. Os poderosos e melódicos vocais de Don Dokken, aliados a grande habilidade do guitarrista George Lynch, são responsáveis por chamar a atenção do público para a banda. E tudo isto está muito “visível” em Tooth And Nail.

O álbum atingiu a ótima 49ª posição na parada norte-americana da Billboard. Também os singles para promoverem o trabalho foram muito bem sucedidos.

A excelente “Into The Fire” foi o primeiro single do álbum e alcançou a 21ª posição da parada de singles dos Estados Unidos. Também teve um videoclipe promocional com boa circulação na MTV daquele país.

O segundo single (e clipe) foi de outra grande faixa de Tooth And Nail, “Just Got Lucky”. Ficou com a 27ª posição da parada de singles. Mas maior sucesso viria com o terceiro single do álbum, a belíssima e melódica balada, “Alone Again”. Ficou com a 20ª posição na parada de singles e seu videoclipe teve maciça divulgação na MTV norte-americana.

O álbum vendeu mais de 1 milhão de cópias nos Estados Unidos e estima-se que outro milhão tenham sido vendidas pelo mundo.

O sucesso de Tooth And Nail empolgou o grupo a lançar mais um álbum, o qual seria o seu terceiro de estúdio. Em 9 de novembro de 1985 saiu o ótimo Under Lock And Key.

O ótimo Under Lock And Key também se torna um sucesso, atingindo a excelente 32ª posição da parada norte-americana de álbuns, a Billboard.

Os singles impulsionaram o sucesso do álbum. A ótima “In My Dreams” foi bem na parada de singles norte-americana, alcançando a 24ª posição. Também outra excelente canção, “The Hunter”, ficou com a 25ª posição na mesma parada.

Under The Lock And Key também vendeu mais de 1 milhão de cópias apenas nos Estados Unidos.

Nesta época, o Dokken estava se consolidando como uma grande banda. O grupo fez turnês e shows de abertura para grandes nomes do rock mundial, como Judas Priest, AC/DC, Aerosmith e DIO.

Em 1986, após uma muito bem sucedida turnê com os amigos do Scorpions, o grupo se prepara para entrar em estúdio para gravar um single, “Dream Warriors”, que seria trilha sonora para o filme A Nightmare On Elm Street 3: Dream Warriors, da série de filmes com a personagem Freddy Krueger.

“Dream Warriors” trouxe novamente a atenção da banda para o público de Hard Rock do Reino Unido, sendo lançado um single em fevereiro de 1987 que continha “Dream Warriors”, “Back For The Attack” (até então, faixa inédita) e “Paris Is Burning”, do primeiro álbum do grupo.

O single “Dream Warriors” é um novo sucesso para o Dokken e acaba atingindo a 22ª posição da parada de singles. A banda demoraria mais 6 meses para fazer um novo lançamento de um trabalho. Este seria seu quarto álbum de estúdio, Back For The Attack.

KISS OF DEATH

A primeira faixa de Back For The Attack é “Kiss Of Death”.

Um excelente riff criado por George Lynch abre a canção com um ritmo rápido, pesado e muito intenso. Esse riff se estende por toda a música, com pequenas variações. Don Dokken canta-a com bastante intensidade e emoção. Um ótimo início para um álbum promissor! Lynch faz um solo muito bom!

A letra da canção é simples, trazendo a ideia de perigo e ameaça em um relacionamento envolvendo uma garota. Como mostra o simples, mas empolgante refrão:

As she took me in her arms
And brought me to an end
With the kiss of death
The kiss of death



PRISONER

A segunda faixa de Back For The Attack é “Prisoner”.

“Prisoner” começa com um riff bem estilo do Hard Rock oitentista feito nos Estados Unidos, com um ótimo ritmo, mas desta vez Lynch optou por um andamento mais arrastado. A seção rítmica faz um trabalho muito bom, com Don Dokken contribuindo de maneira muito positiva para o sucesso da canção com seus vocais. Lynch esbanja feeling em seu solo.

As letras da canção são bastante simples, revelando uma personagem apaixonada, como se vê no trecho:

It's so easy to see
I could never be free
I'm a prisoner
Chained by love

“Prisoner” foi o primeiro single lançado para promover o álbum Back For The Attack. Alcançou a ótima 37ª posição da parada norte-americana desta natureza.



Evidentemente, tornou-se uma das canções favoritas dos fãs e presença quase obrigatória nos shows do grupo.



NIGHT BY NIGHT

“Night By Night” é a terceira faixa do álbum.

Com um Hard Rock novamente mais cadenciado, Lynch construiu um riff arrastado que possibilita Don Dokken abusar de vocais mais intensos que se casam de maneira perfeita com a música. Uma das melhores faixas de Back For The Attack. Esbanjando feeling, o solo de Lynch é grandioso!

As letras novamente contam com um lado mais romântico, como nos revela o refrão:

We're living night by night
It's just you and me
Living night by night
We're living night by night
We never see the light of day
So baby can't you see
We're living night by night
yeah, we're living it night by night
The night is all that we need



STANDING IN THE SHADOWS

A quarta faixa de Back For The Attack é “Standing In The Shadows”.

Outra ótima canção é “Standing In The Shadows”. Conta com um ritmo mais acelerado, mas ainda demonstrando o melhor do Hard Rock da década de oitenta. Peso e melodia são aliados com muito feeling, assim como os vocais de Don Dokken contribuem de maneira harmônica com a música. George Lynch, outra vez, destrói no solo!

Nas letras, “Standing In The Shadows” abandona o romantismo e aposta em uma trama psicológica, mesmo que simples, por um homem que teria cometido um crime:

Standing in the shadows
Watching the world go by
Standing in the shadows
He was looking
Looking for a place to hide



HEAVEN SENT

“Heaven Sent” é a quinta faixa de Back For The Attack.

Mais uma vez a base da canção é um clássico Hard Rock, desta vez mais cadenciada, continuando com a manutenção do peso da guitarra de George Lynch. O ponto alto da canção é o solo, mais uma grande construção do guitarrista.

O romantismo é retomado na canção, de maneira que a personagem principal não quer mais se apaixonar:

Save me
Dont let me fall
Heaven sent
I heard the call
Stop me
Dont let me go
Touch my heart
Then let me know



Lançada como single, não conseguiu obter maior repercussão.



MR. SCARY

A sexta faixa do álbum é “Mr. Scary”.

“Mr. Scary” é uma faixa de pouco mais de 4 minutos, sendo totalmente instrumental. George Lynch esbanja feeling na canção, fazendo solos precisos. A canção apresenta um Hard Rock com flertes consideráveis com o Heavy Metal tradicional.



SO MANY TEARS

“So Many Tears” é a sétima faixa do álbum.

A canção é construída com um Hard Rock tipicamente do Dokken, de maneira envolvente. A sonoridade da música é pesada, mas sem nunca perder a melodia. O refrão é bem contagiante, contando com vocais muito belos por parte de Don.

A faixa apresenta letras românticas em tom de uma despedida:

There's only so many tears you can cry
There's only so many ways you can say goodbye
There's only so many tears you can cry
There's only so many ways you can say goodbye
So many tears you can cry



BURNING LIKE A FLAME

A oitava faixa de Back For The Attack é o clássico “Burning Like A Flame”.

“Burning Like A Flame” segue um ritmo clássico de Hard Rock, sendo um riff divertido e muito empolgante. A seção rítmica faz sua parte de maneira competente, mas o grande destaque da faixa é realmente a atuação vocal de Don Dokken, que canta de maneira entusiasmada e com vocais emotivos.

Letras bastante românticas constituem a canção, com um amor que o “eu lírico” não pensava que fosse perdurar, mas mostrando-se apaixonado:

Don't you know that
It's our love that's burning
Burning like a flame
And you know that
It's out love that's never gonna change
'Cause every time I touch you
You just make me go insane
Don't you know that
It's our love that's burning
Our love burning like a flame

“Burning Like A Flame” foi lançada como single para promover Back For The Attack, para qual foi também lançado um videoclipe promocional. A canção atingiu a 20ª colocação da parada norte-americana de singles.



“Burning Like A Flame” também se tornou um clássico da banda e uma canção adorada pelos fãs do grupo.



LOST BEHIND THE WALL

A nona faixa do álbum é “Lost Behind The Wall”.

A canção tem um ritmo bem cadenciado, mas com uma veia Heavy Metal bem realçada. O peso da música contribui perfeitamente para um clima tenso, sendo muito bem interpretada pelo vocalista Don Dokken. O solo é belíssimo, repleto de feeling, o ponto alto de “Lost Behind The Wall”. Grande George Lynch!



STOP FIGHTING LOVE

A décima faixa de Back For The Attack é “Stop Fighting Love”.

“Stop Fighting Love” é uma ótima canção de Hard Rock que segue o ritmo das canções anteriores do álbum, sendo bem pesada, mas sem perder a melodia. George Lynch se destaca ao fazer belas linhas de guitarra e contribui com os vocais de Don Dokken. Mais um solo muito bonito.

A banda aposta em mais uma letra romântica, como mostra o refrão:

Stop fighting love
Baby I just want to know the reason why
Stop fighting love
Don't say goodbye
And you'll be back in my arms again



CRY OF THE GYPSY

“Cry Of The Gypsy” é a décima primeira faixa do álbum.

“Cry Of The Gypsy” tem um riff muito bom e que mantém um ritmo bastante forte e intenso, com peso marcante, flertando bastante com o Heavy Metal. A guitarra de George Lynch é, sem sombra de dúvidas, o grande destaque desta excelente canção de Back For The Attack.

As letras da canção mostram um personagem que sofre bastante, o refrão é empolgante:

Must be the gypsy
The cry of the gypsy
Must be the gypsy
The cry of the gypsy
Must be the gypsy in me



SLEEPLESS NIGHT

A décima segunda faixa do álbum é “Sleepless Night”.

“Sleepless Night” talvez seja a música mais pesada do trabalho, entretanto tem um ritmo bastante cadenciado, lento mesmo. Don Dokken faz bons vocais, mas talvez seja o ponto mais baixo do disco, mesmo longe de ser uma faixa ruim.



DREAM WARRIORS

A décima terceira, e última, faixa de Back For The Attack é “Dream Warriors”.

Com fortes influências de Heavy Metal, “Dream Warriors” é uma excelente canção e dos maiores clássicos da carreira do Dokken. O riff é bastante pesado, mas, ao mesmo tempo, repleto de melodia, refletindo toda a qualidade do guitarrista George Lynch. Don faz um trabalho excelente nos vocais e a seção rítmica está ótima!

As letras têm uma temática bastante aterrorizante, casando com sua finalidade sobre a qual trataremos:

With the dream warriors
Don't wanna dream no more
With the dream warriors
And maybe tonight
Maybe tonight you'll be gone

Como foi dito no início do texto, “Dream Warriors” foi lançada antes do álbum, como trilha sonora do filme da série da personagem Freddy Krueger, A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors.

Foi lançada como single, antes mesmo do álbum, em fevereiro de 1987. Alcançou a 22ª posição da parada norte-americana de singles e fez bastante repercussão também no Reino Unido.



Também foi feito um videoclipe para a mesma, com os integrantes da banda interagindo com personagens do filme, muito legal!

A versão de “Dream Warriors” que foi incluída em Back For The Attack, é ligeiramente mais curta e também foi remixada. Certamente, é outra das canções favoritas dos fãs e bastante presente no set list do grupo através dos anos.



Considerações Finais

Back For The Attack se tornou o álbum mais bem sucedido comercialmente da história do Dokken, estimando-se que tenha superado a casa das 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

O álbum atingiu a excelente 13ª posição da parada norte-americana de álbuns, refletindo com fidelidade a qualidade do trabalho.

Com tanto sucesso comercial e repercussão, o Dokken foi convidado a participar do Monsters Of Rock Tour, um festival de 1988, ao lado de nomes como Scorpions, Van Halen, Kingdom Come e Metallica.

Os shows que a banda realizou no Japão em abril de 1988 foram gravados e permitiram o lançamento de um álbum ao vivo, Beast from the East, surgindo oficialmente em 16 de Novembro daquele ano, alcançando a 33ª posição da parada de álbuns norte-americana.

Já em Março de 1989, o Dokken se dissolveu devido a diferenças pessoais e criativas entre Don Dokken e George Lynch. Don se lançou em carreira solo e George Lynch juntamente com o baterista Mick Brown formou a banda Lynch Mob.

George Lynch


O Dokken só voltaria a se juntar e lançar um material inédito com Dysfunctional, de maio de 1995.

Formação:
Don Dokken - Vocal
George Lynch - Guitarras
Jeff Pilson - Baixo
Mick Brown – Bateria

Faixas:
01. Kiss of Death (Lynch/Dokken/Pilson) — 5:51
02. Prisoner (Lynch/Pilson/Brown) — 4:20
03. Night by Night (Pilson/Lynch/Brown/Dokken ) — 5:23
04. Standing in the Shadows (Dokken/Lynch/Pilson) — 5:07
05. Heaven Sent (Dokken/Lynch/Pilson) — 4:52
06. Mr. Scary (Lynch/Pilson) — 4:31
07. So Many Tears (Dokken/Lynch/Pilson) — 4:56
08. Burning Like a Flame (Lynch/Pilson/Dokken/Brown) — 4:46
09. Lost Behind the Wall (Lynch/Brown/Dokken/Pilson) — 4:19
10. Stop Fighting Love (Pilson/Lynch/Dokken/Brown) — 4:52
11. Cry of the Gypsy (Dokken/Pilson/Lynch) — 4:51
12. Sleepless Night (Lynch/Brown/Pilson) — 4:32
13. Dream Warriors (Lynch/Pilson) — 4:42

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/dokken/

Opinião do Blog:
Apesar do grande sucesso na década de oitenta, hoje o Dokken não é uma banda tão conhecida assim. Isso não impede de que se reconheça a qualidade dos trabalhos lançados pelo grupo, especialmente aqueles da supracitada década.

Dois fatores despertam interesse pela banda, aos nossos olhos. O primeiro é o empenho aliado à qualidade do vocalista Don Dokken em fazer a banda especial. Don é um cantor talentoso e imprime técnica e emoção aos vocais.

O outro fator é o guitarrista George Lynch. Ele mostra do que é capaz em Back For The Attack, especialmente em seus incríveis solos, um dos maiores destaques do álbum e, também, de sua carreira.

O Dokken faz um Hard Rock que flerta constantemente com o Heavy Metal e isto está presente no ótimo álbum Back For The Attack. “Kiss Of Death”, “Dream Warriors” e “Prisoner” são grandes músicas e provas de tudo isto que se afirma.

Outra característica da banda é que, se suas músicas por muitas vezes contêm boas doses de peso, ao mesmo tempo o grupo nunca abre mão das melodias e belas linhas de guitarra.

Álbum e bandas mais que indicados pelo Blog. Dê-se uma chance de ser envolvido pela categoria deste ótimo Dokken!

11 de maio de 2012

FREE - FIRE AND WATER (1970)



Fire And Water é o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Free. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 26 de junho de 1970. As gravações ocorreram entre janeiro e junho daquele mesmo ano, em dois estúdios diferentes: Trident e no Island Studios, ambos em Londres, na Inglaterra. O produtor do álbum foi John Kelly em associação com a própria banda Free, ambos auxiliados pelo renomado Roy Thomas Baker (que trabalhou com Nazareth e Queen, entre outras bandas).

A história da formação do Free se confunde com o circuito de pubs e clubes noturnos de R&B da cena londrina dos anos 1960. Por isso, faz-se uma muito breve pausa para se falar um pouquinho sobre este cenário antes de se voltar para o surgimento do grupo Free.

O R&B, que significa Rhythm and Blues, foi um termo cunhado pelas gravadoras norte-americanas na década de 1940, para se referir à música que era tocada pelos afrodescendentes estadunidenses que começava a se tornar muito popular, naquela época, em terras ianques. O som que surgia nas grandes cidades do país tinha suas fontes no Jazz, Soul e, claro, Blues.

Com o passar do tempo, a terminologia R&B atingiu vários novos significados. Já nos anos 1950, era usado para denominar lançamentos baseados mais estritamente no Blues. Assim como, quando o Blues começou a influenciar mais fortemente o nascente Rock and Roll, a denominação R&B era usada na musicalidade “Blues elétrico”.

Durante a guerra fria, muitos militares norte-americanos foram servir no Reino Unido e, em suas bagagens, levaram para as terras britânicas várias gravações de Blues e R&B. O ritmo também foi levado para as ilhas britânicas através dos marinheiros em portos comerciais de cidades como Liverpool, Londres e Belfast, por exemplo.

Assim, vários grupos de jovens (brancos) britânicos, começaram a formar bandas que fariam uma sonoridade influenciada por essa linha R&B, mas mais elétrica e pesada, especialmente na cena de clubes noturnos de Londres. Os artistas, inicialmente, tentavam focar em uma sonoridade mais voltada ao Blues original norte-americano, incluindo muitos covers de clássicos do estilo.

Foi dali que surgiu a figura do músico Alexis Korner, o qual seria uma espécie de mentor de grandes bandas que desenvolveriam o chamado R&B britânico: Rolling Stones, The Yardbirds e The Kinks, como exemplo.

Com este “boom” da cena londrina com muitos músicos fazendo este tipo de som, surgiram muitos clubes e pubs noturnos nos quais jovens músicos poderiam expressar sua musicalidade dentro deste estilo. E é aí que aparece o Free.

Nos anos de 1966 e 1967, havia uma banda chamada Black Cat Bones que tocava bastante pelo circuito de pubs em Londres. A banda teve diversas formações, mas era marcada pelo seu talentoso guitarrista principal, um jovem de nome Paul Kossoff. No início de 1968, o grupo troca outra vez de baterista, desta vez adicionando Simon Kirke.

Kossoff e Kirke acabam se tornando amigos e, simultaneamente, insatisfeitos no Black Cat Bones, assim desejando deixar a banda e seguirem suas carreiras. Um dia, Kossoff visitou um dos clubes de R&B de Londres, na região de Finsbury Park, chamado Fickle Pickle.

Nesta visita, Paul Kossoff viu se apresentar uma banda chamada Brown Sugar. Kossoff se impressionou completamente pelo talento do vocalista do grupo, inclusive pedindo ao mesmo se ele poderia se juntar ao grupo para fazerem uma jam naquele mesmo dia! O vocalista atendia pelo nome de Paul Rodgers.

Paul Rodgers:


Assim, Rodgers e Kossoff, juntamente com o baterista Simon Kirke, decidem que formariam um novo grupo para prosseguirem na cena.

Naquela época, havia uma das bandas pioneiras de Blues na Inglaterra, a qual se chamava John Mayall & the Bluesbreakers. Entre outros, o grupo teve nomes do calibre de Eric Clapton, Peter Green e Mick Taylor. Mas quem entraria na história do Free seria um de seus ex-baixistas, Andy Fraser.

Desta forma surgiria um grupo formado por Paul Rodgers nos vocais, Paul Kossoff na guitarra, Andy Fraser no baixo e Simon Kirke na bateria.



Um dos fatos que mais impressionam na formação do grupo que mais tarde se chamaria Free eram as idades dos seus integrantes no momento em que eles se reuniram e formaram o conjunto.

No dia 19 de abril de 1968, quando o grupo se apresentou pela primeira vez em um pub londrino chamado Nag’s Head (em uma região chamada Battersea, em Londres), Paul Rodgers e Simon Kirke tinham apenas 18 anos de idade. O guitarrista Paul Kossoff estava com 17 anos e o baixista Andy Fraser, impressionantes 15 anos.

O nome Free teria sido sugerido ao grupo pelo supracitado ‘mentor’ do R&B Britânico, Alexis Korner, que ficara impressionado com uma das apresentações do conjunto em um dos pubs de Londres e resolve ajudar a banda.

Korner, então, apresentaria o já, agora, batizado Free a Chris Blackwell. Este fica encantado com o som do grupo, uma espécie de Blues bem mais pesado. Blackwell era o chefão da gravadora Island Records e, assim, acaba propondo um contrato para gravação de um álbum aos garotos.

Já em outubro de 1968, a banda entraria em estúdio para gravar seu primeiro álbum, Tons Of Sobs, que teria a produção de Guy Stevens, mas só seria lançado no dia 14 de março de 1969.

Com um orçamento baixo (cerca de 800 libras) e um grupo com pouca experiência em matéria de gravação em estúdio (Andy Fraser tinha apenas 16 anos na época da gravação), a produção do álbum é pobre. As faixas refletem basicamente o repertório que o Free apresentava em seus shows pelos pubs londrinos.

Tons Of Sobs é um ótimo álbum de Blues Rock, com ótimas faixas como “Worry”, “Walk In My Shadow” e “I’m A Mover”, por exemplo. Para se ter uma ideia do talento dos jovens garotos, 8 das 10 faixas do álbum são de autoria própria, algo que não ocorreu com Beatles ou com Rolling Stones.

Mesmo assim, o disco acaba passando despercebido tanto no Reino Unido (onde falha em entrar nas paradas de sucesso) como nos Estados Unidos – onde atingiu a modestíssima 197ª posição na parada norte-americana.

Mas o que faria o Free começar a angariar seu grupo de fãs foram suas performances impressionantes nos shows da banda. Na turnê para divulgar seu primeiro trabalho, o Free faria shows de abertura para o Blind Faith (de Eric Clapton), depois seguindo para o restante da Europa onde fariam a abertura de bandas como Spooky Tooth e o renomado Jethro Tull!

Já em Outubro de 1969, o Free lançava seu segundo álbum de estúdio, também chamado apenas de Free. Ele foi gravado durante o primeiro semestre daquele ano e, como o primeiro trabalho teve problemas com a sua produção, o próprio Chris Blackwell foi o produtor deste disco.

O álbum conta com uma belíssima capa, com a arte produzida pelo artista Ron Rafaelli.

No álbum Free, o grupo continua com suas fortes influências de Blues, mas já começando a apostar um pouco mais em uma sonoridade apontando para o Rock and Roll, sem deixar o peso de lado. Paul Rodgers está excelente em todo o trabalho.

Essa sonoridade já havia sido experimentada em Tons Of Sobs, especialmente na música “I’m a Mover” do álbum de estreia do grupo.

O segundo álbum do grupo apresentou ótimas faixas, por exemplo, as excelentes “Broad Daylight” e “I’ll Be Creepin’”, que foram ambas lançadas como singles, mas falharam para entrar nas paradas de sucesso.

O álbum Free conseguiu alcançar a boa 22ª posição da parada britânica de álbuns, mas não repercutiu nos Estados Unidos.

Mais importante que tudo isso, o segundo álbum da banda marca o início da prodigiosa parceria entre Paul Rodgers e Andy Fraser como compositores, sendo que 8 das 9 faixas do álbum foram composições dos dois músicos conjuntamente.

Tanto que o álbum tem uma presença maciça do baixo na sua sonoridade, bem mais presente que a maioria dos álbuns de outros grupos na época. O baixo de Fraser muitas vezes funciona como uma guitarra-base, dando suporte para o incrível talento de Paul Kossoff.

Entretanto, o segundo álbum do grupo marca o início de tensões entre os membros da banda. Como Andy Fraser participou ativamente das composições, começou a impor um estilo bem mais rígido aos demais membros, especialmente com Paul Kossoff. O guitarrista, que sempre se destacou pela espontaneidade ao tocar, sentiu-se ressentido por Fraser exigir uma forma estreita da guitarra de Kossoff especialmente nas passagens da guitarra-base, da maneira como o baixista queria que soassem.

Andy Fraser:


Mesmo assim, a banda continua fazendo turnês e se mantendo sempre fazendo shows durante todo o ano de 1969.

Assim, entre um show e outro, o grupo entra o ano de 1970 já compondo e fazendo gravações do que seria seu terceiro álbum de estúdio, Fire And Water.

Desta vez a Island Records decidiu que o produtor do álbum seria John Kelly, com o próprio grupo também participando da produção do álbum, contando com o auxílio de Roy Thomas Baker, o qual ficaria conhecido em seus trabalhos com o Queen.

Fire And Water lançaria o Free definitivamente para o estrelato, dando ao grupo o sucesso que tanto almejava.

A capa do trabalho é bastante simples, sendo uma fotografia com os membros da banda.

Neste trabalho, 5 das 7 faixas do disco foram compostas pela prolífica parceria entre o vocalista Paul Rodgers e o baixista Andy Fraser.

FIRE AND WATER

Homônima ao álbum, a ótima “Fire And Water” abre o disco.

O riff principal de “Fire And Water” é clássico, simples e ao mesmo tempo excelente, um trabalho contagiante do guitarrista Paul Kossoff. A seção rítmica faz um ótimo trabalho, com o baixo bem presente na faixa. A atuação de Paul Rodgers nos vocais é realmente excepcional, fazendo papel fundamental para a qualidade da canção.

O solo de Paul Kossoff é uma aula de feeling, sendo belíssimo e um verdadeiro show de sensibilidade por parte do guitarrista.

“Fire And Water” tem letras que se referem ao típico caso de amor mal resolvido, em que a personagem da música sofre pela mulher que o magoou. É o que pode ser inferido pelo ótimo refrão:

Fire and water
Must have made you there daughter
You've got what it takes
To make a poor man's heart break
A poor man's heart break

Já na segunda estrofe é perceptível o desejo de vingança pelo cantor:

Lover you turn me on
But quick as a flash your love is gone
Baby i'm gonna leave you now
But i'm gonna try and make you grieve somehow

Desnecessário dizer que a canção se tornou um dos grandes clássicos do Free, presente nos seus shows desde o seu lançamento. Curiosamente, a faixa não foi lançada como single para promover o álbum homônimo.

Uma das mais belas e legais versões para “Fire And Water” foi tocada ao vivo com a “nova versão” do Queen, com Paul Rodgers nos vocais. Uma das grandes canções do Rock and Roll, sem dúvidas.



OH I WEPT

A segunda faixa de Fire And Water é “Oh I Wept”.

A música tem uma levada bem mais calma e tranquila, soando como uma balada, mas que também deixa transparecer a influência de Blues tão marcante no grupo.

A atuação de Paul Rodgers é mais uma vez brilhante, dando linda interpretação à canção, casando-se perfeitamente com a história que é contada. Também a bateria de Simon Kirke faz um trabalho eficiente. As linhas de guitarra são belíssimas, contando com um solo realmente tocante por parte de Paul Kossoff.

As letras de “Oh I Wept” mostram alguém sofrendo e deprimido, com o desejo de fugir para longe da dor. Excelente canção!



REMEMBER

A terceira faixa do álbum é “Remember”.

“Remember” possui uma levada mais Rock And Roll, com um riff bastante simples, mas eficiente, que se estende por toda a canção. Mais um show de feeling de Paul Kossoff é percebido com seu solo maravilhoso no meio da canção.

Também compõe a ótima faixa os vocais incríveis de Paul Rodgers. O vocalista interpreta a canção, outra vez, de maneira brilhante. Fraser e Kirke fazem seu trabalho de maneira bastante eficiente.

A bela “Remember” tem letras também sobre um amor terminado, mas desta vez não retratado com dor ou sofrimento, o sentimento é mais voltado para saudade, sendo refletido com carinho, como no trecho:

Baby, oh these days are gone
And i'm all alone still remember
The good old days we spent together
Baby i can't forget
You know meI can't forget
The good old days we spent together



HEAVY LOAD

A quarta faixa do disco é “Heavy Load”.

“Heavy Load” tem um riff um pouco mais pesado, contando com um baixo bastante presente durante toda a faixa. Outra vez, Rodgers se destaca na canção, sendo o ponto mais alto da faixa.

Como o próprio nome da música deixa claro, “Heavy Load” trata de alguém que está com uma pesada angústia. O ótimo refrão da canção deixa isso bastante evidente, já que, musicalmente, a música se torna mais forte:

Oh i'm carrying a heavy load
Can't go no further down this long road
It's a heavy load...



MR. BIG

A quinta canção de Fire And Water é “Mr. Big”.

Um ótimo ‘Blues Rock’ é como a música pode ser definida. O riff principal é contagiante, mais que isso, brilhante. Paul Kossoff brilha intensamente nesta excelente canção, esbanjando feeling, encaixando as notas de maneira perfeita. Seu solo é incrível!

Paul Rodgers, só para variar, também faz outro ótimo trabalho nos vocais da canção, interpretando bem a música. Também merece destaque a atuação do baixista Andy Fraser, que aparece de maneira marcante durante “Mr. Big”.

Uma das melhores faixas da discografia do Free!



DON’T SAY YOU LOVE ME

A sexta canção do álbum é “Don’t Say You Love Me”.

A canção é uma belíssima balada, construída com lindas linhas suaves de guitarra e um trabalho praticamente perfeito da seção rítmica composta por Andy Fraser e Simon Kirke. “Don’t Say You Love Me” é a maior faixa do álbum, com mais de 6 minutos.

Mas fundamental para a música ser tão bela é, sem sombra de dúvidas, a excepcional atuação do vocalista Paul Rodgers. Durante a faixa, Rodgers intercala momentos com uma interpretação suave e outros em que ele atua com a voz bem mais agressiva. Brilhante.

Como o próprio nome diz, “Don’t Say You Love Me” é uma canção de conteúdo romântico, sobre alguém que se aproveita do amor de outra pessoa, como retrata o trecho:

Don't say you love me baby
Don't say you love me
Don't say you love me
'Cause I know it would be just a lie



ALL RIGHT NOW

A mais conhecida e o maior clássico do Free é a faixa que encerra o álbum: “All Right Now”.

Um excelente e inspirado riff tocado por Paul Kossoff abre a canção e a embala durante toda a sua duração, aumentando seu ritmo no refrão.  Kossoff esbanja feeling (solos brilhantes), outra vez, por toda faixa. Fraser e Kirke estão ótimos e a atuação de Paul Rodgers é incrível e determinante, mais uma vez!

As letras da canção são simples e demonstram um flerte de um cara com uma moça, como se vê no trecho:

I said, hey, what is this?
Now maybe, baby
Maybe she's in need of a kiss
I said, hey, what's your name?
Maybe we can see things the same

Segundo o baterista Simon Kirke, a letra de “All Right Now” teria sido escrita pelo vocalista Paul Rodgers e o baixista Andy Fraser no prédio da Durham Students' Union, órgão ligado à Universidade de Durham. Entretanto, Paul Rodgers afirmou que foi ele mesmo quem escreveu a canção. Tal afirmativa pode ser ouvida em Return Of The Champions (2005), do projeto Queen + Paul Rodgers, quando executam a música.

Há duas mixagens para a canção “All Right Now”. Uma versão presente no álbum, com mais de 5 minutos e outra, mais curta, com pouco mais de 4 minutos. A versão mais curta possui um riff inicial um pouquinho mais complexo, além de conter suaves alterações nas linhas de baixo de Andy Fraser.

“All Right Now” foi lançada como single e foi um sucesso indiscutível. Atingiu a 2ª posição da parada britânica de singles e a 4ª posição da sua correspondente norte-americana, sendo responsável por alavancar a popularidade do grupo. Em 1991, a canção foi remixada e relançada, atingindo a 8ª posição da parada britânica.



Obviamente, “All Right Now” além de ser um clássico, tornou-se uma das faixas favoritas dos fãs e presença obrigatória nos shows do Free.

“All Right Now” atingiu a 1ª posição em 20 estados nos EUA e a ASCAP (Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores) reconheceu, em 1990, que a canção teria atingido mais de 1 milhão de execuções em rádio apenas em terras ianques. Em 2006, a BMI de Londres incluiu um prêmio “Million Air” pelas 3 milhões de execuções de “All Right Now” nas rádios americanas.

“All Right Now” pode ser encontrada em diferentes mídias. É trilha sonora do episódio “Skin”, da primeira temporada do seriado Supernatural e também na série de TV The Sopranos. Ainda, também faz parte da trilha sonora do filme American Beauty (Beleza Americana, 1999).

A canção “All Right Now” possui diversas e inúmeras versões realizadas pelos mais diversos e diferentes grupos ou artistas musicais. Apenas como exemplo, The Runaways fez uma conhecida versão da canção. Rod Stewart, o grupo California (com participação do grande Ritchie Blackmore) e até mesmo Christina Aguilera, em shows, fizeram covers do clássico, entre muitos outros. E, claro, a versão que o projeto Queen + Paul Rodgers fez em seus shows é excelente!



Considerações Finais

Catapultado pelo enorme sucesso de “All Right Now”, Fire And Water também acabou se tornando um grande sucesso. Alcançou a 2ª posição na parada britânica de álbuns e a 17ª posição na parada norte-americana correspondente. Permitiu que o Free fizesse grandes shows, incluindo uma apresentação no Isle of Wight Festival para 600 mil pessoas!

Aproveitando o sucesso de Fire And Water, a banda lançou muito rapidamente seu quarto álbum de estúdio, gravado em setembro e lançado em dezembro de 1970.

Apesar de ser um ótimo álbum, Highway não foi nem de perto um sucesso comercial como Fire And Water. Em termos de posições nas paradas de sucesso, ficou com 41ª no Reino Unido e 190ª nos Estados Unidos.

Em termos de marketing, Highway cometeu um erro grave para uma banda que havia sentido muito recentemente o início de sua maior popularidade, ao omitir o nome do grupo em sua capa. Há, inclusive, uma lenda que diz que um crítico inglês fez uma resenha na qual teria dito que “é ótima essa banda Highway, parece muito com o Free”.

Com as baixas vendas de Highway, a tensão cada vez maior entre Rodgers e Fraser e o guitarrista Paul Kossoff cada vez mais debilitado pelo seu uso de drogas, o Free encerra suas atividades em 1971.

É lançado o excelente álbum ao vivo Free Live em 1971, enquanto os membros do grupo seguiram com projetos individuais.

No início de 1972, os membros originais do grupo se reúnem e resolvem deixar suas desavenças de lado para reconstruírem o Free, em um esforço para tentarem salvar Paul Kossoff, cada vez mais mergulhado no uso de drogas.

A banda lança o quinto álbum de estúdio, Free At Last, em junho de 1972. O álbum alcança a boa 9ª posição na parada britânica (69ª nos Estados Unidos), com o single “Little Bit Of Love” atingindo a 13ª posição na parada de singles do Reino Unido.

Entretanto, vários problemas surgiram durante aquele período. Em um esforço para ajudar o guitarrista, as canções foram todas creditadas a todos os membros da banda, independentemente de quem as tivera escritas. Mas Kossoff estava errático, o que levou Rodgers e Fraser a complementarem as canções ao teclado.

Na turnê, as coisas piorariam. Kossoff não se encontrava em condições físicas de se apresentar durante os shows, por vezes nem aparecendo para tocar. Andy Fraser se recorda de verem pessoas chorando ao assistirem ao estado em que o guitarrista se encontrava em shows.

Ainda em 1972, Kossoff então abandona a turnê em busca de um tratamento para sua dependência química e Andy Fraser deixa definitivamente a banda.

Durante o hiato da banda em 1971, Kossoff e o baterista Simon Kirke formaram um grupo com o baixista japonês Tetsu Yamauchi e o tecladista John “Rabbit” Bundrick. Kirke os chama para substituírem Kossoff e Fraser e assim encerrarem a turnê.

Com Tetsu e Bundrick agora como membros da banda, o Free lança seu último álbum de estúdio, Heartbreaker, em janeiro de 1973. Com um Paul Kossoff bastante ausente nas gravações, o álbum é um tanto quanto diferente dos álbuns prévios do Free. Bundrick teve papel relevante na execução das músicas, com a banda convidando músicos para substituírem Kossoff em suas ausências.

Com uma produção excelente, o álbum foi muito bem sucedido. Atingiu a 9ª posição na parada britânica e a 47ª nos Estados Unidos. O single “Wishing Well” atinge a ótima 7ª posição na parada de singles britânica.

O fato de seu guitarrista Paul Kossoff ter sido creditado como músico adicional no álbum Heartbreaker parece ter sido o ponto final no Free. Kossoff se mostraria incapacitado de fazer a turnê americana com a banda, sendo então substituído pelo guitarrista Wendell Richardson, da banda Osibisa.

Apesar do sucesso do álbum Heartbreaker, a escolha de Richardson se revela a não ideal e o grupo resolve se dissolver.

Paul Rodgers e Simon Kirke montam o Bad Company, Tetsu vai para o The Faces e Bundrick passa a ser músico de apoio (e eventualmente regular) do The Who. Paul Kossoff ainda formaria sua própria banda, o Back Street Crawler.

Em 1975, Paul Kossoff apareceria aparentemente com sua saúde recuperada e fica encantado ao ser convidado para se juntar ao Bad Company de seus ex-colegas Paul Rodgers e Simon Kirke por duas noites. Ficaria acertado que o Back Street Crawler (que já havia lançado 2 álbuns), de Kossoff, faria uma turnê britânica com o Bad Company, que teria início em 26 de abril de 1976.

Mas, infelizmente, a saúde do guitarrista Paul Kossoff ficaria mais uma vez debilitada devido a sua dependência química. Em um voo de Los Angeles para Nova Iorque, em 19 de março de 1976, Paul Kossoff morreu devido a um infarto e complicações cardíacas em consequência ao uso abusivo de drogas. Ele tinha apenas 25 anos.

Paul Kossoff:


O Free deixa um legado indubitável. A revista Rolling Stone descreve a banda como “Os pioneiros do Hard Rock Britânico”. Paul Rodgers, que ficara conhecido como “The Voice”, ficou na lista da mesma revista na 55ª posição da lista "100 Greatest Singers of All Time", enquanto o guitarrista Paul Kossoff ficou com a 51ª posição da lista dos "100 Greatest Guitarists of All Time", também da revista Rolling Stone.

Estima-se que o Free vendeu mais de 20 milhões de cópias por todo o mundo.

Formação:
Paul Rodgers – Vocal
Paul Kossoff – Guitarra
Andy Fraser – Baixo
Simon Kirke – Bateria

Faixas:
01. Fire and Water (Rodgers/Fraser) – 4:02
02. Oh I Wept (Rodgers/Kossoff) – 4:26
03. Remember (Rodgers/Fraser) – 4:20
04. Heavy Load (Rodgers/Fraser) – 5:19
05. Mr. Big (Fraser/Rodgers/Kirke/Kossoff) – 5:55
06. Don't Say You Love Me (Rodgers/Fraser) – 6:01
07. All Right Now (Rodgers/Fraser) – 5:32

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/free/

Opinião do Blog:
Talento. Não há nenhuma palavra melhor para definir a banda Free. A discografia do grupo fala por si própria e é uma comprovação dessa afirmação inicial.

Paul Rodgers dispensa maiores comentários. A qualidade dos vocais do álbum Fire And Water é apenas uma pequena amostra da qualidade do vocalista, capaz de mesclar atuações suaves, agressivas, agudos, todos com a mesma técnica. Impressionante.

A seção rítmica formada por Andy Fraser e Simon Kirke sempre fez seu trabalho de maneira eficiente, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade do som do grupo. Em Fire And Water, eles demonstram essa eficiência de maneira especial.

Aliás, o blog recomenda a audição de toda discografia do Free para que o leitor tenha ideia de como a parceria Rodgers/Fraser era inspirada e capaz de produzir canções realmente soberbas.

Paul Kossoff é um capítulo à parte. O guitarrista pode não ser o mais técnico da história, mas a sua capacidade espantosa de ser genial, mesmo sendo simples, é fabulosa. Kossoff possuía um estilo totalmente próprio, transbordando feeling em suas linhas e seus magníficos solos de guitarra. O Free foi uma banda especial muito pelo talento de seu “Guitar Hero”.

Kossoff era tão especial que foi admirado pelo guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page, muito pela simplicidade genial de seus riffs. Outro grande fã de Paul Kossoff é o guitarrista do Iron Maiden, Dave Murray, que comprou uma Fender Stratocaster que Kossoff usou, utilizando-a em diversos álbuns do Iron Maiden.

Não é necessário falar mais do brilhantismo de Fire And Water. Canções como a homônima ao álbum, “Remember”, “Mr. Big” e a excepcional “All Right Now”, falam por si mesmas. O álbum mostra uma banda sensível e criativa por toda sua extensão.

O Free foi uma grande banda do Rock And Roll que, talvez, não tenha o reconhecimento tão merecido e proporcional ao seu enorme talento. Um dos pioneiros do Rock mais pesado, mas sem nunca abandonar sua veia inspirada nos mestres do Blues.

Steve Harris, baixista e líder do Iron Maiden, já citou o Free como uma de suas bandas favoritas e que o inspirou.

Mais uma vez, o Blog recomenda não somente este álbum, assim como toda a discografia da incrível banda Free!

6 de maio de 2012

BLACK SABBATH - MASTER OF REALITY (1971)


*Post sugerido e dedicado ao amigo Valcir Farias Jr. (R.I.P.)


Master Of Reality é o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Black Sabbath. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 21 de julho de 1971. As gravações ocorreram entre 5 de fevereiro e 5 de abril daquele mesmo ano no Island Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou sob a responsabilidade de Rodger Bain, com quem a banda trabalhou em seus dois álbuns antecessores. Este seria o último trabalho do Black Sabbath com o supracitado produtor.

19 de abril de 2012

DEEP PURPLE - MACHINE HEAD (1972)



Homenagem aos 40 anos de lançamento deste álbum

Machine Head é o sexto álbum de estúdio da banda inglesa Deep Purple. Seu lançamento oficial se deu no mês de março do ano de 1972, sendo que as gravações do mesmo ocorreram entre os dias 6 e 21 de dezembro de 1971, no Grand Hotel, em Montreux, na Suíça. A produção ficou a cargo da banda, com o auxílio do lendário Martin Birch.