10 de fevereiro de 2026

MERCYFUL FATE - MELISSA (1983)

 


Melissa é o álbum de estreia da banda dinamarquesa Mercyful Fate. O seu lançamento oficial aconteceu em outubro de 1983, através do selo Roadrunner. As gravações ocorreram entre 18 e 29 de julho daquele mesmo ano no Easy Sound, em Copenhague. A produção ficou a cargo de Henrik Lund.


Hora do site abordar uma das bandas únicas e mais incríveis do Heavy Metal: o Mercyful Fate e seu álbum Melissa.





Formação


O Mercyful Fate foi originalmente formado em Copenhagen, Dinamarca, em 1981, após a dissolução da banda Brats. A Brats era uma banda de punk/metal, com futuros membros do Mercyful Fate, o vocalista King Diamond e os guitarristas Hank Shermann e Michael Denner.


Depois de dois álbuns de estúdio e várias mudanças de formação (incluindo a adição de Diamond e a saída de Denner), Diamond e Shermann começaram a escrever um novo material que era muito mais pesado do que qualquer trabalho anterior da Brats.


Hank Shermann



A gravadora a que a banda pertencia, a CBS, não gostou do material e exigiu que parassem de cantar em inglês e se tornassem mais comerciais. Como resultado, Diamond e Shermann deixaram o grupo e formaram o Mercyful Fate. O ex-baixista do Rock Nalle, Ole Beich (mais tarde do LA Guns e Guns N' Roses) juntou-se brevemente à banda nessa época.


Após várias mudanças de formação e fitas demo semi-profissionais, o Mercyful Fate lançou seu EP autointitulado em 1982. Esta formação, composta por King Diamond, Hank Shermann, o baixista Timi Hansen, o baterista Kim Ruzz e o guitarrista Michael Denner, gravaria os dois primeiros álbuns de estúdio do grupo.


Melissa


Em 18 de julho de 1983, o Mercyful Fate começou a gravar no Easy Sounds Studios, em Copenhague, com o produtor Henrik Lund, que era coproprietário do estúdio junto com seu irmão. A banda passou 12 dias em estúdio para gravar e mixar Melissa.


Michael Denner



As músicas foram cuidadosamente arranjadas e ensaiadas com antecedência para aproveitar ao máximo o tempo limitado. Lund, que nunca havia produzido uma banda de metal antes, mixou o álbum sozinho, mas aceitou sugestões dos músicos sobre suas diferentes versões. A banda achou esse procedimento muito irritante, mas, em retrospecto, Diamond entende "que ele não queria um bando de amadores pendurados em seus ombros".


Naquela época, a gravadora pediu à banda que fizesse um cover, então a banda gravou "Immigrant Song" do Led Zeppelin. A banda a rejeitou porque sentiu que não combinava muito bem com as letras e a sensação do álbum. Segundo Shermann, a atuação de Diamond foi muito surpreendente, pois soou muito próximo dos vocais originais de Robert Plant.


Parte do material do álbum teve suas raízes em demos gravadas quando os músicos eram membros das bandas underground Black Rose e Brats: "Curse of the Pharaohs", que foi originalmente intitulada "Night Riders", em uma antiga demo da Brats, foi renomeada depois que King Diamond mudou a letra originalmente escrita pelo baixista dos Brats.



"Love Criminals", na verdade a primeira música que o Mercyful Fate compôs, foi renomeada para "Into the Coven", que originalmente deveria ser o título do álbum também. O disco também contém "Satan's Fall" que, como lembra Michael Denner, demorou muito para aprender e provocou uma sensação estranha nas poucas vezes que ele a ouviu. Hank Shermann compôs a música para esta canção, que foi criada durante muitas noites sem dormir em sua guitarra desconectado em sua sala de estar. A banda continuou ensaiando a música por um longo tempo em sua forma inacabada, enquanto Shermann adicionava continuamente novas partes. De acordo com Denner, existem cerca de dezesseis riffs diferentes em "Satan's Fall", que foi a música mais longa da banda com mais de 11 minutos, até a banda lançar Dead Again, em que a faixa-título tem 13 minutos de duração.


King Diamond



Em dezembro de 1983, o single "Black Funeral" foi lançado pelo selo Music For Nations. Continha no lado B a música "Black Masses", que foi gravada durante as sessões de Melissa, mas foi excluída do álbum. Foi a primeira música gravada na sessão inicial e o som não era totalmente satisfatório, então a faixa foi reduzida apenas a um lado B.


Vamos às faixas:


EVIL


Evil” abre o disco com potência e agressividade, sendo brindada com vocais incríveis de King Diamond.


A letra abre o álbum com um narrador ressuscitado de um cemitério que se declara soldado do inferno, dedicado à dor e sofrimento alheios. Ele descreve prazer em ouvir gritos, contemplar funerais e até profanar corpos.


CURSE OF THE PHARAOHS


O riff inicial de “Curse of the Pharaohs” é simplesmente matador. O peso é uma constante com as guitarras muito afiadas.


A letra fala de cemitérios e a maldição que atinge quem perturba os mortos ou tenta roubar tesouros — uma narrativa que mistura folclore de faraós com advertências macabras.


INTO THE COVEN


O começo lúdico de “Into the Coven” pode enganar, mas logo outro riff arrepiante coloca as coisas no lugar. Pesada e atmosférica, esta música é fenomenal.


A letra convida o ouvinte a “entrar no coven”, tornando-se filho de Lúcifer. A canção usa imagens de rituais, sangue, cruzes profanadas e renúncia de símbolos cristãos, construindo um cenário de iniciação ao ocultismo.


AT THE SOUND OF THE DEMON BELL


Mais uma porrada, esta faixa traz um instrumental furioso e vocais bem agressivos de Diamond.


Aqui a narrativa lírica conjura Halloween, toque de sinos demoníacos e ascensão de espíritos. A letra incorpora imagens de confrontos entre forças do bem e do mal, com referências a entidades demoníacas e a queda simbólica de figuras tradicionais de autoridade religiosa.





BLACK FUNERAL


Apesar de ser a menor canção do trabalho, sua intensidade e seu peso fazem dela uma ótima peça do trabalho.


A letra descreve um “funeral negro” ritualístico em que uma vítima de um coven é celebrada com hinos a Satanás. A narrativa é curta e intensa, usando imagens satânicas explícitas para transmitir devoção e transgressão.





Black Funeral” foi, conforme se menciona anteriormente, o único single lançado para a promoção do disco. Sem maiores repercussões nas principais paradas de sucessos.


SATAN’S FALL


Com mais de 11 minutos, “Satan’s Fall” é uma máquina de bons riffs e com o melhor do que o Metal pode oferecer. A atuação vocal de Diamond chega ao ápice de sua teatralidade.


A faixa mais longa traz uma história mais épica e narrativa. Ela retrata pregadores satânicos marchando à noite, invocando sangue e poder infernal, e um destino apocalíptico ligado a sacrifícios e a ascensão de forças demoníacas. A letra combina imagens fortes de conflito, morte e desafio às normas religiosas.


MELISSA


Melissa” encerra o disco de maneira espetacular, com um instrumental emocionante e a teatralidade de Diamond em um nível estratosférico.


A faixa-título fecha o álbum com uma história mais pessoal e lírica: o narrador lamenta a perda de Melissa, uma bruxa levada pela fogueira. Ele promete vingança contra o sacerdote responsável e afirma que Melissa ainda está “com eles”.


Considerações Finais


Melissa não fez grande barulho em termos de sucesso nas principais paradas de álbuns.


Entretanto, a crítica especializada em Heavy Metal tem o disco em altíssima conta, sendo bastante elogiado em mídias como AllMusic, Colector’s Guide e Metal Forces.


Em 3 de dezembro de 1983, o Mercyful Fate foi contratado para apoiar Ozzy Osbourne em Copenhague, mas devido a uma doença por parte de Osbourne, o show foi cancelado. Mais tarde naquele mesmo mês, a banda fez um show em Copenhague como preparação para sua próxima turnê europeia.

A turnê europeia começou na Holanda em 19 de janeiro de 1984, no The Dynamo, em Eindhoven. No dia seguinte, eles se apresentaram no The Countdown Cafe em Hilversum, que foi transmitido ao vivo pela rádio nacional holandesa. No dia 21 de janeiro, eles se apresentaram em Amsterdã, no The Paradiso Theatre, onde o crânio de Melissa foi roubado do altar do palco por um fã devido à segurança local muito incompetente.


Em seguida, a banda saiu em turnê pela Itália em fevereiro, onde realizaram 6 shows, e no dia 3 de março seguinte, iniciaram sua turnê pelo Reino Unido abrindo o Manowar. Originalmente, 11 shows foram agendados, mas descobriu-se que o Mercyful Fate faria apenas um. Esse primeiro e único show aconteceu na Prefeitura de St. Albans, em Hertfordshire, onde a equipe principal não deixou tempo para o Mercyful Fate para uma passagem de som e para configurar adequadamente seu equipamento.


O engenheiro de som do Manowar até mexeu na mesa de som do Mercyful Fate durante sua apresentação, que foi reduzida de 45 para 25 minutos. O Manowar se recusou a atender ao pedido do Mercyful Fate e da Roadrunner por melhor tratamento, o que forçou a banda a deixar a turnê com grandes perdas financeiras para si mesmos, sem falar na decepção de seus fãs britânicos.


Em 5 de abril, a banda fez um show com ingressos esgotados em Saltlageret, em Copenhague. Lá, pela primeira vez, eles puderam apresentar seu novo cenário de capela. Então, no dia 30 de abril, eles começaram a trabalhar no próximo lançamento pelos próximos 19 dias, mais uma vez no Easy Sounds Studios. Em 10 de junho, a banda se apresentou no prestigiado Heavy Sound Festival em Poperinge, Bélgica. Ao lado de Mercyful Fate, o projeto também contou com Motörhead, Twisted Sister, Metallica, Barón Rojo, Lita Ford, H-Bomb e Faithful Breath.


Melissa foi identificado como um dos primeiros exemplos de metal extremo e é frequentemente considerado uma grande influência nos gêneros então em desenvolvimento de thrash metal, black metal e death metal.


Em 2017, a Rolling Stone classificou Melissa em 17º lugar em sua lista dos '100 melhores álbuns de metal de todos os tempos'.





Formação:

King Diamond – Vocal

Hank Shermann – Guitarra

Michael Denner – Guitarra

Timi Hansen – Baixo

Kim Ruzz – Bateria


Faixas:

1. Evil (Diamond/Shermann) - 4:45

2. Curse of the Pharaohs (Diamond/Shermann) - 3:57

3. Into the Coven (Diamond/Shermann) - 5:11

4. At the Sound of the Demon Bell (Diamond/Shermann) - 5:23

5. Black Funeral (Diamond/Shermann) - 2:50

6. Satan's Fall (Diamond/Shermann) - 11:23

7. Melissa (Diamond/Shermann) - 6:40


Opinião do Blog:

Melissa já está consagrado entre os melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos – e isto é incontestável.


Embora muito respeitado, o disco merecia ainda mais reconhecimento, especialmente pela qualidade estratosférica de suas composições. Os riffs criados por Hank Shermann são soberbos sendo que alguns deles estão entre os melhores da história do gênero.


O Mercyful Fate adentra o olimpo do Metal graças à maneira como o grupo conta suas histórias. Letras sombrias, com imagens de terror, banhadas no ocultismo e conteúdo anticristão, formam um arcabouço lírico que seria fartamente replicado pelas bandas do chamado Black Metal.


Outro aspecto de destaque, embora gere discussões, é a atuação do vocalista King Diamond. A sua forma de interpretar as canções, oscilando de graves aos falsetes agudíssimos, são peças centrais para o entendimento da obra. É certo que muita gente “torce o nariz” para este tipo de canto, mas aqui se acha genial.


Com canções que são verdadeiros hinos do estilo (“Evil”, “Curse of the Pharaohs”, “Melissa”), o álbum não possui músicas de enchimento. AA favorita é mesmo a antológica “Into the Coven”.


Enfim, o Mercyful Fate entrou para a história com um clássico inconteste do Metal, Melissa. Faixas poderosas, histórias criativas e a teatralidade de King Diamond formam uma das obras mais influentes e impressionantes do gênero. Obrigatório.

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