EPICA - THE PHANTOM AGONY (2003)



The Phantom Agony é o primeiro álbum de estúdio da banda holandesa chamada Epica. Seu lançamento oficial aconteceu em 9 de junho de 2003, através do selo Transmission. As gravações ocorreram entre dezembro de 2002 e março de 2003, no Gate Studio, em Wolfsburg, na Alemanha. A produção ficou por conta do renomado Sascha Paeth.

O RAC traz pela primeira vez em suas páginas a banda Epica, com seu disco de estreia. Primeiramente, far-se-á um breve histórico do grupo antes do álbum propriamente dito.


Mark Jansen

Mark Jansen nasceu em 15 de dezembro de 1978, em Reuver, na Holanda.

O After Forever foi uma banda originalmente surgida em 1995, sob o nome de Apocalypse. De início, era uma banda cover de death metal, com vocais masculinos severos. A adição da vocalista Floor Jansen, em 1997, foi responsável por transformar seu estilo e som para o metal gótico sinfônico, a fim de dar ênfase à voz soprano de Floor, em contraste com os grunhidos e gritos fornecidos por Sander Gommans e Mark Jansen.

Naquele momento, a formação do conjunto era composta por Floor Jansen, Mark Jansen, Sander Gommans, Luuk van Gerven, Jack Driessen e Joep Beckers. Logo, a banda começou a compor suas próprias músicas, e então mudou seu nome para After Forever.

O primeiro álbum, Prison of Desire, foi gravado em 2000, com a participação de Sharon den Adel, da banda holandesa Within Temptation, na música “Beyond Me”. O disco obteve ótimas críticas na Europa.

Em 2001, a banda lançou o disco Decipher, que apresentou pela primeira vez instrumentos clássicos ao vivo e um coral. Os arranjos complexos das novas composições empurraram a música do After Forever ainda mais para o gênero de metal sinfônico.

Em 2002, Mark Jansen, um dos principais compositores e fundador da banda, foi demitido do After Forever e posteriormente montou o Epica, onde continuou a buscar a combinação de metal sinfônico com elementos do death metal, já presentes nos primeiros dois álbuns do After Forever.

Mark Jansen

Simone Simons

Simone Johanna Maria Simons nasceu em 17 de janeiro de 1985.

Simons nasceu em Hoensbroek, na Holanda. Ela tem uma irmã mais nova chamada Janneke, nascida no segundo aniversário de Simone. Seu interesse pela música se manifestou muito cedo.

Simons começou a tocar flauta durante dois anos depois de ingressar na escola de música, aos 12 anos. Aos 14 anos, ela teve um ano de aulas de canto pop e, aos 15, mudou para o canto clássico depois de ouvir Oceanborn, do Nightwish, o qual continua sendo seu álbum favorito daquele conjunto.

Em um momento, Simone foi convidada para participar de um ensaio com uma banda de black metal; embora tivesse um pouco de medo de cantar. Simons cantou em um coral por alguns meses e depois ingressou no Epica, aos 17 anos de idade.

Simone Simons

Finalmente… Epica

No início de 2002, Mark Jansen deixou o After Forever por causa de diferenças criativas. Ele então começou a procurar músicos que trabalhassem para um tipo de projeto musical mais clássico/sinfônico; o qual foi inicialmente chamado de Sahara Dust.

No final de 2002, a banda cortejou Helena Michaelsen (do Trail of Tears) como sua vocalista, mas logo depois ela foi substituída pela então desconhecida Simone Simons, a qual era a namorada de Jansen na época.

A formação da banda foi completada pelo guitarrista Ad Sluijter, pelo baterista Jeroen Simons, pelo baixista Yves Huts e pelo tecladista Coen Janssen. Mais tarde, o nome do projeto foi alterado para Epica, inspirado no álbum de mesmo nome do grupo Kamelot.

O Epica então montou um coral (composto por dois homens e quatro mulheres) e uma orquestra de cordas (três violinos, dois violas, dois violoncelos e um baixo vertical) para tocar junto com eles.

Ainda sob o nome de Sahara Dust, o grupo produziu uma demo de duas músicas intitulada Cry for the Moon, em 2002. Como resultado, eles assinaram contrato com o selo Transmission Records.

The Phantom Agony

O primeiro álbum de estúdio seria lançado em junho de 2003, com a produção do renomado Sascha Paeth (Angra, Edguy, entre outros). As gravações se deram na Alemanha.

Neste álbum, Mark Jansen continua com a coleção de músicas que compõem a ‘The Embrace That Smothers’. As três primeiras partes podem ser encontradas no álbum de estréia Prison of Desire (2000), do After Forever, e as três partes seguintes podem ser encontradas em The Divine Conspiracy (2007), terceiro álbum do Epica. Essas músicas lidam com os perigos da religião organizada.

Vamos às faixas:

ADYTA (THE NEVERENDING EMBRACE)

Uma pequena introdução, com profundo caráter épico...

A letra traz um ar enigmático:

Te amplectar et vulnera tua lingam
Utinam te haberem, mi amor caelestis



SENSORIUM

Teclados proeminentes de Coen Janssen e uma bateria frenética prenunciam a entrada da bela voz de Simone Simmons, a qual canta com aquela pegada bem lírica. A faixa possui um bom ritmo e uma atmosfera bem agradável.

A letra, muito boa, divaga sobre o peso do conhecimento para quem o possui:

Being consciousness is a torment
The more we learn is the less we get
Every answer contains a new quest
A quest to non existence, a journey with no end



CRY FOR THE MOON (THE EMBRACE THAT SMOTHERS PART IV)

"Cry for the Moon" oscila entre passagens bem rápidas e pesadas em relação a outras mais calmas e com a pegada sinfônica. Os vocais também se alternam nesta dinâmica, com Simone dominando nos momentos suaves e Mark nos momentos pesados, com seu gutural.

A letra é uma crítica à religião:

Don't try to convince me with messages from God
You accuse us of sins committed by yourselves
It's easy to condemn without looking in the mirror
Behind the scenes opens reality

Cry for the Moon” foi o terceiro single de promoção a The Phantom Agony, lançado em 13 de maio de 2004.



FEINT

"Feint" é uma boa canção, suave e de andamento bem lento. É uma amostra bastante relevante dos dotes vocais de Simone Simons, cuja voz preenche e domina o ambiente. É um dos melhores momentos do disco.

A letra remete a consequências:

Every beat of your heart tore the lies all apart
Made foundations quiver
Every wave in the lake caused the porcelain to break
And I shiver

Feint” foi o segundo single lançado para a promoção do disco, sendo liberado em 8 de janeiro de 2004.



ILLUSIVE CONSENSUS

"Illusive Consensus" tem mais influências de Power Metal, com instantes em que a dinâmica da canção é bem veloz e há a presença de peso. Simone domina os vocais com a competência habitual.

A letra é uma reflexão sobre o amor:

Imperfect feelings, futile greef
Love a device against all solitude
As it all went on, the love became
A field in a dream that once had been real



FAÇADE OF REALITY ( THE EMBRACE THAT SMOTHERS PART V)

"Façade of Reality" é a uma música bem pesada para os padrões do álbum. Mais uma vez alternando momentos de peso e suavidade (e vocais agressivos e líricos, respectivamente), a dinâmica funciona eficientemente nos seus 8 minutos de duração.

A letra especula sobre a criação das religiões:

People created religious inventions
to give their lives a glimmer of hope
And to erase their fear of dying
and people created religious intentions
Only to feel superior and to have a license to kill



RUN FOR A FALL

"Run for a Fall" é outra balada bem desenvolvida no trabalho, mas, desta feita, com alguns momentos mais intensos em que o Power Metal dá às caras, especialmente com a fúria frenética do baterista Jeroen Simons e os vocais de Mark Jansen.

A letra lida com uma questão de poder:

You did not notice the manipulated hand
That overshadowed your thoughts all those years
That made you insecure
You did not notice the ancient shifting sand
That pulls you down into an everlasting shame
You will never be able to fight, never be able to hide
Run for a fall, you'd better run



SEIF AL DIN (THE EMBRACE THAT SMOTHERS PART VI)

"Seif al Din" talvez seja a canção mais pesada do disco. Os vocais são dominados pelos guturais de Mark Jansen e a melodia possui um certo toque meio árabe. 

A letra segue a temática da série, discutindo o tema da religiosidade:

The origin of a dogma
Placed in a new millennium
Vilified demons have been embraced
And given a warm welcome



THE PHANTOM AGONY

A nona - e última - faixa do álbum é a que lhe dá nome, obviamente, "The Phantom Agony". A música é a mais extensa do disco, quase atingindo os nove minutos, sendo uma espécie de síntese dos elementos que foram analisados nas canções anteriores, com ênfase no aspecto sinfônico/épico.

A letra é bastante reflexiva:

The age-old development of consciousness
Drives us away from the essence of life
We meditate too much so that our instincts
Will fade away, they fade away

The Phantom Agony” foi o primeiro single lançado para a promoção do disco, em 29 de outubro de 2003.



Considerações Finais

The Phantom Agony obteve relativo sucesso, especialmente em sua terra natal.

O álbum atingiu a 8ª posição da principal parada holandesa de sucessos, atingindo a modesta 114ª colocação em sua correspondente belga. O disco não teve repercussão em termos das duas principais paradas, a norte-americana e a britânica.

Revisões mais contemporâneas em sites especializados em Heavy Metal têm The Phantom Agony em boa conta, como, por exemplo, Lords of Metal e Metal Reviews, ambos atribuindo nota 9 (em 10) ao trabalho.

Entretanto, Eduardo Rivadavia, do site AllMusic, dá ao álbum uma nota 2,5 (em 5) afirmando: “E embora ela seja um talento operístico virtuoso em qualquer definição, a vocalista Simons simplesmente não possui a proeza vocal e a versatilidade de Floor Jansen do After Forever. Seja esse o caso por natureza ou design, sente-se que seus talentos estão sendo subutilizados; mas talvez Jansen não quisesse monopolizar os procedimentos como a mencionada Floor (embora eles aparentemente não tenham problema em objetivar sua imagem sensual na capa do álbum)”.

Por fim, Rivadavia conclui: “E para toda essa grande conceituação (os movimentos intrincadamente entrelaçados de The Phantom Agony realmente equivalem a um álbum conceitual), o que você tem aqui é um LP com o mesmo som e padrões de metal sinfônico: envolvente liricamente e de visão corajosa, com certeza, mas perturbadoramente com falta de composições e, finalmente, sem os picos e vales dramáticos definidores do gênero”.

O álbum foi relançado em 23 de março de 2013, coincidindo com o show Retrospect, de 10 anos do Epica, como uma edição expandida em 2 discos da antiga gravadora da banda, a Transmission Records.

Um segundo álbum viria em 2005, com Consign to Oblivion.



Formação:
Simone Simons - Vocal
Mark Jansen - Guitarras, Grunhidos, Gritos, Arranjos Orquestrais
Ad Sluijter - Guitarras
Coen Janssen - Arranjos para Sintetizadores e Piano, Orquestra e Coro
Yves Huts - Baixo
Jeroen Simons - Bateria
Músicos adicionais:
Olaf Reitmeier - Violões em 04 e 07
Annette Berryman - flauta em 07

Faixas:
01. Adyta (The Neverending Embrace) (Simons/Jansen) - 1:27
02. Sensorium (Jansen/Sluijter/Janssen/Simons_ - 4:47
03. Cry for the Moon (The Embrace That Smothers, Part IV) (Jansen/Sluijter/Simons) - 6:44
04. Feint (Jansen/Sluijter/Janssen/Simons) - 4:18
05. Illusive Consensus (Jansen/Sluijter/Janssen/Simons) - 4:59
06. Façade of Reality (The Embrace That Smothers, Part V) (Jansen/Sluijter/Simons) - 8:10
07. Run for a Fall (Jansen/Sluijter/Janssen/Simons) - 6:31
08. Seif al Din (The Embrace That Smothers, Part VI) (Jansen/Sluijter) - 5:47
09. The Phantom Agony (Jansen/Sluijter/Huts) - 9:00

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/epica/

Opinião do Blog:
O texto deixou claro que quem faz o RAC tem no Epica uma banda de seu agrado.

A banda se mostra bem competente no que se propõe a fazer, com os músicos que a compõem refletindo esta eficiência, especialmente o baterista Jeroen Simons, uma verdadeira metralhadora nas passagens mais agressivas do disco.

Mas, para o RAC, o destaque individual é realmente a lindíssima voz de Simone Simons. Curiosamente, a audição de The Phantom Agony revela até um subaproveitamento do potencial de Simone, pois ela poderia explorar mais nuances de seus vocais ao invés da quase exclusivamente pegada lírica.

Em contrapartida, mesmo não sendo fã de vocais guturais, Mark Jansen cumpre razoavelmente seu papel ao “cantar”, estando muito distante dos melhores nomes do gênero, mas sem comprometer decisivamente o resultado da obra.

Apostando em uma sonoridade que mescla o Power Metal com a musicalidade Erudita/Sinfônica, o Epica peca, às vezes, pela unidimensionalidade em The Phantom Agony. Explica-se: nas faixas mais extensas, o grupo acaba se repetindo nas dinâmicas destas canções.

Isto não desmerece o trabalho, mas deixa claro, para o RAC, que os melhores momentos do álbum são aqueles que vão direto ao ponto: “Sensorium”, “Feint” e “Illusive Consensus”.


Enfim, The Phantom Agony mostra uma banda nova que buscava sua sonoridade própria e aprimorar suas qualidades. No entanto, o disco já claramente apresenta boas canções e todo o potencial que o Epica mostraria em trabalhos seguintes.

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