31 de julho de 2011

DIO - HOLY DIVER (1983)



Holy Diver é o álbum de estreia da carreira solo de Ronnie James Dio. Seu lançamento ocorreu no dia 25 de maio de 1983 e a produção ficou sob responsabilidade do próprio Dio. O álbum foi gravado já em 1983 no Sound City Studios, em Van Nuys, na Califórnia.

Quando se lançou em carreira solo, Ronnie batizou sua banda simplesmente de DIO, pois era um nome reconhecido internacionalmente, devido, principalmente, sua presença anteriormente em bandas consagradas do rock, como Rainbow e Black Sabbath.

Em 1982, Dio ainda estava como vocalista do Black Sabbath, embora alguns problemas já tivessem acontecido anteriormente e desgastado a relação de Dio com os demais membros do Sabbath.

Já em 1980, quando gravaram o clássico Heaven And Hell, Dio ficou irritado quando o álbum foi lançado e as composições das músicas foram creditadas a todos os membros da banda. Dio afirmou posteriormente que ele e Tony Iommi foram responsáveis pela criação musical de todo o álbum.

Durante a gravação de Mob Rules, em 1981, o problema foi outro. Dio afirmou que lutava diariamente contra o que chamou de “negatividade” da banda, mais notadamente do baixista Geezer Butler. Dio disse que apresentava as canções para os membros do grupo e tinha que enfrentar o pessimismo que havia em relação às gravações e a repercussão das músicas. Este descontentamento foi explicitado na música “Over And Over” do próprio álbum.

Ao sair em turnê em 1981, algumas apresentações foram gravadas para lançarem um álbum ao vivo, Live Evil, de 1982. Durante a mixagem do álbum, Dio foi acusado de “sabotagem” pelos demais membros da banda, acusando-o de entrar nos estúdios e aumentar o volume de sua voz nas faixas.

Com isso, Dio é demitido da banda. Para continuar sua carreira, o vocalista decide montar uma banda própria e que permitisse explorar suas características como compositor. O baterista do Black Sabbath na época e grande amigo de Dio, Vinny Appice, também deixa o Sabbath e o acompanha para sua nova banda.

Para a guitarra o escolhido foi Vivian Campbell, que era da banda Sweet Savage, e depois veio a tocar em bandas do calibre de Whitesnake e Def Leppard. Quando Campbell se reúne à banda, a maior parte de Holy Diver já estava composta. O guitarrista ainda gravaria mais dois álbuns com Dio, The Last In Line (1984) e Sacred Hart (1985). Mas, por motivos comerciais, os dois acabariam tendo uma contenda judicial e nunca foram amigos. Encontram-se algumas entrevistas em que Campbell ‘detona’ Dio, especialmente enquanto ‘homem de negócios’.

O baixista foi um velho conhecido de Dio, Jimmy Bain, que havia tocado ele com no clássico do Rainbow, Rising, de 1976 (já analisado por este blog). Inclusive, para a gravação do álbum Holy Diver, Bain e Dio se revezaram nos teclados, pois a banda ainda não contava com um tecladista.

Para a turnê, o tecladista Claude Schnell foi contratado e trabalharia em mais alguns álbuns com o vocalista.

A arte da capa causou alguma polêmica, pois possui um desenho de um demônio matando um padre. Dio disse certa vez que a capa pode ser interpretada ao contrário, com o Padre matando o demônio. O diabo é o mascote da banda, chamado Murray, e também apresenta o logotipo da banda Dio, que alguns dizem que pode ser lido como Die (matar, em inglês) ou Devil (diabo, em inglês). Ronnie James Dio disse que isso foi tirado das cabeças das pessoas, que o que está escrito é apenas o nome da banda.

“Stand Up And Shout” abre o álbum de forma magnífica. É uma canção bem rápida, com um riff excepcional e um vocal forte e impressionante de Dio. O solo de guitarra de Campbell também é ótimo, com muita velocidade. É realmente uma ótima faixa para se começar um grande trabalho.

A faixa homônima ao álbum, “Holy Diver”, é a segunda do álbum. Trata-se de um dos grandes clássicos não só da carreira do vocalista, mas da história do Heavy Metal. A canção começa com um som do vento acompanhado pelo teclado. O riff da canção é forte e marcante, com ótima atuação de Dio nos vocais. O solo também é dos melhores.

Quando era tocada nas rádios, as mesmas cortavam a introdução instrumental da música. Lançada como single, alcançou apenas a quadragésima posição nas paradas dos Estados Unidos. Era presença mais que obrigatória nos shows de Dio.

“Gypsy” é a terceira faixa do álbum. A faixa também aposta em um riff bem rápido e pesado e conta com ótimos solos por parte do talentoso Campbell. O vocal de Dio é bem agressivo. Trata-se de uma canção de curta duração, mas mesmo assim é muito boa.

“Caught In The Middle” é a quarta canção do álbum. O riff da faixa é ótimo, bem contagiante. Ela não é tão rápida quanto as anteriores, tem um ritmo um tanto mais cadenciado. A atuação de Dio nos vocais é fabulosa, abusando dos agudos, mas sem soar forçado. O refrão é empolgante e de excelente gosto. Um dos pontos mais altos do álbum.

Na sequência surge a fantástica “Don’t Talk To Strangers”. A música se inicia em um ritmo bastante lento, em ritmo muito leve, quase soando como uma balada. Entretanto, a canção, após esta introdução suave, desencadeia em um riff poderoso e pesado, de ritmo bem mais veloz, dando margem a vocais mais agressivos de Dio. Os solos são ótimos. Mais para o final a faixa volta ao ritmo inicial. A atuação do vocalista nesta faixa é fabulosa. Excepcional faixa!

“Straight Through The Heart” é mais uma faixa pesada e que conta com vocais ótimos do grande vocalista. Tem um ritmo mais cadenciado e contém um dos melhores e mais inspirados solos do álbum. O solo final é pequeno, mas também muito bom.

“Invisible” tem uma introdução bem mais lenta e suave, com ótima atuação de Dio, demonstrando sua versatilidade. Mas também logo dá espaço a um riff mais forte, embora não seja dos mais velozes. O refrão também é ótimo.

Mais um grande clássico da carreira de Dio está presente no álbum, é a mais que conhecida “Rainbow In The Dark”.

Certa vez Dio afirmou que após gravar “Rainbow In The Dark”, ele ficou bastante descontente com o resultado da faixa, considerando-a muito pop. Disse que teve vontade de destruir a fita, mas foi persuadido pelos demais membros da banda a não o fazer, pois eles gostaram da música. Curiosamente, ela se tornou um dos maiores sucessos da carreira do baixinho e uma das prediletas de seu público fiel. Dio agradeceu bastante aos seus companheiros de banda por não tê-lo permitido destruir o clássico!

A letra é uma referência ao seu sentimento quando foi dispensado do Black Sabbath, sentindo-se rejeitado e sozinho, como um “Rainbow In The Dark”, apesar da canção conter no nome a denominação de outra banda anterior de Dio, o Rainbow.

Lançada como single, alcançou a 14ª posição na parada norte-americana, a Billboard. Também foi produzido um videoclipe para promovê-la.

A ótima “Shame On The Night” fecha o álbum, uma canção mais cadenciada, mas repleta de peso e melodia. O destaque vai para a atuação magnífica de Dio nos vocais, imprimindo muita emoção na interpretação da faixa.

Todas as letras de Holy Diver são de autoria de Ronnie James Dio.

Após o lançamento do álbum, a banda iniciou a Holy Diver Tour, para promover o álbum. Na parada norte-americana de álbuns, Holy Diver alcançou a 13ª posição, além de sempre estar muito bem posicionado em todas as eleições de grandes discos de Heavy Metal de ‘todos os tempos’.

Já em 1984 a banda gravaria seu segundo álbum de estúdio, o ótimo “The Last In Line”.

Em 2005, Dio gravou um álbum ao vivo que continha todas as faixas de Holy Diver tocadas na íntegra, o álbum Holy Diver – Live. Uma justa homenagem a este álbum fantástico.

Infelizmente, Ronnie James Dio faleceu no dia 16 de maio de 2010, vítima de complicações decorrentes de um câncer de estômago.

Formação:
Ronnie James Dio – Vocal, Teclados
Vivian Campbell – Guitarra
Jimmy Bain – Baixo, Teclados
Vinny Appice – Bateria

Faixas:
01. Stand Up and Shout (Bain/Dio) - 3:18
02. Holy Diver (Dio) - 5:51
03. Gypsy (Campbell/Dio) - 3:39
04. Caught in the Middle (Appice/Campbell/Dio) - 4:14
05. Don't Talk to Strangers (Dio) - 4:53
06. Straight Through the Heart (Bain/Dio) - 4:31
07. Invisible (Appice/Campbell/Dio) - 5:24
08. Rainbow in the Dark (Appice/Bain/Campbell/Dio) - 4:15
09. Shame on the Night (Appice/Bain/Campbell/Dio) - 5:20

Letras:
Para conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/dio/

Opinião do Blog:
Esta resenha é antes de mais nada uma humilde, mas sincera homenagem ao grande talento de Ronnie James Dio, não apenas como o excepcional vocalista que foi, mas também para o também grande compositor.

Dio teve grandes trabalhos à frente de todas as bandas nas quais se apresentou, seja no Elf, no Rainbow, no Black Sabbath (Heaven And Hell) e em sua carreira solo. São inúmeros álbuns e músicas, verdadeiros hinos do Rock And Roll, como Rising, do Rainbow  e Heaven And Hell do Black Sabbath, só como exemplos.

Holy Diver é uma aula de Heavy Metal, uma grande amostra que o peso do estilo não limita a criatividade e nem prejudica as melodias nas canções. Um álbum fantástico, repleto de músicas que são clássicos dentro do estilo.

Infelizmente, Dio nos deixou em 2010 e ficou uma sensação de enorme perda para o mundo metal. Não somente pelo talento enorme que possuía, mas pelo caráter de sua pessoa, basta vermos as manifestações dos mais diferentes músicos quando de seu falecimento.

Dio se foi, mas sua obra ficará para sempre. Cabe aos fãs desse grande vocalista, apresentarmos sua obra às novas gerações, apresentando-lhes quem foi uma das maiores, se não a maior, vozes da história do Heavy Metal. RIP, Dio!

Vídeos Recomendados:

Holy Diver, ao vivo em 2005


Caught In The Middle


Don't Talk To Strangers, ao vivo


Rainbow In The Dark, ao vivo


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7 comentários:

  1. Adoro esse album! *-*
    To seguindo!
    http://apenasrhaysnake.blogspot.com/

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  2. A voz do Dio era magnifíca,ele transmitia emoção atravéz dela, foi realmente uma grande perda para o mundo metal !
    Holy Diver é um ótimo álbum, adoro as músicas e os solos de cada uma delas >.<

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  3. Todas as músicas do álbum são ótimas.

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  4. Respeito a memória do Dio. O cara foi realmente um mito no rock, mas seus trabalhos sinceramente nunca fizeram a minha cabeça. Sobre o disco Holy Diver, entendo a importância que este disco tem para a história da música em geral, mas acho que dele só conheço a faixa-título e a super-manjada "Rainbow in the Dark".

    Em suma, preciso ouvir melhor os trabalhos dele, e se as outras faixas de Holy Diver forem melhores do que as duas que eu citei, já é um bom começo. No mais, R.I.P. Mestre Dio!

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    1. Este comentário foi muito bom, Igor, muito obrigado. É muito legal este seu reconhecimento pelo Dio, mesmo não sendo fã do cara.

      Eu cresci ouvindo os trabalhos dele. Gosto desde o princípio do Elf até sua carreira solo. Holy Diver é o ponto mais alto de sua carreira solo, que possui outros bons trabalhos como o seguinte, The Last in Line.

      Mas acho que é essencial, para se apurar a grandeza do Dio, conferir seus trabalhos no Rainbow (com o fabuloso Rising (1976)) e, claro, no Black Sabbath com álbuns fantásticos como Heaven and Hell (1980).

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