12 de agosto de 2016

OZZY OSBOURNE - NO MORE TEARS (1991)


No More Tears é o sexto álbum de estúdio do vocalista britânico Ozzy Osbourne. Seu lançamento oficial aconteceu em 17 de setembro de 1991, através do selo Epic. As gravações ocorreram durante aquele mesmo ano no A&M Studios e no Devonshire Studios, ambos em Los Angeles, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta dos produtores Duane Baron e John Purdell.


Após um tempo, Ozzy Osbourne volta ao Blog com um de seus trabalhos mais bem-sucedidos em sua vitoriosa carreira solo. Vai-se tratar dos fatos que antecederam o lançamento do disco para depois passar-se ao faixa a faixa.

Praticamente 3 anos antes, em 28 de setembro de 1988, Ozzy lançava seu quinto álbum de estúdio, No Rest for the Wicked.

O trabalho marcou a estreia do ótimo guitarrista Zakk Wylde, então com 21 anos de idade, como membro permanente na banda de Osbourne. Também foi o retorno do baixista Bob Daisley ao grupo, ausente desde Bark at the Moon, de 1983.

O álbum foi muito bem-sucedido, alcançando a 13ª posição na principal parada norte-americana de discos, a Billboard. Também conquistou a 23ª colocação na sua correspondente britânica.

No Rest for the Wicked contém algumas faixas muito interessantes como “Tattooed Dancer”, “Bloodbath in Paradise” e “Devil's Daughter (Holy War)”. Além disso, também traz o clássico “Miracle Man”, várias vezes presente nos shows do vocalista.

Zakk Wylde
O álbum também fez muito sucesso em termos comerciais, superando a casa dos 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

A turnê que se seguiu ao lançamento do álbum viu Osbourne se reunir com seu antigo colega de banda, Geezer Butler, baixista do Black Sabbath.

Um EP, ao vivo, batizado de Just Say Ozzy, com Geezer como baixista, foi lançado dois anos depois. Butler continuou com Osbourne para as subsequentes quatro “pernas” da turnê, sendo uma presença impactante por toda parte, atraindo ainda mais público.

Também em 1988, Osbourne participou de uma gravação, a balada "Close My Eyes Forever", um dueto com Lita Ford, que conquistou o 8º lugar na Billboard.

Em 1989, Osbourne se apresentou no Moscow Music Peace Festival.

Já em 1991, era tempo de Ozzy se preparar para lançar um sucessor a No Rest for the Wicked: este seria No More Tears.

O guitarrista Zakk Wylde contribuiu não apenas com as guitarras para o álbum, mas também na composição de todas as faixas.

O velho amigo de Osbourne, o saudoso baixista e vocalista do Motörhead, Lemmy Kilmister, coescreveu a letra de quatro músicas.

Ozzy Osbourne
Embora Mike Inez esteja presente em videoclipes e turnês promocionais do álbum, é o baixista Bob Daisley quem toca pelo álbum inteiro.

Inez é creditado como compositor da faixa-título e, embora ele não execute a gravação real, o riff de introdução, no baixo, foi composto por ele.

A capa, belíssima, e que se tornou uma imagem icônica de Ozzy, é obra de Matt Mahurin.

Vamos às faixas:

MR. TINKERTRAIN

O álbum começa com uma vinheta que remete a crianças, mas logo depois se encontra com a feroz guitarra de Zakk Wylde. O baixo de Bob Daisley e a bateria de Randy Castillo constroem uma boa base para a guitarra de Wylde. Intercalando momentos mais pesados com outros menos intensos, a faixa segue um ritmo mais cadenciado. Os vocais de Ozzy são bastante competentes.

A letra pode ser interpretada como uma referência à pedofilia:

Close the curtains and turn out the lights
Beneath my wing it's gonna be all right
A little secret just for you and me
I've got the kind of toys you've never seen
Manmade and a bit obscene
Little angel come and sit upon my knee

Lançada como single, não obteve maior repercussão nas principais paradas de sucesso desta natureza.



I DON'T WANT TO CHANGE THE WORLD

Já em sua segunda música, o estilo bem característico de Zakk Wylde é encontrado, na construção de um ótimo riff base, o qual embala a canção. O ritmo é mais cadenciado e lento, seguindo a mesma estrutura proposta na faixa anterior. O refrão funciona, mesmo soando um pouco cansativo.

A letra fala de fé e resignação:

Don't tell me stories
'Cause yesterday's glories
Have gone away, so far away
I've heard it said there's light up ahead
Lord I hope and pray
I'm here to stay

Sem dúvidas, “I Don't Want to Change the World” é um dos grandes clássicos da carreira de Ozzy Osbourne.

Há um videoclipe para a faixa, retirado do ao vivo Live & Loud, de 1993. A performance do grupo para “I Don't Want to Change the World” nesta gravação, valeu a Ozzy Osbourne seu primeiro prêmio Grammy, na categoria Best Metal Performance, em 1994.



MAMA, I'M COMING HOME

Já em "Mama, I'm Coming Home", o ritmo cai ainda mais e a melodia é tomada pela suavidade e pela leveza. Os vocais de Ozzy se adequam ao clima perfeitamente. O peso aparece notoriamente domado pela sutileza. O destaque é o belo solo de guitarra de Zakk, com bastante feeling.

A letra fala da relação entre Ozzy e Sharon, sua esposa:

Selfish love, yeah, we're both alone
The ride before the fall, yeah
But I'm gonna take this heart of stone
I just got to have it all


“Mama, I'm Coming Home” é um dos maiores sucessos de Ozzy Osbourne.

Lançada como single, atingiu a 28ª posição da principal parada desta natureza nos Estados Unidos. Também conquistou a 46ª colocação na correspondente britânica.

Está presente em várias coletâneas e álbuns ao vivo de Ozzy desde que foi lançada em No More Tears. Também há dois videoclipes feitos para a canção.



DESIRE

"Desire" se opõe às músicas que a antecedem, pois notoriamente é mais pesada e rápida. A bateria de Castillo está mais presente, mas quem dita o jogo é mesmo a guitarra de Zakk, dando bastante intensidade à faixa. O refrão é muito criativo e funciona de maneira perfeita. Uma das melhores do disco!

A letra pode ser entendida como aquilo que leva uma pessoa adiante:

It's the same old desire
Nothing has changed
Nothing's the same
Burning like fire
Don't you ever take my name in vain, oh yeah



NO MORE TEARS

A impressionante e inconfundível linha de baixo que introduz "No More Tears", criada pelo baixista Mike Inez, apresenta o clima soturno desta composição. As aparições da guitarra de Zakk Wylde são pontuais, mas, simultaneamente, precisas e intensas. O clima é mesmo mais obscuro, sombrio, fechado; muito, também, por conta de uma atuação impecável de Ozzy Osbourne nos vocais. Facilmente, "No More Tears" figura entre as melhores faixas da carreira de Ozzy. Interessante o momento de calmaria que antecede o brutal solo de guitarra de Zakk.

A letra se refere a assassinos:

So now that it's over can we just say goodbye?
I'd like, I'd like
I'd like to move on and make the most of the night
Maybe a kiss before I leave you this way
Your lips are so cold I don't know what else to say


“No More Tears” é outro grande clássico da carreira-solo de Ozzy Osbourne.

Lançada como single, atingiu a 32ª colocação da principal parada britânica desta natureza. Também conquistou a 71ª posição na correspondente norte-americana.

Uma versão editada, mais curta, da canção foi liberada para algumas estações de rádio, e pode ser ouvida na coletânea The Ozzman Cometh, de 1997. A versão completa aparece em outra compilação, chamada The Essential Ozzy Osbourne, de 2003.

O vídeo da música foi filmado para acomodar tanto a versão do álbum quanto a versão editada da música. Alguns canais de TV passavam o vídeo completo e, outros, a versão abreviada.

A faixa também aparece no filme de Adam Sandler, Little Nicky, de 2000. Na cena da batalha final, na qual Osbourne aparece, “No More Tears” pode ser ouvida em segundo plano.

Osbourne considera esta canção para ser "um presente de Deus", como relata no encarte do box Prince of Darkness, de 2005.

A canção foi refeita pelo guitarrista Zakk Wylde, como faixa bônus, na segunda reedição do álbum Sonic Brew (1998), do Black Label Society, bem como em um EP promocional chamado de No More Tears Sampler, de 1999.



S.I.N.

"S.I.N." é uma canção típica da fase da carreira-solo de Ozzy em que teve Zakk Wylde como guitarrista. É pesada, mas o ritmo é mais cadenciado e, ao mesmo tempo, o refrão cresce em intensidade. Desnecessário apontar os solos de guitarra como melhores momentos.

A letra é um pedido de libertação:

Shattered dreams lay next to broken glass
I wonder if tonight will be my last
I need an angel who will rescue me
To save me from my mental symphony



HELLRAISER

A bateria de Randy Castillo está bem intensa e ditando o ritmo em "Hellraiser", bem como o baixo de Bob Daisley, este, o grande destaque da faixa. O refrão é excelente, com intensidade e peso. O riff de guitarra principal é especialmente criativo. Outra vez, Ozzy usa sua voz para interpretar perfeitamente a letra. Ótima canção!

A letra se divide entre obrigação e prazer:

I'm living on an endless road
Around the world for rock and roll
Sometimes it feels so tough
But I still ain't had enough
Feeling all right in the noise and the light
But that's what lights my fire

A canção apareceu no primeiro trailer do game Painkiller. Uma regravação de maior qualidade é destaque no popular game, Grand Theft Auto: San Andreas, de 2004, na estação de rádio do jogo "Radio: X".

O Motörhead fez uma versão para “Hellraiser”, lançada em seu álbum March ör Die, de1992. É esta versão que é trilha sonora do filme Hellraiser III: Hell on Earth (1992), dirigido por Anthony Hickox e estrelado por Doug Bradley.



TIME AFTER TIME

"Time After Time" possui a guitarra de Zakk Wylde com seu típico peso, principalmente no refrão. Mas sua constituição prima pela suavidade, domada essencialmente por uma melodia cativante que a embala. É uma balada, mas fundamentalmente intercalando passagens pesadas em contraste com outras quase acústicas. Ótima atuação de Ozzy.

A letra fala sobre o passar do tempo:

Day after day
I watched love fade away
I wanted love to stay
Day after day
The games we play
The foolish things we say
The pain won't go away
Day after day

Lançada como single, não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.



ZOMBIE STOMP

"Zombie Stomp" possui uma introdução que supera a casa dos 2 minutos de extensão. Após isto, a música se desenvolve de forma direta, um Heavy Metal clássico, pesado e cadenciado, com a guitarra de Zakk dando as cartas, tanto pelo riff criativo, quanto pelo ótimo solo por volta dos 4 minutos de execução.

A letra é um estereótipo de insanidade:

Flirting with disaster
Morning after killing me again
Hiding from the laughter
And the demons dancing round my brain



A. V. H.

"A.V.H." segue a sonoridade de sua antecedente, com um Heavy Metal pesado e cadenciado, conduzido pela criativa guitarra de Zakk Wylde. O riff principal é bom e o refrão interessante. Destaque para o bom solo de guitarra de Wylde.

A letra pode ser inferida como um misto de culpa com a necessidade de seguir em frente:

In the darkness I can feel
The things that makes me crazy
hands of madness cold as steel
I find it quite amazing



ROAD TO NOWHERE

A décima-primeira - e última - faixa de No More Tears é "Road to Nowhere". O solo de abertura da canção é um dos melhores de toda a carreira do guitarrista Zakk Wylde, repleto de feeling e sensibilidade. A seção rítmica está presente, construindo a base para que a guitarra de Zakk dê seu show. A música se desenvolve em uma balada de uma melodia que é, ao mesmo tempo, bela e tocante. Ozzy tem mais uma atuação impactante, mas, e é necessário que se diga, acaba ofuscada pelo brilho soberbo de Wylde. Fecha o álbum de maneira esplêndida.

A letra fala, novamente, de culpa e de arrependimento:

Through all the happiness and sorrow
I guess I'd do it all again
Live for today and not tomorrow
It's still the road that never ends

Lançada como single, não obteve repercussão nas principais paradas de sucesso.

Mesmo assim, “Road to Nowhere” pode ser considerada um clássico, pois está presente na maior parte das coletâneas e álbuns ao vivo lançados por Ozzy Osbourne após No More Tears.



Considerações Finais

No More Tears é um dos maiores sucessos da carreira-solo de Ozzy Osbourne.

Em termos das principais paradas de sucesso, o álbum foi extremamente bem-sucedido: ficou com a boa 17ª posição na principal parada britânica de discos, conquistando a excepcional 7ª colocação na correspondente norte-americana. Ainda atingiu os 12º, 18º e 26º lugares nas paradas de Noruega, Suécia e Suíça, respectivamente.

A crítica especializada também recebeu bem o trabalho. William Ruhlmann, do AllMusic, dá ao disco uma nota 4, de um máximo possível de 5, atestando: “Canções como "Desire" e "S.I.N." tinham um som de metal contemporâneo e energético, e Osbourne efetivamente mudou as engrenagens para surgir com baladas suaves como "Mama, I'm Coming Home", que lhe deu seu primeiro hit Top 40 nos EUA em carreira-solo”.

O álbum gozou de muita exposição nas rádios e na MTV. Também marcou o início da prática em trazer compositores “de fora” para auxiliar na composição de material em vez de confiar “apenas” em sua banda para escrever e arranjar as músicas.

O álbum foi mixado pelo veterano produtor de rock Michael Wagener.

Conforme dito no texto, Osbourne foi premiado com um Grammy para a faixa “I Don't Want to Change the World”, retirada do disco ao vivo Live & Loud, de 1993, na categoria Melhor Performance de Metal, em 1994.

Wagener também mixou o álbum ao vivo Live & Loud, lançado em 28 de Junho de 1993. Na época, este era para ser o último disco de Osbourne e acabou conquistando a 10ª posição na principal parada norte-americana de álbuns, a Billboard. Também foi um sucesso comercial, superando a casa de 4 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

Naquele momento, Osbourne expressou seu cansaço com o processo de turnês, e proclamou sua "turnê de aposentadoria" (que era para ser de curta duração). Ela foi chamada de "No More Tours", em um trocadilho com seu álbum No More Tears.

Antes da turnê, Mike Inez, do Alice in Chains, assumiu o baixo e Kevin Jones pegou os teclados, pois John Sinclair estava em turnê com o The Cult.

No More Tears foi o último álbum de Ozzy Osbourne a conter o baixista Bob Daisley e o baterista Randy Castillo.

Todo o catálogo de Osbourne foi remasterizado e relançado no formato CD, no ano de 1995.

Entretanto, já em 1995, Ozzy Osbourne retornaria com mais um álbum de estúdio, o bom Ozzmosis.

No More Tears supera a casa dos 4,2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Ozzy Osbourne - Vocal
Zakk Wylde - Guitarra
Randy Castillo - Bateria
Mike Inez - Baixo, (não tocou no álbum)
Músicos Adicionais:
Bob Daisley - Baixo, (não era um membro oficial da banda)
John Sinclair - Teclados

Faixas:
01. Mr. Tinkertrain (Osbourne/Wylde/Castillo) - 5:57
02. I Don't Want to Change the World (Osbourne/Wylde/Castillo/Kilmister) - 4:06
03. Mama, I'm Coming Home (Osbourne/Wylde/Kilmister) - 4:12
04. Desire (Osbourne/Wylde/Castillo/Kilmister) - 5:45
05. No More Tears (Osbourne/Wylde/Castillo/Inez/Purdell) - 7:24
06. S.I.N. (Osbourne/Castillo/Wylde) - 4:47
07. Hellraiser (Osbourne/Wylde/Kilmister) - 4:53
08. Time After Time (Osbourne/Wylde) - 4:20
09. Zombie Stomp (Osbourne/Wylde/Castillo) - 6:14
10. A.V.H. (Osbourne/Wylde/Castillo) - 4:13
11. Road to Nowhere (Osbourne/Wylde/Castillo) - 5:11

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/ozzy-osbourne/

Opinião do Blog:
Obviamente que em 1991 Ozzy Osbourne já era uma figura totalmente consagrada, não apenas no Heavy Metal, mas no Rock em geral. Entretanto, as 2 décadas anteriores de abuso de substâncias e constantes turnês estavam cansando o carismático vocalista que chegou até mesmo em pensar em sua aposentadoria.

O nome de Osbourne, naquela altura, também já estava cravado na história da música, seja pelo seu ótimo álbum de estréia de sua carreira solo, Blizzard of Ozz, mas, claro, principalmente, pelo que fez na década de 70 com o Black Sabbath!

Um dos grandes méritos da carreira-solo do vocalista foi o de se cercar de músicos muito competentes, principalmente na posição de guitarrista. Se Ozzy já estava com a vida ganha, seu então recém-chegado guitarrista, Zakk Wylde, ainda tinha o que provar, após sua estreia com o Madman no bom No Rest for the Wicked, de 1988.

Em que pese seus bons trabalhos em vários projetos paralelos, não é nenhum exagero dizer que é bem possível que No More Tears seja o melhor álbum o qual Zakk Wylde gravou, tanto como guitarrista quanto como compositor.

Zakk, conhecido pelo uso da técnica de harmônicos artificiais, tem uma atuação soberba no álbum. Não somente pelo fato de ter contribuindo na composição de todas as faixas, mas pela sua presença com riffs marcantes e inspirados, bem como na sensibilidade melódica de seus solos. Basta ouvir o que ele faz em "Road to Nowhere".

Claro, a seção rítmica é mais que competente com o eficiente Randy Castillo na bateria, bem como o ótimo Bob Daisley, responsável por deixar o baixo como um dos protagonistas das canções.

Ozzy Osbourne se destaca por fazer aquilo que melhor sabe: se não é um vocalista com uma voz soberba, Osbourne é um verdadeiro mago em interpretar as letras, construindo harmonias vocais perfeitas para combinar a parte instrumental com as palavras das canções. "Hellraiser" e "No More Tears" são exemplos perfeitos disto.

As letras são boas, especialmente aquelas em que o sentimento de culpa é realçado, revelando um pouco da vida pessoal de Ozzy naquela época.

Algumas das canções mais famosas da carreira-solo de Ozzy Osbourne estão neste disco. Desta forma, a audição flui naturalmente e o ouvinte nem percebe a passagem do tempo. Clássicos como "I Don't Want to Change The World" e "Mama, I'm Coming Home" são amplamente conhecidas mesmo por não fãs do vocalista.

Mas o álbum também possui canções menos badaladas e que o Blog as considera de um patamar superior como a pesada "Desire", a intensa "Zombie Stomp" e a emblemática "Hellraiser".

No entanto, deve-se destacar clássicos como a pesada e sombria faixa-título, "No More Tears", a qual conta com uma das melhores atuações de Ozzy em toda a sua carreira-solo. 

Bem como a belíssima balada "Road to Nowhere", uma fortíssima candidata à faixa preferida de toda carreira-solo do Madman para o blogueiro, muito graças à atuação soberba do guitarrista Zakk Wylde.

Enfim, No More Tears é um dos mais emblemáticos álbuns de toda a carreira-solo de Ozzy Osbourne, muito por contar com faixas que se tornaram clássicos de sua extensa discografia, bem como por ser, simultaneamente, um dos melhores discos de toda a obra do guitarrista Zakk Wylde. Se não está no mesmo patamar de Blizzard of Ozz (e, para o Blog, não está), No More Tears possui um nível bastante elevado e conta com algumas das melhores composições que Ozzy gravou fora do Black Sabbath. Extremamente recomendado!

3 de agosto de 2016

GOTTHARD - G. (1996)


G. é o terceiro álbum de estúdio da banda suíça Gotthard. Seu lançamento oficial aconteceu no ano de 1996, através do selo BMG. As gravações ocorreram durante o ano de 1995, na cidade norte-americana de Los Angeles. A produção ficou por conta do ex-vocalista e baixista do Krokus, Chris von Rohr.


É hora do Blog apresentar pela primeira vez um álbum da banda suíça Gotthard, com uma pegada Hard Rock bem interessante. Como de costume, far-se-á um breve histórico antes de se tratar do álbum propriamente dito.

A primeira aparição, como músico, do vocalista e membro fundador do Gotthard, Steve Lee, aconteceu no ano de 1979, na cidade suíça de Lugano. Ele não estava com mais de 16 anos.

Esta aparição aconteceu na Aula Magna, de Lugano-Trevano, com uma banda chamada Cromo.

A formação do grupo era: Gerard Garganigo nos teclados e vocais; Tiziano Lippmann nos teclados, sintetizadores e sequenciadores; Massimo Basso no baixo e vocais; Guido Gagliano na guitarra e vocais; e Steve Lee na bateria e vocais.

Já estamos em 1988, quando Steve Lee se juntou a um grupo chamado Forsale.

Steve Lee
Agora estamos em 1992, quando uma banda foi formada em Lugano, uma cidade no cantão suíço de Ticino, de língua italiana, localizado no extremo sul do país, inicialmente denominada Krak.

O grupo foi composto pelo vocalista Steve Lee, pelo guitarrista Leo Leoni, pelo baixista Marc Lynn, e pelo baterista Hena Habegger.

A banda era orientada pelo ex-baixista/compositor/fundador da grande banda de Hard Rock da Suíça, o Krokus, Chris von Rohr.

Foi von Rohr quem sugeriu à banda que mudasse seu nome para Gotthard (um nome derivado de São Gotardo (St. Gotthard), um santo católico romano através do qual a bem-conhecida passagem de St. Gotthard, na Suíça, foi nomeada).

Também foi von Rohr quem conseguiu que o Gotthard assinasse um contrato de gravação com a gravadora BMG.

Com von Rohr na direção, como seu produtor e co-compositor, a banda passou a trabalhar na gravação de seu primeiro álbum, Gotthard (1992).

Além de von Rohr, o vocalista Lee e o guitarrista Leoni foram os principais compositores deste debut da banda. O guitarrista Vivian Campbell, do Def Leppard, tocou em duas músicas (“Firedance” e “Get Down”).

O Blog destaca as interessantes faixas “Standing In the Light”, “Mean Street Rocket”, “Angel” e o cover de “Hush”, esta baseada na versão do Deep Purple.

O Gotthard lançou 2 videoclipes com boa circulação na MTV (das canções “Hush” e “All I Care For”). O álbum passou 15 semanas na parada suíça, atingindo a sua 5ª colocação e, finalmente, ganhando status de platina.

Após algumas turnês internacionais, o Gotthard retornou ao estúdio com von Rohr, mais uma vez no leme como produtor/co-compositor, resultando em Dial Hard (1994), segundo álbum da banda.

O trabalho possui boas canções como “Higher”, “Mountain Mama”, “Love for Money”, além do cover de “Come Together”, dos Beatles.

Leo Leoni
O disco foi mais bem-sucedido que seu antecessor. Dial Hard passou várias semanas no 1º lugar da parada Suíça, também conseguindo entrar nas paradas de Alemanha e Japão.

Além disso, ganhou disco de platina, por ultrapassar a casa de 30 mil cópias apenas em seu país natal, muito graças aos bem-sucedidos videoclipes para “Mountain Mama” e “I'm on My Way”, ambos com boa circulação na MTV.

Em 1995, a banda e von Rohr viajaram para Los Angeles para gravar o álbum seguinte, G. (1996), cujo lançamento foi precedido pelo single “Father Is That Enough?”.

Vamos às faixas:

SISTER MOON

Uma melodia suave que flerta, ainda que distantemente, com uma pegada country, embala o ritmo de "Sister Moon". A canção evolui para um Hard Rock com boa dose de influência do Glam Metal dos anos 80. Se não é absolutamente original, não deixa de ser criativo e bem executado. Ótimo solo de  guitarra de Leoni.

A letra fala sobre perdão:

So Long , Lonely Days
Take Me Back Where I Belong
It's all Gone, It's All Behind
Hope You Don't Mind
Hope You Don't Mind

Foi lançada como single para promoção do álbum.



MAKE MY DAY

O Hard Rock com clara conotação oitentista continua embalando o álbum em "Make my Day". O flerte com o Heavy Metal é mais notório e, portanto, o peso está mais presente. A bateria de Habegger e o baixo de Lynn criam as condições certeiras para que a guitarra de Leoni brilhe. O resultado final é empolgante.

A letra é simples e fala sobre relacionamento:

And The Same Old Song
I Hear You Play
On And On , Again
You Gotta Make My Day



MIGHTY QUEEN

Há uma pegada mais bluesy em "Mighty Queen", bem como um flerte mais deliberado com sonoridades "Pop". O grande fator decisivo para o sucesso da faixa é o baixo de Lynn, muito presente e responsável pelo cadenciamento da canção.

A letra conta uma história sobre um esquimó:

I Like To Do Just Like The Rest,
I Like My Sugar Sweet
But Guarding Fumes And Making Haste
It Ain't My Cup Of Meat
Ev'rybody's 'neath The Trees
Feeding Pigeons On A Limb

É uma versão para “Quinn the Eskimo (The Mighty Quinn)”, originalmente composta pelo músico norte-americano Bob Dylan e primeiramente lançada pela banda inglesa Manfred Mann.



MOVIN' ON

Já "Movin' On" volta à pegada anterior do disco, com mais peso e intensidade nas faixas. Embora não tão veloz, a música se desenvolve de maneira cadenciada e com uma forte presença da guitarra. Há um toque do que a banda Poison fazia nos anos 80.

A letra é simples e jovial:

I Got A Devil In Me
Lord It's Hard To Make Believe
It's Shakin' In Me Babe
I Feel It Running , Kicking ,
He's Gotta Break Free



LET IT BE

"Let It Be" reduz o ritmo e até mesmo o peso, contando com um andamento mais arrastado e apostando em uma melodia mais suave. Impossível não trazer à memória faixas como "Is This Love?", do Whitesnake. Mas o Gotthard faz um trabalho eficiente, contando com uma ótima atuação vocal do talentoso Steve Lee. Ponto alto do álbum.

A letra é sobre sofrimento amoroso:

Let it be, let it be
Love's like a gun on me
Let it be, just let it be
Like a bag of broken glass
I was killed in the name of love

Foi outro single para promoção do álbum.



FATHER IS THAT ENOUGH?

A pegada da faixa anterior é mantida nesta canção, contando com uma melodia mais suave e pouco peso. Neste caso, a inspiração é mais as baladas de grupos do Southern Rock, de bandas como o Lynyrd Skynyrd e o Blackfoot. A execução é bonita e cativante.

A letra fala de saudosismo:

You came into my life, boy
I didn't find the words to let you know
We were like strangers, heaven knows
With a many ways to go


Conforme dito, foi um single lançado ainda em 1995, antes mesmo do lançamento do álbum.



SWEET LITTLE ROCK 'N' ROLLER

O baixo de Marc Lynn dita o ritmo novamente nesta faixa em que o peso volta, mesmo que o andamento siga mais arrastado. As guitarras ganham força em comparação às duas faixas anteriores. Os teclados estão muito presentes também, pois, aqui, a pegada é bastante influenciada pelo Rock & Roll dos anos 50, sob o qual ainda reinava o Rhythm and Blues.

A letra é sobre a vida de rock star:

I meet you right by the station
Where you callin' for me
I give you one night
I give you one heart
We need to spend some time



FIST IN YOUR FACE

"Fist In Your Face" possui o maior peso até então presente no disco, com o flerte com o Heavy Metal muito mais intenso, em algo como nos anos clássicos do Mötley Crüe. Os destaques ficam para uma marcante atuação do vocalista Steve Lee e para a guitarra de Leo Leoni, pesada e inspirada. Excelente canção!

A letra é simples:

You pushed it to the limit
Now you gotta choose tonight
Tarot woman, you're all about to loose the fight
Don't need a part time wizard
Who drives me outta my mind
Cuz' i'm allright
I gonna live it up tonight



RIDE ON

"Ride On" mantém o ritmo urgente e acelerado, contando com um andamento bem veloz. Outra vez a sonoridade aponta para os incríveis anos 80 e seu Glam Metal, o qual é tão caro para o Blog. A composição possui como destaque as guitarras de Leo Leoni atuando de modo certeiro.

A letra apresenta celebração:

Ride On , Ride On
Under One Big Sky
Ride On , Ride On
Till The Day I Die



IN THE NAME

Aqui não há flerte, o Heavy Metal predomina com peso e intensidade e até mesmo pela aura mais sombria que a composição possui. Embora cadenciada, "In The Name" é bastante pesada, a seção rítmica confere muita presença marcante à faixa, deixando a guitarra de Leoni brilhar. Música bastante interessante.

A letra questiona a fé cega:

In The Name , In The Name Of Some God
They're Fighting For Nothing
Spilling Their Blood
In The Name , In The Name Of A Sin
All Running For Cover
In A Fight They Can't Win



LAY DOWN THE LAW

"Lay Down The Law" continua pesada, mas com boa dose de uma melodia bastante maliciosa. A composição caminha na tênue linha entre o Hard e o Heavy, tornando-se bastante divertida graças, ainda, há uma pegada Blues interessantíssima.

A letra é em tom de rebeldia:

As Long As I Can Roll All The Dice
I Keep On Playing
Knock On Wood
And Even In The Darkest Of Hours
Someone's Watching Over You



HOLE IN ONE

"Hole in One" é a menor canção do álbum e conta com uma inconfundível pegada dos primeiros discos do Van Halen. Ou seja, há a presença de peso, mas muita malícia e um forte domínio da guitarra. Boa música.

A letra fala sobre sorte:

There´s one chance in a million
Just like a hole in one
When i get right into trouble
Water to my chin
I turn the wheel of fortune babe
And get another spin



ONE LIFE, ONE SOUL

A décima terceira - e última - faixa de G. é "One Life, One Soul". A canção é uma balada, contando com uma triste e suave melodia acústica que predomina por toda a sua extensão. O grande destaque é a atuação impecável de Steve Lee, realmente muito emocionante. Fecha o álbum com um bom toque comovente.

A letra é uma mensagem de esperança:

One life one soul
Forever I know
Follow me follow me
Wherever I go
One life one soul
Just waiting to flow
Follow me follow me
Don't let me go


Também foi lançada como single para promoção de G..



Considerações Finais

G. conseguiu ainda mais sucesso que seus antecessores e ajudou ao Gotthard ficar maior.

G. atingiu o topo da parada suíça desta natureza. Também conseguiu ser um álbum Top 50 na principal parada alemã.

O site AllMusic dá ao trabalho 3,5 de uma nota máxima 5.

G. foi promovido com uma turnê com ingressos esgotados na Suíça, sendo seguida por outra turnê de 20 datas na Alemanha e, também, uma sequência japonesa.

Mandy Meyer, que foi guitarrista da banda Asia, no álbum Astra (1985), tornou-se membro do conjunto neste momento.

A popularidade do Gotthard continuou inabalável na esteira de G., o qual pode ser considerado um momento de pico de popularidade da banda.

Depois de G., o Gotthard lançou D-Frosted (1997), um álbum acústico ao vivo, e Open (1999), um trabalho de estúdio padrão, e cada um deles passou cinco semanas no topo da parada de álbuns da Suíça.

G. também atingiu a marca de 30 mil álbuns vendidos apenas na Suíça.



Formação:
Steve Lee - Vocal
Leo Leoni - Guitarra e Vocais
Marc Lynn - Baixo
Hena Habegger - Bateria
Convidados:
Cat Gray - Teclados e Percussão
Sammy Sanchez - Slide Guitar
Andrew Garver - Gaita
Jane Child – Backing Vocal

Faixas:
01. Sister Moon (Lee/Leoni/Rohr) – 3:55
02. Make My Day (Lee/Leoni/Rohr) – 3:45
03. Mighty Quinn (Dylan) – 3:15
04. Movin' On (Lee/Leoni/Rohr) – 3:23
05. Let It Be (Lee/Leoni/Rohr) – 6:17
06. Father Is That Enough? (Lee/Leoni/Rohr) – 4:01
07. Sweet Little Rock 'n' Roller (Rohr/Maurer) – 3:19
08. Fist In Your Face (Lee/Leoni/Rohr) – 3:50
09. Ride On (Lee/Leoni/Rohr) – 4:08
10. In the Name (Lee/Leoni/Rohr) – 5:25
11. Lay Down the Law (Lee/Leoni/Rohr) – 3:37
12. Hole In One (Lee/Leoni/Rohr) – 3:11
13. One Life, One Soul (Lee/Leoni/Rohr) – 3:59

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/gotthard/

Opinião do Blog:
Após o mês de aniversário do Blog e entre muitos álbuns clássicos de bandas que já haviam aparecido por aqui, promove-se outra estreia de um grupo nas páginas do nosso humilde Blog: os suíços do Gotthard.

Relativamente pouco conhecido no Brasil, o Gotthard possui mais prestígio, claro, em sua terra natal e também na Alemanha. Mas como o leitor pode perceber, trata-se de um grupo com boas e inegáveis qualidades.

Uma das virtudes do grupo é possuir uma gama diversificada de influências que se somam à sua sonoridade mais padrão. A banda vai do AOR até o Heavy Metal (consulte nosso dicionário em caso de dúvida) sem muitas dificuldades, com suas composições soando de maneira orgânica e natural.

Claro, com um produtor que construiu sua fama no Hard Rock da banda Krokus, é esta vertente do Rock que se destaca na carreira do Gotthard. É, também, o estilo predominante em G.

Se não prima pela originalidade, o álbum compensa pela entrega apaixonada do grupo, com muita garra e boas doses de criatividade, fundindo sua sonoridade básica a outros estilos do Rock e que acabam conversando muito bem.

O forte do Gotthard é mesmo o conjunto, com os músicos que o formam contribuindo de maneira eficiente para a qualidade do que se ouve. Se há um destaque individual, este é o vocalista Steve Lee, que possui uma boa voz e interpretações cativantes, além de um grande carisma.

As letras são boas, mas na média em geral.

G. é um álbum longo, com 13 composições, mas em nenhum momento soa cansativo, muito por conta da já enfatizada mescla de estilos que a banda conseguiu produzir neste disco.

"Make My Day" leva o ouvinte diretamente para os anos 80, com um Hard Rock padrão anos 80, mas muito bem composto e executado. "Let It Be" é uma balada bonita e de grande influência do Whitesnake oitentista. Já "In The Name", é Heavy Metal até o talo!

Mas o Blog destaca a fusão de Hard com o Rock/Blues dos anos 50 em "Sweet Little Rock 'n' Roller", com sua aula de teclados. E "Fist in Your Face", possivelmente a melhor do álbum, e sua incontestável pegada de Mötley Crüe.

Enfim, G. é um dos melhores trabalhos do ótimo grupo suíço Gotthard. Sua mistura de Hard Rock com outras influências do Rock apresenta boa dose de inventividade sem soar forçado, resultando em composições que vão cativar ouvintes que apreciem o Hard Rock descompromissado e divertido. Álbum recomendado!

17 de julho de 2016

WHITESNAKE - LOVEHUNTER (1979)


Lovehunter é o segundo álbum de estúdio da banda inglesa Whitesnake. Seu lançamento oficial aconteceu em outubro de 1979, através do selo United Artists Records. As gravações ocorreram em maio daquele mesmo ano, no Clearwell Castle, em Gloucestershire, no Reino Unido, com o auxílio dos estúdios móveis do Rolling Stones (Mobile Studio). A produção ficou por conta de Martin Birch.


Após (quase) 5 anos, o Whitesnake volta ao Blog. Vai-se fazer um breve histórico do grupo antes de se focar no álbum propriamente dito, como sempre.

Em março de 1976, o Deep Purple terminava a turnê que divulgava o álbum Come Taste the Band (1975).

Pouco antes do último show da turnê, os dois membros remanescentes do Purple, o baterista Ian Paice e o tecladista Jon Lord, haviam decidido que o melhor a se fazer era encerrar as atividades do grupo.

O fim do conjunto foi finalmente tornado público em julho de 1976. Disse Coverdale em uma entrevista: “Eu estava com medo de deixar a banda. O Purple era a minha vida, Purple me deu a minha carreira, mas, ao mesmo tempo, eu queria sair”.

Após o desaparecimento do Deep Purple, Coverdale embarcou em uma curta carreira solo. Ele lançou seu primeiro álbum em fevereiro de 1977, intitulado White Snake.

Todas as músicas do disco foram escritas por Coverdale e o guitarrista Micky Moody.

Como seu primeiro trabalho solo, Coverdale mais tarde admitiu: "É muito difícil pensar para trás e falar sensatamente sobre o primeiro álbum. White Snake foi um esforço muito introspectivo, reflexivo e discreto, em muitos aspectos, e escrito e gravado no rescaldo do colapso do Deep Purple”.

Mesmo que o álbum não tenha sido bem-sucedido comercialmente, o seu título inspirou o nome da futura banda de Coverdale.

David Coverdale

Em 1978 Coverdale lançou seu segundo álbum solo, Northwinds, que foi recebido muito melhor que o seu anterior. Mas, antes do lançamento do disco, David já havia formado uma nova banda.

David Coverdale fundou o Whitesnake em 1978, em Middlesbrough, Cleveland, no nordeste da Inglaterra.

O núcleo da primeira formação do conjunto estava trabalhando como a banda de apoio de Coverdale, nomeada The White Snake Band, desde a turnê para promoção do primeiro álbum solo do vocalista e manteve o nome antes mesmo de ser oficialmente conhecida como Whitesnake.

Conforme dito, eles excursionaram com Coverdale como sua banda de apoio para os dois álbuns solo por ele lançados, White Snake (1977) e Northwinds (1978), entre sua saída do Deep Purple e a fundação do Whitesnake.

Naquele momento, a banda era composta por David Coverdale, pelos guitarristas Bernie Marsden e Micky Moody, pelo baixista Neil Murray, pelo baterista David "Duck" Dowle e ainda com o tecladista Brian Johnston.

Johnston logo seria substituído pelo responsável pelo órgão e teclados do Procol Harum, Pete Solley. Mas, por causa de seus inúmeros compromissos, Solley foi substituído pelo ex-tecladista do Deep Purple, Jon Lord, durante as sessões para o primeiro álbum do grupo.

O Whitesnake lançou um EP, chamado Snakebite, em junho de 1978. O EP continha 4 faixas, sendo 3 autorais e um cover, “Ain't No Love in the Heart of the City”, originalmente apresentada pelo bluesman norte-americano Bobby Bland.

Este EP, com apenas 4 canções, jamais foi lançado nos Estados Unidos. Uma versão dupla do mesmo EP, contendo mais 4 outras canções retiradas do álbum Northwinds (da carreira solo de Coverdale), totalizando 8 faixas, foi lançado em setembro de 1978.

Aproveitando o sucesso do EP, e, especialmente da faixa “Ain't No Love in the Heart of the City”, a banda resolveu gravar e lançar o seu primeiro álbum de estúdio.

Gravado e mixado em 10 dias, Trouble foi lançado em outubro de 1978.

Jon Lord

O trabalho possui boas canções como “Take Me with You”, “Lie Down (A Modern Love Song)” e a própria faixa-título, todas com uma pegada bastante Blues Rock.

O álbum acabou atingindo a 50ª posição da principal parada britânica deste tipo lançamento.

O segundo álbum viria aproximadamente um ano depois, Lovehunter.

A capa causaria uma certa controvérsia, pois contava com uma ilustração de uma mulher nua montando em uma serpente enrolada. Obra do artista Chris Achilleos.

Os trabalhos artísticos originais de Lovehunter foram roubados na década de 1980.

Vamos às faixas:

LONG WAY FROM HOME

Com um ritmo cadenciado e com um peso comedido, o álbum se inicia de forma rítmica e bastante melódica. A interpretação de Coverdale é muito sóbria e a sonoridade é envolvente. O solo é simples e com feeling. Ótimo início.

A letra é em tom de flerte:

I would do anything to be near you,
You're everything any man could claim
I see your face in the night,
I hear you calling my name


Lançada como single, atingiu a 55ª posição na principal parada britânica desta natureza, tendo até boa divulgação nas rádios do Reino Unido.



WALKING IN THE SHADOW OF THE BLUES

Um riff muito bom, pesado e intenso dita o ritmo em "Walking in the Shadow of the Blues". Evidente, como o próprio nome denuncia, trata-se de um Hard Rock setentista extremamente carregado da influência do Blues. Os teclados estão evidentes com a categoria de sempre por parte de Jon Lord. Ótimos vocais, incrível intensidade e excelente presença das guitarras formam uma das melhores composições de toda a carreira do Whitesnake. Clássico!

A letra pode ser entendida como uma ode ao estilo musical a que se refere:

I love the blues
They tell my story
If you don't feel it I will tell you once again
All of my life I've been caught up in a crossfire
'Cos I've been branded with the devil mark of Cain



HELP ME THRO' THE DAY

Nesta faixa, a pegada bluesy continua intensa, mas há um forte toque de melancolia e suavidade. As guitarras estão bastante presentes, abusando do feeling, acabando por se tornarem os grandes destaques da canção.

A letra fala sobre uma mulher:

Help me through the day,
Help me through the night
Baby your sweet loving
Will make everything all right

Trata-se de um cover para uma canção originalmente composta pelo músico norte-americano Leon Russell.



MEDICINE MAN

"Medicine Man" possui um riff forte e criativo, remetendo diretamente ao que Coverdale (e Lord) faziam no Deep Purple. Hard Rock setentista de primeira, com peso e melodia, destacando os teclados do mestre Jon Lord!

A letra é uma brincadeira romântica:

I'm the medicine man,
Your doctor of love
Medicine man,
Doctor of love



YOU 'N' ME

Em "You 'n' Me", o Whitesnake continua com o ritmo forte, repleto de melodia e malícia. Tanto as guitarras quanto o teclado contribuem decisivamente para este efeito malemolente da canção. Os vocais de Coverdale são muito bons. Boa faixa!

A letra é romântica:

I know those page three girls
In the playboy books,
Ain't got nothing on you
In the way that you look
But, an eye for an eye
A tooth for a tooth
When you get home
You better give me some truth



MEAN BUSINESS

Já "Mean Business" possui um sentimento de urgência. O ritmo é mais acelerado, rápido mesmo, com as guitarras ditando o andamento. Impossível não sentir um quê de Deep Purple, especialmente nos momentos em que Jon Lord é o protagonista.

A letra fala de uma garota:

I've got my love gun loaded
I've got you in my sight
I never take no for an answer
So you'd better say yes tonight
I told you the score
Right from the start
You'll never get to heaven
If you break my heart



LOVE HUNTER

O ritmo cadenciado e cheio de melodia, mas dotado de boa dose de peso, é a marca registrada deste clássico setentista. O grupo apresenta um Hard Rock que possui boas doses de Blues, com destaque para o baixo onipresente de Neil Murray. A atuação impecável de David Coverdale é fator decisivo para o sucesso da música.

A letra é em teor sexy:

But, I've given all I can.
I don't want no woman
To weep or moan,
I'm looking for a sweet
Heartbreaker



OUTLAW

"Outlaw" apresenta um ritmo cadenciado e direto, com as guitarras atuando em conjunto para ditar a intensidade da canção. O solo de teclado de Jon Lord é ótimo. Os vocais nesta canção são feitos pelo guitarrista Bernie Marsden.

A letra é em teor de rebeldia:

I never find it easy trying to keep the feeling alive,
I've always been a dreamer,
Dreamers find it hard to survive
When they're living in the bright lights of the big city,
A red hot town where the girls are pretty



ROCK 'N' ROLL WOMEN

"Rock 'n' Roll Women" é uma música bastante divertida, não apenas pelo teor de suas letras, mas pela criativa mistura do Rockabilly dos anos 50 com o Hard Bluesy típico do Whitesnake. A canção só não é melhor pela inexplicável passagem em que quase se torna uma balada.

A letra é divertida:

You can see in my face just what i'm hoping to find,
I want a twelve bar beauty
With a one track mind.
I don't drive babe, but, I can steer,
We got the green light
Let's get out of here



WE WISH YOU WELL

A décima - e última - faixa de Lovehunter é "We Wish You Well". A canção é bem curta, com pouco mais de 1 minuto e serviu como encerramento dos shows do Whitesnake por muito tempo. É apenas a bela voz de Coverdale e um ritmo suave e nostálgico.

A letra é em tom de despedida:

I'm sad to say
It's time to go
But until we meet again along the road
Remember this, on your journey home
When you hear the thunder roar, your not alone



Considerações Finais

Baseado em “Long Way from Home”, Lovehunter foi mais bem-sucedido que seu antecessor.

Conquistou a 29ª posição da principal parada britânica de álbuns, embora não tenha repercutido na sua correspondente norte-americana.

O álbum ganhou mais repercussão com o passar dos anos quando a banda conquistou o mundo e os, então, novos fãs começaram a procurar o material antigo do Whitesnake.

Tanto que “Walking in the Shadow of the Blues” acabou tornando-se um clássico e aparece com certa regularidade nos shows do grupo.

Eduardo Rivadavia, do AllMusic, dá ao álbum 3 de um máximo de 5 estrelas. E afirma: “Ainda assim, considerando todas as coisas, o registro é bastante consistente; a banda está igualmente em casa balançando através de “Long Way From Home”, e deslizando através da bluesy balada “Help Me Thru 'the Day””.

Pouco depois, o baterista Ian Paice substituiu David Dowle, dando ao Whitesnake três ex-membros do Deep Purple.

A nova formação entraria em ação para gravar o terceiro álbum de estúdio do grupo, o inesquecível Ready an' Willing, de 1980.



Formação:
David Coverdale - Vocais e Backing Vocals
Micky Moody - Guitarras, Slide Guitar, Backing Vocals
Bernie Marsden - Guitarras, Backing Vocals e Vocal principal em 8
Jon Lord - Teclados
Neil Murray - Baixo
Dave Dowle - Bateria

Faixas:
01. Long Way from Home (Coverdale) – 4:58
02. Walking in the Shadow of the Blues (Coverdale/Marsden) – 4:26
03. Help Me Thro' the Day (Russell) – 4:40
04. Medicine Man (Coverdale) – 4:00
05. You 'n' Me (Coverdale/Marsden) – 3:25
06. Mean Business (Coverdale/Moody/Marsden/Murray/Lord/Dowle) – 3:49
07. Love Hunter (Coverdale/Moody/Marsden) – 5:38
08. Outlaw (Coverdale/Marsden/Lord) – 4:04
09. Rock 'n' Roll Women (Coverdale/Moody) – 4:44
10. We Wish You Well (Coverdale) – 1:39

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/whitesnake/

Opinião do Blog:
O Whitesnake caracteriza-se por duas fases bem distintas em sua carreira: a primeira, na qual a banda baseava sua sonoridade no Hard Rock setentista com uma inconfundível influência do Blues norte-americano. A segunda fase, o grupo abraçou o Hard Rock dos anos 80, flertando deliberadamente com o Glam Metal. Em ambas o Blog consegue ver qualidades e trabalhos memoráveis.

Lovehunter está localizado na primeira fase e conta com uma coleção de canções que satisfazem gloriosamente os fãs do Hard Rock setentista.

Naquele ponto, logo após sair do Deep Purple, arriscar-se em uma pouco repercutida carreira-solo, Coverdale resolveu criar uma nova banda e o sucesso comercial chegaria novamente em sua profissão. Nem tanto nesta fase, mas, ao mesmo tempo, alguns de seus trabalhos mais marcantes aconteceram neste momento.

Com um time de peso o acompanhando, o resultado não poderia ser outro.

A seção rítmica é onipresente e eficiente, composta pelo baixista Neil Murray e o baterista Dave Dowle. As guitarras também funcionam de maneira ótima, tanto nos solos quanto nos riffs. Bernie Marsden ainda se arrisca nos vocais em "Outlaw", com um resultado bem mediano.

Mas os destaques são os vocais sempre eficientes de David Coverdale, portador de uma inconfundível e bela voz. E o mestre dos teclados Jon Lord que, se não possui o mesmo protagonismo que havia no Deep Purple, quando é chamado a trabalhar, mostra a categoria que lhe é peculiar.

As letras são na média geral.

Lovehunter é um álbum bem coeso. A maior parte de seu conteúdo é muito acima da média normal, trazendo brilho aos ouvintes fãs de seu estilo.

A melodiosa "Long Way from Home" e a direta "Mean Business" são ótimas amostras da versatilidade do grupo. Neste patamar também entra a ótima versão para "Help Me Thro' the Day".

A bluesy "Medicine Man" é uma grande composição. Assim como a maliciosa faixa-título, uma das melhores músicas desta fase inicial do Whitesnake. E ainda temos "Walking in the Shadow of the Blues", fortíssima candidata a melhor música da carreira da banda.

Enfim, é dispensável realçar ainda mais como o Whitesnake é uma das grandes bandas do Hard Rock em todos os tempos. Lovehunter é uma amostra do potencial de fogo que o conjunto possuía nos seus primórdios e como a fusão de peso e melodia podia ser bem costurada. Álbum mais que recomendado!