6 de março de 2015

MICHAEL SCHENKER GROUP - THE MICHAEL SCHENKER GROUP (1980)


The Michael Schenker Group é o álbum de estreia da banda de mesmo nome, assim sendo, o Michael Schenker Group. Seu lançamento oficial aconteceu em Agosto de 1980 através do selo Chrysalis. As gravações ocorreram entre Maio e Julho daquele mesmo ano, no Wessex Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou a cargo de Roger Glover.


O Michael Schenker Group foi a banda formada pelo excelente guitarrista alemão Michael Schenker com a finalidade de dar continuidade em sua carreira de forma mais autonômica. O Blog vai tratar da origem do projeto para depois apresentar o álbum, como de costume.

Em Junho de 1978, a excelente banda britânica UFO lançava seu sétimo álbum de estúdio, Obsession, o quinto contando com o guitarrista alemão Michael Schenker em sua formação. No disco há ótimas canções como “Only You Can Rock Me” e “Hot 'n' Ready”.

Mais tarde, ainda em 1978, a banda saiu em turnê nos EUA e gravou um álbum ao vivo, Strangers In The Night, que foi lançado em janeiro de 1979. Strangers foi um grande sucesso comercial e de crítica, chegando à 8ª posição da parada britânica de discos.

Apesar do crescente sucesso do UFO, internamente, as coisas não iam tão bem assim.

O intenso abuso de álcool por parte de Michael Schenker exacerbou ainda mais as tensões entre ele e o vocalista do UFO, Phil Mogg.

Michael Schenker
Logo após o show final da turnê norte-americana do UFO, em outubro de 1978, em Palo Alto, Califórnia, Schenker deixou a banda.

Apenas algumas semanas depois de ser ejetado do UFO, por seu abuso de álcool, Michael Schenker também retornou ao Scorpions por um curto período durante as gravações para o álbum Lovedrive, de 1979.

Isso deu à banda alemã três guitarristas (embora a contribuição de Schenker para a versão final foi limitada a apenas três músicas).

Lovedrive é um álbum que alguns críticos consideram ser o auge da carreira do Scorpions, contendo canções como "Loving You Sunday Morning", "Always Somewhere", "Holiday" e "Coast to Coast". O disco chegou à 55ª posição na parada dos Estados Unidos.

Após a conclusão e lançamento do álbum, o Scorpions decidiu manter Michael Schenker na banda, forçando a saída de Matthias Jabs. No entanto, após algumas semanas de turnê, Michael, ainda lidando com o alcoolismo, perdeu uma série de shows, chegando a ter um colapso no palco.

Jabs foi trazido de volta para substituí-lo nas ocasiões em que Michael Schenker estava incapaz de tocar. Em abril de 1979, durante uma turnê na França, Jabs foi convidado de forma permanente para substituir Michael em definitivo.

Ainda em 1979, Schenker chegou a fazer um teste para substituir Joe Perry no Aerosmith. De acordo com Martin Huxley, Schenker deixou os estúdios depois que o produtor Gary Lyons fez várias piadas sobre nazistas.

Sem fazer parte de nenhuma banda, a solução encontrada para Michael Schenker foi óbvia: seguir em carreira-solo.

Para tanto, o guitarrista fundou o Michael Schenker Group.

Assim, logo depois, Michael começou a procurar um vocalista para o seu grupo e foi assim que surgiu a figura de Gary Barden.

Gary Barden
Barden foi descoberto por Schenker após a audição de uma “fita demo” do vocalista em sua banda anterior, o Fraser Nash.

Logo após, Schenker e Barden começaram a trabalhar juntos na composição de canções que formariam o primeiro trabalho do Michael Schenker Group.

Com as canções com uma cara, era o momento de se iniciarem as gravações, no Wessex Studios, em Londres, já em Maio de 1980.

Assim a banda foi completada por músicos convidados, como o excelente tecladista Don Airey, o baixista Mo Foster e o baterista Simon Phillips.

A capa é simples, com uma imagem de Schenker. Vamos às faixas:

ARMED AND READY

O álbum de estreia do Michael Schenker Group já começa com o prenúncio do que teremos: um riff muito bom, carregando uma inconfundível áurea do Hard Rock setentista, fonte esta em que "Armed And Ready" bebeu fartamente. Ótimos solos, esbanjando feeling, marcam um dos clássicos da banda do guitarrista alemão.

A letra é simples:

Are you high tonight,are you feeling right
Cos I need you now, like I never did before
Is it hard enough, is it luod enough
Cos if you don't approve, you can use the door
Armed and ready,
I gotta gunsight trained on you


Foi o primeiro single retirado do álbum a fim de o promover.



CRY FOR THE NATIONS

Uma suave e bela melodia, de inspiração Pop, abre a segunda faixa do disco, mas que acaba sendo substituída por outro ótimo riff, desta feita mais cadenciado, embora repleto de peso e intensidade. A guitarra de Schenker é um fator de brilho intenso na canção, a qual também conta com boa atuação de Gary Barden. Outro clássico da carreira de Michael.

A letra mistura magia e encantamento:

A time of fear, so long ago,
Lived a man in Salon,
In his dark and magic room,
He gazed on times to come,
All is then revealed, and visions on water speak true!


“Cry For The Nations” foi o segundo single originado do álbum de estreia do Michael Schenker Group.



VICTIM OF ILLUSION

Em "Victim Of Illusion", Michael Schenker sobe mais um degrau no peso das músicas apresentadas no trabalho, pois traz uma melodia bastante Heavy Metal dos anos 70. Para o Blog, a canção lembra bastante o Judas Priest da supracitada década. O ritmo é intenso, mesmo em um tom cadenciado, mas com o peso e fúria exatos. Schenker dá um show na guitarra. Faixa brilhante!

A letra é em tom de desespero:

I can't put out the fire, been blinded by the flame
I have to run for cover, can't stand the pain
Can't stand the pain
The screams are loud but then he can't hear
Nightmare shows his face, then disappears,
Ooh victim of illusion, ooh victim of illusion



BIJOU PLEASURETTE

A quarta faixa do disco tem um toque mais melódico e suave, com um certo tom medieval. Curta e totalmente instrumental, é uma clara demonstração da sensibilidade musical do guitarrista alemão.



FEELS LIKE A GOOD THING

A bateria de Simon Phillips aparece bem destacada nesta canção, a qual apresenta um riff pesado, mas, simultaneamente, repleto de uma melodia com muita malícia. Esta música já possui um ar mais moderno (para a época), mesclando a clara referência setentista com a sonoridade Hard Rock que seria desenvolvida na década seguinte. Muito interessante.

A letra é em tom de conquista:

I know what I need, and you've got what I want
Use your imagination'
Got that look in your eye's
So hard to disguise your situation



INTO THE ARENA

Com pouco mais de 4 minutos, "Into The Arena" é mais uma ótima faixa instrumental do álbum de estreia do Michael Schenker Group. Baseada em um ótimo riff, pesado e cadenciado, Schenker esbanja feeling com alguns solos muito viscerais. Os teclados de Airey também aparecem de maneira mais clara.



LOOKING OUT FROM NOWHERE

Um ótimo solo de Schenker abre "Looking Out From Nowhere". A faixa é preenchida por uma excelente melodia, intensamente maliciosa, transbordando o espírito do Hard Rock. Schenker apresenta solos brilhantes durante a canção, em um dos melhores momentos do álbum. Bom trabalho de Barden.

A letra é em tom de autoconhecimento:

But, now the time is right
I've got to break out to the other side
But you can never know
What the other side has got to show!
As I try to get through, it seems like
They don't understand me,
And they keep pulling me back
To take part in their fantasies



TALES OF MYSTERY

Uma triste e melancólica melodia apresentam esta música, contando com vocais precisos de Barden, perfeitamente adequados à parte instrumental. A faixa é curta, mas traz à memória o que Schenker fazia no UFO, em parceria com Phil Mogg, neste tipo de canção. Muito tocante!

A letra possui significado romântico:

More and more, each day girl
I'm coming back to your heart
And the tides of time keep flowing
Telling tales of mystery...



LOST HORIZONS

A nona - e última - faixa do álbum de estreia do Michael Schenker Group é "Lost Horizons". Com mais de 7 minutos, esta é a maior música do disco. Trata-se de um Hard Rock pesado, intenso e angustiante, qualidades estas trazidas muito em conta por parte da atuação magistral da guitarra de Michael Schenker. A atuação de Gary Barden também é muito boa. O solo próximo aos 3 minutos de reprodução é de arrepiar! Fecha o álbum de maneira incrível.

A letra reflete luta e angústia:

Bid farewell, the works of men
When cries of anger sound again
My tears of shame, cut like a knife,
How can I justify this life!



Considerações Finais

O Hard Rock, melódico e criativo, gerou frutos novamente para o guitarrista Michael Schenker.

A escolha de seguir em carreira-solo, com mais liberdade e autonomia para ir em direção ao que desejava, revelou-se o caminho certo para o alemão através de seu Michael Schenker Group.

O álbum de estreia acabou alcançando a ótima 8ª posição da principal parada britânica de álbuns, atingindo a modesta 100ª na correspondente norte-americana. Ainda conquistou a 59ª colocação na parada japonesa.

Já como uma banda consolidada, o Michael Schenker Group lançaria seu segundo disco, MSG, em 1981.



Formação:
Michael Schenker - Guitarra
Gary Barden - Vocal
Músicos Adicionais:
Don Airey - Teclados
Mo Foster - Baixo
Simon Phillips - Bateria

Faixas:
01 - Armed and Ready (Schenker/Barden) - 4:05
02 - Cry for the Nations (Schenker/Barden) - 5:08
03 - Victim of Illusion (Schenker/Barden) - 4:41
04 - Bijou Pleasurette (Schenker) - 2:16
05 - Feels Like a Good Thing (Schenker/Barden) - 3:44
06 - Into the Arena (Schenker) - 4:10
07 - Looking Out from Nowhere (Schenker/Barden) - 4:28
08 - Tales of Mystery (Schenker/Barden) - 3:16
09 - Lost Horizons (Schenker/Barden) - 7:04

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/michael-schenker-group/

Opinião do Blog:
É indiscutível a profunda admiração que o autor do Blog tem pela obra musical de Michael Schenker, especialmente no que tange ao que o guitarrista produziu na banda UFO durante os anos 70, em álbuns fabulosos (como Phenomenon, por exemplo), verdadeiras cartilhas para os fãs do Hard Rock setentista.

O talento inegável de Michael Schenker na guitarra (e como compositor) foi colocado novamente à prova quando ele resolveu partir em carreira-solo, criando seu Michael Schenker Group e gravando seu álbum de estreia, homônimo à banda. É muito palpável o bem que a liberdade criativa fez à música de Schenker através do resultado final do disco.

Bons músicos completaram a formação da banda a qual gravou este trabalho inicial do guitarrista em carreira-solo. Don Airey aparece com o habitual talento nas vezes em que o teclado se destaca. Gary Barden também contribui de maneira significativa para o sucesso do álbum, com uma atuação convincente.

Mas, evidentemente, o destaque absoluto do trabalho vai para Michael Schenker. A guitarra está especialmente 'infernal' no disco, com riffs repletos de peso, intensidade e ritmo, além de seus solos que esbanjam feeling e técnica. Também há espaço para o especial senso melódico do guitarrista. Em resumo, Michael dá um verdadeiro show pelas músicas que compõem o álbum.

As letras são na média habitual.

Em um disco muito bom, não há grandes diferenças de qualidade entre as canções. Mas cabe destacar faixas que trazem o melhor do Hard Rock como "Armed And Ready", "Cry For The Nations" e "Victim Of Illusion". "Tales Of Mystery" traz a belíssima capacidade de Schenker em compor lindas melodias e ainda há a espetacular "Lost Horizons", talvez, a melhor do álbum.

Enfim, Michael Schenker buscou suas referências no Hard Rock setentista para compor o álbum. Muitas vezes é possível lembrar daquilo que o próprio guitarrista fez no UFO durante aquela década.

Schenker partiu em carreira-solo e presenteou seus fãs com um álbum de qualidade ímpar, sendo sua audição de extremo prazer. Um dos principais guitarristas da história do Hard Rock deu mais uma aula para fãs do estilo nesta obra, a qual é mais que recomendada pelo Blog. Obrigatório!

1 de março de 2015

ALCATRAZZ - NO PAROLE FROM ROCK 'N' ROLL (1983)


No Parole From Rock 'n' Roll é o álbum de estreia da banda norte-americana Alcatrazz. Seu lançamento oficial aconteceu em 15 de Outubro de 1983, através do selo Rocshire Records. As gravações ocorreram no Rocshire Studios, em Anaheim, e no Skyline Studio, em Topanga, ambas na Califórnia, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Dennis Mackay.

17 de fevereiro de 2015

CAPTAIN BEYOND - CAPTAIN BEYOND (1972)


Captain Beyond é o álbum de estreia da banda britânica/norte-americana de mesmo nome, ou seja, Captain Beyond. Seu lançamento oficial aconteceu em Julho de 1972, através do selo Capricorn Records. As gravações ocorreram entre 1971 e 1972, no Sunset Sounds Recorders, em Hollywood, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo da própria banda.


O Captain Beyond foi uma banda que gravou apenas três álbuns de estúdio, mas que se tornou um verdadeiro mito entre os aficionados em Hard Rock setentista, especialmente por conta de seu álbum de estreia. O Blog vai apresentar um resumo do aparecimento do grupo para depois adentrar em seu primeiro disco mais especificamente.

Para se entender melhor a história do Captain Beyond, o Blog optou por voltar alguns anos antes ao lançamento de seu primeiro trabalho, abordando a figura de seu futuro vocalista.

Em 21 de Junho de 1969, nos Estados Unidos, era lançado o terceiro álbum de estúdio do Deep Purple, homônimo ao grupo (e algumas vezes mencionado como Deep Purple III). Nesta época, o Deep Purple era formado pelo tecladista Jon Lord, o baterista Ian Paice, o guitarrista Ritchie Blackmore, o baixista Nick Simper e o vocalista Rod Evans.

Rod Evans
Foi com esta formação que o Deep Purple gravou seus três primeiros discos, Shades Of Deep Purple (1968), The Book Of Taliesyn (1968) e o supracitado Deep Purple (1969).

O álbum continha instrumentos de cordas e sopros em uma das faixas, “April”, apresentando referências clássicas de Jon Lord, como Bach e Rimsky-Korsakov. Além disto, várias outras influências estavam em evidência, mais claramente o Vanilla Fudge. (Lord e Blackmore alegaram que o grupo, na época, gostaria de ser um "clone do Vanilla Fudge".)

E, entretanto, esta seria a última gravação da formação original.

Na realidade, a sonoridade do Deep Purple em seus trê primeiros álbuns é consideravelmente distante daquilo que a banda faria a partir de então. Em seu início, o Purple apresentava uma sonoridade Rock, com bastantes influências Psicodélicas e distante do Hard Rock que o consagraria.

Retornando à história, o selo norte-americano responsável pelo álbum Deep Purple, Tetragrammaton, atrasou a produção do disco até depois que a turnê americana da banda, em 1969, estivesse terminada. Isto, bem como a promoção sem brilho por um selo quase em falência, fez com que o álbum tivesse péssimo desempenho comercial, passando longe do Billboard Top 100.

Logo após o lançamento do terceiro álbum, o selo Tetragrammaton saiu dos negócios, deixando a banda sem dinheiro e com um futuro incerto.

Durante a já supracitada turnê americana de 1969, Lord e Blackmore se reuniram com Paice para discutirem o desejo de levarem a banda em uma direção mais pesada. Sentindo que Evans e Simper não se encaixariam bem com um novo estilo de rock bem mais pesado, ambos acabariam substituídos naquele verão (no hemisfério norte).

Ian Paice, declarou: "A mudança tinha que vir. Se eles não tivessem deixado, a banda teria se desintegrado totalmente." Ambos, Simper e Blackmore, observaram que Rod Evans já tinha um pé para fora do grupo. Simper declarou que Evans havia conhecido uma menina em Hollywood e tinha pretensões em ser um ator, enquanto Blackmore foi mais incisivo: "Rod só queria ir para a América e viver na América."

Quase ao mesmo tempo, outra ótima banda do final dos anos 60 e início dos anos 70, o Iron Butterfly, lançava seu quarto álbum de estúdio, Metamorphosis, em 13 de agosto de 1970. Naquele ponto o grupo era formado pelo tecladista Doug Ingle, o baterista Ron Bushy e pelo baixista Lee Dorman, além de contar com o guitarrista Larry “Rhino” Reinhardt e o vocalista Mike Pinera.

O álbum Metamorphosis tem um som pesado, com bases fincadas no Hard Rock, contando com faixas como “Easy Rider” e “Stone Believer”. O disco atingiu a 16ª posição da parada norte-americana, a Billboard.

Doug Ingle deixou o grupo logo após o lançamento de Metamorphosis. Sem um tecladista, pela primeira vez em sua história, os quatro membros remanescentes lançaram um single, “Silly Sally”, que não obteve maiores repercussões e acabou por ser a sua última gravação em algum tempo.

A banda se separou depois de fazer seu último show em 23 de maio de 1971. Dorman e Reinhardt seriam, posteriormente, encontrados no Captain Beyond.

Foi exatamente em 1971 que surgiria o Captain Beyond, fundado pelo ex-vocalista do Deep Purple, Rod Evans.

Evans havia se estabelecido na Califórnia e se juntou a dois ex-membros do Iron Butterfly: o baixista Lee Dorman e o guitarrista Larry 'Rhino' Reinhardt. Bobby Caldwell, ex-membro da banda de Johnny Winter, foi o baterista.

Bobby Caldwell
Também o tecladista Lewie Gold tomou parte da banda, mas acabou saindo antes mesmo da gravação de seu álbum de estreia.

Rapidamente, a banda conseguiu um contrato de gravação com a Warner Bros. O álbum de estreia seria auto-intitulado.

Na capa do álbum o próprio “Capitão do Além”, sendo que nas primeiras 2000 cópias prensadas, o próprio vinha em formato de holograma.

Neste primeiro trabalho, Evans parecia querer provar aos seus ex-colegas de Deep Purple que seria capaz de tomar parte em um álbum pesado. E, como se verá a seguir, conseguiu. Vamos às faixas:

DANCING MADLY BACKWARDS (ON A SEA OF AIR)

Bobby Caldwell apresenta uma interessante levada em sua bateria antes que a guitarra de 'Rhino' apresente um riff pesado, mas cadenciado, que se casa perfeitamente com a atuação vocal de Rod Evans. A partir de pouco mais de 1  minuto e meio, a canção ganha intensidade e rapidez, perfazendo um Hard Rock de primeira! Ótimo início.

A letra pode ser entendida como uma mensagem de esperança:

Wishing all your wishes
Landing on a star
Knowing you are planted here
Knowing that('s) so far
Dance, dance faster
Madly dance away
But remember underneath you
Is just a sea of air
Just remember underneath you
Is just a sea of air



ARMWORTH

"Armworth" aposta em um criativo riff o qual traz consigo toda a influência e musicalidade da década imediatamente anterior ao que o álbum foi lançado. É uma música muito curta, mas que vai direto ao ponto, sem rodeios.

A letra tem tom de resignação:

What has my arm gained
In a the balance of things
Are there still birds a-flying
And a brushing of wings
Or could it still be disguised
Could it still be disguised
As a terrible thing
And spoiling all their singing, babe
And smashing up their wings
Wish I could go with them brother
But of all things
It's only a stub of the original thing
That was there when I signed and then saluted my king



MYOPIC VOID

Já em "Myopic Void", o grupo apresenta um pouco da influência psicodélica do mesmo. Uma melodia mais suave e leve envolve a atmosfera do álbum. A atuação de Rod Evans merece destaque por intensificar a musicalidade desenvolvida pelo Captain Beyond nesta faixa. Da metade para o final o Hard Rock volta à tona, com a melodia da primeira música do trabalho!

A letra é fantasiosa:

You know i can't feel nothing
Ah you push me all the time
You know, you know
You know i can't feel nothing
Oh, you're looking really fine



MESMERIZATION ECLIPSE

Peso, intensidade e fúria já podem ser sentidos nos primeiros momentos da quarta faixa do trabalho. A atuação de Evans é bem mais agressiva que aquela apresentada nas canções anteriores. Certamente a guitarra de 'Rhino' também merece destaque, em um dos melhores momentos do disco.

A letra pode ser interpretada como uma alusão à uma viagem espacial:

Sun and moon in the valley at the same time
Bringing out the golden braid
Guess we're gonna reach the peak in no time
Optic nerve just rot away (I think earth is a runaway)
Mesmerization eclipse in the movement, hey
Desperation is setting in, baby
Erratic movement to and fro
Need your love to make it right, baby
Cause I have no place to go



RAGING RIVER OF FEAR

Mais um precioso e furioso riff de guitarra traz o Hard Rock setentista à tona em "Raging River Of Fear". Novamente a atuação de Rod Evans é impecável, permitindo à sonoridade instrumental da faixa ganhar ainda mais peso. Atuação impecável de todos os instrumentistas em uma música totalmente brilhante!

A letra é uma metáfora sobre o medo:

The raging river of fear my friend
Is running through us all
The mind is just a mental battlefield
Memories full of thought
Raging river of fear
Questions to us all



THOUSAND DAYS OF YESTERDAYS (INTRO)

Com pouco mais de um minuto, esta curta faixa apresenta uma sonoridade leve, mas simultaneamente sombria.

A letra é em tom de esperança:

I said soon
Gonna wake, no sleepy eyes
And soon, sun will light your (the) entire (tired?) sky
Today is just as soon again
Reflections see myself are (on) them
Where the start and where's the end
Ooo pala dan dan da da pala pa la
Days gone by never to return...



FROZEN OVER

"Frozen Over" apresenta um novo riff forte e intenso pela guitarra de 'Rhino', transbordando peso, mas sem perder nenhuma miligrama de melodia. A seção rítmica formada por Caldwell e Dorman faz um trabalho primoroso, propiciando que a guitarra tenha destaque absoluto. Mais uma obra-prima da banda!

A letra é em tom de rompimento amoroso:

Honey, your face is frozen
Frozen as could be
Baby, your face is like a block of ice
Cold as the deep dark sea



THOUSAND DAYS OF YESTERDAYS (TIME SINCE COME AND GONE)

Já nesta canção, a banda abusa de uma bela e envolvente melodia, mas com um sensível e palpável toque mais leve em comparação às canções imediatamente precedentes. Evans opta por vocais bem mais comedidos, casando-os com a sonoridade de maneira perfeita. Ótimo solo de 'Rhino'.

Assim como sua primeira parte, o tom é de esperança:

A thousand days of yesterdays
Time since come and gone
A thousand days of yesterdays
Are all goodbye so long



I CAN'T FEEL NOTHIN' (PART 1)

Nesta música muito interessante, é difícil destacar algum músico em especial, pois o conjunto funciona de maneira impecável. Caldwell e Dorman estão ótimos e a guitarra de 'Rhino' está especialmente saborosa, com o peso e feeling irretocáveis. Outro momento brilhante do álbum de estreia do Captain Beyond.

Desta vez, a letra é em sentido desolador:

Thinking of oceans
Birds in the sky
A feeling's coming
But it just ain't right
Skys fly to next stars
Winking at the night
The orange worlds are sinking
My love's (?) burning bright



AS THE MOON SPEAKS (TO THE WAVES OF THE SEA)

A música apresenta uma grande variação, mesmo sendo bastante curta em seus poucos mais de 2 minutos. Em sua primeira metade, uma melodia leve e suave com inspiração no Led Zeppelin e, já na parte final, um Hard Rock pesado e veloz.

A letra possui significado amoroso:

As the moon speaks
To the waves of the sea
An open ocean relic
Of the times that used to be
Many years have passed
Since your vision came to me
And I think of you only
As the moon speaks to the sea



ASTRAL LADY

"Astral Lady" é uma pequena vinheta com 15 segundos.




AS THE MOON SPEAKS (RETURN)

Nesta pequena faixa, há uma bela fusão de melodia e peso com a banda abusando da mistura de sonoridades. Mais para o final, a parte percussiva ganha força, demonstrando um lado instigante do grupo.

A letra é uma pequena mensagem de esperança:

Memories have only open space to give
And as i think to the past
There's nothing left to see
So future man open your arms to me
Let me have the words as the moon speaks to the sea





I CAN'T FEEL NOTHIN' (PART 2)

Em pouco mais de 1 minuto, temos um Hard Rock intenso e feroz para fechar o disco com chave-de-ouro!

A letra é uma celebração:

You know I can't a'feel a'nothin'
Oh, you pushed me all the time
Na-na-na-na-nothin'
Ah, you're lookin' really fine
Ow, ow, ow, ooh!
Mm-mm-hm
Body's kinda groovin'
Ah, you're groovin' all the time
Ooh, you're lookin' good, ow!
Ah, you're lookin' so fine
Mm-mm-mm, mm-mm
Mm-mm-mm-mm-mm



Considerações Finais

Sem muita repercussão e divulgação, o álbum acabou não tendo números expressivos, comercialmente falando e também passou ao largo das principais paradas de sucesso.

Mas o álbum, com o passar dos anos, foi se tornando referência para as bandas e fãs do Hard Rock setentista.

Larry 'Rhino' Reinhardt
O disco Captain Beyond é um dos pioneiros, entre obras predominantemente Hard Rock, no fato de conter uma grande variedade de Rock, Heavy Metal, e influências de jazz, muitas vezes com várias assinaturas de tempo e ampla gama de alternâncias dentro da mesma música.

As primeiras cinco músicas são compostas de uma forma bastante simples, mas o resto do álbum é composto de duas "suites" de músicas interligadas; sendo a primeira "Thousand Days Of Yesterdays (Intro)" que continua em "Thousand Days Of Yesterdays (Time Since Come And Gone)". A segunda começa com "I Can't Feel Nothin' (Part 1)" e acaba em sua “Parte 2”, a qual termina o álbum.

Outro destaque é o fato das músicas fluírem diretamente uma para a outra sem o benefício de qualquer intervalo de tempo entre as mesmas, uma característica que é compartilhada com outras bandas mais progressistas da época, como o Moody Blues e o Jethro Tull. Isto traz a característica de tornar todo o disco uma massa única e coesa musicalmente falando.

As músicas foram todas oficialmente creditadas para Evans e Caldwell, embora, já em 2010, o baterista tenha afirmado que Reinhardt também tenha auxiliado na composição das canções, assim como Dorman em algumas. Mas ambos ainda estavam sob contrato com o Iron Butterfly, fato que os impedia de serem devidamente creditados como compositores.

Ao vivo, as apresentações do Captain Beyond eram bombásticas, invariavelmente terminando com ovações pelo público, o qual aplaudia a banda de pé.

Logo após o lançamento do álbum, Bobby Caldwell deixou o grupo para se juntar ao Derringer e foi substituído por Brian Glascock. O grupo também acabaria adicionando o tecladista Reese Wynans e Guille Garcia no atabaque.

Depois, Marty Rodriguez acabaria assumindo a bateria antes do lançamento de seu segundo álbum, Sufficiently Breathless, de 1973, um disco com considerável direcionamento diferente que seu antecessor. Mas isto é outra história.


Formação:
Rod Evans - Vocal
Larry "Rhino" Reinhardt - Guitarras
Lee Dorman - Baixo, Piano, Órgão Hammond, Backing Vocals
Bobby Caldwell - Bateria, Percussão, Órgão Hammond, Sinos, Vibrafone, Backing Vocals

Faixas:
01 - Dancing Madly Backwards (On a Sea of Air) (Evans/Caldwell) – 4:08
02 - Armworth (Evans/Caldwell) – 2:50
03 - Myopic Void (Evans/Caldwell) – 3:37
04 - Mesmerization Eclipse (Evans/Caldwell) – 3:45
05 - Raging River of Fear (Evans/Caldwell) – 3:48
06 - Thousand Days of Yesterdays (Intro) Evans/Caldwell – 1:30
07 - Frozen Over (Evans/Caldwell) – 3:55
08 - Thousand Days of Yesterdays (Time Since Come and Gone) (Evans/Caldwell) – 4:05
09 - I Can't Feel Nothin' (Part 1) (Evans/Caldwell) – 3:07
10 - As the Moon Speaks (To the Waves of the Sea) (Evans/Caldwell) – 2:30
11 - Astral Lady (Evans/Caldwell) – 0:15
12 - As the Moon Speaks (Return) (Evans/Caldwell) – 2:16
13 - I Can't Feel Nothin' (Part 2) (Evans/Caldwell) – 1:11

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/captain-beyond/

Opinião do Blog:
Os anos setenta são riquíssimos em bandas e discos que passaram muito longe de obter qualquer sucesso comercial, mas guardam em seu conteúdo verdadeiras jóias musicais. Há muita gente que se especializou em garimpar estas relíquias para os amantes da música. E o Hard Rock setentista é um dos maiores fornecedores deste tipo de preciosidade.

O álbum de estreia do Captain Beyond se tornou, muito tempo depois de seu lançamento, um marco representativo da melhor sonoridade que o Hard Rock é capaz de produzir. Aqui se tem um trabalho que mistura sonoridades e melodias com competência e um bom gosto raríssimo de se ver.

Claro, o Hard Rock é o estilo proposto e predominante, mas a banda flerta com o Folk Rock, com o Rock dos anos 60 e com o Psicodélico. Sempre com a mesma eficiência e qualidade absurdos!

Rod Evans, querendo ou não provar alguma coisa, teve sua melhor performance vocal da carreira. Alternando entre momentos agressivos e contidos, sua voz é fator determinante para a qualidade da música desenvolvida.

Poucas bandas possuíram uma seção rítmica tão presente e marcante quanto Bobby Caldwell e Lee Dorman formaram neste álbum. E Larry 'Rhino' Reinhardt dá um verdadeiro show com seus solos e riffs.

As letras retomam a temática de uma viagem espacial e estão na média em geral.

Um álbum que apresenta variedade de sonoridades dentro de um mesmo estilo sempre com a mesma qualidade não possui pontos baixos e está em um patamar altíssimo. Mesmo assim podemos citar pelo menos 4 faixas que são magníficas: "Mesmerization Eclipse", "Raging River Of Fear", "I Can't Feel Nothin' (Part 1)" e a espetacular "Frozen Over".

O álbum de estreia do Captain Beyond está entre os melhores de todos os tempos quando o assunto é Hard Rock. Apresenta criatividade, inspiração e execução em um nível dos mais elevados dentro da música em geral. Obrigatório para todo fã de Rock e uma verdadeira aula para todo mundo que quiser adentrar o estilo Hard Rock.

1 de fevereiro de 2015

WHITE LION - PRIDE (1987)


Pride é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana chamada White Lion. Seu lançamento oficial aconteceu em 21 de junho de 1987, através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram naquele mesmo ano. A produção ficou a cargo de Michael Wagener.

O White Lion é mais uma banda norte-americana de Hard Rock a aparecer no Blog, também representando o estilo Glam Metal. O Blog, como de costume, vai passear um pouco pela história da banda antes de se concentrar no álbum propriamente dito.


As origens do White Lion estão no ano de 1983, na cidade de Nova York, Estados Unidos, quando o vocalista dinamarquês Mike Tramp e o guitarrista norte-americano Vito Bratta decidiram formar uma banda.

Depois de se mudar da Dinamarca para a Espanha e, em seguida, para New York City, o vocalista Mike Tramp (anteriormente das bandas Mabel, Studs e Danish Lions) se encontrou com o guitarrista Vito Bratta (ex-Dreamer) em 1983.

Logo depois, eles decidiram montar uma nova banda e para tal recrutaram o baterista Nicki Capozzi e o baixista Felix Robinson (ex-Angel), batizando o grupo de White Lion.

White Lion rapidamente assinou um contrato com a Elektra Records em 1984, gravando seu primeiro álbum, Fight To Survive.

No entanto, a Elektra ficou insatisfeita com o resultado final da gravação, e após se recusar a lançar o álbum, rescindiu o contrato com a banda.

Ambos, Capozzi e Robinson, logo deixaram o grupo. Nicki Capozzi foi substituído pelo ex-baterista do Anthrax, Greg D'Angelo, e Felix Robinson foi substituído pelo baixista Dave Spitz (irmão do guitarrista do Anthrax, Dan Spitz).

Mike Tramp
Em torno de um mês após se juntar ao White Lion, Dave Spitz deixa o conjunto (aceitando um convite para tocar baixo com o Black Sabbath), sendo substituído por James Lomenzo.

O álbum Fight To Survive acabou sendo regravado com a nova line-up e foi lançado no Japão pela RCA Records, em 1984. O pequeno selo independente norte-americano, Grand Slam Records, finalmente lançou o disco nos Estados Unidos, em 9 de novembro de 1985.

Poucos meses depois, a Grand Slam Records decretou falência.

Fight To Survive alcançou o número 151 na principal parada norte-americana, a Billboard, e contou com a estreia do primeiro single e videoclipe da banda, para a música “Broken Heart”.

No início de 1986, o White Lion, com um membro feminino fictício (interpretado por Louise Robey), teve um breve papel no filme The Money Pit (no Brasil, “Um Dia a Casa Cai”), estrelado por Tom Hanks e Shelley Long.

No início de 1987, a banda assinou contrato com a Atlantic Records.

Vito Bratta
Logo depois, o grupo se reuniu para compor e gravar o seu segundo álbum de estúdio, que viria a se tornar Pride. O processo de gravação do disco acabou durando cerca de 6 semanas.

O álbum tem uma capa simples, com a face de um leão branco. Vamos às músicas:

HUNGRY

Um riff muito pesado e intenso marca o início de "Hungry". A bateria de Greg D'Angelo está bastante presente, mas o maior destaque é realmente a guitarra de Vito Bratta, brilhante. A sonoridade é o típico Hard oitentista dos Estados Unidos. Um início de altíssimo nível para o álbum Pride!

A letra tem teor sexual:

keep your engine running high
when you take my love inside
but hold the trigger on my loaded gun
baby take off of your leather
and show me all your lace
gimme loving one thousand ways



LONELY NIGHTS

Uma suave melodia introduz um riff pesado, mas desta feita em um andamento mais cadenciado, embora, simultaneamente, repleto de melodia. A atuação de Mike Tramp nos vocais cativa e é decisiva para o sucesso final da composição. Outra música bem acima da média.

A letra mostra alguém que sofre por amor:

and somewhere in the night
there's a little cry
a girl who says
hey I wanna die
there's no one here who really cares
but if there's someone here who understands
just someone here who'll try to lend a hand
and bring her home tonight, tonight



DON'T GIVE UP

"Don't Give Up" é uma faixa bem direta, com ritmo e andamento acelerado, em especial devido a um riff inspirado guiado pela guitarra de Vito Bratta. Os vocais de Tramp se casam perfeitamente com a sonoridade proposta. Boa canção.

A letra pode ser interpretada como uma motivação para se adentrar à vida adulta:

making money you never have enough
neverending bills are building up
and the tax man stalking at your door
never giving always wanting more
you feel like changing the times
to get some peace in your mind



SWEET LITTLE LOVING

Já em "Sweet Little Loving", o ritmo é mais leve e cheio de melodia, com uma pegada Hard Rock mais evidente, comum ao estilo Glam Metal, fato este que torna a faixa diferente das anteriores presentes no disco. Porém, isto apenas engrandece o valor de Pride, pois se está diante de outro ponto alto do trabalho. Excelente solo de Bratta.

A letra tem conteúdo sexual:

late night work in sleezy bars
driving down the boulevard in fancy cars
she don't care what her daddy says
cause all that matters is how much it pays
for two hundred down you get a hell of a time
she takes you to the top , you never want to stop



LADY OF THE VALLEY

"Lady Of The Valley" possui mudanças de ritmo durante toda sua extensão, com momentos mais leves e suaves, os quais a aproximam bastante de uma balada. Em outros, no entanto, o peso e velocidade voltam com tudo, demonstrando que o grupo possuía influências vindas diretamente da New Wave Of British Heavy Metal. Grande música!

A letra é em tom de súplica:

in the valley lies the treasure
and the lady guards it well
he who bears all the pressure
is the one to break the spell
there's a sign that I've followed
and it has led me to your seat
I have brought my fallen brother
and I've laid him, yes I've laid him
at your feet



WAIT

O início leve e suave pode até enganar, mas logo o típico Hard Rock oitentista aparece em "Wait". O riff dá à canção melodia e ritmo, embora tanta a velocidade quanto o peso sejam bastante moderados. A música é cativante e empolga, com ótima atuação de Tramp. Um clássico!

A letra tem sentido de rompimento amoroso:

Wait just a moment before our love will die
cause I must know the reason why we say goodbye
wait just a moment and tell me why
cause I can show you lovin that you won't deny

“Wait” acabou se tornando uma das mais conhecidas canções do White Lion, frequentemente presente nos 'sets' de seus shows.


Foi o primeiro single lançado para promover o álbum Pride. Conseguiu atingir a ótima 8ª posição da principal parada de sucessos desta natureza nos Estados Unidos, a Billboard. Também conquistou a 48ª e a 88ª colocações, respectivamente, em suas correspondentes canadense e britânica.

Boa parte do sucesso do sucesso é devido à intensa circulação que o videoclipe feito para a música obteve na MTV norte-americana.



ALL YOU NEED IS ROCK 'N' ROLL

Nesta faixa, o White Lion volta a apostar mais no peso, mesmo que o andamento continue mais lento. Sempre melódico, a canção também empolga, especialmente devido ao interessante ritmo que a banda manifesta no refrão. Os vocais de Tramp estão um pouco mais contidos, mas funcionam de maneira exemplar.

A letra é uma ode ao Rock:

you can raise your hands
you can stomp your feet
get down and turn around
you can do it all cause there ain't no rules
when you feel the music
just move your feet, to that heavy beat

Também foi lançada como single, mas não obteve maior repercussão.



TELL ME

"Tell Me" possui a típica e clássica sonoridade do Glam Metal, ou seja, é um Hard Rock com algum peso e repleto de uma melodia empolgante. Os vocais de Tramp são bons e a guitarra de Bratta está bastante inspirada, construindo outro ponto alto do disco. O solo é repleto de feeling.

A letra possui conotação romântica:

tell me baby all through the night
that you'll never let me go
tell me baby cause I want the world to know
tell me baby I'm the only one
and who you ever need
tell me baby that you'll never let me go


Foi o segundo single lançado para promover o álbum Pride. Acabou alcançando a boa 58ª posição da parada norte-americana desta natureza.



ALL JOIN OUR HANDS

Nesta canção, o White Lion volta a apostar em sua veia mais pesada, flertando mais diretamente com a linha Heavy Metal, mesmo que o refrão possua uma tonalidade mais suave. É uma composição simples, embora com uma pegada bem interessante.

A letra possui uma mensagem de união, como sugere o título:

is this the way
we treat one another
days filled with hope
lives filled with fear
why must we live
at war with our brothers
when we could live
our future at last



WHEN THE CHILDREN CRY

A décima - e última - faixa de Pride é "When The Children Cry". Uma suave e bela melodia embala o início da canção, acompanhada por inspiradas linhas vocais de Mike Tramp. Assim a balada permanece durante toda sua extensão, sendo cortada apenas pelo excelente solo de Vito Bratta. Fecha o álbum de maneira marcante.

A letra possui uma terna mensagem de esperança:

When the children cry
Let them know we tried
´cause when the children fight
Then we know it ain´t right
When the children break
Let them know we´re awake
´cause when the children sings
The new world begins

“When The Children Cry” é uma balada que também se tornou um dos maiores sucessos da história do White Lion.


Seu videoclipe teve uma significativa veiculação na MTV norte-americana, contribuindo decisivamente para a popularização da canção

Lançada como single, atingiu a excepcional 3ª posição da principal parada de singles dos Estados Unidos. Ficou com a 88ª colocação na correspondente britânica.


Considerações Finais

Impulsionado pelo sucesso de, principalmente, “When The Children Cry”, o álbum fez bastante sucesso comercial. Atingiu a ótima 11ª posição da principal parada de sucessos dos Estados Unidos, a Billboard. Ainda conquistou as 44ª, 30ª e 51ª colocações nas paradas de sucesso de Canadá, Suécia e Reino Unido, respectivamente.

A turnê do álbum Pride começou em Julho de 1987, com o White Lion abrindo para a banda de Ace Frehley, Frehley's Comet. O próximo ano e meio foi preenchido com constantes turnês, com o grupo abrindo para conjuntos como Aerosmith, Ozzy Osbourne, Stryper e Kiss.

Em janeiro de 1988, o White Lion foi escolhido como banda de abertura para o AC/DC em sua Blow Up Your Video turnê norte-americana.

Quando o segundo single do álbum, "Tell Me", foi lançado, o White Lion tocou no Ritz Club, em New York City. O show foi filmado e depois foi ao ar pela MTV dos Estados Unidos.

O sucesso de "When the Children Cry" acabaria por impulsionar as vendas de Pride com bastante importância no processo. Além disso, Vito Bratta foi reconhecido por seus talentos instrumentais, acumulando prêmios como Best New Guitarrist tanto da revista Guitar World, quanto de outra publicação chamada Guitar for the Practicing Musician.

Na primavera (do hemisfério norte) de 1989, a turnê de Pride finalmente acabou, e a banda lançou seu primeiro vídeo intitulado "Live at the Ritz" e "One Night in Tokyo" ambos com shows completos em VHS.

Em seguida, a banda começou a trabalhar imediatamente em seu próximo álbum.

Mike Tramp considera Pride o melhor álbum do White Lion.

Pride ultrapassa a marca de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.


Formação:
Mike Tramp - Vocal
Vito Bratta - Guitarras
James Lomenzo - Baixo e Backing Vocals
Greg D'Angelo - Bateria

Faixas:
01 - Hungry (Bratta/Tramp) - 3:55
02 - Lonely Nights (Bratta/Tramp) – 4:11
03 - Don't Give Up (Bratta/Tramp) – 3:15
04 - Sweet Little Loving (Bratta/Tramp) – 4:02
05 - Lady of the Valley (Bratta/Tramp) – 6:35
06 - Wait (Bratta/Tramp) – 4:00
07 - All You Need Is Rock 'n' Roll (Bratta/Tramp) – 5:14
08 - Tell Me (Bratta/Tramp) – 4:28
09 - All Join Our Hands (Bratta/Tramp) – 4:11
10 - When the Children Cry (Bratta/Tramp) – 4:18

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/white-lion/

Opinião do Blog:
O Blog já manifestou diversas vezes que gosta do chamado Glam Metal, tanto que vários álbuns que podem ser associados ao estilo já apareceram por aqui e muitos outros também ainda vão ser apresentados.

Pride é mais uma brilhante obra que o Hard Rock norte-americano produziu, sendo originado por uma ótima banda, a qual vivia seu melhor e mais inspirado momento. A verdade é que o White Lion caprichou neste álbum.

O ouvinte mais atento vai claramente identificar duas linhas diferentes presente no disco: as primeiras canções possuem uma pegada mais pesada, que flertam e tangenciam o Heavy Metal e, também, claramente beberam na fonte do Van Halen setentista.

Da metade para o final do trabalho, o White Lion mostra que estava inserido na música de sua época, produzindo canções típicas do Hard Rock oitentista norte-americano e que em muitos momentos podem lembrar bandas como o Mötley Crüe.

Mas o White Lion possuía personalidade própria e muita identidade, especialmente por conta de seu guitarrista, Vito Bratta, o grande destaque do álbum. Seus riffs e solos mostram que o guitarrista possuía boa técnica e excelentes referências, sendo o motivo primordial da música da banda possuir tanta qualidade.

Mike Tramp também faz bons vocais, inspirados, contribuindo de maneira correta para o sucesso do que se ouve. O mesmo pode ser dito da seção rítmica composta por Lomenzo e D'Angelo. As letras são na média geral.

Pride é um disco bastante homogêneo, sem momentos ruins. Há as ótimas "Hungry" e "Lonely Nights"; "When The Children Cry" é bonita e comovente; "Wait" e "Tell Me" são excelentes amostras de Glam Metal. Mas a melhor do álbum, para o Blog, é "Lady Of The Valley", música brilhante!

Enfim, Pride é um prato cheio para fãs de Hard Rock norte-americano, mas também para quem curte uma banda que flerte com o Heavy Metal. Cheio de personalidade e com um guitarrista brilhante, Vito Bratta, o álbum é extremamente recomendado pelo Blog. Obrigatório para quem gosta de um som Hard Rock!