11 de junho de 2013

QUIET RIOT - METAL HEALTH (1983)


Metal Health é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana chamada Quiet Riot. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 11 de março de 1983, através do selo Sony. A direção ficou sob a responsabilidade de Spencer Proffer. As gravações ocorreram no The Pasha Music House, em Holywood, na Califórnia, durante o ano de 1982.



Um breve resumo da história do Quiet Riot será apresentado antes de se focar no próprio álbum alvo deste post.

Em meados dos anos 1970, o Quiet Riot era uma das mais famosas bandas ‘underground’ da cidade de Los Angeles. Eles eram muito conhecidos no circuito de clubes noturnos da cidade, nos quais, por diversas vezes, tocaram juntamente com o Van Halen, antes de quaisquer uma delas se associarem a alguma gravadora.

Como tocaram muitas vezes juntos, é possível notar semelhanças entre os estilos dos guitarristas Randy Rhoads e Eddie Van Halen. Entretanto, o Quiet Riot não conseguia ser capaz de obter um contrato com alguma gravadora nos Estados Unidos.

No ano de 1977, o grupo conseguiu um contrato com a gravadora Sony, mas os álbuns que foram garantidos no supracitado acordo seriam (e de fato foram) lançados apenas no Japão.

A banda era formada pelo vocalista Kevin DuBrow, o genial guitarrista Randy Rhoads, o baixista Kelly Garni e o baterista Drew Forsyth.

Com esta formação é gravado e lançado o álbum de estreia do Quiet Riot, homônimo ao conjunto, apenas no Japão.

Nesta época, tensões entre o vocalista DuBrow e o baixista Kelly Garni já aumentavam e provocavam dificuldades no ambiente do grupo.

Kevin DuBrow


Já em 1978, saiu o segundo disco da banda, simplesmente chamado de QR II. O lançamento, mais uma vez, ficou restrito apenas ao Japão. Neste momento, o ódio entre DuBrow e Garni estava em seu ápice e resultou na saída do baixista.

Segundo Garni, este ódio foi minando o ambiente e prejudicando o talento de Randy Rhoads do grupo. Anos depois, DuBrow afirmou que foi muito frustrante ter um dos melhores guitarristas do mundo no conjunto e ser incapaz de se aproveitar do talento dele para estourarem.

Rudy Sarzo foi o substituto de Kelly Garni, sendo creditado e fotografado como baixista da banda em QR II, mesmo tendo entrado no grupo após a conclusão da gravação do disco.

Já era o ano de 1979 quando o incrível guitarrista do Quiet Riot, Randy Rhoads, fez um teste para entrar na futura banda de Ozzy Osbourne, que o teria contratado imediatamente. Depois o baixista Rudy Sarzo também deixaria o grupo para adentrar o grupo do madman.

Sarzo afirmou depois que, como ninguém esperava que o Quiet Riot fosse ser refeito naquele momento, muitos riffs e canções que seriam do grupo desfeito acabaram nos álbuns de Ozzy Osbourne. Como Rhoads imaginou que nunca os usaria novamente, acabou oferecendo-os a Ozzy que modificou as letras.

O maior exemplo disto seria “Suicide Solution”, que no Quiet Riot seria chamada “Force Of Habit”.

De acordo com DuBrow, a partida de Randy Rhoads do Quiet Riot "não atrapalhou a banda, mas encerrou-a".

DuBrow e Forsyth seguiram em frente com a adição do guitarrista Greg Leon e o ex-baixista do grupo Suite 19, Gary Van Dyke.

Durante o período entre os anos de 1980 e 1982, a banda mudou seu nome para 'DuBrow' e também fez shows com o ex-baterista do grupo Gamma, Skip Gillette. Em 1982, o guitarrista Carlos Cavazo e o baterista Frankie Banali também haviam sido recrutados por DuBrow.

Randy Rhoads morreu em um acidente de avião enquanto estava em turnê com Ozzy Osbourne, em março de 1982. Após isto, Rudy Sarzo também acabou por deixar a banda de Ozzy.

DuBrow conversou com Sarzo e pediu-lhe para tocar em uma faixa chamada "Thunderbird", a qual seria uma homenagem a Randy Rhoads.

A formação do grupo continha DuBrow nos vocais, Sarzo no baixo, Cavazo na guitarra e Banali na bateria. O ambiente foi ótimo e muito divertido e o que era para ser apenas uma faixa acabou se tornando metade de um álbum.

Rudy Sarzo


O baixista da banda anterior chamada DuBrow foi demitido para dar lugar a Sarzo na nova formação do conjunto.

Houve alguma incerteza sobre se esta encarnação da banda deveria ser nomeada como DuBrow ou Quiet Riot, mas, no final, decidiram-se por Quiet Riot, pois, apesar de Randy Rhoads não estar na mesma, o espírito original da banda estava de volta, nas palavras de Rudy Sarzo.

Em setembro de 1982, com a ajuda do produtor Spencer Proffer, eles assinaram com a CBS Records nos Estados Unidos e completaram a gravação do álbum que se chamaria Metal Health.

O trabalho foi lançado em 11 de março de 1983. Esta foi a estreia norte-americana do Quiet Riot, uma vez que seus dois álbuns anteriores, QR e QR II, até hoje, não foram lançados na América do Norte, apesar do sucesso posterior do grupo.

METAL HEALTH

Abre o álbum a canção homônima ao mesmo, “Metal Health”.

Guitarras bem fortes já dão as caras bem no início da faixa. O riff é ótimo e contagiante, bem típico do clima do Hard Rock norte-americano dos anos oitenta. Com o passar da música o ritmo vai se intensificando, com mais peso e força. Os vocais são excelentes e o solo de Carlos Cavazo é ótimo.

As letras são bem simples e falam da cultura Headbanger:

Bang your head
Metal health will drive you mad
Bang your head
Metal health will drive you mad

Muitas vezes a canção é registrada como “Bang Your Head” ou mesmo como “Metal Health (Bang Your Head) – ou ainda o inverso.

O videoclipe feito para promover a música teve intensa reprodução por parte da MTV norte-americana, com o mesmo acontecendo nas rádios.

Lançada como single, alcançou a 37ª posição na parada dos Estados Unidos e a 45ª colocação em sua correspondente no Reino Unido. Foi eleita a 35ª melhor música de Heavy Metal de todos os tempos em um top 40 do canal VH1.



A faixa é um clássico do grupo e está presente no filme de 1984 Footloose – e no seu ‘remake’ de 2011.



CUM ON FEEL THE NOIZE

A segunda canção do álbum é “Cum On Feel The Noize”.

A bateria forte de Banali e a intensa voz de DuBrow abrem a música de maneira interessante e contagia bastante. As guitarras são muito marcantes e com a dose certa de peso. O refrão é grudento – no melhor sentido – fazendo o ouvinte se lembrar da faixa por dias seguidos. Excelente trabalho da banda.

As letras são em tom de diversão juvenil:

Come on, feel the noise
Girls rock your boys
We'll get wild, wild, wild,
Wild, wild, wild

Na realidade, “Cum On Feel The Noize” é uma versão cover da canção de mesmo nome gravada anteriormente pela banda Slade, lançada originalmente em 1973. Acabou se tornando o maior sucesso da carreira do Quiet Riot.

Curiosamente, depois ficou se sabendo que o Quiet Riot pediu autorização aos empresários do Slade para regravarem e lançarem “Cum On Feel The Noize” depois de já a terem efetivamente a gravado.



Tanto o videoclipe quanto a execução da música nas rádios fizeram com que o álbum Metal Health explodisse nos Estados Unidos, atingindo o topo da parada norte-americana. A canção chegou à 5ª posição da parada norte-americana de singles.



DON’T WANNA LET YOU GO

A terceira música de Metal Health é “Don’t Wanna Let You Go”.

Quebrando um pouco o ritmo inicial, a terceira canção do trabalho apresenta um ritmo mais suave, lento e cadenciado, com Kevin DuBrow cantando de maneira um tanto quanto mais pausada. A velocidade mais devagar dá uma conotação de balada à faixa. Mas o resultado final é bem interessante. O solo esbanja feeling.

A letra é em claro clima de romance:

Don't wanna let you go
Not gonna get far from me
Don't wanna let you go
Your special your one of a kind (so...)
Don't wanna let you go
Some things money can't buy



SLICK BLACK CADILLAC

“Slick Black Cadillac” é a quarta faixa do disco.

Um riff bem pesado e rápido é a marca registrada da canção. Os vocais de DuBrow estão bem agressivos e são auxiliados por um ótimo trabalho de backing vocals no refrão. A música tange o Heavy Metal clássico, com excelente trabalho de guitarras.

As letras são bem simples e reflete o espírito juvenil:

My machine is making headlines
It gives me love and everything
It's like an institution of revolution
It feels all right
Feels all right

Na verdade, “Slick Black Cadillac” é uma regravação de uma canção do próprio Quiet Riot lançada em 1978 no seu segundo álbum de estúdio, o QR II.

Lançada como single, atingiu a 32ª posição da parada norte-americana de álbuns.



LOVE’S A BITCH

A quinta faixa do álbum é “Love’s A Bitch”.

Uma introdução que mescla uma melodia acústica com vocais bem longos de DuBrow marcam o início da canção. Este ritmo dura por cerca de um minuto. Após isto, as guitarras aparecem com mais peso e força, com certa intensidade – sempre presente no refrão. Entretanto, a melodia suave e a cadência se mantêm por toda a música.

O tom da letra é de decepção amorosa:

Like a cat with diamond eyes
Love's power it can hypnotize
Done me in (ha)
More than twice
She'll make you think that it's over night
Your all alone in a room that's wrong
Your body shakes
Your feet are cold



BREATHLESS

“Breathless” é a sexta música de Metal Health.

A velocidade do riff e os agudos de DuBrow estão de volta na sexta canção do disco. A guitarra tem um peso que fica bem próximo do Metal Clássico e o ritmo é o típico da sonoridade oitentista. Empolgante, “Breathless” é uma faixa interessante.

Outra vez, a letra possui conotação de flerte romântico:

Inside-out, that's how she turns my head
All my doubts are never put to bed
She's got me runnin' blind, never think I'll find sanity (oh)



RUN FOR COVER

“Run For Cover” é a sétima música do álbum.

A música já começa com todo o poder e fúria do Heavy/Glam Metal norte-americano dos anos oitenta. O riff tem boa dose de peso e velocidade, mas sem soar demasiadamente clichê. O refrão é muito bom e funciona bem. Pode ser apontada tranquilamente como um dos pontos altos do disco.

A letra é simples e em tom de liberdade:

I'm gonna take my leave
I wanna plant my seed
Don't let it shock you hold tight, hold tight



BATTLE AXE

A oitava faixa do trabalho é “Battle Axe”.

Com menos de 2 minutos, “Battle Axe” é a menor canção do álbum Metal Health. Trata-se de uma música instrumental, contando apenas com a guitarra de Carlos Cavazo.



LET’S GET CRAZY

“Let’s Get Crazy” é a nona música do disco.

Um riff com fortíssimo flerte no Heavy Metal Tradicional abre a canção e a conduz por toda a sua extensão. Os vocais de DuBrow voltam a ficar bem presentes e marcantes. O ritmo não é tão veloz, com a banda optando mais pela cadência, mas sem perder o peso. Lembra o AC/DC oitentista. Ponto altíssimo do trabalho!

A letra tem forte conteúdo sexual:

Wanna kiss your lips, not the ones on your face
Your innocent jive is really out of place (yeah)
In need of assistance
A dog for my bone
Ain't no way tonight I go home alone



THUNDERBIRD

A décima – e última – faixa de Metal Health é “Thunderbird”.

Com sons bem tocantes e suaves, embasados por uma lindíssima melodia, “Thunderbird” é uma tocante canção. Os vocais de DuBrow estão mais sutis e se casam de maneira belíssima com o ritmo da música. No refrão, o trabalho dos backing vocals estão muito bem colocados, contribuindo de maneira decisiva para o sucesso final do trabalho. O solo é incrível. Excelente!

A letra, assim como toda a faixa, é uma grande homenagem ao então falecido ex-guitarrista do grupo, Randy Rhoads:

When all is said
All is done
Still I live
And carry on
Don't look back
But think of me
We'll meet again
Fly away (oh)



Considerações Finais

Catapultado pelo enorme sucesso de “Metal Health” e “Cum On Feel The Noize” – em especial desta segunda faixa – o álbum acabou sendo um sucesso comercial estrondoso, especialmente nos Estados Unidos.

O álbum Metal Health acabou atingindo a magnífica 1ª posição da parada norte-americana de álbuns. Também acabou com a 5ª posição de sua correspondente canadense. Foi o primeiro disco considerado de Heavy Metal a atingir o topo da parada dos Estados Unidos!

Embora alguns críticos não tenham, há época, percebido a qualidade do disco, com algumas críticas pesadas, o álbum Metal Health acabou se tornando um grande clássico do Hard/Heavy mundial.

Para promoção do disco, a banda saiu em turnê na qual fazia a abertura dos shows do Black Sabbath em sua turnê em que divulgava o álbum Born Again (1983), entre outubro de 1983 e março de 1984.



Estima-se que Metal Health tenha superado a marca de 6 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

Formação:
Kevin DuBrow - Vocal
Carlos Cavazo - Guitarra, Backing Vocals
Rudy Sarzo- Baixo, Sintetizador
Frankie Banali - Bateria, Backing Vocals

Faixas:
01. Metal Health (Bang Your Head) (DuBrow/Cavazo/Banali/Cavazo) - 5:16
02. Cum on Feel the Noize (Noddy Holder/Jim Lea) - 4:51
03. Don't Wanna Let You Go (DuBrow/Cavazo) - 4:42
04. Slick Black Cadillac (DuBrow/Randy Rhoads) - 4:12
05. Love's a Bitch (DuBrow) - 4:11
06. Breathless (DuBrow/Cavazo) - 3:51
07. Run for Cover (DuBrow/Cavazo) - 3:38
08. Battle Axe (Cavazo) - 1:38
09. Let's Get Crazy (DuBrow) - 4:08
10. Thunderbird (DuBrow) - 4:43

Letras:
Para o conteúdo das letras, indica-se o acesso a: http://letras.mus.br/quiet-riot/

Opinião do Blog:
O Quiet Riot teve em sua formação original um dos mais virtuosos e talentosos guitarristas de todos os tempos no Heavy Metal: Randy Rhoads.

O talentoso Rhoads acabou falecendo muito jovem, enquanto estava na banda de Ozzy Osbourne e jamais viu o sucesso comercial de seus antigos companheiros: entretanto, sem nenhuma intenção, acabou contribuindo indiretamente para o sucesso do Quiet Riot, pois, sua morte, fez com que o grupo se reunisse novamente.

Metal Health foi o ponto mais alto da carreira do Quiet Riot, tanto comercialmente – a 1ª posição na parada norte-americana é contundente prova deste fato – quanto musicalmente. A versão de “Cum On Feel The Noize”, do Slade, é o grande sucesso da carreira do grupo.

Rudy Sarzo e Frankie Banali formam uma cozinha competente. O mesmo pode ser dito das guitarras de Carlos Cavazo, muito inspirado, mesmo sem tocar o brilhantismo de Rhoads. Kevin DuBrow é um vocalista talentoso e principal compositor do conjunto.

“Metal Health”, “Run For Cover” e “Slick Black Cadillac” são excelentes faixas e mostram do que o álbum e a banda foram capazes. Destaque primordial para a belíssima homenagem a Rhoads, a linda “Thunderbird”.

Metal Health é um álbum que merece destaque na discografia de qualquer fã de Hard/Heavy. Recomenda-se ao leitor várias audições deste brilhante trabalho!

28 de maio de 2013

OZZY OSBOURNE - DIARY OF A MADMAN (1981)


Diary Of A Madman é o segundo álbum de estúdio do vocalista inglês chamado Ozzy Osbourne. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 7 de novembro de 1981, sob o selo Jet Records. As gravações aconteceram no Ridge Farm Studios (no Reino Unido), entre fevereiro e março daquele ano. A produção ficou a cargo de Max Norman, com auxílio do guitarrista Randy Rhoads e do próprio Ozzy.



Bem no início do Blog, foi feito um post sobre a estreia de Ozzy Osbourne em sua carreira-solo, e quem quiser conferir pode acessar o link abaixo:


Após o lançamento de seu álbum de estreia, Blizzard of Ozz, Ozzy saiu em turnê para promovê-lo com uma formação diferente daquela a qual gravara o disco em estúdio.

A formação continha Ozzy nos vocais, o incrível Randy Rhoads na guitarra, Rudy Sarzo no baixo e Tommy Aldridge na bateria.

A turnê foi muito bem sucedida e preparou o caminho e confiança necessários para que o vocalista sentisse que era oportuno aproveitar o momento e fazer um novo registro de músicas inéditas.

O fantástico Randy Rhoads teria um papel fundamental no novo álbum, auxiliando o Madman de maneira decisiva no processo de escrita e composição de seu futuro trabalho, criando melodias e riffs incríveis.

Para as gravações do novo trabalho, houve a volta do baixista Bob Daisley e do baterista Lee Kerslake, os quais já haviam contribuído com a gravação de Blizzard Of Ozz.

Mais que isto, Bob Daisley teve papel fundamental na composição dos primeiros álbuns de Ozzy Osbourne. Anos depois, muita controvérsia judicial surgiu entre Daisley e o vocalista, incluindo o relançamento dos álbuns com as partes tocadas por Daisley e Kerslake sendo regravadas por outros músicos.

Ozzy:


Bob Daisley afirma que muitas melodias e letras de canções que são atribuídas a Osbourne são integralmente ou com muitas contribuições suas na realidade. E que muitos dos direitos econômicos delas não foram pagos a ele. Em 2010, houve um acordo judicial e toda a celeuma foi dirimida.

Fato é que Daisley é creditado como compositor em todas as faixas deste trabalho.

Também o tecladista Don Airey foi creditado como presente no álbum como tecladista, mas na verdade, Airey nem esteve em estúdio com o grupo, pois estava em turnê com o Rainbow. Na verdade, as partes de teclado no disco foram tocadas por um músico chamado Johnny Cook, amigo de Bob Daisley, com o qual havia tocado na banda Mungo.

Johnny Cook não foi creditado no trabalho.

A arte da capa tem uma foto bem excêntrica com Ozzy Osbourne.

OVER THE MOUNTAIN

Um dos clássicos da discografia de Ozzy abre o álbum, “Over The Mountain”.

A bateria nervosa de Kerslake abre o álbum seguida pelo riff muito inspirado por parte do grande Randy Rhoads. Ozzy faz um vocal bem típico de sua carreira, especialmente quando partiu solo. O refrão é muito bom e as linhas de guitarras, pesadas e melodiosas, são incríveis. Os solos mostram o quão incrível Rhoads era.

As letras são em um tom de desespero e angústia, em mistura de fuga e raiva:

Over and over, always tried to get away
Living in a daydream, only place I had to stay
Fever of a breakout burning in me miles wide
People around me talking to the walls inside

Lançada como single, acabou alcançando uma boa posição na parada norte-americana deste tipo de gravação: 38ª colocação.



A canção acabou fazendo parte do set list de Ozzy por algum tempo, mas depois sua presença foi rareando em shows. Bandas como Fozzy e Stryper fizeram versões para a música.



FLYING HIGH AGAIN

Continuando o disco em alto nível, outro sucesso: “Flying High Again”.

A guitarra de Rhoads soa incrível nesta canção. Está pesada, em um riff que se inicia mais arrastado e depois acelera um pouco, mas o ritmo se mantém mais lento, sempre repleto de melodia, em uma construção genial. Os vocais de Ozzy estão em perfeita consonância com o instrumental da faixa. O solo é fabuloso. Ponto alto do álbum!

Segundo Ozzy, as letras se referem ao seu momento pessoal (na época), em que ele sentia novamente o sabor do sucesso após ser demitido do Black Sabbath:

I can see through the mountains
Watch me disappear
I can even touch the sky
Swallowing colours of the sound I hear
Am I just a crazy guy
You bet

“Flying High Again” esteve presente em boa parte dos shows de Ozzy em sua carreira solo, tornando-se um clássico do Madman.



Lançada como single, atingiu a 16ª posição na parada britânica desta natureza e a excepcional 2ª posição em sua correspondente norte-americana.



YOU CAN’T KILL ROCK AND ROLL

A terceira faixa do álbum é “You Can’t Kill Rock And Roll”.

Linhas suaves e melodiosas dão o tom no início da terceira canção do disco. Depois, o ritmo acelera com mais intensidade e certo peso, mas alternando com as linhas mais lentas e melosas do começo da música em uma construção bem bonita. Os vocais de Ozzy se alternam de acordo com o ritmo da faixa, contribuindo para o seu sucesso.

As letras são simples e representam uma rebeldia embalada por um espírito de liberdade, representado pela música Rock:

Leave me alone
Don't want your promises no more
'Cause rock'n'roll is my religion and my law
Won't ever change,
May think it's strange
You can't kill rock'n'roll
It's here to stay

Lançada como single, atingiu a respeitável 41ª colocação na parada norte-americana.



BELIEVER

A quarta faixa do trabalho é “Believer”.

“Believer” é consideravelmente mais pesada que as canções anteriores do álbum. Isto é muito devido ao riff sensacional criado pela guitarra de Randy Rhoads: bastante pesado, muito lento e com andamento deveras arrastado. Ozzy opta por um vocal que se adéqua perfeitamente ao ambiente criado pelo excelente instrumental da música. Brilhante!

As letras estão em um tom de mistério e místico, com toques de ocultismo:

I'm a believer, I ain't no deceiver
Mountains move before my eyes
Destiny planned out I don't need no handout
Speculation of the wise



LITTLE DOLLS

“Little Dolls” é a quinta música de Diary Of A Madman.

Kerslake abre a canção com um pequeno solo de bateria, logo acompanhado por um bom riff de Rhoads. O ritmo segue as faixas iniciais do trabalho, um Hard/Heavy bem clássico, que aposta tanto no peso moderado quanto na boa melodia. Ozzy faz vocais competentes nesta música interessante.

A letra faz clara referência ao ocultismo e ao vodu:

Tourted and flaming, you'll give birth to hell
Living a nightmare
It is a pity, you'll pray for your death
But he's in no hurry



TONIGHT

A sexta música do disco é “Tonight”.

As suaves e belas linhas de guitarra tocadas por Randy Rhoads embalam o início de “Tonight”. No refrão, tanto o ritmo quanto o peso se intensificam, mas de maneira bem sutil, chegando ao ápice no solo. “Tonight” é, portanto, uma tocante balada do trabalho, construída sem ser piegas. Linda canção!

A letra é interessante, em um tom de conflito interno e de questionamentos sobre sua própria confiança:

Don't want your pity or your sympathy
It isn't gonna prove a thing to me
Good intentions pave the way to hell
Don't you worry when you hear me sing



S.A.T.O.

A sétima canção do álbum é “S.A.T.O.”

A faixa começa de maneira mais lenta e arrastada, com uma linha suave que logo se torna em um riff mais rápido e com certo peso por parte de Randy. Ozzy usa vocais um pouco mais agressivos para acompanhar a intensidade da música. O ritmo forte e acelerado se mantém pelo resto da canção.

A letra é interessante e pode ser interpretada como uma mensagem de mudança e perspectiva positiva para o futuro:

I can't conceal it like I know I did before
I got to tell you now the ship is ready
Waiting on the shore



DIARY OF A MADMAN

Homônima ao disco, “Diary Of A Madman” fecha o trabalho.

O início mais suave até engana, mas logo o peso e a intensidade aparecem. Mas o mais interessante na canção é esta alternância de ritmos e força. Mesmo os vocais de Ozzy acompanham a variação de andamentos, de maneira correta e competente. Em maior parte do tempo, as linhas tocantes dominam o trabalho, que se intensificam, como no solo. Linda construção musical!

A letra é realmente diferente e tenta, com muito sucesso, expressar a loucura de um ser:

Diary of a madman
Walk the line again today
Entries of confusion
Dear diary I'm here to stay



Considerações Finais

Diary Of A Madman foi um álbum com bom apelo comercial, sendo muito bem sucedido desde seu lançamento.

Em termos de parada de sucesso, é indiscutível: 16ª posição nos Estados Unidos, enquanto conquistou a 14ª colocação na sua correspondente britânica.

Aldridge, Rhoads, Ozzy, Sarzo


Tanto o público quanto a imprensa especializada receberam o trabalho positivamente, embora sem o mesmo apelo do álbum de estreia de Ozzy Osbourne. O maior destaque foi dado para o trabalho de guitarra do incrível Randy Rhoads.

Steve Huey, do Allmusic, afirma em sua análise que não é incomum ver fãs que preferem Diary a Blizzard Of Ozz (o primeiro trabalho de Ozzy), mesmo porque o segundo disco de Ozzy é mais místico, estranho e conta com um Randy Rhoads tocando em um nível ainda mais alto.

Já a BBC se refere ao álbum como um trabalho clássico, catapultado a um nível lendário pelo excelente Randy Rhoads.

Apenas JD Considine, da revista Rolling Stone foi menos entusiasmado, afirmando que as músicas são um pouco com mais de riff e um vocal aplicado encima. Também afirma que Rhoads era um “Eddie Van Halen júnior”, mas com menor inspiração.

Entretanto, pelo seu trabalho em Diary Of A Madman e em Blizzard Of Ozz, Randy Rhoads foi eleito pela mesma revista Rolling Stone o 85º melhor guitarrista de todos os tempos no ano de 2003.

Seguido ao lançamento, uma grande turnê foi marcada e a banda saiu excursionando. Entretanto, o final da tour seria inesquecível por motivos trágicos.

Em 19 de março de 1982, enquanto Rhoads estava na Flórida para dois shows seguidos da turnê e uma semana depois de tocar no Madison Square Garden, em Nova York, uma aeronave leve pilotada por Andrew Aycock (motorista do ônibus da turnê da banda) alçou voo transportando o guitarrista Randy Rhoads e Rachel Youngblood, designer do grupo.

A aeronave acabou caindo durante a execução de manobras mais baixas próximas ao ônibus de turnê da banda. Em uma brincadeira idiota que se tornou mortal, a asa esquerda da aeronave cortou o ônibus, roçou em uma árvore e caiu na garagem anexa de uma mansão vizinha, matando Rhoads, Aycock e Rachel Youngblood.

Na autópsia, cocaína foi encontrada na urina de Aycock. O resultado final, obviamente, foi considerado um acidente devido ao mau julgamento por parte do piloto.

Experimentando em primeira mão a morte horrível de seu amigo e companheiro de banda, Osbourne caiu em uma depressão profunda. A turnê foi cancelada por duas semanas. Aos poucos, Ozzy foi retomando sua carreira, mas sempre prestou homenagens sinceras ao seu companheiro Randy Rhoads.

Randy Rhoads:


Em uma biografia, Ozzy afirma que Diary Of A Madman é o seu álbum preferido.

Diary Of A Madman já suplantou a casa de 3,2 milhões de cópias vendidas pelo mundo.

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Randy Rhoads – Guitarras
Bob Daisley – Baixo
Lee Kerslake – Bateria, Percussão
Johnny Cook – Teclados

Faixas:
01. Over the Mountain (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 4:31
02. Flying High Again (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 4:44
03. You Can't Kill Rock and Roll (Osbourne/Rhoads/Daisley) - 6:59
04. Believer (Osbourne/Rhoads/Daisley) - 5:15
05. Little Dolls (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 5:39
06. Tonight (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 5:50
07. S.A.T.O. (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 4:07
08. Diary of a Madman (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 6:14

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/ozzy-osbourne/

Opinião do Blog:
Embora vários fãs – e o próprio Ozzy Osbourne – tratem Diary Of A Madman como o álbum preferido deles na carreira solo do vocalista, o disco viveu, de certa forma, à sombra do primeiro trabalho do Madman, Blizzard Of Ozz.

Musical e cronologicamente, ‘Diary’ é a sequência natural de ‘Blizzard’. Embora apresente canções inspiradas como “Over The Mountain”, “Flying High Again”, “Believer” ou a própria faixa-título, o blogueiro pensa se tratar de composições mais pálidas se comparadas à estreia de Ozzy.

Não que se trate de um álbum ruim, bem longe disto, mas pesa o fato de ‘Blizzard’ ser um disco extraordinário.

Entretanto, o trabalho do guitarrista Randy Rhoads é fantástico. Os riffs, as linhas melódicas e os solos – especialmente os solos – estão soberbos e pesam no fato de Rhoads, mesmo com tão poucos registros em sua obra, ser considerado um dos astros das 6 cordas.

Diary Of A Madman é o último registro de estúdio do talentoso guitarrista. Rhoads é responsável direto pela ressurreição da carreira de Ozzy depois de sua controversa saída do Black Sabbath.

É impossível saber o que Randy Rhoads poderia ter feito se não tivesse falecido há mais de 30 anos. Mas Diary Of A Madman mostra o jovem guitarrista em uma performance incrível. Vale muito à pena curtir este belo trabalho de Ozzy com o saudoso Randy.

6 de maio de 2013

IRON MAIDEN - PIECE OF MIND (1983)



Homenagem aos 30 anos do lançamento deste álbum

Piece Of Mind é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa chamada Iron Maiden. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 16 de maio de 1983, sob o selo EMI. A produção ficou por conta do lendário Martin Birch, com as gravações acontecendo no Compass Point Studios, em Nassau, nas Bahamas, entre janeiro e março daquele ano.