EAGLES - DESPERADO (1973)


Desperado é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana chamada Eagles. Seu lançamento oficial aconteceu em 17 de abril de 1973 através do selo Asylum Records. As gravações ocorreram durante aquele ano no Island Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou sob responsabilidade de Glyn Johns.

Chegou o momento de uma das grandes bandas norte-americanas de todos os tempos fazer sua estreia no RAC: a Eagles. Primeiramente, conforme nossos leitores já estão acostumados, far-se-á um breve histórico sobre a formação do grupo para depois se abordar o disco propriamente dito.



Origem dos Eagles

O Eagles tem seu início no ano de 1971, quando a cantora Linda Ronstadt e seu então gerente, John Boylan, recrutaram os músicos locais Glenn Frey e Don Henley para sua banda.

Henley havia mudado para Los Angeles, nos EUA, oriundo do Estado do Texas, com sua banda Shiloh, com o objetivo de gravar um álbum produzido por Kenny Rogers. Frey era originário de outro Estado americano, o Michigan, e formou o conjunto Longbranch Pennywhistle. (Nota do Blog: o Longbranch Pennywhistle foi um grupo de country rock/folk music que contou com Glenn Frey e John David Souther. Eles lançaram um álbum autointitulado, em 1969, pelo selo Amos Records. Ambos fizeram a migração de Detroit para a Califórnia e estavam se adaptando ao que se tornaria o California Sound).

Frey e Henley se conheceram em 1970, no Troubadour, em Los Angeles, e se familiarizaram uma vez que estavam na mesma gravadora, a Amos Records. (Nota do Blog: o The Troubador é uma boate localizada em West Hollywood, Califórnia, Estados Unidos, na 9081, Santa Monica Boulevard, a leste de Doheny Drive e na fronteira com Beverly Hills. Foi inaugurado em 1957 por Doug Weston como uma casa de café na La Cienega Boulevard e depois mudou-se para sua localização atual, logo após a abertura, e permanece aberto continuamente desde então. Foi um importante centro da folk music na década de 1960, e, posteriormente, para cantores e compositores de rock).

Randy Meisner, que estava trabalhando com a banda de apoio de Ricky Nelson, a Stone Canyon Band e Bernie Leadon, um veterano do Flying Burrito Brothers, também se juntaram ao grupo de artistas que Ronstadt formou para a sua turnê de verão promovendo o álbum Silk Purse (1970).

A formação da banda

Durante a turnê com Linda, Frey e Henley decidiram formar uma banda juntos e informaram sua intenção à Ronstadt. Frey, mais tarde, creditou a Ronstadt a sugestão de Bernie Leadon para o grupo, e, arranjando para que Leadon tocasse para ela, Frey e Henley poderiam abordá-lo sobre formar um conjunto juntos. Eles também lançaram a ideia para Meisner e trouxeram-no a bordo.

Estes quatro tocaram juntos, como a banda suporte de Ronstadt, apenas uma vez em um show de julho, na Disneyland, mas todos os quatro apareceriam em seu álbum homônimo, de 1972.

Mais tarde, foi proposto que J. D. Souther se juntasse à banda, mas Meisner se opôs. Os quatro foram contratados, em setembro de 1971, com a gravadora Asylum Records, o novo selo fundado por David Geffen, o qual foi apresentado a Frey por Jackson Browne. (Nota do Blog: Clyde Jackson Browne é um músico, cantor e compositor americano que vendeu mais de 18 milhões de álbuns apenas nos Estados Unidos).

A Geffen Records comprou os contratos de Frey e Henley junto a Amos Records, e enviou os quatro membros do novo conjunto para Aspen, no Colorado, com a finalidade de se desenvolverem como uma banda.

Glenn Frey e Bernie Leadon cuidavam das guitarras, Randy Meisner ficava no baixo e Don Henley era o baterista.

Embora ainda não houvessem estabelecido um nome para a banda, eles realizaram seu primeiro show em outubro de 1971, sob o nome de Teen King and the Emergencies, em um clube chamado The Gallery, em Aspen.

Don Felder creditou a Leadon a sugestão do nome Eagles para a banda, durante uma viagem do grupo, regada a peiote e tequila, no deserto de Mojave, quando ele se lembrou da leitura sobre a reverência dos Hopis pela águia. (Nota do Blog: Os Hopi são uma tribo nativa americana, que vive principalmente na Reserva Hopi, no nordeste do Arizona. De acordo com o censo de 2010, havia 19.327 Hopi nos Estados Unidos. A língua Hopi é uma das 30 existentes na família linguística uto-azteca. A maioria das pessoas Hopi está inscrita na Tribo Hopi do Arizona, mas algumas estão matriculadas nas Tribos Indianas do Rio Colorado).

Contudo, as origens do nome variam e J.D. Souther sugeriu que a ideia surgiu quando Frey gritou ‘Eagles!’ quando viram águias voando acima.

O ator e comediante Steve Martin, um amigo da banda desde os primeiros dias do The Troubadour, relata em sua autobiografia que ele sugeriu à banda que eles deveriam ser chamados de ‘The Eagles’, mas Frey insiste que o nome do grupo é simplesmente ‘Eagles’, sem o artigo ‘the’.

Don Henley

David Geffen e o parceiro Elliot Roberts inicialmente gerenciaram a banda.

O primeiro disco: Eagles

O álbum de estreia, homônimo ao grupo, foi gravado na Inglaterra, em fevereiro de 1972, com o produtor Glyn Johns. O produtor ficou impressionado com as harmonias de canto do conjunto e foi creditado com a moldagem do grupo em uma “banda de country rock com essas harmonias de alta voltagem”.

Lançado em 1º de junho de 1972, Eagles foi um sucesso decisivo, com três singles no Top 40 da parada norte-americana.

O primeiro e principal single, “Take It Easy”, foi uma música composta por Frey com seu então vizinho e colega Jackson Browne. A música alcançou o 12º lugar na Billboard, impulsionando o Eagles para o estrelato.

O single foi seguido por outros dois, a bluesy “Witchy Woman” e a balada “Peaceful Easy Feeling”, as quais conquistaram as 9ª e 22ª posições na Billboard, respectivamente. O grupo apoiou o álbum com uma turnê, pelos EUA, como banda de abertura para o Yes.

Começa a surgir… Desperado!

Após um primeiro álbum comercialmente bem-sucedido, Frey queria que o segundo álbum fosse aquele em que a banda pudesse ser levada mais a sério como artista e se interessou em fazer um álbum conceitual.

O conceito original foi focar as músicas em uma temática sobre anti-heróis; de acordo com Glenn Frey, ele havia se encontrado com Don Henley, Jackson Browne e o músico americano J. D. Souther, após um show de Tim Hardin, quando eles tiveram a ideia de fazer um álbum sobre anti-heróis. (Nota do Blog: James Timothy Hardin (23 de dezembro de 1941 - 29 de dezembro de 1980) foi um músico e compositor folk americano. Ele escreveu o hit Top 40 “If I Were a Carpenter”, gravado por inúmeros artistas como Bob Dylan e Robert Plant).

Uma inspiração para a temática acabou sendo um livro sobre os pistoleiros do chamado Velho Oeste, dado a Browne por Ned Doheny, pela ocasião de seu aniversário de 21 anos, e Browne apresentou-lhes o livro, sugerindo o tema. (Nota do Blog: Velho oeste, Oeste selvagem ou faroeste (em inglês: old west, wild west ou far west), são os termos com que se denomina popularmente o período e episódios históricos que tiveram lugar no século XIX (principalmente entre os anos de 1860 a 1890) durante a expansão da fronteira dos Estados Unidos para a costa do Oceano Pacífico. Embora a colonização do território tenha começado no século XVI com a chegada dos europeus, o objetivo de alcançar a costa oeste deveu-se principalmente à iniciativa governamental do presidente Thomas Jefferson, depois da Compra da Luisiana em 1803. A expansão da fronteira foi considerada como uma oportunidade de riqueza e progresso).

O livro continha histórias sobre Bill Dalton e Bill Doolin; a partir da qual surgiu a música “Doolin-Dalton”, sobre a Doolin-Dalton Gang. No entanto, o grupo acabou ficando sem ideias depois de compor “Doolin-Dalton” e “James Dean”, esta sobre o ator epônimo. A ideia original sobre os anti-heróis tornou-se, então, Desperado, mas com a temática voltada para histórias sobre o Velho Oeste, principalmente o espírito ‘fora da lei’.

O próprio Jackson Browne creditou a música “Desperado”, escrita por Frey e Henley, como a origem do tema fora da lei do disco. Bernie Leadon afirmou que Frey gostou da ideia de uma analogia entre bandos de fora da lei e rock-and-roll: “Glenn chamou a todos e mapeou quais personagens da gangue poderiam ser alvos de canções ou nos encorajava a escrever canções sobre esse conceito”.

Frey afirmou, sobre o álbum, em uma entrevista em 1973: “Tem seus momentos em que definitivamente desenha alguns paralelos entre o rock-and-roll e um fora da lei. Foras das leis da normalidade, acho. Quero dizer, sinto que estou quebrando uma lei o tempo todo. O que vivemos e o que fazemos é uma espécie de fantasia”.

Henley também disse que o álbum seria seu “grande comentário artístico sobre os males da fama e sucesso, com uma metáfora de cowboy”. No entanto, admitiu: “A metáfora era provavelmente uma pequena besteira. Nós estávamos em Los Angeles acordados a noite toda, fumando droga, vivendo a vida da Califórnia, e suponho que pensávamos que éramos tão radicais quanto os vaqueiros no Velho Oeste. Nós realmente nos rebelamos contra o negócio da música, não [contra] a sociedade”.

Glenn Frey

Parte das razões para sua insatisfação e cinismo com o negócio da música foi devido a David Geffen vender o selo independente Asylum para a gigante Warner Communications, que depois o fundiu com a Elektra Records. A banda atribuía este fato como motivo da falta de interesse em ser promovida internacionalmente pela EMI.

As músicas do álbum rapidamente começaram a surgir após o tema ser definido. Embora Desperado, às vezes, seja descrito como um álbum conceitual, ele não possui uma narrativa específica e suas músicas não se encaixam necessariamente no tema.

“Desperado” foi a primeira música que Frey e Henley compuseram juntos, marcando o início de sua prolífica parceria de composição. Henley observou: “Foi quando nos tornamos uma equipe”. “Tequila Sunrise” foi composta na mesma semana em que “Desperado”. Ao todo, Frey e Henley estiveram envolvidos na construção de 8 das 11 músicas do disco.

A capacidade de composição da dupla formada por Frey e Henley, em Desperado, também marca o início do domínio deles sobre o restante da banda.

Como Henley afirmou: “Este foi o momento crucial para nós. Quando formamos a banda, foi suposto ser uma dessas ‘todos iguais’. Todos nós cantamos e todos compúnhamos e assim por diante. Mas o fato é que as pessoas não são todas capazes de fazerem tudo da mesma forma. É como em uma equipe de futebol... Algumas pessoas, [são] quarterback e algumas pessoas bloqueiam. Então passamos por muitos problemas por um tempo”.

Leadon compôs duas músicas - “Twenty-One” e “Bitter Creek”, enquanto Randy Meisner coescreveu “Certain Kind of Fool” e “Saturday Night”.

“Twenty-One” refere-se à idade de Emmett Dalton, o mais jovem da gangue de Dalton, quando foi baleado 23 vezes, mas sobreviveu durante o ataque em Coffeyville, Kansas, em outubro de 1892.

Meisner surgiu com a ideia de como alguém se tornou um fora da lei em “Certain Kind of Fool”. A única música do álbum não escrita pelos membros do Eagles é “Outlaw Man”, que foi composta por David Blue e escolhida por se ajustar ao tema.

Gravações

O álbum foi gravado no Island Studios, em Londres, levando quatro semanas a um custo de 30 mil libras. O produtor Glyn Johns queria finalizar o disco de forma rápida e econômica e cada faixa foi, portanto, limitada a quatro ou cinco takes, e os pedidos para regravar foram recusados.

De acordo com o produtor Johns, Henley e Leadon tentaram encontrar alguns links musicais para amarrar a história no conceito fora da lei do álbum, no entanto, o próprio conceito se dissipou.

A banda ficou muito feliz com o resultado final depois que Johns tocou o trabalho finalizado para eles, pela primeira vez, e o grupo o carregou nos ombros para fora da sala de controle.

Entretanto, Jerry Greenberg, o presidente da Atlantic Records, recebeu o álbum de modo menos entusiasmado: “Jeez, eles fizeram um maldito álbum de cowboy!”

Arte da Capa

A obra de arte para o disco foi feita pelo artista Gary Burden, com fotos de Henry Diltz, ambos também responsáveis pelo primeiro álbum do Eagles. Obviamente, a ideia original era explorar a temática faroeste, com imagens que simulassem tiroteios no encarte do disco, mas que foram rechaçadas pela gravadora.

Na parte de trás do álbum, há uma imagem dos quatro membros da banda junto com Jackson Browne e JD Souther “mortos” e amarrados no chão, com uma brigada a qual incluía o produtor Glyn Johns, o manager John Hartmann, o gerente de turnê Tommy Nixon, o artista Boyd Elder, roadies e Gary Burden acima deles. A foto seria uma reconstituição da imagem histórica da captura e morte do grupo Dalton.

A sessão de fotos acima descrita ocorreu no Paramount Ranch, uma antiga locação para filmes de Western, no Malibu Canyon. No entanto, seu custo foi elevado e, para justificar o valor, um filme promocional para o disco também foi feito ao mesmo tempo.

A banda, em 1973

O filme foi filmado em Super-8, depois em tons de sépia e transferido para fita de vídeo. Em cada processo, uma pequena qualidade de vídeo é perdida, o que Frey descreveu como um “bom acidente”, pois o fez parecer envelhecido e mais realista. (Nota do Blog: Super 8mm é um formato de filme cinematográfico lançado em 1965 por Eastman Kodak como uma melhoria em relação aos formatos antigos “Duplo” ou “Regular” de 8 mm).

Vamos às faixas:

DOOLIN-DALTON

A bela "Doolin-Dalton" já se inicia com um toque suave e bom trabalho de gaita por Glenn Frey. Ele mesmo e Don Henley dividem os ótimos vocais. A faixa possui claras influências Country e a pegada é empolgante.

A letra narra o encontro entre Bill Doolin e Bill Dalton:

'Til Bill Doolin met Bill Dalton.
He was workin' cheap, just bidin' time.
Then he laughed and said, "I'm goin'"
And so he left that peaceful life behind.
Mm…



TWENTY-ONE

"Twenty-One" apresenta ainda mais a pegada Country, construída com bom gosto, notadamente repleta de ritmo e swing. O clima acústico se casas perfeitamente com a voz de Bernie Leadon que é quem faz os vocais.

A letra fala sobre consequências:

They say a man should have a stock and trade
But me, I'll find another way
I believe in getting what you can
And there ain't no stoppin' this young man



OUT OF CONTROL

Já em "Out of Control", o Rock está presente com tudo, em um leve flerte com o Hard setentista, guitarras presentes, bateria e baixo mais agressivos e vocais bem fortes de Glenn Frey. Há ritmo e balanço em uma configuração rock muito bem apresentada.

A letra fala sobre comportamento inconsequente:

You got to gamble on your story
You got no guts, you get no glory
And I'm bettin' my money on an ace in the hole
Think I'm gettin' out of control



TEQUILA SUNRISE

Já em "Tequila Sunrise", o Eagles aposta em uma abordagem mais suave e contida e o peso é colocado de lado. A música é mais intimista e a forte influência Country fica mais evidente uma outra vez. Lindos vocais de Glenn Frey.

A letra fala sobre bebida e mulheres:

Every night when the sun goes down,
Just another lonely boy in town,
And she's out runnin round


“Tequila Sunrise” é um clássico do Eagles.

Lançada como single, atingiu a 64ª posição da principal parada norte-americana desta natureza. Também conquistou a 68ª colocação na sua correspondente canadense.

O cantor country Alan Jackson fez uma versão para “Tequila Sunrise” presente em seu álbum tributo Common Thread: The Songs of the Eagles, lançado em 1993.



DESPERADO

"Desperado" é uma belíssima composição do Eagles. Os vocais de Don Henley já impressionam no início da faixa quando é acompanhado apenas pelo piano e a orquestra. A balada segue em um clima mais contido, mas a linda melodia abraça o ouvinte, especialmente no belo refrão.

A letra fala sobre um fora da lei:

Desperado
Oh, you ain't getting no younger
Your pain and your hunger,
They're driving you home
And freedom, oh freedom
Well that's just some people talking
Your prison is walking through this world all alone

“Desperado” é um dos grandes clássicos do Eagles, embora nunca tenha sido lançada como single.

De acordo com Don Henley, “Desperado” é uma canção em que ele havia começado a trabalhar em 1968. Após a gravação do primeiro disco do grupo, ele e Glenn Frey estavam determinados a começarem a compor músicas juntos. A primeira composição da pareceria foi exatamente “Desperado”.

A música foi gravada no Island Studios, em Londres, contando com músicos da London Philharmonic Orchestra. A orquestra foi conduzida por Jim Ed Norman, amigo de Henley, e de sua ex-banda Shiloh, que também escreveu e organizou as cordas para a faixa.

De acordo com Henley, eles só tinham quatro ou cinco takes para gravar a música, determinados pelo produtor Glyn Johns, o qual gravaria o disco de forma rápida e econômica.

Posteriormente, Henley afirmara que se sentiu intimidado pela grande orquestra e, mais tarde, exprimiu o arrependimento de que não cantou o melhor que podia e gostaria de ter regravado a canção.

A revista norte-americana Rolling Stone colocou “Desperado” na 494ª posição de sua lista The 500 Greatest Songs of All Time.

Versões cover famosas da música foram feitas por nomes como Carpenters, Diana Krall e Johnny Cash. “Desperado” já apareceu no famoso seriado Seinfield além de ter inspirado e ser trilha sonora do filme Western, Desperado, dirigido por Virgil W. Vogel e escrito por Elmore Leonard. Oroiginal foi lançado em 1987.



CERTAIN KIND OF FOOL

"Certain Kind of Fool" conta com os vocais do baixista Randy Meisner. O ritmo é um rock suave em que a seção rítmica está muito eficiente e domina o ambiente, com os violões apenas acompanhando. Um ótimo solo de guitarra encanta na sua metade final.

A letra é divertida:

They got respect, oh yeah,
He wants the same, oh yeah,
And it's a certain kind of fool who
Like to hear the sound of his own name
Oo…



DOOLIN-DALTON (INSTRUMENTAL)

47 segundos de ótimo trabalho de violão.



OUTLAW MAN

"Outlaw Man" apresenta o Rock novamente dominando, mesmo com a clássica e inconfundível pegada da banda o que, evidentemente, torna-a ainda melhor. Glenn Frey domina os vocais, contando com ótimo trabalho de backing vocals e um solo de guitarra, repleto de feeling. Petardo!

A letra é sobre rebeldia e traição:

And all my love's in danger
'Cause I steal hearts and souls
Woman, don't try to love me
Don't try to understand
A life upon the road is the life of an outlaw man


Lançada como single, “Outlaw Man” atingiu a 59ª posição da principal parada de singles norte-americana.

Composta pelo cantor e compositor americano David Blue, ele mesmo regravou a canção lançando-a em seu disco Nice Baby and the Angel, de 1973.



SATURDAY NIGHT

"Saturday Night" aposta, novamente, em uma abordagem bem suave e de clara pegada Folk, mas, sem nenhuma dúvida, cativante. Os vocais divididos ente Meisner e Henley funcionam perfeitamente e o clima intimista envolve e emociona.

A letra menciona um sábado à noite:

Whatever happened to Saturday night
Finding a sweetheart and holding her tight?
She said,"Tell me, oh, tell me, was I alright?"
Whatever happened to Saturday night?



BITTER CREEK

"Bitter Creek" é uma música interessantíssima. Embora seja uma construção basicamente acústica, há um clima de tensão, e sombrio, em sua atmosfera. Os vocais de Bernie Leadon são ótimos e o trabalho nas seis cordas pode ser considerado perfeito para a proposta. Ponto muito alto do disco!

A letra fala sobre insegurança:

Once I was young and so unsure
I'd try any ill to find the cure
An old man told me
Tryin' to scold me
"Oh, son, don't wade to deep in Bitter Creek,"
(Bitter Creek)
Out where the desert meets the sky
Is where I go when I wanna hide



DOOLIN-DALTON/DESPERADO

A décima-primeira - e última - faixa de Desperado é "Doolin-Dalton/Desperado (Reprise)". O álbum se encerra com uma nova abordagem à canção "Desperado" e fecha este grande trabalho com muita categoria.

A letra continua a história do grupo Dalton:

Easy money and faithless women, you will never kill the pain
Go down, Bill Doolin, don't you wonder why
Sooner or later we all have to die?
Sooner or later, that's a stone-cold fact,
Four men ride out and only three ride back



Considerações Finais

Embora de qualidade indiscutível, Desperado, inicialmente, não foi um grande sucesso comercial.

Os lançamentos posteriores do Eagles ajudaram a catapultar a popularidade do disco, fazendo-o um belo sucesso tardio.

Em termos de paradas de sucesso, o trabalho conquistou a 41ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, ficando com a 39ª colocação na correspondente britânica. Ainda ficou com os 5º, 31º e 35º lugares nas paradas de Holanda, Austrália e Canadá; respectivamente.

Vai-se focar agora na recepção da crítica especializada ao álbum.

Paul Gambaccini, da revista Rolling Stone deu ao álbum uma revisão positiva em seu lançamento, em 1973. Escreveu: “O lindo sobre isso é que, embora seja um conjunto unificado de músicas, não é uma ópera rock, um álbum conceitual ou qualquer coisa fingindo ser muito mais do que um conjunto de boas músicas que simplesmente se encaixam”.

Em conclusão, Gambaccini finalizou: “Desperado não vai curar sua ressaca ou revalorizar o dólar, mas [ele] lhe dará muitos bons momentos. Com seu segundo trabalho consecutivo bem feito, os Eagles estão em uma série de vitórias”.

Robert Christgau, no entanto, desvalorizou o trabalho afirmando que o álbum possuía uma “escassez de músicas decentes”. O editor do AllMusic, William Ruhlmann, dá ao disco uma nota 3,5 de um máximo possível de 5, elogiando o fato de Don Henley ter mais envolvimento com o álbum, mas concluiu que “era simultaneamente mais ambicioso e sério que seu antecessor e também mais leve e menos consistente”.

O álbum agora é considerado, por alguns críticos, como um dos discos importantes do country rock.

O escritor musical, John Einarson, argumentou em seu livro, Desperados: The Roots of Country Rock, que, apesar de suas fracas vendas iniciais, o disco “daria o tom para todos os sons de soft country rock surgidos posteriormente e impactaria aquilo que se tornaria a base do ‘new country’, tanto na imagem quanto na música”.

Já no ano seguinte, o Eagles lançaria outro sucesso comercial, On the Border, de 1974.

Desperado supera a casa de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Glenn Frey - Guitarras acústicas e elétricas, Vocal; Teclados, Harmônica
Bernie Leadon - Guitarras elétricas e acústicas, Vocal; Banjo, Bandolim
Randy Meisner - Baixo, Vocal
Don Henley - Bateria, Vocal; Violão

Faixas:
01. Doolin-Dalton (Henley/Frey/Souther/Browne) - 3:26
02. Twenty-One (Leadon) - 2:11
03. Out of Control (Henley/Frey/Nixon) - 3:04
04. Tequila Sunrise (Henley/Frey) - 2:52
05. Desperado (Henley/Frey) - 3:36
06. Certain Kind of Fool (Henley/Frey/Meisner) - 3:02
07. Doolin-Dalton (Instrumental) (Henley/Frey/Souther/Browne) - 0:48
08. Outlaw Man (Blue) - 3:34
09. Saturday Night (Henley/Frey/Meisner/Leadon) - 3:20
10. Bitter Creek (Leadon) - 5:00
11. Doolin-Dalton/Desperado (Reprise) (Henley/Frey/Souther/Browne) - 4:50

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/the-eagles/

Opinião do Blog:
Não há dúvida de que o Eagles foi um dos grandes sucessos comerciais da história da música - e não apenas do Rock. Desperado, seu segundo álbum de estúdio, não é tão alardeado quanto trabalhos posteriores do grupo, mas sua qualidade é inegável.

Um conjunto formado por músicos tão formidáveis quanto Glenn Frey, Bernie Leadon, Don Henley e Randy Meisner dispensa maiores apresentações. Todos são instrumentistas competentes e quando assumem os vocais principais, executam a função com a mesma soberania.

Desperado apresenta influências importantíssimas na construção da musicalidade do Eagles de forma muito evidente, seja o Folk em "Bitter Creek", seja o Country como em "Twenty-One". Mas, quase sempre, a roupagem Rock serve como amálgama para a sonoridade.

Importante salientar a capacidade, especialmente de Henley e Frey, como compositores. A construção de melodias, normalmente suaves e acústicas, é uma das qualidades fundamentais do grupo. Há canções belíssimas no disco.

As letras, simples, mas com a temática de Western, merecem uma conferida e concedem um arcabouço conceitual ao disco.

Não se deixe enganar, não há canções de enchimento por aqui e o álbum é consistente do início ao fim. Mas, como de costume, o RAC escolhe suas favoritas.

A suavidade tocante da belíssima "Tequila Sunrise" é, sem sombra de dúvidas, um grande destaque. "Outlaw Man" mostra a criativa pegada Rock do grupo. "Bitter Creek" é um folk rock sombrio e envolvente.

Mas as preferidas do Blog seguem com a paulada "Out of Control", um flerte bem-sucedido com o Hard. E a incrível faixa-título, "Desperado", continua sendo uma das mais belas composições dos anos 70.

Embora tenha demorado - e muito- para aparecer por aqui, o Eagles, sem sombra de dúvidas, é um dos conjuntos essenciais da história do Rock. Com alguns discos obrigatórios, Desperado é um dos destaques da discografia da banda, misturando Country, Folk e Rock, com talento, bom gosto e muita sabedoria. Altamente recomendado pelo Blog!

3 Comentários

  1. Um dos ícones da música (e da cultura) americana, a banda Eagles é daquelas que formam o caráter de muitas gerações ao redor do mundo. Pelo pouco que conheço da breve discografia deles, acho que, na minha opinião, Desperado seja o melhor disco do Eagles no quesito musical e lírico (sem contar o conceito "western" que é excelente), antes da explosão comercial de 1976 com o célebre e aclamado disco Hotel Califórnia (deixo claro que sou dos que gostam do Eagles mas que não gostam muito de sua canção homônima), visto até hoje como um dos mais vendidos da história da música em todos os tempos.

    Mas como a postagem é dedicada ao Desperado, o segundo e na minha opinião o melhor álbum do patrimônio musical americano Eagles, só me resta agradecer ao patrão Daniel por esta resenha interessantíssima de uma das melhores obras musicais dos anos 1970.

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    1. Só me resta, mais uma vez, agradecer a extrema generosidade dos elogios ao Blog, Igor. Muito obrigado. Gosto bastante do Eagles e espero poder escrever mais sobre a banda por aqui. Valeu mesmo!

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    2. De nada, chefão, e que venha mais outros discos ótimos dos Eagles neste blog, hehehehehehe.

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