28 de maio de 2014

REO SPEEDWAGON - R.E.O. SPEEDWAGON (1971)


R.E.O. Speedwagon é o álbum de estreia da banda norte-americana de mesmo nome, ou seja, REO Speedwagon. Seu lançamento oficial ocorreu em outubro de 1971, com as gravações acontecendo entre o ano anterior e 1971, primordialmente no Connecticut Recording Studios Inc. Os produtores foram Paul Leka e Bill Rose III e o selo responsável foi o Epic.


O REO Speedwagon é uma banda que fez bastante sucesso comercial no início da década de oitenta, fazendo músicas que fundiam o rock com uma forte veia pop. Neste post se mostrará o início do grupo, que mostrava uma veia mais voltada para o Rock Progressivo e o Hard Rock.

No outono de 1966 , Neal Doughty adentrou o curso de engenharia elétrica da Universidade de Illinois em Champaign , no mesmo Estado, entrando como calouro. Em sua primeira noite, ele encontrou outro estudante, Alan Gratzer.

Eles logo começaram uma banda de rock. Gratzer era um baterista desde os tempos do colégio e estava tocando em um grupo local nos fins de semana, enquanto Doughty havia aprendido algumas músicas dos Beatles no piano de seus pais.

Alan Gratzer
Doughty começou a seguir em torno da banda de Gratzer, eventualmente participando em uma ou duas músicas. Pouco tempo depois, o guitarrista Joe Matt chamou o líder da banda de Gratzer e disse que ele, o baterista Gratzer e o baixista Mike Blair haviam decidido deixar a banda e começar uma nova com Doughty.

Eles fizeram uma lista de músicas para aprenderem durante as férias de verão enquanto Doughty conseguiu um emprego para comprar o seu primeiro teclado. Em seu órgão Farfisa, ele aprendeu "Light My Fire", do The Doors, nota por nota.

Os membros voltaram para a faculdade no outono de 1967, e tiveram seu primeiro ensaio antes das aulas começarem. Eles nomearam a banda de REO Speedwagon, baseados no REO Speed Wagon, um caminhão que Doughty havia estudado na história do transporte e cujas iniciais são as de seu fundador Ransom E. Olds.

Ao invés de pronunciar REO como uma única palavra como a empresa fez, eles escolheram por soletrar o nome com as letras individuais, sendo cada uma delas pronunciadas.

Em seu início o grupo tocava covers em bares do campus, festas de fraternidade e eventos universitários. A primeira formação era composta por Doughty nos teclados, Gratzer na bateria e vocais, Joe Matt na guitarra e vocal e Mike Blair no baixo e vocais.

Na primavera de 1968, Terry Luttrell tornou-se o vocalista e Bob Crownover e Gregg Philbin substituíram Matt e Blair, respectivamente. Marty Shepard tocou trompete e Joe McCabe tocava sax neste momento até  que McCabe teve que se mudar para a Southern Illinois University.

Crownover tocou guitarra para o grupo até o verão de 1969, quando Bill Fiorio o substituiu. Também passou pelo posto de guitarrista Steve Scorfina compondo com a banda e se apresentando ao vivo, antes de ser substituído por Gary Richrath no final de 1970.

Gary Richrath
Richrath era um guitarrista e compositor prolífico que trouxe material original para a banda, incluindo a canção "Ridin' the Storm Out". Com Richrath a bordo, a popularidade regional da banda cresceu tremendamente.

A banda assinou contrato com a Epic Records em 1971. Paul Leka, um produtor de discos da Costa Leste, trouxe a banda para seu estúdio de gravação em Bridgeport, Connecticut, onde gravaram material original para o seu primeiro álbum. A formação da banda consistia em Richrath, Gratzer, Doughty, Philbin e Luttrell.

A capa do álbum apresenta a frente do caminhão REO Speed Wagon, em uma sacada bem inteligente. Vamos às faixas:

GYPSY WOMAN’S PASSION

A primeira música do álbum já mostra que o som da banda é bastante influenciado pela levada norte-americana do Blues, mas ao mesmo tempo, o grupo tinha um pezinho no Hard Rock. A guitarra é bastante presente, assim como os teclados de Doughty. Um começo bastante promissor.

A temática da música é sobre a liberdade:

And nobody knows where we're going too far, yeah
Something was sure or we gotta do, oh hey!
Maybe we got no direction. Said we got no place to go, no no.
She shoved all our batch end; am I just a big wad blow? Yeah yeah
Gypsy woman's passion, said I'm not gonna let you go
What'd I say, anyway, let's get on with it!



157 RIVERSIDE AVENUE

Um dos grandes sucessos do grupo é a segunda canção do trabalho. Com um ritmo contagiante, a melodia empolga qualquer um. “157 Riverside Avenue” continua com a mesma pegada Blues da faixa anterior, mas com os teclados dando um verdadeiro show. Faixa emblemática do início da carreira do REO Speedwagon.

A letra é simples fazendo uma ode à Riverside Avenue:

It's over, Miss Lena, we're leaving. Such a pleasant stay, I must say.
So nice, so easy, we hate to say goodbye to you
At 157 Riverside Avenue.

A música se refere ao endereço da banda na cidade de Westport, Connecticut, onde o grupo ficou para a gravação do disco. Embora não tenha sido lançada como single, é a canção de maior sucesso do grupo presente em seu álbum de estreia.

“157 Riverside Avenue” se tornou obrigatória nos shows da banda, frequentemente sendo tocada e expandida, com solos de teclado e guitarra. Um clássico!



ANTI-ESTABLISHMENT MAN

A terceira faixa do trabalho mantém o ritmo estabelecido no início do disco. Mas desta vez, a pegada do grupo está um pouco mais cadenciada, boa parte por conta de um riff muito interessante.  A guitarra de Richrath é o grande destaque da música.

A letra tem um tom de crítica aos governantes americanos, incluindo uma mensagem anti guerra (Vietnã):

I'm tired of your treating
All of my children the same
Everywhere!
Spending all that money
On a stupid war in Vietnam
(When we need it at home)



LAY ME DOWN

A quarta canção do disco possui uma levada um pouco mais calma, aproximando-se do que seria considerada uma balada. A voz de Luttrell se encaixa bem com a parte instrumental da música, formando uma boa composição, mas nada de extraordinário.

A letra tem uma clara conotação de decepção amorosa:

I lied to myself
Tried to believe in you
But it's hard to rely on the ghost of someone you hardly even knew
You bring things out
Just to bring me down
Then you twist them about and shove 'em in my face
Til my eyes can't see any good
Yeah!



SOPHISTICATED LADY

A música começa com um ritmo bastante acelerado, com um riff muito interessante, com a dose certa de força e velocidade. Novamente é possível sentir a forte presença do teclado de Doughty, fazendo uma ótima parceria com a guitarra de Richrath, a qual brilha intensamente. Um dos pontos mais elevados do trabalho!

A letra da música se refere a uma mulher culta, mas que não conhece as coisas práticas da vida:

Educated lady with your college degree,
Amazes me why you just can't see
Learned ev'rything from your books on the shelf,
But no one ever taught you how to think for yourself



“Sophisticated Lady” foi lançada como single para promover o disco e atingiu a modesta 122ª posição na principal parada norte-americana desta natureza.



FIVE MEN WERE KILLED TODAY

A levada da canção é bem tranquila e calma, com uma pegada bastante suave. A voz de Luttrell acaba sendo o maior destaque na música, pois se casa perfeitamente com a parte instrumental, transmitindo um tom de questionamento. Composição bem interessante.

A letra segue uma linha de questionamento:

Five men were killed today,
Leaving five wives as widows
Six men they tried to kill
Maybe one will live to raise his son
I've tried so hard
To tell you what went wrong
Been fighting for so many years
For something so very wrong
When will men ever learn
That happiness is his to be earned?



PRISON WOMEN

“Prison Women” é a menor faixa do álbum e, desta maneira, é bastante direta. Conta com um ritmo bastante envolvente, seguindo a linha do Blues Rock. É uma música simples, mas bastante animada.

A letra é simples e em tom de brincadeira:

Strumming down the river, the moonlight would shiver
Are hurting me with dance in my eyes
I’m on the other side, they’re gonna have them videos
Back and back to their side
Like tears to a mouse, a biting to a clam
I was tracking to the opposite shore
A passion from a dead man, playing, burning, biting
Life from limping eyes, yeah



DEAD AT LAST

A oitava – e última – faixa do disco de estreia do REO Speedwagon é “Dead At Last”. Com mais de 10 minutos, possui algumas mudanças de ritmo e andamento, mas é a canção mais diferente do trabalho. Deixa de lado a influência Bluesy, abraçando mais firmemente o Hard Rock setentista. Pessoalmente, foi impossível ouvi-la e não me lembrar do incrível Deep Purple. Excelente forma de se encerrar o álbum.

A letra é curtíssima e tem outra vez um chamado à liberdade:

'Cos I'll start by working, while we're calling a kind of dead
Torn by the curtains of our building shows no less...aaaahh!!!



Considerações Finais

O álbum R.E.O. Speedwagon não causou nenhuma grande repercussão após seu lançamento, não conseguindo alcançar nenhuma das principais paradas de sucesso nem mesmo dos Estados Unidos.

O disco acabou atraindo mais atenção quando a banda explodiu verdadeiramente, em especial na década de oitenta e alguns fãs procuraram os trabalhos anteriores do grupo.

“157 Riverside Avenue” acabou se tornando um clássico do Rock setentista norte-americano, ganhando ampla circulação nas emissoras de rádio daquele país. Como foi dito, é presença obrigatória nos shows da banda.

Pouco tempo após o lançamento do álbum, já no início de 1972, o vocalista Terry Luttrell deixou o REO Speedwagon, sendo substituído por Kevin Cronin, que gravaria o segundo álbum do grupo naquele mesmo ano.



Formação:
Terry Luttrell - Vocal
Gary Richrath - Guitarra
Gregg Philbin - Baixo
Neal Doughty - Teclados
Alan Gratzer – Bateria

Faixas:
01. Gypsy Woman's Passion (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 5:17
02. 157 Riverside Avenue (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 3:57
03. Anti-Establishment Man (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 5:21
04. Lay Me Down (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 3:51
05. Sophisticated Lady (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 4:00
06. Five Men Were Killed Today (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 3:00
07. Prison Women (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 2:36
08. Dead at Last (Luttrell/Richrath/Philbin/Doughty/Gratzer) – 10:08

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://www.azlyrics.com/r/reospeedwagon.html

Opinião do Blog:
O REO Speedwagon tem o seu nome sempre associado ao Rock com pegada bastante Pop (ou AOR), surgido no fim dos anos 70 e início dos anos 80, já que o grupo fez um sucesso enorme com seus álbuns lançados naquele período.

O Blog, entretanto, preferiu apontar o disco de estreia da banda, muito menos badalado, o qual possui uma identidade sonora completamente diferente do som que a mesma faria alguns anos mais tarde.

Aqui o conjunto apostou nas raízes da música norte-americana, fundamentalmente no Blues Rock e acertando em cheio. Flertam deliberadamente com o Hard Rock, produzindo um trabalho que contagia e empolga na mesma sintonia.

Os músicos fazem ótimos papéis nas composições. Terry Luttrell canta de maneira diversificada pelas faixas, competentemente. Gary Richrath brilha com sua guitarra, bem como Neal Doughty nos teclados (o grande destaque do álbum). A seção rítmica é presente e responsável direta pela qualidade das músicas.

As letras são boas, algumas vezes simples, mas abordam temáticas jovens e outras vezes questionadoras.

Sem dúvidas, o grande clássico do disco é mesmo a excelente “157 Riverside Avenue” que por si só, já valeria o álbum. Mas não é apenas isto: há as ótimas “Anti-Establishment Man”, “Sophisticated Lady” e “Gypsy Woman's Passion”; além da intrigante e envolvente “Dead At Last”, a qual foge totalmente da proposta do disco, mas o encerra de maneira primorosa.


Enfim, o álbum de estreia do REO Speedwagon é um ótimo momento do nascente Hard Rock norte-americano, mas com uma pegada bem mais bluesy. Com excelentes canções, é extremamente bem recomendado pelo Blog. 

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