13 de agosto de 2011

BRUCE DICKINSON - THE CHEMICAL WEDDING (1998)



The Chemical Wedding é o quinto álbum de estúdio da carreira solo do vocalista britânico Bruce Dickinson. O lançamento oficial do álbum ocorreu no dia 14 de julho de 1998 e contou com a produção do também guitarrista Roy Z. As gravações ocorreram entre janeiro e junho do mesmo ano nos estúdios Sound City e Silver Cloud, em Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos.

Como já foi abordado no blog, quando tratamos do álbum Fear Of The Dark, do Iron Maiden, banda da qual Bruce Dickinson é o vocalista, a primeira centelha para o vocalista ter uma carreira solo surgiu em 1989, quando ele foi convidado para fazer uma canção da trilha sonora de um dos filmes da série do personagem Freddy Krueger, A Nightmare on Elm Street 5: The Dream Child.

Com o orçamento, o estúdio e o produtor, Cris Tsangarides, Bruce aceitou o desafio e convidou um velho amigo para a gravação, o guitarrista Janick Gers, que havia trabalhado com o vocalista do Deep Purple, Ian Gillan, em seu trabalho solo. Juntamente com o baixista Andy Carr e do baterista Fabio Del Rio, gravam “Bring Your Daughter To The Slaughter”, música que seria posteriormente lançada no álbum No Prayer For The Dying, do Iron Maiden, de 1990.

Ainda em 1989, Bruce Dickinson participa da campanha humanitária Rock Aid Armenia fazendo uma regravação do clássico do Deep Purple, “Smoke On The Water”. Com isso, Bruce agora ansiava por lançar um álbum solo.

Com a ajuda de Janick Gers, em apenas algumas semanas Dickinson escreve e grava seu primeiro álbum solo, Tattooed Millionaire, lançado em 1990. O álbum em muito pouco se parecia com aquilo que o vocalista fazia no Iron Maiden, aproximando-se bastante da sonoridade Hard Rock. Ainda nesta época, Dickinson juntamente com a banda Skin, e com participação do comediante Rowan Atkinson, grava um cover da música “Elected”, de Alice Cooper, usada para o projeto humanitário Comic Relief.

Com a saída de Adrian Smith do Iron Maiden, Bruce Dickinson levaria Janick Gers para a banda, e este auxiliou na gravação do álbum No Prayer For The Dying, lançado em 1990. A canção “Bring Your Daghter To The Slaughter” é regravada pelo Iron Maiden e lançada no álbum (alcançando grande sucesso) e acabou não entrando no álbum solo de Bruce, Tattooed Millionaire, lançado no mesmo ano.

No ano seguinte, 1991, Bruce faz uma turnê para promover o álbum Tattooed Millionaire. Ainda no fim de 1991, Dickinson se reúne novamente ao Iron Maiden para compor e gravar o clássico Fear Of The Dark (cuja resenha você encontra aqui no blog) lançado em 1992. Durante 1992 e boa parte do ano seguinte, Bruce Dickinson se dedica integralmente ao Maiden e a divulgação do álbum, com extensa turnê e fazendo gravações de três álbum ao vivo: Live At Donnington, A Real Live One e A Real Dead One, todos lançados em 1993.

No mesmo ano, Bruce Dickinson anuncia que deixaria o Iron Maiden para se dedicar com mais afinco a sua carreira solo. Concordando em participar de uma turnê de despedida, em 28 de agosto de 1993 o vocalista faz, antes de seu retorno anos mais tarde à banda, seu último show com o Iron Maiden.

Bruce Dickinson começou a trabalhar no seu segundo álbum da carreira solo quando ainda estava no Iron Maiden. Para a primeira tentativa de gravação ele convida novamente a banda Skin, mas fica insatisfeito com o estilo e abandona o projeto. Após isso, nova tentativa, desta vez com o produtor Keith Olsen (que trabalhou com Whitesnake e Scorpions, entre outros), mas mais uma vez o vocalista não fica satisfeito com o material e o descarta. Este material, posteriormente, foi aproveitado como lados B de singles retirados de seu segundo álbum, Ball To Picasso.

Finalmente, Bruce Dickinson recruta o guitarrista Roy Z da banda Tribe Of Gypsies, que o auxilia na composição e gravação de seu segundo álbum, Balls To Picasso, lançado em 1994. A própria banda de Roy Z funcionou como banda de suporte a Dickinson na gravação do álbum. O álbum continua com estilo Hard Rock, mas com mais pegada que seu anterior, apesar de Dickinson ter dito que Roy Z o convenceu a torna-lo mais ‘leve’ que o vocalista desejava. Balls To Picasso contém a balada “Tears Of The Dragon”, uma das mais famosas canções da carreira solo de Dickinson.

Ainda em 1994, o vocalista se reúne com a banda Godspeed e regrava o clássico do Black Sabbath “Sabbath Bloody Sabbath”, para o álbum tributo à banda, Nativity In Black.

A banda Tribe Of Gypsies se separa de Dickinson para continuar com seu trabalho e o vocalista se vê novamente às voltas em recrutar um novo conjunto. Desta vez o guitarrista convidado para auxiliá-lo foi Alex Dickson. Após a turnê para promover Balls To Picasso, eles se reúnem para compor e gravar o próximo álbum.

Juntamente ao baixista Chris Dale e o baterista Alessandro Elena, a banda grava o terceiro álbum da carreira solo de Bruce Dickinson, Skunkworks. Bruce desejava que este fosse o nome do seu projeto solo a partir daquele momento, mas a gravadora rejeitou a sugestão. Skunkworks é lançado em 1996, com uma sonoridade diferente dos trabalhos anteriores e canções bem curtas, quase todas com duração em torno de três minutos. Devido à diferenças musicais, a banda é desmanchada após a turnê de promoção de Skunkworks.

Para o próximo lançamento, Bruce Dickinson convoca novamente seu amigo Roy Z e o seu grupo Tribe Of Gypsies. Mais que isso, Dickinson convoca outro amigo e outro ex-Iron Maiden, o guitarrista Adrian Smith. Smith, que apenas faria uma participação no álbum, acaba se tornando membro permanente da banda. Assim, compõem e gravam o ótimo Accident Of Birth, lançado em 1997, marcando o retorno do vocalista ao Heavy Metal, um ótimo álbum.

Com a mesma formação, Bruce parte para a gravação do seu quinto álbum de estúdio, The Chemical Wedding. Embora não seja um álbum conceitual, Dickinson se inspirou bastante na prática antiga da alquimia e no fato de muitos de seus praticantes terem passado suas vidas inteiras na tentativa de fazê-la funcionar sem obter sucesso.

Outra fonte de inspiração para o álbum foi a obra do poeta e pintor romântico William Blake, por exemplo “Book Of Thel”, que tem o mesmo nome de um dos poemas de Blake. A arte da capa é uma representação, também, de uma pintura de Blake, The Ghost Of A Flea. Entretanto, o nome do álbum e da canção homônima é baseado na obra Chymical Wedding de Christian Rosenkreutz, um dos fundadores do Rosacrucianismo.

“King In Crimson” é a ótima faixa que abre o álbum. Possui um ótimo riff e vocais típicos por parte de Dickinson. Segundo o vocalista é uma música com temática sobre o medo. A faixa possui ótimos solos por parte de Roy Z e Adrian Smith.

“Chemical Wedding” é a segunda faixa do álbum, uma das mais conhecidas e melhores canções da carreira solo do vocalista. É uma balada forte, com um ritmo suave em sua maior parte, mas com uma pegada bem forte no refrão. A atuação de Dickinson é simplesmente perfeita.

“The Tower” é a terceira faixa do álbum, que conta com uma boa introdução baseada no baixo e bateria. A canção tem um refrão muito bom e o riff principal é contagiante. “Killing Floor” é a quarta faixa do álbum e uma das mais pesadas de todo o álbum. O riff é extremamente pesado e muito bem inspirado e é outra faixa com solos precisos.

“Book Of Thel” é a quinta faixa do álbum, possuindo mais de oito minutos de duração. Após uma introdução suave, a faixa se desenvolve com um excelente riff criado por Roy Z. Outro bom riff é construído no meio da canção servindo como base para os ótimos solos. Certamente um dos pontos mais altos do álbum. Bruce, para variar, dá show no vocal. A canção se encerra com alguns versos do poema de mesmo nome de William Blake.

“Gates Of Urizen” é a sexta faixa do álbum. É uma faixa que conta com ótimos solos, com bastante feeling e ótima interpretação por parte de Dickinson. É uma balada bastante inspirada, outro ponto alto do álbum. “Jerusalem” é a sétima faixa e possui quase sete minutos de duração. A música intercala partes mais leves e quase acústicas com um refrão mais forte e pesado. Bruce tem mais uma bela atuação. Excelente canção.

“Trumpets Of Jericho” é inspirada na passagem da Bíblia em que as tribos de Israel circundam a cidade de Jericó, a qual possuía muralhas intransponíveis, mas que são derrubadas após os israelenses tocarem suas trombetas.

Segundo Dickinson, a canção fala sobre fracasso que, exceto na passagem bíblica, o fato de tocar trombetas não derrubariam uma muralha. Este fato, o fracasso, associa-se às tentativas fracassadas dos alquimistas, mas mesmo com isso tudo, continuar seguindo em frente e nunca desistir de seus sonhos.

“Machine Men” é a nona música do trabalho. É uma típica canção de Heavy Metal, pesada, com um riff bem direto e contando com belos solos. Ótima faixa. “The Alchemist” é a maior faixa do álbum, com mais de oito minutos (embora, a música mesmo, tenha cerca de seis minutos) e encerra o disco. A música é bem pesada, mas segue um ritmo mais cadenciado. Excepcional atuação de Bruce Dickinson nesta faixa, mais uma excelente canção de The Chemical Wedding.

The Chemical Wedding é o álbum de maior sucesso comercial da carreira solo de Bruce Dickinson, mesmo tendo atingido a modesta 55ª posição na parada de álbuns do Reino Unido, tendo ido melhor em países como Finlândia, Alemanha e Suécia.

Ainda em 1998, Dickinson faria um dueto com Montserrat Caballé, um cover do clássico do Queen “Bohemian Rhapsody”. Já em 1999, o vocalista faria uma participação no álbum de estreia da carreira solo do vocalista Rob Halford, Ressurrection, de 2000. Ele canta na faixa “The One You Love To Hate”.  Em fevereiro de 1999, Bruce Dickinson e o guitarrista Adrian Smith anunciariam seus retornos ao Iron Maiden.

Na turnê de The Chemical Wedding, há a gravação de um show em São Paulo, de 1999, que deu origem ao álbum ao vivo Scream For Me Brazil, lançado em 1999 (veja os vídeos abaixo!).

Bruce Dickinson ainda lançaria outro álbum em carreira solo, o ótimo Tyranny Of Souls, lançado em 2005. Interessante foi a criação do álbum, que em sua maior parte foi através de Roy Z enviando gravações de seus novos riffs para o vocalista que se encontrava na maior parte do tempo em turnê com o Iron Maiden.

Formação:
Bruce Dickinson — Vocal
Adrian Smith — Guitarra, Backing Vocals
Roy Z — Guitarra, Backing Vocals
Eddie Casillas — Baixo
David Ingraham — Bateria, Percussão

Faixas:
01. King in Crimson (Dickinson/Z) - 4:43
02. Chemical Wedding (Dickinson/Z) - 4:06
03. The Tower (Dickinson/Z) - 4:45
04. Killing Floor (Dickinson/Smith) - 4:29
05. Book of Thel (Dickinson/Z/Casillas) - 8:13
06. Gates of Urizen (Dickinson/Z) - 4:25
07. Jerusalem (Dickinson/Z) - 6:42
08. Trumpets of Jericho (Dickinson/Z) - 5:59
09. Machine Men (Dickinson/Smith) - 5:41
10. The Alchemist (Dickinson/Z) - 8:27

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/bruce-dickinson/

Opinião do Blog:
Bruce Dickinson é um dos melhores vocalistas da história do Rock And Roll, não importa qual vertente do estilo esteja se levando em conta. Seu trabalho à frente do gigante do Heavy Metal, o Iron Maiden, já fala por si só.

Mas não é apenas isso, sua carreira solo também é bastante sólida. Os dois primeiros álbuns são dois bons trabalhos mais baseados em uma sonoridade próxima ao Hard Rock. Accident Of Birth, The Chemical Wedding e Tyranny Of Souls são três excelentes álbuns de Heavy Metal, todos muito inspirados e reafirmando a condição de ótimo compositor de Dickinson, ao lado do ótimo guitarrista (e também compositor) Roy Z. A discografia só não é perfeita para este blog, pois Skunkworks deixa bastante a desejar.

No trabalho em questão, Dickinson apresenta ótimas canções: a faixa homônima ao álbum, “Killing Floor”, “Book Of Thel”, “Gates Of Urizen” são apenas exemplos de um trabalho todo consistente. Heavy Metal de ótima qualidade.

Fica, então, a indicação para que o leitor busque a discografia do vocalista histórico do Iron Maiden e aprecie seu ótimo trabalho fora da banda ícone do Heavy Metal.

Vídeos Recomendados:

The Chemical Wedding, ao vivo


Killing Floor, ao vivo


The Tower


Gates Of Urizen, ao vivo



Contato: rockalbunsclassicos@hotmail.com

8 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Acho que este post está com problemas, tentei te responder antes, meu caro Igor, mas os comentários não aparecem no post. Depois apagou tudo. Só consegui ver o último pela painel interno do site. Depois, se quiser comentar novamente, fique à vontade. Um abraço!

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    2. Este comentário só apareceu na terceira tentativa!

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  2. Admiro Bruce Dickinson não só pela sua contribuição história ao heavy metal e ao rock de modo geral, sendo um dos principais mentores do Iron Maiden - uma das bandas mais superestimadas do mundo para algumas pessoas, mas que pra mim é das mais queridas, influentes e respeitadas pelos fãs, corrigindo então o que eu disse no comentário anterior que eu exclui antes - mas sobretudo pelo caráter de sua pessoa.

    Além de músico, Dickinson é também piloto de avião, esgrimista, palestrante, radialista, escritor... enfim, um cara "1001 utilidades".

    E sobre este The Chemical Wedding, quinto disco solo da carreira dele, posso dizer que ainda nem ouvi, nem este, nem o anterior Accident of Birth (1997) e nem o resto, mas prometo dar uma ouvida neles e depois eu volto para contar o que eu achei de ambos. Aproveito para deixar minhas desculpas ao chefe Daniel pelo ocorrido anterior, mas prometo "abrandar" nos meus comentários da próxima vez.

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    1. Está tudo certo, meu amigo Igor. Obrigado por sua participação aqui no site e por entender o nosso trabalho e o respeito com todos os fãs de música que estão por aqui.

      Quanto ao trabalho solo de Bruce, indico fortemente o Accident of Birth e o Chemical Wedding, ambos contando também com o melhor guitarrista que o Iron Maiden teve, na minha opinião, o genial Adrian Smith. Também indico o bom Tyranny of Souls, não tão bom quanto os dois anteriores, mas ainda assim um disco de audição agradável.

      Agora fuja de Skunkworks, na minha opinião, a pior coisa que Bruce Dickinson já gravou.

      Um grande abraço pra você!

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    2. Falastes tudo, Dani! Irei ouvir sim estes discos que você citou menos o Skunkworks (1995), que como você bem disse, é "dose pra leão".

      Não se esqueça de que além do Adrian Smith, o Iron também tem o Dave Murray, e ambos formam uma das melhores duplas de guitarristas do rock, só que não é a minha preferida (o posto fica para Glenn Tipton e K.K. Downing, do ícone Judas Priest). Não vou nem citar o Janick Gers, já que perto de Murray e Smith é... Bom, deixa pra lá...

      Um abração pra você também, patrão!

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    3. Certo meu caro, não vou me esquecer do Dave não, mas ainda prefiro o Adrian a ele, pelo estilo e timbre. O Gers eu também não curto tanto assim. Grande abraço!

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    4. Tudo bem, cara! Abração pra ti também!

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