29 de julho de 2011

VAN HALEN - VAN HALEN (1978)



Van Halen, ou I, é o álbum de estreia da banda norte-americana de Hard Rock homônima, ou seja, o Van Halen. Ele foi oficialmente lançado em 10 de fevereiro de 1978 e a produção do álbum ficou a cargo de Ted Templeman (que trabalharia mais vezes com a banda). Foi gravado entre setembro e outubro de 1977 no Sunset Sound Recorders Studio, em Holywood, Califórnia, nos Estados Unidos.

Eddie Van Halen e Alex Van Halen são dois irmãos holandeses que nasceram em Nijmegen, Holanda, filhos do músico Jan Van Halen, que incentivou os filhos a terem aulas de música desde cedo. Eddie tinha aulas de piano clássico e mais tarde de bateria e Alex treinava guitarra. Entretanto, diversas vezes Eddie pegou Alex treinando em sua bateria e resolvia, então, tocar a guitarra de Alex. E nessa troca eles acabaram encontrando suas vocações.

Em 1972, os irmãos Van Halen formaram uma banda chamada Mammoth, que tinha como formação Eddie na guitarra e como vocalista, Alex na bateria e o baixista Mark Stone. Eles alugavam um sistema de som de um cara chamado David Lee Roth, e, para economizar dinheiro, resolveram adicionar Lee Roth como vocalista da banda, mesmo que suas audições anteriores para entrar na banda tenham sido mal sucedidas.

Em 1974, o baixista Mark Stone deixa a banda. Para substitui-lo, eles fazem uma audição com o baixista e vocalista Michael Anthony, de uma banda chamada Snake. Após a audição, Anthony é contratado e assume o baixo e os backing vocals.

Essa é a formação que se solidificaria. Também é considerada a formação clássica da banda e que permaneceu a mesma até 1984.

Ainda em 1974 a banda muda o nome para Genesis, mas descobre que este nome já era usado por outra banda. Então, seguindo a sugestão de David Lee Roth, a banda muda seu nome para Van Halen. Segundo Roth, o nome Van Halen seria um nome muito forte, como era o nome Santana (da banda do guitarrista Carlos Santana).

A banda começa a tocar em escolas e festas e o seu público ia crescendo através de uma espécie de autopromoção. A própria banda ia para frente de escolas e distribuía panfletos promovendo as apresentações. Logo estariam começando a tocar em diferentes clubes noturnos de Los Angeles.

Assim, sob contrato com novos managers, Mark Algorri e Mario Miranda, a banda grava sua primeira fita demo e passa a ser o nome mais forte da cena musical de Los Angeles no circuito de clubes noturnos. Em uma dessas apresentações, o DJ Rodney Bingenheimer de uma famosa rádio de Los Angeles, fica impressionado com a banda e indica a Gene Simmons, baixista do KISS, para assisti-los.

Assim, Gene produz uma demo do Van Halen e sugere que a banda mude seu nome para “Daddy Longlegs”, mas a proposta é recusada pela banda. A demo continha uma versão de “Runnin’ With The Devil” e não foi muito bem sucedida. E seu envolvimento com o Van Halen termina por aí.

Mas a sorte do Van Halen começou a mudar quando Mo Ostin e Ted Templeman assistem à banda se apresentar no clube Starwood, em Holywood, na Califórnia. Mesmo com um público bem pequeno, eles ficaram bastante impressionados com a banda e ofereceram um contrato com a Warner Brothers Records para a gravação de um álbum. Este álbum foi o Van Halen!

A capa do álbum apresenta os quatro músicos da banda em fotografias retiradas de uma apresentação da banda no clube noturno Whiky a Go Go, em Holywood, na Califórnia. Nela, Eddie Van Halen está com sua famosa guitarra Frankenstrat, que foi construída na garagem da casa de seus pais.

“Runnin’ With The Devil” é a faixa que abre o álbum. Ela se inicia apresentando um clássico riff no melhor estilo de Eddie Van Halen. Os vocais de David Lee Roth variam em tons mais baixos a gritos mais altos e combinam muito bem com a alteração de ritmos da faixa.

O solo feito por Eddie é dos melhores, com muito feeling. Destaque também para a bateria de Alex, simples, mas precisa. A faixa foi inspirada pela música “Runnin’ From The Devil”, de uma banda de R&B chamada The Ohio Players.

Foi considerada por uma eleição do canal VH1 a 9ª melhor música de Hard Rock de todos os tempos, em 2009.

“Eruption” é a segunda faixa do álbum. Na verdade essa é uma faixa instrumental, um solo escrito e tocado pelo guitarrista Eddie Van Halen. Muito frequentemente é considerado um dos melhores solos de guitarra de todos os tempos.

A técnica usada por Eddie Van Halen para tocar parte de “Eruption”, conhecida como  two-handed tapping, foi popularizada a partir desta canção e foi infinitamente usada por toda a década de oitenta.

O Van Halen nem considerava usar “Eruption” como uma faixa para seu álbum de abertura. Ela era (e ainda é) usada como uma abertura para tocar “You Really Got Me” nas apresentações da banda.

Mas certa vez Eddie estava a ensaiando no estúdio e o produtor Ted Templeman a gravou e a colocou no álbum. Em entrevistas posteriores Eddie chegou a afirmar que nem sequer a versão de “Eruption” presente no álbum era a melhor, pois há um ‘erro’ no final da faixa. Disse também que se soubesse que ela seria incluída no álbum teria feito bem melhor.

Assim como nos shows da banda, também no álbum após “Eruption” está “You Really Got Me”, terceira faixa do álbum Van Halen. Trata-se na realidade de um cover que a banda fez da versão original escrita por Ray Davies para sua banda The Kinks.

Dave Davies, um dos membros do The Kinks, odiou a versão feita pelo Van Halen. Chegou a afirmar que o Van Halen não seria a banda que foi sem “You Really Got Me”. Fato é que a faixa foi propulsora da carreira de ambas as bandas, tanto da banda The Kinks, em 1964, quanto do Van Halen em 1978. Mas apesar da polêmica, quem compôs a música, Ray Davies, gostou da versão do Van Halen.

Lançada como single, “You Really Got Me” chegou à posição 36 na parada dos Estados Unidos.

Outra ótima faixa do álbum é “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love”. A faixa tem um dos melhores e mais conhecidos riffs da carreira de Eddie Van Halen. Outro destaque da faixa é a atuação do vocalista David Lee Roth, perfeita para a canção. O solo principal da faixa é ótimo.

Há relatos de que quando Eddie compôs a música, cerca de um ano antes da gravação do álbum, ele não a considerou boa suficiente para a presentar aos seus companheiros de banda.

A música foi lançada como single, mas não obteve muito sucesso. Entretanto, hoje é reconhecida como uma das melhores músicas da banda.

Bandas como Velvet Revolver e Pearl Jam já fizeram versões cover da faixa em apresentações. E o ex-vocalista do Iron Maiden, Paul Di’Anno, gravou a versão que consta do álbum tributo ao Van Halen.

Outra curiosidade sobre “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” é que a música é tocada nos jogos do time de futebol americano New England Patriots quando está defendendo, para motivá-los a fazer uma interceptação ou recuperar a bola roubando-a (fumble).

“I’m The One” é uma faixa com um riff bem rápido e pesado do álbum. Lee Roth abusa dos gritos e faz um bom trabalho. É uma faixa que resume bem a sonoridade que a banda faria até a saída de Lee Roth do grupo.

“Jamie’s Cryin’” é outra ótima faixa do álbum. Diferente das anteriores, ela é bem mais cadenciada, mas também possui um riff bem marcante.

Quando a banda foi gravá-la, David Lee Roth queria estar com a voz bem limpa, para casar melhor com o estilo da canção. Então ficou mais de semana sem beber e fumar antes de gravá-la. Entretanto, a voz limpa do vocalista desagradou bastante o produtor Ted Templeman, que mandou Roth sair do estúdio e fumar um cigarro para ‘recuperar’ sua rouquidão característica. Roth fumou o cigarro e, para ‘ajudar’, bebeu meia garrafa de uísque. Voltou aos estúdios e gravaram a versão constante no álbum.

“Atomic Punk” é uma canção de riff bem veloz e conta com ótimo solo de Eddie. Destaque total para a guitarra nesta faixa. “Feel Your Love Tonight” já é mais cadenciada, bem ao estilo de “Jamie’s Cryin’”. A atuação de Roth é ótima e o refrão é ‘pegajoso’. Ótima faixa.  “Little Dreamer” é ‘quase’ uma balada, pois possui um ritmo mais lento, com ótimo trabalho de baixo e bateria. A guitarra de Eddie é marcante, mas o maior destaque é para a atuação de Roth, talvez a melhor no álbum.

“Ice Cream Man” é um cover da música de John Brim, um guitarrista de blues. A faixa é ótima, com uma levada bem calma no início, acústica, e se transforma em um blues rock formidável, com excelente destaque para a guitarra de Eddie em um verdadeiro show. “On Fire” é a faixa que fecha o álbum, mais uma música que possui um riff marcante, pesado e veloz de Eddie Van Halen.

O álbum atingiu a ótima 19ª posição na parada americana após seu lançamento e continua sendo um dos mais bem sucedidos álbuns de estreia de bandas de Rock. Até hoje, estima-se que o álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias.

Para promoção de Van Halen, o grupo saiu em turnê como banda de abertura do Black Sabbath, na qual ficou famosa pelo poderio de suas apresentações, contando com o talento quase inigualável de seu guitarrista Eddie e nas atuações performáticas de seu vocalista David Lee Roth.

Ainda em 1978 a banda voltaria aos estúdios para gravar seu segundo álbum de estúdio, o Van Halen II.

Formação:
David Lee Roth – Vocal, Violão em "Ice Cream Man"
Eddie Van Halen – Guitarra, Backing Vocals
Michael Anthony – Baixo, Backing Vocals
Alex Van Halen – Bateria

Faixas:
01. Runnin' with the Devil (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:36
02. Eruption (Instrumental) (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 1:43
03. You Really Got Me (Ray Davies) - 2:38
04. Ain't Talkin' 'bout Love (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:50
05. I'm the One (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:47
06. Jamie's Cryin' (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:31
07. Atomic Punk (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:02
08. Feel Your Love Tonight (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:43
09. Little Dreamer (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:23
10. Ice Cream Man (John Brim) - 3:20
11. On Fire (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:01

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/van-halen/

Opinião do Blog:
O álbum de estreia do Van Halen já valeria somente pelo fato de ser o debut de um dos melhores guitarristas da história do Rock: Eddie Van Halen!

Mas não é apenas isto. O mais impressionante de Eddie é que ele não usa a banda apenas como um apoio para suas exibições nas seis cordas. Eddie é um ótimo compositor, pois sempre criou belas melodias, riffs poderosos e solos muito inspirados. Mais ainda, o guitarrista sempre usou o seu talento em prol da música da banda.

Faixas como “Runnin’ With The Devil” e “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” são grandes clássicos do Hard Rock, empolgantes e que influenciaram diversas bandas oitentistas do estilo. Sem falar em “Eruption”, um solo sensacional.

Se você ainda não ouviu este álbum, não sabe o que está perdendo. Pena que hoje em dia o Van Halen seja uma banda muito mais famosa por suas polêmicas que pela excelente música que fez, especialmente no fim da década de setenta e nos anos oitenta.

Banda obrigatória para qualquer fã de Rock.

Vídeos Recomendados:


Runnin' With The Devil


Eruption, ao vivo em 1984


Ain't Talkin' 'Bout Love, ao vivo


You Really Got Me, ao vivo em 1983


6 comentários:

  1. Estréia mais que promissora do Van Halen, banda icônica da qual eu apenas conheço o disco "1984" e os hits "Panama", "Jump" e "Hot for Teacher". Irei dar uma escutada neste e nos outros quatro álbuns que vieram antes dele.

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    1. Meu caro Igor, na minha humilde opinião, a estreia do Van Halen é um dos grandes álbuns de Hard Rock de todos os tempos. Riffs, feeling, grandes composições e uma ótima atuação da banda. E foi uma enorme influência, para o bem e para o mal, sobre as bandas de Hard Rock dos anos 80. Como eu sou um grande fã de Glam Metal, como se pode observar pelo Blog, o álbum tem ainda mais este fator para me agradar. Grande abraço!

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    2. Meu caro Igor, na minha humilde opinião, a estreia do Van Halen é um dos grandes álbuns de Hard Rock de todos os tempos. Riffs, feeling, grandes composições e uma ótima atuação da banda. E foi uma enorme influência, para o bem e para o mal, sobre as bandas de Hard Rock dos anos 80. Como eu sou um grande fã de Glam Metal, como se pode observar pelo Blog, o álbum tem ainda mais este fator para me agradar. Grande abraço!

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