12 de maio de 2018

HELLOWEEN - KEEPER OF THE SEVEN KEYS: PART 2 (1988)


Keeper of the Seven Keys: Part II é o terceiro álbum de estúdio da banda alemã Helloween. Seu lançamento oficial aconteceu em 29 de agosto de 1988, através do selo Noise Records. As gravações ocorreram entre maio e junho de 1988, no Horus Sound Studio, na cidade alemã de Hannover. A produção ficou por conta de Tommy Newton e de Tommy Hansen.

O Helloween retorna ao RAC com outro de seus trabalhos mais emblemáticos, Keeper of the Seven Keys: Part II. Muito resumidamente, vai-se ater aos fatos que antecedem ao seu lançamento para depois se focar no faixa a faixa.


Keeper of the Seven Keys

Em 23 de maio de 1987 era lançado Keeper of the Seven Keys, o segundo álbum de estúdio do Helloween.

Tudo que o Blog acha e pensa sobre este disco sensacional, o leitor pode encontrar aqui.

Keeper of the Seven Keys alçou o Helloween a um status de astros do Heavy Metal, especialmente na Europa Continental.

Michael Weikath

O disco também marcou a estreia do sensacional vocalista Michael Kiske, o qual transformou o conjunto em uma banda explosiva em cima dos palcos.

Quando Kiske entrou no grupo, o impacto foi imediato. A ideia era gravar um álbum duplo para comemorar e apresentar o novo line-up, mas a gravadora se recusou e o Helloween gravou e lançou ‘apenas’ Keeper of the Seven Keys: Part I.

Como foi dito, a combinação volátil de poder e melodia inspiraria uma geração inteira de bandas de metal e transformou o Helloween em superstars em toda a Europa, bem como no Reino Unido, com o conjunto fazendo tentativas de incursões até mesmo nos Estados Unidos durante aquela época.

O conjunto saiu em turnê, implacavelmente, pelo resto do ano de 1987 e pelo seguinte, incluindo um período prolongado como banda de abertura para o Iron Maiden.

Mas, apesar desse ritmo de trabalho maníaco, o Helloween ainda encontrou tempo para gravar a continuação de sua obra que o faz ganhar o continente.

Part II

Seguindo a ideia de lançar um álbum duplo, o nome para o terceiro disco de estúdio do conjunto não poderia ser outro: Keeper of the Seven Keys: Part II.

Markus Grosskopf

Para as gravações, o grupo pausou seu ritmo insano de turnê, reunindo-se entre em maio e junho de 1988 no Horus Sound Studio, em Hannover, cidade alemã às margens do rio Leine e terra natal de outra grande banda alemã, o Scorpions.

Para a produção, o grupo apostou na mesma dupla de produtores do bem-sucedido álbum antecessor: Tommy Newton e Tommy Hansen.

A capa, novamente, é belíssima. Obra de Edda & Uwe Karezewski.

Vamos às faixas:

INVITATION

"Invitation" é apenas uma pequena e criativa introdução para o álbum...



EAGLE FLY FREE

"Eagle Fly Free" apresenta tudo aquilo que o Power Metal deve ter: um ritmo frenético, seção rítmica alucinante, guitarras insanas e um vocalista inspiradíssimo. Se alguém não conhece - e deseja conhecer - o Power Metal, basta apresentá-lo a esta música sensacional.

A letra possui um tom crítico com a evolução humana:

Nowadays the air's polluted
Ancient people persecuted
That's what mankind contributed
To create a better time



YOU ALWAYS WALK ALONE

Em "You Always Walk Alone", o trabalho das guitarras de Kai Hansen e Michael Weikath continua afiadíssimo. O grupo reduz, mesmo que pontualmente, o ritmo alucinante da faixa antecedente. O refrão é ótimo e Michael Kiske continua excelente nos vocais.

A letra fala sobre confiança:

The life I try to give is
All I have inside of me
It's one kind of life for me
This music you hear
The strength we have inside is
So much more than you will know
But if you can't see the life around
You'll always walk alone



RISE AND FALL

O Power Metal continua com tudo nesta canção. O baixo de Markus Grosskopf está mais evidente e o uso de um coro de vozes no refrão funciona muito bem. Os solos de guitarra se encaixam perfeitamente com a música.

A letra possui conteúdo fantástico:

It's the rise and fall
The prize for all
That ain´t nice at all
Luck is like a ball
You can´t recall or care at all
So better use your brain!



DR. STEIN

A incrível "Dr. Stein" é emblemática. Sua sonoridade consegue manter o peso e a intensidade características do Helloween, mas o flerte inteligente com o Hard a eleva de patamar. Com atuações impecáveis, "Dr. Stein" é uma canção de primeira linha. 

A letra brinca com o mito de Frankenstein:

Dr. Stein grows funny creatures
Lets them run into the night
They become
Great rock musicians
And their time is right


“Dr. Stein” é um grande clássico do Helloween.

A faixa foi lançada como single, atingindo a 57ª posição da principal parada britânica desta natureza. Ainda conquistou as 10ª e 21ª colocações nas paradas de Alemanha e Suíça; respectivamente.

A música é tocada em praticamente todos os shows da banda além de ter sido regravada, em um estilo meio Jazz, para a coletânea Unarmed – Best of 25th Anniversary, de 2009.



WE GOT THE RIGHT

Com uma presença marcante da seção rítmica, "We Got the Right" reduz a velocidade, mas ganha em peso e intensidade. Mesclando o supracitado peso com toques inteligentes de melodia e sensibilidade, o conjunto criou uma fabulosa música, mais voltada para o Metal Tradicional.

A letra fala sobre direito e luta:

We are credulous idiots
And won't understand what they plan
We march with the times
It's what they expect and we do
Why don't you open your eyes
To undercover all of these lies?
I think you won't accept this
Go oppose with your fist
Fight for your rights



MARCH OF TIME

Embora "March of Time" seja um Power Metal daqueles que só o Helloween foi capaz de compor, com criatividade, melodia e ferocidade; é possível notar a influência que o Iron Maiden teve sobre o grupo, pois diversas passagens da canção remetem à lendária banda britânica, especialmente durante os solos de guitarra.

A letra fala sobre tempo:

Times of peace, times of fights
Constant movement is our life
Can't stop no more, not until we die
We long for more eternity
And maybe there's another life
This one is short, no matter how you try



I WANT OUT

"I Want Out" é uma música sensacional. Aliando melodia, intensidade e criatividade, a canção possui um refrão incrível, contando com uma atuação excepcional de Kiske nos vocais. O riff principal da faixa é memorável. Enfim, apenas ouça, mais palavras são absolutamente desnecessárias.

A letra fala sobre liberdade:

People tell me A and B
They tell me how I have to see
Things that I have seen already clear
So they push me then from side to side
They're pushing me from black to white
They're pushing 'til there's nothing more to hear


“I Want Out” é outro grande clássico do Helloween, possivelmente, sua música mais conhecida.

A canção foi lançada como single, alcançando a 69ª colocação na principal parada britânica desta natureza. Também ficou com a 27ª posição na correspondente suíça.

A composição não é apenas um símbolo da banda Helloween, mas do próprio estilo Power Metal.

A música foi composta por Kai Hansen, que disse, em uma entrevista, ser uma pista de seu desejo de realmente querer ‘sair’ da banda.

A faixa é caracterizada por uma introdução amplamente reconhecível e a marca registrada de Michael Kiske nos vocais, especialmente no refrão.

“I Want Out” também é influenciada pelo punk (especialmente, nas letras, em tom de rebeldia) em contraste com outras músicas do Helloween, ou no trabalho de Hansen após deixar o grupo. Muitas vezes, é interpretada ao vivo pelo Helloween e pelas bandas atuais de Hansen e Kiske, Gamma Ray e Unisonic, respectivamente.

Nomes do calibre de HammerFall, Sonata Arctica, Avalanch e Skylark já fizeram versões para o clássico.



KEEPER OF THE SEVEN KEYS

A nona - e última - faixa de Keeper of the Seven Keys: Part 2 é justamente a faixa-título, ou seja, "Keeper of the Seven Keys". Com mais de 13 minutos, a derradeira composição do disco é uma turnê de força, criatividade e senso melódico, uma verdadeira ode ao Heavy Metal. Encerra o álbum de modo espetacular.

A letra é em tom de fantasia:

You're the Keeper of the Seven Keys
That lock up the seven seas
And the Seer of Visions
Said before he went blind
Hide them from demons
And rescue mankind
Or the world we're all in will soon be sold
To the throne of the evil paid with Lucifer's gold
To the throne of the evil paid with Lucifer's gold



Considerações Finais

Keeper of the Seven Keys: Part II provou que o Helloween estava em estado de graça, alavancando o nome do grupo de modo ainda maior.

O disco atingiu a 108ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, conquistando a 24ª colocação na sua correspondente britânica. Ainda ficou com os 5º, 6º, 7º e 9º lugares nas paradas de Alemanha, Suíça, Suécia e Áustria, respectivamente.

A crítica musical, em geral, enaltece os méritos do álbum. Keith Bergman, do site Blabbermouth, dá nota máxima ao trabalho, afirmando: “Se fosse possível dar a este disco (nota) 11, eu daria - os dois primeiros álbuns ‘Keeper’ são marcos essenciais na história do heavy metal, obras-primas incontestáveis e pedras de toque que lançaram os sonhos de mil bandas de próxima geração. ‘Parte II’ é mais ambicioso e mais grave, mais atraente e mais complexo, e estabeleceu a banda em um curso de grandeza”.

A revista inglesa Classic Rock dá uma nota 8 (em 10) para Keeper of the Seven Keys, enquanto Martin Popoff, em seu The Collector's Guide to Heavy Metal: Volume 2: The Eighties, atribui a nota 9 (em 10) ao trabalho.

Quem destoa é o crítico Eduardo Rivadavia, do site AllMusic, que atribui uma nota 3 (em 5) ao disco, afirmando: “Mas pareceu que o até então líder do Helloween, o guitarrista Kai Hansen, havia perdido o interesse em sua própria banda, e o resultado foi um álbum terrivelmente inconsistente. Com exceção da excelente “I Want Out”, suas poucas contribuições nas canções mostram indiferença, deixando o vocalista Michael Kiske e o segundo guitarrista Michael Weikath tentarem retirar os espaços - com resultados mistos”.

A MTV norte-americana colocou o single “I Want Out” em rotação pesada e, também, no seu programa Headbanger's Ball. A emissora também apresentou a turnê inaugural Headbangers Ball com o Helloween se juntando a uma banda de thrash metal, de São Francisco, Exodus, em apoio à atração principal, o Anthrax. O grupo foi colocado no prestigiado segundo spot, logo antes da apresentação principal do Antrax.

Na sequência desta exposição ao público norte-americano, a banda alcançou sucesso mundial.

O guitarrista Kai Hansen, inesperadamente, deixou a banda, em 1989, logo após a parte europeia da turnê Keeper of the Seven Keys: Part II, devido a problemas de saúde, conflitos dentro da banda, problemas com a gravadora Noise International e uma crescente insatisfação com a vida em turnê. O guitarrista Michael Weikath escolheu seu amigo, Roland Grapow, como substituto de Hansen, inclusive para o resto da turnê.

Roland Grapow, o qual era mecânico de automóveis na época, afirmou, em 2017 que, se Weikath não lhe tivesse pedido para se juntar à banda, ele teria mantido seu emprego e abandonado seu sonho de se tornar um músico profissional.

Em 1989, a banda lançou o álbum, ao vivo, chamado Live in the U.K., com material de sua turnê europeia de 1988.



Formação:
Michael Kiske - Vocal
Kai Hansen - Guitarra, Backing Vocals
Michael Weikath - Guitarra, Teclados
Markus Grosskopf - Baixo
Ingo Schwichtenberg - Bateria

Faixas:
01. Invitation (Weikath) - 1:06
02. Eagle Fly Free (Weikath) - 5:08
03. You Always Walk Alone (Kiske) - 5:08
04. Rise and Fall (Weikath) - 4:22
05. Dr. Stein (Weikath) - 5:03
06. We Got the Right (Kiske) - 5:07
07. Save Us (Hansen) - 5:15
08. March of Time (Hansen) - 5:13
09. I Want Out (Hansen) - 4:39
10. Keeper of the Seven Keys (Weikath) - 13:37

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/helloween/

Opinião do Blog:
Quando o RAC escreveu sobre Keeper of the Seven Keys: Part 1 era evidente que o Blog voltaria ao Helloween para terminar o post corretamente. Não que se tenha esquecido algo, mas é que se torna imperioso ver as duas partes da saga quase como uma coisa só. E, por favor, não recordem ao site que existiu o 'The Legacy', lançado em 2005.

Mantendo a mesma impecável formação, o grupo, no mínimo, manteve o mesmo nível de desempenho em Keeper of the Seven Keys: Part 2, apresentando ao mundo as características definitivas do que se convencionou chamar Power Metal.

A qualidade das composições continua soberba em uma fusão de peso, ritmo (intenso e acelerado) e melodias cativantes e bem construídas, tudo isto, unido, em um arcabouço musical único para aquela época e que se tornou exaustivamente copiado pelas décadas seguintes.

Desta forma, Keeper of the Seven Keys: Part 2 é a continuação perfeita e orgânica do disco lançado no ano anterior, não apenas guardando com aquele a temática, mas se apresentando como continuidade - e evolução natural - da musicalidade que fora demonstrada um ano antes.

Quanto às letras, continuam sua abordagem fantasiosa, com toques realísticos e o natural bom humor que o Helloween tem como característica marcante.

É claro que aqui não há faixas sequer medianas. Keeper of the Seven Keys: Part 2 é um dos melhores e mais importantes álbuns da história do Heavy Metal.

Mas, sem mais delongas, o RAC é obrigado a eleger suas favoritas. A grandiosa faixa-título é épica e emblemática. "Eagle Fly Free" é uma verdadeira pedrada e "We Got the Right" é um clássico de inspiração metálica.

Entretanto, o Blog escolhe a incrível "March of Time" e o clássico indiscutível "I Want Out" como suas preferidas.

Enfim, em conjunto com seu antecessor, Keeper of the Seven Keys: Part 2 é a obra definitiva do Power Metal, sua pedra fundamental e o modelo a ser reverenciado. O álbum foi o que faltava para colocar, de modo incontestável, o Helloween entre as mais importantes e influentes bandas de Heavy Metal de todos os tempos. Concluindo e sem medo de soar redundante, caro leitor, Keeper of the Seven Keys: Part 2 é a mais perfeita definição do que é Power Metal.

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