16 de julho de 2011

OZZY OSBOURNE - BLIZZARD OF OZZ (1980)



Blizzard Of Ozz é o álbum de estreia da carreira solo do ex-vocalista do Black Sabbath, o britânico Ozzy Osbourne. Seu lançamento ocorreu no dia 20 de setembro de 1980, sendo produzido pela própria banda. Foi gravado de 22 de março a 19 de abril de 1980 no Ridge Farm Studios, em um lugarejo chamado Rusper, na Inglaterra.

Em primeiro lugar, é necessária uma volta ao ano de 1978. Foi naquele ano que Ozzy gravou seu último álbum junto ao Black Sabbath, Never Say Die! A gravação, que ocorreu no Canadá e durou cerca de cinco meses, foi massacrante, e com os membros da banda envolvido com as drogas. O álbum não recebeu críticas positivas e a banda foi excursionar pelo mundo com o Van Halen como banda de abertura.

Os shows com uma banda jovem, talentosa e cheia de garra como o Van Halen fizeram as apresentações do Sabbath serem chamadas de “cansadas e sem inspiração”. O último show de Ozzy à frente do Sabbath, antes das reuniões, foi em 11 de dezembro de 1978, em Albuquerque, Novo México.

Em 1979, o Black Sabbath voltaria aos estúdios para gravar um novo álbum. Ozzy afirma que foi chamado inúmeras vezes para gravar os vocais e que o guitarrista Iommi reescrevia as músicas infinitas vezes. Com o apoio do baixista Geezer Butler e do baterista Bill Ward, Ozzy foi demitido da banda, acusado de estar em constante abuso de álcool e drogas.

Ozzy afirma que seu estado de abuso de drogas, à época, não era nem maior e nem menor que de seus companheiros de banda.

Ozzy entrou em depressão e abusou ainda mais de seus vícios. Sua vida só voltaria ao normal quando sua nova manager, e futura mulher, Sharon Arden, o incentivou a procurar novos músicos e a fundar uma nova banda.

Um amigo de Ozzy sugeriu a ele que fizesse uma audição com um guitarrista da banda de sua cidade natal, chamada Quiet Riot e que também ganhava a vida ensinando música. Seu nome era Randy Rhoads. Após a audição, o guitarrista se mostrou a escolha mais acertada de Ozzy.

Ozzy reuniu o baterista Lee Kerslake, o baixista Bob Daisley e o tecladista Don Airey. A banda deveria se chamar The Blizzard Of Ozz, mas quando o álbum foi lançado, Blizzard Of Ozz foi nome do álbum, com o destaque sendo dado a Ozzy Osbourne.

A capa apresenta uma imagem de Ozzy Osbourne vestido com uma capa vermelha e segurando um crucifixo. Surreal.


Ozzy disse que o primeiro álbum foi muito divertido de se fazer, pois, segundo ele, não tinha nada a perder. Ele definiu aqueles tempos como “party time”.

“I Don’t Know” abre o álbum magistralmente. O riff inicial mostra que Randy Rhoads foi uma escolha mais que acertada. Veloz e empolgante, a faixa conta com o vocal de Ozzy fazendo a diferença. O solo é brilhante.

“Crazy Train” é, possivelmente, a faixa mais famosa da discografia solo de Ozzy Osbourne. O riff é um dos mais conhecidos de todos os tempos, incrivelmente inspirado, forte, marcante. Os vocais de Ozzy são dos melhores momentos da carreira do vocalista. O solo é absolutamente perfeito, Rhoads dava mostra do grande guitarrista que foi.

O single “Crazy Train” alcançou a posição número 49 na parada britânica.

Presença obrigatória nos shows do madman, “Crazy Train” foi regravada por vários outros artistas. Podemos citar Skid Row, Dee Snider e Bullet For My Valentine. Também é uma das faixas mais tocadas em arenas esportivas nos Estados Unidos e fez parte de muitas trilhas sonoras de filmes e séries de TV.

A letra de “Crazy Train” se refere à guerra-fria, com a população mundial sendo feita de bobos enquanto as potências se ameaçavam. Mas a canção tem uma mensagem positiva, quando afirma a crença que o amor suplantaria o ódio.

“Good Bye To Romance” é a terceira faixa do álbum e a primeira balada romântica da carreira solo do vocalista. Em ritmo bem lento e cadenciado, a faixa quebra o ritmo do álbum, mas de maneira alguma é um fato ruim. O solo é belíssimo. A partir dela, Ozzy sempre incluiu baladas em seus álbuns, quase sempre muito bem sucedidas.

Outra canção forte do álbum é “Suicide Solution”. A faixa tem um ótimo riff bem pesado. Possui um belo solo e os vocais de Ozzy são muito bem colocados, lembrando sua fase no Sabbath.

A canção envolveu Ozzy em uma situação controversa. O vocalista foi chamado a um tribunal para responder a um processo por incitação ao suicídio, sendo acusado de que a música teria mensagens subliminares que levaram um jovem de 14 anos a se matar.

Em sua defesa, Ozzy afirmou que a letra foi inspirada na morte de Bon Scott, vocalista do AC/DC que morrera em fevereiro de 1980 vítima do abuso do álcool. O baixista Bob Daisley, que auxiliou Ozzy na composição da música afirmou que o próprio Ozzy foi uma inspiração para a letra. Evidentemente, foram todos inocentados.

“Mr. Crowley” é outro sucesso estrondoso do álbum e da carreira de Ozzy, presença mais que obrigatória nos shows da banda. O solo tocado nos teclados que introduz a faixa é magnífico e facilmente reconhecido por qualquer fã da música quando tocado, momento brilhante da carreira de Don Airey.

Os solos de guitarra, especialmente o último, realizado pelo guitarrista Randy Rhoads, é um dos melhores solos do Rock em todos os tempos, absolutamente genial, mistura da apurada técnica de Randy com um feeling absurdo.

As letras da música foram inspiradas pela admiração que tanto Ozzy quanto Bob Daisley tinham pelo escritor ocultista Aleister Crowley.

“Mr. Crowley” foi o segundo single retirado do álbum e foi uma canção que também contou com muitos covers, alguns deles feitos por Joe Lynn Turner, Tim ‘Ripper’ Owens, Cradle Of Filth, George Lynch e muitos outros.

O álbum ainda conta com “Dee”, um solo do guitarrista Randy Rhoads e a pesadíssima e rápida “Steal Away (The Night)”, duas ótimas faixas.

Blizzard Of Ozz foi um dos poucos sucessos comerciais que não contou com a ajuda de nenhum single que esteve numa posição top 40. O álbum vendeu mais de 6 milhões de cópias pelo mundo e é o maior sucesso da carreira solo de Ozzy.

Para a turnê de suporte ao álbum, o baixista Bob Daisley e o baterista Lee Kerslake foram substituídos, respectivamente, por Rudy Sarzo e Tommy Aldridge, respectivamente.

Em 2002 houve um relançamento de Blizzard Of Ozz, mas que gerou muita polêmica e teve péssima recepção pelo público fã de Rock. As gravações originais do baixo, feitas por Bob Daisley, e da bateria, feitas por Lee Kerslake, foram substituídas por novas gravações feitas por Robert Trujillo (hoje no Metallica) e Mike Bordin. Tanto Daisley quanto Kerslake processaram Ozzy nos anos 80 alegando que não receberam compensação financeira devida pelas contribuições na composição autoral das músicas dos álbuns Blizzard Of Ozz e Diary Of A Madman, de 1981.

Mas em 2010 foi feito um novo lançamento do álbum, agora, contando com todas as gravações originais.

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Randy Rhoads – Guitarra
Bob Daisley – Baixo, Backing Vocals
Lee Kerslake – Bateria
Don Airey – Teclado

Faixas:
01. I Don't Know (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley) - 5:13
02. Crazy Train (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley) - 4:51
03. Goodbye to Romance (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley) - 5:33
04. Dee (R. Rhoads) - 0:49
05. Suicide Solution (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley) - 4:17
06. Mr. Crowley (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley) - 5:02
07. No Bone Movies (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley/L. Kerslake) - 3:52
08. Revelation (Mother Earth) (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley) - 6:08
09. Steal Away (The Night) (O. Osbourne/R. Rhoads/B. Daisley) - 3:28

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/ozzy-osbourne/

Opinião do Blog:
São poucos álbuns que você vai ouvir e se apaixonar completamente por ele apenas após a primeira audição. Para quem gosta verdadeiramente de Hard Rock e Heavy Metal, Blizzard Of Ozz é um desses casos, seguramente.

Poucos álbuns possui músicas tão cativantes como “Crazy Train” e “Mr. Crowley”, ainda mais quando pensamos num ‘debut’. Tudo bem que Ozzy era um músico experiente e esteve presente numa das mais importantes e fantásticas bandas da história, o Black Sabbath, mas este não era o caso de Randy Rhoads.

A contribuição de Rhoads para o sucesso desse álbum é imensurável, afinal os riffs e solos são de sua responsabilidade. E os solos desse álbum são de uma qualidade ímpar, única, executados com absoluta competência.

Blizzard Of Ozz foi muito importante para dar a um dos grandes vocalistas da história a confiança necessária para seguir com sua carreira solo, que brindou a todos com ótimos momentos. Se Ozzy nunca foi um vocalista como Bruce Dickinson e Ronnie James Dio, compensa em um carisma realmente inigualável e mesmo com sua voz, e sua incrível capacidade de interpretar as músicas. Pouquíssimos vocalistas tiveram a capacidade de Ozzy em transmitir o sentimento daquilo que se canta.

Blizzard Of Ozz é um álbum obrigatório para todos os fãs de Rock. Mais que obrigatório, na verdade, necessário!

Vídeos Recomendados:

I Don't Know


Suicide Solution


Crazy Train


Mr. Crowley


3 comentários:

  1. Após sua briga ridícula com a turma de sua antiga banda, o Black Sabbath, Ozzy Osbourne chegou ao fundo do poço. Enchia a cara nas noitadas e se envolvia com drogas, mas foi só em 1980 que ele resolveu dar a volta por cima e retomar a carreira, mas de outro jeito: montando uma banda própria.

    Com a ajuda de Sharon Arden, filha do empresário do Sabbath (Don Arden) e que mais tarde se tornaria sua esposa, Osbourne recrutou para sua banda o baixista Bob Daisley, o baterista Lee Kerslake, o tecladista convidado Don Airey e o destaque principal – o jovem excepcional guitarrista Randy Rhoads, que tinha caído fora do Quiet Riot e tinha 23 anos na época.

    O resultado não poderia ter sido outro: Blizzard of Ozz mostrou ao mundo que Osbourne ainda estava mais vivo do que nunca. Foi o pontapé inicial para uma bem sucedida carreira solo, sem desmerecer o que sua antiga banda estava fazendo com o baixinho saudoso Ronnie James Dio em seu lugar.

    No disco, temos um Ozzy Osbourne totalmente repaginado e diferente dos anos anteriores, acompanhado por uma banda afiadíssima. Aqui estão clássicos imortais do rock como "Crazy Train", "I Don't Know" e a lindíssima "Goodbye to Romance". Tudo isso além daquela que eu considero a música mais emblemática da carreira de Osbourne, e que por si só já vale o álbum todinho: me refiro á famosa "Mr. Crowley", com os teclados assombrosos de Don Airey dando a largada para a música começar e Randy Rhoads cravando nela dois dos melhores solos de guitarra de todos os tempos. Coisa de gênio! Blizzard of Ozz é um dos meus 10 álbuns britânicos que eu levaria para uma ilha deserta, sem dúvidas.

    O melhor é que depois veio o preferido da maioria dos fãs e também do próprio Ozzy, o disco Diary of a Madman (1981), do qual eu também gosto bastante. Pena que depois disso, ocorreram novas brigas entre Ozzy e sua nova banda. Por fim, Randy Rhoads morreria num trágico acidente aéreo, o que realmente chocou o mundo do rock.

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    1. Muito obrigado, Igor, por mais uma vez complementar o post com mais um comentário riquíssimo. "Mr. Crowley" é uma das minhas canções favoritas de todos os tempos e 'Blizzard' é outro dos meus álbuns favoritos de todos os tempos.

      No post que fiz sobre Diary of a Madman, fiz uma humilde homenagem ao incrível Randy Rhoads, o qual, tristemente, o mundo do Rock perdeu de maneira tão precoce.

      Muito obrigado por mais uma bela contribuição ao Blog. Abraço!

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    2. De nada, meu amigo! Tamo sempre junto!

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