9 de abril de 2016

STEPPENWOLF - STEPPENWOLF (1968)


Steppenwolf é o álbum de estreia da banda canadense de mesmo nome, ou seja, o Steppenwolf. Seu lançamento oficial aconteceu em 29 de janeiro de 1968, por conta do selo ABC Dunhill. As gravações ocorreram durante o inverno norte-americano de 1967 no American Recording Co. Studio, na Califórnia, EUA. A produção ficou sob responsabilidade de Gabriel Mekler.

O Steppenwolf é uma banda que obteve muito sucesso de crítica e comercial, especialmente no fim dos anos 60 e início da década seguinte. O Blog vai abordar as origens do grupo e, depois, focar-se no álbum propriamente dito.


Para se chegar às origens do Steppenwolf, é necessário que se volte ao ano de 1964, na cidade de Oshawa, no estado de Ontario, no Canadá. Lá surgiu um grupo predominantemente 'pop' chamado Jack London and The Sparrows.

A primeira formação da banda era composta pelo emigrante britânico Dave Marden (que usava o pseudônimo Jack London), pelo guitarrista canadense Dennis Edmonton (nascido Dennis McCrohan) e pelo tecladista Dave Hare.

Logo depois, o irmão de Dennis, Jerry Edmonton, assumiu a bateria e Brent Maitland se tornou o baixista do grupo.

Com outras mudanças de formação, o Jack London and The Sparrows gravou alguns singles de muito sucesso no Canadá, além de um único álbum, Presenting Jack London and The Sparrows, em 1965.

Por volta da metade de 1965, o grupo estava começando a progredir para além das suas primeiras influências britânicas e começava a incorporar influências de um som blues-rock norte-americano.

Ao mesmo tempo, o ressentimento foi crescendo sobre o papel de London na banda; ele havia assinado o contrato de gravação para que pudesse recolher a maioria dos royalties do grupo.

Como resultado, a banda se separou de London (que seguiu carreira solo) e formou o The Sparrows.

Formada pelo vocalista, compositor e guitarrista Dennis Edmonton, seu irmão e baterista Jerry Edmonton e o baixista Nick St. Nicholas, o The Sparrows gravou o single “Hard Times With The Law”.

Logo depois, o grupo adicionou dois novos membros: o vocalista/guitarrista/gaitista e compositor John Kay e o tecladista Goldy McJohn.

Com a nova formação e uma sonoridade ainda mais baseada no Blues Rock, a banda ganhou popularidade e chamou a atenção de gente como Stanton J. Freeman, responsável por levá-los para a cidade de New York, nos Estados Unidos.

Durante 1966, o grupo lançou 2 singles pela Columbia Records: “Tomorrow's Ship” que era acompanhado por “Isn’t It Strange”, e “Green Bottle Lover”, este, acompanhado por “Down Goes Your Love Life”.

John Kay
Em sequencia, a banda abandonou o Canadá (e Nova York) atrás de climas mais quentes, rumando para a Califórnia. Durante novembro de 1966, o The Sparrows estreou no It's Boss, em West Hollywood.

Pouco tempo depois, eles se mudaram para San Francisco, onde se apresentariam no Ark, nas proximidades de Sausalito, bem como no Matrix e no Avalon Ballroom.

O grupo continuou a ficar entre Los Angeles e San Francisco ao longo dos primeiros seis meses de 1967, apresentando-se ao lado de bandas como The Doors, The Steve Miller Band e muitas outras.

Durante junho de 1967, Dennis Edmonton anunciou sua decisão de seguir carreira solo e a banda recrutou o guitarrista norte-americano Michael Monarch no início de julho.

Dennis Edmonton, posteriormente, mudou seu nome para Mars Bonfire.

A saída de Dennis Edmonton, no entanto, acelerou o declínio da banda, e o grupo se dividiu em duas facções. Nick St. Nicholas e o novo recruta Michael Monarch inicialmente formaram um novo grupo, chamado de TIME.

Entretanto, Monarch logo abandonou este projeto e se reuniu com John Kay, Goldy McJohn e Jerry Edmonton no Steppenwolf. Como Steppenwolf, eles tocavam em locais como o lendário Whisky a Go Go.

O baixista Rushton Moreve se juntou à banda após responder a um anúncio do grupo em lojas de discos e instrumentos musicais de Los Angeles.

O nome Steppenwolf foi sugerido para John Kay por Gabriel Mekler, sendo inspirado no romance de mesmo nome, de Hermann Hesse.

Goldy McJohn
Os dois primeiros singles do Steppenwolf foram "A Girl I Knew" e "Sookie Sookie".

As primeiras edições do álbum de estreia da banda, conhecida como "fundo de prata", credita "Mars Bondfire" como compositor de "Born to be Wild", tanto na frente do LP como na parte traseira da capa do mesmo.

A cor de fundo da capa original do LP, lançado pela ABC Dunhill, era prata, em contraste com lançamentos posteriores (da MCA Records) e do CD, em que foi substituído pela cor branca.

Foi o único álbum da banda a ter sido lançado em ambas as configurações, estéreo e mono. Embora este último seja simplesmente uma alteração da versão stereo, é procurado como um item de colecionador.

A arte da capa é obra de Gary Burden. Vamos às faixas:

SOOKIE SOOKIE

Um ritmo bastante envolvente e malicioso é a tônica de "Sookie Sookie". As guitarras estão presentes e o baixo de Rushton Moreve é quem dita o ritmo de maneira muito presente. Uma abertura promissora para o álbum.

A letra é simples e divertida:

You better watch your step girl, don't step on that banana peel
If your foot should ever hit it, you'll go up to the ceiling
Hang it in baby, hang it in baby
Sookie, Sookie, Sookie, Sookie, Sookie, Sookie, Sue

Trata-se de um cover da canção originalmente composta por Don Covay e Steve Cropper. Foi lançada como single, mas não obteve maior repercussão nas paradas de sucesso.



EVERYBODY'S NEXT ONE

Uma aura do Rock sessentista está muito presente em "Everybody's Next One", com muito ritmo e melodia. As guitarras novamente estão marcando presença, bem como o órgão de Goldy McJohn. Contagiante e empolgante.

A letra se refere a uma garota:

She doesn't know why she's everybody's next one
'Cause she's afraid that the truth is gonna hurt some
All the pity in the world ain't gonna help none
She has to realize that to keep one, her ways have to change some



BERRY RIDES AGAIN

Já "Berry Rides Again" bebe nas origens do Rock & Roll nos anos 50, com o protagonismo todo com o piano de Goldy McJohn e uma interpretação bastante competente de John Kay. Certamente um dos pontos altos do registro.

Como o próprio nome sugere, a música é uma homenagem a Chuck Berry:

I used to hold her and try to mold her
Somebody told her, Nadine and I were bolder
I left there in the mornin'
Went back to Memphis, Tenneessee
You know, I never saw her face again
And that's alright with me



HOOCHIE COOCHIE MAN

"Hoochie Coochie Man" é uma das mais importantes e emblemáticas canções do Blues. Aqui, o Steppenwolf faz uma competente versão, com um instrumental denso e pesado, imprimindo muita intensidade à faixa.

A letra é bem divertida:

On the seventh hour
Oh Lord, on the seventh day
I tell you on the seventh month, child
Hey, the seven doctors say
Now he was born for luck
I said, baby, don't you see
I got seven hundred dollars darlin'
Don't you mess with me

Trata-se de uma versão para a clássica “I'm Your Hoochie Coochie Man”, do Bluesman Willie Dixon, e gravada pela primeira vez por outra lenda do Blues, Muddy Waters.



BORN TO BE WILD

Fugindo da proposta do álbum até então, o Steppenwolf apresenta uma das mais clássicas introduções da história do Rock. Logo o ouvinte sente a urgência das guitarras que estão casadas de maneira intrínseca com a atuação de John Kay nos vocais. O refrão é mundialmente conhecido e representa o clímax da canção. Um clássico.

É uma letra com o espírito Rock 'n' Roll:

Get your motor running
Head out on the highway
Lookin' for adventure
In whatever comes our way

“Born To Be Wild” é um dos maiores clássicos do Rock em todos os tempos.

Lançada como single, atingiu a excepcional 2ª posição da parada norte-americana desta natureza, conquistando a 30ª colocação na correspondente britânica.


A canção foi composta pelo antigo companheiro de banda do Steppenwolf, Dennis Edmonton, o qual passou a se chamar de Mars Bonfire.

Bonfire compôs “Born To Be Wild” originalmente como uma balada. Embora inicialmente ele tenha oferecido a canção para outras bandas - The Human Expression, por exemplo - "Born to Be Wild" foi gravada pela primeira vez em 1967, pelo Steppenwolf, que a acelerou e trouxe novos arranjos.

Outra marca importante sobre “Born To Be Wild” é a sua presença como trilha sonora do filme Easy Rider (1969, dirgido por Dennis Hopper) e estrelado por Peter Fonda. Ambos (filme e música) ficaram associados de forma quase indistinta, embora, originalmente, Fonda quisesse que Crosby, Stills & Nash fossem os autores da trilha sonora do filme.

O verso “Heavy Metal Thunder”, contido na faixa, é tido como uma das primeiras associações do termo Heavy Metal com a música. Pouco tempo depois, o mesmo estaria associado às vertentes mais pesadas do Rock.

A revista Rolling Stone colocou a canção como a 129ª colocada de sua lista 500 Greatest Songs of All Time, de 2004. Já o canal de TV VH1, aponta a composição na 53ª posição de sua lista best hard rock song of all time, de 2009.

São inúmeras as aparições de “Born To Be Wild” em filmes, séries de televisão, comerciais, etc. Assim como as versões covers para a mesma, de artistas de diferentes estilos, passando por nomes como Kim Wilde, Bruce Springsteen e Slayer.



YOUR WALL'S TOO HIGH

Já em "Your Wall's Too High", o grupo aposta em um Blues Rock de ritmo cadenciado e marcado que, em outros momentos, é acelerado e intensificado. Seguindo nestes interessantes movimentos, os quais se complementam, a banda consegue desenvolver uma boa faixa.

A letra é uma mensagem de esperança:

Ah, sometimes early in the mornin'
Without warnin' you'll realize
That you ain't too wise
With your head bowed down you go downtown
Watch an old lady hit the ground
Lots of people standin' round
But nobody seems to know her



DESPERATION

"Desperation" mantém um ritmo mais lento logo após uma introdução bem climática. Mesmo contando com a distorção das guitarras, a tônica é a suavidade e esta acaba por envolver o ouvinte com uma melodia bem interessante.

A letra é simples:

When rain drops fall and you feel low
Ah, do you ever think it's useless
Do you feel like letting go
Do you ever sit and do you wonder
Will the world ever change
And just how long will it take
To have it all rearranged...



THE PUSHER

A interessante "The Pusher" bebe na fonte da música tradicional norte-americana, com forte influência do Blues e, também, do Soul. Seu ritmo lento e melódico é reforçado pelo ótimo trabalho vocal de Kay. As guitarras estão bastante presentes e o órgão de McJohn dita o ritmo. Outro dos melhores momentos do álbum.

A letra é uma clara referência a temática de drogas:

You know the dealer, the dealer is a man
With the love grass in his hand
Oh but the pusher is a monster
Good God, he's not a natural man
The dealer for a nickel
Lord, will sell you lots of sweet dreams
Ah, but the pusher ruin your body
Lord, he'll leave your, he'll leave your mind to scream

Lançada como single, não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.


“The Pusher” foi composta por Hoyt Axton, mas ele mesmo só a gravou em 1971, em seu álbum Joy To The World. Portanto, a versão do Steppenwolf veio à tona bem antes.

A faixa também estava presente no filme Easy Rider e seu conteúdo lírico se encaixou bem com o mesmo.

Ao executar a canção publicamente no final dos anos 1960, a letra repetida "God Damn" foi muitas vezes controversa, mais notoriamente em Winston-Salem, na Carolina do Norte, onde oficiais da cidade tentaram forçar a banda a usar um eufemismo (tais como "Gosh darn" ) em vez da letra real. Embora a banda tenha prometido não cantar o verso, o público os berrava, preenchendo as palavras ofensivas nos locais apropriados da canção.



A GIRL I KNEW

A faixa "A Girl I Knew" possui uma boa musicalidade, repleta de uma melodia simples e vibrante, com a guitarra brilhando em solos com muito feeling. É a canção mais curta do trabalho, indo direto ao ponto sem maiores rodeios.

A letra se refere a uma garota:

A girl I knew
Someone I used to talk to
When we'd meet in the middle of a room
A girl I knew
Her world a shade of blue
Someone I used to talk to

“A Girl I Knew” foi o primeiro single lançado pelo Steppenwolf, antes mesmo de seu álbum de estreia, em 1967. Entretanto, sem maiores repercussões em termos de paradas de sucesso.



TAKE WHAT YOU NEED

A pegada Blues Rock está de volta, contando com o ritmo mais cadenciado e com a forte presença das guitarras. Outra boa atuação da seção rítmica confere intensidade à canção. Boa composição.

A letra remete a um relacionamento:

Took a stroll in the country
Some peace of mind to find
Wire fences everywhere
No place to rest my mind
Seems like a shame to me
The way some people hog the land



THE OSTRICH

A décima-primeira - e última - faixa do álbum de estreia do Steppenwolf é "The Ostrich". Com um ritmo bastante envolvente e até alguma dose de peso, a música derradeira do trabalho apresenta um resultado deveras contagiante. Ótima presença de Jerry Edmonton na bateria com a eficiente companhia do baixo de Rushton Moreve. Encerra o disco com chave-de-ouro.

A letra é uma crítica ao sistema norte-americano:

You're free to speak your mind my friend
As long as you agree with me
Don't criticize the father land
Or those who shape your destiny
'Cause if you do
You'll lose your job your mind and all the friends you knew
We'll send out all our boys in blue
They'll find a way to silence you



Considerações Finais

Catapultado – e muito – pelo sucesso de “Born To Be Wild”, o autointitulado álbum de estreia do Steppenwolf fez muito barulho.

Atingiu a ótima 6ª colocação na principal parada norte-americana de sucessos, bem como a 59ª posição de sua correspondente britânica. Ainda conquistou o primeiro lugar no Canadá.

As críticas dos especialistas em geral são positivas. A revista Rolling Stone recebeu bem o trabalho. Bruce Eder, do AllMusic, dá ao disco 4, de um máximo de 5 estrelas, destacando que as melhores faixas do mesmo, no entanto, não foram compostas por membros da banda, como “Born To Be Wild” e “The Pusher”.

O álbum vendeu bem, superando a marca de 500 mil cópias apenas nos Estados Unidos (o single “Born To Be Wild”, sozinho, também superou 500 mil cópias comercializadas em terras ianques).

Com o disco indo bem, novas portas se abriram para a banda, incluindo um show no lendário Fillmore East, em New York City, ao lado de Buddy Rich e Children of God. A apresentação rendeu muitos elogios e críticas positivas ao grupo.

Aproveitando a boa maré, ainda em outubro de 1968, a banda lançaria seu segundo álbum, The Second.



Formação:
John Kay: Guitarra, Gaita, Vocal
Rushton Moreve: Baixo, Backing Vocals
Michael Monarch: Guitarras, Backing Vocals
Goldy McJohn: Órgão, Piano, Piano Elétrico
Jerry Edmonton: Bateria, Percussão, Backing Vocals

Faixas:
01. Sookie Sookie (Covay/Cropper) –3:12
02. Everybody's Next One (Kay/Mekler) –2:53
03. Berry Rides Again (Kay) –2:45
04. Hoochie Coochie Man (Dixon) –5:07
05. Born to Be Wild (Bonfire) –3:28
06. Your Wall's Too High (Kay) –5:40
07. Desperation (Kay) –5:45
08. The Pusher (Axton) –5:43
09. A Girl I Knew (Cavett/Kay) –2:39
10. Take What You Need (Kay/Mekler) –3:28
11. The Ostrich (Kay) –5:43

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/steppenwolf/

Opinião do Blog:
O final dos anos 60 e início dos anos 70 foi uma excelente fase para o Rock & Roll, época em surgiram várias bandas que mudariam a história do estilo. Neste caldeirão musical e cultural é que o Steppenwolf estava inserido.

Tão importante quanto a boa música que gravou, foi a sua associação com o filme Easy Rider, um verdadeiro marco da contracultura norte-americana. Ambos permaneceriam, desde então, atrelados de forma quase definitiva.

O Steppenwolf estava formado por músicos competentes. O baixo de Rushton Moreve é um dos destaques do álbum pela sua onipresença, ditando o ritmo. Também Goldy McJohn aparece de forma a contribuir para a qualidade do trabalho.

John Kay se revela um compositor prolífico e um vocalista eficiente. Sua voz não soa marcante e nem brilhante, mas se une de forma praticamente perfeita com o instrumental da banda.

A sonoridade proposta é mesmo o Rock & Roll, por vezes o fundindo com o Blues. Em outros momentos, como em "The Pusher", é perceptível o flerte com o Soul e o Jazz, mesmo que em doses homeopáticas. Também o Rock da década de 50 é referenciado de maneira contagiante.

Se há um pecado no álbum de estreia do Steppenwolf é sua grande quantidade de faixas, dando oportunidade para composições não tão inspiradas como "Everybody's Next One". Nada que comprometa o resultado final.

Claro que o álbum trouxe um dos maiores e mais reconhecidos clássicos do Rock & Roll em todos os tempos: "Born To Be Wild" é uma composição esplendorosa e atemporal. Mas nem só dela vive o disco.

"The Pusher" - e todas as suas nuances e influências - mostra-se como uma música maior e brinda o ouvinte com graciosidade e intensidade. Outros ótimos momentos do álbum são "Berry Rides Again", "Desperation" e "The Ostrich".

Parece consenso entre os críticos que o álbum de estreia do Steppenwolf foi mesmo seu ponto mais alto, oferecendo à humanidade um hino como "Born To Be Wild". O Blog concorda com esta afirmativa mesmo pensando que a banda fez outros discos interessantes, como The Second. Enfim, a estreia do Steppenwolf é um álbum essencial para colecionadores e sua audição atenta é obrigatória aos fãs de Rock.

3 de abril de 2016

EUROPE - WINGS OF TOMORROW (1984)


Wings of Tomorrow é o segundo álbum de estúdio da banda sueca chamada Europe. Seu lançamento oficial aconteceu em 24 de fevereiro de 1984, através do selo Hot Records. As gravações se deram no Polar Studios, em Estocolmo, na Suécia, entre 1983 e 1984. O produtor foi Leif Mases.

O Europe é uma banda que está profundamente associada à cena do Hard Rock oitentista, muito por conta do álbum The Final Countdown, de 1986. Mas o Blog, desta feita, optou por abordar o grupo em um momento anterior a seu ápice de sucesso mundial.


A primeira encarnação do conjunto foi batizada de Force e veio ao mundo em 1979, em uma localidade chamada Upplands Väsby, em Estocolmo, na Suécia.

Sua formação contava com o vocalista e tecladista Joey Tempest, o guitarrista John Norum, o baixista Peter Olsson e o baterista Tony Reno.

Nas palavras de Tempest: "Eu me lembro quando começamos a Force e estávamos tocando covers, durante os ensaios, porque nós só queríamos aprender nossos instrumentos, como todas as bandas”.

Pouco tempo depois, Tempest começou a trazer material próprio para os ensaios do Force e assim a banda iniciou a produção de suas próprias composições.

A banda enviou várias demos para gravadoras, mas os integrantes foram informados de que, se quisessem serem divulgados, teriam que cortarem os cabelos e cantarem em sueco.

Joey Tempest
Dois anos depois, o baixista Peter Olsson deixou a banda e foi substituído por John Levén. Poucos meses se passaram para que Levén ingressasse na banda do guitarrista Yngwie Malmsteen, o Rising Force, e o ex-baixista do Malmsteen, Marcel Jacob, juntasse-se ao Force.

Isso só durou três meses: Leven, aparentemente, teve conflitos com Malmsteen, e, portanto, ele e Jacob trocaram de lugares novamente.

A história do grupo começa a mudar em 1982, quando a namorada de Tempest coloca o Force em um concurso de talentos sueco de nome Rock-SM. Competindo contra 4000 bandas, eles vencem o concurso, graças a duas canções: "In the Future to Come" e "The King Will Return". O prêmio foi um contrato com a gravadora Hot Records.

Além disso, Tempest ganhou o prêmio individual para Melhor Vocalista e Norum venceu o prêmio de Melhor Guitarrista.

Pouco antes do concurso, o Force mudou seu nome para Europe. Tempest foi quem sugeriu o nome: “Depois de lançar Made in Japan (1972), o Deep Purple fez o Made in Europe (1976), que talvez não seja tão bom quanto o primeiro, mas ouvimos os dois. E é daí que eu retiro o nome Europe. Foi muito engraçado quando eu disse aos rapazes, John Leven e John Norum, sobre a minha ideia para o nome da banda naquela noite”.

Segundo Tempest, o grupo originalmente se chamou Force por conta do álbum Force It (1975), da lendária banda britânica UFO, uma das reconhecidas influências do Europe. Mas, naquela altura, Yngwie Malmsteen já estava em ação com o Rising Force e os nomes semelhantes certamente não ajudariam.

Já como Europe, o grupo lança seu primeiro trabalho, autointitulado, em 14 de março de 1983.

John Norum
O álbum teve boa repercussão na Suécia, atingindo a 8ª posição na parada de sucessos local. Nele estão boas faixas como “The King Will Return”, “Children of this Time” e “Seven Doors Hotel”; esta última, atingiu o Top 10 da parada japonesa.

Naquele mesmo ano, o Europe já se reuniria no Polar Studios, em Estocolmo, para as gravações de seu segundo álbum de estúdio, o qual se tornaria Wings of Tomorrow.

Com a produção de Leif Mases, o trabalho apresentaria um Europe ainda mais consistente. A capa, trabalho de Peter Engberg, apresenta uma ave com penas metálicas.

Vamos às faixas:

STORMWIND

Um ótimo e inspirado riff abre "Stormwind". A faixa caminha na tênue linha entre o Hard Rock e o Heavy Metal, embora a pegada mais predominante seja do primeiro. A guitarra de John Norum predomina, acompanhando a boa interpretação de Joey Tempest.

A letra possui temática romântica:

I like to wake up in the morning unaware
Of the fact that you are calling me
To ask me if I want to be
Someone who you could love and always care for


A faixa foi um dos singles retirados de Wings of Tomorrow, mas não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.



SCREAM OF ANGER

Já em "Scream of Anger", o ouvinte perceberá que há influência da NWOBHM na sonoridade do Europe. O clima aqui é urgente, com a banda apostando em um andamento rápido, com o ritmo bastante veloz, especialmente oferecido pela seção rítmica. Bom momento do álbum.

A letra remete a desesperança:

I won't live to see tomorrow
There won't be another breath
None of them will ever sorrow
Those who sentenced me to death

A banda sueca Arch Enemy fez uma versão para “Scream of Anger”.



OPEN YOUR HEART

Neste momento o Europe "põe o pé no freio", desacelerando o ritmo do disco até então. A velocidade cai brutalmente e a terceira faixa do trabalho apresenta uma melodia leve e lenta, mas ao mesmo tempo de bom gosto. A velha fórmula de o peso aumentar durante o refrão é usada e, novamente, funciona de maneira eficiente. Boa atuação de Joey Tempest.

A letra possui temática sobre um relacionamento amoroso:

Days filled with joy
And days filled with sorrow
I don't know just what to do
Am I happy today
Am I lonely tomorrow
Everything depends on you

“Open Your Heart” foi outro single proveniente do álbum, mas também não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.

No álbum Out of This World, de 1988, lançado após a banda estourar internacionalmente, o Europe regravou “Open Your Heart”, mudando partes da letra original e novamente apostando em lançá-la como single, o qual alcançou a modesta 86ª colocação na principal parada britânica.

É da versão de 1988 o videoclipe da música, dirigido por Jean Pellerin e Doug Freel.



TREATED BAD AGAIN

Em um ritmo bastante cadenciado e lento, a quarta faixa do trabalho demonstra um Europe em uma faceta mais pesada. O ótimo trabalho de John Norum faz a diferença na composição, com sua guitarra se apresentando de maneira infernal. O solo por volta dos 2 minutos e meio é saboroso. Ótima canção.

A letra fala sobre comportamento:

Hey girl don't come to me and ask me for a helpin' hand
Cause by the way things seem to be,
I would never ever understand
When he comes to you, you always take him back
Hey girl just wait and see, you're bound to have a heart attack



APHASIA

Já nesta curta canção instrumental, John Norum demonstra sua habilidade na guitarra, com uma composição que lembra passagens instrumentais de bandas como o Iron Maiden. Faixa divertida.

“Aphasia” é a única composição solitária de John Norum a aparecer em um álbum do Europe. A banda sueca HammerFall fez uma versão para a mesma.



WINGS OF TOMORROW

A faixa-título apresenta o Europe apostando novamente na região do Hard/Heavy, combinando-os de maneira inteligente. O andamento da música é mais cadenciado, possuindo um refrão essencialmente melódico. Conta com um dos melhores solos de guitarra de John Norum no disco.

A letra fala sobre mudança e esperança:

You must be dreaming
Or going out of your mind
There's no way of changing
The world over one night

“Wings of Tomorrow” também tem uma versão cover feita pela banda Arch Enemy.



WASTED TIME

Novamente a influência da NWOBHM é bastante palpável na musicalidade do Europe, especialmente na introdução de "Wasted Time", em que o trabalho do baixista John Leven é excelente, imprimindo impressionante peso à canção. Pesada, intensa e pulsante, uma das melhores composições do álbum.

A temática da letra é sobre o bem e o mal:

Blood's been spilled throughout all times
We should know better since we've been around
There's been changes there's no denyin'
But in what direction is good sense flying



LYIN' EYES

"Lyin' Eyes" também aposta em um ritmo mais acelerado e um andamento bem veloz. A seção rítmica opera freneticamente e o resultado instrumental é perfeitamente acompanhado pela voz de Joey Tempest, o qual atua de maneira eficiente.

A letra fala sobre decepção e vingança:

I wish you'd move and then I know I'd be satisfied
Can't you see I'm on the edge,
I can't look down
Is it me who's lost and never found

“Lyin' Eyes” foi um single lançado anteriormente ao álbum, ainda em dezembro de 1983 e que não repercutiu em termos de paradas de sucesso. A versão da canção encontrada em Wings of Tomorrow possui a letra um pouco diferente a daquela original de 1983.



DREAMER

Os teclados de Tempest ficam bem mais evidentes na introdução de "Dreamer", a qual coloca a banda em um ritmo mais leve e lento novamente. O refrão é levemente mais intenso, mas a tônica da composição é mesmo a suavidade. O ponto mais alto acaba mesmo sendo a atuação de Joey Tempest.

A letra é sobre solidão:

He is down by the riverside
Late one night
He's tryin' to count the stars
In each of the signs



“Dreamer” foi outro single retirado do disco, mas que fora lançado apenas no Japão. Sem maiores repercussões.



DANCE THE NIGHT AWAY

A décima - e última - faixa de Wings of Tomorrow é "Dance The Night Away". Com um riff que remete imediatamente ao Deep Purple, a canção final do disco é bastante rápida e intensa, mas, simultaneamente, repleta de melodia e energia. Fecha o álbum de maneira bem eficiente.

A letra possui sentido de flerte romântico:

Well, I can dance the night away
There's nothin' else that I want to d
O I can dance the night away
There's no one else that I want but you



Considerações Finais

Em termos das principais paradas de sucesso, Wings of Tomorrow passou em branco. Conquistou a 20ª posição na de sua terra natal, a Suécia.

Mesmo assim, o álbum é bem importante na carreira do Europe.

Por exemplo, o single "Open Your Heart" despertou o interesse da CBS Records, que ofereceu ao grupo um contrato internacional em 1985.

“Eu acho que um dos álbuns mais importantes para a banda foi Wings of Tomorrow”, afirmou Tempest, o qual completou: “Estávamos aprendendo como escrever canções e John começou a tocar algum material realmente legal na guitarra. Nós nos tornamos uma banda melhor e foi um bom período para a banda”.

O tecladista Mic Michaeli foi logo recrutado para tocar nos shows e se tornou um membro oficial da banda pouco tempo depois.

Ao mesmo tempo, Tony Reno foi despedido por causa de sua falta de motivação e por alegadamente faltar aos ensaios. O baixista Peter Olsson afirma, também, que Reno teria sido substituído nos álbuns por uma bateria eletrônica. Para o seu lugar foi recrutado Ian Haugland.

Em 1985, o Europe registrou a trilha sonora do filme On the Loose (1985) e que lhes deu o hit "Rock the Night".

Alguns meses mais tarde, Joey Tempest foi convidado a escrever uma canção para o projeto de caridade sueco chamado Swedish Metal Aid. Ele compôs “Give a Helping Hand”, contando com as maiores estrelas do rock e metal do país escandinavo.

A renda obtida com as vendas do single, que foi produzido pelo guitarrista do Easy Action, Kee Marcello, foi doada às pessoas famintas da Etiópia.

Em 1986, o Europe conquistaria o mundo com seu álbum de maior sucesso, The Final Countdown.



Formação:
Joey Tempest - Vocal, Violões, Teclados
John Norum - Guitarras, Backing Vocal
John Levén - Baixo
Tony Reno - Bateria

Faixas:
01. Stormwind (Tempest) – 4:31
02. Scream of Anger (Tempest/Jacob) – 4:06
03. Open Your Heart (Tempest) – 4:10
04. Treated Bad Again (Tempest) – 3:46
05. Aphasia (Norum) – 2:32
06. Wings of Tomorrow (Tempest) – 3:59
07. Wasted Time (Tempest) – 4:10
08. Lyin' Eyes (Tempest) – 3:47
09. Dreamer (Tempest) – 4:28
10. Dance the Night Away (Tempest) – 3:35

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/europe/

Opinião do Blog:
O Europe é um dos nomes mais conhecidos da cena musical da Suécia, país com uma forte tradição de bandas reconhecidas internacionalmente, indo do Pop do ABBA até o Heavy Metal mais extremo do Dissection.

O Europe conquistaria o sucesso internacional com seu álbum seguinte ao aqui apresentado, The Final Countdown, o qual surgiria em 1986. Mas o Blog apontou para um momento anterior da banda em que ela ainda buscava sua identidade musical.

Composta por bons músicos, o Europe apresenta uma coleção de composições bem executadas. Joey Tempest canta de maneira convincente, John Leven comanda a seção rítimica e John Norum é o destaque individual do álbum, para o Blog, com seus riffs e solos sempre apresentados de modo competente.

As letras estão na média comum. Valem uma conferida para que o leitor tire suas próprias conclusões.

Caminhando entre o Hard Rock e o Heavy Metal, o Europe passeia por estes estilos sempre de maneira competente. Tudo é feito com bom gosto e o resultado final é auxiliado por uma produção que acaba funcionando.

"Stormwind" é uma típica canção do Hard Rock oitentista, com uma pegada daquilo que o Rainbow fez naquela época. Já "Scream of Anger" é bem mais Heavy Metal, com a devida referência ao seu tempo.

A banda também aposta em baladas, as quais se apresentam de maneira convincente, mesmo que não sejam absolutamente brilhantes. O Blog prefere "Dreamer" a "Open Your Heart".

Mas as melhores do álbum para o Blog são a pesada e cadenciada "Treated Bad Again", composição que o Mötley Crüe assinaria com facilidade. E "Wasted Time", com uma profunda e inconfundível pegada NWOBHM.

O Europe conquistaria o mundo com outro tipo de sonoridade, abusando dos sintetizadores e fugindo da proposta apresentada em Wings of Tomorrow. Mesmo assim, o álbum aqui apresentado aponta uma banda que buscava sua identidade e acabou lançando um disco com boas canções e que pode agradar os amantes do estilo Hard Rock/Heavy Metal. Vale uma ouvida! 

11 de março de 2016

BLACK SABBATH - HEAVEN AND HELL (1980)


Heaven And Hell é o nono álbum de estúdio da banda britânica Black Sabbath. Seu lançamento oficial ocorreu em 20 de abril de 1980, através dos selos Vertigo e Warner Bros. (EUA e Canadá). As gravações aconteceram entre outubro de 1979 e janeiro de 1980, no Criteria Recording Studios, em Miami, nos Estados Unidos e no Studio Ferber, em Paris, França. A produção ficou por conta do lendário Martin Birch.

4 de março de 2016

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL - BAYOU COUNTRY (1969)


Bayou Country é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Creedence Clearwater Revival. Seu lançamento oficial aconteceu em 5 de janeiro de 1969, através do selo Fantasy Records. As gravações ocorreram no RCA Studios, em Hollywood, Califórnia, durante 1968. A produção ficou a cargo do próprio John Fogerty.

O Creedence Clearwater Revival é um dos maiores nomes da história do Rock. O Blog vai tratar dos fatos que antecederam ao lançamento do disco e, na sequência, comentá-lo faixa a faixa.


John Fogerty, Doug Clifford e Stu Cook (todos nascidos em 1945) conheceram-se na Portola Junior High School, em El Cerrito, Califórnia, nos Estados Unidos.

Chamando a si mesmos de 'The Blue Velvets', o trio começou a tocar faixas instrumentais e "clássicos de juke box" , bem como a atuarem como banda de apoio para o irmão mais velho de John, Tom Fogerty, em shows ao vivo e no estúdio de gravação.

Tom logo se juntaria à banda, e, em 1964, eles assinaram contrato com a gravadora Fantasy Records, um selo independente de jazz, situado em San Francisco, e que havia lançado Cast Your Fate to the Wind, um verdadeiro hit nos Estados Unidos, para o pianista de jazz Vince Guaraldi.

O sucesso do disco foi o tema de um especial para a National Educational Television, o que levou ao jovem compositor John Fogerty entrar em contato com a gravadora.

Em meados de 1964, a banda gravou duas músicas para a Fantasy Records, lançadas no mercado com o formato Single.

Max Weiss, um dos co-proprietários da Fantasy, inicialmente mudou o nome do grupo para The Visions, mas quando suas canções foram lançadas como single, em novembro de 1964, Weiss os renomeou como The Golliwogs.

Os papéis de cada membro na banda mudaram muito durante este período. Stu Cook deixou o piano e foi para o baixo, enquanto Tom Fogerty saiu dos vocais para a guitarra-base; assim, John tornou-se vocalista do grupo e principal compositor.

Nas palavras de Tom Fogerty: "Eu poderia cantar, mas John tinha o som!”.

Sete singles foram lançados na área de San Francisco. Embora nenhum deles estourou nacionalmente, um, "Brown Eyed Girl", fez um pequeno barulho em Miami, Florida.

John Fogerty
Eventualmente, John Fogerty assumiu o controle do grupo, escrevendo todo seu material, cantando os vocais, e, florescendo em um multi-instrumentista que tocava teclados, gaita e saxofone, além da guitarra-solo. Em 1967, ele já estava produzindo as gravações da banda.

Em 1966, o grupo sofreu um revés quando John Fogerty e Doug Clifford, tendo recebido convocações, alistaram-se no exército. John entrou para a Reserva do Exército, enquanto Clifford entrou para a reserva da Guarda Costeira dos EUA.

Em 1967, Saul Zaentz comprou a Fantasy Records e ofereceu à banda uma chance de gravar um álbum completo, com a condição de que mudasse seu nome. Como, de fato, os quatro músicos nunca gostaram de "The Golliwogs", em parte por causa da carga racial do nome, os quatro concordaram prontamente.

Zaentz e a banda concordaram em se reunirem com dez sugestões de nome para cada, mas chegaram a um acordo, entusiasticamente, bem rapidamente: Creedence Clearwater Revival (CCR), que surgiu em janeiro de 1968.

De acordo com entrevistas com os membros da banda, vinte anos mais tarde, o três elementos do nome vem das seguintes fontes:

O amigo de Tom Fogerty, Credence Newball, cujo nome eles mudaram para formar a palavra Creedence (adicionando um E, como na palavra inglesa creed).

Um comercial de televisão para a cerveja Olympia ("água limpa", em inglês clear water).

E o renovado compromisso dos quatro membros com a banda.

Alguns dos nomes rejeitados para o grupo incluíram Muddy Rabbit, Gossamer Wump, e Creedence Nuball and the Ruby, mas o último foi o mote inicial que levou ao nome definitivo.

Segundo Stu Cook: "Finalmente, John juntou os três nomes e nós nos rendemos ao inevitável", e completou: "Um nome mais esquisito que Buffalo Springfield ou Jefferson Airplane."

Em 1968, John Fogerty e Doug Clifford haviam sido dispensados do serviço militar, e todos os quatro membros deixaram seus trabalhos para começarem uma programação intensa de ensaiarem e tocarem em tempo integral.

Os programadores de estações de rádio pelos EUA perceberam o conjunto quando a canção "Susie Q", presente em seu autointitulado álbum de estreia, recebeu substancial divulagação na área da Baía de San Francisco e na rádio WLS de Chicago.

Tratava-se de um cover de uma canção de 1956, gravada pelo cantor de rockabilly Dale Hawkins.

"Susie Q "foi o segundo single da banda, mas o primeiro a chegar ao Top 40 (atingiu a 11ª posição). Seria o único sucesso do grupo a chegar no Top 40 da Billboard que não foi escrito por John Fogerty.

Dois outros singles retirados da estreia do Creedence foram lançados: um cover de Screamin 'Jay Hawkins de "I Put a Spell on You" (que alcançou a 58ª posição da Billboard) e "Porterville" (lançado pela gravadora Scorpio com a composição creditada a "T. Spicebush Swallowtail"), composta durante o tempo de Fogerty na Reserva do Exército.

O álbum conseguiu o 52º lugar na principal parada de álbuns dos Estados Unidos, a Billboard.

Depois de sua descoberta, o CCR iniciou turnês e começou a trabalhar em seu segundo álbum, Bayou Country, no RCA Studios, em Los Angeles.

Apesar de seu sucesso recém-encontrado, no entanto, sementes do descontentamento entre os quatro membros da banda já haviam sido plantadas, muito devido a John Fogerty assumir o controle do conjunto em quase todos os níveis.

Stu Cook
"Houve um ponto em que nós tínhamos gravado o primeiro álbum. E todo mundo havia ouvido o meu conselho. Não acho que pensaram muito sobre isso", Fogerty lembrou a Michael Goldberg, da revista Rolling Stone, em 1993.

John continua: "Mas, durante o processo do segundo álbum, Bayou Country, tivemos um confronto real. Todo mundo queria cantar, escrever, fazer seus próprios arranjos, o que for, certo? Isso foi depois de dez anos de luta. Agora tínhamos os holofotes. Os quinze minutos de fama, de Andy Warhol. "Suzie Q" foi tão grande como jamais tínhamos visto. Claro, ela realmente nem foi tão grande... Eu não queria voltar para o lava-rápido".

Já em outra entrevista, em 2007, John Fogerty analisou novamente aquele momento da existência do CCR: "Eu determinei, estamos na menor gravadora do mundo, não há dinheiro atrás de nós, não temos um manager, não há nenhum publicitário. Nós basicamente não tínhamos nenhuma das costumeiras máquinas de fazer estrelas, então eu disse para mim mesmo que teria que fazer isso através da música ... Basicamente, eu queria fazer o que os Beatles haviam feito. E senti que eu deveria fazer isso sozinho".

A capa de Bayou Country apresenta uma imagem dos membros da banda sem foco, obra de Basul Parik.

Vamos às faixas:

BORN ON THE BAYOU

Um riff simples embala a primeira faixa do álbum. O ritmo é cadenciado e a melodia possui um bom balanço e certa malemolência, contagiando o ouvinte. O solo de John Fogerty é simples, mas repleto de feeling. Uma excelente canção.

A letra remete a memórias de uma criança:

Wish I was back on the Bayou
Rolling with some Cajun Queen
Wishing I were a fast freight train
Just a choogling on down to New Orleans

Born On The Bayou” abriu a maioria dos shows do Creedence Clearwater Revival, sendo conhecida como uma 'canção assinatura' da banda.

Sobre o processo de composição da música, John Fogerty se recorda:

Já era tarde quando eu estava escrevendo. Eu estava tentando ser um escritor puro, sem a guitarra na mão, visualizando e olhando para as paredes nuas do meu apartamento. Apartamentos minúsculos têm paredes nuas maravilhosas, especialmente quando você não se pode dar ao luxo de colocar qualquer coisa sobre elas”.



BOOTLEG

Já em "Bootleg", a banda opta por uma abordagem mais direta, até mesmo pela extensão reduzida da faixa. Há a clara influência da música sulista norte-americana, com certa referência country. Ótimos vocais e instrumental impecável.

A letra fala sobre contravenção:

Take you a glass of water
Make it against the law
See how good the water tastes
When you can't have any at all



GRAVEYARD TRAIN

"Graveyard Train" é a maior música de Bayou Country, superando os oito minutos. Seu início quebra o ritmo até então desenvolvido no álbum, pois possui uma pegada mais soturna e bastante cadenciada. Os vocais de John Fogerty se casam bastante bem com o instrumental em uma grande influência do Blues. John também faz um ótimo papel na gaita. Excepcional momento do álbum.

A letra é simples e divertida:

On the highway, Thirty people lost their lives
On the highway, Thirty people lost their lives
Well, I had some words to holler,
And my Rosie took a ride



GOOD GOLLY MISS MOLLY

Em sua quarta faixa, o disco contém uma inspirada execução para o clássico "Good Golly Miss Molly", com destaque total para a guitarra de John Fogerty. Doses exatas de peso e intensidade!

A letra é em tom de sarcasmo:

Well, now momma, poppa told me:
"Son, you better watch your step"
If I knew my momma, poppa, have to watch my dad myself
Good Golly, Miss Molly, sure like to ball

Good Golly, Miss Molly” é um cover do clássico gravado originalmente pelo astro Little Richard, lançada oficialmente em janeiro de 1958.

A versão lançada pelo Creedence Clearwater Revival possui uma suave alteração na letra. Quando na original se ouve “When she hugs me, her kissin' make me ting-a-ling-a-ling”, John Fogerty canta “Would you pardon me a kissin' and a ting-a-ling-a-ling?”.



PENTHOUSE PAUPER

Um rock cadenciado e repleto de swing é a chave de "Penthouse Pauper". Impressiona como a sonoridade do baixo de Stu Cook está presente na faixa, permitindo que a guitarra de John Fogerty estraçalhe nos solos. Um Blues Rock de primeiríssima linha!

A letra é divertida e trata de alguém querendo provar seu valor:

I'm the Penthouse Pauper;
I got nothing to my name
I'm the Penthouse Pauper; baby,
I got nothing to my name
I can be most anything,
'Cause when you got nothing it's all the same



PROUD MARY

Para quem já ouviu "Proud Mary", seus acordes iniciais são inconfundíveis. Uma levada suave, melódica e, simultaneamente, repleta de bom gosto. As influências do Country e do Blues são perceptíveis, especialmente do primeiro. Tudo é complementado por um ótimo trabalho vocal. O refrão é contagiante. Composição impecável.

A letra pode ser inferida como um convite a valorizar o lado bom de viver:

Cleaned a lot of plates in Memphis
Pumped a lot of pane down in New Orleans
But I never saw the good side of the city
Until I hitched a ride on a river boat queen


Proud Mary” é um dos grandes clássicos da história do Rock.

Lançada como single, fez um sucesso gigantesco, alcançando a segunda posição da principal parada norte-americana desta natureza. Apenas seu formato single supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas.

Em uma entrevista de 1969, Fogerty disse que ele compôs a canção nos dois dias depois de receber alta da Guarda Nacional.

No encarte para uma reedição ampliada de Bayou Country, lançada em 2008, o crítico musical Joel Selvin explicou que as músicas para o álbum começaram a serem compostas quando John Fogerty ainda estava na Guarda Nacional.

Selvin afirma que os riffs de "Proud Mary", "Born on the Bayou" e "Keep on Chooglin'" foram concebidos por Fogerty em um show no Avalon Ballroom, e "Proud Mary" foi organizada a partir de partes de músicas diferentes, uma das quais era sobre uma "lavadeira chamada Mary".

O verso "Left a good job in the city” (tradução: Deixou um bom trabalho na cidade) foi escrito após a alta de Fogerty da Guarda Nacional, enquanto o verso "rollin' on the river" veio de um filme de Will Rogers.

São inúmeras e incontáveis as versões para “Proud Mary”, sendo algumas de muito sucesso, como as gravadas por Solomon Burke e a que foi lançada por Tina Turner.

"Proud Mary" foi colocada na 155ª posição na lista The 500 Greatest Songs of All Time, da revista Rolling Stone, de 2004. Tanto a versão original do Creedence Clearwater Revival quanto à gravada por Ike & Tina Turner, receberam o Grammy Hall of Fame Awards, em 1998 e 2003, respectivamente.



KEEP ON CHOOGLIN'

A sétima ´e última - faixa de Bayou Country é "Keep On Chooglin'". Trata-se de uma longa música, a qual supera a casa dos 7 minutos. Nesta canção, quem dita o ritmo é o baixo de Stu Cook, em outro trabalho muito bem feito. A levada com alta carga bluesy é uma constante, com John Fogerty brilhando na guitarra e, especialmente, na gaita. Fecha o trabalho muito bem, com um gostinho de Jam Session.

A letra possui insinuação sobre sexo:

Maybe you don't understand it
But if you're a natural man,
You got to ball and have a good time
And that's what I call Choogling



Considerações Finais

Embalado pelo enorme sucesso de “Proud Mary”, o álbum Bayou Country também fez um grande sucesso comercial e elevou o Creedence Clearwater Revival a padrões até então inimagináveis para o grupo.

O disco atingiu a ótima 7ª posição da principal parada de sucessos norte-americana, a Billboard. Ficou com a 62ª colocação na correspondente britânica. Além disso, obteve o 14º lugar na parada de sucessos canadense.

O sucesso foi responsável por catapultar a fama sobre o grupo, estendendo sua agenda de shows e sua turnê.

Em uma crítica da época, a revista Rolling Stone afirmou que o álbum sofria de uma falha grave de inconsistência. "Os bons momentos são muito bons, mas os maus simplesmente não contribuem". A avaliação foi positiva para as faixas "Born On The Bayou" e "Proud Mary", mas às outras faixas a publicação afirmou que faltava originalidade.

No fim, o álbum é considerado "nem sempre forte, mas o Creedence Clearwater Revival toca com gosto o suficiente para superar este problema”.

Já o site AllMusic, na figura de Stephen Thomas Erlewine, dá ao álbum 4,5 estrelas de um máximo de 5.

Erlewine afirma: "Abrindo lentamente com a escura e pantanosa "Born on the Bayou”, Bayou Country revela um seguro Creedence Clearwater Revival, uma banda que encontrou sua voz entre o primeiro e o segundo álbum. Não apenas "Born on the Bayou” anuncia que o CCR descobriu seu som - revela a extensão do mito de John Fogerty".

Bayou Country é o primeiro de três álbuns que o Creedence Clearwater Revival lançaria no mesmo ano, 1969, todos de enorme sucesso: Green River (lançado em agosto daquele ano) e Willy And The Poor Boys (que saiu em dezembro).

Bayou Country supera a marca de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Doug Clifford - Bateria
Stu Cook - Baixo
John Fogerty – Guitarra-Solo, Vocais, Harmônica
Tom Fogerty – Guitarra-Base e Backing Vocals

Faixas:
01. Born on the Bayou (J.Fogerty) - 5:16
02. Bootleg (J.Fogerty) - 3:03
03. Graveyard Train (J.Fogerty) - 8:37
04. Good Golly Miss Molly (Blackwell/Marascalco) - 2:44
05. Penthouse Pauper (J.Fogerty) - 3:39
06. Proud Mary (J.Fogerty) - 3:09
07. Keep On Chooglin' (J.Fogerty) - 7:43

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso: https://letras.mus.br/creedence-clearwater-revival/

Opinião do Blog:
Quase 5 décadas depois de seu auge, o Creedence Clearwater Revival permanece como um dos grandes nomes da história do Rock. Mesmo com uma duração curta, sua obra deixou um legado inestimável e de grande importância para os fãs do estilo.

Tão grande quanto seu legado somente a ainda enorme massa de fãs do grupo. Especialmente nos Estados Unidos, o conjunto foi um fenômeno musical poucas vezes igualado.

Bayou Country, seu segundo álbum de estúdio, apresenta uma coleção de canções de extremo bom gosto e que são uma amostra da qualidade extraordinária da banda.

Composto por músicos muito talentosos, a banda apresenta uma sonoridade com o melhor do Rock 'n' Roll, recheado por uma forte influência dos gêneros Country, Blues e mesmo o Soul norte-americano. Isto faz com que a identidade musical do Creedence seja única e inconfundível.

O principal destaque individual do trabalho é mesmo o vocalista/guitarrista John Fogerty. Seus vocais são muito bons, assim como os solos de guitarra, que, embora simples, estão repletos de feeling e sensibilidade melódica. John ainda esbanja talento na gaita.

Se não bastassem tantos atributos, John Fogerty pode ser considerado a alma do Creedence Clearwater Revival, uma vez que é o responsável direto pela maior parte das composições do conjunto. Em Bayou Country, ele compôs faixas inesquecíveis.

A animada "Born On The Bayou" é um ótimo exemplo do que é o Creedence Clearwater Revival. Uma canção apaixonante. Assim também o é a Bluesy "Penthouse Pauper", música dotada de uma malícia sonora contagiante.

Dispensável tecer mais elogios à sensacional "Proud Mary", uma das mais conhecidas e importantes faixas da história do Rock. Mas a preferida do Blog é mesmo a sombria "Graveyard Train", composição excepcional.

Enfim, o Creedence Clearwater Revival é uma das mais importantes instituições da história do Rock, sendo obrigatória a audição de sua discografia para qualquer fã de Rock que se preze. Bayou Country é uma amostra da genialidade da banda liderada por John Fogerty e da qualidade soberba de suas canções.