6 de junho de 2014

ZZ TOP - TRES HOMBRES (1973)


Tres Hombres é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana chamada ZZ Top. Seu lançamento oficial se deu no dia 26 de julho de 1973 através do selo London Records. As gravações aconteceram no Brian Studios & Ardent Studios, em Memphis, no Tennessee, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Bill Ham.

O ZZ Top é um dos principais expoentes do Rock norte-americano, especialmente na fusão de diferentes estilos, construindo uma identidade musical única. O Blog vai contar um pouquinho da história do grupo para depois se voltar ao álbum em questão.


O line-up original da banda foi formado, em Houston (Texas), por Billy Gibbons, pelo organista Lanier Greig e o baterista Dan Mitchell.

Em uma edição do programa de TV On The Tonight Show, ninguém menos que o lendário Jimi Hendrix afirmou que Billy Gibbons seria o próximo grande guitarrista do Rock.

Aliás, sempre existiram rumores que, ao final de uma turnê, Hendrix deu a Gibbons uma guitarra Stratocaster rosa, que ele tocava, como um símbolo de seu apreço pelo nível de talento de Gibbons.

O ZZ Top era gerenciado por Bill Ham, também texano, que tinha começado uma amizade com Gibbons na época do surgimento da banda.

Billy Gibbons
O primeiro single do grupo foi “Salt Lick”, lançado em 1969, que continha em seu lado B “Miller’s Farm”, sendo ambas creditadas a Billy Gibbons.

Imediatamente após a gravação de “Salt Lick”, Greig foi substituído pelo baixista Billy Ethridge, um companheiro de banda de Stevie Ray Vaughan; e o baterista Mitchell também foi substituído por Frank Beard do conjunto American Blues.

Mesmo com a falta de interesse das gravadoras, o ZZ Top acabou presenteado com o oferecimento de um contrato de gravação pela London Records.

Com a recusa da banda em assinar um contrato de gravação, Ethridge saiu do grupo e Dusty Hill foi selecionado como seu substituto.

Após Hill mudar-se de Dallas para Houston, o ZZ Top definitivamente assinou com a London Records em 1970.

Eles fizeram seu primeiro show juntos no Knights Of Columbus Hall, em Beaumont, Texas, em 10 de fevereiro de 1970.

Além de assumir o papel de líder da banda, Billy Gibbons se tornou o principal letrista e arranjador musical.

Com o auxílio de Ham e do engenheiro musical Robin Hood Brians, o primeiro álbum do ZZ Top, chamado ZZ Top’s First Album,  foi lançado em 16 de janeiro de 1971.

O álbum viu a inclusão do humor da banda, guitarras distorcidas, duplos sentidos e muita atitude. Embora tenha conseguido apenas a 201ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, possuía boas canções como “Brown Sugar”, “Old Man” e “Certified Blues”.

Em 4 de abril de 1972, a banda lançou Rio Grande Mud, seu segundo álbum de estúdio. Também não foi desta vez que o sucesso comercial bateu à porta do grupo, com o disco atingindo a modesta 104ª posição na Billboard.

Dusty Hill & Billy Gibbons
O single principal (e único) de Rio Grande Mud foi a excelente “Francine”, que acabou alcançando a 69ª posição da principal parada de singles dos Estados Unidos. Também merecem destaques “Chevrolet” e “Down Brownie”.

Mesmo assim, o álbum fracassou comercialmente e a turnê promocional consistiu em auditórios consideravelmente vazios.

Algumas pequenas mudanças foram feitas para a gravação do terceiro álbum de estúdio do grupo. A primeira, e talvez, mais importante, foi a inclusão do engenheiro de som Terry Manning. Foi a primeira (de muitas) vez que eles trabalharam juntos e esta foi certamente uma união de muito sucesso.

Outra mudança foi que o ZZ Top foi para os estúdios Brian Studios & Ardent Studios, no Tennessee, não gravando o álbum no Texas, como nos dois primeiros discos.

A capa é muito simples, sendo da cor verde e com as fotografias dos três membros da banda, de onde foi oriundo o nome do álbum.

WAITIN’ FOR THE BUS

A fusão do Rock com o Blues da maneira genial e única que o ZZ Top fazia já dá às caras na primeira canção do álbum. O riff, pesado e lento, assim como o solo inspirado, mostra a vitalidade da guitarra de Billy Gibbons. Excelente começo do disco.

A letra é simples e cheia de humor:

Have mercy, old bus be packed up tight
Have mercy, old bus be packed up tight
Well, I'm glad just to get on and home tonight
Right on, that bus done got me back
Right on, that bus done got me back
Well, I'll be ridin' on the bus till I Cadillac



JESUS JUST LEFT CHICAGO

O riff inspirador e sombrio de “Jesus Just Left Chicago” já valeria a canção, pois a enche de intensidade. Mas não é apenas isto: a interpretação de Billy Gibbons é magistral, dando à música um significado único. Ponto altíssimo do álbum!

A letra é repleta de humor e irreverência:

Took a jump through Mississippi, well, muddy water turned to wine
Took a jump through Mississippi, muddy water turned to wine
Yeah, yeah
Then out to California through the forests and the pines
Ah, take me with you, Jesus



BEER DRINKERS & HELL RAISERS

Na terceira faixa do álbum, o ritmo é acelerado, com um riff mais veloz e o andamento da seção rítmica é mais intenso. O solo de Gibbons é simplesmente hipnotizante. Mais uma composição de muita qualidade no álbum.

A letra é boa, mas traz a vida de uma banda e seus fãs:

The crowd gets loud when the band gets right,
Steel guitar cryin' through the night
Yeah, try'n to cover up the corner fight
But ev'rything's cool 'cause bass is tight

Nesta canção, o baixista Dusty Hill intercala os vocais principais com Billy Gibbons. Embora não tenha sido lançada como single, acabou tendo boa veiculação pelas rádios de Rock dos Estados Unidos.

O grupo a tocava bastante durante a turnê de Tres Hombres, mas depois sua presença foi rareando no set list do ZZ Top.

Bandas como Tesla, Van Halen e Motörhead já fizeram versões para a música.



MASTER OF SPARKS

Em “Master Of Sparks” o ZZ Top opta por um andamento mais cadenciado e lento da canção, com o riff seguindo a supracitada linha. O baixo de Dusty Hill está bastante presente durante toda a música, sendo o principal destaque da faixa.

Segundo uma entrevista de Gibbons à revista Sound, em 1976, a letra da canção se refere a fatos reais:

In the back of Jimmy's Mack
Stood around steel cage
Welded into shape by Slim,
Made out of sucker gauge
How fine, they cried, now with you inside,
Strapped in there safe and sound
I thought, my-o-my, how the sparks will fly
If that thing ever hit the ground



HOT, BLUE AND RIGHTEOUS

O ritmo da quinta faixa do álbum volta a ficar mais lento, embora desta vez a banda aposte mais na suavidade. Trata-se de uma balada, com o grupo mostrando uma interpretação mais intimista. A interpretação de Gibbons é ótima, transmitindo emoção, assim como no seu solo. Mais uma bela composição.

A letra é ótima, com evidente conotação sexual:

I heard the words as I closed my eyes
Down on my, down on my bended knees
It fit like a glove and I realized
Somethin' good's happenin' to me



MOVE ME ON DOWN THE LINE

O andamento da sexta música do trabalho aposta mais no Hard Rock setentista e possui menos influência do Blues. O riff é mais rápido e veloz, com os vocais de Gibbons mais “roqueiros”, assim como baixo e bateria. Mas uma coisa segue igual: o solo do guitarrista continua matador. Muito interessante!

A letra é simples e usa da paixão automobilística:

I tell you, boy, every time
The feelin' sure is fine
Just move me on down the line,
Just move me on down the line



PRECIOUS AND GRACE

“Precious and Gracious” possui uma pegada mais lenta que a faixa anterior, mas segue com a veia mais Hard aflorada. A cadência é dada tanto pela seção rítmica quanto pelo ótimo riff. O ritmo muda um pouco no meio da canção, acelerando, mas retomando ao embalo inicial. Interessante construção do grupo.

A letra tem conotação jovial:

So if you're out rollin' late some night,
Yeah, and you need that supernatural delight, I'm talkin' to you, brother,
I know somebody's, they're just out of sight
Get with Precious and Grace, they gonna treat you right



LA GRANGE

Um dos riffs mais geniais da história da música é a base para um dos maiores sucessos da carreira do ZZ Top: “La Grange”. Peso, ritmo, intensidade e velocidade são postos e misturados na quantidade exata para construírem a base desta magnífica canção. O solo de Gibbons transborda feeling e talento: não é preciso dizer muita coisa sobre esta música espetacular.

A letra tem temática sexual:

Rumour spreadin' around in that Texas town
'Bout that shack outside La Grange
And you know what I'm talkin' about
Just let me know if you wanna go
To that home out on the range
They gotta lotta nice girls, ah

A canção refere-se a um bordel, nos arredores de La Grange, Texas (mais tarde chamado de "Chicken Ranch"). O bordel é também o tema da peça da Broadway e do filme chamados, The Best Little Whorehouse in Texas, este último estrelado por Dolly Parton e Burt Reynolds.

Lançada como single, “La Grange” atingiu a 41ª posição da principal parada de singles norte-americana.


A música é um dos maiores sucessos do ZZ Top, sendo presença obrigatória nos shows do grupo. Teve intensa veiculação nas rádios dos Estados Unidos, sendo responsável direta pelo sucesso comercial do álbum.

Suas aparições em outras mídias são intermináveis. Em filmes podem ser citados Armageddon, Striptease e Shangai Noon. Também é bastante comum em comerciais da Samsung, Can-Am Motorcycles e Wrangler Jeans (nos Estados Unidos). Também está em Games e seriados de TV.

Versões cover também são incontáveis. Apenas como exemplos citam-se as feitas por Black Oak Arkansas, Molotov e G3.

Em termos de premiações, “La Grange” foi eleita a 92ª colocada na lista de 100 Melhores Músicas de Guitarra, da Q Magazine, em 2005. Também a revista Rolling Stone a colocou na 74ª posição de sua lista 100 Canções de Guitarra de Todos os Tempos, sendo descrita como um padrão para os guitarristas.



SHEIK

Um riff bem interessante é apresentado nesta faixa, contando com vocais bem legais por parte de Billy Gibbons. O baixo de Dusty Hill também está muito presente na canção, deixando-a ainda mais envolvente.

A letra é simples, mas divertida:

I took a boat that couldn't float
To Rio de Janeiro
So with my scuba I swam to Cuba
But I'll be gone tomorrow



HAVE YOU HEARD?

A décima – e última – faixa de Tres Hombres é “Have You Heard?”. Trata-se de um Blues típico, com a guitarra distorcida clássica de Blilly Gibbons brilhando de forma intensa e a seção rítmica acompanhando de maneira precisa e eficiente. Fecha o trabalho com chave de ouro.

A letra é legal:

Have you heard, dear brother,
Yeah yeah yeah?
Well, let's help one another,
Yeah yeah yeah



Considerações Finais

Ao contrário dos dois primeiros discos, Tres Hombres foi um grande sucesso de crítica e comercial. Catapultado pela grande veiculação de “La Grange”, o ZZ Top começou a fazer o seu nome. Mas, nas rádios, também “Waitin' for the Bus” e “Jesus Just Left Chicago” tiveram intensa veiculação.

Tres Hombres alcançou a excelente 8ª posição na principal parada de sucessos norte-americana, a Billboard. Em 2003, a tradicional revista Rolling Stone o colocou na 498ª posição de sua lista de 500 melhores álbuns de todos os tempos.

O sucesso era tanto que a turnê que seguiu o lançamento do álbum sempre contava com shows com ingressos esgotados.

No auge do sucesso do ZZ Top, em meados da década de 1980, uma versão digital remixada da gravação foi lançada em CD e a versão original de 1973 foi, por muito tempo, “perdida”.

A versão remix criou polêmica entre os fãs, pois alterou significativamente o som dos instrumentos, especialmente da bateria de Frank Beard. E esta versão remix foi usada em todas as cópias de CD, sendo a única disponível por mais de 20 anos.

Uma edição remasterizada e expandida do álbum foi lançada em 28 de fevereiro de 2006, que contém três faixas bônus ao vivo. A edição de 2006 é a primeira versão em CD a usar a mixagem original de Manning de 1973, finalmente recuperada.

Tres Hombres, apenas na época de seu lançamento, superava a casa de 500 mil cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Billy Gibbons - Guitarra, Vocal
Dusty Hill - Baixo, Teclados
Frank Beard - Bateria, Percussão

Faixas:
01. Waitin' for the Bus (Gibbons/Hill) - 2:59
02. Jesus Just Left Chicago (Gibbons/Hill/Beard) - 3:30
03. Beer Drinkers & Hell Raisers (Gibbons/Hill/Beard) - 3:23
04. Master of Sparks (Gibbons) - 3:33
05. Hot, Blue and Righteous (Gibbons) - 3:14
06. Move Me on Down the Line (Gibbons/Hill) - 2:32
07. Precious and Grace (Gibbons/Hill/Beard) - 3:09
08. La Grange (Gibbons/Hill/Beard) - 3:52
09. Sheik (Gibbons/Hill) - 4:05
10. Have You Heard? (Gibbons/Hill) - 3:15

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/zz-top/

Opinião do Blog:
O ZZ Top é uma das bandas mais tradicionais da história do Rock. O som único e original do grupo, fundindo o Blues e o Rock de maneira especial, baseados na distorcida e talentosa guitarra de Billy Gibbons, é uma marca do Hard norte-americano.

O clássico Tres Hombres é o primeiro álbum em que o estilo único do grupo é apresentado de maneira mais enfática e categórica. Faixa à faixa, do início ao fim, o ouvinte é presenteado com música de primeira linha.

Se Frank Beard e Dusty Hill formam uma seção rítmica extremamente presente e marcante, é a guitarra de Billy Gibbons quem dá o show. Riffs magistrais e solos hipnotizantes fazem o álbum transbordar o melhor do Blues Rock.

As letras são sempre apresentadas com muito bom humor, mostrando as influências que a banda texana carregava consigo. Vale à pena uma olhadela.

Somente o clássico imortal “La Grange” já valeria a audição de Tres Hombres. Mas há muito mais: “Waitin' for the Bus”, “Jesus Just Left Chicago”, a ‘hardeira’ “Move Me on Down The Line” e a balada “Hot, Blue and Righteous”, todas muito acima da média. Não há música de enchimento neste álbum.

Enfim, mesmo quando o ZZ Top usou e abusou de sintetizadores na década de 80, mostrando uma certa veia Pop, ainda assim a banda foi relevante e continuava com seu som único e marcante.


Tres Hombres é um dos melhores álbuns de todos os tempos e sua audição é obrigatória para todo roqueiro, especialmente aqueles que gostam de uma pegada Blues.

3 comentários:

  1. O único disco do ZZ Top do qual conheço alguma coisa é o Eliminator (1982), que é o mais conhecido deles, mas prometo dar uma conferida nos discos anteriores.

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    1. Eu gosto muito do Eliminator, o qual possui uma pegada consideravelmente diferente desta do Tres Hombres. Também indico álbuns como Fandango, Tejas e Degüello que são muito interessantes.

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