22 de setembro de 2018

FOREIGNER - DOUBLE VISION (1978)



Double Vision é o segundo álbum de estúdio da banda britânica/norte-americana Foreigner. Seu lançamento oficial aconteceu em 20 de junho de 1978, através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram entre dezembro de 1977 e março de 1978, no estúdio Sound City, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Keith Olsen e dos guitarristas Mick Jones e Ian McDonald.

Após 5 anos, o RAC finalmente traz a banda Foreigner novamente às suas páginas. O Blog, muito brevemente, vai abordar os fatos que se antecederam ao lançamento de Double Vision, antes do nosso tradicional faixa a faixa.



Foreigner, álbum de estreia

Em 8 de março de 1977, foi lançado Foreigner, o álbum de estreia do conjunto de mesmo nome.

O RAC já abordou este disco detalhadamente, e o leitor que desejar pode encontrar o texto aqui.

Como foi dito, Foreigner foi lançado em março de 1977 e vendeu mais de quatro milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, permanecendo no Top 20 da Billboard por um ano, com hits como “Feels Like the First Time”, “Cold as Ice” e “Long, Long Way from Home”.

Em maio de 1977, o Foreigner já estava como banda principal em anfiteatros e havia conseguido um disco de ouro para sua estreia. Não muito tempo depois, eles estavam se apresentando arenas de basquete e hóquei nos EUA.

Depois de um show no Memorial Hall, em Kansas City, nos Estados Unidos, em 6 de maio de 1977, o baterista Dennis Elliot feriu sua mão, levando a banda a chamar Ian Wallace (ex-King Crimson) para tocar ao lado de Elliott em algumas das datas até que sua mão fosse curada.

Após quase um ano na estrada, a banda se apresentou para mais de duzentas mil pessoas no California Jam II, em 18 de março de 1978, e, durante o mês seguinte, o grupo fez turnê na Europa, no Japão e na Austrália pela primeira vez.

Lou Gramm

Segundo disco

Em dezembro de 1977, o Foreigner já trabalhava no sucessor de seu álbum de estreia e que se chamaria Double Vision.

O conjunto mantinha sua formação: Lou Gramm nos vocais, Mick Jones na guitarra, Ian McDonald também nas guitarras, Al Greenwood nos teclados, Ed Gagliardi no baixo e Dennis Elliott na bateria.

Double Vision foi o primeiro de muitas outras gravações da banda em que John Kalodner, executivo de A&R, simplesmente teria seu nome listado duas vezes no encarte, como uma brincadeira com o título do álbum. (Nota do Blog: Artists and repertoire (A&R) é a divisão de uma gravadora ou editora de música que é responsável pelo reconhecimento de talentos e pela supervisão do desenvolvimento artístico de artistas e de compositores. Ele também atua como uma ligação entre artistas e a gravadora ou editora; todas as atividades envolvendo artistas até o lançamento de álbuns são geralmente consideradas sob supervisão e responsabilidade do A&R).

A frase ‘John Kalodner: John Kalodner’ surgiu quando o produtor Keith Olsen estava imaginando como creditar o envolvimento de Kalodner com a banda e o disco. De acordo com a temática de ‘visão dupla’, o guitarrista Mick Jones teve a ideia de dobrar o nome do executivo.

Entre dezembro de 1977 e março de 1978, o grupo se reuniu em Los Angeles, nos Estados Unidos, no estúdio Sound City, para a gravação de Double Vision.

“Tramontane” foi a primeira faixa instrumental gravada pelo grupo, presente no disco.

A capa foi um trabalho do fotógrafo sul-africano Norman Seeff.

Vamos às faixas:

HOT BLOODED

As guitarras de Mick Jones e Ian McDonald fornecem um peso extra à melodia envolvente da clássica "Hot Blooded". Lou Gramm, como de costume, providencia excelentes vocais, em especial no refrão. Aliando agressividade e acessibilidade, a canção consegue alcançar um ponto bem alto.

A letra possui conotação sexual:

That's why, I'm hot blooded, check it and see
I feel a fever burning inside me
Come on baby, do you do more than dance?
I'm hot blooded, hot blooded (I'm hot!)


“Hot Blooded” foi lançada como single, atingindo a excepcional 3ª posição na principal parada norte-americana desta natureza, conquistando a 42ª colocação de sua correspondente britânica. Ainda ficou com o 3º e o 24º lugares nas paradas de Canadá e Austrália, respectivamente.

O single, também lançado em junho de 1978, superou a casa de 1 milhão de cópias vendidas!



BLUE MORNING, BLUE DAY

O baixo de Ed Gagliardi está ainda mais evidente nesta música, permitindo que os teclados de Al Greenwood dominem perfeitamente a situação. O peso anterior abre espaço para uma melodia mais contida e, em certo ponto, soturna. Uma bela faixa.

A letra é sobre um rompimento amoroso:

I've always listened to your point of view, my ways are cutthrough men
And I've always been a patient man, but my patience has reachedits end
You tell me you're leaving, you tell me goodbye
You say you might send a letter
Well honey don't telephone, cause I won't be alone
I need someone to make me feel better

Segundo Lou Gramm, a letra da música fala: “Ela fala sobre um jovem músico que está queimando a vela em ambas as extremidades. Ela tem muito em mente, e anda pela rua à noite”. A cor azul é usada como uma metáfora para a miséria.

A canção foi lançada como single, atingindo a 15ª posição da principal parada norte-americana desta natureza, conquistando a 45ª colocação de sua correspondente britânica. Também ficou com o 21º lugar na parada canadense de singles.

A faixa também está disponível no game Rock Band.



YOU’RE ALL I AM

"You're All I Am" é uma típica balada, de andamento arrastado e melodia muito acessível. Greenwood faz o teclado dominar o ambiente. Bons vocais de Gramm.

A letra é romântica:

You never give me enough of your love
I need more and more each day
Honey, can't you see the only thing I can be sure of
Is that something real has come my way



BACK WHERE YOU BELONG

Em "Back Where You Belong", Mick Jones assume os vocais e, embora não faça feio, não atinge o nível de Gramm. Trata-se de um Rock simples, com uma certa influência sessentista, mas muito eficiente e agradável.

A letra possui um certo sentido de vingança:

You treat me like a fool, but you're so wrong
I'm gonna send you back where you belong
I put my trust in you, but I was wrong
I'm gonna send you back where you belong



LOVE HAS TAKEN ITS TOLL

"Love Has Taken Its Toll" possui mais peso e influência Hard Rock, com um inegável viés Bluesy, trazendo à lembrança bandas como o Whitesnake. Guitarras protagonistas, com ótima atuação de Jones, perfazendo uma das melhores faixas do álbum. 

A letra possui sentido sexual:

To make a long story short, she finally got caught
I had to tell her enough is enough
She said, "You're just what I needed", and boy
She nearly pleaded with me not to be too rough



DOUBLE VISION

As guitarras continuam protagonizando em "Double Vision", com um riff bem pesado, especialmente quando se leva em conta o estilo do Foreigner. O refrão é dominado por Greewood, embora o diferencial da canção se encontra no ótimo trabalho da seção rítmica. Clássico!

A letra fala sobre limites:

Never do more than I, I really need
My mind is racing, but my body's in the lead
Tonight's the night, I'm gonna push it to the limit
I live all of my years in a single minute



“Double Vision” foi lançada como single, alcançando a extraordinária 2ª posição da principal parada norte-americana desta natureza, atingindo o 7º e o 97º lugares em suas correspondentes de Canadá e Austrália; respectivamente.

Em uma entrevista, o vocalista Lou Gramm explicou a origem por trás da música:

““Double Vision” foi uma música composta ao final de 1977, pouco antes do lançamento do álbum Double Vision... Muitas pessoas pensam que é (sobre) ficar intoxicado, mas quando estávamos gravando essa música, antes de termos seu título, o time de hóquei do New York Rangers estava jogando com o Philadelphia Flyers e um dos grandes caras do Flyers tropeçou no goleiro do dos Rangers e o derrubou, e eles tiveram que tirá-lo do jogo, porque ele estava passando por visão dupla (em inglês double vision)”.

De acordo com o site do New York Rangers, o incidente ocorreu em abril de 1978, durante um jogo de hóquei entre o Rangers e o Buffalo Sabres. Os apresentadores do jogo usaram repetidamente a frase “visão dupla”, que inspirou o Foreigner a usá-la como título da canção.

A música tem sido um marco no setlist da banda desde o seu lançamento. Nos últimos anos, Lou Gramm e o Foreigner (agora liderados por Kelly Hansen) usaram a música como abertura de show.

Esta música é destaque no gama Guitar Hero: Van Halen. Também foi usada em um anúncio do Burger King, na década de 1990.

O single “Double Vision” supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas.



TRAMONTANE

"Tramontane" é um interessante esforço apenas instrumental do Foreigner. Os teclados dominam completamente boa parte da faixa, suportados por uma atuação impressiva do baixista Ed Gagliardi.



I HAVE WAITED SO LONG

Mick Jones volta aos vocais principais em mais uma balada, "I Have Waited So Long". É perceptível um toque Country em sua musicalidade, a qual se apresenta suave e intimista. Embora simples, trata-se de uma canção tocante.

A letra possui sentido romântico:

I've counted the days, day after day
Since we've been apart
Now I've found my way, I've found my way
Right back to your heart



LONELY CHILDREN

"Lonely Children" traz uma pegada mais Hard novamente à tona, com as guitarras e um riff pesado predominando. Os vocais de Gramm fazem a diferença enquanto a guitarra de Jones se torna a protagonista. Ótima música.

A letra é sobre solidão:

They may detest you, someday they may arrest you
They stop at nothing to hold you down
You need to be free, but will they ever let you?
They won't be happy till you leave town



SPELLBINDER

A décima - e última - faixa de Double Vision é "Spellbinder". A derradeira canção do álbum traz uma proposta mais intimista, com uma sonoridade com um pé fincado no Blues Rock. Gramm e Jones dominam e o resultado final é muito atraente.

A letra fala sobre uma mulher sedutora:

I've never been a easy man, so hard to please
But she made me feel life was unreal, oh, Lord, how she satisfiedme
I tried to break away, but I didn't stand a chance
She planned it so well, I was under her spell, I was in atrance



Considerações Finais

Incensado por singles muito poderosos, Double Vision foi um tremendo sucesso comercial.

O álbum atingiu a sensacional 3ª colocação da principal parada norte-americana desta natureza, a Billboard. Também ficou com a 32ª posição na correspondente britânica, além do ótimo 3º lugar na parada canadense.

Andy Hinds, do site AllMusic, em uma análise retrospectiva, dá ao disco uma nota 4 (de 5), afirmando: “Optando por não mexer com uma boa fórmula, a banda sabiamente adere ao polido hard rock que fez do seu primeiro álbum um sucesso tão grande. Além dos grandes singles, outros destaques incluem a arrogante “Love Has Taken Toll” e a mais contida “Blue Morning, Blue Day””.

Aproveitando a fase sensacional, o conjunto lançaria seu terceiro álbum de estúdio já em 1979, Head Games.

Double Vision supera a casa de 7 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Lou Gramm - Vocal
Mick Jones - Guitarra, Piano, Vocal em 04 e 08
Ian McDonald - Guitarras, Teclados, Flautas, Backing Vocal
Al Greenwood - Teclados, Sintetizador
Ed Gagliardi - Baixo, Backing Vocal
Dennis Elliott - Bateria
Músicos adicionais:
Ian Lloyd - Backing Vocal

Faixas:
01. Hot Blooded (Gramm/Jones) - 4:26
02. Blue Morning, Blue Day (Gramm/Jones) - 3:12
03. You're All I Am (Jones) - 3:24
04. Back Where You Belong (Jones) - 3:14
05. Love Has Taken Its Toll (Gramm/McDonald) - 3:29
06. Double Vision (Gramm/Jones) - 3:44
07. Tramontane (Greenwood/McDonald/Jones) - 3:56
08. I Have Waited So Long (Jones) - 4:07
09. Lonely Children (Jones) - 3:37
10. Spellbinder (Gramm/Jones) - 4:45

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/foreigner/

Opinião do Blog:
Embora tenha demorado um tempo muito grande, o RAC finalmente atende aos muitos pedidos dos leitores para que o Foreigner voltasse às nossas páginas.

O Blog escolheu o clássico Double Vision para seu retorno.

Dispensável que se fale novamente da qualidade incontestável dos membros do conjunto, uma vez que sua formação permanecia a mesma e já fizemos isto no post anterior sobre o Foreigner.

Fabricar um sucessor após um álbum de estreia tão marcante quanto Foreigner não seria uma tarefa muito simples, mas o grupo pode considerar que executou a tarefa com extraordinário êxito.

O conjunto continuou desenvolvendo seu estilo AOR, iniciado em sua estreia, e, desta forma, Double Vision é uma continuação perfeitamente natural do disco que o antecedeu. Rock, Hard e pequenos toques progressivos, com uma produção excelente, tudo está novamente presente.

As guitarras de Mick Jones e Ian McDonald continuam firmes, trazendo peso e bons riffs em muitas das canções. A seção rítmica fornece uma base competente e os teclados de Greenwood são parte importante da musicalidade. Lou Gramm é um ótimo vocalista, especialmente quando se leva em conta a proposta da banda.

Embora, para o RAC, sua estreia ainda esteja em um pequeno degrau superior, Double Vision apresenta canções marcantes para o Foreigner e seus fãs.

Duas verdadeiras pancadas abrem o disco "Hot Blooded" e "Blue Morning, Blue Day". "Double Vision" é um clássico enquanto a interessante "Tramontane" traz um viés elegante ao disco.

Mas as preferidas do Blog são o petardo "Lonely Children" e a bluesy "Love Has Taken Its Toll".

Concluindo, Double Vision cumpriu com excelência a complicada missão de suceder Foreigner sem permitir que o sucesso e a qualidade do Foreigner diminuíssem, mesmo que, para o Blog, seja ligeiramente inferior. O AOR continuava tomando forma e o grupo se mantinha em ascensão. Álbum muito bem recomendado pelo RAC

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