11 de agosto de 2018

MC5 - BACK IN THE USA (1970)



Back in the USA é o primeiro álbum de estúdio da banda norte-americana MC5. Seu lançamento oficial aconteceu em 15 de janeiro de 1970 através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram no GM Studios, em Detroit, nos Estados Unidos, durante o ano de 1969. A produção ficou por conta do famoso produtor Jon Landau.

O MC5 finalmente fará sua estreia nas páginas do RAC com seu primeiro álbum de estúdio, Back in the USA. Como manda a tradição, vai-se abordar a formação do grupo até se chegar no disco e em suas canções.


Origens

As origens do MC5 podem ser encontradas na amizade entre os guitarristas Wayne Kramer e Fred Smith. Amigos desde a adolescência, ambos eram fãs de música R&B, Blues, Chuck Berry, Dick Dale, The Ventures e o que mais tarde seria chamado garage rock: eles adoravam qualquer música com velocidade, energia e uma atitude rebelde.

Cada um dos amigos (guitarrista/vocalista) formou e liderou seu próprio grupo de rock (Vibratones, de Smith; e Bounty Hunters, de Kramer).

Enquanto alguns dos membros de ambos os grupos partiam para a faculdade ou trabalho, os membros mais comprometidos acabaram se unindo (sob a liderança de Kramer e do nome Bounty Hunters) com Billy Vargo na guitarra e Leo LeDuc na bateria (nesse ponto Smith tocava baixo).

O conjunto se tornou popular e bem-sucedido o suficiente, em Detroit e arredores, que os músicos puderam deixar seus empregos comuns e ganharam a vida com o grupo.

Kramer sentiu que o conjunto precisava de um gerente, o que o levou a Rob Derminer, alguns anos mais velho que os demais membros e profundamente envolvido nas cenas políticas de Detroit.

Derminer originalmente fez um teste para baixista (um papel que ele manteve brevemente em 1964, quando Smith mudou para a guitarra, para substituir Vargo e com Bob Gaspar substituindo LeDuc na bateria), embora rapidamente os membros percebessem que seus talentos poderiam ser melhores usados como vocalista.

Rob Derminer não era, convencionalmente, atraente e até um pouco barrigudo para os padrões tradicionais de vocalista, mas, ainda assim, tinha uma presença de palco dominante e uma voz de barítono em expansão a qual evidenciava seu amor permanente pelas músicas gospel e soul.

Rob Tyner

Derminer se renomeou Rob Tyner (por causa do pianista McCoy Tyner). Tyner também inventou um novo nome para o grupo, MC5: refletindo suas raízes em Detroit (era a abreviação de ‘Motor City Five’). (Nota do Blog: Alfred McCoy Tyner é um pianista de jazz da Filadélfia, Pensilvânia, conhecido por seu trabalho com o John Coltrane Quartet e uma longa carreira solo).

De certa forma, o grupo era semelhante a outras bandas de garagem daquele período, compondo futuros exercícios históricos como “Black to Comm” durante a adolescência no porão da casa da mãe de Kramer.

Depois de Tyner mudar de baixista para vocalista, ele foi inicialmente substituído por Patrick Burrows, no entanto, a formação foi estabilizada, em 1965, pela chegada de Michael Davis e Dennis Thompson para substituírem Burrows e Gaspar, respectivamente.

Rob Tyner

Musicalidade e influências

A música também refletia o crescente interesse de Smith e Kramer pelo free jazz - os guitarristas foram inspirados por artistas como Albert Ayler, Archie Shepp, Sun Ra e John Coltrane, e tentaram imitar os sons extáticos dos saxofonistas estridentes, que eles adoravam. O MC5 chegou a abrir, posteriormente, alguns shows para o Sun Ra, cuja influência é óbvia em “Starship”.

Kramer e Smith também foram profundamente inspirados por Sonny Sharrock, um dos poucos guitarristas que trabalhavam no free jazz, e acabaram desenvolvendo um estilo único de intertravamento que antes era pouco ouvido: os solos de Kramer usavam frequentemente um vibrato pesado e irregular, enquanto os ritmos de Smith continham uma energia explosiva incomum, incluindo padrões que transmitiam grande excitação, como evidenciado em “Black to Comm”. (Nota do Blog: Free Jazz ou "New Thing", como foi chamado mais tarde, é um estilo de jazz criado nos Estados Unidos da América por músicos afro-americanos como John Coltrane e Rashied Ali, originário do Bebop e que propunha uma liberdade de improvisação musical total do músico e de uma diferenciação de atitude musical da música produzida pelos anglo-americanos).

De acordo com Kramer, o MC5 deste período foi politicamente influenciado pelo marxismo do Partido dos Panteras Negras e Fred Hampton, e poetas da Geração Beat como Allen Ginsberg e Ed Sanders, ou poetas modernistas como Charles Olson. O fundador do Partido dos Panteras Negras, Huey P. Newton, levou John Sinclair a fundar os White Panthers, uma organização militante de brancos que trabalhava para ajudar os Panteras Negras.

Em seu início de carreira, o MC5 fazia um espetáculo politicamente provocativo: eles apareciam no palco carregando fuzis descarregados e, no clímax da performance, um atirador invisível derrubava Tyner.

A banda se apresentou como parte dos protestos contra a Guerra do Vietnã, na Convenção Nacional Democrata de 1968, em Chicago, que foi interrompida por um motim policial. A aparição do grupo na convenção também é notável por seu longo desempenho. O MC5 tocou por mais de oito horas seguidas.

Wayne Kramer

Ganhando reputação

Tocando quase todas as noites e em qualquer lugar que pudessem, em torno de Detroit, o MC5 rapidamente ganhou uma reputação por suas performances ao vivo, de alta energia, e tinha um público local considerável, atraindo regularmente plateias esgotadas de mil pessoas ou mais.

O grupo lançou um cover de “I Can Only Give You Everything” em conjunto com a composição original “One of the Guys” através da pequena gravadora AMG.

No início de 1968, o MC5 apresenta seu segundo single, pela Trans-Love Energies e A-Square Records (embora sem o conhecimento do proprietário do selo, Jeep Holland). Embalado em uma impressionante capa, ele continha duas músicas originais: “Borderline” e “Looking at You”. A primeira prensagem esgotou em poucas semanas e, no final do ano, passou por mais prensagens, totalizando vários milhares de exemplares.

Um terceiro single que combinou “I Can Only You To Everything” com a original “I Just Don't Know” apareceu, mais ou menos na mesma época, pelo selo da AMG.

Em meados de 1968, o MC5 percorreu a costa leste dos EUA, o que gerou uma enorme resposta, com o grupo frequentemente ofuscando os conjuntos mais famosos para os quais foram abertura, como, por exemplo, o Big Brother e mesmo o antológico Cream.

Esta mesma turnê na costa leste levou à arrebatadora história de capa da revista Rolling Stone, que elogiou o MC5 com um zelo quase evangelístico, e também a uma associação com o grupo radical Up Against the Wall Motherfuckers. (Nota do Blog: Up Against the Wall O Motherfucker, muitas vezes abreviado como The Motherfuckers ou UAW/MF, era um grupo de afinidade anarquista baseado em Nova York. Esta ‘gangue de rua com análise’ era famosa por sua ação direta no Lower East Side e diz-se que inspirou membros do Weather Underground e dos Yippies).

O MC5 tornou-se a banda líder de uma cena Hard Rock em expansão, servindo como mentores de outras bandas do Michigan, como The Stooges e The Up, e grandes gravadoras expressaram interesse no grupo.

Conforme relatado nas notas para edições reeditadas do álbum de estreia dos Stooges, Danny Fields, da Elektra Records, veio a Detroit para ver o MC5. Por recomendação de Kramer, ele foi ver o The Stooges. Fields ficou tão impressionado que acabou oferecendo contratos para ambas as bandas, em setembro de 1968. Eles foram os primeiros grupos de Hard Rock contratados pela recém-criada Elektra Records.

Kick Out the Jams

O MC5 ganhou a atenção dos Estados Unidos com seu primeiro álbum, Kick Out the Jams, gravado ao vivo nos dias 30 e 31 de outubro de 1968, no Grande Ballroom de Detroit e lançado em fevereiro de 1969.

O executivo da Elektra Records, Jac Holzman, e o produtor Bruce Botnick reconheceram que o MC5 dava seu melhor quando tocava para um público receptivo, explicando a opção para lançar um primeiro trabalho já ao vivo.

O álbum apresentava canções como os clássicos proto-punk “Kick Out the Jams” e “Rama Lama Fa Fa Fa”, a viajante “Starship” e um cover estendido de “Motor City is Burning”, de John Lee Hooker, em que o vocalista Tyner elogia o papel dos atiradores dos Panteras Negras durante a Insurreição de Detroit de 1967.

O crítico Mark Deming aponta que Kick out the Jams “é um dos álbuns ao vivo mais poderosos já feitos... este é um álbum que se recusa a ser tocado em silêncio”.

O álbum causou alguma controvérsia devido ao discurso inflamatório de Sinclair e ao grito de guerra da faixa-título: “Kick out the jams, motherfucker!”.

De acordo com Kramer, a banda registrou isso como ‘Kick out the jams, brothers and sisters!’ no single lançado para divulgação no rádio; mas Tyner alegou que isso foi feito sem consenso do grupo. A versão editada apareceu em algumas cópias do LP, o qual também retirou os discursos de Sinclair.

As críticas foram variadas, mas o disco foi relativamente bem-sucedido, vendendo rapidamente mais de 100 mil cópias e alcançando o 30º lugar na parada de álbuns da Billboard, em maio de 1969, e nela permanecendo por 23 semanas.

Quando a Hudson's, uma cadeia de lojas de departamentos, com sede em Detroit, recusou-se a estocar Kick Out the Jams devido à obscenidade, o MC5 respondeu com uma página inteira na revista underground Fifth Estate dizendo ‘Stick Alive with the MC5 e Fuck Hudson's!’ , com destaque para o logotipo da gravadora do conjunto, a Elektra Records, no anúncio.

A Hudson's retirou todos os discos da Elektra de suas lojas, e, na controvérsia que se seguiu, Jac Holzman, o chefe da Elektra, demitiu a banda de seu contrato. O MC5, então, assinou com outra gravadora, a Atlantic Records.

Fred 'Sonic' Smith

Back in the USA

Já na Atlantic Records, o MC5 resolveu lançar seu primeiro álbum de estúdio e segundo da carreira, o qual se tornaria Back in the USA.

O foco central do álbum é o movimento da banda para longe do som cru, violento, pioneiro e que foi capturado em seu primeiro lançamento, o álbum ao vivo Kick Out the Jams.

Isso se deveu, em parte, à aversão do produtor Jon Landau pelo áspero movimento do rock psicodélico, e sua adoração pelo rock and roll simples dos anos 1950.

Landau, que originalmente escrevia para a revista Rolling Stone, estava procurando se envolver mais na produção musical naquele momento. Então, tornar-se próximo do executivo da Atlantic Records, Jerry Wexler, foi sua chance e levou Landau ao politicamente radical MC5, o qual acabara de ser contratado pela Atlantic após ser demetido da Elektra Records em 1969.

Ironicamente, a Kinney National Company (mais tarde conhecida como Time Warner), ‘pai’ da Atlantic, adquiriria a Elektra no mesmo ano do lançamento deste álbum; ambas as gravadoras agora faziam parte do Warner Music Group (agora uma empresa separada da TW), através do Atlantic Records Group.

Ainda em 1969, o grupo se reuniria no GM Studios, em Detroit, com Jon Landau para a gravação do disco.

Vamos às faixas:

TUTTI FRUTTI

A versão do MC5 para "Tutti Frutti" consegue repetir o clima de urgência da original, soando tão divertida quanto a mesma, sobretudo o solo de guitarra de Wayne Kramer, bem legal. Tem-se, assim, um bom começo para o disco.

A letra fala sobre uma garota:

I got a girl named daisy she almost drives me crazy
Got a girl named daisy she almost drives me crazy
She knows how to love me, yes indeed
Boy, you don't know what she's doin' to me

Trata-se, obviamente, de uma versão para o clássico antológico “Tutti Frutti”, composto por Dorothy LaBostrie e Little Richard, sendo lançado originalmente pelo segundo, como single, em 1955.



TONIGHT

"Tonight" traz uma boa dose de peso, com a marcante presença do baixo de Michael Davis. As guitarras soam bem pesadas e a intensidade é bem sentida. Os ótimos vocais de Rob Tyner são um fator ainda mais decisivo para a qualidade da canção.

A letra é sobre a juventude:

Sun starts goin' down
I call my girl up on the phone
I said i'll pick you up at eight
At last we'll be alone
I hop in my machine
You know i gotta make the scene
Dancin' through the crowd
Say the people goin' wild
When the bands really rockin'
Theres just no stoppin'
My girl begins to twirl
The room begins to whirl
It's outta this world
It's outta this world



“Tonight” foi lançada como single, mas não repercutiu em termos das principais paradas desta natureza.



TEENAGE LUST

"Teenage Lust" não se demonstra tão pesada quanto sua predecessora, apostando mais em um ritmo cativante, flertando com o pop rock sessentista. O resultado é uma canção interessante, especialmente no que tange ao solo de guitarra de Kramer.

A letra fala sobre luxúria:

Yes I do now baby, my teenage won't make
Away much longer
I really need release
It means so much to me
How can a young Midwestern boy
Live in such misery?



LET ME TRY

Já em "Let Me Try", o grupo se decide por apresentar uma sonoridade muito mais contida. A música é lenta, arrastada mesmo, com a leveza realçando uma melodia que soa bastante triste e melancólica. O grande destaque é a atuação impressionante do vocalista Rob Tyner. Mais uma inegável tocante canção.

A letra trabalha com temática sensual:

I'll play you like music
I'll sing you like a song
I'll lay you down gentle
I'll love you strong
I'll dry your teardrops
Each time you cry
Wrap you in my arms
Set you on fire



LOOKING AT YOU

"Looking at You" volta a flertar com a sonoridade sessentista, embora as guitarras se apresentem fortes e imponentes, com solos bem interessantes. Há um swing cativante, intensificado pelo trabalho do baterista Dennis Thompson.

A letra é simples e com temática romântica:

Looked hard into the dancing crowd
Felt like screaming out loud
I saw you standing in there
I saw your long
Saw your long hair
Opened up my eyes, baby
You made me
Realize all i want to do
All i want to do now, girl
Is look at you looking at you baby,
Look at you, looking at you baby
Yeah, yeah, hey



HIGH SCHOOL

"High School" mantém a pegada divertida e malemolente do álbum, com o contraste entre as guitarras pesadas e a sonoridade mais voltada ao pop/rock sessentista. Mas trata-se de uma canção bem interessante.

Novamente, a letra é sobre a vida jovem:

They only wanna shake it up, baby
Dance to the rockin' bands
They only want a little excitement
They like to get a little outta hand



CALL ME ANIMAL

O trabalho intenso do baterista Dennis Thompson realça o peso extra de "Call Me Animal". Uma faixa curta, pesada e que vai direto ao ponto, tendendo muito mais ao Hard Rock setentista. As guitarras e o baixo estão ótimos!

A letra é em tom de rebeldia:

Call me animal, that's my name
Call me animal, i'm not ashamed
Call me animal, this is your hour
Call me animal, you've got the power



THE AMERICAN RUSE

"The American Ruse" mantém o peso e o clima de urgência, devido ao andamento bem veloz que é potencializado pela seção rítmica. O solo de guitarra de Fred 'Sonic' Smith é especialmente saboroso.

A letra possui críticas ao Estado Americano:

Rock'em back, Sonic !
The way they pull you over it's suspicious
Yeah, for something that just ain't your fault
If you complain they're gonna get vicious
Kick in the teeth and charge you with assault
Yeah, but i can see the chickens coming home to roost
Young people everywhere are gonna cook their goose
Lots of kids are working to get rid of these blues
Cause everybody's sick of the American ruse



SHAKIN’ STREET

Fred 'Sonic' Smith assume os vocais na boa "Shakin' Street", cuja sonoridade é bem divertida, contando com um balanço envolvente, flertando até mesmo com o Country. Outra faixa relevante do trabalho.

A letra é sobre as ruas de Detroit:

Shakin' street it's got that beat
shakin' street where all the kids meet
Shakin' street it's got that sound
Shakin' street say you gotta get down
Streetlight Sammy decided to make...


A faixa foi lançada como single, mas não repercutiu em termos das principais paradas de sucesso.



THE HUMAN BEING LAWNMOWER

Nesta canção, o MC5 aposta em um clima mais tenso e mais carregado, com as guitarras bem pesadas e uma atuação intensa do baterista Thompson. Novamente, a sonoridade aponta para o Hard Rock que começara a surgir.

A letra é metafórica, sobre evolução:

Can you hear me?
Hope you can
Listen here closely you'll understand
There's an ancient race of killer apes
They used a thigh bone



BACK IN THE USA

A décima primeira - e última - faixa de Back in the USA é sua canção-título, ou seja, "Back in the USA". Trata-se de outra versão para um clássico atemporal do Rock, desta feita, de Chuck Berry. Encerra o álbum em alto nível e de maneira muita envolvente.

A letra é uma ode aos Estados Unidos:

Did i miss the skyscrapers, did i miss the long freeway
From the coast of california to the shores of the delaware bay ?
Well, you can bet your life i did 'til i got back in the usa

A música é uma versão para “Back in the USA”, clássico composto por Chuck Berry, lançado como single em junho de 1959.



Considerações Finais

Sem um grande single de sucesso, Back in the USA não fez grande barulho em termos de paradas de sucesso.

O álbum atingiu a modesta 137ª posição da principal parada norte-americana, a Billboard, e nela permanecendo por 7 semanas.

Apesar disso, com o tempo, o disco acabou ganhando um status importante na história do Rock. Jason Ankeny, do site AllMusic, explica: “Embora não tenha o impacto monumental de Kick Out the Jams, o segundo álbum do MC5 é, em muitos aspectos, o seu melhor e mais influente, seu som magro e agudo antecipa o surgimento dos movimentos punk e pop do final da década”.

Por fim, Ankeny define: “Igualmente emocionante é o som singular do disco - produzido por Jon Landau com um quase completo desrespeito pela parte anterior, Back in the USA captura uma intensidade de fio vivo de 180 graus, removida do som ao vivo do grupo, mas perfeitamente adequada ao material disponível, resultando em música que não só saúda o poder do rock & roll, mas também reafirma isso”.

Este disco foi lançado pelo selo Atlantic, explicando também um esforço de produção e marketing muito diferentes. A banda soava radicalmente oposta de Kick, e o crítico Don McLeese escreve que, exceto pelos vocais de Tyner, eles eram ‘quase irreconhecíveis como a mesma banda’.

O segundo álbum também apresentou uma produção muito diferente da primeira - o MC5 agora soava comprimido e um tanto limitado em sua paleta sonora, quando comparado a seu trabalho anterior - os membros da banda disseram, décadas depois, que Landau era arrogante e pesado na produção, tentando moldar o grupo ao seu gosto.

As críticas foram novamente mistas; no entanto, as vendas foram medíocres e a turnê seguinte da banda não foi tão bem recebida como antes. O esgotamento era parcialmente culpado, devido ao pesado programa de turnês do conjunto e ao uso cada vez mais pesado de drogas.

Eles também se desentenderam com John Sinclair e foram conspícuos por não poderem tocar no Rally da Liberdade, de Sinclair, em dezembro de 1971 para protestar contra seu encarceramento por posse de maconha, apesar de estarem no show.

Embora o álbum tenha sido visto como um fracasso pela maioria dos fãs e não tivesse o sucesso comercial de seu lançamento anterior, atualmente é considerado altamente importante devido à projeção absoluta do som e influências do MC5.

Em 2011, o disco foi classificado como 451º lugar na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, da revista norte-americana Rolling Stone. A revista britânica NME listou o álbum como 490º colocado em sua lista de natureza semelhante.

Um segundo álbum de estúdio do MC5, High Time, seria lançado em 6 de julho de 1971.



Formação:
Rob Tyner - Vocal
Wayne Kramer - Guitarra, Backing Vocals, Solos de Guitarra em 1, 3 e 5
Fred ‘Sonic’ Smith - Guitarra, Backing Vocals, Solo de guitarra em 8, Vocal em 9
Michael Davis - Baixo
Dennis Thompson - Bateria
Músicos Adicionais:
Danny Jordan - Teclados
Pete Kelly - Teclados

Faixas:
01. Tutti Frutti (LaBostrie/Lubin/Penniman) - 1:30
02. Tonight (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 2:29
03. Teenage Lust (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 2:36
04. Let Me Try (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 4:16
05. Looking at You (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 3:03
06. High School (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 2:42
07. Call Me Animal (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 2:06
08. The American Ruse (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 2:31
09. Shakin' Street (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 2:21
10. The Human Being Lawnmower (Tyner/Kramer/Smith/Davis/Thompson) - 2:24
11. Back in the U.S.A. (Berry) - 2:26

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/mc5/

Opinião do Blog:
Sem dúvidas, mais uma importante estreia acontece neste mês de agosto nas páginas do RAC: a praticamente mitológica banda MC5.

Além de um dos pioneiros, o MC5 é um dos principais representantes da cena da cidade norte-americana de Detroit, que, entre o fim dos anos 60 e início dos 70, apresentou artistas e grupos que se tornariam importantes entre as sonoridades mais pesadas do Rock, como o The Stooges, por exemplo.

Como afirmado no texto acima, o MC5 ganhou muita reputação e reconhecimento, especialmente pela Costa Leste americana, não apenas pelo seu posicionamento político, mas, principalmente, por sua música intensa e energética, muito bem representada em suas performances catárticas.

Isto tudo é muito bem representado em Kick Out the Jams, o primeiro álbum do grupo, gravado ao vivo, e que consegue captar de modo eficiente toda esta veia energética do conjunto. É um disco obrigatório, especialmente para quem gosta de discos ao vivo, o que, claramente, não é o caso do RAC.

Desta maneira, o RAC preferiu trazer seu primeiro álbum de estúdio (e segundo no geral) do MC5. Embora não seja a melhor forma de apresentar o que foi o grupo, Back in the USA demonstra a qualidade da banda como músicos.

No que pode ser considerada uma grande ode ao Rock 'n' Roll, Back in the USA oferece o conjunto unindo o peso de sua musicalidade com as cativantes melodias dos primórdios do Rock. Sob incontestável influência do produtor Jon Landau (e até que ponto espontânea), o resultado final é extremamente cativante e satisfatório. As versões divertidas para os clássicos "Tutti Frutti" e "Back in the USA" são provas cabais desta sentença.

As guitarras de Wayne Kramer e Fred 'Sonic' Smith estão especialmente saborosas, tanto nos riffs certeiros quanto nos solos envolventes. A seção rítmica formada pelo baterista Dennis Thompson e pelo baixista Michael Davis confere peso e intensidade de modo preciso.

Mas, para o RAC, os maiores destaques são a voz e a interpretação do grande vocalista Rob Tyner. Back in the USA é uma prova de como ele é subestimado.

As letras merecem uma conferida.

Misturando ritmo, peso e melodia, Back in the USA, apesar de curto, é extremamente cativante. "Tonight" é uma amostra fiel do que o MC5 era, bem como a visceral "The American Ruse". A ótima "Shakin' Street" representa a qualidade do álbum.

Mas o RAC elege a intimista "Let Me Try" (com uma soberba atuação de Tyner) e a violenta "Call Me Animal" como suas favoritas.

Enfim, concluindo, o MC5 foi uma força motriz do Rock norte-americano, vivendo intensamente tanto o lado político e ativista quanto sua explosão musical. Embora Kick Out the Jams seja mesmo o disco que melhor os represente, a qualidade inegável de Back in the USA faz justiça à banda formidável que eles formavam. Grupo obrigatório!

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