2 de julho de 2018

CAMEL - CAMEL (1973)



Camel é o álbum de estreia da banda inglesa de mesmo nome, obviamente, o Camel. Seu lançamento oficial aconteceu em 28 de fevereiro de 1973 através do selo MCA Records. As gravações ocorreram entre 15 e 26 de agosto de 1972, no Morgan Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou sob responsabilidade de Dave Williams.

O Rock Progressivo volta às páginas do RAC com uma de suas melhores bandas: o Camel. Como de costume, o Blog vai tratar, brevemente, das origens do grupo para depois se voltar ao álbum propriamente dito.



Peter Bardens

Vai-se começar a contar a história do Camel através do tecladista Peter Bardens.

Bardens nasceu em Westminster London, filho de Dennis Bardens, um romancista e biógrafo, e crescendo em Notting Hill. Ele estudou arte na Byam Shaw School of Art e aprendeu piano, antes de mudar para o órgão Hammond, depois de ouvir Jimmy Smith. (Nota do Blog: A Escola de Arte Byam Shaw, muitas vezes conhecida simplesmente como Byam Shaw, era uma escola de arte independente em Londres, Inglaterra, que foi fundada em 1910 por John Liston Byam Shaw e Rex Vicat Cole./Nota do Blog II: James Oscar Smith foi um músico afro-americano de Jazz que alcançou a rara distinção de lançar uma série de álbuns de jazz instrumental que muitas vezes atingiram a Billboard. Smith ajudou a popularizar o órgão elétrico Hammond B-3, criando um vínculo indelével entre o Soul e a improvisação de jazz nos anos 1960).

Em 1965, ele passou um breve período como tecladista do Them, logo depois de deixar o The Cheynes. (Nota do Blog: o Them foi uma banda norte-irlandesa, formada em Belfast, em abril de 1964, mais conhecida pela canção “Gloria” e pelo início da carreira musical do vocalista Van Morrison).

Bardens formou o Peter B's Looners, que eventualmente se transformou no Shotgun Express, uma banda que tocava música soul e apresentou Rod Stewart, Peter Green e Mick Fleetwood. Fleetwood disse mais tarde que o recrutamento de Barden começou sua carreira musical. (Nota do Blog: Michael John Kells Fleetwood é um músico e ator britânico, mais conhecido por seu papel de baterista e cofundador da banda de rock Fleetwood Mac).

De agosto de 1968 a fevereiro de 1970, Bardens formou o The Village, o qual contava com o baixista Bruce Thomas (que tocaria com Elvis Costello and The Attractions) e o baterista Bill Porter. O grupo lançou um single, “Man In The Moon”/“Long Time Coming”.

Peter Bardens

Em 1970, Bardens gravou The Answer, um álbum o qual contava com Peter Green e Andy Gee. (Nota do Blog: Peter Green (nascido Peter Allen Greenbaum) é um guitarrista inglês de blues rock que fez parte de grupos como John Mayall & the Bluesbreakers e Fleetwood Mac).

Bardens ainda gravou um álbum homônimo em 1971, que foi lançado nos Estados Unidos como Write My Name in the Dust, antes de se juntar ao Camel ainda naquele ano.

Primórdios do Camel

O guitarrista Andrew Latimer, o baterista Andy Ward e o baixista Doug Ferguson tocavam como um trio chamado Brew, na área de Guildford, Surrey, na Inglaterra.

Em 20 de fevereiro de 1971, eles fizeram um teste para ser a banda de apoio do cantor e compositor Phillip Goodhand-Tait, lançando um álbum com ele, em agosto de 1971, intitulado I Think I'll Write a Song pela gravadora DJM Records.

O disco foi o primeiro e único álbum com Goodhand-Tait. (Nota do Blog: Phillip Goodhand-Tait é um cantor e compositor inglês, produtor de discos e tecladista).

União com Peter Bardens

Latimer, Ward e Fergunson recrutaram o tecladista Peter Bardens.

O grupo fez um show inicial, para cumprir um compromisso de Bardens, em 8 de outubro de 1971, em Belfast, na Irlanda do Norte sob o nome de Peter Bardens' On.

Logo em seguida, o conjunto mudou seu nome para Camel. Sob o novo nome, seu primeiro show foi no Waltham Forest Technical College, em Londres, apoiando o lendário Wishbone Ash, em 4 de dezembro de 1971.

Andrew Latimer

Primeiro álbum

Em agosto de 1972, o conjunto assinou um contrato de gravação com a MCA Records.

Naquele mesmo mês, entre os dias 15 e 26, o conjunto se reuniu no Morgan Studios, em Londres, para a gravação daquilo que se tornaria seu disco de estreia, Camel. A produção ficou por conta de Dave Williams.

A capa remete ao nome do grupo.

Vamos às faixas:

SLOW YOURSELF DOWN

A interessante "Slow Yourself Down" abre o disco de modo cativante. A alternância de ritmos e dinâmicas é uma amostra de todo o talento dos membros do grupo. Se o vocal de Andrew Latimer soa um pouco relaxado, seu talento na guitarra compensa. Peter Bardens simplesmente arrasa no órgão e a seção rítmica não fica atrás!

A letra possui uma mensagem de cumplicidade:

They tell me your past often hurt you,
And even your friends, they would desert you
But now you are beginning to see,
The same things have happened to me -
Just slow yourself down, I'm coming along



MYSTIC QUEEN

"Mystic Queen" conta com ótimos e contidos vocais do baixista Doug Ferguson. Destacam-se o trabalho intenso do baterista Andy Ward e a guitarra de Latimer que brilha intensamente. Uma faixa tocante, repleta de beleza e sensibilidade.

Como o próprio nome indica, a letra possui sentido de fantasia:

Have you seen the Mystic
Over hills
If you'd like I'll
Colours that you've



SIX ATE

"Six Ate" é um interessante esforço instrumental do conjunto. A dinâmica na variação de ritmos e musicalidades é uma constante, mas a sensibilidade melódica dos músicos constrói uma sonoridade extremamente agradável. Belíssima canção!



SEPARATION

"Separation" contém vocais de Andrew Latimer. Trata-se de uma música mais curta e mais direta, contando com bastante energia. A guitarra de Latimer está infernal e o baixo de Doug Ferguson se apresenta dominante. Verdadeira paulada!

A letra remete a um relacionamento que terminou:

It's just no use in going on
When all the feeling now has gone
You know we both have tried,
Yeah, we both have lied,
Now as tears subside, we move our own way



NEVER LET GO

"Never Let Go" possui uma leve e comovente introdução que conduz a canção até a típica musicalidade do Camel. A melodia muito cativante condiz com a sonoridade intrincada e técnica, com Latimer e Bardens dando um verdadeiro show em seus instrumentos. Clássico indiscutível!

A letra questiona religiões:

I hear them talk about kingdom come
I hear them discuss armageddon
They say the hour is getting late
But I can still hear someone say
This is not the way



“Never Let Go” foi o primeiro single lançado pelo Camel.

Ele não obteve maiores repercussões em termos das principais paradas de sucesso desta natureza, a britânica e norte-americana. Mas, mesmo assim, tornou-se um clássico do grupo.

A faixa é presença constante nos shows do conjunto, estando presente em três álbuns ao vivo e em coletâneas. Muitos fãs a consideram uma das canções mais populares do Camel.



CURIOSITY

O órgão de Peter Bardens domina "Curiosity" de modo envolvente. Os vocais se apresentam interessantes e combinando perfeitamente com a musicalidade. A banda se mostra repleta de energia e virtuosidade em uma sonoridade extremamente agradável.

A letra remete ao desejo de descobrir:

Now our bodies have entwined,
Touch me with your mind
Your dreams are a mystery,
Please share them with me



ARUBALUBA

A sétima - e última - faixa de Camel é "Arubaluba". O disco se encerra em um esforço totalmente instrumental do grupo. Embora continue apresentando a alternância de dinâmica própria do Progressivo, a derradeira canção do álbum flerta de modo intenso com a sonoridade Hard Rock, constituindo-se na música mais pesada do trabalho. 



Considerações Finais

Embora o leitor possa ter presenciado a qualidade de Camel, o álbum acabou não fazendo sucesso comercial e nem de crítica na época de seu lançamento.

O disco não conseguiu atingir as principais paradas de sucesso desta natureza no Reino Unido e nos Estados Unidos. Como resultado de seu fracasso comercial, a gravadora MCA Records optou por não gravar um segundo disco com o grupo.

Daevid Jehnzen, do site AllMusic, dá uma nota 2 (de 5) ao disco e afirma: “O Camel ainda estava procurando seu som de assinatura em seu homônimo álbum de estreia. Neste ponto, Peter Bardens e seu grande órgão dominam o som do grupo e Andrew Latimer parece experimentando na ocasião”.

O álbum foi saudado com um sucesso silencioso e, como dito, a MCA não aceitou uma opção para um segundo álbum.

Após isso, o grupo adquiriu a equipe de gerenciamento de Geoff Jukes e Max Hole, da Gemini Artists (mais tarde, a GAMA Records) e se mudou para a Deram Records, uma divisão da Decca Records, onde permaneceriam nos próximos 10 anos.

O Camel saiu em turnê por 9 meses no ano de 1973, estabelecendo uma boa reputação como banda ao vivo, em lugares como Reino Unido, Suíça, Bélgica e Holanda.

Durante este período, o grupo compartilhou o palco com outros artistas como Stackridge, Barclay James Harvest, Gong, Hawkwind, Pink Fairies, Global Village Trucking Company e Spyro Gyra.

Em 1º de março de 1974, o Camel lançava seu segundo álbum de estúdio, o clássico Mirage.



Formação:
Andrew Latimer - Guitarra; Vocal em 01 e 04
Peter Bardens - Órgão, Mellotron, Piano, Sintetizador VCS 3; Vocal em 05
Doug Ferguson - Baixo; Vocal em 02 e 06
Andy Ward - Bateria, Percussão

Faixas:
01. Slow Yourself Down (Latimer/Ward) - 4:47
02. Mystic Queen (Bardens) - 5:40
03. Six Ate (Latimer) - 6:06
04. Separation (Latimer) - 3:57
05. Never Let Go (Latimer) - 6:26
06. Curiosity (Bardens) - 5:55
07. Arubaluba (Bardens) - 6:28

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/camel/

Opinião do Blog:
Desde que o RAC resolveu por começar a se interessar pelo Rock Progressivo, bandas e álbuns incríveis foram sendo descobertos e este é o momento de se falar sobre um dos mais interessantes grupos desta vertente do Rock: o Camel.

Assim, quando se trata de Prog, pode-se colocar o Camel em um patamar bem alto, mesmo que o conjunto não seja dos mais conhecidos entre aqueles que não se aprofundam de modo mais intenso pela sonoridade Progressiva.

Qualquer banda que possua músicos do calibre de Andrew Latimer, Peter Bardens e Andy Ward está bem à frente das demais quanto à questão da qualidade de seus músicos. Neste Camel, especialmente o tecladista Bardens demonstra seu talento muito acima da média.

Neste disco de estreia, Camel, nota-se um grupo que está buscando sua identidade autoral a qual seria conseguida (e consagrada) em álbuns posteriores. Mas nem por isso este trabalho não mereça ser ouvido e apreciado.

A sonoridade proposta é obviamente a do Rock Progressivo e a alternância de sonoridades e dinâmicas são uma constante nas canções. A unidade é construída pela beleza das melodias e o extremo bom gosto na forma que o conjunto constrói os arranjos.

As letras são boas e merecem ser conferidas.

Camel apresenta belas músicas. A sensível e tocante "Mystic Queen" encanta, "Curiosity" e "Slow Yourself Down" trazem dinamismo e energia enquanto "Arubaluba" é pesada e intensa.

Mas o RAC elege a linda "Six Ate" e o clássico "Never Let Go" como suas favoritas.

Enfim, é óbvio que o Camel se consagraria e se eternizaria com os fabulosos álbuns que lançou posteriormente, como Mirage (1974), mas nem por isso o RAC pensa que sua estreia, Camel, não deva ser conhecida e apreciada, especialmente pela categoria de músicos como Andrew Latimer e Peter Bardens. Álbum recomendado, especialmente para fãs de boa música. 

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