14 de julho de 2017

JORN - THE DUKE (2006)


The Duke é o quarto álbum de estúdio da banda norueguesa chamada Jorn. Seu lançamento oficial ocorreu em 4 de abril de 2006 através do selo AFM/Candlelight. As gravações aconteceram no Mediamaker Studios, em Skien, na Noruega. A produção ficou por conta do vocalista Jorn Lande.

Jorn foi o nome com o qual o vocalista Jorn Lande batizou sua carreira-solo. O Blog vai contar, em resumo, um pouco da história de Lande para contextualizar o momento em que o álbum foi lançado, como é nosso costume.


Começo da carreira musical

Jorn Lande nasceu em Rjukan, Noruega, no dia 31 de maio de 1968.

O primeiro trabalho mais relevante na carreira de Lande foi na banda de Hard Rock norueguesa chamada Vagabond, a qual era liderada pelo guitarrista Ronni Le Trekko, membro de outro lendário conjunto daquele país nórdico, o TNT. O projeto foi iniciado em 1993.

O grupo ainda contava com o baixista Morty Black que, como será visto, voltará a aparecer na carreira de Lande.

Com o Vagabond, Lande gravou 2 álbuns de estúdio, antes do fim das atividades da banda, em 1996. Vagabond foi lançado em 1994 e A Huge Fan of Life veio ao mundo no ano seguinte.

O fim do Vagabond veio com a reforma do TNT, em 1996, e subsequentemente os membros da banda foram separados, com Jorn juntando-se a um conjunto formado por ex-guitarristas do Whitesnake, Bernie Marsden e Micky Moody, chamado The Snakes.

Depois de uma turnê com o The Snakes, tocando principalmente covers do Whitesnake, e a gravação de um álbum lançado apenas no Japão, chamado Once Bitten (de 1998), Jorn foi demitido da banda e se juntou a outros projetos, incluindo um grupo de Metal Sinfônico chamado Mundanus Imperium, que resultou no álbum The Spectral Spheres Coronation.

Ark

O Ark foi uma banda de metal progressivo da Noruega, fundada pelo guitarrista Tore Østby (Conception, DC Cooper, Frankie's Playground, Redrum) e o baterista John Macaluso (TNT, Riot, Spread Eagle, Alex Masi, Yngwie Malmsteen e Powermad).

Lande se juntou ao Ark em 1999, a tempo para gravar o primeiro álbum do grupo, Ark, ainda naquele mesmo ano.

Burn The Sun, segundo e último disco do conjunto, foi lançado em 2001 e é uma das obras mais aclamadas a contar com Jørn.

Jørn Lande

Projetos paralelos

Em 2000, Lande também fez parte da banda americana de hard rock Millenium, liderada pelo guitarrista Ralph Santolla, e gravou os vocais para o álbum Hourglass.

No mesmo ano, John Macaluso, do Ark, que também estava tocando com a banda de Yngwie Malmsteen, entrou em contato com o guitarrista para convidar Jørn para uma mini-turnê na Europa, já que precisavam de um vocalista para o grupo. A colaboração entre Lande e Malmsteen não durou e Jørn deixou a banda no meio da turnê.

Também no mesmo ano, Jørn gravou seu primeiro álbum solo, chamado Starfire, o qual apresentou principalmente covers e contou com a participação de vários companheiros de bandas (passadas e atuais) como músicos do trabalho.

Em 2001, Lande se juntou ao tecladista Finn Zierler e formou o projeto Beyond Twilight, o qual levou ao álbum The Devil's Hall of Fame, outro trabalho aclamado por público e mídia.

Ainda em 2001, Jørn lançou seu segundo álbum solo, Worldchanger.

Masterplan

Em 2002, Jørn finalmente ascendeu à cena global do Heavy Metal ao se juntar ao excelente grupo de Power Metal chamado Masterplan, formado pelos músicos consagrados Roland Grapow e Uli Kusch, após ambos serem demitidos do lendário Helloween.

Jørn lançou dois álbuns bem-sucedidos com o Masterplan, o primeiro autointitulado, de 2003, e o segundo, Aeronautics, de 2005.

O Masterplan mostrou Lande a um público bem maior, pois o grupo se apresentava em grandes festivais e realizava turnês ao redor do mundo, no período entre 2003 e 2006, quando o vocalista deixou a banda, em 11 de maio de 2006, devido a diferenças criativas.

Jørn queria levar o conjunto para um estilo mais melódico, enquanto os outros membros estavam inclinados a um som mais pesado.

Durante seu tempo como membro do Masterplan, Jorn também lançou dois álbuns solo através da gravadora da banda, a AFM Records: Out to Every Nation, em 2004, e The Duke, em 2006.

Allen-Lande

Em 2005, Jørn juntou-se ao vocalista do Symphony X, Russell Allen, em uma colaboração na forma de dueto no álbum The Battle, de 2005. O disco foi tocado, composto e arranjado pelo guitarrista sueco Magnus Karlsson (Starbreaker, Last Tribe), com a bateria sendo responsabilidade de Jaime Salazar (Last Tribe).

Jørn Viggo Lofstad

The Duke

Já em 2006 e apostando em um trabalho praticamente autoral, com o foco em uma sonoridade mais Heavy Metal tradicional, Jørn Lande começou a materializar seu quarto álbum solo de estúdio, The Duke.

O álbum traz a colaboração de Jørn Lande com dois guitarristas, Jørn Viggo Lofstad e Tore Moren, pela primeira vez juntos.

Os dois haviam trabalhado com Lande antes, embora, separadamente. Enquanto Moren tocou em Worldchanger, Lofstad apareceu em Out to Every Nation.

O álbum também conta com o ex-baixista do TNT e do Vagabond, Morty Black, e o ex-baterista do The Snakes, Willy Bendiksen.

As gravações aconteceram no estúdio Mediamaker, em Skien, na Noruega. A produção ficou por conta do próprio Jørn Lande. A capa, bem legal, apresenta um trono com um corvo sobre ele.

Vamos às faixas:

WE BROUGHT THE ANGELS DOWN

O álbum começa com uma faixa mais lenta e arrastada, mas com o peso em boa medida. O ritmo é mais vagaroso e o estilo está nos limiares entre o Hard Rock e o Heavy Metal. O solo de guitarra funciona bem. Ótima música.

A letra possui conteúdo relacionado à religião:

We brought the angels down
And made them evil
There's no religion without crime...no
Are we the last in time, the darkest flower
I spread my leaves into the night sky



BLACKSONG

O riff principal de "Blacksong" é impressionante, pesado e cadenciado, mas simultaneamente contagiante. Os solos de guitarra funcionam de modo muito eficiente. Os vocais de Lande são incríveis em um grande momento do álbum.

A letra possui um inegável sentimento de tristeza:

Like a faraway sun, oh
When the fire is low
I'm a fading star
Burning out in the cold
And i'm crying in my blacksong



STORMCROW

"Stormcrow" aposta em um Hard Rock vigoroso, mas com ritmo rápido e acelerado. A seção rítmica formada por Morty Black e Willy Bendiksen confere peso e intensidade, permitindo que as guitarras brilhem. Em uma atuação um tanto quanto mais comedida, Lande brilha novamente nos vocais.

A letra possui um sentido místico:

I'll be waiting for the day
When my breath fades away...
It's the price to pay yeah
But I'll give all my power
Racing the hour and live life my way



END OF TIME

"End of Time" mantém o ritmo mais cadenciado, contando com um bom riff e o peso intenso. O refrão, um tom mais suave, funciona de maneira perfeita. O destaque é para a emocionante e competente atuação do vocalista Jorn Lande.

A letra possui sentido de recomeço e revelação:

And the wind must blow
As the rivers flow
Will we ever know
If the truth will show
In another world
Just a boy and girl
Holding on to the end of the line



DUKE OF LOVE

O baixo de Morty Black conduz a 'hardeira' "Duke of Love", uma faixa que possui menos peso e intensidade, mas que não perde em nada no quesito de envolver o ouvinte. O refrão é ótimo e Lande dá um show, lembrando bons momentos do grande David Coverdale. Ótima música!

A letra fala de um conquistador:

I've been running with demons
From the day I was born
Burned my soul in the fire
It turned my heart to stone
But I came out of the shadows
And stood my ground through the storm
I stole desire from the devil
And power from the Lord above



BURNING CHAINS

"Burning Chains" reduz bastante o peso do disco, mas apostando em um ritmo bem mais lento, aproximando-se substancialmente a uma balada com a cara dos anos 80. A guitarra de Lofstad está especialmente saborosa e a atuação de Lande é ótima. Grande trabalho do baixista Morty Black.

A letra possui sentido de sofrimento por amor:

Tell me why you said goodbye
And left me in the storm
I'll never know the reason why you're so cold
Always just a fool in love, blinded by your smile
But in your eyes I saw the lying



AFTER THE DYING

O peso volta com tudo em "After The Dying", a qual conta com um andamento bem lento, mas que compensa com um peso extra e muita distorção. Da metade para frente, a canção acelera e ganha em intensidade. Bom trabalho de guitarras.

A letra possui sentido de perseverança:

Cast my ashes to the strongest wind
Let the breezes blow through the rain and snow
When it all is over I'll be resting free
Rising soul after cold dying
Oh yeah...No more crying
After the dying



MIDNIGHT MADNESS

"Midnight Madness" é um Heavy Metal bem tradicional, cadenciada e lenta, mas com seu peso intenso e contagiante. Lembra bastante, para o Blog, os últimos trabalhos solos do inesquecível Dio. Os vocais de Lande são preciosos, dosados na medida exata que a sonoridade solicita.

A letra mostra desespero e loucura:

Midnight madness - Sore with sadness
Burning my rage again...again...
Raving restless soon I'm breathless
Nothing is new here in the shade



ARE YOU READY?

"Are You Ready?" soa consideravelmente mais pesada que a versão original do clássico setentista. O ritmo é acelerado e envolvente, contando com outra atuação precisa e entusiasmada do vocalista Jorn Lande.

A letra é divertida:

Are you ready to rock
Are you ready to shake it up
Do you know what I'm thinking of
Are you ready to tear it up
Are you ready to dance
Are you ready to hit the floor
Are you ready
If you're ready I'm ready

“Are You Ready?” é uma versão para o clássico do Thin Lizzy, presente no sensacional álbum ao vivo Live and Dangerous, de 1978.



STARFIRE

A décima - e última - faixa de The Duke é "Starfire". A canção encerra o álbum mantendo o seu alto nível de qualidade e, também, sua marca na sonoridade, ou seja, cadenciado, distorcido e pesado. Bom trabalho das guitarras e grande atuação vocal de Jorn Lande.

A letra é sobre poder:

So many choices where will they lead us
Don't know where to go
Pray for the children for they are the future
Teach them how to play

“Starfire” é uma regravação da faixa de mesmo nome, presente no primeiro álbum solo de Lande, também chamado Starfire, de 2000.



Considerações Finais

Apesar de sua inegável qualidade, The Duke não chegou a repercutir em termos das principais paradas de sucesso, nem mesmo no norte da Europa.

A crítica especializada em Heavy Metal elogiou o trabalho, recebendo boas notas de sites e revistas.

Alex Henderson, do site AllMusic, dá ao disco uma nota 3,5 de um máximo de 5, elogiando: “(...) sua influência de Metal/Hard Rock mais óbvia, como artista solo, permanece o Deep Purple; seus vocais apaixonados não deixam dúvida de que ele mantém David Coverdale em extrema consideração. Faixas agradáveis como “Duke of Love” e “Midnight Madness” poderiam ter aparecido facilmente em um álbum do Deep Purple (ou Rainbow) nos anos 70”.

Por fim, Henderson atesta: “(...) The Duke não finge ser um pensamento avançado. Mas é uma coleção decente e satisfatória de Heavy Metal, Hard Rock e Arena Rock que os fãs do movimento 'retro-metal' da Europa devem conhecer”.

Depois de sua saída do Masterplan, em 2006, Jørn concentrou-se mais em sua carreira-solo e começou uma parceria de longa data com a gravadora Frontiers Records.

Pelo projeto Allen-Lande, o vocalista lançou The Revenge, segundo trabalho da dupla, em 11 de maio de 2007. O projeto Allen-Lande foi montado pelo presidente da Frontiers Records, e, conforme dito anteriormente, com funções de composição e a maior parte da instrumentação feita pelo guitarrista sueco Magnus Karlsson.

O primeiro álbum ao vivo do Jorn, Live in America, foi lançado em 21 de setembro de 2007, contendo dois discos com faixas retiradas de sua performance em 16 de setembro de 2006, no festival de rock ProgPower VII, em Atlanta, nos Estados Unidos.

Em 2008, Jørn Lande emprestou sua voz para as bandas de Opera Rock, Ayreon, no álbum 01011001; e, Avantasia, no álbum The Scarecrow, ambos lançados em janeiro de 2008.

Ainda em 2008, o Jorn lançaria seu quinto álbum de estúdio, o ótimo Lonely Are the Brave.



Formação:
Jørn Lande - Vocal
Jørn Viggo Lofstad - Guitarra
Tore Moren - Guitarra
Morty Black - Baixo
Willy Bendiksen - Bateria

Faixas:
01. We Brought the Angels Down (Lande/Lofstad) - 4:29
02. Blacksong (Lande/Lofstad) - 5:36
03. Stormcrow (Lande/Lofstad) - 3:44
04. End of Time (Lande/Lofstad) - 4:16
05. Duke of Love (Lande/Lofstad) - 4:35
06. Burning Chains (Lande/Lofstad) - 3:51
07. After the Dying (Lande/Lofstad) - 4:59
08. Midnight Madness (Lande/Lofstad) - 4:21
09. Are You Ready? (Downey/Gorham/Lynott/Robertson) - 3:06
10. Starfire (Lande) - 5:26

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/jorn/

Opinião do Blog:
Jorn Lande é um dos bons talentos surgidos nos últimos anos dentro do mundo do Hard Rock e Heavy Metal, sendo bom compositor e um ótimo vocalista.

Além disso, fica bem claro que o cara é um grande batalhador da cena, basta se ater ao grande número de bandas e projetos dos quais fez parte e/ou contribuiu. Lande simplesmente não pára de deixar sua marca por aí.

Em sua carreira-solo, a banda Jorn, com bem mais liberdade para atuar, ficam mais óbvias suas grandes influências musicais. É notório, em The Duke, toques de DIO, David Coverdale/Whitesnake e, claro, Deep Purple.

Lande conta com um bom time de músicos no álbum aqui analisado, destacando-se a boa seção rítmica formada pelo baixista Morty Black e pelo baterista Willy Bendiksen. Outro ponto alto é o guitarrista Jorn Viggo Lofstad, o qual assina quase todas as composições com Jorn Lande.

Evidentemente, o maior destaque do disco é mesmo o vocalista Jorn Lande. As músicas favorecem sua atuação, pois Lande consegue conferir não apenas seu talento como intérprete, mas também muita veracidade às canções. Uma atuação muito convincente.

As letras são boas e merecem uma visita.

"Blacksong" possui uma atuação emocionante de Lande, com uma brilhante interpretação. A pesada "End of Time" é outro ponto alto do álbum. A bela e tocante "Burning Chains" também se destaca no trabalho.

Mas o RAC aponta a 'Hardeira' "Duke of Love" como a preferida no trabalho, uma composição que parece retirada dos álbuns do Whitesnake no fim da década de 80.

Enfim, The Duke não é a reinvenção da roda, mesmo porque em nenhum momento tenta a ser. É um trabalho que transborda honestidade e sinceridade, buscando apenas proporcionar divertimento a fãs de Hard Rock e Heavy Metal. E consegue o fazer com facilidade. Além disso, é uma pequena amostra do grande talento do vocalista Jorn Lande. Álbum muito bem recomendado pelo site, o qual indica a discografia do Jorn para quem curtiu o post.

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