11 de fevereiro de 2017

NIGHT RANGER - DAWN PATROL (1982)


Dawn Patrol é o álbum de estreia da banda norte-americana Night Ranger. Seu lançamento oficial aconteceu em novembro de 1982, através do selo Boardwalk Records. As gravações ocorreram durante aquele mesmo ano e a produção ficou por conta de Pat Glasser.


Hoje o Blog vai focar no primeiro álbum de estúdio do Night Ranger, o qual, ao lado do Kix, é uma das bandas pioneiras no estilo que ficaria conhecido pelo nome de Glam Metal, a principal vertente do Hard Rock norte-americano durante os anos 80. Como nossos leitores estão acostumados, um breve histórico sobre o conjunto antecederá o consagrado faixa a faixa.

Para se buscar as origens do Night Ranger, vai-se voltar no tempo, ao final da década de 1970.

Jerry Martini, um norte-americano nascido em Denver, foi um dos músicos associados ao surgimento da famosa banda de Funk, Soul, R&B, entre outros estilos musicais, chamada Sly and the Family Stone. Ele se apresentou com o grupo desde o seu início, em 1967, até sua primeira dissolução, em 1975.

Ainda em 1975, Martini apareceu no primeiro álbum solo do antigo líder de sua ex-banda, Sly Stone, chamado High on You, o qual contava com o hit “I Get High on You”.

Já em 1977, Martini tocou no álbum Now Do U Wanta Dance, o quinto disco de estúdio do conjunto Graham Central Station, o qual era liderado por outro ex-membro do Sly and the Family Stone, o baixista Larry Graham.

Depois disso, a nova empreitada de Jerry Martini foi formar sua própria banda, com foco na música Funk norte-americana.

O grupo foi batizado de Rubicon.

Formavam o conjunto, obviamente além de Jerry Martini, os seguintes músicos: Greg Eckler (vocal e bateria), Brad Gillis (guitarra), Max Haskett (vocal), Dennis Marcellino (sax e vocal), Jim Pugh (teclados) e Jack Blades (baixo).

Jack Blades

O Rubicon chegou a gravar 2 álbuns no final da década de 70. O primeiro, autointitulado, saiu em 1978, gerando sua única música de sucesso: o single “I'm Gonna Take Care of Everything”.

“I'm Gonna Take Care of Everything” chegou ao 28º lugar da principal parada norte-americana de singles, nela permanecendo por 11 semanas.

Já em 1979, saiu o segundo álbum de estúdio do Rubicon, America Dreams, o qual foi incapaz de gerar qualquer hit parecido com o trabalho anterior.

Sem retorno comercial, a decisão de Martini, em conjunto com os demais músicos, foi a dissolução do Rubicon.

E é aí que começa a história do Night Ranger.

Após o fim do Rubicon, em 1979, o baixista Jack Blades formou um trio musical de estilo totalmente diferente de sua banda anterior, com a musicalidade calcada no Hard Rock setentitsta.

Para tanto, Blades convidou outros 2 membros do extinto Rubicon: o baterista Kelly Keagy e o guitarrista Brad Gillis.

Inicialmente, o projeto foi batizado simplesmente de Stereo. Logo depois, o trio adicionou um tecladista, Alan Fitzgerald.

Alan Fitzgerald era um músico experiente. Ele havia sido baixista da lendária banda do Hard Rock setentista, o Montrose, gravando os álbuns Paper Money (1974) e Warner Brothers Presents... Montrose! (1975).

Depois disso, Alan Fitzgerald tomou parte na banda que apoiava a carreira-solo do grande Sammy Hagar (o qual havia sido vocalista do Montrose). Com Hagar, gravou os álbuns Nine on a Ten Scale (1976), Sammy Hagar (1977) e o ao vivo All Night Long (1978).

Ainda em 1978, Fitzgerald gravou a estreia da carreira-solo do guitarrista Ronnie Montrose, Open Fire, um álbum instrumental no qual Alan atuou como baixista.

Alan ainda seguiu Ronnie Montrose em seu, então, novo projeto, o grupo chamado Gamma e que tinha como vocalista Davey Pattison. Com o Gamma gravou seu disco de estreia, Gamma 1, de 1979, atuando novamente como baixista.

Logo após se juntar ao Stereo, Fitzgerald sugeriu a adição de um segundo guitarrista, transformando o conjunto de um trio para um quinteto. O nome indicado por Alan foi Jeff Watson, um guitarrista virtuoso, que liderava sua própria banda no norte da Califórnia.

Brad Gillis

Desta forma, as sementes para uma nova banda de Hard Rock melódico foram semeadas, mudando seu nome para simplesmente Ranger.

Sob o nome de Ranger, o grupo se apresentou bastante até conseguir um contrato com a gravadora Boardwalk Records, em 1982. E começou a trabalhar em seu primeiro álbum de estúdio, Dawn Patrol.

As primeiras edições do álbum foram impressas e estavam prontas para serem enviadas às lojas quando se descobriu que havia uma banda country, da Califórnia, com o mesmo nome. Chamada de The Rangers, o tal conjunto reivindicou uma violação de marca registrada.

Assim, banda que se chamava Ranger, decidiu nomear-se Night Ranger, devido a uma canção que Blades havia composto para o álbum.

A gravadora destruiu as cópias impressas com o nome da banda como simplesmente Ranger.

Dawn Patrol faz jus ao seu nome, com uma capa que mostra um sistema de vigilância.

Vamos às faixas:

DON'T TELL ME YOU LOVE ME

Os teclados de Alan Fitzgerald se destacam, logo de início, em "Don't Tell Me You Love Me", com uma sonoridade típica dos anos oitenta. A música possui um ritmo urgente, com a seção rítmica bastante acelerada. Ótimos solos de guitarras. 

A letra possui conotação sexual:

It ain't the way you move
It ain't the way that you move me
Oh no
It ain't the way you shake
It ain't the way that you shake me
Oh no
It's been 25 years, I'm a kid on the run
I've got a pistol for action



“Don't Tell Me You Love Me” foi lançada como single para promover Dawn Patrol e acabou muito bem-sucedida nos Estados Unidos.

Atingiu a boa 40ª posição da principal parada de singles norte-americana. Também ficou a 92ª colocação da lista Top 100 Hard Rock Songs, do canal de televisão VH1.



SING ME AWAY

"Sing Me Away" possui um ritmo mais cadenciado, com destaque para uma guitarra mais intensa, ao fundo, e a liderança melódica dos teclados de Fitzgerald. O refrão é mais suave e "meloso", com predominância ainda maior dos teclados. Bons vocais de Jack Blades.

A letra possui conotação romântica:

Sometimes I sit and I dream on for hours
Sometimes my hours they turn into days
I dream of a girl I once knew as a schoolboy
She is the one who could sing me away
But she is a long ways away
And I want to be with her today
I'll think of a way I can get back
Oh I'd run all the way back home



“Sing Me Away” foi outro single lançado para promoção do disco. Também fez algum barulho em termos da principal parada norte-americana desta natureza, alcançando a 54ª posição.



AT THE NIGHT SHE SLEEPS

Nesta faixa, o Night Ranger aposta em um ótimo riff de guitarra, forte e intenso, como a base da composição. O ritmo é cadenciado, em uma pegada Hard Rock, mas muito melódico. A bateria de Kelly Keagy também se mostra marcante. Os solos de guitarra também são bons.

A letra pode ser inferida sobre solidão:

With tears in her eyes
She remembers his smile
As she studies the photograph
They were together
She held his hand and it broke my heart
They were forever
Then she turned around and he was gone
At night she sleeps



CALL MY NAME

Fitzgerald cria um clima mais melancólico em uma introdução suave, mas triste. Com o tempo as guitarras se apresentam, complementando o ritmo ditado pelos teclados. "Call My Name" é uma balada, mas com força e intensidade, especialmente no refrão. Ótima música.

A letra se refere a um relacionamento:

I hear your voice over the sound of the city
I hear you call my name
And I hear that now you spend you life feeling pity
But who am I to blame
I see that some things never change
Summer kisses never last through September
I thought you'd understand
That holding hands ain't exclusive to lovers
Guess it was part of your plan
The tender moments were part of your plan



EDDIE'S COMIN' OUT TONIGHT

Nesta canção, a banda aposta na alternância de passagens, ora mais suaves e lentas, ora mais pesadas e intensas. É notória a dominância melódica dos teclados de Fitzgerald, mas as guitarras estão muito presentes também. Bons vocais de Blades, nesta faixa bem interessante. 

A letra menciona liberdade:

In the alley's where he's king
He got a grin on his face
He says he loves the rat race
He always plays to win



CAN'T FIND ME A THRILL

Em "Can't Find Me a Thrill", quem dita o ritmo são as guitarras. Mais fortes e, talvez, com mais distorção, elas se fazem dominantes nesta composição. Os vocais de Blades são mais agressivos, mas o destaque vai para a dupla de guitarristas Jeff Watson e Brad Gillis.

A letra fala sobre limites:

Cocaine and women
They treat you the same
Set you up for the nightlife
And leave you ashamed
One too many habits
And none ever satisfy me



YOUNG GIRL IN LOVE

Em "Young Girl in Love", é nítida uma forte influência AOR, com um ritmo cadenciado, muitos teclados e guitarras presentes. A melodia é mais suave e o clima 'festivo', com os vocais de Blades sendo o destaque.

A letra fala sobre uma jovem garota apredendo a viver:

Young girl in love
So you found yourself a lover
No nights of lonliness
You gave them all you had to give
With a touch and a tender kiss
Then you found yourself in trouble
It was love or so it seemed
Then he turned his head
And walked away



PLAY ROUGH

"Play Rough" começa mais lenta, mas apresenta guitarras mais fortes e presentes. A sonoridade é bem típica do Hard Rock oitentista, com peso, mas muita melodia. Boa faixa, em especial, os solos dos guitarristas, com muito feeling.

A letra é simples e fala sobre determinação:

You wanna play rough tonight
Better think once better think twice
You wanna play rough tonight
It's all in the way that you roll the dice
You wanna play rough tonight
Gonna get hurt better think twice



PENNY

Para o Blog, é impossível ouvir "Penny" e não se lembrar imediatamente do Van Halen, mesmo que no refrão a pegada inicial da composição se abrande, momento no qual os teclados de Fitzgerald predominam. Ótimos vocais de Blades.

A letra é sobre um relacionamento:

Penny it's not that I don't really understand
It's crazy to me
I took you to see all the stars in the sky
They twinkle in your eyes
There isn't a doubt
It's what you're talking about



NIGHT RANGER

A décima - e última - faixa de Dawn Patrol é "Night Ranger". Na derradeira música do álbum, o grupo flerta com o Heavy Metal, empregando mais peso e intensidade à composição, com a seção rítmica muito constante, incluindo um momento totalmente NWOBHM no meio da canção! Fecha o disco com chave-de-ouro!

A letra é simples, mencionando um vigilante noturno:

In the cool city
In the heat of the night
Looking for adventure
On the face of the light
A Colorado school boy
Put his days on the line
Nights out of paperback
"Catcher In The Rye"



Considerações Finais

Catapultado por 2 singles de sucesso, Dawn Patrol acabou se saindo muito bem, especialmente se levando em conta o fato de ser um debut.

O disco acabou atingindo a boa 38ª posição da principal parada de álbuns dos Estados Unidos, a Billboard.

A crítica especializada acabou recebendo o trabalho de forma positiva. Eduardo Rivadavia, do site All Music, dá ao álbum 4 de um máximo de 5 estrelas e afirma: “Ao contrário de muitos de seus contemporâneos do Glam Metal, o primeiro trabalho do Night Ranger envelheceu muito bem, e esta excelente estreia, de 1982, é um segredo bem guardado do gênero”. E complementa: “E apesar de oferecer a balada obrigatória em “Call My Name” (que é realmente muito boa), a banda raramente permite que o nível de intensidade do álbum diminua”.

O grupo saiu em turnê, como banda de abertura para nomes de peso, como ZZ Top e Ozzy Osbourne. Este último havia empregado Brad Gillis como guitarrista substituto para Bernie Torme, o qual havia sido, também, um substituto provisório do então recentemente falecido guitarrista Randy Rhoads, morto em março de 1982.

Brad Gillis ajudou Osbourne a encerrar sua turnê e aparece no álbum ao vivo de Ozzy, Speak of the Devil, também lançado em novembro de 1982 e cujas gravações ocorreram em apresentações dos dias 26 e 27 de setembro daquele mesmo ano.

Depois que o selo Boardwalk Records quebrou, o produtor Bruce Bird assegurou ao Night Ranger um contrato com a gravadora MCA Records, através de sua subsidiária, a Camel, em 1983.

Em outubro de 1983, o Night Ranger lançaria seu segundo álbum de estúdio, o grande sucesso Midnight Madness.



Formação:
Jack Blades - Baixo, Vocal
Jeff Watson - Guitarras
Brad Gillis - Guitarras
Alan Fitzgerald - Teclados
Kelly Keagy - Bateria

Faixas:
01. Don't Tell Me You Love Me (Blades) - 4:19
02. Sing Me Away (Keagy/Blades) - 4:09
03. At Night She Sleeps (Keagy/Blades) - 4:08
04. Call My Name (Blades) - 3:42
05. Eddie's Comin' Out Tonight (Blades) - 4:26
06. Can't Find Me a Thrill (Blades) - 3:19
07. Young Girl In Love (Keagy/Blades) - 3:32
08. Play Rough (Blades) - 4:14
09. Penny (Blades) - 3:47
10. Night Ranger (Blades) - 4:22

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/night-ranger/

Opinião do Blog:
Em todos estes anos de Rock: Álbuns Clássicos já ficou evidente que a sonoridade dos anos 80 que se convencionou chamar de Glam Metal é uma das preferidas de quem faz o site. Várias bandas do estilo apareceram por aqui.

O Glam Metal tornou ainda menor a tênue linha que separa o Hard Rock do Heavy Metal. No início dos anos 80, algumas bandas norte-americanas se inspiraram em grandes nomes do Hard setentista dos Estados Unidos como Aerosmith, KISS e, principalmente, o Van Halen e misturaram com o Heavy Metal que os britânicos estavam criando na NWOBHM e criaram uma nova vertente do Hard Rock.

O estilo estourou mesmo quando o Quiet Riot lançou Metal Health, em 1983, mas agora estamos tratando dos pioneiros da criação desta vertente. Como foi dito, Kix e Night Ranger dividem muito dos méritos quanto ao pioneirismo do Glam Metal.

Se em 1981, o Kix, em sua estreia, flertou deliberadamente com o Heavy Metal, o Night Ranger buscou mais elementos do Hard Rock no seu primeiro trabalho. Uma sonoridade não tão pesada e com muitos toques do AOR, um estilo muito em alta naquele momento.

A influência do supracitado AOR é mais evidente na forma com que os teclados de Alan Fitzgerald dominam boa parte de Dawn Patrol. Por muitos momentos do álbum, ele é o responsável por ditar toda a linha melódica das canções.

Jeff Watson e Brad Gillis também são ótimas presenças no disco, especialmente em solos rápidos, eficientes e com muito feeling. A seção rítmica é competente e o trabalho dos vocais de Jack Blades são outra grande qualidade do trabalho. As letras são absolutamente comuns.

Para o RAC, o álbum não possui momentos menores, sendo bem coeso e uniforme. Mas é possível apontar as prediletas.

"Don't Tell Me You Love Me" mostra esta pegada mista de Hard Rock/AOR e aponta para o futuro. Assim também o é a ótima "Sing Me Away", com uma sonoridade ainda mais próxima do Hard Rock oitentista. A balada "Call My Name" possui a cara dos anos 80.

Mas o Night Ranger também flerta com o Heavy Metal na ótima "Can't Find Me a Thrill" e na sensacional "Night Ranger", uma das melhores composições do grupo.

Concluindo, Dawn Patrol é um álbum importante para os fãs do Glam Metal, não apenas pelo seu pioneirismo, mas também por apontar para uma das sonoridades que seria dominante nos anos oitenta quando se trata de música mais pesada. O Night Ranger é uma ótima banda e fez um grande disco de estreia. Extremamente recomendado para fãs do estilo, como é o caso de quem faz o Blog!

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