27 de setembro de 2016

SCORPIONS - ANIMAL MAGNETISM (1980)


Animal Magnetism é o sétimo álbum de estúdio da banda alemã Scorpions. Seu lançamento oficial aconteceu em 31 de março de 1980, através dos selos EMI e Mercury. As gravações ocorreram entre dezembro de 1979 e fevereiro do ano seguinte, nos estúdios Dierks Studios, em Colônia, na Alemanha e no Manta Sound Studios, em Toronto, no Canadá. A produção ficou a cargo de Dieter Dierks.



O Scorpions é uma das melhores bandas dentro do estilo Hard Rock, tanto nos anos 70 quanto nos 80. O Blog vai tratar dos fatos antecedentes ao lançamento do disco para depois se ater ao disco propriamente dito.

O genial guitarrista Uli Jon Roth deixou o Scorpions em 1978. Na metade daquele ano, após testar cerca de 140 guitarristas, o posto foi ocupado por Matthias Jabs.

Após a adição de Jabs, o Scorpions deixou a gravadora RCA para assinar com a Mercury Records, nos Estados Unidos, e a Harvest/EMI Electrola, em todo o mundo, para gravar seu próximo álbum, Lovedrive.

Apenas algumas semanas após de ter sido expulso da banda UFO, por conta de seu abuso com o álcool, o ótimo guitarrista Michael Schenker, irmão do também guitarrista do Scorpions Rudolf Schenker, retornou ao grupo por um curto período, durante as gravações de Lovedrive.

Isso deu à banda três guitarristas (embora a contribuição de Michael Schenker para a versão final do trabalho foi limitada a apenas três músicas). O resultado foi Lovedrive, um álbum que alguns críticos consideram ser o auge da carreira dos alemães.

Lovedrive apresenta algumas canções favoritas dos fãs como "Loving You Sunday Morning", "Always Somewhere", "Holiday" e a instrumental "Coast to Coast". O trabalho cimentou firmemente uma nova sonoridade do Scorpions, com canções totalmente Hard Rock misturadas a baladas melódicas.

Klaus Meine

A arte da Capa de Lovedrive, altamente provocativa, foi nomeada a "Melhor capa de álbum de 1979", pela revista Playboy, embora tenha sido alterada para o lançamento nos Estados Unidos.

Lovedrive chegou ao número 55 nas paradas dos EUA, além da 36ª posição na parada britânica, demonstrando que a banda estava expandindo suas fronteiras internacionalmente.

Após a conclusão e lançamento do álbum, o Scorpions decidiu manter Michael Schenker na banda, forçando Jabs a sair. No entanto, depois de algumas semanas de turnê, Michael, ainda lidando com o alcoolismo, perdeu uma série de shows chegando ao ponto de ter um colapso em pleno palco.

Desta forma, Jabs foi trazido de volta para substituí-lo nas ocasiões em que Michael simplesmente não conseguia tocar. Entretanto, em abril de 1979, durante uma turnê na França, Jabs foi contratado de forma permanente para substituir Michael.

Assim, o Scorpions era formado por Klaus Meine nos vocais, Matthias Jabs e Rudolf Schenker nas guitarras, Francis Buchholz no baixo e Herman Rarebell na bateria.

E foi esta formação que começou a trabalhar no álbum seguinte, Animal Magnetism.

Novamente a banda apostou em uma capa provocativa, desta vez mostrando uma garota ajoelhada e um Doberman Pinscher sentado, ambos à frente de um homem.

A capa do álbum foi criada por Storm Thorgerson, da empresa de design Hipgnosis, e, como as capas de álbuns anteriores do Scorpions, causou polêmica. No entanto, ao contrário de várias das capas de seus discos anteriores, a controvérsia não resultou na arte original sendo substituída por uma outra alternativa.

Matthias Jabs

O baixista do Scorpions na época, Francis Buchholz, recorda: "Herman veio com o título do álbum, Animal Magnetism, e todos nós gostamos, porque era um título interessante. Então tivemos este cara chamado Storm que estava fazendo as capas de álbuns do Pink Floyd, acho que ele fez aquele com o cara com as chamas (Nota do Blog: a capa de Wish You Were Here, de 1975). Assim, Storm veio com a idéia para a capa de Animal Magnetism; eu, pessoalmente, não gostei, mas o resto da banda adorou. Mas eu gostei do cão”.

MAKE IT REAL

"Make It Real" possui um riff principal bastante cativante, unindo o peso e a melodia em doses proporcionais. Desta forma, a composição usa uma técnica de "ir crescendo", em intensidade, até o ótimo refrão. Ótima música!

A letra traz uma mensagem de confiança:

Did you ever have a secret yearning
Don't you know it could come true
Now's the time to set wheels turning
To open up your life for you


“Make It Real” é um grande sucesso do Scorpions.

Lançada como single, conquistou a 72ª posição na principal parada de singles desta natureza.



DON'T MAKE NO PROMISES (YOU BODY CAN'T KEEP)

A segunda faixa de Animal Magnetism é a menor, com menos de 3 minutos. Ela mantém a pegada intensa da canção anterior, mas sua característica é alternar passagens mais cadenciadas com outras mais velozes. O solo de guitarra é bem legal!

A letra possui sentido sexual:

Next day, can you believe, she was at the show
She said, hey man, you're great and she took me home
She started to undress, what a shock to see
Padded bra, blonde wig, not much left for me



HOLD ME TIGHT

Já em "Hold Me Tight", a banda acrescenta mais peso em sua sonoridade, apostando em um ritmo bem lento e, simultaneamente, criando um clima mais denso e sombrio. A parte instrumental é ainda mais valorizada graças a uma interpretação impecável de Klaus Meine. Grande momento do disco.

A letra mostra alguém dividido:

Alright don't want me to stay
Alright have it your way
Alright I'm leaving tonight
Alright woman, I'll get out of your sight



TWENTIETH CENTURY MAN

O riff principal de "Twentieth Century Man" é muito criativo, sendo mais leve e dotado de uma melodia maliciosa e contagiante. No refrão, toda esta malícia e lascividade são mais intensas e formam uma parceria interessante com a voz do vocalista Meine.

A letra é uma crítica ao homem moderno:

In the jungle of these times
There's nothing left for them to buy
They look for God on the screen
They've got even dream-machines
They are mesmerized



LADY STARLIGHT

"Lady Starlight" é a canção mais longa do álbum. Seu ritmo é mais lento e a intensidade é demasiadamente suave. A composição é dominada por uma melodia bastante leve, mas de uma beleza comovente (com a ajuda de uma orquestração muito eficiente) e que é elevada por uma atuação soberba dos vocais do ótimo Klaus Meine. Esta é uma das mais belas baladas que o Scorpions já fez. O solo de guitarra a partir do quarto minuto também agrada.

A letra é romântica:

Walking through a winter night,
Counting the stars
And passing time
Snow dances with the wind
I wish, I could be with you again

“Lady Starlight” foi lançada como single, mas não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso deste tipo de lançamento.



FALLING IN LOVE

"Falling in Love" retorna ao típico Hard Rock que marcaria a banda especialmente nos anos 80, aliando doses certeiras de peso e um certo swing. A música vai direto ao ponto, contando com as guitarras muito acentuadas e bons vocais.

A letra é simples em tom sedutor:

Don't tell me your lies, I don't believe a word you say
You do realize, I move around from day to day
And I'm falling in love, it happens to me every day
I'm falling in love, love just seems to slip away



ONLY A MAN

Já em "Only a Man", o conjunto alemão faz uma construção bem criativa, com uma cadência mais pausada, marcando bastante os vocais, sendo tudo acompanhado por guitarras muito pesadas. O resultado final é bastante curioso e interessante, apesar do refrão não ficar no mesmo nível.

A letra fala de um homem tentando se justificar:

Woman, I'm only a man
Do the best that I can as you know
Woman, I'm only a man
Do the best that I can as you know
Now you know how I feel
Nothing is real



THE ZOO

Uma grande aula de Hard Rock. É assim que o Blog define a incrível faixa "The Zoo". A distorção e o peso das guitarras de Rudolf Schenker e Matthias Jabs chegam próximas à perfeição, construindo um ritmo pesado, denso e intenso. Os vocais de Klaus Meine se encaixam perfeitamente com a massa sonora, trazendo mais energia à composição em parceria com a seção rítmica. Brilhantemente, o refrão quebra toda esta construção soturna e traz luminosidade à música. Simplesmente genial!

A letra é boa e fala das cidades modernas:

We eat the night, we drink the time
Make our dreams come true
And hungry eyes are passing by
On streets we call the zoo



“The Zoo” é um grande clássico do Scorpions.

Lançada como single, alcançou a modesta 75ª posição da parada britânica desta natureza.

Schenker escreveu muito da música durante a primeira turnê da banda nos Estados Unidos, em 1979. Quando Meine ouvi pela primeira vez o riff de Schenker, ele se lembrou da visita anterior da banda a uma rua em New York City, onde em uma brincadeira foi referida como um "zoo".

Meine mais tarde compôs a letra da canção, que contêm referências a ruas da cidade, especialmente a 42nd Street, em New York.

Além de presença praticamente constante no set list dos shows do grupo, “The Zoo” está em praticamente todas as coletâneas e compilações do Scorpions.

Também foi aclamada pela crítica, tomando parte da lista de The Top 500 Heavy Metal Songs of All Time, de Martin Popoff, em 2002.



ANIMAL MAGNETISM

A nona - e última - canção de Animal Magnetism é a faixa-título, obviamente, de mesmo nome. Esta composição remete à fantástica primeira fase da banda, ainda nos anos 70. O flerte com o Heavy Metal é mais explícito. O ritmo é lento e sombrio, contando com as guitarras muito pesadas, e a bateria de Herman Rarebell e o baixo de Francis Buchholz elevam o peso à enésima potência. A cereja do bolo fica com a impecável atuação de Klaus Meine. Fabuloso!

A letra possui conteúdo sexual:

Make love to me right now
Love me till I'm down
You make me groove
I want ya, that's all I do
You let me groove
I want ya, that's all I do



Considerações Finais

Embalado por fortes canções como “Make It Real” e “The Zoo”, Animal Magnetism fez sucesso e mostrou que o Scorpions continuava no caminho correto.

O álbum conquistou a razoável 52ª posição na principal parada de sucessos norte-americana, atingindo a boa 23ª colocação na correspondente britânica. Também ficou com o 12º lugar na parada alemã.

Mais importante que isto, o álbum cimentou definitivamente a sonoridade que o Scorpions assumiria durante a década de 80 e o levaria a conquistar todo o mundo.

A revista Rolling Stone teceu críticas favoráveis ao trabalho. O crítico musical canadense Martin Popoff dá nota máxima ao disco. Quem destoa é Barry Weber, do AllMusic, que dá ao álbum 2,5 de um máximo de 5 estrelas possíveis, afirmando que: “muitas das canções soam como o trabalho de algum outro grupo de rock e simplesmente não se misturam como deveriam”.

Animal Magnetism supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Klaus Meine - Vocal
Matthias Jabs – Guitarra-Solo e Backing Vocals
Rudolf Schenker – Guitarra-Base e Backing Vocals
Francis Buchholz – Baixo e Backing Vocals
Herman Rarebell – Bateria e Backing Vocals
Músicos adicionais em "Lady Starlight":
Allan Macmillan – arranjos em cordas e metais, condutor
Adele Arman, Victoria Richard - violinos
Paul Arman - viola
Richard Arman - violoncelo
Charles Elliot - baixo
Melvin Berman - oboé
George Stimpson, Brad Wamaar - trompas

Faixas:
01. Make It Real (Schenker/Rarebell) - 3:49
02. Don't Make No Promises (Your Body Can't Keep) (Jabs/Rarebell) - 2:55
03. Hold Me Tight (Schenker/Meine/Rarebell) - 3:53
04. Twentieth Century Man (Schenker/Meine) - 3:00
05. Lady Starlight (Schenker/Meine) - 6:15
06. Falling in Love (Rarebell) - 4:09
07. Only a Man (Schenker/Meine/Rarebell) - 3:32
08. The Zoo (Schenker/Meine) - 5:28
09. Animal Magnetism (Schenker/Meine/Rarebell) - 5:56

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/scorpions/

Opinião do Blog:
Para fãs das vertentes mais pesadas do Rock, como o Hard Rock e o Heavy Metal, os carros-chefes do Blog, é indubitável que o Scorpions é uma das melhores e mais importantes bandas dentro destas vertentes. Os alemães contribuíram com álbuns essenciais para fãs deste tipo de sonoridade.

Entre o fim dos anos 70 e o início da década seguinte, o grupo alemão resolveu mudar sua sonoridade, especialmente após a saída do excepcional guitarrista Uli Jon Roth. O Scorpions resolveu ser mais Hard e menos Heavy, em uma visão muito simplista da coisa, mas que facilita o entendimento.

A partir de então, o grupo continuou com canções intensas, mas um pouco mais leves e mais acessíveis. Entretanto, para o Blog, a qualidade não caiu. O ótimo Lovedrive já apontava para o que viria.

Com Matthias Jabs, um ótimo guitarrista, muito melódico, efetivado no 'time', a banda ficou ainda mais entrosada. O resultado é o excelente Animal Magnetism. O destaque fica dividido entre o ótimo trabalho das guitarras e a atuação praticamente perfeita de Klaus Meine nos vocais.

As letras são boas e merecem uma conferida.

"Make It Real" é um excelente jeito de se começar um álbum de Hard Rock, com peso e intensidade em medidas corretas. A maliciosa "Hold Me Tight" é uma das faixas mais subestimadas desta fase do Scorpions. E "Lady Starlight" é de uma sutileza tocante.

Outra faixa que está entre as preferidas da banda, para o blogueiro, é a pesadíssima "Animal Magnetism", com um clima sombrio que conquista fãs de Hard/Heavy.

E ainda se tem "The Zoo", composição que disputa o posto de favorita do Scorpions para quem está escrevendo este texto. Faixa incrível, criativa e que depois seria arruinada pelo próprio conjunto em Acoustica (2001), ficando quase irreconhecível.

Enfim, o Scorpions dispensa maiores apresentações para quem é fã de Hard Rock. Banda obrigatória aos admiradores do estilo. Animal Magnetism é uma de suas obras mais importantes, portadora de músicas que possuem o DNA do grupo alemão impresso em sua sonoridade. Mais que obrigatório, o disco é indispensável na coleção dos fãs de música mais pesada. Até o próximo post!

11 de setembro de 2016

AC/DC - FOR THOSE ABOUT TO ROCK WE SALUTE YOU (1981)


For Those Abou to Rock We Salute You é o oitavo álbum de estúdio da banda australiana AC/DC. Seu lançamento oficial aconteceu em 23 de novembro de 1981 através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram entre os meses de maio e setembro daquele mesmo ano, em Paris, na França. A produção ficou por conta do famoso Robert John “Mutt” Lange.


Após um longo período, o AC/DC volta ao Blog com um de seus mais bem-sucedidos álbuns de estúdio, For Those About to Rock We Salute You. O Blog vai tratar dos fatos que antecederam seu lançamento para depois se ater às faixas do disco.

Em 25 de julho de 1980, o AC/DC lançava um dos mais emblemáticos álbuns da história do Rock, o fantástico Back in Black.

O disco conquistou a 1ª posição da principal parada britânica de álbuns, com a correspondente 4ª colocação na correspondente norte-americana. Além disso, permaneceu incríveis 131 semanas consecutivas na Billboard!

Além de contar com canções clássicas como a faixa-título, “Hells Bells” e “You Shook Me All Night Long”, entre outras, o álbum foi uma grande homenagem ao vocalista Bon Scott, falecido meses antes de seu lançamento.

Não bastasse apresentar seu novo vocalista, Brian Johnson, Back in Black abriu as portas não apenas dos Estados Unidos para o AC/DC, mas de todo o planeta para a banda.

Brian Johnson

Até meados de 1981, Back in Black continuava como um fenômeno. Ele foi o maior sucesso comercial da banda, de longe, ganhando o status de platina várias vezes, um feito ainda mais notável porque ele apresentou um novo vocalista, Brian Johnson, conforme dito anteriormente.

Na verdade, Back in Black foi um tal sucesso que a Atlantic Records finalmente lançou o álbum Dirty Deeds Done Dirt Cheap, de 1976, nos Estados Unidos, um disco o qual a gravadora havia inicialmente rejeitado por conta da produção precária.

Além disso, a Red Bus Records lançou um álbum de gravações do grupo Geordie, antiga banda de Johnson, sob o nome de Brian Johnson e Geordie, para tentar ganhar dinheiro com o enorme sucesso do AC/DC.

Em dezembro de 1980, o filme Let There Be Rock, com filmagens de concertos e entrevistas com a banda na estrada, durante a turnê de Highway to Hell (com Bon Scott ainda vivo), foi lançado na França, sendo um enorme sucesso: de acordo com o livro de Murray Engelheart, AC/DC: Maximum Rock & Roll (2006), o filme fez um milhão de dólares em vendas de bilhetes em Paris, enquanto 300.000 pessoas em todo o resto do país também o assistiram - uma resposta quase sem precedentes para um filme musical, que custou cerca de 100 mil dólares.

Engleheart também afirma que o Rolling Stones ofereceu ao AC/DC o valor de um milhão de dólares para abrir pelo menos uma data em sua turnê norte-americana de 1981, mas a banda declinou do convite, pois estava focada em terminar seu novo álbum.

Em julho de 1981, a banda começou a trabalhar no álbum, no EMI Pathe-Marconi Studios, em Paris, na França, com o produtor Robert John "Mutt" Lange, mas ficaram insatisfeitos com o som, optando por gravar as faixas básicas em um antigo armazém na periferia da cidade com o auxílio do estúdio móvel Mobile One.

Malcolm Young

Os vocais foram adicionados mais tarde, no Family Sound studio e os overdubs feitos no HIS Studios.

Em setembro, o álbum foi finalizado. Em Novembro de 1992, o guitarrista Malcolm Young recordou a Mark Blake, da Metal CD: "Eu não acho que ninguém, nem mesmo a banda ou o produtor, poderia dizer se ele soou certo ou errado. Todo mundo estava farto de todo o álbum".

Em 2006, o engenheiro de som Tony Platt afirmou no AC/DC: Maximum Rock & Roll: “Eu acho que houve um sentimento geral de que Back in Black foi o auge de como o AC/DC deveria sempre ser produzido. For Those About to Rock estava um pouco 'superproduzido' em termos do que a banda deveria estar”.

A capa do álbum, embora simples, também se tornou uma imagem icônica do grupo australiano. Vamos às faixas:

FOR THOSE ABOUT TO ROCK (WE SALUTE YOU)

Um dos riffs mais icônicos criados pela banda abre os trabalhos na faixa-título. O ritmo é lento, com o peso na dose certa, tudo isto recheado por uma das mais impressionantes atuações do vocalista Brian Johnson à frente do AC/DC. Os tiros de canhões ajudam a dar um ar épico à composição. Enfim, uma das melhores canções da história do Rock. 

A letra fala do sentimento sobre a própria banda:

We're just a battery for hire with the guitar fire
Ready and aimed at you
Pick up your balls and load up your cannon
For a twenty-one gun salute

“For Those About to Rock” é um dos maiores clássicos do AC/DC.


O título e o tema central da canção são baseados em uma saudação antiga usada por prisioneiros romanos a serem executados no Coliseu: “Ave, Caesar, morituri te salutant” ( “Ave, César, nós, os que estão prestes a morrer, o saudamos” - em inglês: “Hail Caesar, we who are about to die, salute you”).

No entanto, Angus Young disse mais tarde que a inspiração para os canhões veio de uma fonte muito diferente. A banda estava trabalhando nas primeiras gravações da canção no mesmo dia do casamento da Princesa Diana, do Reino Unido, e o evento era transmitido pela TV.

Segundo a lenda, Angus recordou que “alguém assistia ao casamento no quarto ao lado... nós estávamos tocando uma parte da música, quando os canhões foram saindo e nós paramos um segundo e foi... hmmm... realmente parece muito bom”.

Esta coincidência também levou a um canhão ser o destaque na capa do álbum e do single, bem como canhões de Napoleão, em tamanho natural, tornarem-se um atrativo regular nos shows do AC/DC. Os canhões, disparados durante a execução da canção, são misturados com fogos de artifício.

Lançada como single, conquistou a 15ª posição da principal parada britânica desta natureza.

Nos esportes norte-americanos, a faixa é usada em larga escala, por equipes como o New England Patriots (NFL), Columbus Blue Jackets (NHL) e Houston Texans, (também da NFL). Aparece no filme Jerry Maguire (1996), dirigido por Cameron Crowe e estrelado por Tom Cruise.

Outra vez no cinema, o filme School of Rock (2003), dirigido por Richard Linklater e estrelado por Jack Black, utiliza expressões ligadas à música, com a personagem de Black dizendo: “For those about to rock, I salute you!”.

A banda Godflesh fez uma versão para “For Those About to Rock”. A canção também é utilizada pelo grupo Slipknot antes de adentrar ao palco para um show.



PUT THE FINGER ON YOU

Já na segunda faixa, o grupo deixa de lado o peso mais intenso da primeira música, apostando mais em uma melodia maliciosa, embora a velocidade tenha sido aumentada. Johnson faz bons vocais, mas as guitarras não aparecem tanto.

A letra possui conotação sexual:

Sneaking up on your front door
You can feel it on your ankle
Feel it on your knee
Feel it on your thigh
Can you feel me?



LET'S GET IT UP

"Let's Get It Up" apresenta um riff muito bom, com as doses de intensidade e malícia típica dos melhores momentos do estilo Hard Rock. Desta forma, a massa sonora se casa perfeitamente com a forma "safada" como Brian Johnson interpreta a letra na música. Certamente uma das composições mais subestimadas do AC/DC. Ótimo solo de Angus Young na guitarra.

Novamente, a letra é de conotação sexual:

Loose lips, sink ships
so come aboard for a pleasure trip
it's high tide so let's ride
the moon is rising and so am I
I'm gonna get it up
Never gonna let it up
Crusing on the seven seas
A pirate on my knobby knees
I'll never go down, never go down


Lançada como single, atingiu a 44ª colocação na principal parada norte-americana desta natureza, conquistando a 13ª posição na correspondente britânica.



INJECT THE VENOM

Forte e intensa, com boas doses de peso, assim é "Inject the Venom". O riff primordial da música é excelente, tornando a composição uma das mais pesadas de todo o álbum. Angus, como de costume, brilha na guitarra, mas o grande destaque vai para a atuação magistral dos vocais de Brian Johnson, dando a intensidade perfeita que a parte sonora exige.

A letra possui sentido de determinação:

Got no heart, no - feel no pain
Take your soul and - leave a stain
Come choose your victim
Take him by surprise
Go in hard and get him right between the eyes and



SNOWBALLED

Em "Snowballed", o grupo aposta na fórmula de uma música curta, simples e rápida, apenas cadenciando o ritmo em um refrão bem enxuto. O riff principal é legal, Johnson atua de maneira competente nos vocais e o solo é bem convincente.

A letra é em tom de rebeldia:

Crashed out on the market, out (blood) on the floor
Busted man on show
Bundled out of the City, out of the door
Thrown up against the wall
Put out of the picture
Axe about to fall walk before you throw (cry)



EVIL WALKS

"Evil Walks" apresenta um ritmo mais cadenciado, embora simples. O riff principal é bem legal, mas, para o Blog, a mixagem final deixou ausente uma dose de peso que seria primordial para elevar a composição (e que está presente no refrão, o qual é excelente). Angus faz um solo de guitarra muito especial na metade final da música. Boa aparição do baixista Cliff Williams.

A letra pode ser interpretada com temática de magia:

C'mon weave your web
Drown in your ocean
You got 'em tied to your bed
With your dark, dark secrets
And your green, green eyes
You black widow



C.O.D.

"C.O.D." é a menor canção do disco e vai diretamente ao ponto em seus poucos mais de 3 minutos. O riff é cheio de malícia e com a dose necessária de peso. Bom refrão e belo solo de guitarra do Angus Young. Bem legal.

A letra é em tom de gozação, brincando com uma doença venérea:

The call of a dog
Cry of a bitch!
The sign of the sinner's
The size of his itch, yeah!



BREAKING THE RULES

Nesta faixa, o AC/DC aposta em um andamento mais lento e o ritmo arrastado é embalado pela voz de Brian Johnson e o baixo de Cliff Williams dita o ritmo. O solo de guitarra de Angus Young conta com muito feeling.

A letra pode ser entendida como uma crítica aos políticos:

They got regulation ties
Regulation shoes
Those regulation fools
With their regulation rules



NIGHT OF THE LONG KNIVES

A música é uma das típicas canções que o grupo fazia nos anos 80, ou seja, indo direto ao ponto com um riff simples e com algum peso. O refrão, mais arrastado, ficou legal, muito graças à boa performance de Brian Johnson.

A letra é sobre a “Noite das Facas Longas”, ocorrida na Alemanha Nazista, em 1934:

Where's that saviour, where's that lay?
When you're praying for your life
Who's that fighting back to back?
Who's defending whose attack?



SPELLBOUND

A décima - e última - faixa de For Those About to Rock (We Salute You) é "Spellbound". Logo de cara o ouvinte sente que o peso estará presente na derradeira música do disco. O riff principal é bem pesado e o andamento é mais lento e arrastado. A canção flerta mais proximamente ao Heavy Metal clássico, com um ar sombrio, especialmente em se tratando de AC/DC. O solo de guitarra de Angus Young é ótimo, mas o brilho mais intenso é para a soberba atuação de Brian Johnson.

A letra pode ser inferida como um sentimento de resignação:

I'm sliding on an oil slick
Blinded on a bad trip
Yes and nothing's going to change it
I can do nothing right
Can't even sleep at night
My feet have left the ground
I'm spinning round and round



Considerações Finais

Baseado no sucesso de sua faixa-título e de seu álbum anterior, For Those About to Rock We Salute You acabou, também, fazendo bastante barulho e sendo muito bem-sucedido.

O álbum atingiu a magnífica 1ª posição da principal parada norte-americana de discos, a Billboard. Também conquistou a excepcional 3ª colocação na sua correspondente britânica. Ainda ficou com os 3º, 4º e 1º lugares nas paradas de Austrália, Canadá e França, respectivamente.

Este é o único álbum de estúdio do AC/DC para o qual o grupo não filmou vídeos promocionais. Algumas performances ao vivo das 3 primeiras faixas do álbum (assim como outras faixas de outros discos) foram filmadas em shows, em Maryland (EUA), nos dias 20 e 21 de dezembro de 1981, sendo usadas como material promocional e vistas em muitos canais de música naquele período.

Após o lançamento do disco, a banda embarcou em sua primeira turnê (em grandes arenas) pela América do Norte, do final de 1981 até o início de 1982.

Para a faixa-título, grandes canhões foram colocados no palco, prontos para irem de acordo com a canção no álbum. Durante a turnê, foram utilizadas luzes com mais de 100.000 watts de potência no palco.

Os canhões ficavam acima das matrizes de alto-falantes. A popularidade da faixa-título foi tal que em quase todos os concertos ao vivo que o AC/DC fez depois de seu lançamento, a música é executada como encerramento dos shows e é sempre acompanhada por uma salva de tiros de canhões no palco.

Curiosamente, turnês posteriores tiveram que lidar com a passagem dos grandes canhões utilizados nos shows em fronteiras internacionais, criando situações estranhas com funcionários aduaneiros.

A crítica especializada recebeu o álbum de maneira positiva. A revista Rolling Stone dá ao trabalho uma nota 4 de um máximo de 5. Já o crítico Steve Huey, do AllMusic, dá ao disco uma nota 3 de um máximo de 5, atestando: “a própria banda abrandou o ritmo frequentemente, parecendo menos agressiva e inspirada. Há ainda algum material decente aqui – como a faixa-título”.

Para o álbum seguinte, Flick of the Switch (1983), o AC/DC rompeu com o produtor Robert John “Mutt” Lange, em uma tentativa de seu som voltar a soar menos produzido.

Estima-se que For Those About to Rock We Salute You supere a casa dos 4 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Brian Johnson - Vocal
Angus Young - Guitarra
Malcolm Young - Guitarra, Backing Vocals
Cliff Williams - Baixo, Backing Vocals
Phil Rudd - Bateria, Percussão

Faixas:
01. For Those About to Rock (We Salute You) (Johnson/Young/Young) - 5:44
02. Put the Finger on You (Johnson/Young/Young) - 3:25
03. Let's Get It Up (Johnson/Young/Young) - 3:54
04. Inject the Venom (Johnson/Young/Young) - 3:30
05. Snowballed (Johnson/Young/Young) - 3:23
06. Evil Walks (Johnson/Young/Young) - 4:23
07. C.O.D. (Johnson/Young/Young) - 3:19
08. Breaking the Rules (Johnson/Young/Young) - 4:23
09. Night of the Long Knives (Johnson/Young/Young) - 3:25
10. Spellbound (Johnson/Young/Young) - 4:30

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/ac-dc/

Opinião do Blog:
Back in Black mudou a vida do AC/DC de uma forma completa e definitiva. Vendeu - e até hoje vende - horrores e elevou a banda australiana ao patamar das maiores bandas de Rock de todos os tempos. O conjunto passou a se apresentar em arenas lotadas e ser atração principal em diversos festivais pelo mundo.

A estreia de Brian Johnson não poderia ter sido mais exitosa. Sua voz e o seu jeito de cantar se casaram de maneira sublime com a sonoridade da banda, mesmo que seu estilo fosse particularmente diferente de seu antecessor, o saudoso Bon Scott.

Imagine, caro leitor, que não deve ter sido fácil pensar e compor um sucessor para um álbum tão bem-sucedido como Back in Black. E agora, mais de 30 anos depois, pode-se dizer que o AC/DC cumpriu a tarefa de maneira exitosa.

É claro que o AC/DC se comporta de maneira muito orgânica. A seção rítmica funciona de modo muito simples, ditando o andamento das composições. Malcolm Young é como um relógio suíço, impecável na guitarra-base, permitindo que o outro guitarrista, seu irmão Angus, voe alto nos solos.

Mas o maior brilho individual de For Those About to Rock We Salute You é do vocalista Brian Johnson. Para o Blog, é neste álbum que Brian tem sua melhor atuação à frente da banda, talvez, até em um nível superior ao do antológico álbum anterior.

Confira as letras, elas seguem o padrão do AC/DC, em sua maioria, no melhor estilo "Sexo, drogas e rock 'n' roll".

For Those About To Rock não está no mesmo patamar de Back in Black, claro, mas isto não é demérito algum, já que este é uma pedra preciosa do Rock. Um dos problemas de 'For Those' é sua produção exagerada que retira um pouco da crueza e rusticidade do AC/DC, parte constituinte de seu DNA. Uma mixagem mais "pobre" faria uma faixa como "Evil Walks" soar de maneira melhor. Talvez, o produtor "Mutt" Lange tenha exagerado na dose.

Mas o disco traz algumas canções que estão entre as mais interessantes da carreira da banda com Brian Johnson nos vocais e que, não se sabe o porquê, permanecem em um limbo, esquecidas pelos fãs.

Claro, só a imortal, antológica e inacreditável faixa-título já valeria o álbum. "For Those About to Rock (We Salute You)" briga ferozmente pelo lugar de canção que sintetiza tudo que o AC/DC representa para o mundo do Rock.

A animada "Let's Get It Up" é uma típica música do conjunto, construída com as doses exatas de peso e malícia. A pesada "Inject the Venom" conquista com um riff precioso e criativo.

Ainda se tem a pesada "Spellbound", contando com uma atuação soberba de Brian Johnson, muito peso em um flerte deliberado com o Heavy Metal. Música especial na discografia da banda.

Enfim, For Those About to Rock We Salute You é mais um álbum do AC/DC a aparecer no Blog. A banda é, bem possivelmente, a mais querida pelo blogueiro e um de seus álbuns mais importantes não poderia deixar de aparecer por aqui. É uma das boas amostras do talento do vocalista Brain Johnson e ainda apresenta o grupo australiano muito próximo de seu ápice criativo. Álbum muito bem recomendado pelo Blog! 

4 de setembro de 2016

IRON BUTTERFLY - HEAVY (1968)


Heavy é o álbum de estreia da banda norte-americana Iron Butterfly. Seu lançamento oficial ocorreu em 22 de janeiro de 1968 sob o selo Atco Records. As gravações aconteceram em outubro de 1967 com a produção sob responsabilidade de Charles Greene e Brian Stone.


Passeando pelo Rock fortemente influenciado pelo Blues e pela cena Psicodélica, o Iron Butterfly foi uma banda seminal e muito importante para o surgimento do Hard Rock e do Heavy Metal. Vai-se, conforme a tradição, abordar os primórdios do grupo para depois se ater ao álbum.

O Iron Butterfly foi formado em 1966, em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos.

Os membros originais que formaram o Iron Butterfly foram Doug Ingle (vocal e teclados), Jack Pinney (bateria), Greg Willis (baixo) e Danny Weis (guitarra).

O pai de Ingle, Lloyd, era um organista da igreja, apresentando-o à música em uma idade ainda muito precoce. Ingle se mudou de sua terra natal, Nebraska, nos Estados Unidos, após apenas três meses de seu nascimento, indo, inicialmente, para as Montanhas Rochosas e, depois, a família acabou se mudando para San Diego, na Califórnia.

Rapidamente, o pandeirista e vocalista, Darryl DeLoach, acabou se juntando ao grupo.

A garagem dos pais de DeLoach, situada em um local chamado Luna Avenue, serviu como lugar para os ensaios da banda em quase todas as noites.

O baixista Jerry Penrod e o baterista Bruce Morse substituíram Willis e Pinney, respectivamente, depois que a banda se mudou para a cidade de Los Angeles, também na Califórnia, em 1966. Penrod era originalmente nascido em San Diego.

Doug Ingle

O também baterista Ron Bushy (originalmente nascido do outro lado do país, na capital norte-americana, Washington), em seguida, foi convidado a integrar o grupo quando Morse teve que deixar a banda devido a uma crítica tragédia familiar.

Entretanto, todos os músicos do Iron Butterfly, exceto Ingle e Bushy deixaram a banda após a gravação de seu primeiro álbum, Heavy, no final de 1967.

Os músicos remanescentes, apavorados com a possibilidade do registro não ser lançado, rapidamente encontraram substitutos no baixista Lee Dorman e no guitarrista Erik Brann (também conhecido como "Erik Braunn" e "Erik Braun"), retomando a turnê.

No início de 1968, o seu álbum de estreia, Heavy, foi lançado, após a banda assinar um acordo comercial com a ATCO records, uma subsidiária da Atlantic Records.

O grupo foi representado pela agência William Morris Agency que foi a empresa a qual marcava todos os seus concertos ao vivo.

Ron Bushy

Ao contrário dos rumores, o pandeirista Darryl DeLoach contribuiu como principal vocalista apenas em algumas músicas de Heavy. Tal como acontece com todos os álbuns do Iron Butterfly, antes de Scorching Beauty (1975), a maioria dos vocais principais são de Doug Ingle.

O trabalho artístico da capa do disco retrata os membros da banda tocando seus instrumentos ao lado de um grande monumento em forma de uma orelha humana. Os responsáveis pelo criativo trabalho foram Armando Busick e Joe Ravetz.

Vamos às faixas:

POSSESSION

"Possession" mostra ao que o Iron Butterfly veio, com peso e intensidade bastantes marcantes. Doug Ingle tem ótima atuação não apenas nos vocais bem como no órgão, cuja presença é bastante sentida e se destaca na canção. Ótimo solo da guitarra de Danny Weis.

A letra é simples, sobre relações humanas:

When a man has a woman
And he doesn't really love her
Why does he burn inside
When she starts to love another


“Possession” em conjunto com “Evil Temptation” é um raro single gravado pelo Iron Butterfly, entre 1967 e 1968, mas não lançado até 1970, por razões desconhecidas.

A versão de 1970 para “Possession” é a mesma que foi lançada em um single em conjunto com “Do not Look Down on Me”, em 1967, antes mesmo do lançamento oficial de Heavy, no ano seguinte.



UNCONSCIOUS POWER

Ritmo, intensidade e uma certa malemolência são as marcas da ótima "Unconscious Power", a qual possui uma inegável influência do chamado "Verão do Amor", ocorrido em 1967, e que foi o ápice do Rock Psicodélico nos Estados Unidos. Bons vocais de Ingle.

Na letra há uma mensagem de liberdade:

Removing all your inhibitions
Releasing complete freedom of thought
Sensations of ev'ry sense will prepare
With this you will see ev'ry thing.


Lançada como single, não obteve maior repercussão em termos das principais paradas de sucesso.



GET OUT OF MY LIFE, WOMAN

Já nesta faixa, o Iron Butterfly mostra sua influência bluesy com toda a força. O ritmo é mais cadenciado, mas há a presença de uma dose incipiente de peso, especialmente para aquela época. Ótima presença da guitarra de Danny Weis.

A letra é divertida:

Get off the ladder, woman; I've got to climb up to the top
Get off the ladder, woman; I've got to climb up to the top
Get off the ladder, woman; there is nothin' gonna make me stop

Trata-se de um cover para a canção originalmente composta por Allen Toussaint, músico, compositor e produtor norte-americano ligado ao estilo R&B.



GENTLE AS IT MAY SEEM

A quarta música do álbum é um Rock tradicional repleto de melodia e energia, rápido e direto. A guitarra de Weis está bastante presente mais uma vez. Desta feita, os vocais são feitos por Darryl DeLoach.

A letra fala sobre garotas:

There's a girl for every guy
You can get one if you try
It's not your fault my friend
If you lose her in the end



YOU CAN'T WIN

Em "You Can't Win", o Iron Butterfly aposta em um andamento mais cadenciado, mas com boa dose de intensidade, com o baixo de Jerry Penrod ainda mais presente, praticamente ditando o ritmo. Os vocais de Doug Ingle estão mais contidos, mas aparecem de maneira impactante.

A letra é sobre resignação:

What the man says is always right
He'll cuff your hands so you can't fight
There is no way of getting around it
He'll lock you up and in your head he'll pound it



SO-LO

"So-Lo" também possui bastante influência da vertente psicodélica do Rock, sendo bastante carregada na melodia e malícia. Os vocais de Darryl DeLoach são bons, compondo-se bem com a sonoridade instrumental. Faixa interessante.

A letra fala sobre consciência:

Have you heard about the word
That's going round
Have you heard about the girl
Who put me down
Well, she became aware of the fact
That I was running round
And consequently
My behavior put me down



LOOK FOR THE SUN

"Look for the Sun" é uma faixa pequena, mas direta e que vai ao ponto sem muitos rodeios. Ao intercalar passagens mais pesadas com outras mais melódicas e suaves, certamente é uma canção que aponta para o futuro e aquilo que seria a música da década seguinte. Os vocais são compartilhados por Penrod, Ingle e DeLoach.

A letra fala sobre luz:

Sunshine keeps light time from bringing
On the sad sad times
Mmm, that sunshine brings
Brightness to you



FIELDS OF SUN

Também em "Fields of Sun" o grupo se mostra intenso, aplicando um peso extra a sua sonoridade e que não era tão comum na época. Há a inteligente mistura de passagens mais intensas com outras de pegada suave, intercalando sonoridades distintas, mas totalmente complementares. Ótimos vocais de Ingle.

A mensagem é positiva:

This is the never-ending story
Of life which goes on
Day in and day out
Mountains of evergreen trees
Standing tall and straight
Like soldiers about



STAMPED IDEAS

"Stamped Ideas" é a menor faixa do álbum e possui a típica áurea sessentista do Rock, mas com uma pequena dose Bluesy muito bem-vinda. Os vocais são feitos por Darryl DeLoach. Simples, mas bem legal.

A letra é simples:

Stay away from people made from plastic in a mold,
And keep your stamped ideas inside your head untold,
Because I, I, I, baby am protecting you,
Yes, against the kind of things that other people do.
I, baby, am protecting you 'Cause I'm in love with you.
So come on baby!



IRON BUTTERFLY THEME

A décima - e última - música de Heavy é "Iron Butterfly Theme". Prezado leitor, não retire de mente que o álbum foi lançado em janeiro de 1968. Portanto, o que se ouve nesta faixa instrumental, é o prelúdio de muita coisa que seria feita na década seguinte, em termos de peso, intensidade e energia musicais. Ótima faixa!

Lançada como single, não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.


Considerações Finais

Mesmo sem um grande hit single que o alavancasse nas paradas de sucesso, o álbum acabou tendo certo sucesso comercial.

Heavy atingiu a 78ª posição da principal parada de álbuns norte-americana, a Billboard. No entanto, não obteve repercussão em sua correspondente britânica.

Três dos membros do grupo (Jerry Penrod, Darryl DeLoach e Danny Weis) deixaram a banda logo após o álbum ser gravado, deixando nas mãos de Ingle e de Bushy encontrarem seus substitutos.

O baixista Lee Dorman e o guitarrista Erik Brann, como foi mencionado, entraram na banda e continuaram com a turnê que promovia Heavy.

Em termos de som, o grupo tomou a inspiração de uma diversificada variedade de fontes externas, do chamado arena rock, como o uso de bongôs do percussionista norte-americano Preston Epps ao rhythm and blues da música instrumental do grupo Booker T. & the M.G.'s.

Em torno deste tempo, a banda se encontrou com o incrível guitarrista Jimmy Page, o qual afirmou que usou o grupo como inspiração parcial para o nome de “Led Zeppelin”.

Além disso, um dos primeiros shows das turnês iniciais do Zeppelin nos EUA foi em conjunto com o Iron Butterfly, no Fillmore East, em Nova York.

Stephen Thomas Erlewine, do site AllMusic, deu a Heavy 3,5 estrelas de um máximo possível de 5. Ele afirmou que “a maior parte do álbum não foi particularmente bem-composta”, mas confirma que “o forte ataque sonoro da banda, ocasionalmente, compensou a fraqueza do material”.

DeLoach posteriormente gravou com os grupos Two Guitars, Piano, Drum and Darryl, enquanto Weis e Penrod formaram o conjunto de nome Rhinoceros.

Em 1970, DeLoach formaria o Flintwhistle com o guitarrista Erik Brann; a banda se apresentaria ao vivo por cerca de um ano antes de se separarem.

Aproveitando o sucesso inicial, o Iron Butterfly gravaria e lançaria, ainda em 1968, o aclamado In-A-Gadda-Da-Vida.

Heavy supera a casa de 500 mil cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Darryl DeLoach - Pandeiro, Vocal, Backing Vocals
Danny Weis - Guitarra
Doug Ingle - Órgão, Vocal, Backing Vocals
Jerry Penrod - Baixo, Vocal, Backing Vocals
Ron Bushy - Bateria

Faixas:
01. Possession (Ingle) - 2:45
02. Unconscious Power (Bushy/Ingle/Weis) - 2:32
03. Get Out of My Life, Woman (Toussaint) - 3:58
04. Gentle as It May Seem (DeLoach/Weis) - 2:25
05. You Can't Win (DeLoach/Weis) - 2:41
06. So-Lo (DeLoach/Ingle) - 4:05
07. Look for the Sun (DeLoach/Ingle/Weis) - 2:14
08. Fields of Sun (DeLoach/Ingle) - 3:12
09. Stamped Ideas (DeLoach/Ingle) - 2:08
10. Iron Butterfly Theme (Ingle) - 4:34

Letras:
Para o conteúdo completo das letras recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/iron-butterfly/

Opinião do Blog:
O Iron Butterfly não é uma banda tão conhecida assim pelo público em geral, estando mais restrita aos círculos que se interessam pela música Rock/Hard Rock setentista. Mas trata-se de um grupo muito criativo e competente e que merece ser ouvido com muita atenção.

É claro que o maior sucesso do Iron Butterfly seria seu álbum In-A-Gadda-Da-Vida, lançado ainda em 1968 e com uma formação bem diferente a constituir o conjunto, já contando com o ótimo baixista Lee Dorman e o guitarrista Erik Brann.

Mas, ressalvado o exposto acima, não podemos descartar de antemão a qualidade de Heavy. É óbvio, ele não está no mesmo patamar de In-A-Gadda-Da-Vida, mas é um bom trabalho. Mostra uma banda buscando sua sonoridade e identidade musical, acabando por refletir em composições diversificadas.

Em Heavy, o Iron Butterfly é formado por bons músicos e o conjunto acaba se sobressaindo, com bom entrosamento e cumplicidade. Destacam-se o guitarrista Danny Weis, o baixista Jerry Penrod e os vocais de Doug Ingle.

As letras são na média geral.

"Possession" é uma música intensa, pesada e com boa dose de dramaticidade, esta, imposta pelos vocais de Ingle. É uma amostra de que quando o Iron Butterfly aponta para o futuro (leia-se Hard Rock setentista) é que aparecem os melhores momentos do álbum.

Isto também acontece na ótima instrumental "Iron Butterfly Theme", bem possivelmente, a preferida do Blog em Heavy.

Também se sobressaem a pesada "You Can't Win", a intensa "Look for the Sun" e a melodiosa "Fields of Sun".

Concluindo, Heavy é um trabalho que demonstra uma banda com muito talento, buscando sua identidade musical e mesclando diferentes sonoridades. É quando dá amostras do que o grupo viria a fazer no futuro, que aparecem os melhores momentos do álbum. O Iron Butterfly foi uma ótima banda e Heavy merece ser apreciado, nem que seja como aperitivo para os melhores momentos do conjunto. Até o próximo post!