17 de julho de 2016

WHITESNAKE - LOVEHUNTER (1979)


Lovehunter é o segundo álbum de estúdio da banda inglesa Whitesnake. Seu lançamento oficial aconteceu em outubro de 1979, através do selo United Artists Records. As gravações ocorreram em maio daquele mesmo ano, no Clearwell Castle, em Gloucestershire, no Reino Unido, com o auxílio dos estúdios móveis do Rolling Stones (Mobile Studio). A produção ficou por conta de Martin Birch.


Após (quase) 5 anos, o Whitesnake volta ao Blog. Vai-se fazer um breve histórico do grupo antes de se focar no álbum propriamente dito, como sempre.

Em março de 1976, o Deep Purple terminava a turnê que divulgava o álbum Come Taste the Band (1975).

Pouco antes do último show da turnê, os dois membros remanescentes do Purple, o baterista Ian Paice e o tecladista Jon Lord, haviam decidido que o melhor a se fazer era encerrar as atividades do grupo.

O fim do conjunto foi finalmente tornado público em julho de 1976. Disse Coverdale em uma entrevista: “Eu estava com medo de deixar a banda. O Purple era a minha vida, Purple me deu a minha carreira, mas, ao mesmo tempo, eu queria sair”.

Após o desaparecimento do Deep Purple, Coverdale embarcou em uma curta carreira solo. Ele lançou seu primeiro álbum em fevereiro de 1977, intitulado White Snake.

Todas as músicas do disco foram escritas por Coverdale e o guitarrista Micky Moody.

Como seu primeiro trabalho solo, Coverdale mais tarde admitiu: "É muito difícil pensar para trás e falar sensatamente sobre o primeiro álbum. White Snake foi um esforço muito introspectivo, reflexivo e discreto, em muitos aspectos, e escrito e gravado no rescaldo do colapso do Deep Purple”.

Mesmo que o álbum não tenha sido bem-sucedido comercialmente, o seu título inspirou o nome da futura banda de Coverdale.

David Coverdale

Em 1978 Coverdale lançou seu segundo álbum solo, Northwinds, que foi recebido muito melhor que o seu anterior. Mas, antes do lançamento do disco, David já havia formado uma nova banda.

David Coverdale fundou o Whitesnake em 1978, em Middlesbrough, Cleveland, no nordeste da Inglaterra.

O núcleo da primeira formação do conjunto estava trabalhando como a banda de apoio de Coverdale, nomeada The White Snake Band, desde a turnê para promoção do primeiro álbum solo do vocalista e manteve o nome antes mesmo de ser oficialmente conhecida como Whitesnake.

Conforme dito, eles excursionaram com Coverdale como sua banda de apoio para os dois álbuns solo por ele lançados, White Snake (1977) e Northwinds (1978), entre sua saída do Deep Purple e a fundação do Whitesnake.

Naquele momento, a banda era composta por David Coverdale, pelos guitarristas Bernie Marsden e Micky Moody, pelo baixista Neil Murray, pelo baterista David "Duck" Dowle e ainda com o tecladista Brian Johnston.

Johnston logo seria substituído pelo responsável pelo órgão e teclados do Procol Harum, Pete Solley. Mas, por causa de seus inúmeros compromissos, Solley foi substituído pelo ex-tecladista do Deep Purple, Jon Lord, durante as sessões para o primeiro álbum do grupo.

O Whitesnake lançou um EP, chamado Snakebite, em junho de 1978. O EP continha 4 faixas, sendo 3 autorais e um cover, “Ain't No Love in the Heart of the City”, originalmente apresentada pelo bluesman norte-americano Bobby Bland.

Este EP, com apenas 4 canções, jamais foi lançado nos Estados Unidos. Uma versão dupla do mesmo EP, contendo mais 4 outras canções retiradas do álbum Northwinds (da carreira solo de Coverdale), totalizando 8 faixas, foi lançado em setembro de 1978.

Aproveitando o sucesso do EP, e, especialmente da faixa “Ain't No Love in the Heart of the City”, a banda resolveu gravar e lançar o seu primeiro álbum de estúdio.

Gravado e mixado em 10 dias, Trouble foi lançado em outubro de 1978.

Jon Lord

O trabalho possui boas canções como “Take Me with You”, “Lie Down (A Modern Love Song)” e a própria faixa-título, todas com uma pegada bastante Blues Rock.

O álbum acabou atingindo a 50ª posição da principal parada britânica deste tipo lançamento.

O segundo álbum viria aproximadamente um ano depois, Lovehunter.

A capa causaria uma certa controvérsia, pois contava com uma ilustração de uma mulher nua montando em uma serpente enrolada. Obra do artista Chris Achilleos.

Os trabalhos artísticos originais de Lovehunter foram roubados na década de 1980.

Vamos às faixas:

LONG WAY FROM HOME

Com um ritmo cadenciado e com um peso comedido, o álbum se inicia de forma rítmica e bastante melódica. A interpretação de Coverdale é muito sóbria e a sonoridade é envolvente. O solo é simples e com feeling. Ótimo início.

A letra é em tom de flerte:

I would do anything to be near you,
You're everything any man could claim
I see your face in the night,
I hear you calling my name


Lançada como single, atingiu a 55ª posição na principal parada britânica desta natureza, tendo até boa divulgação nas rádios do Reino Unido.



WALKING IN THE SHADOW OF THE BLUES

Um riff muito bom, pesado e intenso dita o ritmo em "Walking in the Shadow of the Blues". Evidente, como o próprio nome denuncia, trata-se de um Hard Rock setentista extremamente carregado da influência do Blues. Os teclados estão evidentes com a categoria de sempre por parte de Jon Lord. Ótimos vocais, incrível intensidade e excelente presença das guitarras formam uma das melhores composições de toda a carreira do Whitesnake. Clássico!

A letra pode ser entendida como uma ode ao estilo musical a que se refere:

I love the blues
They tell my story
If you don't feel it I will tell you once again
All of my life I've been caught up in a crossfire
'Cos I've been branded with the devil mark of Cain



HELP ME THRO' THE DAY

Nesta faixa, a pegada bluesy continua intensa, mas há um forte toque de melancolia e suavidade. As guitarras estão bastante presentes, abusando do feeling, acabando por se tornarem os grandes destaques da canção.

A letra fala sobre uma mulher:

Help me through the day,
Help me through the night
Baby your sweet loving
Will make everything all right

Trata-se de um cover para uma canção originalmente composta pelo músico norte-americano Leon Russell.



MEDICINE MAN

"Medicine Man" possui um riff forte e criativo, remetendo diretamente ao que Coverdale (e Lord) faziam no Deep Purple. Hard Rock setentista de primeira, com peso e melodia, destacando os teclados do mestre Jon Lord!

A letra é uma brincadeira romântica:

I'm the medicine man,
Your doctor of love
Medicine man,
Doctor of love



YOU 'N' ME

Em "You 'n' Me", o Whitesnake continua com o ritmo forte, repleto de melodia e malícia. Tanto as guitarras quanto o teclado contribuem decisivamente para este efeito malemolente da canção. Os vocais de Coverdale são muito bons. Boa faixa!

A letra é romântica:

I know those page three girls
In the playboy books,
Ain't got nothing on you
In the way that you look
But, an eye for an eye
A tooth for a tooth
When you get home
You better give me some truth



MEAN BUSINESS

Já "Mean Business" possui um sentimento de urgência. O ritmo é mais acelerado, rápido mesmo, com as guitarras ditando o andamento. Impossível não sentir um quê de Deep Purple, especialmente nos momentos em que Jon Lord é o protagonista.

A letra fala de uma garota:

I've got my love gun loaded
I've got you in my sight
I never take no for an answer
So you'd better say yes tonight
I told you the score
Right from the start
You'll never get to heaven
If you break my heart



LOVE HUNTER

O ritmo cadenciado e cheio de melodia, mas dotado de boa dose de peso, é a marca registrada deste clássico setentista. O grupo apresenta um Hard Rock que possui boas doses de Blues, com destaque para o baixo onipresente de Neil Murray. A atuação impecável de David Coverdale é fator decisivo para o sucesso da música.

A letra é em teor sexy:

But, I've given all I can.
I don't want no woman
To weep or moan,
I'm looking for a sweet
Heartbreaker



OUTLAW

"Outlaw" apresenta um ritmo cadenciado e direto, com as guitarras atuando em conjunto para ditar a intensidade da canção. O solo de teclado de Jon Lord é ótimo. Os vocais nesta canção são feitos pelo guitarrista Bernie Marsden.

A letra é em teor de rebeldia:

I never find it easy trying to keep the feeling alive,
I've always been a dreamer,
Dreamers find it hard to survive
When they're living in the bright lights of the big city,
A red hot town where the girls are pretty



ROCK 'N' ROLL WOMEN

"Rock 'n' Roll Women" é uma música bastante divertida, não apenas pelo teor de suas letras, mas pela criativa mistura do Rockabilly dos anos 50 com o Hard Bluesy típico do Whitesnake. A canção só não é melhor pela inexplicável passagem em que quase se torna uma balada.

A letra é divertida:

You can see in my face just what i'm hoping to find,
I want a twelve bar beauty
With a one track mind.
I don't drive babe, but, I can steer,
We got the green light
Let's get out of here



WE WISH YOU WELL

A décima - e última - faixa de Lovehunter é "We Wish You Well". A canção é bem curta, com pouco mais de 1 minuto e serviu como encerramento dos shows do Whitesnake por muito tempo. É apenas a bela voz de Coverdale e um ritmo suave e nostálgico.

A letra é em tom de despedida:

I'm sad to say
It's time to go
But until we meet again along the road
Remember this, on your journey home
When you hear the thunder roar, your not alone



Considerações Finais

Baseado em “Long Way from Home”, Lovehunter foi mais bem-sucedido que seu antecessor.

Conquistou a 29ª posição da principal parada britânica de álbuns, embora não tenha repercutido na sua correspondente norte-americana.

O álbum ganhou mais repercussão com o passar dos anos quando a banda conquistou o mundo e os, então, novos fãs começaram a procurar o material antigo do Whitesnake.

Tanto que “Walking in the Shadow of the Blues” acabou tornando-se um clássico e aparece com certa regularidade nos shows do grupo.

Eduardo Rivadavia, do AllMusic, dá ao álbum 3 de um máximo de 5 estrelas. E afirma: “Ainda assim, considerando todas as coisas, o registro é bastante consistente; a banda está igualmente em casa balançando através de “Long Way From Home”, e deslizando através da bluesy balada “Help Me Thru 'the Day””.

Pouco depois, o baterista Ian Paice substituiu David Dowle, dando ao Whitesnake três ex-membros do Deep Purple.

A nova formação entraria em ação para gravar o terceiro álbum de estúdio do grupo, o inesquecível Ready an' Willing, de 1980.



Formação:
David Coverdale - Vocais e Backing Vocals
Micky Moody - Guitarras, Slide Guitar, Backing Vocals
Bernie Marsden - Guitarras, Backing Vocals e Vocal principal em 8
Jon Lord - Teclados
Neil Murray - Baixo
Dave Dowle - Bateria

Faixas:
01. Long Way from Home (Coverdale) – 4:58
02. Walking in the Shadow of the Blues (Coverdale/Marsden) – 4:26
03. Help Me Thro' the Day (Russell) – 4:40
04. Medicine Man (Coverdale) – 4:00
05. You 'n' Me (Coverdale/Marsden) – 3:25
06. Mean Business (Coverdale/Moody/Marsden/Murray/Lord/Dowle) – 3:49
07. Love Hunter (Coverdale/Moody/Marsden) – 5:38
08. Outlaw (Coverdale/Marsden/Lord) – 4:04
09. Rock 'n' Roll Women (Coverdale/Moody) – 4:44
10. We Wish You Well (Coverdale) – 1:39

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/whitesnake/

Opinião do Blog:
O Whitesnake caracteriza-se por duas fases bem distintas em sua carreira: a primeira, na qual a banda baseava sua sonoridade no Hard Rock setentista com uma inconfundível influência do Blues norte-americano. A segunda fase, o grupo abraçou o Hard Rock dos anos 80, flertando deliberadamente com o Glam Metal. Em ambas o Blog consegue ver qualidades e trabalhos memoráveis.

Lovehunter está localizado na primeira fase e conta com uma coleção de canções que satisfazem gloriosamente os fãs do Hard Rock setentista.

Naquele ponto, logo após sair do Deep Purple, arriscar-se em uma pouco repercutida carreira-solo, Coverdale resolveu criar uma nova banda e o sucesso comercial chegaria novamente em sua profissão. Nem tanto nesta fase, mas, ao mesmo tempo, alguns de seus trabalhos mais marcantes aconteceram neste momento.

Com um time de peso o acompanhando, o resultado não poderia ser outro.

A seção rítmica é onipresente e eficiente, composta pelo baixista Neil Murray e o baterista Dave Dowle. As guitarras também funcionam de maneira ótima, tanto nos solos quanto nos riffs. Bernie Marsden ainda se arrisca nos vocais em "Outlaw", com um resultado bem mediano.

Mas os destaques são os vocais sempre eficientes de David Coverdale, portador de uma inconfundível e bela voz. E o mestre dos teclados Jon Lord que, se não possui o mesmo protagonismo que havia no Deep Purple, quando é chamado a trabalhar, mostra a categoria que lhe é peculiar.

As letras são na média geral.

Lovehunter é um álbum bem coeso. A maior parte de seu conteúdo é muito acima da média normal, trazendo brilho aos ouvintes fãs de seu estilo.

A melodiosa "Long Way from Home" e a direta "Mean Business" são ótimas amostras da versatilidade do grupo. Neste patamar também entra a ótima versão para "Help Me Thro' the Day".

A bluesy "Medicine Man" é uma grande composição. Assim como a maliciosa faixa-título, uma das melhores músicas desta fase inicial do Whitesnake. E ainda temos "Walking in the Shadow of the Blues", fortíssima candidata a melhor música da carreira da banda.

Enfim, é dispensável realçar ainda mais como o Whitesnake é uma das grandes bandas do Hard Rock em todos os tempos. Lovehunter é uma amostra do potencial de fogo que o conjunto possuía nos seus primórdios e como a fusão de peso e melodia podia ser bem costurada. Álbum mais que recomendado!

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