3 de fevereiro de 2016

MEGADETH - SO FAR, SO GOOD... SO WHAT! (1988)


So Far, So Good... So What! é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana Megadeth. Seu lançamento oficial aconteceu em 19 de janeiro de 1988, através do selo Capitol Records. As gravações ocorreram durante o ano anterior no estúdio Music Grinder, em Los Angeles, na Califórnia. A produção ficou a cargo de Paul Lani e do próprio Dave Mustaine.


Um dos grandes nomes do movimento Thrash Metal norte-americano e do Heavy Metal em geral, o Megadeth, retorna ao Blog depois de muito tempo. Primeiramente, como de costume, abordar-se-á os fatos que antecederam ao lançamento do álbum para depois se comentar sobre suas faixas.

Em setembro de 1986, o Megadeth lançava seu segundo álbum de estúdio, o aclamado Peace Sells... but Who's Buying?

O disco fez barulho, chegando a alcançar a 76ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, a Billboard.

Além disso, o álbum foi notadamente destacado por seu conteúdo lírico político, auxiliando a expandir a base de fãs do Megadeth. Também, sua faixa-título foi o single principal do trabalho, acompanhada por um videoclipe da música que recebeu regular divulgação na MTV dos Estados Unidos.

Já em fevereiro de 1987, o Megadeth foi a banda de abertura na turnê “Constrictor Tour”, de Alice Cooper, e no mês seguinte o grupo começou sua primeira turnê mundial como atração principal no Reino Unido. A turnê, de 72 semanas, foi apoiada pelas bandas Overkill e Necros, e continuou nos Estados Unidos.

Durante a turnê, o líder, vocalista e guitarrista Dave Mustaine e o baixista David Ellefson consideraram demitir o baterista, Gar Samuelson, por conta de seu severo abuso de drogas.

Dave Mustaine
De acordo com Mustaine, Samuelson tornou-se uma pessoa difícil de se lidar quando estava 'intoxicado'. O baterista Chuck Behler viajou com o Megadeth para as últimas datas da turnê, pois os outros membros da banda temiam que Samuelson não fosse capaz de terminar a tour.

Se não bastassem os problemas com o baterista Samuelson, o guitarrista Chris Poland, ocasionalmente, brigou com Dave Mustaine, e, posteriormente, foi acusado de furtar e vender equipamentos da banda para comprar heroína!

Como resultado, Samuelson e Poland foram “convidados a deixar” o Megadeth em 1987.

Naquele mesmo ano, Jeff Loomis, da banda Sanctuary, então com 16 anos de idade, fez um teste para o grupo. Mustaine elogiou o talento de Loomis, mas o considerou demasiado jovem para se juntar ao conjunto.

Poland foi inicialmente substituído por Jay Reynolds, do Malice, mas quando o grupo começou a trabalhar em seu próximo álbum, Reynolds foi substituído por seu próprio professor de guitarra, Jeff Young, enquanto o Megadeth completava seis semanas de gravação do seu terceiro álbum de estúdio.

Com um orçamento grande da gravadora, So Far, So Good ... So What! levou mais de cinco meses para ser gravado. O álbum foi atormentado com problemas durante sua produção, em boa parte, devido à luta de Mustaine com sua dependência em drogas.

David Ellefson
Mustaine disse mais tarde: "A produção de So Far, So Good ... So What foi horrível, principalmente devido a substâncias e às prioridades que tinha ou não naquele momento!".

Além disso, Mustaine entrou em confronto com o produtor Paul Lani, em várias ocasiões, começando com a insistência de Lani sobre que a bateria deveria ser gravada separadamente dos címbalos, em um inédito processo para bateristas de rock.

Mustaine e Lani se afastaram durante a mixagem do álbum, com o produtor sendo substituído por Michael Wagener, que acabou remixando o disco.

Vamos às faixas:

INTO THE LUNGS OF HELL

Com um riff memorável como base, "Into The Lungs Of Hell" é uma faixa instrumental que transborda o melhor do Thrash Metal por todos os poros. Solos de guitarra bem trabalhados, ritmo e intensidade absurdos e muito feeling. Genial.



SET THE WORLD AFIRE

Um riff infernal anuncia a segunda faixa do álbum, "Set The World Afire". Obviamente, o Thrash Metal é a base da canção a qual conta com um ritmo acentuado e grande intensidade. Após a grande introdução, o grupo opta por um andamento um pouco mais cadenciado, mas o peso é uma presença constante. Alternando entre andamentos mais lentos e outros mais rápidos, o ouvinte está diante de uma bela peça característica da Bay Area.

A letra menciona um desastre nuclear:

Dig deep the piles of rubble and ruins
Towering overhead both far and wide
There's unknown tools of World War III
Einstein said "We'll use rocks on the other side"
No survivors!

“Set The World Afire” foi a primeira música que Dave Mustaine escreveu após ser demitido do Metallica. Ele teria escrito sua letra durante a viagem de volta para sua casa na Califórnia. A canção estava previamente nominada 'Megadeath', mas Mustaine preferiu usar o nome para sua banda, com a exclusão do 'a' de Death.



ANARCHY IN THE U.K.

Com a urgência que o Punk Rock pede, o Megadeth fez uma competente versão para "Anarchy In The UK". Simples, rápida e com um bom solo de guitarra após o primeiro minuto.

A letra é uma apologia à anarquia:

Of many ways to get what you want
I use the best, I use the rest
I use the enemy
I use anarchy


Trata-se de um cover de uma música originalmente gravada pela lendária banda punk Sex Pistols. As letras foram, de maneira bem sutil, modificadas, mas por engano, pois, segundo Mustaine, ele as teria ouvido de modo errado.

Logo se tornou um clássico dos shows do Megadeth, embora muito rapidamente também tenha sido excluída do set list da banda, por seu conteúdo anti-cristão, após a conversão religiosa de Mustaine.

Lançada como single, atingiu a 45ª posição da parada britânica desta natureza. Conta com a participação de Steve Jones, do Sex Pistols, tocando o segundo solo de guitarra.



MARY JANE

Já em "Mary Jane", desde seu início o Megadeth bebe na fonte do Heavy Metal tradicional, com um pouco menos de velocidade, apostando em um andamento mais lento, embora o peso seja muito impactante. A partir do terceiro minuto, a trilha Thrash passa a ser dominante e, deste modo, a faixa ganha em ritmo e intensidade. Ponto alto do trabalho.

A letra fala sobre magia e sacrifício:

From the earth, up through the trees
I can hear her calling me
Her voice rides on the breeze
Oh, it's haunting me


Lançada como single, atingiu a 46ª posição da parada britânica desta natureza.




502

Em "502", o grupo aposta em uma faixa mais curta e direta, indo sem rodeios ao ponto. O riff principal da música é bom e criativo. No meio da canção há uma vinheta de acidente automobilístico que anuncia um inspirado solo de guitarra.

A letra fala sobre automóveis:

Pull over, shithead, this is the cops
Full tank, pockets lined with cash
Full throttle, gonna rip some ass
Drive all day, and through the night,
Romance the road, winding left and right
The stars above guide me, the moonlight is free
A feeling inside me, and the whole world to see





IN MY DARKEST HOUR

Com uma introdução bastante criativa e inspirada, um dos grandes clássicos do Megadeth é originado: "In My Darkest Hour". O ritmo é mais cadenciado e o peso é absurdo, muito graças a um riff magistral criado por Dave Mustaine. Aliás, o vocalista faz um ótimo papel também na interpretação da letra, passando toda a angústia que o conteúdo lírico transmite. Da metade para a frente, o Thrash Metal domina, com solos de guitarra incríveis. Faixa espetacular!

A letra é angustiante e sobre solidão:

I walk, I walk alone
Into the promised land
There's a better place for me
But it's far, far away

Com o passar do tempo, “In My Darkest Hour” se tornou um grande clássico da discografia do Megadeth.

Lançada como single, não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.

Embora sua letra não mencione o fato, a inspiração para “In My Darkest Hour”, segundo Dave Mustaine, teria sido a notícia sobre a morte do baixista do Metallica, Cliff Burton, seu ex-companheiro de banda.



LIAR

"Liar" começa com outro riff muito inspirado por parte da banda. A música é curta, com pouco mais de 3 minutos, e o Thrash Metal é a base. O ritmo é bastante veloz, com as guitarras fazendo um trabalho bem interessante.

A letra é um grande insulto:

Look deep in the mirror, look deep into its eyes
Your face is replaced, a creature you despise
I know what you're made of, it ain't much I'm afraid
I know you'll be lying until you dying day

Lançada como single, não causou maior barulho nas paradas de sucesso. A letra de “Liar” é direcionada ao guitarrista Chris Poland, demitido da banda em 1987.



HOOK IN MOUTH

A oitava - e última - música de So Far, So Good... So What! é "Hook In Mouth". Contando com um dos melhores riffs criados por Mustaine, um dos clássicos do Megadeth encerra o álbum com louvor. O andamento é veloz e o peso está na dose certa. Além disso, os vocais mais agressivos de Dave se casam perfeitamente com a proposta da canção. Sensacional!

A letra é uma mensagem de fúria:

You say you've got the answers, well who asked you anyway?
Ever think maybe it was meant to be this way?
Don't try to fool us, we know the worst is yet to come
I believe my kingdom will come




“Hook in Mouth” é outra canção que se tornou clássica na história do Megadeth.

Lançada como single, também não conseguiu ser bem-sucedida nas paradas de sucesso.

A letra de “Hook In Mouth” é uma crítica ao Parents Music Resource Center, ou PMRC, um comitê formado em 1985 com o objetivo declarado de aumentar o controle dos pais sobre o acesso das crianças à música com conteúdo considerado violento, sobre uso de drogas ou de caráter sexual, através da rotulagem de álbuns com um adesivo com a inscrição Parental Advisory.



Considerações Finais

So Far, So Good... So What! foi o lançamento de maior impacto, até então, para o Megadeth. Ao menos em termos de paradas de sucesso.

O álbum atingiu a boa 18ª colocação na principal parada britânica de discos, conquistando a 28ª posição na correspondente norte-americana.

Ao tempo de seu lançamento, a crítica especializada recebeu positivamente o disco. Holger Stratmann, da revista Rock Hard, chamou o álbum de a nova obra de arte do Megadeth. Jim Farber, da Rolling Stone, afirmou que a banda estava indo diretamente ao topo da cena Thrash americana. Também o crítico Robert Christgau revisou positivamente o trabalho.

Entretanto, revisões retrospectivas do disco tendem a serem mais críticas e pesadas, como as de Steve Huey, do AllMusic, e de Mike Stagno, do Sputinkmusic.

A turnê que se seguiu ao lançamento do álbum foi a primeira a apresentar os novos membros da banda, Chuck Behler e Jeff Young. O baixista David Ellefson disse que os membros anteriores, Gar Samuelson e Chris Poland, estavam cansados de ficarem constantemente na estrada e suas saídas foram inevitáveis.

No entanto, alguns problemas ocorreram durante a etapa australiana da turnê. A banda foi forçada a cancelar alguns desses shows por causa de problemas com drogas.

Mustaine afirmou que o grupo voltou para casa porque o novo guitarrista Young estava obcecado por heroína. Young negou, afirmando que era Mustaine quem queria voltar para Los Angeles e buscar a reabilitação.

O resultado foi que ambos, Young e Behler, foram demitidos imediatamente após a final da turnê, em agosto de 1988.

So Far, So Good... So What! ultrapassa a casa de 1 milhão de cópias vendidas.



Formação:
Dave Mustaine - Vocais, Guitarra, Guitarra Acústica
David Ellefson - Baixo, Backing Vocals
Jeff Young - Guitarra, Guitarra Acústica
Chuck Behler - Bateria, Percussão
Músicos Adicionais:
Steve Jones (do Sex Pistols) - solo de guitarra em "Anarchy in the UK".

Faixas:
01. Into the Lungs of Hell (Mustaine) - 3:29
02. Set the World Afire (Mustaine) - 5:48
03. Anarchy in the U.K. (Rotten/Jones/Matlock/Cook) - 3:00
04. Mary Jane (Mustaine/Ellefson) - 4:25
05. 502 (Mustaine) - 3:28
06. In My Darkest Hour (Mustaine/Ellefson) - 6:16
07. Liar (Mustaine/Ellefson) - 3:20
08. Hook in Mouth (Mustaine/Ellefson) – 4:40

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://letras.mus.br/megadeth/

Opinião do Blog:
Espremido entre os clássicos 'Peace Sells' (1986) e Rust in Peace (1990), So Far, So Good... So What! tende a ser visto como uma obra menor na discografia do Megadeth. Mas o Blog pensa diferente.

É claro que o álbum em questão pode ser considerado um degrau abaixo dos supracitados discos do grupo, mas está longe de ser apenas mais um. No fim da década de 80 e início dos anos 90, o Megadeth era uma das mais criativas bandas do estilo Heavy Metal.

Muito disso graças à criatividade do seu líder e principal compositor, Dave Mustaine. O excelente guitarrista transbordava inspiração em composições que mesclavam o Heavy Metal com a vertente Thrash Metal, criando canções que iam de encontro ao gosto dos fãs do estilo.

Entre riffs criativos e solos que transbordam feeling, Mustaine é a grande estrela do álbum. Mesmo não sendo um grande vocalista, Dave é um cara inteligente e usa sua voz de maneira eficiente e que combina perfeitamente com a sonoridade do grupo. Além disto, imprime uma interpretação exata para o conteúdo lírico do trabalho.

Entre os pontos negativos para o disco estão a produção, a qual deixa um pouco a desejar e a presença de um cover. Nada contra a boa versão para "Anarchy in the UK", mas quem conhece o Blog sabe que se prefere composições originais sempre.

"Mary Jane" possui a mescla perfeita entre o Heavy Metal tradicional e o Thrash Metal, encantando o ouvinte que aprecie esta fusão realizada de maneira criativa. Já a furiosa "Liar" é uma música com a cara do Thrash Metal da Bay Area. Bem como a clássica "Hook In Mouth", uma faixa que representa muito bem o Megadeth.

Além disto está presente uma das melhores composições de toda a discografia do Megadeth, "In My Darkest Hour", uma música espetacular, amostra do poder e magnitude que o Heavy Metal pode possuir. Um espetáculo.

Enfim, o Megadeth sempre foi uma das bandas preferidas do blogueiro, especialmente no que tange aos seus primeiros álbuns. Embora So Far, Good... So What! não esteja no nível estratosférico de um Rust in Peace, simultaneamente, está muito longe de ser apenas mais um disco. É um trabalho de alta qualidade, obrigatório para fãs de Thrash Metal norte-americano e extremamente recomendado pelo Blog!

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