1 de fevereiro de 2016

BRUCE SPRINGSTEEN - BORN TO RUN (1975)


Born To Run é o terceiro álbum do artista norte-americano Bruce Springsteen. Seu lançamento oficial aconteceu em 25 de agosto de 1975. As gravações ocorreram entre maio de 1974 e julho de 1975, nos estúdios Record Plant e Sound Studios, ambos em New York, Estados Unidos. O selo responsável foi o Columbia e a produção ficou a cargo de Bruce Springsteen, Mike Appel, Jon Landau.


Um dos grandes nomes da história do Rock estreiam aqui no Blog: Bruce Springsteen. Como de costume, vai-se abordar os fatos que antecederam o lançamento do álbum para depois focalizar em cada faixa separadamente.

Em setembro de 1973, Bruce Springsteen lançou seu segundo álbum: The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle. A crítica especializada adorou o trabalho, mas ele não obteve sucesso comercial.

Em seu segundo disco, as canções de Springsteen se tornaram mais grandiosas, em forma e âmbito, com a E Street Band fornecendo uma vibração menos folk e mais voltada ao R&B, e a parte lírica oferecendo uma abordagem sobre a vida de rua adolescente.

Em The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle possui alguns clássicos da carreira de Springsteen e que se tornariam amados pelos fãs: "4th of July, Asbury Park (Sandy)", "Incident on 57th Street", além de "Rosalita (Come Out Tonight)", até hoje um ponto alto de seus shows.

Em 22 de maio de 1974, o crítico musical Jon Landau, do jornal The Real Paper, de Boston, escreveu sobre Bruce, após assistir a um show no Havard Square Theater: “Eu vi o futuro do rock and roll, e seu nome é Bruce Springsteen. Em uma noite quando eu precisava me sentir jovem, ele me fez sentir como se eu estivesse ouvindo música pela primeira vez”.

Landau, posteriormente, tornar-se-ia manager e produtor de Springsteen, ajudando-o a finalizar o seu novo álbum, o qual se tornaria Born to Run.

O terceiro disco de Bruce Springsteen contou com um enorme orçamento, em um último esforço para lançar um álbum comercialmente viável. Springsteen ficou atolado no processo de gravação, enquanto se tornou obcecado por uma produção conhecida como "Wall of Sound".

Bruce Springsteen
Em relação ao seu novo trabalho, Springsteen notou uma progressão em sua forma de composição quando comparadas com seus trabalhos anteriores. Ao contrário de Greetings from Asbury Park, NJ e The Wild, the Innocent and the E Street Shuffle, Born to Run incluiu algumas referências específicas a lugares de New Jersey, em uma tentativa de tornar as canções mais identificáveis para um público mais amplo.

Springsteen também se referiu a uma maturação em suas letras, chamando Born to Run como “o álbum em que eu deixei para trás minhas definições adolescentes do amor e da liberdade – foi uma linha divisória”.

Além disso, Springsteen passou mais tempo no estúdio, em um processo de refinamento das canções, bastante superior em realção aos dois álbuns anteriores. Ao todo, o álbum levou mais de 14 meses para a gravação, com seis meses gastos apenas com a emblemática faixa-título, "Born to Run".

Em quase todo este tempo, Springsteen batalhou com a raiva e a frustração sobre o disco, dizendo que ele ouvia "sons na cabeça" os quais não conseguia explicar para os outros no estúdio.

Durante o processo, Springsteen trouxe Jon Landau para ajudar com a produção. Este foi o início do rompimento do relacionamento de Bruce com o produtor e manager Mike Appel, culminando com Landau assumido ambos papéis após o embróglio.

Foi o primeiro álbum de Springsteen a contar com o pianista Roy Bittan e o baterista Max Weinberg (embora David Sancious e Ernest "Boom" Carter tenham tocado piano e bateria, respectivamente, na faixa-título).

O álbum é conhecido por seu uso de introduções para definir o tom de cada música (todo o registro foi composto no piano, e não na guitarra), além de contar com arranjos e produção ao almejado melhor estilo "Wall of Sound".

Na verdade, Springsteen chegou a afirmar que gostaria que Born to Run soasse como “Roy Orbison cantando Bob Dylan, produzido por Phil Spector”.

A maioria das faixas foram gravadas pela primeira vez com uma banda cuja seção rítmica compreendia Springsteen (guitarra), Weinberg (bateria), Bittan (piano), e o baixista Garry Tallent, com as contribuições dos outros membros sendo adicionadas posteriormente.

Prensagens originais têm a faixa "Meeting Across the River" nomeada como "The Heist". A capa original do álbum tem o título impresso em uma fonte estilo grafitti. Estas cópias, conhecidas como o "script cover", são muito raras e consideradas como o "santo graal" para colecionadores de Springsteen.

Clarence Clemons
A arte da capa de Born to Run é uma das imagens mais populares e emblemáticos da música. Ela foi tirada pelo fotógrafo Eric Meola, que disparou 900 quadros em uma sessão de três horas. Estas fotos foram compiladas em Born to Run: The Unseen Photos.

A foto na capa mostra Springsteen segurando uma Fender Telecaster, apoiando-se no saxofonista Clarence Clemons. Essa imagem se tornou-se extremamente famosa. O fotógrafo Meola menciona que "quando vimos as folhas de contato, esta espécie foi um estalo. No mesmo instante, nós sabíamos que ela era o tiro certo”.

Desde então, a pose de Springsteen e Clemons na capa tem sido imitada muitas vezes, como na do álbum Next Position Please, da banda Cheap Trick, por exemplo.

Vamos às faixas:

THUNDER ROAD

Uma suave e belíssima melodia embala os momentos iniciais de "Thunder Road". Trata-se de um Rock simples e direto, mas com ótimo ritmo e muito bom gosto. A excelente interpretação de Springsteen casa-se de maneira perfeita com o instrumental da banda que o acompanha. Uma música como poucas.

A letra de "Thunder Road" descreve uma jovem mulher chamada Mary, seu namorado, e a última chance para fazer o relacionamento funcionar:

On the wind, so Mary climb in
It's a town full of losers
And I'm pulling out of here to win

Indiscutivelmente, “Thunder Road” é um dos grandes clássicos da discografia de Bruce Springsteen.

Nesta canção, Springsteen menciona Roy Orbison "cantando para os solitários" no rádio. Orbison, cuja uma de suas canções mais conhecidas é "Only the Lonely", foi uma enorme influência sobre Springsteen.

O título da canção vem do filme de Robert Mitchum, Thunder Road. Springsteen declarou que ele estava de alguma forma inspirado pelo filme, apesar de não tê-lo visto. Como afirma: "Eu nunca vi o filme, eu só vi o cartaz no saguão do cinema."

Entre diversos prêmios destacam-se a 86ª posição da lista 500 Greatest Songs of All Time, de 2004, da conceituada revista Rolling Stone. Na mesma linha, foi nomeada a 226ª colocada na lista 1001 Greatest Songs Ever, da revista Q Magazine, em 2003.



TENTH AVENUE FREEZE-OUT

Já em "Tenth Avenue Freeze-Out" vemos o Rock de Springsteen com influências riquíssimas do Blues e do Jazz norte-americanos, com os arranjos inovadores e altamente criativos. O saxofone de Clarence Clemons brilha intensamente e enriquece absurdamente a composição. O nível continua estratosférico.

A canção conta a história da formação da E Street Band:

When the changes was made uptown
And the Big Man joined the band
From the coastline to the city
All the little pretties raise their hands
I'm gonna sit back right easy and laugh


Lançada como single, atingiu a modesta 83ª posição da principal parada de sucessos dos Estados Unidos.

O protagonista da letra, Bad Scooter, é um pseudônimo, para Bruce Spirngsteen, como as iniciais sugerem. Já o termo Big Man se refere ao saxofonista Clarence Clemons.

“Tenth Avenue Freeze-Out” estava quase sempre nos set lists dos shows de Springsteen. Também é uma faixa clássica das rádios AOR americanas.




NIGHT

"Night" mantém o alto nível do trabalho, mas com uma proposta mais roqueira. Trata-se de uma composição mais agitada, com ótima presença do órgão e do baixo, tocados, respectivamente, por Roy Bittan e Garry W Tallent. Mais para o final, Clemons dá uma amostra de todo o seu talento. Grande canção!

A letra é boa, mostrando um trabalhador que sai à noite em busca de diversão:

You get up every morning at the sound of the bell
You get to work late and the boss man's giving you hell
Till you're out on a midnight run
Losing your heart to a beautiful one
And it feels right as you lock up the house



BACKSTREETS

Com um início sensível e tocante, "Backstreets" se inicia com uma pegada suave, dominada pelo piano. Mas logo a veia roqueira de Springsteen aparece, com momentos mais agitados, especialmente no excelente refrão, o qual conta com uma interpretação magistral de Bruce. Enfim, trata-se de outra composição de nível muito elevado.

A letra fala sobre um relacionamento:

Huddled in our cars
Waiting for the bells that ring
In the deep heart of the night
We let lose of everything
To go running on the backstreets
Running on the backstreets
Terry you swore we'd live forever
Taking it on them backstreets together

"Backstreets" também tem sido interpretada como uma narrativa sobre um relacionamento homossexual, uma vez que o nome Terry é sexualmente ambíguo. Também é sugerido que a letra representa uma amizade platônica, mas intensa, entre dois homens e que se desvaneceu.

Entretanto, várias das inúmeras versões piratas de "Backstreets" durante a turnê de 1978 para o álbum Darkness on the Edge of Town, Terry é repetidamente referida como "ela" e "menina", confirmando que se trata realmente de uma mulher.

Outra interpretação é que a música é sobre o relacionamento de Springsteen com sua namorada Diane Lozito, no início dos anos 70.



BORN TO RUN

Os acordes iniciais de "Born To Run" são inconfundíveis para quem já a conhece. O riff principal da canção é excelente, mas é difícil se destacar alguma individualidade quando o que acontece é uma fusão única de talentos executando perfeitamente a música. Clemons está incrível e a interpretação de Springsteen é perfeita. Enfim, um dos grandes clássicos do Rock em todos os tempos.

A letra é uma incontestável declaração de amor:

Wendy, let me in, I wanna be your friend
I wanna guard your dreams and visions
Just wrap your legs 'round these velvet rims
And strap your hands 'cross my engines
Together we could break this trap
We'll run till we drop, baby we'll never go back


“Born To Run” é um dos maiores clássicos da história de Bruce Springsteen.

Lançada como single, atingiu a 23ª posição na principal parada norte-americana desta natureza. Ficou com a 93ª colocação da correspondente britânica. Além disso, esteve nos 38º, 53º e 17º lugares das paradas de Austrália, Canadá e Suécia, respectivamente.

Escrita na primeira pessoa, a música é uma carta de amor para uma garota chamada Wendy, por quem o protagonista parece possuir uma paixão incontrolável.

No entanto, Springsteen demonstra que ele tem uma saída muito mais simples: fugir através da estrada Freehold. US Route 9, a qual é mencionada na letra como Highway 9.

A faixa foi gravada no 914 Sound Studios, em Blauvelt, Nova York, entre pausas durante a turnê de 1974, com a gravação final realizada em 6 de agosto daquele ano, bem antes do resto do álbum, e contando com Ernest "Boom", Carter na bateria e David Sancious nos teclados; os quais seriam substituídos por Max Weinberg e Roy Bittan, respectivamente, para o restante do álbum e na formação da E Street Band.

Além disso, a canção também foi gravada apenas com Springsteen e Mike Appel como produtores; Jon Landau seria trazido como um produtor adicional apenas no ano seguinte, quando os trabalhos do álbum estavam sobrecarregados.

É presença praticamente constante nos shows e turnês de Bruce Springsteen desde que foi lançada, estando presente em vários lançamentos com apresentações ao vivo do artista. Além disso, também é encontrada em várias coletâneas.

Frank Turner, Big Daddy e Wolfsbane se encontram entre as bandas que fizeram cover para o clássico de Springsteen.

Também algumas músicas de outros artistas fazem referências a “Born To Run”, como, por exemplo, em “Redemption”, de Frank Turner e “Street Hassle”, de Lou Reed.

Aparece, também, em incontáveis episódios de séries de TV nos Estados Unidos. Está no game Guitar Hero World Tour. O livro Born To Run, de Christopher McDougall, contém as letras da canção de mesmo nome em um de seus capítulos. A rádio WNCX, de Cleveland, toca a música todas as sextas-feiras, às 17 horas locais.

Entre premiações citam-se como exemplos: 21ª posição na lista 500 Greatest Songs of All Time, da revista Rolling Stone, de 2004. A revista Q Magazine coloca a canção na 920ª colocação da lista 1001 Greatest Songs Ever, de 2003.

Também faz parte da lista The Rock and Roll Hall of Fame's 500 Songs that Shaped Rock and Roll, do Hall da Fama do Rock.



SHE'S THE ONE

Já em "She's The One", Springsteen aposta em uma longa introdução bastante cadenciada, mas com uma razoável dose de peso. Há uma sensível influência Bluesy na composição a qual segue em uma pegada mais arrastada e que funciona de maneira eficiente. Destaque total para Clarence Clemons no saxofone.

A letra menciona uma mulher que mente, mas em quem o protagonista apaixonado quer acreditar:

That Thunder in your heart
At night when you're kneeling in the dark
It says you're never gonna leave her
But there's this angel in her eyes
That tells such desperate lies
And all you want to do is believe her
And tonight you'll try just one more time
To leave it all behind and to break on through
Oh she can take you, but if she wants to break you

"She's the One" foi uma das canções que Springsteen escreveu antes de começar a gravar Born to Run, juntamente com "Born to Run", "Thunder Road" e "Jungleland", embora originalmente ele não tivesse certeza se a incluiria no álbum.

Várias versões da canção foram registradas para o álbum, entre abril e junho de 1975, e esta última versão, gravada no 914 Sound Studios, em Blauvelt, Nova York, é a presente no disco.




MEETING ACROSS THE RIVER

Esta é uma música que apresenta uma vertente mais intimista de Bruce Springsteen, sendo conduzida quase que exclusivamente ao piano acompanhado, ao fundo, pelo saxofone. Há uma clara influência de Jazz e isto engrandece a composição. Uma canção diferente dentro do álbum, mas não menos brilhante.

A letra menciona alguém que procura melhorar sua sorte:

Hey Eddie, this guy, he's the real thing
So if you want to come along
You gotta promise you won't say anything
'Cause this guy don't dance

A letra descreve um criminoso de baixo nível, de pouca sorte, mas com uma última chance de sucesso para ele e seu amigo, Eddie, e que se envolvem em uma reunião de um homem do outro lado do rio. Springsteen retrata seus personagens com simpatia. O narrador parece desesperado; ele precisa gastar algum dinheiro em um passeio com Eddie, e sua namorada está ameaçando o deixar porque ele penhorou seu rádio.

As primeiras prensagens originais de Born to Run traziam a canção nomeada como “The Heist”.



JUNGLELAND

A oitava - e última - faixa de Born To Run é "Jungleland". A derradeira música do trabalho é também a mais longa, superando a casa dos 9 minutos. Revela-se, simultaneamente, como uma escolha perfeita para fechar o disco com chave-de-ouro, pois no seu transcorrer, reúne aquilo que de melhor o álbum havia apresentado, alternando momentos mais intimistas com outros mais agitados, todos com uma atuação perfeita dos vocais de Springsteen. Música sensacional!

A letra envolve sentimentos como esperança e desespero:

In the parking lot the visionaries
Dress in the latest rage
Inside the backstreet girls are dancing
To the records that theD.J. plays
Lonely-hearted lovers struggle in dark corners
Desperate as the night moves on,
Just a look and a whisper, and they're gone

A canção em suas letras reflete o padrão de toda o álbum, começando com um sentimento de esperança desesperada que desliza para desespero e derrota.

Nos shows, "Jungleland" é tocada geralmente em seus finais.

John Malkovich usou a canção, em uma trilha sonora teatral toda baseada na obra de Springsteen, na peça Balm in Gilead, nos anos 80.

O romance pós-apocalíptico de horror/fantasia The Stand, de Stephen King, é aberto com três epígrafes, uma das quais é uma seção da letra da canção.



Considerações Finais

Born to Run entrou para a história como álbum de Rock e definitivamente mudou a carreira – e a vida – de Bruce Springsteen.

O álbum atingiu a excelente 3ª posição da principal parada norte-americana, conquistando a 17ª colocação na correspondente britânica. Também ficou com os 7ºs lugares nas paradas de Austrália, Nova Zelândia e Suécia.

O lançamento do álbum foi acompanhado por uma campanha promocional de 250 mil dólares por parte da gravadora, Columbia Records, dirigida tanto a consumidores como para a indústria da música, fazendo bom uso da frase de Landau "Vi o futuro do rock 'n' roll e seu nome é Bruce Springsteen".

Com muita publicidade, Born to Run saltou para dentro do top 10 das paradas em sua segunda semana de lançamento e logo superou a casa de 500 mil cópias vendidas.

As consagradas revistas norte-americanas Time e Newsweek colocaram Springsteen em suas capas na mesma semana (27 de outubro de 1975). Na Time, Jay Cocks elogiou Springsteen, enquanto o artigo da Newsweek deu um olhar cínico na campanha publicitária "próximo Dylan" que assombrava Springsteen até sua consagração.

A questão do 'hype' tomou alguma proporção em torno de si, já que os críticos começaram a se perguntar se Springsteen era real ou apenas um produto da promoção da gravadora.

Chateado com o departamento de marketing da Columbia, Springsteen disse que a decisão de rotulá-lo como “o futuro do rock foi um erro muito grande e eu gostaria de estrangular o cara que pensou isso”.

Quando Springsteen chegou para seu primeiro show no Reino Unido, no Hammersmith Odeon, ele, pessoalmente, derrubou o poster com os dizeres "Finalmente o mundo está pronto para Bruce Springsteen" no saguão e ordenou que os botões com a mensagem "Eu vi o futuro do rock 'n' roll no Hammersmith Odeon" não fossem divulgados.

Agora, temendo o hype pudesse ser negativo, a Columbia suspendeu todas as entrevistas de Springsteen à imprensa. Finalmente, quando o furor passou, as vendas gradualmente foram se reduzindo e o álbum deixou as paradas após 29 semanas.

Entretanto, o disco havia estabelecido uma sólida base de fãs para Springsteen, a qual seria reforçada com cada um de seus lançamentos subsequentes.

Born to Run recebeu críticas altamente positivas da mídia especializada em música. Em uma revisão entusiasmada para a revista Rolling Stone, Greil Marcus escreveu que Springsteen desenvolvia temas românticos americanos com seu som majestoso, estilo ideal de rock and roll, letras evocativas, e uma entrega apaixonada que define o que é um álbum magnífico: “É o drama que conta; as histórias que Springsteen está contando não são nada de novo, embora ninguém nunca as tivesse contado melhor ou tê-las feito mais importantes”.

John Rockwell, do The New York Times, disse que o álbum era "solidamente rock 'n' roll", sendo mais diversificado que os discos anteriores de Springsteen, enquanto suas letras detalhadas mantivessem uma qualidade universal que transcende as fontes e os mitos sobre as quais ele trabalho.

Nas premiações, a revista Rolling Stone colocou Born To Run como o 18º colocado na lista the 500 greatest albums of all time e o canal VH1, em 2001, colocou o trabalho como a 27ª posição da lista greatest album of all time.

Também está presente, na qualidade de gravação histórica, no Registro Nacional de Gravações do Congresso Nacional norte-americano.

Após o lançamento do álbum, uma batalha legal com seu ex-manager, Mike Appel, manteve Springsteen fora do estúdio por quase um ano, período em que ele e a E Street Band permaneceram unidos através de uma extensa turnê em todos os EUA.

Born To Run ultrapassa a casa de 6 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Bruce Springsteen - Vocal, Guitarra, Gaita, Percussão
Roy Bittan - Piano, Órgão, Cravo, Backing Vocals exceto em "Born to Run"
Clarence Clemons - Saxofones, Pandeiro, Backing Vocals
Danny Federici - Órgão em "Born to Run"
Garry W. Tallent - Baixo
Max Weinberg - Bateria exceto em "Born to Run"
Ernest "Boom", Carter - Bateria em "Born to Run"
Suki Lahav - Violino em "Jungleland"
David Sancious - Piano, Órgão em "Born to Run"
Steven Van Zandt - Backing Vocals em "Thunder Road", Horn
Músicos Adicionais:
Wayne Andre - Trombone
Mike Appel - Backing Vocals
Michael Brecker - Saxofone Tenor
Randy Brecker - Trompete
Richard Davis - Contrabaixo em "Meeting Across The River"
David Sanborn - Saxofone Barítono

Faixas:
01. Thunder Road (Springsteen) - 4:49
02. Tenth Avenue Freeze-Out (Springsteen) - 3:11
03. Night (Springsteen) - 3:00
04. Backstreets (Springsteen) - 6:30
05. Born to Run (Springsteen) - 4:31
06. She's the One (Springsteen) - 4:30
07. Meeting Across the River (Springsteen) - 3:18
08. Jungleland (Springsteen) - 9:34

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/bruce-springsteen/

Opinião do Blog:
É dispensável maiores apresentações a Bruce Springsteen, um dos grandes nomes da história do Rock em todos os tempos. Especialmente em sua terra natal, os Estados Unidos, Springsteen goza de um prestígio e um reconhecimento proporcional ao tamanho - e qualidade - de sua obra.

Após 2 bons trabalhos lançados em 1973, Springsteen surgiu com uma obra única não apenas em sua discografia, mas na história da música. Há poucos álbuns como Born To Run por aí.

É bastante palpável todo o cuidado e empenho com que Bruce Springsteen gravou o álbum. Impressiona como cada segundo de sua duração foi pensado para se encaixar cada nota, cada instrumento, de maneira única e a soar contribuindo para o engrandecimento de cada composição.

Tudo isto é ainda mais ressaltado com o trabalho incrível de Bruce nos vocais, dando a interpretação exata que a letra da música necessita. Também, para fãs de saxofone, a atuação brilhante de Clarence Clemons é notável.

Outra característica marcante de Born To Run são os arranjos das canções, trabalhados de maneira excepcional de forma a tornar tudo mais grandioso, mas sem soar desnecessário. Brilhante.

Também nas letras o trabalho se apresenta bem. Vale à pena uma conferida.

Em um álbum tão excepcional como Born To Run, fica difícil até se ressaltar alguma faixa sem se cometer injustiça com as outras. O nível das composições é excepcional.

Mas a incrível e energética "Thunder Road" merece destaque, por toda a sua melodia e intensidade. Também a roqueira "Night", com um certo ar dos anos 50, destaca-se bastante. E temos "Born To Run", uma faixa-título emblemática e que levou Springsteen a patamares inimagináveis.

Mas "Jungleland" e seus 9 minutos de pura intensidade e brilhantismo consegue ser a preferida do blogueiro. Uma canção sensacional.

Enfim, o leitor do Blog está diante de uma das principais obras da história do Rock, com uma produção cuidadosa e composições excepcionais, reunidas para formarem um álbum muito acima da média. Bruce Springsteen mostrou-se extremamente inspirado ao compor 8 faixas incríveis como as que constroem Born To Run. E, ainda, acompanhado por uma banda magnífica, gravou um dos grandes clássicos de todos os tempos. Outro dos álbuns preferidos do Blog. Mais que obrigatório!

5 comentários:

  1. Quando Springsteen lançou Born to Run em 1975, ele ainda não era conhecido pelo apelido de "The Boss" - apelido que ganharia nos anos 80, especialmente quando lançou um outro "born" - Born in the U.S.A. (1984) que muitos fãs consideram como o melhor disco dele.

    Este álbum foi realmente sua grande estréia na música, não que os dois álbuns anteriores tenham seus méritos, mas Born to Run mostrou que Springsteen estava começando a ganhar um destaque merecido na história da música como um todo. Um dos melhores álbuns de todos os tempos, sem sombra de dúvida.

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    1. Não faz tanto tempo assim que eu me dedico à carreira do The Boss, mas desde que comecei a ouvi-lo não parei mais.

      Na minha opinião, a carreira dele é bem consistente, com alguns álbuns excepcionais como Darkness on the Edge of Town, The River e Born in the USA. Mesmo álbuns recentes como Magic, Working in a Dream e We Shall Overcome:The Seeger Sessions são muito bons.

      Mas nenhum deles chega próximo, para mim, de Born to Run. A qualidade que ele alcançou aqui é incrível, tanto na composição das canções quanto nos arranjos, produção, enfim, tudo. Como disse no texto, cada segundo parece minimamente pensado em como tornar a música ainda melhor. E o resultado é fabuloso.

      Novamente, resta-me agradecer a sua participação, prezado Igor. Suas contribuições estão valorizando enormemente os posts. Valeu mesmo!

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    2. De nada, amigo. Obrigado por citar "The River" o álbum duplo do Boss lançado em 1980 que eu costumo comparar com "The Wall" (Pink Floyd).

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    3. Sim, amigo. The River é um álbum maravilhoso!

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    4. Realmente, The River é o disco que eu mais gosto do Boss! Obrigado de novo, amigo!

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