9 de outubro de 2015

THE FIRM - THE FIRM (1985)


The Firm é o álbum de estreia da banda inglesa de mesmo nome, ou seja, o The Firm. Seu lançamento oficial aconteceu em 11 de fevereiro de 1985 através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram durante o ano de 1984, no Sol Studios, na Inglaterra. A produção ficou a cargo de Jimmy Page e Paul Rodgers.

O The Firm foi a união de duas lendas do Rock em um projeto que teve curta duração: Paul Rodgers, que foi o vocalista do Free e do Bad Company e Jimmy Page, o lendário guitarrista do Led Zeppelin.


Após um hiato de 3 anos, o Bad Company lançou Rough Diamonds, em 1982. Este foi o sexto e último álbum com a encarnação original do grupo.

O disco acabou sendo o pior em desempenho comercial do Bad Company dentre os que tiveram Paul Rodgers como o homem de frente. O álbum alcançou a 15ª posição na parada do Reino Unido e a 26ª na correspondente norte-americana.

Após o lançamento de Rough Diamonds, o Bad Company se dissolveu.

Segundo Mick Ralphs: "Paul queria uma pausa e sinceramente todos nós precisávamos dela. O Bad Company tornou-se maior do que todos e para continuar seria destruindo alguém ou alguma coisa. Do ponto de vista de negócios, era a coisa errada a fazer, mas o instinto de Paul estava absolutamente certo".

No início dos anos 80, havia rumores de que Paul Rodgers iria cantar com a Rossington-Collins Band (constituída pelos sobreviventes do Lynyrd Skynyrd).

Mas, já em Outubro de 1983, Rodgers lançou seu primeiro álbum solo, Cut Loose. Ele compôs todas as músicas e tocou todos os instrumentos. O disco acabou alcançando o 135º lugar na parada Pop da Billboard.

Paul Rodgers
Em 25 de setembro de 1980, aconteceu um dos episódios mais tristes da história do Rock: John Henry Bonham, ou simplesmente John Bonham, um dos maiores bateristas de todos os tempos no Rock, foi encontrado morto aos 32 anos de idade.

Com a morte de seu baterista, o Led Zeppelin se separou em 1980. Jimmy Page, inicialmente, recusou-se a tocar guitarra, de luto por seu amigo.

Page fez um retorno aos palcos em um show de Jeff Beck, em março de 1981, no Hammersmith Odeon. Também em 1981, juntou-se com o baixista Chris Squire e o baterista Alan White (ambos ex-Yes) para formar um supergrupo chamado XYZ (uma sigla para ex- Yes – Zeppelin).

Eles ensaiaram várias vezes, mas o projeto foi arquivado. Bootlegs destas sessões revelaram que parte do material surgiu em projetos posteriores, nomeadamente em "Fortune Hunter" (no The Firm) e "Mind Drive" e "Can You Imagine?", ambas no Yes.

Page se juntou ao Yes, no palco, em um show no ano de 1984, no Westfalenhalle, em Dortmund, Alemanha, tocando a música "I'm Down".

Em 1982, Page colaborou com o diretor Michael Winner a fim de gravar a trilha sonora do filme Death Wish II.

Esta e várias gravações subsequentes, incluindo a trilha sonora Death Wish III, foram gravadas e produzidas em seu estúdio de gravação, Sol Studios, em Cookham, o qual havia comprado de Gus Dudgeon, no início de 1980.

Em 1983, Page participou do A.R.M.S. (Action Research for Multiple Sclerosis), uma série de concertos para caridade os quais honraram o baixista Ronnie Lane (Small Faces), que sofria da doença.

Para os primeiros shows, no Royal Albert Hall, em Londres, o set-list de Page consistiu de músicas da trilha sonora do filme Death Wish II (com Steve Winwood nos vocais) e uma versão instrumental de "Stairway to Heaven".

Uma turnê em quatro cidades dos Estados Unidos se seguiu, com Paul Rodgers, do Bad Company, substituindo Winwood. Durante a turnê, Page e Rodgers tocaram "Midnight Moonlight", que mais tarde iria aparecer no primeiro álbum do The Firm.

Já em 1984, Page colaborou com Roy Harper para o álbum Whatever Happened to Jugula?, realizando concertos ocasionais. Também em 1984, Page gravou com Robert Plant, como The Honeydrippers, o disco The Honeydrippers: Volume 1; e com John Paul Jones a trilha sonora do filme Scream for Help.

Jimmy Page
Logo após, Page e Rodgers se uniram para dar início a um novo projeto. O mesmo seria batizado de The Firm!

Page e Rodgers originalmente queriam o ex-baterista do Yes, Bill Bruford, e o baixista Pino Palladino para completarem o grupo; no entanto, Bruford estava contratado por outra gravadora e Palladino tinha compromissos de turnê com o cantor Paul Young.

Desta forma, a dupla acabou recrutando o baixista Tony Franklin e o baterista Chris Slade; este ex-membro das bandas Manfred Mann's Earth Band e Uriah Heep.

Assim, estava formado o supergrupo!

Ambos, Page e Rodgers, recusaram-se a tocar qualquer material de suas bandas anteriores e, por sua vez, optaram por uma seleção de canções do novo grupo e mais faixas de ambas careiras solo.

As novas músicas foram fortemente infundidas com uma influência soul, com um som mais acessível comercialmente, cortesia especial do estilo do baixista Franklin.

O álbum foi gravado no estúdio particular de Jimmy Page, na Inglaterra, o Sol Studios e mostrava um som consideravelmente diferente do que seus protagonistas fizeram em seus maiores empreendimentos musicais.

Vamos às faixas:

CLOSER

"Closer" é um Rock com algum flerte com a música Pop de seu tempo. A guitarra de Page está presente e faz um bom solo ao final da execução. A interpretação de Rodgers é competente. Mas o destaque maior vão para os metais que dão um toque saboroso à faixa.

A letra tem sentido de flerte:

There's a mighty power
Rising like a morning sun
It's a power of love
Baby and it's you I want
I get a burning feeling
Flames are getting higher and higher
You got my senses reeling

“Closer” foi lançada como single e não obteve qualquer maior repercussão nas principais paradas de sucesso.



MAKE OR BREAK

Na segunda música do disco, a pegada Rock está um pouco mais proeminente. É bem perceptível uma certa aura da época de Paul Rodgers no Bad Company. O ritmo é bastante cadenciado. A partir da metade, a guitarra de Jimmy Page está mais brilhante e a canção ganha bastante com isto. Ótima presença, também, da seção rítmica.

A letra é inteligente e divertida:

In the cut, drop Z ok the tops up
Left the mall bought little Amo the toy truck
Your boy's what, three years old know correct
He and my daughter's age neck and neck
They furtures set
In the background's a old cassette
Fly Stephanie Mills shit
Whats the deal with all this shit I'm hearin up top
You got arrested, shot affair, one with a cop



SOMEONE TO LOVE

Já em "Somemone To Love", o grupo aposta em uma pegada mais atual (para a época, é claro). O ouvinte percebe os teclados mais proeminentes. O ritmo é lento, com bastante malícia e criatividade. O baixo de Tony Franklin é um dos maiores destaques da faixa.

A letra tem sentido romântico:

She gives me music in my soul
I've found someone to love
And I will never let this go
I've found someone to love
Oh baby she just has to let it show
She found someone to love yeah
She found someone to love



TOGETHER

Em sua quarta canção, a proposta é bastante diferente das faixas que a antecederam. O ritmo é ainda mais lento, predominando a suavidade e a leveza. A voz de Paul Rodgers está ainda mais contida, emprestando mais emoção à parte instrumental, formando uma composição bem atraente. Bom momento do álbum.

Novamente, o sentido da letra é o amor:

Living in dreams
Making them real
Know how it feels when they say
Yesterday - shadows on my mind
Yesterday - love so hard to find
Now today - giving me the sign
Telling me just what you need



RADIOACTIVE

"Radioactive" é a cara dos anos 80, com o uso de sintetizadores e uma inegável pegada Pop, bastante ressaltada. O ritmo é cadenciado, com a guitarra de Jimmy Page aparecendo em segundo plano. O principal destaque é a atuação de Paul Rodgers nos vocais, atuando conforme é exigido.

A letra tem forte sentido de sedução:

Oh yeah, radioactive
Don't you stand...stand too close
You might catch it
Don't stand too close, baby
Radioactive
Oh yeah
Radio radio radio radioactive

“Radioactive” é, provavelmente, o maior sucesso lançado na curta carreira do The Firm.


Foi o primeiro single lançado para promover seu álbum de estreia. Conquistou a 28ª posição na principal parada de singles dos Estados Unidos, conquistando a 76ª colocação na correspondente britânica.

Também teve um videoclipe exibido com boa frequência pela MTV norte-americana.

Ocasionalmente, Paul Rodgers manteve a faixa em seu set-list de shows em sua carreira-solo.



YOU'VE LOST THAT LOVIN' FEELING

Na versão para "You've Lost That Lovin' Feeling", a pegada é bem mais suave e leve, sendo uma balada bastante competente. O baixo de Tony Franklin novamente está bastante proeminente e a guitarra de Jimmy Page dá um toque especial para a composição a partir de sua metade.

A letra mostra o fim de um relacionamento:

Baby, baby, I'd get down on my knees for you
If you would only love me like you used to do
We had a love...a love...a love you don't find everyday
So darling, darling, darling don't take your love away

Trata-se de uma versão para a faixa “You've Lost That Lovin' Feelin'”, originalmente lançada pela banda The Righteous Brothes, no álbum homônimo à música, lançado em 1964.



MONEY CAN'T BUY

"Money Can't Buy" possui uma sonoridade mais setentista e tradicional, muito por conta do riff inicial, muito inspirado e executado à perfeição. A guitarra de Page está mais presente e, claro, a canção ganha bastante com isso. A atuação de Rodgers é das melhores no álbum. Certamente uma das principais músicas do trabalho.

A letra faz uma pequena reflexão:

Running in a nightmare
Waking in a cold sweat
You sell your soul to the company payroll
Just to keep from gettin' in debt



SATISFACTION GUARANTEED

Novamente em "Satisfaction Guaranteed", a pegada é claramente a da música Pop dominante na década de 80, sendo isto não necessariamente ruim. O andamento é bem arrastado, predominado por sintetizadores, embora, quando apareça, a guitarra de Page traga um brilho especial. Enfim, a faixa é bastante competente naquilo a que se propõe.

A letra possui sentido de perda:

Sitting in the gutter with my head wrapped in my hands
I've been drinking all night, and I just can't stand the pain
It took an awful lot of trouble just to make me understand
Now it's clear to me, but will it ever be the same?

“Satisfaction Guaranteed” é um dos grandes sucessos da The Firm.

Foi o terceiro single lançado para promover o disco. Atingiu a 73ª posição na principal parada norte-americana desta natureza.



MIDNIGHT MOONLIGHT

A nona - e última - faixa de The Firm é "Midnight Moonlight". A derradeira canção do álbum traz de volta o espírito dos anos 70, deixando evidente o fato do qual a mesma foi composta cerca de uma década antes. O ritmo é mais lento, muitas vezes mais acústico, mas trazendo grandes variações de intensidade e atuações muito brilhantes de Page e de Rodgers. Fecha o disco com chave-de-ouro.

A letra é uma inteligente metáfora sobre o transcorrer da vida:

See the shadows dancing in the moonlight in her eyes
See a vision forming and it comes as no surprise
Could it be a warning that don't hurt before it dies?
See the shadows dancing in the moonlight in her eyes
See a vision forming and it comes as no surprise
Could it be a warning that don't hurt before it satisfies?

Conforme dito, “Midnight Moonlight” foi inicialmente apresentada em 1983, quando Rodgers e Page tocaram juntos na turnê de caridade do ARMS.

A faixa era uma música do Led Zeppelin, criada durante as sessões do álbum Physical Graffiti (1975), que não foi lançada e permaneceu inédita. Seu nome original era "The Swan Song".

Este fato fez com que alguns críticos acreditassem que Page, à época, havia começado a se encontrar em um período pouco criativo.



Considerações Finais

Após o lançamento do álbum, seguiu-se uma turnê pelos Estados Unidos e Reino Unido, entre os meses de Fevereiro e Maio de 1985.

“Radioactive” ajudou a impulsionar o trabalho, comercialmente falando, fazendo-o galgar boas posições nas principais paradas de sucesso.

Ficou com a ótima 15ª posição da principal parada de álbuns do Reino Unido, conquistando a 17ª colocação na sua correspondente norte-americana. Ainda atingiu os 21º, 16º e 51º lugares nas paradas de Suécia, Canadá e Holanda; respectivamente.

A revista britânica Kerrang! colocou o disco na 20ª posição de seu Ranking de melhores álbuns de 1985. Já a Revista Rolling Stone não gostou do álbum.

Já em 1986, o grupo lançaria seu segundo – e final – disco, Mean Business, mas que não obteve a mesma repercussão do trabalho anterior. Uma turnê foi realizada para promovê-lo, mas logo em seguida a banda se desfez.


Formação:
Paul Rodgers - Vocal, Guitarras
Jimmy Page - Guitarra
Tony Franklin - Baixo, Teclado, Sintetizador, Backing Vocal
Chris Slade - Bateria e Percussão
Músicos Adicionais:
Steve Dawson - Trompete em "Closer"
Paul "Shilts" Weimar - Saxofone Barítono em "Closer"
Willie Garnett - Saxofone Tenor em "Closer"
Don Weller - Saxofone Tenor Solo em "Closer"
Sam Brown, Helen Chappelle & Joy Yates - Backing Vocals em "You've Lost That Lovin' Feeling" e "Midnight Moonlight"

Faixas:
01. Closer (Page/Rodgers) - 2:52
02. Make or Break (Rodgers) - 4:21
03. Someone to Love (Page/Rodgers) - 4:55
04. Together (Page/Rodgers) - 3:54
05. Radioactive (Rodgers) - 2:49
06. You've Lost That Lovin' Feeling (Spector/Mann/Weil) - 4:33
07. Money Can't Buy (Rodgers) - 3:35
08. Satisfaction Guaranteed (Page/Rodgers) - 4:07
09. Midnight Moonlight (Page/Rodgers) - 9:13

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/firm-the/

Opinião do Blog:
A expectativa pode ser o grande fiel da balança quando o ouvinte apreciar, pela primeira vez, o trabalho inicial do The Firm. Especialmente se o leitor for um grande fã de Led Zeppelin e das bandas Free e Bad Company, nas quais, respectivamente, Jimmy Page e Paul Rodgers brilharam intensamente.

Outro ponto é que a proposta apresentada pelo The Firm era antenada com o tempo em que a banda surgiu: a metade dos anos 80. Assim, a sonoridade que predomina em quase todo o trabalho tem a roupagem da música Pop dominante em 1985, com o uso de muitos sintetizadores, por exemplo.

Não há o que se discutir na qualidade dos músicos presentes no trabalho: Jimmy Page e Paul Rodgers dispensam quaisquer apresentações, Tony Franklin é ótimo (basta ver, no corpo do texto, que em algumas faixas ele é o destaque) e Chris Slade já havia demonstrado sua competência no Uriah Heep.

As letras são boas, muitas vezes com o apego mais romântico, mas, no âmbito geral, estão bem.

Os destaques do disco vão depender muito do ouvinte. E, aqui, o Blog não pode negar toda a sua tradição mais voltada ao Hard e Heavy em geral. E, ao mesmo tempo, tentar compreender o que o grupo se propôs a apresentar.

"Satisfaction Guaranteed" é uma boa composição, especialmente competente naquilo que se propôs a ser. O mesmo pode ser dito sobre "Closer", a qual possui um naipe de metais que a deixa ainda mais saborosa. "Make Or Break" é mais roqueira, com o espírito do Bad Company presente, o que se revela um bom sinal.

Mas a melhor faixa do trabalho é mesmo "Midnight Moonlight", com toda a sua áurea setentista e um brilhantismo inegável.

Enfim, o álbum de estreia do The Firm é um trabalho antenado com a música de seu tempo e que realiza uma agradável fusão desta musicalidade com o Rock. Conforme foi afirmado acima, o veredicto final depende muito de qual expectativa o ouvinte tem para o trabalho: se ele quer uma emulação do Free/Bad Company e Led Zeppelin é melhor passar longe. Se o leitor quiser um álbum divertido e competente naquilo que se propõe, o Blog recomenda a audição do bom primeiro disco do The Firm.

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