11 de abril de 2015

AEROSMITH - TOYS IN THE ATTIC (1975)


Toys In The Attic é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana Aerosmith. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 8 de abril de 1975, através do selo Columbia Records. As gravações ocorreram entre Janeiro e Março do mesmo ano, no Record Plant Studio, em New York, Estados Unidos. A produção ficou sob responsabilidade de Jack Douglas.

Esta é a segunda vez que os gigantes do Aerosmith aparecem no Blog. Como de costume, tratar-se-á dos eventos que antecederam o lançamento do disco para depois percorrer faixa-a-faixa do trabalho.


Em 1º de março de 1974, o Aerosmith lançou seu segundo álbum de estúdio, Get Your Wings. Foi a primeira vez que a banda trabalhou com o produtor Jack Douglas, o qual seria responsável pelos próximos 4 discos do grupo. Ray Colcord também co-produziu o trabalho.

Naquele ano de 1974, Get Your Wings atingiria a modesta 74ª posição na principal parada de sucesso dos Estados Unidos, a Billboard.

Mesmo assim, o disco continha algumas das canções que viriam a se tornarem favoritas dos fãs e presenças quase obrigatórias em shows, como “Lord Of The Thighs”, “Seasons Of Whiter” e “S.O.S. (Too Bad)”. Estas músicas apresentavam uma sonoridade um pouco mais 'sombria' (para o padrão da banda) e cairiam no gosto do público.

Joe Perry
Além disto, o disco continha sucessos radiofônicos como "Same Old Song and Dance" e "Train Kept a-Rollin'", esta última, um cover baseado na versão gravada pelo The Yardbrids.

Fato é que Get Your Wings e suas ótimas faixas apenas se tornaram sucesso quando a banda explodiu comercialmente e ficou conhecida, fazendo os fãs buscarem o material antigo do Aerosmith. E isto aconteceria a partir do lançamento de seu terceiro disco, Toys In The Attic.

No início de 1975, a banda começou a trabalhar no Record Plant, em Nova York, para o álbum que se tornou Toys in the Attic.

As sessões para o disco foram produzidas por Douglas sem Colcord - o álbum foi projetado por Jay Messina com os engenheiros assistentes Rod O'Brien, Corky Stasiak e Dave Thoener.

As músicas de Toys In The Attic foram gravadas com uma mesa de mixagem Spectrasonics e um gravador de 16 pistas.

Já nesta época, o Aerosmith se encontrava totalmente amadurecido como uma banda e Steven Tyler fez do sexo o principal foco de suas composições no álbum.

Steven Tyler disse que a sua ideia original para a capa do álbum era um ursinho de pelúcia sentado no sótão, com seu pulso cortado e entranhas espalhadas por todo o chão. Mas a banda decidiu, no final, por colocar todos os animais em seu lugar.

Steven Tyler
A imagem da capa do álbum é obra de Ingrid Haenke.

Vamos às faixas:

TOYS IN THE ATTIC

Um riff repleto de malícia e ritmo abre o álbum, com a faixa que lhe é homônima. Steven Tyler opta por vocais bem limpos. Trata-se de um Hard Rock de primeiríssima classe, que vai direto ao ponto sem maiores rodeios. Os solos de Joe Perry são ótimos. Enfim, um clássico.

A letra é um misto de delírio e nostalgia:

In the attic, lights
Voices scream, nothing seems
Real's a dream
Leaving the things that are real behind
Leaving the things that you love from mind
All of the things that you learned from fears
Nothing is left for the years, voices scream
Nothing seems real's a dream

“Toys In The Attic” é um clássico do Aerosmith. É tão emblemática que faz parte da lista de 500 canções que moldaram o Rock: The Rock and Roll Hall of Fame's 500 Songs that Shaped Rock and Roll.

Está presente em vários álbuns ao vivo e coletâneas do grupo.

Entre covers famosos para a faixa podem-se citar bandas como R.E.M., Warrant, Ratt e Metal Church.



UNCLE SALTY

Já a segunda canção do álbum traz o Aerosmith com uma pegada mais Bluesy, com um estilo bastante semelhante a aquele do Rolling Stones. O riff é excelente, malicioso e contagiante, casando-se em perfeição com a interpretação de Tyler. Mais um ótimo solo cheio de feeling.

A letra é a história de uma garota abandonada que se torna prostituta:

Now she's doin' any
For money and the penny
A sailor with a penny or two or three



ADAM'S APPLE

A terceira faixa de Toys in The Attic traz novamente o Hard Rock setentista vigoroso da banda, contando com mais um riff bastante inspirado. O ritmo é mais cadenciado, mas continua muito cativante. As guitarras de Perry e Whitford são novamente os destaques.

A letra é uma metáfora para o pecado:

Evil came like reignin
Who knows who's to blamin
Something tried to lay her to waste
And all she want and need was just a little taste



WALK THIS WAY

Um riff sensacional, dos mais reconhecíveis da história do Rock, abre o clássico imortal "Walk This Way". O ritmo é empolgante, em perfeita mistura do Rock mais Bluesy com o vigor do Hard Setentista. Com um andamento mais cadenciado e uma sonoridade bastante maliciosa, em perfeita sintonia com a letra, montam um arcabouço do melhor que o Hard Rock já produziu. Solos inspirados de Perry e uma atuação impecável de Tyler completam um dos hinos do Rock mundial.

A letra tem forte conotação sexual:

School girl sweetie with a classy kinda sassy
Little skirt's climbin' way up her knee
There was three young ladies in the school gym locker
When I noticed they was lookin' at me
I was a high school loser
Never made it with the ladies
Till the boys told me somethin' I missed
Then my next door neighbor with a daughter had a favor
So I gave her just a little kiss
Alike this

Clássico indiscutível, “Walk This Way” foi lançada como single e atingiu a 10ª posição da principal parada de sucessos desta natureza nos Estados Unidos.


Quando a banda se encontrou em certo ostracismo durante a década de 80, foi uma versão “Rap” de “Walk This Way”, feita pelo Run-D.M.C. e contando com a participação de Steven Tyler e Joe Perry, que colocou o Aerosmith de volta ao cenário musical.

A música é tão emblemática que faz parte da lista de 500 canções que moldaram o Rock and Roll, realizada pelo Hall da Fama do Rock, nos Estados Unidos.

A revista Rolling Stone coloca “Walk This Way” na 346ª posição da lista 500 Greatest Songs of All Time e na 34ª de outra lista, desta feita a de 100 Greatest Guitar Tracks. Já o canal VH1 a colocou na 35ª colocação da lista 100 Greatest Rock Songs e na 8ª da lista 100 Greatest Hard Rock Songs. Também a revista Q colocou a música no 23º lugar da lista 100 Greatest Guitar Tracks.

Um grande clássico, sem sombra de dúvidas.



BIG TEN INCH RECORD

"Big Ten Inch Record" é um Blues Rock bastante cativante, carregando o inconfundível espírito dos anos 50. Destaque absoluto para a atuação de Steven Tyler, seja cantando ou tocando gaita. Mais um bom momento do álbum.

A letra possui conotação sexual:

Last night I tried to tease her
I gave my love a little pinch
She said now stop that jivin'
Now whip out your big ten inch

Trata-se de um cover originalmente gravado por Bull Moose Jackson.



SWEET EMOTION

Com o baixo de Tom Hamilton bastante proeminente e o Talkbox realizado por Joe Perry muito distinguível, a abertura de "Sweet Emotion" é inconfundível. Temos um Hard Rock extraordinário, com forte DNA 'Zeppeliano'. O riff é sensacional, com a banda conseguindo uma cativante melodia sem abrir mão do peso habitual que o Aerosmith empregava nas suas canções da década de 70. Outro momento marcante da história da banda.

Parte da letra se referiria a tensões entre membros da banda (e suas respectivas esposas) e a esposa de Joe Perry:

You talk about things and nobody cares
You're wearing other things that nobody wears
You're calling my name but you gotta make clear
I can't say baby where I'll be in a year

Lançada como single, atingiu a 36ª posição da principal parada norte-americana do gênero.


Está na 408ª posição da lista 500 Greatest Songs of All Time, da revista Rolling Stone. Além disto está presente em filmes como Dazed And Confused (1993) e games como Revolution X.

Presença constante em shows e coletâneas, a canção é sempre citada como uma das principais composições do Aerosmith em sua história.



NO MORE NO MORE

Uma bela e competente melodia envolve o ouvinte desde o início de "No More No More". A banda opta por um ritmo um pouco mais acelerado, mas sem colocar muito peso na faixa, construindo uma sonoridade bastante picante. O solo é cheio de feeling, dos melhores de Perry no álbum. Grande momento do disco!

A letra se refere à transitoriedade da vida:

Times they're a changin' nothing ever stands still
If I don't stop a changin' I'll be writtin' my will
It's the same old story never get a second chance
For a dance to the top of the hill



ROUND AND ROUND

O peso volta com tudo em "Round And Round". A banda opta por um andamento bem mais lento e arrastado, mas, conforme foi dito, extremamente pesado. Trata-se de um Hard Rock vigoroso e visceral, revelando outra faceta do grupo de Boston. Os vocais de Tyler estão consideravelmente mais agressivos em uma canção que flerta com a sonoridade de grupos como Led Zeppelin e Deep Purple. Faixa sensacional!

A letra possui certo sentido de saudosismo:

'Cause the life I been livin'
and the love someone give me
Would be sure to set you spinnin'
with you feet never touchin' the ground
And I'm round and round and round and round and round and round and round



YOU SEE ME CRYING

A nona - e última - canção de Toys In The Attic é "You See Me Crying". Uma bela e suave melodia, ao piano, abre a música. Mesmo quando a banda passa a acompanhar o piano de Tyler, o ritmo permanece bastante leve. Os vocais de Tyler estão precisos e combinam com a sonoridade desenvolvida pelo grupo. Whitford faz um bom solo a partir dos 3 minutos de execução. Trata-se de uma balada que fecha o álbum de maneira competente.

A letra tem sentido de rompimento amoroso:

Honey what'cha done to your head
Honey was the words that I said
Honey what'cha done to your head
Honey was the words that I said

Foi lançada como single, mas sem maiores repercussões em termos de paradas de sucesso.

A estrutura da música é mais complexa, possuindo até mesmo orquestração que foi conduzida por Mike Mainieri. Tanto as guitarras quanto a bateria possuíam passagens mais elaboradas que exigiram mais esforços dos membros do grupo durante as gravações.

Mas a gravadora, Columbia Records, ficou bastante satisfeita com o resultado final de “You See Me Crying”.

O solo da versão original é tocado por Brad Whitford.

A canção foi tocada ao vivo pela banda apenas uma vez, em 2009, durante uma turnê conjunta com o ZZ Top.



Considerações Finais

Embalado por 'Hits' como “Walk This Way” e “Sweet Emotion”, Toys In The Attic foi um enorme sucesso e responsável direto por tornar o Aerosmith uma banda famosa.

O álbum alcançou a ótima 11ª posição na principal parada norte-americana de discos. Também atingiu a 7ª colocação na correspondente canadense.

Em geral, a crítica tem opiniões muito positivas sobre o álbum. Por sua opinião sobre Toys in the Attic, para o AllMusic, Stephen Thomas Erlewine define o estilo do trabalho como uma mistura de Led Zeppelin e The Rolling Stones, o qual foi preenchido com canções sobre sexo com um estilo diferente daquele que havia antes. Greg Kot chamou o álbum de um marco do Hard Rock.

Como resultado de tanto sucesso, os álbuns anteriores da banda voltaram às paradas de sucesso. A banda fez uma turnê em suporte a Toys in the Attic, onde eles começaram a ficar mais reconhecidos.

Também por esta altura, a banda estabeleceu sua base conhecida como "The Wherehouse", em Waltham, Massachusetts, onde eles gravariam e ensaiariam música, bem como gerenciariam os negócios do grupo.

Como prêmios, o álbum está na 229ª colocação da lista The 500 Greatest Albums of All Time, da revista Rolling Stone. Também faz parte do livro 1001 Albums You Must Hear Before You Die.

Toys In The Attic supera a casa das 8 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.


Formação:
Steven Tyler - Vocais, Percussão em "Sweet Emotion", Gaita, Piano em "You See Me Crying"
Joe Perry - Guitarra, Backing Vocal, Talkbox em "Sweet Emotion"
Brad Whitford - Guitarra
Tom Hamilton - Baixo, Guitarra em “Uncle Salty”
Joey Kramer - Bateria

Faixas:
01. Toys in the Attic (Tyler/Perry) - 3:07
02. Uncle Salty (Tyler/Hamilton) - 4:09
03. Adam's Apple (Tyler) - 4:33
04. Walk This Way (Tyler/Perry) - 3:41
05. Big Ten Inch Record (F.Weismantel) - 2:16
06. Sweet Emotion (Tyler/Hamilton) - 4:34
07. No More No More (Tyler/Perry) - 4:34
08. Round and Round (Tyler/Whitford) - 5:03
09. You See Me Crying (Tyler/Darren Solomon) - 5:12

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indica-se o acesso a: http://letras.mus.br/aerosmith/

Opinião do Blog:
Embora haja muita gente que torça o nariz, o Blog considera o Aerosmith entre as maiores bandas da história do Rock, principalmente por aquilo que a banda gravou durante os anos 70, com os seus pés fincados no Hard Rock setentista. Nada de excesso de baladas com apelo radiofônico, muito peso, ritmo e malícia formavam a massa sonora do grupo.

Stephen Thomas Erlewine foi bastante feliz ao descrever a banda como uma mistura de Rolling Stones com Led Zeppelin, embora seja uma visão um pouco reducionista. É claro que os dois gigantes ingleses foram fontes fartamente bebidas pelo Aerosmith, mas o grupo impregnou seu sou com suas influências da música norte-americana, desenvolvendo uma identidade própria e marcante.

Toys In The Attic é um dos melhores álbuns da história do Rock. Não há muito o que se comentar sobre o mesmo sem soar piegas: a qualidade elevadíssima das canções que o compõe fala por si só.

A banda soa entrosadíssima e todos contribuem decisivamente para o sucesso das faixas. A seção rítmica é precisa e competente e as guitarras imprimem peso e personalidade ao Rock desenvolvido pelo Aerosmith. Joe Perry se destaca com solos simples, muitas vezes curtos, mas repletos de feeling. Steven Tyler está excelente nos vocais e ainda esbanja talento ao piano e à gaita.

A opção por letras com conotação mais voltada à temática sexual revela-se perfeita por se casar com a parte instrumental produzida pelo conjunto, fartamente maliciosa e picante.

Toys In The Attic não apresenta músicas nem mesmo medianas, sua qualidade é inquestionável. Aqui não há faixas de enchimento ou descartáveis. O disco deve ser ouvido, ininterruptamente do início ao fim.

Canções como "Toys In The Attic" e "Sweet Emotion" são clássicos da história do Rock e ajudaram a formar a sonoridade que surgiria na década seguinte. Ainda temos, no mesmo nível de qualidade, músicas incríveis como a ótima "No More No More" e a pesada "Round And Round", esta, demonstrando uma faceta diferente do grupo.

E ainda se tem "Walk This Way", um dos grandes sucessos da história da música. Uma canção que define o que o próprio Aerosmith é como banda de Rock.

Por fim, cabe ao Blog ressaltar e exultar Toys In The Attic como um dos principais álbuns do Rock em todos os tempos, sendo uma cartilha do Hard Rock norte-americano. Apresenta uma banda das mais importantes e bem-sucedidas da história em seu auge criativo com uma coleção de canções com qualidade inquestionável. Disco mais que obrigatório! 

10 de abril de 2015

PANTERA - VULGAR DISPLAY OF POWER (1992)


Vulgar Display Of Power é o sexto álbum de estúdio da banda norte-americana chamada Pantera. Seu lançamento oficial aconteceu em 25 de fevereiro de 1992, através do selo Atco Records. As gravações se deram durante o ano de 1991, no Pantego Sound Studio, em Pantego, no estado norte-americano do Texas. A produção ficou a cargo de Terry Date e do baterista Vinnie Paul.


Em seus primórdios, o Blog já tratou do clássico álbum do Pantera, Cowboys From Hell. Agora, vai-se focar nos fatos (poucos, é verdade) que antecederam o lançamento de Vulgar Display Of Power.

Embora seja o quinto álbum de estúdio do grupo, Cowboys From Hell foi considerado – pela própria banda – como sua estreia. O disco trouxe toda uma nova musicalidade para os texanos, apontando para um movimento mais agressivo e impetuoso.

Longe de ter sido um grande sucesso comercial, 'Cowboys' ofereceu à banda resultados muito mais importantes: fez o conjunto sepultar definitivamente o Glam Metal insosso de seus 4 primeiros trabalhos e os colocou em um novo patamar diante da mídia e dos fãs.

Em 1991, o Pantera voltou ao Pantego Sound Studio para gravar seu segundo lançamento sob contrato com a Atco Records, o qual se tornaria Vulgar Display of Power. O álbum acabaria sendo produzido por Terry Date, o qual se especializou nos gêneros rock e metal e que já havia trabalhado com a banda em Cowboys from Hell (1990).

Antes de Terry Date começar a trabalhar no álbum, a banda possuía a base para três faixas, "A New Level", "Regular People (Conceit)" e "No Good (Attack The Radical)". O resto das canções foram escritas em estúdio.

Depois de estar no estúdio durante dois meses, o Pantera foi convidado a abrir para o Metallica e o AC/DC no Monsters of Rock de 1991, em Moscou, na Rússia. O show foi gratuito e teve lugar no Tushino Airfield, em 28 de setembro de 1991.

Após o show, a banda voltou ao estúdio para continuar a trabalhar no álbum. O grupo viajou para Nova York para masterizar seu novo disco no Masterdisk.

Embora o guitarrista Darrell Abbott tenha sido creditado no álbum com o apelido de "Diamond Darrell", durante a gravação do mesmo ele abandonou esse apelido e assumiu "Dimebag Darrell", e o baixista Rex Brown também largou o pseudônimo de "Rexx Rocker".

Phil Anselmo
Vinnie Paul disse que Cowboys from Hell estava realmente perto do som definitivo do Pantera.

Segundo o baterista do Pantera, quando o Metallica lançou seu auto-intitulado álbum de 1991, o Pantera o considerou uma decepção para os fãs, pois acreditava que o Metallica havia abandonado o Thrash Metal de seus álbuns anteriores. Assim, o Pantera sentiu que tinha uma oportunidade e uma lacuna a preencher e quis fazer seu registro mais pesado de todos os tempos.

As letras para o álbum foram inspiradas em fatos reais. Após a turnê de Cowboys From Hell, alguns amigos do grupo começaram a pensar que o estrelato havia subido à cabeça do grupo. Assim, Phil Anselmo quis deixar a mensagem para quem estava com esta atitude: “Mantenha essa merda longe de mim.”

O título do álbum foi retirado de uma frase do filme O Exorcista, de 1973. Quando o padre Damien Karras pede a Regan MacNeil (ou o demônio que a possui) para quebrar suas próprias tiras e soltar-se usando seu poder maligno, Regan responde: "that's much too vulgar a display of power."

Dimebag Darrell
Em abril de 2007, o título do álbum foi usado para o livro A Vulgar Display of Power:. Courage and Carnage at the Alrosa Villa, que inclui muitos nomes de músicas do Pantera como títulos dos capítulos. O livro detalha os envolvidos e os detalhes que levaram ao assassinato do guitarrista Dimebag Darrell Abbott, em 2004.

A capa do álbum é uma foto, agora icônica, de um homem sendo socado no rosto. A foto para a capa do álbum foi realizada pelo fotógrafo Brad Guice, o qual havia feito também a fotografia da capa de Cowboys From Hell.

A banda pediu a sua gravadora que eles gostariam, na capa, de "algo vulgar, como um cara levando um murro". A primeira versão da capa que o selo trouxe para a banda mostrava um boxer com uma luva de perfuração, mas a banda não gostou. Então, a gravadora fez uma segunda versão que mostrava um homem que está sendo socado.

De acordo com Vinnie Paul, o homem na capa foi pago por US$ 10 por soco e foi atingido no rosto próximo de 30 vezes para se obter a imagem ideal. No entanto, Brad Guice afirmou que o homem na capa, chamado Sean Cross, nunca foi realmente atingido.

Vamos às faixas:

MOUTH FOR WAR

A bateria frenética de Vinnie Paul e um riff poderoso, embora mais cadenciado, de Dimebag Darrell dão às cartas no início da faixa. Logo depois, vocais furiosos de Phil Anselmo se encaixam perfeitamente com a proposta musical. O solo demonstra todo o feeling de Darrell. Enfim, o Pantera mostra a que veio logo de cara!

Segundo Phil Anselmo, a letra se refere a canalizar o ódio para algo construtivo:

There comes a time within everyone to close your eyes to
What's real
No comprehension to fail
I vacuum the wind for my sail
Can't be the rest
Let others waste my time
Owning success is the bottom line
Like a knife into flesh
After life is to death
Pulling and punching the rest of duration
No one can piss on this determination

“Mouth For War” é um grande clássico do Pantera, sendo uma das canções favoritas dos fãs.


Foi lançada como single e alcançou a boa 24ª posição da parada norte-americana desta natureza. Também atingiu a 73ª colocação na correspondente britânica.

Um videoclipe foi lançado para promover a canção. Entre os covers famosos estão das bandas Disarmonia Mundi e Biohazard.



A NEW LEVEL

Um riff sensacional, pesado e intenso, embora também cadenciado, dita o ritmo de "New Level". O ritmo e a velocidade crescem gradativamente à medida que os vocais de Anselmo vão se tornando cada vez mais agressivos. A canção é uma verdadeira porrada, mantendo o álbum em nível estratosférico.

A letra trata de confiança e mudança:

Demanding plea for unity between us all
United stand
Death before divided fall
In mock military order
Vulgar
Power
Impatient
Because time is shorter



WALK

Provando estar em estado de graça, Dimebag Darrell traz um novo riff primoroso em "Walk". A pegada é cadenciada, mas repleta de peso e groove, trazendo a composição para um patamar ainda mais elevado. Phil Anselmo faz uma interpretação vocal sublime, casando sua maneira de cantar perfeitamente com o instrumental. O ouvinte está diante de uma das mais marcantes composições dos anos 90.

A letra é uma imposição de respeito:

Is there no standard anymore?
What it takes, who I am, where I've been, belong
You can't be something you're not
Be yourself, by yourself, stay away from me
A lesson learned in life, known from the dawn of time

“Walk” é outro tremendo clássico do Pantera presente em Vulgar Display Of Power. Seu videoclipe teve intensa circulação nos anos 90.

Lançada como single, atingiu a boa 23ª colocação da parada norte-americana desta natureza. Também teve a respeitável 35ª posição da correspondente britânica.


“Walk” está na 16ª posição da lista do canal musical VH1 de 40 Greatest Metal Songs. Já a revista Guitar World elegeu o solo da canção como o 57º melhor de todos os tempos.

Como covers mais famosos, há o de bandas como Trivium, Seether, Disturbed e Avenged Sevenfold.

A música também está presente em games como Madden NFL 2010 e Rock Band 3.



FUCKING HOSTILE

A menor composição de Vulgar Display Of Power não brinca em serviço: bebendo nas fontes mais ricas do Thrash Metal norte-americano, "Fucking Hostile" é agressiva, direta e inquietante. Impossível não se lembrar de bandas como o Exodus ao se ouvir a música. Brilhante!

A letra é um convite de fuga contra a hipocrisia do sistema:

Come meet your maker, boy
Some things you can't enjoy
Because of heaven/hell
A fucking wives' tale
They put it in your head
Then put you in your bed
He's watching say your prayers
'Cause God is everywhere
Now I'll play a man learning priesthood
Who's about to take the ultimate test in life
I'd question things because I am human
And call no one my father who's no closer that a stranger



THIS LOVE

Já em "This Love", a banda opta por colocar os pés no freio, trazendo uma melodia mais suave e lenta, acompanhada por vocais bem comportados de Phil Anselmo. Mas logo o peso, o groove e os vocais agressivos de Phil Anselmo aparecem, exatamente no refrão. Em uma construção bastante interessante, a faixa alterna momentos mais suaves e intimistas com outros extremamente pesados, baseados no Thrash Metal. Destaque para Dimebag Darrell, esbanjando talento! É o modo do Pantera anos 90 fazer balada: espetacular!

A letra é sobre sofrimento amoroso:

If ever words were spoken,
painful and untrue.
I said I loved,
but I lied.
In my life,
all i wanted..was the keeping of someone like you.
As it turns out,
deeper within me,
love was twisted and pointed at you.
- Never ending pain. Quickly ending life -

“This Love” foi outro grande sucesso do Pantera. Teve outro videoclipe para sua promoção, dirigido por Kevin Kerslake.


Lançada como single, atingiu a excepcional 6ª colocação da parada norte-americana.

Está presente em games como Doom II e Rock Revolution. Entre os covers mais famosos estão o de bandas como Kiuas e Staind.



RISE

A pegada Thrash Metal está de volta em "Rise" que já em seu início demonstra toda a fúria instrumental do grupo texano. O riff é bastante pesado e direto e os vocais de Anselmo acompanham o ritmo sempre com exatidão. Destaque para a insanidade da bateria de Vinnie Paul e para o bom refrão.

A letra fala sobre fé e dominação:

Taught when we're young to hate one another
It's time to have a new reign of power
Make pride universal so no one gives in
Turn our backs on those who oppose
Then when confronted we ask them the question
What's wrong with their mind? What's wrong with your mind?



NO GOOD (ATTACK THE RADICAL)

Mais uma vez fica em evidência a criatividade da banda, contando com outro riff brilhante. O peso e a cadência fazem a diferença na questão. Por alguns momentos os vocais de Anselmo se alternam entre agressivos, suaves, ou mesmo chegando a 'recitar' a letra, em um estilo que lembra o Rap norte-americano. Canção bastante criativa.

A letra aborda o preconceito racial:

Race, pride, prejudice
Black man, white man, no stand
Live in the past, we make it last, a hated mass
No solution, mind pollution, for revolution



LIVE IN A HOLE

O peso absurdo de "Live In A Hole" é algo intrigante. A guitarra de Dimebag Darrell está insana, contribuindo decisivamente para o sucesso da faixa. O riff é ótimo e os solos esbanjam feeling. A opção por apresentar uma música com andamento mais devagar, mas repleta de intensidade, revela-se mais que acertada. Mais um momento marcante da obra.

A letra fala de aceitação:

I promised myself somewhere in the teenage life
I'd never submit to the ones I will not be like
Live in a hole
But stay close to my kind
Cause they understand what burns in my mind
I still feel incomplete
Friends are few and far between



REGULAR PEOPLE (CONCEIT)

Vinnie Paul abre os trabalhos em "Regular People (Conceit)", com a costumeira insanidade nas baquetas. Logo é seguido pelo excelente trabalho de seu irmão Darrell nas seis cordas, com um riff criativo, pesado, mas mais cadenciado. Também Phil Anselmo 'brinca' com sua voz, acompanhando a alternância rítmica da massa sonora. Destaque para o ótimo solo de Dimebag!

A letra é uma luta contra o sistema:

I've trampled on that road
That you think you own
You had that smartass attitude
It's time to stop the fiction



BY DEMONS BE DRIVEN

A pegada Thrash Metal está novamente bastante evidente no início de "By Demons Be Driven". Logo o estilo noventista da banda aparece de maneira claríssima, com a guitarra de Dimebag Darrell cortando a canção. Bons vocais de Anselmo e um riff com forte inspiração no Black Sabbath constroem outro momento importante do trabalho.

A letra é uma crítica à religião:

Serving the faith
Abduction the oath
It lie in wait for the offering
Religion is old
For drawing the young
Purity withers and dies
Never return to the ones that provided
Children draining parents of will
I hold out my hand to bloodless child
I'm taken by the one I was saving
From death



HOLLOW

A décima primeira - e última - música de Vulgar Display Of Power é "Hollow". Uma suave e belíssima melodia embala a voz de Phil Anselmo, desta feita, cantando de maneira contida e cativante. A guitarra de Dimebag Darrell é, mais uma vez, destaque absoluto, retocando a canção com um feeling absurdo. A partir de sua metade a agressividade natural do grupo aparece, tornando a experiência ainda mais dramática e de extremo bom gosto! "Hollow" é uma composição de alto grau de categoria!

A letra fala de alguém que se encontra em estado vegetativo:

I'm close with his mother
And she cries endlessly
Lord how we miss him
At least what's remembered
It's so important to make best friends in life
But it's hard when my friend sits with blank expressions

Embora “Hollow” seja um clássico inconteste da banda, não repercutiu nas principais paradas de sucesso quando lançada como single.


Considerações Finais

Lançado em fevereiro de 1992, o impacto de Vulgar Display Of Power foi praticamente imediato, especialmente em relação ao público undergorund.

Em termos de paradas de sucesso, ficou com a 44ª posição na parada norte-americana e com a 64ª na sua correspondente britânica.

O álbum recebeu críticas positivas após seu lançamento. Muitos críticos têm elogiado o trabalho do guitarrista Darrell Abbott no álbum pelo uso de riffs pesados para definir o tom do álbum. Os revisores também apontaram a mudança nos vocais de Anselmo em relação aos trabalhos anteriores, com ele usando poderosos vocais para acompanhar os riffs cativantes e letras mais agressivas.

Steve Huey, do Allmusic, declarou que o álbum é um dos mais influentes da década de 90 para o gênero. O disco está na 333ª posição da lista The 500 Greatest Rock & Metal Albums of All Time, da revista Rock Hard.

Além disto, Vulgar Display Of Power está presente na obra 1001 Albums You Must Hear Before You Die. Chad Bowar, do About.com, colocou o disco na 2ª posição dos melhores álbuns de Heavy Metal dos anos 90, atrás somente de Rust In Peace, do Megadeth. Já o site IGN o colocou como o 11º lugar entre os álbuns mais influentes da história do Heavy Metal em sua lista Top 25 Metal Albums.

Vulgar Display Of Power foi relançado em 2012, por uma edição comemorativa pelo seu 20º aniversário, contando com uma música até então inédita, “Piss”.

Vulgar Display Of Power ultrapassa a casa de 2,6 milhões de cópias vendidas.


Formação:
Philip Anselmo - Vocal
Darrell Abbott – Guitarra, Backing Vocal
Rex Brown - Baixo, Backing Vocal
Vinnie Paul - Bateria

Faixas:
01. Mouth for War (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 3:57
02. A New Level (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 3:57
03. Walk (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 5:14
04. Fucking Hostile (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 2:48
05. This Love (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 6:32
06. Rise (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 4:36
07. No Good (Attack the Radical) (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 4:49
08. Live in a Hole (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 5:00
09. Regular People (Conceit) (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 5:27
10. By Demons Be Driven (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) - 4:40
11. Hollow (Anselmo/Abbott/Brown/Paul) – 5:48

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/pantera/


Opinião do Blog:
Enquanto alguns gigantes do Heavy Metal passavam por momentos não tão gloriosos em suas carreiras, durante os anos noventa, o Pantera assumia uma tonalidade agressiva e desconcertante que acabaria caindo nas graças dos fãs do estilo. Embora a banda seja uma das principais influências da famigerada vertente New Metal, seus inegáveis legado e influência permanecem irretocáveis até hoje.

É difícil definir o ponto mais alto desta fase Heavy Metal da banda, mas para o Blog dificilmente o Pantera atingiu maior ápice que Vulgar Display Of Power: trata-se de um dos grandes álbuns de toda a história do Heavy Metal.

A banda aposta em uma sonoridade agressiva e instigante, abusando do peso e do groove, fórmula que seria exaustivamente seguida pelos grupos influenciados pelos texanos.

No álbum, o ouvinte está diante de um time coeso e bem entrosado. Vinnie Paul segue seu estilo insano na bateria, tocando de maneira frenética. Rex Brown cumpre seu papel no baixo e esta seção rítmica é primordial no peso absurdo da massa sonora do Pantera.

Phil Anselmo demonstra ser um vocalista de primeiro time, alternando seus vocais agressivos com alguns mais suaves, mas sempre em posição de colocar a composição em um patamar mais elevado. Mas o maior destaque vai mesmo para a guitarra de Dimebag Darrell, magnífico. Bebendo em fontes como o Metallica e o Black Sabbath, seu estilo marcante é inconfundível, seja em solos brilhantes ou riffs precisos.

As letras são boas, por vezes abordando temáticas diversas, mas com um olhar angustiante e ressentido da vida, fator este que se combina simbioticamente com a proposta sonora do grupo.

Em um álbum histórico e decisivo dentro do Heavy Metal dos anos 90 fica até difícil se falar em melhores faixas. Todas são acima da média. Músicas como "Mouth For War", "A New Level" ou "Fucking Hostile" definem o que o Pantera é como banda.

Mas impossível não demonstrar o apreço por composições mais intricadas como "This Love" e "Hollow", as quais contrapõem o peso absurdo e a melodia criativa. Mas é em "Walk" que o Pantera conquista definitivamente o Blog, uma das mais incríveis composições da história do Heavy Metal.

Em resumo, o ouvinte está diante de uma banda em seu ápice criativo, furiosa e determinada a conquistar um lugar no Olimpo do Heavy Metal. Com um álbum brilhante como Vulgar Display Of Power, o Pantera atingiu seu objetivo com sobras. Disco essencial!