6 de dezembro de 2014

ANTHRAX - SPREADING THE DISEASE (1985)


Spreading The Disease é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Anthrax. Seu lançamento oficial aconteceu em 30 de outubro de 1985, com as gravações ocorrendo no Pyramid Sound Studios, em New York, Estados Unidos. O selo responsável foi o Megaforce Records, com a produção sob responsabilidade de Carl Canedy, Jon Zazula e da própria banda.


O Anthrax volta ao Blog agora com seu segundo álbum. Um breve histórico será apresentado antes de se ter o foco no disco propriamente dito.

Fistful Of Metal, lançado em janeiro de 1984, foi o álbum de estreia do Anthrax, resultado de alguns anos de batalha e insistência pelo sucesso por parte da banda. Nele, canções como “Metal Thrashing Metal” e o cover de Alice Cooper, “I'm Eighteen”, destacam-se.

Logo após, o baixista Danny Lilker deixa o grupo, devido às tensões criadas pelo seu comportamento pouco profissional. Lilker formaria outra banda de sucesso, o Nuclear Assault.

O substituto para a posição de baixista surgiu no sobrinho do baterista Charlie Benante – e também roadie da banda – Frank Bello.

Em Agosto de 1984, Turbin foi demitido da banda, formando um novo grupo chamado Deathriders.

Scott Ian
Em seu livro Eddie Trunk’s Essential Hard Rock and Heavy Metal, o jornalista musical Eddie Trunk admitiu que chegou a pressionar o produtor Jon Zazula e a própria banda pela demissão de Turbin.

O Anthrax chegou a se apresentar como um quarteto, com o guitarrista Scott Ian nos vocais, com um repertório de covers dos estilos punk e hardcore.

Também Matt Fallon chegou a ser contratado como vocalista substituto temporariamente.

A escolha para o posto de vocalista foi por Joey Belladona.

Joey Belladonna
Com ele, a banda grava e lança já no ínício de 1985 o EP Armed and Dangerous, o qual continha 2 faixas ao vivo e 2 canções de um single chamado “Soldiers Of Metal”.

Mais tarde, também em 1985, Ian, Benante e Lilker colaboraram com o vocalista Billy Milano para produzir o álbum satírico Speak English or Die, como a banda chamada Stormtroopers of Death.

Depois se reuniram em Ithaca, no Pyramid Sound Studios, para gravarem seu segundo álbum de estúdio, que se tornaria Spreading The Disease.

A capa é bem bacana. Vamos às faixas:

A.I.R.

A pequena introdução mais cadenciada e clássica pode enganar o ouvinte de primeira viagem, mas logo depois dos 30 segundos de execução a típica fúria Thrash Metal toma conta da sonoridade. Belladonna diz a que veio com uma interpretação muito boa. Velocidade, ritmo e peso nas medidas exatas. Muito bom começo.

A letra é excelente e versa sobre os problemas da adolescência:

Who are you gonna live your life for?
Conformity will trap you like a locked door
Independence means owning your decision's
Authority will put your soul in prison



LONE JUSTICE

Um baixo bastante presente dá às cartas no início da faixa, que logo desemboca em um riff típico do Thrash Metal, rápido, intenso e com certo peso, mas sem abrir mão de uma melodia envolvente. Belladonna tem uma de suas atuações mais brilhantes em toda sua carreira, dando a única interpretação com a intensidade que a música solicita. Momento brilhante, em uma das melhores composições de toda a discografia do Anthrax.

A letra também é ótima, baseada na personagem Judge Dredd:

Then he with his squint-eyed grin and stubbled chin
He rides through history
The jury, in his mind the choices weigh
The trials, if you're gulity you're his prey
No judgement otherwise can change the lust
That's in his eyes
The sentence, will be carried out in stride



MADHOUSE

"Madhouse" possui um riff pesadíssimo e inconfundível e, embora o ritmo seja um pouquinho mais cadenciado que o das faixas anteriores, o peso é ainda mais impactante. Tanto a ponte quanto o refrão são espetaculares, cativando ainda mais o ouvinte. Trata-se de outra composição clássica, certamente entre as melhores da carreira da banda.

A letra outra vez é muito boa, em tom crítico à vida em um hospício:

White coats to bind me, out of control
I live alone inside my mind
World of confusion, air filled with noise
Who says that my life's such a crime?

Foi lançada como o principal single proveniente de Spreading the Disease, embora não tenha causado nenhuma repercussão em qualquer parada de sucesso.


Um videoclipe foi feito para promover a música, mas teve pouca circulação, acabando por ser banido da MTV norte-americana, por, supostamente, zombar dos doentes mentais.

Tornou-se um clássico da banda e presença constante nos shows do grupo.

A música está presente em games como GTA, Guitar Hero II e Rock Band. O Pantera lançou uma versão cover, gravada ao vivo, em 1987.



S.S.C/STAND OR FALL

A quarta faixa traz um riff muito veloz e rápido e intenso, característico do estilo proposto pela banda no trabalho. Em alguns momentos, a sonoridade traz influências que podem ser atribuídas ao Iron Maiden de álbuns como The Number Of The Beast (1982). Boa composição.

A letra possui o sentido de luta por justiça:

Right now my new life has begun
I have to stand tall I can't run
They're trying to take it away
I'm fighting the battle I...



THE ENEMY

Em "The Enemy", o grupo traz uma pegada muito mais clássica, bem tradicional, que remete diretamente a bandas como o Black Sabbath da fase Dio. Pois, com uma fonte tão rica, o Anthrax imprime sua personalidade musical ao estilo e compôs uma faixa muito boa, contando com um ritmo intenso, pesado, entretanto, repleto de melodia. Mais para o final da faixa, a trilha Thrash está de volta com um ótimo solo.

A letra faz referência ao holocausto:

He is but a solitary man
Whose prejudice will spread like a flame
Throughout the land
He's enslaving those who will be free
Etching his own name in black
For all of us to hear and see



AFTERSHOCK

O Thrash Metal, com a tradicional influência hardcore, está de volta em "Aftershock". O Anthrax usa de um típico riff do estilo, bem direto, pesado e veloz, com Belladonna em uma boa atuação e Benante bastante presente na bateria.

A letra tem sentido crítico em relação à política:

Never again we cannot depend
On leaders who see things so blind
Time will not lend, and never amend
A lesson for all mankind



ARMED AND DANGEROUS

Um início bastante suave e melódico, com uma belíssima melodia e com uma atuação bastante impressiva de Belladonna, marca a introdução de "Armed and Dangerous". Depois, a banda desenvolve uma pegada que faz a fusão precisa entre o Heavy Metal tradicional e o Thrash Metal, compondo outra das mais brilhantes músicas da discografia da banda. Excelente canção.

A letra propõe a luta por liberdade:

Am I evil, or am I insane
The lion inside of me, is no longer tame
A blade in my left, a gun in my right
To beat you within, an inch of your life



MEDUSA

Peso e intensidade, em um ritmo mais cadenciado, perfazem-se em um riff extremamente cativante e típico do grupo. A pegada Hevy/Thrash é a sonoridade proposta e o resultado final é impressionante, pois o ouvinte está diante de mais um clássico da banda. Excelente momento do disco.

A letra foca no mito grego da Medusa:

Serpents bride, the end awaits
Human prey, no swords or armor
Shield you from your fate
Hey you, you can't escape
Wicked smile, full of lies
Head of snakes, approch her cave
But don't look in her eyes
Oh, her eyes



GUNG-HO

A nona - e última - faixa de Spreading The Disease é "Gung-Ho". Trata-se de um Thrash Metal típico, direto, intenso e brutal. O peso é absurdo, assim como a velocidade do riff, com a banda construindo uma pérola do Thrash Metal. Uma forma mais ríspida de se encerrar o álbum.

A letra tem caráter militar:

Raging on the warpath, storming through the town
Blowing it to pieces, killing all around
Stand in our way, if you've got the balls
In a hail of bullets, your nailed to the wall



Considerações Finais

Apesar da qualidade inquestionável do trabalho, Spreading The Disease passou praticamente em branco no que tange ao sucesso comercial.

Atingiu a mais que modestíssima 113ª posição da principal parada norte-americana de álbuns e passou em branco em todas as demais.

Mas as revisões feitas pelos críticos especializados são em geral bastante positivas, como as realizadas pelo Allmusic, Kerrang! e Sputinik.

Turnês nos EUA e na Europa se seguiram durante o ano posterior. A tour norte-americana, com o Black Sabbath, foi cancelada após quatro datas devido a problemas com a voz do vocalista Glenn Hughes, então no Sabbath.

Em abril de 1986 o Anthrax tentou sua primeira turnê pela Europa, a qual incluiria um show perto de Chernobyl imediatamente após o famoso desastre nuclear ocorrido na ainda então União Soviética.

Em maio daquele ano a banda tocou em seu primeiro show europeu, em Bochum, Alemanha, apoiada pelos grupos Overkill e Agent Steel.

Mais tarde, no mesmo ano, o Anthrax excursionou pela Europa com o Metallica. A turnê começou em 10 de setembro, no St David's Hall, em Cardiff, no País de Gales, e terminou em 26 de setembro, em Solnahallen, Suécia.

O show sueco foi a última apresentação do Anthrax antes do acidente com o ônibus do Metallica no dia seguinte, que matou o seu baixista, o lendário Cliff Burton.



Formação
Joey Belladonna - Vocal
Dan Spitz - Guitarra
Scott Ian - Guitarra, Backing Vocals
Frank Bello - Baixo, Backing Vocals
Charlie Benante - Bateria

Faixas:
01. A.I.R. (Belladona/Spitz/Ian/Bello/Benante) - 5:45
02. Lone Justice (Belladona/Spitz/Ian/Bello/Benante) - 4:36
03. Madhouse (Belladona/Spitz/Ian/Bello/Benante) - 4:19
04. S.S.C./Stand or Fall (Belladona/Spitz/Ian/Bello/Benante) - 4:08
05. The Enemy (Belladona/Spitz/Ian/Bello/Benante) - 5:25
06. Aftershock (Belladona/Spitz/Ian/Bello/Benante) - 4:28
07. Armed and Dangerous (Turbin/Ian/Lilker) - 5:43
08. Medusa (Zazula/Belladona/Spitz/Ian/Bello/Benante) - 4:44
09. Gung-Ho (Turbin/Ian/Lilker) – 4:34

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/anthrax/

Opinião do Blog:
É claro que quando se trata de álbum clássico do Anthrax, a maioria dos fãs traz a mente o brilhante Among The Living (1987), que já foi tratado pelo Blog em seu início. Mas a verdade é que já em Spreading The Disease a banda mostrava boa parte de seu impressionante repertório.

O Anthrax é uma das melhores e mais criativas bandas oriundas da cena Thrash Metal dos Estados Unidos. Foi um dos grupos que mais se arriscou por diferentes estilos e sonoridades em sua carreira, sem quaisquer medos, acertando em cheio em algumas vezes e pecando em outras, mas nunca se omitindo em experimentar.

Spreading The Disease é apenas o segundo disco da carreira do grupo, mas já mostra uma banda pronta para alçar seus maiores e mais brilhantes vôos. Há muita qualidade no trabalho.

A força da banda, neste álbum, está em seu coeso e harmonioso conjunto. Todos cumprem seu papel com exatidão. Belladonna se mostra a escolha ideal para dar voz à intensa massa sonora produzida pelos instrumentistas, dos quais podemos apontar Charlie Benante e sua bateria insana como o mais proeminente.

Outro ponto de destaque no grupo são as letras, criativas, críticas e inteligentes, bem acima da média normal de bandas do estilo.

Alguns dos clássicos do Anthrax com Belladonna nos vocais saíram deste Spreading The Disease e isto, por si só, já aponta que se está diante de um disco de qualidade indiscutível. "Madhouse" dispensa qualquer apresentação, uma pérola do Thrash Metal. Tem-se as brilhantes "Armed And Dangerous" e "Medusa", composições que flertam com o melhor que o Heavy Metal pode conceber.

E ainda há "Lone Justice", possivelmente minha canção preferida do Anthrax, sendo simplesmente espetacular.

Spreading The Disease está entre os meus álbuns preferidos de todos os tempos, mostrando uma banda talentosa e jovem, querendo conquistar seu espaço. O disco possui uma coleção de músicas muito acima da média, contando com a intensidade e a capacidade de cativar que o Heavy/Thrash pode oferecer ao ouvinte. Álbum mais que obrigatório.

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