14 de fevereiro de 2014

JOURNEY - INFINITY (1978)


Infinity é o quarto álbum de estúdio da banda norte-americana Journey. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 20 de janeiro de 1978, através do selo Columbia Records. As gravações ocorreram nas cidades de San Francisco e Los Angeles, entre outubro e dezembro do ano anterior, nos estúdios Wheels e Cherokee, respectivamente. A produção ficou a cargo de Roy Thomas Baker.



O Journey foi uma das grandes bandas norte-americanas desde o final da década de setenta até meados da década seguinte. Como de costume, o Blog vai abordar as origens do grupo para depois fazer uma passagem música a música do álbum propriamente dito.

As origens do Journey se deram quando seus membros originais se reuniram em San Francisco, em 1973, sob os auspícios do ex-gerente de Carlos Santana, Herbie Herbert . Originalmente o grupo foi chamado de Golden Gate Rhythm Section e fora concebido para servir como banda de apoio para artistas estabelecidos na Bay Area.

A banda incluiu ex-membros do conjunto de Santana, Neal Schon na guitarra e Gregg Rolie nos teclados e vocais . O baixista Ross Valory e o guitarrista George Tickner , ambos ex-integrantes do Frumious Bandersnatch , completaram o time. Prairie Prince, vindo do The Tubes, atuou como baterista.

O conjunto rapidamente abandonou o conceito original de “grupo de backup” e desenvolveu um estilo Jazz Fusion. Depois de um concurso de rádio (mal sucedido) para nomear a banda, foi o roadie John Villanueva quem sugeriu o nome Journey.

A primeira aparição pública do Jorney se deu no Winterland Ballroom, na véspera do Ano Novo de 1973. Prairie Prince voltou para o The Tubes, e, pouco depois, a banda contratou o baterista britânico Aynsley Dunbar, que havia recentemente trabalhado com John Lennon e Frank Zappa.

Neal Schon

 Em 5 de fevereiro de 1974, o novo line-up fez sua estreia no Great American Music Hall e garantiu um contrato com a gravadora Columbia Records.

Journey lançou seu primeiro álbum, homônimo ao grupo, em 1975. O estilo encontrava um Rock com incursões de Jazz Fusion, bem distinto daquele que consagraria o grupo, embora bastante interessante. O guitarrista George Tickner deixou a banda antes do seu segundo álbum, Look Into The Future, de 1976, o qual seguia o mesmo estilo de seu antecessor.

Nenhum dos dois álbuns atingiram vendas significativas. Em busca de melhorias para o som do grupo (entenda-se aumento de vendagens) Schon, Valory e Dunbar começaram a fazer aulas de canto em uma tentativa de adicionarem harmonias vocais à voz principal de Gregg Rolie.

O ano de 1977 rendeu o terceiro álbum do grupo, Next (1977), que já apontava para um novo direcionamento da música do grupo, pois continha músicas mais curtas e com mais vocais, contando com Neal Schon como vocalista principal em duas canções.

As vendas de álbuns do Journey não melhoram e a Columbia Records solicitou que o grupo deveria mudar seu estilo musical, além de recomendar a adição de um frontman, com quem o tecladista Gregg Rolie poderia compartilhar os vocais principais.

O Journey acabou por contratar o vocalista Robert Fleischman e fez uma transição para um estilo mais popular, inspirando-se nos grandes sucessos de bandas como Foreigner e Boston faziam naqueles tempos.

O Journey saiu em turnê com Fleischman como vocalista em 1977 e, juntos, a nova encarnação da banda escreveu o sucesso "Wheel in the Sky", mas, no entanto, as diferenças na gestão dos negócios do grupo resultaram na saída de Fleischman, o qual permaneceu por volta de um ano com o grupo.

A saída de Fleischman se revelaria o momento crucial para a vida do Journey. No final de 1977, o grupo contratou Steve Perry como seu novo vocalista, o que se resultou como o fator decisivo para os novos caminhos do conjunto.

Perry acrescentou um som limpo e potente vocal à banda, tornando-a um verdadeiro ato popular. Como ficaria provado no seu futuro quarto álbum, Infinity.

Steve Perry

Foi o Manager do Journey , Herbie Herbert, quem procurou o produtor inglês Roy Thomas Baker para produzir Infinity.

Baker produziu uma abordagem em camadas, similar ao seu trabalho com os gigantes do Queen, facilmente demonstrável em faixas como “Winds Of March”.

Além disso, o método de harmonias empilhadas, notável em vários outros álbuns que Thomas Baker produziu, tornaram-se “marcas registradas” do som do Journey. O produtor conseguiu isso por ter cada vocalista (geralmente Perry e Rolie, às vezes acompanhados por Valory e/ou Schon) cantando cada parte da harmonia em uníssono.

Assim, tem-se o efeito de aparecerem três ou quatro vozes preenchendo o som, sendo notável nas canções “Feeling That Way” e “Anytime”, que muitas vezes foram tocadas em sequencia, consecutivamente, em estações de rádio.

Infinity marcou também a última aparição do baterista Aynsley Dunbar no Journey.

LIGHTS

Teclados suaves e melódicos abrem o álbum nas belas linhas de “Lights”. Já no início do trabalho faz-se sentir a grande capacidade de Steve Perry tem nos vocais. As guitarras de Schon estão presentes especialmente nos momentos próximos ao refrão e em um solo belíssimo. Grande faixa de abertura.

As letras falam sobre a cidade de San Francisco (embora a intenção inicial do grupo fosse escrever uma canção sobre Los Angeles):

So you think you're lonely
Well my friend I'm lonely too
I want to get back to my City by the bay

Lançada como single para promover o disco, atingiu a modesta 68ª posição na parada norte-americana desta natureza. Mas com o passar dos anos e o crescimento da fama do Journey, passou a ser uma faixa adorada pelos fãs.



É uma das canções mais tocadas nos jogos do time de baseball San Francisco Giants.



FEELING THAT WAY

Teclados novamente proeminentes marcam o início de “Feeling That Way”. Como dito no texto anteriormente, é possível ouvir o emprego de vozes em camadas acompanhando o vocal principal. Gregg Rolie também faz muitos vocais na faixa. Outra linda canção do trabalho.

A letra tem conotação romântica:

A new road's waiting, you touched my life
Soft and warm on a summer's night
You're the only one, the only one I love
The lovely one, I'm thinking of

Foi originalmente escrita por Gregg Rolie e planejada para ser uma faixa instrumental. Depois, o próprio Rolie a reescreveu, acrescentando vocais e nomeando-a “Please Let Me Stay”, para estar presente no disco anterior, Next, mas acabou ficando de fora na mixagem final do disco.

Ao conhecê-la, Steve Perry a reescreveu novamente, acrescentando o novo refrão e decidindo gravá-la dividindo os vocais com Gregg Rolie. Está presente na maioria das compilações de músicas do Journey.



ANYTIME

Vocais fortes e em camadas marcam a entrada de “Anytime”, terceira canção do disco. Rolie faz a maior parte dos vocais principais. A guitarra de Schon está incrível, bastante presente e marcante, com linhas fortes em um riff muito bonito. Mais uma vez o solo esbanja feeling. Outra música belíssima.

Mais uma faixa com letra de forte conotação romântica:

I'm standing here with my arms a mile wide
Hoping and praying for you
Listen to me and enlighten me
I hope that you need me too, 'cause

Lançada como single, conseguiu a modestíssima 83ª posição na parada norte-americana, mas, assim como “Lights”, passou a ser uma das preferidas dos fãs com o posterior sucesso do grupo.



Foi escrita no período em que Robert Fleischman estava no grupo, contando com sua contribuição.



LA DO DA

Nesta faixa a guitarra de Neal Schon está mais presente e pesada, contando com um riff contagiante e, para os padrões do Journey, bem pesado. Acompanhando o “peso” da canção, os vocais de Steve Perry são perfeitos, demonstrando o talento e versatilidade do vocalista. Excelente momento do disco.

A letra é romântica, em tom de flerte:

Something about you baby
Whey you touch me sweet so fine
I feel it, I feel it
When your body's close to mine



PATIENTLY

Uma bela e mais melancólica melodia faz a abertura da quinta faixa do trabalho, “Patiently”. Os vocais acompanham este tom mais sóbrio do trabalho, com teclados e violão dando o tom inicial. Depois a guitarra de Schon aparece proeminente e pesada, mudando toda a característica da canção, em um tom mais comum do Journey. Outra bela construção.

A letra é boa e reflexiva, embora curta, mas em um tom de questionamento pessoal:

In the shadow of love
Time goes by leaving me helpless
Just to reach and try
To live my life
These are my reasons, so



WHEEL IN THE SKY

Os acordes iniciais de “Wheel In The Sky” até enganam, mas trata-se de uma canção com forte pegada de Hard Setentista, mas com a indelével marca do Journey compor suas canções. Steve Perry dá um verdadeiro show nos vocais e a guitarra de Schon brilha intensamente. Uma das grandes composições da carreira do grupo.

A letra é ótima e denota alguém que vive viajando e está com nostalgia de casa:

I've been trying to make it home
Got to make it, before too long
Ooh, I can't take this very much longer, no
I'm stranded, in the sleet and rain
Don't think I'm ever gonna make it home again
The mornin' sun is risin'
It's kissin' the day away

É mais uma contribuição do período que Fleischman esteve no Journey.



Lançada como single, atingiu a 57ª posição da principal parada norte-americana desta natureza. "Wheel in the Sky” foi a primeira canção do Journey a conseguir atingir a parada de sucessos dos Estados Unidos.



SOMETHIN’ TO HIDE

“Somethin’ to Hide” é a sétima composição do álbum. Possui uma levada bastante suave, abusando de uma doce melodia, sendo embalada por uma atuação espetacular de Steve Perry nos vocais.  Neal Schon é outro que brilha na canção, com suas guitarras sendo colocadas perfeitamente no momento exato. Excelente música.

O teor da letra aponta no sentido de encontros e desencontros:

You've got somethin' to hide
That you're not telling me
You got somethin' to hide
And I know
Well there's something about you and I know
That you're not telling me



WINDS OF MARCH

“Winds Of March” tem uma sólida e bela melodia, marcando um andamento lento e arrastado da canção. Novamente destaca-se a atuação impressionante do vocalista Steve Perry, o qual transmite a emoção exata do conteúdo da faixa. Trata-se de uma balada de categoria ímpar, mesmo que durante o solo seu ritmo fique mais intenso e rápido.

A letra é uma grandiosa declaração de amor:

You are my child
You make my lifetime big and bright
You are my child
You came like the winds of March
With all the love in your eyes
You are my child
You came like the morning lights
With all your love, in your eyes
You are my child
You came like the morning light
With all your love, in your eyes



CAN DO

“Can Do” é a menor canção de Infinity e, talvez, por conta disso tem um ritmo mais forte e acelerado. O riff é direto, sem rodeios, com a guitarra de Neal Schon bebendo em fontes do Hard setentista, remetendo a nomes como Led Zeppelin e Deep Purple. É um excelente contraponto ao restante do álbum.

A letra trata de conselhos a se dar para alguém mais jovem:

You can do what you want to
You can do if you try
You can do what you want to
You can do if you try



OPENED THE DOOR

A décima – e última – música de Infinity é “Opened The Door”. Nesta faixa, os teclados em uma suave melodia estão de volta, marcando o início da canção. Steve Perry aproveita do seu privilegiado alcance vocal, destacando-se mais uma vez. Linda composição, fechando o álbum com chave de ouro.

A letra tem conotação romântica:

Girl, oh you came to me
Touched my life
Girl, how you sheltered me
Touched my life
It's the joy, you gave to me
When I was on my own, alone



Considerações Finais

Não há termos de comparação entre o sucesso comercial de Infinity com os três álbuns que o antecederam na discografia do Journey.

O álbum atingiu a 21ª posição na principal parada norte-americana de discos (a Billboard), posição bem acima que aquela atingida pelos trabalhos anteriores. Também conquistou o 22º lugar na parada canadense e o 37º na correspondente sueca.

Entretanto, o reconhecimento à qualidade de Infinity veio com o passar do tempo, à medida que o Journey foi conquistando públicos cada vez maiores com seus trabalhos que sucederam Infinity. O grupo atingiu o ápice do sucesso no início da década de oitenta.

Assim, os novos fãs buscavam os trabalhos anteriores da banda e encontravam Infinity que, desta maneira, obtinha seu reconhecimento de maneira mais tardia.

Assim, estimam-se que mais de 3,5 milhões de cópias de Infinity tenham sido comercializadas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Steve Perry - Vocal
Neal Schon – Violão, Guitarra, Backing Vocals
Gregg Rolie - Teclados, Vocal
Ross Valory - Baixo, Backing Vocals
Aynsley Dunbar - Bateria, Percussão

Faixas:
01. Lights (Perry/Schon) - 3:11
02. Feeling that Way (Dunbar/Perry/Rolie) - 3:28
03. Anytime (Fleischman/Rolie/Schon/Roger Silver/Valory) - 3:28
04. Lă Do Dā (Perry/Schon) - 3:01
05. Patiently (Perry/Schon) - 3:21
06. Wheel in the Sky (Fleischman/Schon/Diane Valory) - 4:12
07. Somethin' to Hide (Perry/Schon) - 3:27
08. Winds of March (Schon/Matt Schon/Fleischman/Perry/Rolie) - 5:04
09. Can Do (Perry/Valory) - 2:39
10. Opened the Door (Perry/Rolie/Schon) - 4:37

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indica-se o acesso a: http://letras.mus.br/journey/

Opinião do Blog:
Seguir um caminho mais comercial, espelhando-se nos mais que bem sucedidos Boston e Foreigner, foi uma escolha certeira do Journey. Claro, fica muito mais fácil se fazer esta afirmação agora, quase quarenta anos depois e com todo o sucesso que o grupo fez durante os anos oitenta.

O verdadeiro ponto de virada do grupo foi a contratação do extraordinário Steve Perry. Sua voz elevou o patamar da banda, contribuindo para abrilhantar as composições com melodias vocais de extremo bom gosto.

O Blog conheceu o Journey pela primeira vez através de Infinity. É impossível, para quem se deixa levar pelas ondas do Rock Romântico, não se encantar pelo álbum. É tudo feito com muito capricho e extremo bom gosto.

A produção exemplar de Roy Thomas Baker é de extrema importância para o sucesso do que se ouve. O som está limpo e os recursos usados somente ampliam as possibilidades das composições.

Conforme foi dito, Steve Perry é o grande espetáculo do álbum. Sua atuação é fator determinante para que as músicas suaves do Journey ganhem força sem cair na mesmice de composições baratas ou rasteiras.

Também merece destaque a sempre precisa intervenção de Neal Schon, com bases melódicas presentes e solos que esbanjam feeling, contribuindo muito para o encantamento do ouvinte. Também neste ponto há que se aplaudir como Gregg Rolie cria melodias cativantes com seu teclado e uma atuação não mais que correta nos vocais. Baixo e bateria acompanham tudo de maneira muito competente.

O disco como um todo é muito cativante, sendo difícil destacar as faixas mais isoladamente, mas isto faz parte da tradição do Blog. “Lights” é linda, “Anytime” cativa com sua bela melodia, “Can Do” é um Journey diferente e instigante (impossível não se lembrar do Deep Purple). Mas o ponto mais alto é mesmo “Winds Of March”.


O Blog pretende visitar outros álbuns desta magnífica banda que é o Journey no futuro. Infinity é o início do desenvolvimento do grupo em sua veia romântica, regada a excelentes vocais de Perry e composições com melodias cativantes. Obrigatório para quem gosta de Rock com uma pegada mais romântica.

3 comentários:

  1. Journey é outra daquelas famosas bandas da época, que hoje em dia é vista com maus olhos e eu não sei porque. No mais, só conheço da banda o disco Escape (1981), por conta de hits como "Don't Stop Believing", "Open Arms", "Stone in Love" e, principalmente, "Who's Crying Now". Até que esta fase inicial deles antes de Escape é interessante. Prometo dar uma ouvida.

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    1. Caro Igor, vale bastante à pena conhecer o Infinity, um álbum muito bom. Também não consigo entender o preconceito com o Journey, mas enfim, tem gente pra tudo nesse mundo. Abração!

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    2. Realmente tem! Abraço pra ti também, cara!

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