5 de setembro de 2013

SYSTEM OF A DOWN - TOXICITY (2001)


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Toxicity é o segundo álbum de estúdio da banda armênio-norte-americana chamada System Of A Down. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 4 de setembro de 2001 com suas gravações ocorrendo no Cello Studios, em Hollywood, Califórnia (EUA), entre os meses de março e julho daquele ano. A produção ficou a cargo do renomado Rick Rubin, auxiliado por Serj Tankian e Daron Malakian. O selo responsável foi o American.

Falar sobre o System Of A Down é mencionar um dos expoentes da música contemporânea. Apesar de muitas vezes ser classificada como “New Metal”, o blog pensa ser impossível rotular um grupo que possui uma identidade musical consistente e, ao mesmo tempo, única. Sua originalidade em associação com a força de suas composições tornam o System Of A Down um conjunto singular.



As origens do chamado New Metal são difíceis de serem localizadas. Musicalmente, as bandas assim classificadas se diferem muito umas das outras.

Genericamente, grande parte delas refletem a fusão de um Rock pesado, com passagens de guitarras extremamente pesadas, dotadas de muito groove, com outras mais leves e com fortes influências de outros gêneros musicais tais como Pop, Rap, Música Eletrônica, etc.

Em distanciamento ao Heavy Metal mais tradicional, pode-se notar o uso (pelas bandas de New Metal), por diversas vezes, de DJ’s e a ausência marcante de solos de guitarras em suas músicas – algo quase inimaginável nas linhas mais tradicionais do Heavy Metal.

Claro, isto são apenas pequenos pontos dentro de todo um estilo musical difuso e complexo, como o tal New Metal, na tentativa de facilitar a observação e identificação por parte do leitor mais leigo.

São citadas como influências das bandas de New Metal conjuntos diferentes como Red Hot Chili Peppers, Rage Against The Machine, Faith No More e Sepultura, por exemplo.

O ‘boom’ do New Metal aconteceu no final da década de 1990, com bandas do gênero dominando a mídia internacional, especialmente nos Estados Unidos. Entre os pioneiros estão Korn e Deftones, mas também são mundialmente conhecidos nomes como Linkin Park, Limp Bizkit e Slipknot. Como pode ser observado, bandas extremamente diferentes entre si.

Talvez por ter surgido na mesma época em meio a esta profunda miscelânea musical, o System Of A Down (que será chamado de SOAD, para facilitar o texto) foi colocado junto neste pacotão de bandas.

As origens do SOAD remontam ao ano de 1992, quando Serj Tankian e Daron Malakian, dois norte-americanos de origem armênia, conheceram-se e fundaram uma banda chamada Soil. Como manager, outro membro de origem semelhante foi convidado, Shavo Odadjian.

Serj Tankian


Em 1994 o Soil já não existia mais. Daron, Serj e Shavo resolvem criar um novo grupo. Seu nome seria System Of A Down, denominação retirada de um poema escrito por Daron, “Victims Of A Down”. Shavo achava ‘System’ mais forte que ‘Victims’ e, também, gostaria que os discos da banda ficassem expostos nas lojas próximos dos álbuns de seus heróis musicais, o Slayer.

Com Serj nos vocais, Daron nas guitarras e Shavo no baixo, o grupo recrutou o baterista Ontronik Kachaturian para as baquetas. Com esta formação o grupo chega a gravar três demos entre os anos de 1994 e 1996.

Kachaturian deixa o grupo devido a uma lesão em sua mão, sendo substituído por John Dolmayan.

Com apresentações em clubes noturnos famosos da área de Los Angeles e suas demos começando a fazer barulho, o grupo passa a chamar a atenção do produtor Rick Rubin. A banda grava sua quarta demo, desta vez mais profissional e com intenção quase exclusiva de ser enviada para as gravadoras.

Assim, Rick Rubin com sua American Records acaba assinando com o System Of A Down e a banda entra em estúdio para a gravação de seu primeiro álbum.

Lançado em 1998 e homônimo à banda, System Of A Down apresentava a sonoridade única e distinta do grupo em estado seminal. Sua musicalidade ímpar, com a fusão do Metal e música da Armênia foi um sopro de criatividade naquele ano.

Daron Malakian


O sucesso acabou sendo moderado, mas músicas como “Sugar” e “Spiders” acabam tendo bastante divulgação nas rádios e MTV e terminam caindo nas graças do grande público em geral.

A banda excursiona como abertura para gigantes como Slayer e Metallica, também fazendo turnês com o Faith No More e Incubus. Incluem participação no Ozzfest de Ozzy Osbourne e uma contribuição no álbum tributo ao Black Sabbath, Nativity In Black 2, com a faixa “Snowblind”, já no ano 2000.

O próximo passo seria a gravação do seu segundo álbum de estúdio, que se tornaria Toxicity. A arte da capa é simples, com o nome da banda simulando a palavra “Hollywood” como ocorre na famosa cidade homônima. Obra de Mark Wakefield.

A produção ficaria com Rick Rubin em associação com Serj e Daron.

PRISON SONG

“Prison Song” abre o disco. Ela começa com bastante peso e intensidade, com alguns vocais mais agressivos e Serj fazendo outros mais próximos ao Hip-Hop. Na maior parte da canção o clima é pesado e intenso, com Tankian preferindo falar a letra ao invés de cantá-la. Muitos backing vocals são apenas berros.

A letra é uma crítica clara à política de combate à violência nos Estados Unidos, sugerindo um uso conveniente do tráfico de drogas:

All research and sucessful drug policy shows
That treatment should be increased,
And law enforcement decreased,
While abolishing mandatory minimum sentences



NEEDLES

A segunda música do álbum mantém o clima da primeira faixa, apostando no peso e na distorção, reforçados por vocais extremamente agressivos. Na maior parte da canção, Serj Tankian faz vocais mais gritados. Os backing vocals novamente intensificam o peso da música, sendo alguns apenas gritos. Por volta dos 2 minutos há um pequeno interlúdio mais melódico.

A letra tem uma mensagem antidroga:

I'm sitting in my room,
With a needle in my hand,
Just waiting for the tomb,
Of some old dying man,
Sitting in my room,
With a needle in my hand,
Just waiting for the tomb,
Of some old dying man...



DEER DANCE

Mais peso e intensidade são encontrados em “Deer Dance”. Embora, inicialmente, o grupo opte por fazer seu som único intercalando sonoridades típicas de seu país com o Rock. No refrão, a distorção e brutalidade tanto dos instrumentos quanto da voz de Serj dão a tônica da faixa. Excelente construção!

A letra é uma forte crítica contra o estado policialesco, brutal contra oprimidos e que conta com a conivência dos mais afortunados socialmente:

Pushing little children
With their fully automatics
They like to push the weak around
Pushing little children
With their fully automatics
They like to push the weak around



JET PILOT

Com um riff extremamente pesado se dá o início de “Jet Pilot”. Depois, o grupo opta por fazer um som mais leve e típico de sua sonoridade. A faixa transcorre assim durante toda a sua extensão, intercalando momentos de fúria com outros mais melódicos. Os vocais de Serj se adéquam perfeitamente a cada momento.

A letra é bastante filosófica e permite inferir um tom de crítica à fé descabida:

My, source, is the source of all creation,
Her, discourse, is that we all don't survey
The skies, right before,
Right before they go gray,
My source, and my remorse,
Flying over a great bay



X

Desta vez o grupo opta por um início bastante pesado, mas mais arrastado. Depois, o peso é mantido, mas com aceleração e rapidez. Desta forma, “X” é das faixas mais pesadas do trabalho, apenas variando entre momentos mais rápidos e lentos.

Também em tom crítico e sarcástico, a letra ironiza o controle demográfico:

We don't need to multiply
We don't need to multiply
We don't need to multiply
We don't need to multiply
Die



CHOP SUEY

Um início quase acústico introduz o riff principal de “Chop Suey”, no que é seguido de uma parte bem pesada e com bastante distorção. Os vocais de Serj Tankian são muito precisos, oscilando em partes mais melódicas e outras mais agressivas e rápidas. A canção oscila em momentos intensos e outros arrastados, mas dotados de belíssima melodia. Enfim, uma construção brilhante!

As letras são bastante filosóficas e levam em conta o destino que se têm em função da vida que se levou:

I don't think you trust
In my self righteous suicide
I cry when angels deserve to die
In my self righteous suicide
I cry when angels deserve to die

“Chop Suey” acabou se tornando a música mais conhecida e emblemática do SOAD. Lançada como single, teve sucesso moderado, como a 17ª posição na parada britânica e a 76ª posição nos Estados Unidos.



Um videoclipe foi lançado para promover a música, que também foi colocada na lista da revista Bender na eleição 500 Greatest Songs Since You Were Born.

Versões cover foram feitas pela banda Tenacious D do ator Jack Black. Está presente em vários jogos da série Rock Band.



BOUNCE

O peso volta com tudo já no início de “Bounce”. A faixa tem vocais bem agressivos e se mantém em um ritmo pesado, oscilando entre momentos bem rápidos e outros um pouco mais cadenciados, mas sempre com presença forte da guitarra de Daron Malakian.

A letra permite várias interpretações, sugerindo flerte sutil:

Unannounced twister games,
All players with no names,
They lined up double quick,
But just one pogo stick,
Everyone gets to play,
Runaway, expose',
It was so exotic,
But just one pogo stick



FOREST

“Forest” tem uma pegada forte e com um riff bastante Heavy Metal. O refrão intensifica esta pegada Metal, mas opta por um ritmo mais cadenciado e arrastado, entretanto, transbordando sentimento. O mais interessante é notar que mesmo tendendo ao Metal Tradicional o toque armênio no som é presente em toda sua duração. Excelente música.

A letra é uma crítica à educação massificante e que leva as pessoas a acreditarem que fatos imorais podem ser justificados pela legalidade:

Take this promise for a ride
You saw the forest now come inside
You took the legend for its fall
You saw the product of it all
No televisions in the air
No circumcisions on the chair
You made the weapons for us all
Just look at us now



ATWA

O início quase melancólico de “Atwa” quebra um pouco o ritmo acelerado do álbum. Mas o peso logo volta à cena. A canção, no entanto, é dominada por passagens mais calmas, intercaladas esporadicamente pelo peso habitual do SOAD. Claro que tudo é sempre levado com o toque armênio que influencia o grupo. Sensacional.

A letra é dedicada à conscientização da destruição da natureza:

Hey you
See me?
Pictures crazy
All the world I've seen before me passing by
I've got nothing to gain to lose
All the world I've seen before me passing by



SCIENCE

“Science” também tem uma pegada bastante Heavy Metal, com um riff muito empolgante e pesado. Os vocais de Serj são bastante fortes e combinam exatamente com o ritmo pesado e intenso da música. O destaque maior da faixa vai para a guitarra de Daron, bastante presente e criativa. Outra canção incrível!

A letra é uma crítica à fé humana, cega, na ciência:

Science fails to recognize the single most
Potent element of human existence
Letting the reigns go to the unfolding
Is faith, faith, faith, Faith



SHIMMY

“Shimmy” é bem direta, com a guitarra pesada e muito presente. O peso está em toda a composição, com um toque de Rap na interpretação de Serj Tankian. Uma das menores faixas do trabalho, sendo bastante simples.

Na letra o grupo faz uma crítica à educação norte-americana, voltada à doutrinação sem questionar a ordem social vigente:

Indoctrination of a nation
Indoctrination of a nation
Subjugation of damnation
Subjugation of damna...



TOXICITY

A forte influência armênia e boas doses de Hard/Heavy, fundidas, formam uma das mais brilhantes composições da história da banda. Dotada de poder, belas melodias, excelente bom gosto e um vocalista em uma atuação soberba, fazem uma construção quase perfeita. Toxicity é uma das mais incríveis canções de seu tempo.

A letra é uma inflexão filosófica sobre o caos moderno e como todo homem, mesmo que por absoluta omissão, é responsável pelo que acontece:

You, what do you own the world?
How do you own disorder
Now, somewhere between the sacred silence
Sacred silence and sleep
Somewhere, between the sacred silence and sleep
Disorder, disorder, disorder

Lançada como single, atingiu a modesta 70ª posição da parada norte-americana desta natureza. Mesmo assim, tornou-se uma das mais importantes canções da banda, merecendo até mesmo a produção de um videoclipe para promovê-la.



Foi eleita a 14ª colocada em uma eleição do canal VH1, 40 Greatest Metal Songs. É jogável nos games série Rock Band e Guitar Hero.



PSYCHO

“Psycho” apresenta a tradicional oscilação da banda, dentro de uma mesma música, entre passagens mais rápidas e lentas, mas desta vez ambas com muito peso. No meio da faixa ainda está presente um interlúdio mais melódico e com toques característicos do grupo, leve e bastante suave, com espaço para um solo de guitarra por parte de Daron.

A letra refere-se ao mundo de um dependente químico em cocaína:

Psycho groupie, cocaine, crazy
Psycho groupie, coke,
Makes you high, makes you hide,
Do you really wanna think and stop,
Stop your eyes from flowing out



AERIALS

“Aerials” é a decimal quarta e última faixa de Toxicity. Seu início tem uma pequena introdução suave que descamba em um riff pesado, mas repleto de influências tradicionais da banda, assim com as partes mais suaves e melódicas da composição. É o intercâmbio entre as passagens, realizado com extrema maestria, que a torna tão cativante. Incrível!

A letra, belíssima, é uma mensagem filosófica de libertação:

Life is a waterfall,
We drink from the river,
Then we turn around, put up our walls.
Swimming through the void
We hear the word,
We loose ourselves,
But we find it all

“Aerials” foi o terceiro single retirado de Toxicity, com direito a videoclipe promocional e conquistou a 55ª posição da principal parada de singles dos Estados Unidos.



Deu, também, ao grupo uma indicação ao Grammy de melhor performance de uma banda em Hard Rock, no ano de 2003. A banda sueca Amon Amarth fez uma versão para o clássico do SOAD.

Ao final do álbum, há a faixa escondida “Arto”, nomeada pela participação do cantor de origem turca-armênia Arto Tunçboyacıyan.



Considerações Finais

Lançado em 4 de setembro de 2001, Toxicity voou diretamente para o topo da parada norte-americana de álbuns, alcançando a estratosférica 1ª colocação! (Assim como no Canadá). Já no Reino Unido, obteve a honrosa 13ª posição.

A banda pretendia lançar o álbum em um show ao vivo, gratuito, na cidade de Hollywood, com uma estrutura montada para um público de aproximadamente 3500 pessoas, com a finalidade de agradecimento aos fãs. No entanto, cerca de 10000 pessoas apareceram para o concerto que, por problemas de segurança, foi impedido de ser realizado pela polícia local.

Como o cancelamento não foi avisado ao público que permaneceu algumas horas esperando, o resultado não poderia ter sido outro: momentos de selvageria e destruição do local, com prejuízo de aproximadamente 30 mil dólares somente em equipamento da banda.

Outro ponto marcante em Toxicity foi o fato de seu lançamento ter ocorrido exatamente uma semana antes do fatídico 11 de setembro de 2001, data do maior atentado terrorista ocorrido nos Estados Unidos.

Naquela semana o álbum já estava no Topo da parada norte-americana. Toda a explicável explosão de nacionalismo e patriotismo - que decorreram dos resultados catastróficos do atentado - acabaram culminando em uma lista de canções “proibidas” de execução em rádios e televisões e atingiram em cheio o conteúdo questionador das letras de Toxicity.

Mesmo assim, o álbum e os vídeos tiveram intensa circulação nas rádios e na MTV, com a banda tendo seu trabalho intensamente exposto. O grupo saiu em turnê conjunta com o Slipknot e, depois, contando com a presença dos alemães do Rammstein, ambas muito bem sucedidas.

Estima-se que Toxicity supere, mundialmente, a marca de 12 milhões de cópias vendidas.



Formação:
Serj Tankian – Vocal, Teclado
Daron Malakian – Guitarras, Backing Vocals
Shavo Odadjian – Baixo
John Dolmayan – Bateria

Faixas:
01. Prison Song (Tankian/Malakian) - 3:21
02. Needles (Tankian/Malakian) - 3:13
03. Deer Dance (Tankian/Malakian) - 2:55
04. Jet Pilot (Tankian/Odadjian/Malakian) - 2:06
05. X (Tankian/Malakian) - 1:58
06. Chop Suey! (Tankian/Malakian) - 3:30
07. Bounce (Tankian/Odadjian/Malakian) - 1:54
08. Forest (Tankian/Malakian) - 4:00
09. ATWA (Tankian/Malakian) - 2:56
10. Science (Tankian/Malakian) - 2:43
11. Shimmy (Tankian) - 1:51
12. Toxicity (Tankian/Odadjian/Malakian) - 3:39
13. Psycho (Tankian/Malakian) - 3:45
14. Aerials (Tankian/Malakian) - 6:11

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/system-of-a-down/

Opinião do Blog:
O System Of A Down é, para este Blog, uma das melhores bandas que surgiu na música nos últimos 20 anos. Seu estilo único, inconfundível, traduz um grupo que transborda e transpira originalidade, catalisando uma identidade musical marcante e distinta.

A capacidade que o SOAD teve em fundir sua raiz cultural da Armênia no Rock/Metal ocidental, que é a matriz musical sonora do grupo, foi fundamental nesta formação da musicalidade da banda.

No fim da década de 90 e início dos anos 2000, os Estados Unidos viviam uma pretensa invulnerabilidade, ou seja, julgavam-se incapazes de serem recriminados ou atingidos por qualquer tipo de indagação social ou filosófica (ou até mesmo bélica). Era uma espécie de autossuficiência inquestionável.

Mas a banda System Of A Down dá um tremendo soco na cara desta hipocrisia ianque. É possível filosofar que a parte instrumental do som do grupo é uma simbologia de seu tempo.

Pode-se inferir que as partes suaves, leves e melódicas de seu som representam a aparente paz e estabilidade conseguidas pelos Estados Unidos (e demais nações poderosas do globo) nas últimas décadas.

As partes pesadas, furiosas e brutais representam toda a violência a que a humanidade está submetida, em nome da manutenção desta aparente paz social dos poderosos. Violência física, econômica e social, opressiva e massacrante, a que grande parte das pessoas sofre diariamente, representadas por guerras, fome, leis injustas e o que mais o leitor conseguir imaginar.

Ao fundir, dentro de uma mesma canção, toda a parte melódica descrita anteriormente com a parte pesada, brutal e furiosa a que se refere o parágrafo anterior, o System Of A Down mostra como a sociedade atual é hipócrita e dual, sofrendo um processo dialético que se entrelaça e complementa em uma aparente paz social de poucos a custa do sofrimento violento de muitos.

Claro, esta viagem psicológica na musicalidade do grupo só pode ser imaginada levando-se em conta as letras viscerais e orgânicas produzidas pela banda.

Este processo de intercalar suavidade e peso está todo presente na sonoridade do System Of A Down. Toxicity explode durante toda sua duração neste furor musical. Suas faixas são curtas, intensas e transbordam todo este sentimento.

Há construções belíssimas como “Chop Suey”, “Aerials”, “Toxicity” e “ATWA”, nas quais as melodias são de extrema beleza e o peso é dado na medida correta, complementando-se e se contrapondo de maneira perfeita.

Serj canta de maneira cativante e Daron constrói melodias e riffs com a mesma competência, enquanto a cozinha trabalha de maneira corretíssima.

As letras são verdadeiros tapas na face da sociedade (em especial a norte-americana). Quase sempre são filosóficas, intensas e dotadas de espírito crítico.

Enfim, dentro do famigerado New Metal, que trouxe uma enxurrada de bandas medíocres e outras apenas medianas, o System Of A Down é, de longe, o grupo mais brilhante associado ao estilo. Embora sua música seja impossível de se rotular. É Rock, e dos muito bons. Álbum obrigatório!

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