28 de maio de 2013

OZZY OSBOURNE - DIARY OF A MADMAN (1981)


Diary Of A Madman é o segundo álbum de estúdio do vocalista inglês chamado Ozzy Osbourne. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 7 de novembro de 1981, sob o selo Jet Records. As gravações aconteceram no Ridge Farm Studios (no Reino Unido), entre fevereiro e março daquele ano. A produção ficou a cargo de Max Norman, com auxílio do guitarrista Randy Rhoads e do próprio Ozzy.



Bem no início do Blog, foi feito um post sobre a estreia de Ozzy Osbourne em sua carreira-solo, e quem quiser conferir pode acessar o link abaixo:


Após o lançamento de seu álbum de estreia, Blizzard of Ozz, Ozzy saiu em turnê para promovê-lo com uma formação diferente daquela a qual gravara o disco em estúdio.

A formação continha Ozzy nos vocais, o incrível Randy Rhoads na guitarra, Rudy Sarzo no baixo e Tommy Aldridge na bateria.

A turnê foi muito bem sucedida e preparou o caminho e confiança necessários para que o vocalista sentisse que era oportuno aproveitar o momento e fazer um novo registro de músicas inéditas.

O fantástico Randy Rhoads teria um papel fundamental no novo álbum, auxiliando o Madman de maneira decisiva no processo de escrita e composição de seu futuro trabalho, criando melodias e riffs incríveis.

Para as gravações do novo trabalho, houve a volta do baixista Bob Daisley e do baterista Lee Kerslake, os quais já haviam contribuído com a gravação de Blizzard Of Ozz.

Mais que isto, Bob Daisley teve papel fundamental na composição dos primeiros álbuns de Ozzy Osbourne. Anos depois, muita controvérsia judicial surgiu entre Daisley e o vocalista, incluindo o relançamento dos álbuns com as partes tocadas por Daisley e Kerslake sendo regravadas por outros músicos.

Ozzy:


Bob Daisley afirma que muitas melodias e letras de canções que são atribuídas a Osbourne são integralmente ou com muitas contribuições suas na realidade. E que muitos dos direitos econômicos delas não foram pagos a ele. Em 2010, houve um acordo judicial e toda a celeuma foi dirimida.

Fato é que Daisley é creditado como compositor em todas as faixas deste trabalho.

Também o tecladista Don Airey foi creditado como presente no álbum como tecladista, mas na verdade, Airey nem esteve em estúdio com o grupo, pois estava em turnê com o Rainbow. Na verdade, as partes de teclado no disco foram tocadas por um músico chamado Johnny Cook, amigo de Bob Daisley, com o qual havia tocado na banda Mungo.

Johnny Cook não foi creditado no trabalho.

A arte da capa tem uma foto bem excêntrica com Ozzy Osbourne.

OVER THE MOUNTAIN

Um dos clássicos da discografia de Ozzy abre o álbum, “Over The Mountain”.

A bateria nervosa de Kerslake abre o álbum seguida pelo riff muito inspirado por parte do grande Randy Rhoads. Ozzy faz um vocal bem típico de sua carreira, especialmente quando partiu solo. O refrão é muito bom e as linhas de guitarras, pesadas e melodiosas, são incríveis. Os solos mostram o quão incrível Rhoads era.

As letras são em um tom de desespero e angústia, em mistura de fuga e raiva:

Over and over, always tried to get away
Living in a daydream, only place I had to stay
Fever of a breakout burning in me miles wide
People around me talking to the walls inside

Lançada como single, acabou alcançando uma boa posição na parada norte-americana deste tipo de gravação: 38ª colocação.



A canção acabou fazendo parte do set list de Ozzy por algum tempo, mas depois sua presença foi rareando em shows. Bandas como Fozzy e Stryper fizeram versões para a música.



FLYING HIGH AGAIN

Continuando o disco em alto nível, outro sucesso: “Flying High Again”.

A guitarra de Rhoads soa incrível nesta canção. Está pesada, em um riff que se inicia mais arrastado e depois acelera um pouco, mas o ritmo se mantém mais lento, sempre repleto de melodia, em uma construção genial. Os vocais de Ozzy estão em perfeita consonância com o instrumental da faixa. O solo é fabuloso. Ponto alto do álbum!

Segundo Ozzy, as letras se referem ao seu momento pessoal (na época), em que ele sentia novamente o sabor do sucesso após ser demitido do Black Sabbath:

I can see through the mountains
Watch me disappear
I can even touch the sky
Swallowing colours of the sound I hear
Am I just a crazy guy
You bet

“Flying High Again” esteve presente em boa parte dos shows de Ozzy em sua carreira solo, tornando-se um clássico do Madman.



Lançada como single, atingiu a 16ª posição na parada britânica desta natureza e a excepcional 2ª posição em sua correspondente norte-americana.



YOU CAN’T KILL ROCK AND ROLL

A terceira faixa do álbum é “You Can’t Kill Rock And Roll”.

Linhas suaves e melodiosas dão o tom no início da terceira canção do disco. Depois, o ritmo acelera com mais intensidade e certo peso, mas alternando com as linhas mais lentas e melosas do começo da música em uma construção bem bonita. Os vocais de Ozzy se alternam de acordo com o ritmo da faixa, contribuindo para o seu sucesso.

As letras são simples e representam uma rebeldia embalada por um espírito de liberdade, representado pela música Rock:

Leave me alone
Don't want your promises no more
'Cause rock'n'roll is my religion and my law
Won't ever change,
May think it's strange
You can't kill rock'n'roll
It's here to stay

Lançada como single, atingiu a respeitável 41ª colocação na parada norte-americana.



BELIEVER

A quarta faixa do trabalho é “Believer”.

“Believer” é consideravelmente mais pesada que as canções anteriores do álbum. Isto é muito devido ao riff sensacional criado pela guitarra de Randy Rhoads: bastante pesado, muito lento e com andamento deveras arrastado. Ozzy opta por um vocal que se adéqua perfeitamente ao ambiente criado pelo excelente instrumental da música. Brilhante!

As letras estão em um tom de mistério e místico, com toques de ocultismo:

I'm a believer, I ain't no deceiver
Mountains move before my eyes
Destiny planned out I don't need no handout
Speculation of the wise



LITTLE DOLLS

“Little Dolls” é a quinta música de Diary Of A Madman.

Kerslake abre a canção com um pequeno solo de bateria, logo acompanhado por um bom riff de Rhoads. O ritmo segue as faixas iniciais do trabalho, um Hard/Heavy bem clássico, que aposta tanto no peso moderado quanto na boa melodia. Ozzy faz vocais competentes nesta música interessante.

A letra faz clara referência ao ocultismo e ao vodu:

Tourted and flaming, you'll give birth to hell
Living a nightmare
It is a pity, you'll pray for your death
But he's in no hurry



TONIGHT

A sexta música do disco é “Tonight”.

As suaves e belas linhas de guitarra tocadas por Randy Rhoads embalam o início de “Tonight”. No refrão, tanto o ritmo quanto o peso se intensificam, mas de maneira bem sutil, chegando ao ápice no solo. “Tonight” é, portanto, uma tocante balada do trabalho, construída sem ser piegas. Linda canção!

A letra é interessante, em um tom de conflito interno e de questionamentos sobre sua própria confiança:

Don't want your pity or your sympathy
It isn't gonna prove a thing to me
Good intentions pave the way to hell
Don't you worry when you hear me sing



S.A.T.O.

A sétima canção do álbum é “S.A.T.O.”

A faixa começa de maneira mais lenta e arrastada, com uma linha suave que logo se torna em um riff mais rápido e com certo peso por parte de Randy. Ozzy usa vocais um pouco mais agressivos para acompanhar a intensidade da música. O ritmo forte e acelerado se mantém pelo resto da canção.

A letra é interessante e pode ser interpretada como uma mensagem de mudança e perspectiva positiva para o futuro:

I can't conceal it like I know I did before
I got to tell you now the ship is ready
Waiting on the shore



DIARY OF A MADMAN

Homônima ao disco, “Diary Of A Madman” fecha o trabalho.

O início mais suave até engana, mas logo o peso e a intensidade aparecem. Mas o mais interessante na canção é esta alternância de ritmos e força. Mesmo os vocais de Ozzy acompanham a variação de andamentos, de maneira correta e competente. Em maior parte do tempo, as linhas tocantes dominam o trabalho, que se intensificam, como no solo. Linda construção musical!

A letra é realmente diferente e tenta, com muito sucesso, expressar a loucura de um ser:

Diary of a madman
Walk the line again today
Entries of confusion
Dear diary I'm here to stay



Considerações Finais

Diary Of A Madman foi um álbum com bom apelo comercial, sendo muito bem sucedido desde seu lançamento.

Em termos de parada de sucesso, é indiscutível: 16ª posição nos Estados Unidos, enquanto conquistou a 14ª colocação na sua correspondente britânica.

Aldridge, Rhoads, Ozzy, Sarzo


Tanto o público quanto a imprensa especializada receberam o trabalho positivamente, embora sem o mesmo apelo do álbum de estreia de Ozzy Osbourne. O maior destaque foi dado para o trabalho de guitarra do incrível Randy Rhoads.

Steve Huey, do Allmusic, afirma em sua análise que não é incomum ver fãs que preferem Diary a Blizzard Of Ozz (o primeiro trabalho de Ozzy), mesmo porque o segundo disco de Ozzy é mais místico, estranho e conta com um Randy Rhoads tocando em um nível ainda mais alto.

Já a BBC se refere ao álbum como um trabalho clássico, catapultado a um nível lendário pelo excelente Randy Rhoads.

Apenas JD Considine, da revista Rolling Stone foi menos entusiasmado, afirmando que as músicas são um pouco com mais de riff e um vocal aplicado encima. Também afirma que Rhoads era um “Eddie Van Halen júnior”, mas com menor inspiração.

Entretanto, pelo seu trabalho em Diary Of A Madman e em Blizzard Of Ozz, Randy Rhoads foi eleito pela mesma revista Rolling Stone o 85º melhor guitarrista de todos os tempos no ano de 2003.

Seguido ao lançamento, uma grande turnê foi marcada e a banda saiu excursionando. Entretanto, o final da tour seria inesquecível por motivos trágicos.

Em 19 de março de 1982, enquanto Rhoads estava na Flórida para dois shows seguidos da turnê e uma semana depois de tocar no Madison Square Garden, em Nova York, uma aeronave leve pilotada por Andrew Aycock (motorista do ônibus da turnê da banda) alçou voo transportando o guitarrista Randy Rhoads e Rachel Youngblood, designer do grupo.

A aeronave acabou caindo durante a execução de manobras mais baixas próximas ao ônibus de turnê da banda. Em uma brincadeira idiota que se tornou mortal, a asa esquerda da aeronave cortou o ônibus, roçou em uma árvore e caiu na garagem anexa de uma mansão vizinha, matando Rhoads, Aycock e Rachel Youngblood.

Na autópsia, cocaína foi encontrada na urina de Aycock. O resultado final, obviamente, foi considerado um acidente devido ao mau julgamento por parte do piloto.

Experimentando em primeira mão a morte horrível de seu amigo e companheiro de banda, Osbourne caiu em uma depressão profunda. A turnê foi cancelada por duas semanas. Aos poucos, Ozzy foi retomando sua carreira, mas sempre prestou homenagens sinceras ao seu companheiro Randy Rhoads.

Randy Rhoads:


Em uma biografia, Ozzy afirma que Diary Of A Madman é o seu álbum preferido.

Diary Of A Madman já suplantou a casa de 3,2 milhões de cópias vendidas pelo mundo.

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Randy Rhoads – Guitarras
Bob Daisley – Baixo
Lee Kerslake – Bateria, Percussão
Johnny Cook – Teclados

Faixas:
01. Over the Mountain (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 4:31
02. Flying High Again (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 4:44
03. You Can't Kill Rock and Roll (Osbourne/Rhoads/Daisley) - 6:59
04. Believer (Osbourne/Rhoads/Daisley) - 5:15
05. Little Dolls (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 5:39
06. Tonight (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 5:50
07. S.A.T.O. (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 4:07
08. Diary of a Madman (Osbourne/Rhoads/Daisley/Kerslake) - 6:14

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/ozzy-osbourne/

Opinião do Blog:
Embora vários fãs – e o próprio Ozzy Osbourne – tratem Diary Of A Madman como o álbum preferido deles na carreira solo do vocalista, o disco viveu, de certa forma, à sombra do primeiro trabalho do Madman, Blizzard Of Ozz.

Musical e cronologicamente, ‘Diary’ é a sequência natural de ‘Blizzard’. Embora apresente canções inspiradas como “Over The Mountain”, “Flying High Again”, “Believer” ou a própria faixa-título, o blogueiro pensa se tratar de composições mais pálidas se comparadas à estreia de Ozzy.

Não que se trate de um álbum ruim, bem longe disto, mas pesa o fato de ‘Blizzard’ ser um disco extraordinário.

Entretanto, o trabalho do guitarrista Randy Rhoads é fantástico. Os riffs, as linhas melódicas e os solos – especialmente os solos – estão soberbos e pesam no fato de Rhoads, mesmo com tão poucos registros em sua obra, ser considerado um dos astros das 6 cordas.

Diary Of A Madman é o último registro de estúdio do talentoso guitarrista. Rhoads é responsável direto pela ressurreição da carreira de Ozzy depois de sua controversa saída do Black Sabbath.

É impossível saber o que Randy Rhoads poderia ter feito se não tivesse falecido há mais de 30 anos. Mas Diary Of A Madman mostra o jovem guitarrista em uma performance incrível. Vale muito à pena curtir este belo trabalho de Ozzy com o saudoso Randy.

6 de maio de 2013

IRON MAIDEN - PIECE OF MIND (1983)



Homenagem aos 30 anos do lançamento deste álbum

Piece Of Mind é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa chamada Iron Maiden. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 16 de maio de 1983, sob o selo EMI. A produção ficou por conta do lendário Martin Birch, com as gravações acontecendo no Compass Point Studios, em Nassau, nas Bahamas, entre janeiro e março daquele ano.



Neste post, vamos tratar dos acontecimentos imediatos que antecederam o lançamento deste clássico do Iron Maiden. O Blog já tratou do álbum anterior, o incrível The Number Of The Beast, e, caso o leitor se interesse, pode acessá-lo:


Após a extensa e exaustiva turnê que promoveu o álbum anterior, a Beast On The Road Tour, a banda já estava pensando no álbum que seria o sucessor do já clássico trabalho.

Não seria fácil para ninguém ter que preparar um disco que, pelo menos, aproximasse-se da qualidade indiscutível do primeiro trabalho do Iron Maiden com Bruce Dickinson. Mas, mesmo diante de tal desafio, conforme será visto, o grupo obteve êxito.

Bruce Dickinson


Logo em dezembro, o grupo sofreria uma baixa. O baterista Clive Burr, que fez um excelente trabalho em The Number Of The Beast, deixa o conjunto devido a problemas particulares e também devido às extensas turnês e o pouco tempo permitido para se estar com os familiares.

O substituto escolhido foi um inglês que, a partir daquele momento, teria sua imagem firmemente associada ao grupo. Seu nome era Nicko McBrain, o qual tocava em uma banda baseada em Paris de nome Trust.

Pouco depois, a banda viaja ainda nas ilhas britânicas, indo para a localidade de Jersey com o propósito de comporem as novas canções para o álbum vindouro.

Em Jersey, o grupo alugou o hotel Le Chalet, que estava fora de temporada, usando o restaurante do mesmo para fazer seus ensaios. Em fevereiro o grupo viaja para Nassau, nas Bahamas, para gravarem o disco no Compass Point Studios.

As gravações durariam até março e depois a mixagem final aconteceria no Eletric Lady Studios, em Nova York, nos Estados Unidos.

O primeiro nome pensado para o trabalho era Food For Thought, pois o Maiden havia decidido que sua mascote Eddie apareceria lobotomizada na capa do álbum. Entretanto, o nome Piece Of Mind acabou surgindo em um dos dias em que eles estavam em Jersey, compondo o trabalho, em um momento de relaxamento em um pub.

Piece of Mind foi o primeiro álbum do Iron Maiden a ter seu nome escolhido sem que existisse uma canção homônima dentro do mesmo. Embora na faixa “Still Life” haja a expressão ‘peace of mind’.

Nicko McBrain


Incluído no encarte, há um trecho inspirado no livro bíblico do Apocalipse, que se segue:

“And God shall wipe away all tears from their eyes; and there shall be no more Death. Neither sorrow, nor crying. Neither shall there be any more brain; for the former things are passed away.”

O texto real (Capítulo 21, versículo 4), contém os dizeres "neither shall there be any more pain", ao contrário do encarte que usa a palavra “brain”, em brincadeira com o Eddie lobotomizado ou com o sobrenome do novo baterista (McBrain).

Também, em um canto inferior do lado de trás da capa do álbum, há a seguinte mensagem: "Não há sintetizadores ou segundas intenções".

A capa, clássica, conta com uma arte na qual Eddie se apresenta lobotomizado, em uma camisa de força e acorrentado. Obra do genial Derek Riggs.

WHERE EAGLES DARE

Abre o trabalho a magnífica “Where Eagles Dare”.

Nicko McBrain mostra a que veio nos primeiros segundos do álbum com uma breve intro na bateria, no que é logo acompanhado pela dupla incrível de guitarristas: Dave Murray e Adrian Smith. Bruce Dickinson faz vocais incríveis na canção, que passa boa parte de sua duração em um contexto instrumental. O trabalho do baixo de Steve Harris é notável. Ótimos solos. Há toda uma sonorização com barulhos de guerra na parte mais instrumental da música.

A inspiração para “Where Eagles Dare” vem de um filme homônimo à canção, de 1968, estrelado por Richard Burton e Clint Eastwood, com direção de Brian G. Hutton:

Bavarian Alps that lay all around
They seem to stare from below
The enemy lines a long time passed
Are lying deep in the snow



REVELATIONS

A segunda música de Piece Of Mind é a incrível “Revelations”.

O que mais impressiona na belíssima “Revelations” é a sua notável alternância de ritmos e intensidade. Ela contém partes bem suaves e melódicas e outras mais intensas e fortes, calcada nas guitarras típicas do Iron Maiden. O que também se destaca é como o vocalista Bruce Dickinson consegue adequar seus vocais a todos os momentos, cantando de maneira magnífica. Belíssima faixa.

Segundo Bruce Dickinson, boa parte da inspiração para a bela canção veio de leituras em textos de Aleister Crowley:

Just a babe in a black abyss,
No reason for a place like this
The walls are cold and souls cry out in pain
An easy way for the blind to go,
A clever path for the fools who know
The Secret of the Hangman ­ the smile on his lips
The light of the Blind ­ you'll see,
The venom that tears my spine,
The Eyes of the Nile are opening ­ you'll see



FLIGHT OF ICARUS

A clássica “Flight Of Icarus” é a terceira canção do trabalho.

Um riff mais lento e cadenciado é a base da curta terceira faixa do álbum. O ritmo segue assim por praticamente toda sua extensão, acelerando mais no final. Dickinson abusa do poder de sua incrível voz, dando um tom bem intenso à música, com o uso de vozes dobradas no refrão. O solo é muito bom. Ótimo trabalho!

A canção tem notória inspiração no mito grego de Ícaro e suas asas de cera:

Fly, on your way, like an eagle,
Fly as high as the sun,
On your way, like an eagle,
Fly touch the sun

Lançada como single, “Flight Of Icarus” se deu muito bem nas paradas de sucesso desta natureza. Atingiu a 11ª posição na parada britânica e a ótima 8ª posição na parada norte-americana de singles.

A capa do single, genial criação de Derek Riggs, demonstra um Eddie alado que acabara de colocar fogo nas asas de Ícaro.



Há certa controvérsia no lançamento do single nos Estados Unidos. Steve Harris disse que a banda deveria ter esperado para que lançassem uma versão ao vivo da canção como single nas terras ianques, pois ela era bem mais intensa e pesada nos palcos. Já Dickinson afirma que a versão de estúdio foi propositalmente composta e gravada desta maneira, justamente para receber a atenção que a mídia americana da época deu ao trabalho.

Foi feito um videoclipe para promover a canção.



DIE WITH YOUR BOOTS ON

A quarta música do disco é “Die With Your Boots On”.

O tradicional Heavy Metal da banda volta com tudo na quarta canção do trabalho. Ela é intensa, forte e com mais velocidade. Os vocais de Dickinson estão mais uma vez perfeitos para o ritmo da faixa. Os solos são bem legais.

As letras brincam com o fato de haver previsões futurísticas sobre o apocalipse:

No point asking when it is,
No point asking who's to go,
No point asking what's the game,
No point asking who's to blame
'cos if you're gonna die, if you're gonna die,
'cos if you're gonna die, if you're gonna die



THE TROOPER

A quinta canção de Piece Of Mind é um dos maiores clássicos do Heavy Metal: “The Trooper”.

As guitarras gêmeas dão o tom de um dos maiores clássicos do Heavy Metal em todos os tempos. Elas surgem baseadas por um baixo galopante sensacional, tocado magistralmente por Steve Harris. A atuação de Dickinson é soberba, dando o tom exato para que a música contagie qualquer ouvinte. Os solos são excepcionais.

A letra é baseada na chamada ‘Charge of the Light Brigade’, parte da Batalha de Balaclava, em 1854, que ocorreu durante a Guerra da Crimeia, em que tropas russas e britânicas se enfrentaram. Também, o poema de Lord Tennyson (de mesmo nome) inspirou Steve Harris, seu autor:

The horse he sweats with fear we break to run
The mighty roar of the Russian guns
And as we race towards the human wall
The screams of pain as my comrades fall

Um dos maiores clássicos do Iron Maiden e presença garantida nos shows do grupo, “The Trooper” é um sucesso indiscutível. Nos shows, é comum o vocalista Bruce Dickinson ostentar a bandeira britânica durante a execução da música, incluindo, mais recentemente, o cantor trajar a indumentária da cavalaria britânica da época.

Lançada como single, foi extremamente bem-sucedida em ambos os lados do Atlântico. Atingiu a 28ª posição na parada norte-americana e a 12ª colocação na correspondente britânica.

A capa do single, feita pelo artista Derek Riggs, é das mais comuns a estampar camisetas dos fãs dos britânicos. Clássica.



Há um videoclipe que promove a canção sendo que o mesmo se utiliza de imagens de um filme que tem como base a supracitada guerra da Crimeia.

Está presente nos games Guitar Hero 2, Carmaggedon 2 e Rock Band. Versões covers incluem bandas como Setenced e Iced Earth.



STILL LIFE

A sexta faixa do trabalho é “Still Life”.

O início de “Still Life” é bem mais suave, com uma linda melodia lenta e tocante, com um Dickinson cantando de maneira bastante macia. Logo esta breve introdução termina, o riff típico do Heavy Metal oitentista entra em cena, forte, grudento e marcante com o vocalista acompanhando o ritmo intenso no mesmo tom. Faixa incrível!

As letras levam em conta a transitoriedade da vida:

All my life's blood is slowly draining away
And I feel that I'm weaker every day
Somehow I know I haven't long to go
Joining them at the bottom of the pool

Em “Still Life”, há uma brincadeira do grupo que se refere às acusações que a banda sofria sobre o fato de serem satanistas. No início da canção há uma mensagem que só é entendível quando de tocava o vinil de trás para frente. Na mensagem, Nicko McBrain, imitando Idi Amin (Presidente de Uganda), diz: "What ho said the t'ing with the three 'bonce', do not meddle with things you don't understand..."



QUEST FOR FIRE

“Quest For Fire” é a sétima música do disco.

Uma bateria marcante em conjunto com guitarras bem fortes dão o tom introdutório da faixa. Logo após, o clima proposto pelo grupo é bem pesado, intenso, mas, entretanto, eles optam por certa cadencia. A velocidade mais lenta não impede o clima forte da canção, muito devido à atuação de Bruce Dickinson, em um tom bem alto e firme. Sensacional.

As letras são baseadas no filme homônimo à canção, de Jean-Jacques Annaud, de 1981:

In a time when dinosaurs walked the earth
When the land was swamp and caves were home
In an age when prize possession was fire
To search for landscapes men would roam



SUN AND STEEL

A oitava canção do álbum é “Sun And Steel”.

A menor faixa do trabalho possui, também, um riff bastante eficiente. O estilo galopante do Maiden se perpetua por toda duração da música, que é bastante empolgante. O refrão é ótimo e contagia ao ouvinte, em um trabalho que é mais simples, mas, mesmo assim, brilhante.

As letras são bem simples e demonstram algum jovem que leva a vida como assassino:

Sunlight, falling on your steel
Death in life is your ideal
Life is like a wheel
Sunlight, falling on your steel
Death in life is your ideal
Life is like a wheel



TO TAME A LAND

A nona – e última – faixa de Piece of Mind é “To Tame A Land”.

“To Tame A Land” é a maior música do disco e tem um clima mais épico, com seus mais de 7 minutos. O que predomina nesta belíssima composição é justamente a alternância de velocidade, peso e intensidade dentro da mesma construção. Os riffs são todos excelentes e as melodias incríveis, em uma das mais brilhantes faixas da discografia do Iron Maiden.

As letras são baseadas no romance Dune, de Frank Herbert:

The time will come for him to lay claim his crown
And then the foe, yes they'll be cut down
You'll see, he'll be the best that there's been
Messiah supreme, true leader of men
And when the time for judgement's at hand
Don't fret he's strong and he'll make a stand
'Gainst evil the fire that spreads through the land
He has the power to make it all end

Com o desejo de batizar a canção de Dune, a banda procurou o autor da obra pela permissão, no que obteve a seguinte resposta: "Frank Herbert não gosta de bandas de rock, particularmente bandas de rock pesado, ​​e, principalmente, bandas como Iron Maiden."



Considerações Finais

Apesar de, comercialmente falando, Piece Of Mind não ter repetido o sucesso de seu antecessor, esteve muito longe de ser um fracasso.

Em termos de paradas de sucesso, alcançou a 3ª posição na parada britânica e a notável 14ª posição na correspondente norte-americana. Ainda obteve a 8ª colocação na Alemanha e Nova Zelândia, contando com a 9ª em países como Holanda e Noruega.

Steve Harris


A crítica especializada também recebeu o disco muito bem. Em 1983, a revista Kerrang! publicou uma pesquisa com os melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos e Piece Of Mind estava na 1ª posição. Também o site Sputnikmusic o coloca em posição de destaque, embora afirme que outros álbuns da donzela o supere.

O Allmusic o coloca como essencial para qualquer fã do estilo Heavy Metal (mesmo os menos interessados), mas afirma que o lado B é um tanto quanto inferior ao lado A do trabalho. Já o site IGN o coloca na 21ª colocação de sua lista dos 25 melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos feita em 2007.

Antes mesmo do lançamento do disco, em 2 de maio de 1983, teve início a World Piece Tour, para a promoção do trabalho. Passando por Europa, Estados Unidos e Canadá, terminou em 18 de dezembro daquele mesmo ano, contando com um total de 139 apresentações.



Estima-se que mais de 1,7 milhões de cópias do álbum tenham sido vendidas somente no Reino Unido e Estados Unidos.

Formação:
Bruce Dickinson – Vocal
Dave Murray – Guitarra
Adrian Smith – Guitarra, Backing Vocals
Steve Harris – Baixo, Backing Vocals
Nicko McBrain – Bateria

Faixas:
01. Where Eagles Dare (Harris) - 6:10
02. Revelations (Dickinson) - 6:50
03. Flight of Icarus (Dickinson/Smith) - 3:51
04. Die with Your Boots On (Dickinson/Harris/Smith) - 5:28
05. The Trooper (Harris) - 4:15
06. Still Life (Harris/Murray) - 4:53
07. Quest for Fire (Harris) - 3:41
08. Sun and Steel (Dickinson/Smith) - 3:26
09. To Tame a Land (Harris) - 7:27

Letras:
Para todo o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/iron-maiden/

Opinião do Blog:
Se comercialmente Piece Of Mind não pode ser comparado ao anterior, The Number Of The Beast; musicalmente, o resultado final é completamente oposto.

Piece Of Mind mantém o nível estratosférico estabelecido pelos gigantes do Heavy Metal mundial em suas primeiras obras. O álbum traduz todos os elementos que transformaram o Iron Maiden em uma das maiores – se não a maior – banda da música pesada em todos os tempos.

Guitarras gêmeas permeiam todo o trabalho, construindo solos e riffs da melhor qualidade da história do Metal. O baixo destruidor de Steve Harris se apresenta magnífico em todo o disco. O novo baterista, Nicko McBrain, é bastante competente e Bruce Dickinson se confirma como um dos melhores vocalistas de todos os tempos.

A categoria das composições de Piece Of Mind não deixa a dever em comparação com nenhum dos outros trabalhos da donzela. Temos um clássico imortal do grupo, uma de suas canções mais conhecidas e aclamadas, “The Trooper”.

Canções diretas e extremamente bem compostas também estão aqui, no melhor estilo Maiden: temos pérolas (no melhor sentido) como “Flight Of Icarus”, “Sun And Stell” e a excelente “Still Life”.

Outras músicas revelam composições mais intricadas e igualmente brilhantes, como “Revelations”, a fantástica “Where Eagles Dare” e a épica e notória “To Tame A Land”.

Enfim, não é preciso tecer mais elogios a este magnífico trabalho do Iron Maiden. Piece Of Mind é um álbum obrigatório na coleção de qualquer fã de Heavy Metal.

O Iron Maiden produziu, em série, álbuns incríveis durante os anos oitenta. E Piece Of Mind, para muitos, é o seu ponto mais alto. Nada mais a se declarar.