22 de abril de 2013

RIOT - NARITA (1979)



Narita é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Riot. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 5 de outubro de 1979, pelo selo Capitol Records. Os produtores foram Steve Loeb e Billy Arnell, com as gravações ocorrendo no Big Apple Recording Studio, em Nova York.



A banda Riot não é, atualmente, muito conhecida, mas isto não quer dizer que não tenha feito muito boa música. Vai-se falar um pouco do seu surgimento e para, depois, passar-se ao álbum chamado Narita.

O Riot foi formado inicialmente no ano de 1975, na gigantesca metrópole norte-americana Nova York.

Isto aconteceu quando o guitarrista Mark Reale e o baterista Peter Bitelli decidiram formar uma banda. Para tanto, recrutaram o baixista Phil Feit e o vocalista Guy Speranza. Através de toda a sua carreira o Riot sofreu com as várias e constantes mudanças na sua formação (especialmente nos vocais).

A formação acima citada foi a que gravou uma demo com 4 faixas a qual eles esperavam que fizesse parte de uma compilação (que eles mesmo propunham) a qual conteria novas bandas de Rock. Enquanto o projeto não saía do papel, eles incluíram o tecladista Steve Costello.

Mark Reale distribuiu várias demos para os produtores nova-iorquinos Billy Arnell e Steve Loeb, os quais eram proprietários dos estúdios Greene Street Recording Studios e também do selo independente Fire-Sign Records.

Mark Reale:


Os produtores supracitados rejeitaram a proposta da compilação com novas bandas de rock, mas acabaram assinando um contrato com o Riot.

O grupo então adicionou um segundo guitarrista, Louie Kouvaris, e substituiu o baixista Phil Feit por Jimmy Iommi.

Com Speranza nos vocais, Reale e Kouvaris nas guitarras, Iommi no baixo, Costello nos Teclados e Bitelli na bateria; o Riot grava seu álbum de estreia, Rock City, em novembro de 1977.

Rock City é um ótimo álbum, com apenas composições próprias. Ele apresenta um Heavy Metal bem clássico, mesclado com um Hard Rock que bebe nas fontes do incrível Deep Purple.  O disco conta com excelentes canções como “Desperation”, “Warrior”, “Heart Of Fire” e a faixa-título, “Rock City”.

Já no primeiro álbum, há a aparição, na arte da capa, da bizarra mascote do grupo.

Embora o álbum seja muito bom e tenha garantido apresentações do Riot com bandas como Molly Hatchet e o gigante AC/DC, o conjunto estava à beira da falência no início de 1979.

Guy Speranza:


Mas a sorte, finalmente, bateu à porta do Riot. Naquele mesmo ano, 1979, nas terras britânicas surgia um novo movimento que favoreceria bandas com som na linha do Riot: a New Wave Of British Heavy Metal.

Assim que a NWOBHM rompeu o mainstream, um dos seus principais incentivadores, o DJ Neal Kay (que havia ouvido e gostado de Rock City) começou a divulgar o nome dos norte-americanos do Riot no Reino Unido.

Assim, muitos fãs britânicos começaram a importar cópias de Rock City, aumentando a vendagem do grupo. Assim, Arnell e Loeb, os donos da Fire-Sign Records, os quais haviam gravado e produzido Rock City, sentiram-se encorajados a produzir um novo disco do Riot.

Durante as sessões de gravação deste novo álbum, o guitarrista Louie Kouvaris deixou o conjunto, sendo substituído pelo roadie Rick Ventura.

A arte da capa consta com a bizarra mascote do Riot. Narita seria lançado em outubro de 1979.

WAITING FOR THE TAKING

Abre o trabalho a faixa “Waiting For The Taking”.

A canção começa com uma ótima levada que lembra certa inspiração no Hard setentista, especialmente os britânicos do Deep Purple. A música tem uma melodia bem agradável, aposta em um tom mais leve e melódico. Os vocais de Speranza são bons e as guitarras estão bem marcantes. Ótimos solos em uma faixa contagiante.

As letras são boas, demonstram um misto de resignação com o sentimento de lutar-se contra a mesma:

So you think you been workin' hard,
Givin' it all that you can,
And nothin' seems to make it better,
You're gonna scratch it for a whole new plan
Street life, it ain't right,
When you feel you've grown apart
You've gotta scratch and bite,
And punch and fight



49ER

A segunda canção de Narita é “49er”.

Um riff mais pesado e cadenciado faz parte da introdução da música e este segue ditando o ritmo da faixa. Assim, o ótimo Guy Speranza opta por cantar de forma mais lenta, na mesma intensidade do riff, fazendo um efeito dinâmico e atraente. “49er” é um dos pontos mais elevados do trabalho.

A letra fala dos 49ers, a forma com que os desbravadores do oeste norte-americano ficaram conhecidos (e que serviu de inspiração para o nome do time de futebol americano de São Francisco):

Headed west was a 49er,
Get rich quick, live life finer
On and on and on, the story goes
Some never made,
Their dreams to life



KICK DOWN THE WALL

A terceira faixa de Narita é “Kick Down The Wall”.

O ótimo riff da terceira canção de Narita aposta em certa cadência que dá à música um ritmo mais lento e favorece demais a melodia. Guy Speranza a canta contribuindo com o supracitado ritmo e presenteia a todos com uma incrível composição. Só pra variar o solo é repleto do melhor feeling.

As letras são bem simples e contam com um clima jovial:

The boys down at Johnny D's,
They're lookin' for love to tend
Music and language tapes,
They're getting down at the Bitter End
Hot nights and bright lights,
Some gettin' rolled by the bar



BORN TO BE WILD

A quarta faixa do trabalho é “Born To Be Wild”.

Mostrando sua influência das bandas clássicas do Rock, o Riot traz uma versão do clássico eternizado pelo Steppenwolf, “Born To Be Wild”. No entanto, o Riot faz uma versão repleta de personalidade, dando um viés bem mais agressivo e feroz ao clássico. Speranza dá um verdadeiro show nos vocais. Ótimo cover.



NARITA

A quinta música do trabalho é “Narita”.

Com poucos mais de 4 minutos e meio, a faixa que dá nome também ao álbum é toda instrumental. O riff principal da canção é dotado de bastante melodia, força e boa dose de peso. A música tem certo ar bluesy, mas com muitos toques de Heavy Metal no melhor estilo Judas Priest dos anos 70. Faixa genial.



HERE WE COME AGAIN

A sexta faixa de Narita é “Here We Come Again”.

Nesta ótima canção, o Riot continua seu Heavy Metal com forte influência do Hard Rock setentista. O riff é forte, pesado, mas com intensa representação melódica. Outra vez o Judas Priest da supracitada década é lembrado. Os vocais são bons, o solo é excelente e também merece destaque a seção rítmica composta por baixo e bateria.

As letras são sobre batalhas:

Here we come again,
Ready to lose control
The battle has just begun,
The planes are ready to roll
Fires blazing,
All hell's breaking loose



DO IT UP

A sétima faixa do disco é “Do It Up”.

A canção já começa com um ótimo riff, bem rápido e com as doses certas de peso e de melodia. Guy Speranza opta por fazer um vocal um tanto quanto mais agressivo e rasgado, mas sem perder sua potência. Os solos são pontos altos desta incrível música, pois são repletos de feeling. Ponto altíssimo do trabalho!

As letras têm forte conotação de encontro sensual:

We're gonna do it up
We're gonna turn it on
We're gonna do it up
Oooh, gonna pour it on



HOT FOR LOVE

A oitava canção do trabalho é “Hot For Love”.

Nesta música, o Riot optou por fazer uma introdução pequena, mas de forma mais melódica e quase acústica. A faixa tem um ótimo riff, com uma pegada bem NWOBHM, seguindo de maneira pesada, mas não tão veloz, sendo que no refrão, a banda intensifica o peso da canção, o mesmo ocorrendo nos minutos finais. O resultado final é excelente.

Novamente, as letras têm claro conteúdo sexual:

She's hot for love,
She's ready to roll it over
She's hot for love,
Got no time to think it over
She's hot for



WHITE ROCK

A nona música de Narita é “White Rock”.

“White Rock” é a menor faixa de Narita. Segue em um ritmo mais forte desde o seu início, em um tom de Heavy Metal Tradicional clássico. Os vocais são cantados de maneira precisa para o tom da música e os solos, embora simples, casam-se perfeitamente com a canção.

As letras são bem simples e com clima de celebração:

White rock, makin' me so hot
I like the fever from white rock
White rock, come on make it hot
White fury, white rock
Up all night, sleep all day,
Comes the action, when we start to play



ROAD RACIN’

A décima – e última – faixa de Narita é “Road Racin’”.

Um riff sensacional abre a última canção do trabalho e logo ele aumenta de velocidade, acompanhado por uma ótima atuação da bateria de Peter Bitelli, que auxilia na manutenção da rapidez da música. As guitarras atuando em conjunto também contribuem para a intensidade da faixa. Os solos são sensacionais. Excelente!

A velocidade da canção é refletida nas letras que falam de viagens e máquinas em alta rapidez:

Road racin',
Feel the earth move under my wheels
There's no erasin'
The chills you get from the turns and squeals



Considerações Finais

Sem nunca ter sido um grande sucesso comercial, Narita acabou aumentando o sucesso do Riot nos Estados Unidos e Europa e evitou que a banda entrasse em falência. Boa parte deste mérito se deveu a turnê bem sucedida pelo Texas que o grupo fez em suporte a Sammy Hagar e sua carreira solo.

Esta turnê bem sucedida com Sammy Hagar fez com que a Capitol Records fizesse uma proposta de lançamento mundial para Narita, desde que o grupo aceitasse fazer uma nova turnê com Sammy pela Europa.

Tanto a Capitol quanto Sammy Hagar gostariam de ter uma banda jovem e pesada associada a eles e o Riot cumpria todos estes requisitos.

A turnê do Riot pelo Reino Unido com Hagar foi um sucesso, mas assim que a mesma terminou, a Capitol Records descartou o Riot. Mas, mesmo assim, os managers da banda Billy Arnell e Steve Loeb gastaram seus últimos recursos para promoverem Narita na maior quantidade de Rádios possível, e assim permitiram uma maior repercussão para o trabalho.

A tática funcionou, pois permitiu que a Capitol Records optasse por lançar o próximo álbum do Riot, Fire Down Under, o qual foi seu maior sucesso comercial.



Narita era o nome de um grupo que o guitarrista Mark Reale se apresentava em San Antonio, no Texas, juntamente com o vocalista Steve Cooper (SA Slayer), o baixista Don Van Stavern (que integraria o Riot no futuro) e o baterista Dave McClain.

O maior sucesso comercial do álbum Narita foi mesmo no Japão.

Formação:
Guy Speranza - Vocal
Mark Reale - Guitarra
Rick Ventura - Guitarra
Jimmy Iommi - Baixo
Peter Bitelli – Bateria

Faixas:
01. Waiting for the Taking (Speranza/Reale/Ventura) - 5:01
02. 49er – (Speranza/Reale) - 4:36
03. Kick Down the Wall (Speranza/Reale) - 4:32
04. Born to Be Wild (Mars Bonfire) - 2:47
05. Narita (Speranza/Reale) - 4:38
06. Here We Come Again (Speranza/Reale) - 5:58
07. Do It Up (Speranza/Reale) - 3:44
08. Hot for Love (Speranza/Reale) - 5:00
09. White Rock (Speranza/Reale) - 2:33
10. Road Racin' (Speranza/Reale) - 4:32

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/riot/

Opinião do Blog:
O Riot não é das bandas mais conhecidas do público em geral e nunca foi, comercialmente falando, um grande sucesso. Mas o fato é que o grupo contribuiu de maneira importante para a música.

No início de sua carreira, o grupo esteve voltado para o Heavy Metal tradicional e com o passar dos anos e as infindáveis mudanças de formação, começou a flertar mais com a vertente do Power Metal, mais precisamente do meio para o final da década de 80.

Narita foi um álbum de qualidade inquestionável. Lançado em 1979, o disco já trazia uma prévia de todo o turbilhão musical que iria surgir na próxima década, especialmente no Reino Unido e sua New Wave Of British Heavy Metal.

Em várias passagens das canções do trabalho é impossível não vir à mente sons identificados com bandas como Deep Purple e Judas Priest. Narita apresenta sua sonoridade muitas vezes pesada, cadenciada, mas que apostava em melodias marcantes e de grande impacto.

Canções incríveis como “Waiting For The Taking”, “49er”, “Here We Come Again” e “Road Racin’” demonstram melhores momentos do que o Heavy Metal pode ser: pesado, intenso, mas repleto de ritmo e melodia.

Narita não foi um grande sucesso comercial, mas já apresentava elementos que seriam muito usados no futuro. É uma obra de qualidade indiscutível e que merece ser apreciado por todos os fãs de música pesada. Álbum obrigatório.

Em tempo: infelizmente o grande líder do grupo, Mark Reale, faleceu em janeiro de 2012 e, a pedido de seu pai, o nome do grupo não será mais usado pelos membros do formação remanescente.

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