11 de maio de 2012

FREE - FIRE AND WATER (1970)



Fire And Water é o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Free. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 26 de junho de 1970. As gravações ocorreram entre janeiro e junho daquele mesmo ano, em dois estúdios diferentes: Trident e no Island Studios, ambos em Londres, na Inglaterra. O produtor do álbum foi John Kelly em associação com a própria banda Free, ambos auxiliados pelo renomado Roy Thomas Baker (que trabalhou com Nazareth e Queen, entre outras bandas).

A história da formação do Free se confunde com o circuito de pubs e clubes noturnos de R&B da cena londrina dos anos 1960. Por isso, faz-se uma muito breve pausa para se falar um pouquinho sobre este cenário antes de se voltar para o surgimento do grupo Free.

O R&B, que significa Rhythm and Blues, foi um termo cunhado pelas gravadoras norte-americanas na década de 1940, para se referir à música que era tocada pelos afrodescendentes estadunidenses que começava a se tornar muito popular, naquela época, em terras ianques. O som que surgia nas grandes cidades do país tinha suas fontes no Jazz, Soul e, claro, Blues.

Com o passar do tempo, a terminologia R&B atingiu vários novos significados. Já nos anos 1950, era usado para denominar lançamentos baseados mais estritamente no Blues. Assim como, quando o Blues começou a influenciar mais fortemente o nascente Rock and Roll, a denominação R&B era usada na musicalidade “Blues elétrico”.

Durante a guerra fria, muitos militares norte-americanos foram servir no Reino Unido e, em suas bagagens, levaram para as terras britânicas várias gravações de Blues e R&B. O ritmo também foi levado para as ilhas britânicas através dos marinheiros em portos comerciais de cidades como Liverpool, Londres e Belfast, por exemplo.

Assim, vários grupos de jovens (brancos) britânicos, começaram a formar bandas que fariam uma sonoridade influenciada por essa linha R&B, mas mais elétrica e pesada, especialmente na cena de clubes noturnos de Londres. Os artistas, inicialmente, tentavam focar em uma sonoridade mais voltada ao Blues original norte-americano, incluindo muitos covers de clássicos do estilo.

Foi dali que surgiu a figura do músico Alexis Korner, o qual seria uma espécie de mentor de grandes bandas que desenvolveriam o chamado R&B britânico: Rolling Stones, The Yardbirds e The Kinks, como exemplo.

Com este “boom” da cena londrina com muitos músicos fazendo este tipo de som, surgiram muitos clubes e pubs noturnos nos quais jovens músicos poderiam expressar sua musicalidade dentro deste estilo. E é aí que aparece o Free.

Nos anos de 1966 e 1967, havia uma banda chamada Black Cat Bones que tocava bastante pelo circuito de pubs em Londres. A banda teve diversas formações, mas era marcada pelo seu talentoso guitarrista principal, um jovem de nome Paul Kossoff. No início de 1968, o grupo troca outra vez de baterista, desta vez adicionando Simon Kirke.

Kossoff e Kirke acabam se tornando amigos e, simultaneamente, insatisfeitos no Black Cat Bones, assim desejando deixar a banda e seguirem suas carreiras. Um dia, Kossoff visitou um dos clubes de R&B de Londres, na região de Finsbury Park, chamado Fickle Pickle.

Nesta visita, Paul Kossoff viu se apresentar uma banda chamada Brown Sugar. Kossoff se impressionou completamente pelo talento do vocalista do grupo, inclusive pedindo ao mesmo se ele poderia se juntar ao grupo para fazerem uma jam naquele mesmo dia! O vocalista atendia pelo nome de Paul Rodgers.

Paul Rodgers:


Assim, Rodgers e Kossoff, juntamente com o baterista Simon Kirke, decidem que formariam um novo grupo para prosseguirem na cena.

Naquela época, havia uma das bandas pioneiras de Blues na Inglaterra, a qual se chamava John Mayall & the Bluesbreakers. Entre outros, o grupo teve nomes do calibre de Eric Clapton, Peter Green e Mick Taylor. Mas quem entraria na história do Free seria um de seus ex-baixistas, Andy Fraser.

Desta forma surgiria um grupo formado por Paul Rodgers nos vocais, Paul Kossoff na guitarra, Andy Fraser no baixo e Simon Kirke na bateria.



Um dos fatos que mais impressionam na formação do grupo que mais tarde se chamaria Free eram as idades dos seus integrantes no momento em que eles se reuniram e formaram o conjunto.

No dia 19 de abril de 1968, quando o grupo se apresentou pela primeira vez em um pub londrino chamado Nag’s Head (em uma região chamada Battersea, em Londres), Paul Rodgers e Simon Kirke tinham apenas 18 anos de idade. O guitarrista Paul Kossoff estava com 17 anos e o baixista Andy Fraser, impressionantes 15 anos.

O nome Free teria sido sugerido ao grupo pelo supracitado ‘mentor’ do R&B Britânico, Alexis Korner, que ficara impressionado com uma das apresentações do conjunto em um dos pubs de Londres e resolve ajudar a banda.

Korner, então, apresentaria o já, agora, batizado Free a Chris Blackwell. Este fica encantado com o som do grupo, uma espécie de Blues bem mais pesado. Blackwell era o chefão da gravadora Island Records e, assim, acaba propondo um contrato para gravação de um álbum aos garotos.

Já em outubro de 1968, a banda entraria em estúdio para gravar seu primeiro álbum, Tons Of Sobs, que teria a produção de Guy Stevens, mas só seria lançado no dia 14 de março de 1969.

Com um orçamento baixo (cerca de 800 libras) e um grupo com pouca experiência em matéria de gravação em estúdio (Andy Fraser tinha apenas 16 anos na época da gravação), a produção do álbum é pobre. As faixas refletem basicamente o repertório que o Free apresentava em seus shows pelos pubs londrinos.

Tons Of Sobs é um ótimo álbum de Blues Rock, com ótimas faixas como “Worry”, “Walk In My Shadow” e “I’m A Mover”, por exemplo. Para se ter uma ideia do talento dos jovens garotos, 8 das 10 faixas do álbum são de autoria própria, algo que não ocorreu com Beatles ou com Rolling Stones.

Mesmo assim, o disco acaba passando despercebido tanto no Reino Unido (onde falha em entrar nas paradas de sucesso) como nos Estados Unidos – onde atingiu a modestíssima 197ª posição na parada norte-americana.

Mas o que faria o Free começar a angariar seu grupo de fãs foram suas performances impressionantes nos shows da banda. Na turnê para divulgar seu primeiro trabalho, o Free faria shows de abertura para o Blind Faith (de Eric Clapton), depois seguindo para o restante da Europa onde fariam a abertura de bandas como Spooky Tooth e o renomado Jethro Tull!

Já em Outubro de 1969, o Free lançava seu segundo álbum de estúdio, também chamado apenas de Free. Ele foi gravado durante o primeiro semestre daquele ano e, como o primeiro trabalho teve problemas com a sua produção, o próprio Chris Blackwell foi o produtor deste disco.

O álbum conta com uma belíssima capa, com a arte produzida pelo artista Ron Rafaelli.

No álbum Free, o grupo continua com suas fortes influências de Blues, mas já começando a apostar um pouco mais em uma sonoridade apontando para o Rock and Roll, sem deixar o peso de lado. Paul Rodgers está excelente em todo o trabalho.

Essa sonoridade já havia sido experimentada em Tons Of Sobs, especialmente na música “I’m a Mover” do álbum de estreia do grupo.

O segundo álbum do grupo apresentou ótimas faixas, por exemplo, as excelentes “Broad Daylight” e “I’ll Be Creepin’”, que foram ambas lançadas como singles, mas falharam para entrar nas paradas de sucesso.

O álbum Free conseguiu alcançar a boa 22ª posição da parada britânica de álbuns, mas não repercutiu nos Estados Unidos.

Mais importante que tudo isso, o segundo álbum da banda marca o início da prodigiosa parceria entre Paul Rodgers e Andy Fraser como compositores, sendo que 8 das 9 faixas do álbum foram composições dos dois músicos conjuntamente.

Tanto que o álbum tem uma presença maciça do baixo na sua sonoridade, bem mais presente que a maioria dos álbuns de outros grupos na época. O baixo de Fraser muitas vezes funciona como uma guitarra-base, dando suporte para o incrível talento de Paul Kossoff.

Entretanto, o segundo álbum do grupo marca o início de tensões entre os membros da banda. Como Andy Fraser participou ativamente das composições, começou a impor um estilo bem mais rígido aos demais membros, especialmente com Paul Kossoff. O guitarrista, que sempre se destacou pela espontaneidade ao tocar, sentiu-se ressentido por Fraser exigir uma forma estreita da guitarra de Kossoff especialmente nas passagens da guitarra-base, da maneira como o baixista queria que soassem.

Andy Fraser:


Mesmo assim, a banda continua fazendo turnês e se mantendo sempre fazendo shows durante todo o ano de 1969.

Assim, entre um show e outro, o grupo entra o ano de 1970 já compondo e fazendo gravações do que seria seu terceiro álbum de estúdio, Fire And Water.

Desta vez a Island Records decidiu que o produtor do álbum seria John Kelly, com o próprio grupo também participando da produção do álbum, contando com o auxílio de Roy Thomas Baker, o qual ficaria conhecido em seus trabalhos com o Queen.

Fire And Water lançaria o Free definitivamente para o estrelato, dando ao grupo o sucesso que tanto almejava.

A capa do trabalho é bastante simples, sendo uma fotografia com os membros da banda.

Neste trabalho, 5 das 7 faixas do disco foram compostas pela prolífica parceria entre o vocalista Paul Rodgers e o baixista Andy Fraser.

FIRE AND WATER

Homônima ao álbum, a ótima “Fire And Water” abre o disco.

O riff principal de “Fire And Water” é clássico, simples e ao mesmo tempo excelente, um trabalho contagiante do guitarrista Paul Kossoff. A seção rítmica faz um ótimo trabalho, com o baixo bem presente na faixa. A atuação de Paul Rodgers nos vocais é realmente excepcional, fazendo papel fundamental para a qualidade da canção.

O solo de Paul Kossoff é uma aula de feeling, sendo belíssimo e um verdadeiro show de sensibilidade por parte do guitarrista.

“Fire And Water” tem letras que se referem ao típico caso de amor mal resolvido, em que a personagem da música sofre pela mulher que o magoou. É o que pode ser inferido pelo ótimo refrão:

Fire and water
Must have made you there daughter
You've got what it takes
To make a poor man's heart break
A poor man's heart break

Já na segunda estrofe é perceptível o desejo de vingança pelo cantor:

Lover you turn me on
But quick as a flash your love is gone
Baby i'm gonna leave you now
But i'm gonna try and make you grieve somehow

Desnecessário dizer que a canção se tornou um dos grandes clássicos do Free, presente nos seus shows desde o seu lançamento. Curiosamente, a faixa não foi lançada como single para promover o álbum homônimo.

Uma das mais belas e legais versões para “Fire And Water” foi tocada ao vivo com a “nova versão” do Queen, com Paul Rodgers nos vocais. Uma das grandes canções do Rock and Roll, sem dúvidas.



OH I WEPT

A segunda faixa de Fire And Water é “Oh I Wept”.

A música tem uma levada bem mais calma e tranquila, soando como uma balada, mas que também deixa transparecer a influência de Blues tão marcante no grupo.

A atuação de Paul Rodgers é mais uma vez brilhante, dando linda interpretação à canção, casando-se perfeitamente com a história que é contada. Também a bateria de Simon Kirke faz um trabalho eficiente. As linhas de guitarra são belíssimas, contando com um solo realmente tocante por parte de Paul Kossoff.

As letras de “Oh I Wept” mostram alguém sofrendo e deprimido, com o desejo de fugir para longe da dor. Excelente canção!



REMEMBER

A terceira faixa do álbum é “Remember”.

“Remember” possui uma levada mais Rock And Roll, com um riff bastante simples, mas eficiente, que se estende por toda a canção. Mais um show de feeling de Paul Kossoff é percebido com seu solo maravilhoso no meio da canção.

Também compõe a ótima faixa os vocais incríveis de Paul Rodgers. O vocalista interpreta a canção, outra vez, de maneira brilhante. Fraser e Kirke fazem seu trabalho de maneira bastante eficiente.

A bela “Remember” tem letras também sobre um amor terminado, mas desta vez não retratado com dor ou sofrimento, o sentimento é mais voltado para saudade, sendo refletido com carinho, como no trecho:

Baby, oh these days are gone
And i'm all alone still remember
The good old days we spent together
Baby i can't forget
You know meI can't forget
The good old days we spent together



HEAVY LOAD

A quarta faixa do disco é “Heavy Load”.

“Heavy Load” tem um riff um pouco mais pesado, contando com um baixo bastante presente durante toda a faixa. Outra vez, Rodgers se destaca na canção, sendo o ponto mais alto da faixa.

Como o próprio nome da música deixa claro, “Heavy Load” trata de alguém que está com uma pesada angústia. O ótimo refrão da canção deixa isso bastante evidente, já que, musicalmente, a música se torna mais forte:

Oh i'm carrying a heavy load
Can't go no further down this long road
It's a heavy load...



MR. BIG

A quinta canção de Fire And Water é “Mr. Big”.

Um ótimo ‘Blues Rock’ é como a música pode ser definida. O riff principal é contagiante, mais que isso, brilhante. Paul Kossoff brilha intensamente nesta excelente canção, esbanjando feeling, encaixando as notas de maneira perfeita. Seu solo é incrível!

Paul Rodgers, só para variar, também faz outro ótimo trabalho nos vocais da canção, interpretando bem a música. Também merece destaque a atuação do baixista Andy Fraser, que aparece de maneira marcante durante “Mr. Big”.

Uma das melhores faixas da discografia do Free!



DON’T SAY YOU LOVE ME

A sexta canção do álbum é “Don’t Say You Love Me”.

A canção é uma belíssima balada, construída com lindas linhas suaves de guitarra e um trabalho praticamente perfeito da seção rítmica composta por Andy Fraser e Simon Kirke. “Don’t Say You Love Me” é a maior faixa do álbum, com mais de 6 minutos.

Mas fundamental para a música ser tão bela é, sem sombra de dúvidas, a excepcional atuação do vocalista Paul Rodgers. Durante a faixa, Rodgers intercala momentos com uma interpretação suave e outros em que ele atua com a voz bem mais agressiva. Brilhante.

Como o próprio nome diz, “Don’t Say You Love Me” é uma canção de conteúdo romântico, sobre alguém que se aproveita do amor de outra pessoa, como retrata o trecho:

Don't say you love me baby
Don't say you love me
Don't say you love me
'Cause I know it would be just a lie



ALL RIGHT NOW

A mais conhecida e o maior clássico do Free é a faixa que encerra o álbum: “All Right Now”.

Um excelente e inspirado riff tocado por Paul Kossoff abre a canção e a embala durante toda a sua duração, aumentando seu ritmo no refrão.  Kossoff esbanja feeling (solos brilhantes), outra vez, por toda faixa. Fraser e Kirke estão ótimos e a atuação de Paul Rodgers é incrível e determinante, mais uma vez!

As letras da canção são simples e demonstram um flerte de um cara com uma moça, como se vê no trecho:

I said, hey, what is this?
Now maybe, baby
Maybe she's in need of a kiss
I said, hey, what's your name?
Maybe we can see things the same

Segundo o baterista Simon Kirke, a letra de “All Right Now” teria sido escrita pelo vocalista Paul Rodgers e o baixista Andy Fraser no prédio da Durham Students' Union, órgão ligado à Universidade de Durham. Entretanto, Paul Rodgers afirmou que foi ele mesmo quem escreveu a canção. Tal afirmativa pode ser ouvida em Return Of The Champions (2005), do projeto Queen + Paul Rodgers, quando executam a música.

Há duas mixagens para a canção “All Right Now”. Uma versão presente no álbum, com mais de 5 minutos e outra, mais curta, com pouco mais de 4 minutos. A versão mais curta possui um riff inicial um pouquinho mais complexo, além de conter suaves alterações nas linhas de baixo de Andy Fraser.

“All Right Now” foi lançada como single e foi um sucesso indiscutível. Atingiu a 2ª posição da parada britânica de singles e a 4ª posição da sua correspondente norte-americana, sendo responsável por alavancar a popularidade do grupo. Em 1991, a canção foi remixada e relançada, atingindo a 8ª posição da parada britânica.



Obviamente, “All Right Now” além de ser um clássico, tornou-se uma das faixas favoritas dos fãs e presença obrigatória nos shows do Free.

“All Right Now” atingiu a 1ª posição em 20 estados nos EUA e a ASCAP (Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores) reconheceu, em 1990, que a canção teria atingido mais de 1 milhão de execuções em rádio apenas em terras ianques. Em 2006, a BMI de Londres incluiu um prêmio “Million Air” pelas 3 milhões de execuções de “All Right Now” nas rádios americanas.

“All Right Now” pode ser encontrada em diferentes mídias. É trilha sonora do episódio “Skin”, da primeira temporada do seriado Supernatural e também na série de TV The Sopranos. Ainda, também faz parte da trilha sonora do filme American Beauty (Beleza Americana, 1999).

A canção “All Right Now” possui diversas e inúmeras versões realizadas pelos mais diversos e diferentes grupos ou artistas musicais. Apenas como exemplo, The Runaways fez uma conhecida versão da canção. Rod Stewart, o grupo California (com participação do grande Ritchie Blackmore) e até mesmo Christina Aguilera, em shows, fizeram covers do clássico, entre muitos outros. E, claro, a versão que o projeto Queen + Paul Rodgers fez em seus shows é excelente!



Considerações Finais

Catapultado pelo enorme sucesso de “All Right Now”, Fire And Water também acabou se tornando um grande sucesso. Alcançou a 2ª posição na parada britânica de álbuns e a 17ª posição na parada norte-americana correspondente. Permitiu que o Free fizesse grandes shows, incluindo uma apresentação no Isle of Wight Festival para 600 mil pessoas!

Aproveitando o sucesso de Fire And Water, a banda lançou muito rapidamente seu quarto álbum de estúdio, gravado em setembro e lançado em dezembro de 1970.

Apesar de ser um ótimo álbum, Highway não foi nem de perto um sucesso comercial como Fire And Water. Em termos de posições nas paradas de sucesso, ficou com 41ª no Reino Unido e 190ª nos Estados Unidos.

Em termos de marketing, Highway cometeu um erro grave para uma banda que havia sentido muito recentemente o início de sua maior popularidade, ao omitir o nome do grupo em sua capa. Há, inclusive, uma lenda que diz que um crítico inglês fez uma resenha na qual teria dito que “é ótima essa banda Highway, parece muito com o Free”.

Com as baixas vendas de Highway, a tensão cada vez maior entre Rodgers e Fraser e o guitarrista Paul Kossoff cada vez mais debilitado pelo seu uso de drogas, o Free encerra suas atividades em 1971.

É lançado o excelente álbum ao vivo Free Live em 1971, enquanto os membros do grupo seguiram com projetos individuais.

No início de 1972, os membros originais do grupo se reúnem e resolvem deixar suas desavenças de lado para reconstruírem o Free, em um esforço para tentarem salvar Paul Kossoff, cada vez mais mergulhado no uso de drogas.

A banda lança o quinto álbum de estúdio, Free At Last, em junho de 1972. O álbum alcança a boa 9ª posição na parada britânica (69ª nos Estados Unidos), com o single “Little Bit Of Love” atingindo a 13ª posição na parada de singles do Reino Unido.

Entretanto, vários problemas surgiram durante aquele período. Em um esforço para ajudar o guitarrista, as canções foram todas creditadas a todos os membros da banda, independentemente de quem as tivera escritas. Mas Kossoff estava errático, o que levou Rodgers e Fraser a complementarem as canções ao teclado.

Na turnê, as coisas piorariam. Kossoff não se encontrava em condições físicas de se apresentar durante os shows, por vezes nem aparecendo para tocar. Andy Fraser se recorda de verem pessoas chorando ao assistirem ao estado em que o guitarrista se encontrava em shows.

Ainda em 1972, Kossoff então abandona a turnê em busca de um tratamento para sua dependência química e Andy Fraser deixa definitivamente a banda.

Durante o hiato da banda em 1971, Kossoff e o baterista Simon Kirke formaram um grupo com o baixista japonês Tetsu Yamauchi e o tecladista John “Rabbit” Bundrick. Kirke os chama para substituírem Kossoff e Fraser e assim encerrarem a turnê.

Com Tetsu e Bundrick agora como membros da banda, o Free lança seu último álbum de estúdio, Heartbreaker, em janeiro de 1973. Com um Paul Kossoff bastante ausente nas gravações, o álbum é um tanto quanto diferente dos álbuns prévios do Free. Bundrick teve papel relevante na execução das músicas, com a banda convidando músicos para substituírem Kossoff em suas ausências.

Com uma produção excelente, o álbum foi muito bem sucedido. Atingiu a 9ª posição na parada britânica e a 47ª nos Estados Unidos. O single “Wishing Well” atinge a ótima 7ª posição na parada de singles britânica.

O fato de seu guitarrista Paul Kossoff ter sido creditado como músico adicional no álbum Heartbreaker parece ter sido o ponto final no Free. Kossoff se mostraria incapacitado de fazer a turnê americana com a banda, sendo então substituído pelo guitarrista Wendell Richardson, da banda Osibisa.

Apesar do sucesso do álbum Heartbreaker, a escolha de Richardson se revela a não ideal e o grupo resolve se dissolver.

Paul Rodgers e Simon Kirke montam o Bad Company, Tetsu vai para o The Faces e Bundrick passa a ser músico de apoio (e eventualmente regular) do The Who. Paul Kossoff ainda formaria sua própria banda, o Back Street Crawler.

Em 1975, Paul Kossoff apareceria aparentemente com sua saúde recuperada e fica encantado ao ser convidado para se juntar ao Bad Company de seus ex-colegas Paul Rodgers e Simon Kirke por duas noites. Ficaria acertado que o Back Street Crawler (que já havia lançado 2 álbuns), de Kossoff, faria uma turnê britânica com o Bad Company, que teria início em 26 de abril de 1976.

Mas, infelizmente, a saúde do guitarrista Paul Kossoff ficaria mais uma vez debilitada devido a sua dependência química. Em um voo de Los Angeles para Nova Iorque, em 19 de março de 1976, Paul Kossoff morreu devido a um infarto e complicações cardíacas em consequência ao uso abusivo de drogas. Ele tinha apenas 25 anos.

Paul Kossoff:


O Free deixa um legado indubitável. A revista Rolling Stone descreve a banda como “Os pioneiros do Hard Rock Britânico”. Paul Rodgers, que ficara conhecido como “The Voice”, ficou na lista da mesma revista na 55ª posição da lista "100 Greatest Singers of All Time", enquanto o guitarrista Paul Kossoff ficou com a 51ª posição da lista dos "100 Greatest Guitarists of All Time", também da revista Rolling Stone.

Estima-se que o Free vendeu mais de 20 milhões de cópias por todo o mundo.

Formação:
Paul Rodgers – Vocal
Paul Kossoff – Guitarra
Andy Fraser – Baixo
Simon Kirke – Bateria

Faixas:
01. Fire and Water (Rodgers/Fraser) – 4:02
02. Oh I Wept (Rodgers/Kossoff) – 4:26
03. Remember (Rodgers/Fraser) – 4:20
04. Heavy Load (Rodgers/Fraser) – 5:19
05. Mr. Big (Fraser/Rodgers/Kirke/Kossoff) – 5:55
06. Don't Say You Love Me (Rodgers/Fraser) – 6:01
07. All Right Now (Rodgers/Fraser) – 5:32

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/free/

Opinião do Blog:
Talento. Não há nenhuma palavra melhor para definir a banda Free. A discografia do grupo fala por si própria e é uma comprovação dessa afirmação inicial.

Paul Rodgers dispensa maiores comentários. A qualidade dos vocais do álbum Fire And Water é apenas uma pequena amostra da qualidade do vocalista, capaz de mesclar atuações suaves, agressivas, agudos, todos com a mesma técnica. Impressionante.

A seção rítmica formada por Andy Fraser e Simon Kirke sempre fez seu trabalho de maneira eficiente, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade do som do grupo. Em Fire And Water, eles demonstram essa eficiência de maneira especial.

Aliás, o blog recomenda a audição de toda discografia do Free para que o leitor tenha ideia de como a parceria Rodgers/Fraser era inspirada e capaz de produzir canções realmente soberbas.

Paul Kossoff é um capítulo à parte. O guitarrista pode não ser o mais técnico da história, mas a sua capacidade espantosa de ser genial, mesmo sendo simples, é fabulosa. Kossoff possuía um estilo totalmente próprio, transbordando feeling em suas linhas e seus magníficos solos de guitarra. O Free foi uma banda especial muito pelo talento de seu “Guitar Hero”.

Kossoff era tão especial que foi admirado pelo guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page, muito pela simplicidade genial de seus riffs. Outro grande fã de Paul Kossoff é o guitarrista do Iron Maiden, Dave Murray, que comprou uma Fender Stratocaster que Kossoff usou, utilizando-a em diversos álbuns do Iron Maiden.

Não é necessário falar mais do brilhantismo de Fire And Water. Canções como a homônima ao álbum, “Remember”, “Mr. Big” e a excepcional “All Right Now”, falam por si mesmas. O álbum mostra uma banda sensível e criativa por toda sua extensão.

O Free foi uma grande banda do Rock And Roll que, talvez, não tenha o reconhecimento tão merecido e proporcional ao seu enorme talento. Um dos pioneiros do Rock mais pesado, mas sem nunca abandonar sua veia inspirada nos mestres do Blues.

Steve Harris, baixista e líder do Iron Maiden, já citou o Free como uma de suas bandas favoritas e que o inspirou.

Mais uma vez, o Blog recomenda não somente este álbum, assim como toda a discografia da incrível banda Free!

6 de maio de 2012

BLACK SABBATH - MASTER OF REALITY (1971)


*Post sugerido e dedicado ao amigo Valcir Farias Jr. (R.I.P.)


Master Of Reality é o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Black Sabbath. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 21 de julho de 1971. As gravações ocorreram entre 5 de fevereiro e 5 de abril daquele mesmo ano no Island Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou sob a responsabilidade de Rodger Bain, com quem a banda trabalhou em seus dois álbuns antecessores. Este seria o último trabalho do Black Sabbath com o supracitado produtor.

Para fãs do Black Sabbath e do Blog, recomendamos o acesso à parte da história do grupo através dos dois posts anteriores sobre os álbuns prévios da banda:


O Black Sabbath experimentava os primeiros sabores do sucesso, afinal, seu segundo álbum de estúdio, Paranoid (1970), permitiu à banda alçar voos maiores. A canção homônima ao disco, “Paranoid”, tornou-se um verdadeiro ‘hit’, fazendo com que o conjunto britânico ficasse muito mais conhecido. A canção chegou a ocupar a 4ª posição na parada britânica de singles.

O álbum Paranoid chegou ao topo da parada britânica e na 12ª colocação da parada correspondente nos Estados Unidos, já em março de 1971.

O Black Sabbath adentrou o ano de 1971 capitalizando o sucesso de seus álbuns lançados no ano anterior, nos dois lados do Atlântico, e mantendo-se realizando shows para promoção de seu trabalho. A apresentação mais memorável se deu em Londres, em Janeiro de 1971, no Royal Albert Hall.

Sem pausas entre lançamentos de álbuns e turnês, já em fevereiro de 1971 o grupo retornaria para o estúdio com o intuito de gravar um novo trabalho de inéditas.

Em contraste com os contemporâneos do Led Zeppelin, cujo terceiro álbum desagradou alguns fãs por ter um conteúdo musical significantemente mais acústico, Tony Iommi prometeu que o terceiro álbum do Sabbath seria seu lançamento mais pesado até então.

Tony Iommi


De certa forma, Iommi cumpriu o prometido. O guitarrista alterou a tensão das cordas de sua guitarra em três semitons, tornando-a mais fácil para ele tocar. Para acompanhar Iommi, Geezer Butler fez o mesmo com seu baixo. Isso fez com que o som do grupo se apresentasse ainda mais “obscuro e pesado” em Master Of Reality.

Por isso, Master of Reality é citado como forte influência para o gênero “Stoner Rock” ou mesmo para bandas que fizeram muito sucesso nos anos 90, como Nirvana, Smashing Pumpkins  e Soundgarden.

Embora a promessa de Iommi tenha se concretizado em um álbum realmente pesado, o Black Sabbath (como se comprova através de sua vasta discografia) sempre teve coragem para se arriscar musicalmente.

O álbum Master Of Reality mostra a banda flertando com sonoridades mais suaves. Há duas canções bem curtas, verdadeiros interlúdios entre canções maiores. “Embryo” e “Orchid” são consideravelmente mais leves quando comparadas a clássica linha musical pesada do Black Sabbath.

Há uma canção neste álbum que pode ser considerada uma balada, “Solitude”, bem maior que as duas supracitadas. Tratar-se-á da mesma mais à frente neste post.

Embora as canções da fase clássica do Black Sabbath fossem creditadas, quase sempre, a todos os membros do grupo, o principal letrista da banda (nesta fase) era Geezer Butler. Neste álbum, Butler está ainda mais maduro como autor e aborda questões interessantes de forma ainda mais criativa.

Geezer Butler:


Na primeira versão do álbum lançada nos Estados Unidos, algumas alterações na nomenclatura das faixas foram encontradas. À introdução de “After Forever” foi dado o nome de “The Elegy”, o mesmo acontecendo com a introdução de “Lord Of This World” (nomeada “Step Up”), assim como acontece com “Into The Void” (sua ‘intro’ foi nomeada como “Deathmask”). Ainda havia o nome “The Haunting” associado a “Children Of The Grave”. Mesmo o álbum saiu com o nome de Masters Of Reality.

Cabe ressaltar que nada disto estava presente na edição britânica de Master Of Reality. Nas edições posteriores, os créditos foram concertados, subtraindo os títulos dados às introduções das canções (exceto “The Elegy”) e, também, consertando o nome do álbum, retirando o ‘S’ a mais em Master.

A arte da capa é bastante simples, com um fundo preto, o nome da banda escrito com fontes bem típicas da época em roxo e abaixo, com a mesma fonte e tamanho, o nome do álbum em um tom de cinza.

O baterista Bill Ward se recorda da época de gravação de Master Of Reality como o começo da era em que a banda estava abusando mais severamente de drogas. Ward disse que muitas vezes os membros do grupo tinham uma ideia para alguma canção em casa, iam rapidamente para os estúdios e quando lá chegavam, não se recordavam mais da ideia criada, pois estavam totalmente “fora de si” naqueles dias.

SWEET LEAF

Abre o álbum a canção “Sweet Leaf”. Os primeiros segundos do disco, na realidade, é uma gravação de uma tosse do guitarrista Tony Iommi.

Um riff bastante pesado e arrastado criado por Iommi é a marca registrada da canção, acompanhado por um baixo bastante presente e um eficiente trabalho na bateria por parte de Bill Ward. Os vocais de Ozzy Osbourne também são marcantes e precisos. O solo de guitarra é ótimo.

O título da música, “Sweet Leaf” foi retirado de um maço de cigarros que o baixista Geezer Butler comprou em Dublin, na Irlanda, e o qual chamava o tabaco de “The sweet leaf”.

As letras de “Sweet Leaf” se referem ao uso recreativo de maconha. A revista Rolling Stone descreveu-as como uma ousadia do grupo naquele tempo, embora não carregassem o mesmo efeito de choque que o faria se tivesse sido lançada meia década antes.

“Sweet Leaf” se tornou um clássico do Black Sabbath, permanecendo uma marca quase obrigatória nas turnês da banda e uma das músicas favoritas dos fãs. Ozzy Osbourne também a manteve em seu set list de sua carreira solo por algum tempo. Também é tocada nas turnês de reunião que o grupo faz com a formação original.

Inúmeras bandas fizeram versões para “Sweet Leaf”. Citando como exemplo, Ugly Kid Joe, Sacred Reich, Stuck Mojo e Six Feet Under. Entretanto, o que não faltam são covers da canção.

O produtor Rick Rubin fez um ‘sample’ do riff de “Sweet Leaf” e o usou na canção "Rhymin' & Stealin’", do grupo Beastie Boys. O guitarrista do Red Hot Chili Peppers, John Frusciante, toca o riff principal na música “Give It Away” de seu grupo. São apenas outros exemplos de como a canção se tornou uma referência.

Também é possível encontrar “Sweet Leaf” em games como Guitar Hero e Rock Band.



AFTER FOREVER

A segunda canção de Mater Of Reality é “After Forever”.

A canção alterna em variações do mesmo riff, com momentos mais velozes e outros em que ele fica mais pesado e arrastado. O principal destaque da faixa é mesmo a guitarra de Tony Iommi, bastante criativa. Ozzy faz um bom trabalho nos vocais.

No lançamento original do álbum, “After Forever” foi creditada como uma composição apenas de Tony Iommi.  Entretanto, quando a banda lançou um Box que continha vários álbuns, a canção veio com créditos para todos os membros do grupo, respeitando o desejo de ser vista como um conjunto democrático.

As letras de “After Forever” foram escritas pelo baixista Geezer Butler. Naquele momento do lançamento do álbum, o Black Sabbath era tido como uma banda satânica, devido ao visual, sonoridade e temática bastante sombrios do grupo. Embora a banda sistematicamente tenha negado todas as acusações como sendo um grupo voltado a esta temática.

Assim sendo, Butler escreveu uma canção em que aborda uma temática absolutamente cristã, quase uma ode às suas crenças.

“After Forever” acabou sendo lançada como um single, em conjunto com a faixa “Fairies Wear Boots”, mas acabou não obtendo maior repercussão.



Lester Bangs, da revista Rolling Stone, criticou a temática cristã da faixa em sua análise do álbum à época, mas acabou elogiando os arranjos.

A banda Biohazard fez um cover da canção para o álbum tributo ao Black Sabbath chamado Nativity In Black. Também as bandas Deliverancy e Shelter possuem versões para a canção “After Forever”.



EMBRYO

“Embryo” é a terceira faixa do álbum. Na verdade, contém apenas pouco mais de 25 segundos de duração, e, durante os shows do Black Sabbath, funciona como abertura para a próxima canção.



CHILDREN OF THE GRAVE

O clássico “Children Of The Grave” é a quarta faixa de Master Of Reality.

Um dos riffs mais criativos da história do Black Sabbath embala a canção, tornando-a rápida, pesada e empolgante. O trabalho da ‘cozinha’ formada por Butler e Ward é praticamente perfeito, contribuindo decisivamente para o sucesso da música. Maior destaque é merecido a Ozzy Osbourne, que realiza uma interpretação perfeita das letras, construindo o clima exato da mensagem passada pela banda. O solo final é perfeito. Um clássico!

As letras de “Children Of The Grave” são das melhores da discografia do Black Sabbath. Ela segue a temática anti-guerra proposta por Butler em canções como “Eletric Funeral” e “War Pigs”, sendo novamente abordada, mas desta vez Butler inova com seus ideais pacifistas e de desobediência civil não violenta.

Butler convoca uma revolução pacífica e baseada no amor, chamando as crianças a plantarem a semente da paz, trazendo uma visão otimista (acreditando na vitória) para a mudança do mundo, como se vê no trecho abaixo:

They're tired of being pushed around
And told just what to do
They'll fight the world until they've won
And love comes flowing through

Já na segunda estrofe, Butler revela seu medo com a situação que o mundo vivia à época, a ameaça de uma guerra nuclear entre as superpotências União Soviética e Estados Unidos – sem falar que a guerra do Vietnã estava acontecendo. Pode-se também inferir o receio que o autor tinha com o mundo que seria deixado para as futuras gerações:

Children of tomorrow live in
The tears that fall today
Will the sunrise of tomorrow
Bring them peace in any way
Must the world live
In the shadow of atomic fear
Can they win the fight for peace
Or will they disappear?

Já na última estrofe (a genial canção não possui refrão, em uma construção absolutamente brilhante do grupo!) Butler conclama as crianças a espalharem as mensagens de amor e coragem, para sensibilizarem as pessoas na construção de um futuro pacífico. Entretanto, o baixista alerta que o fracasso destas ações teriam como consequência um futuro de morte:

So you children of the world
Listen to what I say
If you want a better place to live in
Spread the words today
Show the world that love
Is still alive you must be brave
Or you children of today
Are children of the grave

É possível se ver uma mensagem positiva na canção. É a esperança que através das crianças e das mensagens pacíficas e com base no amor é possível se mudar o mundo. Interessante pensar que a canção foi lançada há mais de quatro décadas e que as crianças daquela época são os adultos de hoje. Será que a mensagem que Butler desejava foi espalhada? Que o leitor tire suas conclusões.

“Children Of The Grave” se tornou um grande clássico do Black Sabbath, sendo presença quase que constante nos shows da banda, assim como nas apresentações da carreira solo de Ozzy Osbourne durante muito tempo.

Versões covers da canção também são inúmeras. Para o supracitado tributo Nativity In Black, quem tocou a faixa foi White Zombie. Bandas como Amon Amarth e Grave Digger também já fizeram suas versões do clássico. A música também aparece em versões do game Guitar Hero.



ORCHID

Com pouco mais de um minuto, “Orchid” é a quinta faixa do trabalho. Suave e bastante melódica, a canção mostra o lado mais intimista de Tony Iommi e introduz a próxima música do álbum.



LORD OF THIS WORLD

“Lord Of This World” é a sexta faixa do álbum.

Um riff bastante pesado é a marca registrada de “Lord Of This World”. Ele se desenvolve por praticamente toda a canção de maneira mais ‘arrastada’, dando lugar a um solo bastante inspirado no meio da faixa. Os vocais característicos de Ozzy Osbourne são, mais uma vez, um destaque da faixa. Sem falar na brilhante atuação de Bill Ward. Mais um clássico.

Bandas como Exhorder e Sleep fizeram versões cover da canção. Para o Nativity In Black, a banda Corrosion Of Conformity foi quem gravou a música.



SOLITUDE

A sétima faixa de Master Of Reality é “Solitude”.

Consideravelmente diferente das outras faixas do álbum, “Solitude” é uma balada, que mostra um Black Sabbath soando muito mais suave que anteriormente. Uma canção totalmente leve, com alguma influência psicodélica em um estilo inovador na discografia da banda até então.

Ozzy Osbourne canta a música de uma maneira também suavizada, em oposição aos seus vocais sombrios, agressivos e marcantes, que foram fundamentais para o sucesso do Sabbath. Tanto que muita gente acreditava que foi Bill Ward que teria gravado o vocal da canção, mas isso não corresponde à verdade.

“Solitude” demonstra o talento de Tony Iommi como instrumentista, pois na faixa ele também toca flauta e piano.

“Solitude” traz letras românticas, mas de uma perspectiva totalmente depressiva, de alguém que sofre por amor. Isso pode ser comprovado pelo trecho:

The world is a lonely place - you're on your own
Guess I will go home - sit down and moan.
Crying and thinking is all that I do
Memories I have remind me of you

Talvez a versão cover mais conhecida de “Solitude” é a que foi realizada pela banda Cathedral, que foi lançada como bônus para a versão europeia do tributo ao Black Sabbath, Nativity in Black.

É um dos temas do personagem principal (Zombie) do filme Zombie and The Ghost Train (1991) do diretor finlandês Mika Kaurismäki.



INTO THE VOID

A oitava e derradeira canção do álbum é “Into The Void”.

Um riff espetacular, lento, arrastado e pesadíssimo, abre a canção, mostrando o porquê de Tony Iommi ser chamado de “The Riff Master”. Pouco depois, o guitarrista apresenta uma variação um pouco mais acelerada do riff, fantástico, através do qual a música se desenvolve. Os vocais característicos de Ozzy Osbourne estão de volta na faixa e esta é uma das melhores atuações do mesmo à frente da banda!

É necessário que se realce, novamente, o trabalho da seção rítmica da banda nesta canção, pois Ward e Butler têm uma atuação determinante para a qualidade da faixa. Outro solo inspirado de Iommi.

As letras de “Into The Void” revelam o desejo de fuga de um mundo que é dilacerado por conflitos e guerras, em uma perspectiva angustiante.

Muitas versões covers foram lançadas por bandas como Kyuss, Sleep, Exhorder, Soundgarden, Monster Magnet (para o Nativity In Black II), entre outras.

A versão lançada pela banda Soundgarden teve a letra original substituída por um manifesto de protesto original do Chief Seatlle, e foi indicada ao Grammy em 1993 como melhor performance de Heavy Metal, quando foi renomeada para “Into The Void (Sealth)”.

“Into The Void” é a canção do Black Sabbath favorita do vocalista e guitarrista do Metallica, James Hetfield.



Considerações Finais

Master Of Reality consolidou o Black Sabbath como uma das grandes bandas dos anos 70. Conquistou a 5ª posição da parada britânica de álbuns e a 8ª posição de sua correspondente norte-americana.

Apesar da aclamação do público, os críticos musicais da época não aprovavam a proposta da banda. Robert Christgau deu ao álbum uma nota ‘C-‘, declarando que este era uma “estúpida e amoral exploração”.

O crítico da Revista Rolling Stone, Lester Bangs, chamou o álbum de monótono, em uma análise negativa. A mesma revista que, anos depois, colocaria Master Of Reality na 298ª posição de sua lista 500 Greatest Albums of All Time, em 2003, descrevendo-o como “a relíquia de estúdio definitiva da era dourada do Sabbath”.

A revista Q Magazine o colocou em sua lista de 50 Heaviest Albums of All Time (2001), e, em outra edição, citou Master Of Reality como o álbum mais coeso dentre os três primeiros do grupo.

A banda holandesa After Forever tem este nome devido à influência do Black Sabbath, sendo uma homenagem aos seus inspiradores.



Também, Master Of Reality inspirou o líder da banda Mountain Goats, John Darnielle, a escrever um curto romance que tem o álbum como plano central. O texto é escrito na forma de um diário em que um jovem faz um tratamento mental e mostra a forma como ele se relaciona com o mundo através das canções do disco.

Após o lançamento do álbum, o Black Sabbath saiu em mais uma grande turnê para promover o trabalho, a Master Of Reality World Tour.

Master Of Reality já vendeu mais de 2 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Tony Iommi – Guitarra, Flauta e Piano em "Solitude"
Geezer Butler – Baixo
Bill Ward – Bateria

Faixas:
01. Sweet Leaf (Iommi/Butler/Ward/Osbourne) – 5:05
02. After Forever (Iommi/Butler/Ward/Osbourne) – 5:27
03. Embryo (Iommi) – 0:28
04. Children of the Grave (Iommi/Butler/Ward/Osbourne) – 5:18
05. Orchid (Iommi) – 1:31
06. Lord of This World (Iommi/Butler/Ward/Osbourne) – 5:27
07. Solitude (Iommi/Butler/Ward/Osbourne) – 5:02
08. Into the Void (Iommi/Butler/Ward/Osbourne) – 6:13

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/black-sabbath/

Opinião do Blog:
Master Of Reality é um dos grandes álbuns do Heavy Metal e está na lista dos favoritos deste que vos escreve.

O trabalho que a seção rítmica do Black Sabbath faz neste álbum – composta pelo baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward – é notável e muito além de eficiente. É responsável direta pela qualidade das canções.

Butler também demonstra um grande talento como letrista. Suas canções, neste trabalho, oscilam em mensagens filosóficas de otimismo, outras vezes pessimista, mas com uma visão crítica de seu tempo.

Ozzy Osbourne também funciona magistralmente para criar o aspecto sombrio que as canções do Black Sabbath apresentavam. Como quase sempre os temas são fortes e pesados, Ozzy imprime uma interpretação igualmente marcante, por vezes desesperadora, que era sua marca registrada no Sabbath. Osbourne também se mostrou versátil ao dar um ar mais suave à balada “Solitude”.

Tony Iommi criou alguns de seus mais brilhantes riffs neste álbum. “Sweet Leaf”, “Lord Of This World”, “Into The Void” e “Children Of The Grave” possuem a assinatura do excepcional compositor do Black Sabbath. Além disso, demonstrou sua sensibilidade na composição de canções mais suaves, como “Solitude”.

Com vários clássicos (6 das 8 faixas foram gravadas por outras bandas nos dois tributos Nativity In Black), Master Of Reality influenciou inúmeros grupos que surgiram após seu lançamento, incluindo bandas que não fazem Heavy Metal. Um álbum para a história da música!