22 de março de 2012

TWISTED SISTER - STAY HUNGRY (1984)



Stay Hungry é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana Twisted Sister. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 10 de maio de 1984, pela gravadora Atlantic Records. A produção ficou a cargo de Tom Werman, o qual trabalhou com nomes como Blue Öyster Cult e Mötley Crüe, entre outros.

O início do Twisted Sister se deu em 1972, quando o guitarrista John Segall, que seria mais conhecido por Jay Jay French, fez um teste e foi chamado para ingressar em uma banda chamada Silver Star, criada pelo baterista Mel Anderson (Mell Star). O Silver Star, segundo seu criador, seria a versão de New Jersey da banda NY Dolls.

Jay Jay odiava o nome Silver Star e forçou o grupo a mudá-lo. Em fevereiro de 1973, a banda passou a se chamar Twisted Sister e contava com a seguinte formação: o vocalista Michael Valentine, o guitarrista Billy Diamond, o baterista Mell Star, o baixista Kenneth Harrison Neill, e o guitarrista Johnny Heartbreaker (que logo se chamaria Jay Jay French).


A banda acabou se mudando para New York City e tocava regularmente nos clubes noturnos da cidade. Muitas vezes, o Twisted Sister conseguia se apresentar seis vezes por semana, embora, comumente, no mesmo local.

Quando a banda teve sua primeira mudança na formação, em dezembro de 1974, estima-se que o grupo já haveria se apresentado por volta de 600 vezes. Com Rick Prince nos vocais e Keith Angel na guitarra, o conjunto continuava trabalhando.

Rick Prince falta a um show e é demitido do grupo, com Jay Jay assumindo as funções de vocalista e, ao mesmo tempo, de manager da banda. No meio de 1975, o conjunto se desfaz, para logo se reconstituir no final do mesmo ano.

Jay Jay French continuaria como vocalista e guitarrista e recrutou seu antigo amigo de colegial, o guitarrista Eddie Ojeda, que também seria um “co-vocalista”. O baterista seria Kevin John Grace, contratado após French ver um anúncio de Kevin procurando por banda. O baixo continuaria com Kenny Neill.

A banda seguiria, então, uma orientação “Glam Rock”, com influências de David Bowie, Slade e New York Dolls, continuando se apresentando em “clubs”.

Já em 1976, o agente do grupo, Kevin Brenner, sugere a Jay Jay que o conjunto não poderia ir mais longe sem tocar covers de Led Zeppelin. Para tanto, também aconselhou a Jay Jay que contratasse o vocalista Danny Snider, grande fã do grupo de Page e Plant.

Dee Snider:

French acaba por seguir os avisos de Kevin Brenner e contrata Snider, que muda seu nome para Dee Snider, aceitando sugestão de Jay Jay. Pouco tempo depois, o baterista Tony Petri entra para o lugar de Kevin Grace. Assim, o Twisted Sister continuaria a manter seu visual glam, mas apostaria em uma sonoridade mais pesada, com influências de Led Zeppelin e Alice Cooper.

Dee Snider e Jay Jay French, começaram a introduzir alguns discursos sobre temas cotidianos da época entre as músicas durante os shows, o que acabou chamando mais a atenção para o grupo. A partir de então, a popularidade da banda não parou de crescer.

O Twisted Sister começou a quebrar recordes de público nos clubes da região conhecida como “Tri-State”, incluindo os 3 mil lugares do New York Palladium, um feito para uma banda sem contrato de gravação ou divulgação por rádios.

A base de fãs passou a se autodenominar "S.M.F.F.O.T.S.", ou seja, Sick Motherfucking Friends Of Twisted Sister, depois encurtado para "S.M.F.", ou, "Sick Mother Fuckers.

Um novo baixista, Mark “The Animal” Mendoza, entra na banda em 1978. O grupo sofre ainda algumas mudanças no posto de baterista, com Tony Petri sendo substituído por Joey Brighton, este por sua vez daria lugar a Richie Teeter, o qual, por sua vez, seria reposto por AJ Pero. A formação clássica da banda se fixaria com Snider nos vocais, French e Ojeda nas guitarras, Mendoza no baixo e Pero na bateria.


Por volta de 1981, o Twisted Sister lança sua própria companhia de camisetas e seu próprio selo, através do qual acabam saindo dois singles do grupo. Jay Jay ficou como manager da banda até aquele ano, quando ele contratou o promotor de eventos Mark Puma para gerenciar o Twisted Sister.

Um dos singles lançados pelo grupo em seu próprio selo acaba por atravessar o Atlântico e cai nas mãos de Martin Hooker, que gosta do trabalho. Hooker é o presidente do pequeno selo britânico Secret Records.

Seguindo a sugestão de repórteres das revistas Sounds e Kerrang!, o Twisted Sister embarca em direção ao Reino Unido para buscar um contrato com algum selo britânico. Em Abril de 1982, finalmente o grupo assina com a Secret Records, de Martin Hooker, gravadora que era mais voltada ao público punk.

Em junho de 1982, o Twisted Sister lança o EP Ruff Cuts, pela Secret Records. Meses depois, em setembro daquele ano, o álbum de estreia é colocado no mercado, Under The Blade (1982). A produção foi colocada a cargo do então baixista da banda UFO, Pete Way. O álbum conta com a faixa “Tear It Loose”, a qual possui um ótimo solo tocado pelo guitarrista do Motorhead, “Fast” Eddie Clarke.

Embora com uma produção ruim, o álbum fez algum sucesso, especialmente entre o público mais ‘underground’ do Reino Unido. A sonoridade do trabalho contém uma boa pegada Heavy Metal. Ao mesmo tempo, o Twisted Sister ainda continuava com seu visual glam, mas aos poucos iria adotando uma vertente mais grotesca e mais próxima do Heavy Metal, que o distinguiria consideravelmente do nascente Glam Metal.

Após uma aparição em um programa de TV chamado The Tube, o Twisted Sister acabou chamando a atenção do selo Atlantic Records. A gravadora assina com o grupo e assim é lançado o segundo álbum da banda, You Can’t Stop Rock ‘n’ Roll, de 1983.

O álbum contém uma produção muito melhor que a de seu predecessor, a cargo de Stuart Epps, e soa ainda mais influenciado pelo Heavy Metal. O trabalho traz sucesso ao grupo, com a faixa “I Am (I’m Me)” atingindo a 19ª posição da parada britânica.

Com isso, a Atlantic Records decide promover mais intensamente o grupo a partir de então, chegando a produzir um videoclipe para a faixa título do trabalho, “You Can’t Stop Rock ‘n’ Roll”.

Para isso, no entanto, o guitarrista Jay Jay French recorda que não acreditava que os chefões da Atlantic Records dariam a devida atenção ao grupo. A sua percepção só se modificou em um encontro, em uma congelante noite de dezembro do ano de 1983, com o presidente da Atlantic, Doug Morris. O chefão perguntou a French: “Você sabe o que eu penso sobre a banda?” E a resposta pouco animada de French foi: “Bem, eu sei que nós não estamos na sua lista de presentes de natal”.

Entretanto, o guitarrista foi surpreendido pelo Chefe da gravadora. Morris contou a French que a banda havia vendido mais de 100 mil cópias sem nenhum esforço da gravadora e que os promotores de espetáculo de todo o país ligavam para ele falando do impacto que era causado quando o Twisted Sister chegava a suas cidades. E, assim, prometeu mais atenção ao grupo para o próximo ano.

Para tanto, o escolhido para produzir o álbum foi Tom Werman, experimentado produtor que havia trabalhado com Ted Nugent, Cheap Trick e Mötley Crüe. Enquanto Eddie Ojeda e A.J. Pero ficaram excitados com o prospecto do novo produtor, o vocalista Dee Snider ficou receoso com a escolha de alguém tão “comercial” e que, com isso, a banda acabasse por perder fãs.

Para tanto, o chefão da gravadora voltou à cena para conversar com Snider, que recorda que ele o fez a seguinte pergunta: “o que você quer? Os cem mil fãs que você tem ou os novecentos mil que te darão um álbum de platina”? Com isso, Snider ficou convencido em continuar com as gravações.

O terceiro álbum de estúdio do Twisted Sister, Stay Hungry, foi gravado em Fevereiro e Março de 1984. Inicialmente, as gravações ocorreram no Record Plant, em New York, e, depois, continuadas em Los Angeles, no Cherokee Studios, com a mixagem sendo realizada no Westlake Recording Studios.

Quando ainda estavam em Nova Iorque, tensões surgiram entre o produtor Werman e o grupo. Pouco impressionado com o material inicial, Tom Werman chegou a sugerir que a banda fizesse uma versão do clássico “Strong Arm Of The Law”, do Saxon. Mas, com o tempo, as coisas foram ficando mais fáceis. Por fim, Werman achou que o conteúdo de todo o álbum era obscuro e muito criativo.

Eddie Ojeda relembra que Tom tinha um jeito diferente, mas que em nenhum momento ele soava como arrogante e que estava apenas interessado em contribuir para o álbum.  Como os membros da banda nunca foram conhecidos por serem usuários de drogas ou festeiros compulsivos, tudo ocorreu corretamente. Mendoza, inclusive, estudou muito para tentar contribuir com a produção do álbum, fato que acabou auxiliando para seu futuro trabalho também como produtor.

Tom Werman gastou cerca de três dias para “descobrir” o timbre ideal da guitarra-base de Jay Jay French. Também não era muito fã da maneira como A.J. Pero tocava sua bateria, mas como o resultado final ficou de seu agrado, não chegou a tentar impor um novo estilo para o músico.

De modo geral, a banda relembra que o resultado final do trabalho foi ótimo e que “soou como deveria”, segundo Snider, embora o álbum tenha saído consideravelmente menos agressivo que as formas primárias das canções.

STAY HUNGRY

A faixa homônima ao álbum abre os trabalhos. “Stay Hungry” apresenta um bom riff inicial, característico do grupo. O refrão é empolgante, assim como o solo, pequeno, mas muito eficiente. O maior destaque vai para os vocais de Dee Snider. Ótima faixa!



WE’RE NOT GONNA TAKE IT

A segunda faixa do álbum é, talvez, a mais conhecida do Twisted Sister. A ótima “We’re Not Gonna Take It” já nasceu um clássico.

Dee Snider, que compôs a canção, cita como influências para a composição a banda glam Slade, Sex Pistols e até mesmo o tema 'O Come, All Ye Faithful'.

Dee Snider disse que desde que o álbum ficou pronto ele sabia que “We’re Not Gonna Take It” seria o principal single, embora a gravadora pensasse em lançar a música “Burn In Hell” como o primeiro single. Entretanto, Snider contou ao seu amigo (e diretor do videoclipe da mesma canção), Marty Callner, sua frustração pela escolha que seria feita pelo selo.

Callner, então, fez uma ligação para o dono da Atlantic Records, Doug Morris, e disse que “We’re Not Gonna Take It” era uma música destinada ao topo das paradas de sucesso e que ele faria um videoclipe especialmente para a faixa. Convencido, Morris determinou que a música seria o principal single para promoção de Stay Hungry.


Embora um clássico, o resultado final da mixagem não agradou plenamente os membros da banda. Eddie Ojeda afirmou que não ficou satisfeito com a forma que sua guitarra soa na faixa, assim como a seção rítmica.

Lançada como single, poucas semanas antes do lançamento do álbum, “We’re Not Gonna Take It” alcançou a 21ª posição na parada norte-americana de singles. No Reino Unido, o single ficou com a 58ª colocação.

Evidentemente que a canção se tornou presença obrigatória nos shows do grupo. Ficou na 47ª posição da eleição feita pelo canal de TV VH1 das “100 melhores canções dos anos oitenta”, bem como na 21ª posição de outra eleição do mesmo canal, dos “100 maiores hits” daquela década.

O videoclipe é um clássico, sendo um dos mais executados naquele ano na MTV dos Estados Unidos.

Inúmeras versões para a faixa foram produzidas por outros músicos e artistas, incluindo bandas como Nightwish e até o musical Rock of Ages!



BURN IN HELL

A terceira faixa do álbum é “Burn In Hell”. Em comparação com as faixas anteriores, esta é uma canção consideravelmente mais pesada e com um viés mais “Heavy Metal”. O ritmo mais cadenciado e pesado do início se desenvolve mais aceleradamente na maior parte da música. Ótimos solos, guitarras marcantes e Snider fazendo um ótimo trabalho vocal fazem da faixa um ponto altíssimo do álbum.

HORROR-TERIA (THE BEGINNING)
A) CAPTAIN HOWDY
B) STREET JUSTICE

A quarta faixa do álbum Stay Hungry é “Horro-Teria (...)”. Na verdade, trata-se de um “dois em um”, com duas canções em uma única faixa. A primeira, “Captain Howdy”, é uma canção bem sombria, em um ritmo um pouco mais lento e com certo peso. A segunda é “Street Justice”, um tanto quanto mais acelarada, lembrando a sonoridade da New Wave Of British Heavy Metal.

Assim, “Horror-Teria” é a faixa mais longa do álbum, com mais de 7 minutos. As duas canções acabaram se tornando a base para o filme Strangeland, de 1999, escrito pelo vocalista Dee Snider e no qual ele mesmo interpreta o personagem Captain Howdy.



I WANNA ROCK

A quinta canção de Stay Hungry é, possivelmente, a outra canção mais conhecida do Twisted Sister. Trata-se de “I Wanna Rock”.

A música é um excelente Hard Rock, com um ritmo forte, empolgante e um refrão quase impossível de não se ‘grudar’ na cabeça. O ótimo trabalho vocal de Dee Snider é fundamental para o sucesso atingido pela canção. O solo também é excelente.

“I Wanna Rock” também foi lançada como single para promover o álbum, mas não obteve os mesmos resultados de “We’re Not Gonna Take It”. Na parada norte-americana acabou ficando com a 68ª posição, enquanto atingiu a modesta 93ª posição da parada britânica.


Outro videoclipe foi filmado para circular nas televisões e, também, acabou se tornando um clássico. Em mais uma eleição do canal de TV VH1, ficou como a 17ª melhor canção de Hard Rock!

“I Wanna Rock” está presente em diversos tipos de mídias. Em games como GTA e Guitar Hero, no filme de 2008 ‘The Rocker’ e até mesmo Jay Jay French fez uma versão da canção para uso político chamada “I Want Barack”, em apoio à candidatura de Barack Obama à presidência dos EUA.

Mark Teixeira, jogador do time de baseball New York Yankees, utiliza a canção como música de entrada no campo de jogo. É outra canção com inúmeras versões covers.



THE PRICE

Quebrando um pouco o ritmo do álbum até então, surge a sexta faixa do trabalho, a poderosa balada chamada “The Price”. A música possui lindas linhas de guitarra, com destaque para um refrão muito bonito que se casa perfeitamente com o restante da canção. Possui um solo muito inspirado. Foi o último single lançado para promover o álbum, já em 1985. Outro ponto alto do trabalho.



DON’T LET ME DOWN

O Hard Rock mais acelerado já está de volta na sétima faixa do disco, “Don’t Let Me Down”. Mais uma vez, o refrão se destaca por ser bem marcante. Outro ponto que merece atenção é o eficiente trabalho de A.J. Pero na bateria, bem acentuado em toda canção. Bons solos compõem mais uma boa música.



THE BEAST

A oitava faixa de Stay Hungry é “The Beast”. É outra música com um viés mais “Heavy Metal”, com boas doses de peso, em boa parte por um riff muito inspirado, pesado. O ritmo cadenciado persiste por toda a canção, com ótimos vocais (mais uma vez). Uma das melhores faixas do álbum – com meu solo preferido no disco.



S.M.F.

A nona faixa – e última – do álbum é “S.M.F.”, outra música que traz um Hard Rock bem empolgante. ‘SMF’ foi a sigla pela qual os fãs do Twisted Sister acabaram ficando conhecidos. Encerra o disco em ótima forma.



Considerações Finais

Definitivamente, Stay Hungry foi um grande sucesso e fez o Twisted Sister mudar de patamar enquanto banda, em termos comerciais. O álbum atingiu a 15ª posição na parada de álbuns dos Estados Unidos, conquistando a 34ª posição na sua correspondente britânica.

Para se ter uma ideia do sucesso, em menos de um ano o álbum vendeu 2 milhões de cópias, sendo que 500 mil apenas no Canadá. Estima-se que até hoje, o álbum ultrapassou a marca de 3 milhões de cópias comercializadas apenas nos Estados Unidos.

A turnê que se seguiu ao lançamento de Stay Hungry em 1984 foi muito bem sucedida, com a banda tocando com nomes como Ratt e DIO. Em alguns shows menores, uma ainda jovem e pouco conhecida banda fazia a abertura: Metallica.

O sucesso era tanto que a banda participou do filme de Tim Burton, Pee-wee's Big Adventure, de 1985, no qual o Twisted Sister simula realizar a gravação de um videoclipe para a música “Burn In Hell”.

Os tão conhecidos videoclipes do Twisted Sister, repletos de bom humor, foram motivos de controvérsias, pois algumas alas conservadoras dos Estados Unidos acusou o grupo de ser um ‘incitador’ à violência contra pais e professores. Dee Snider foi um dos músicos a serem ouvidos no Senado norte-americano pela comissão que examinava estes “casos controversos”.

Snider diz que a inspiração para escrever Stay Hungry surgiu enquanto o grupo gravava o álbum anterior, You Can’t Stop Rock ‘n’ Roll. Segundo o vocalista, os membros do Twisted Sister estavam cansados, desesperados por alcançar o sucesso. Muitas vezes, eles mesmos tinham que bancar do próprio bolso gastos para continuarem excursionando. Em outras palavras, estavam famintos!

Em 2009, quando se completaram 25 anos do lançamento de Stay Hungry, o Twisted Sister fez apresentações tocando todas as faixas do disco.

Formação:
Dee Snider - Vocal
Eddie "Fingers" Ojeda – Guitarra
Jay Jay French - Guitarra, Backing Vocals
Mark "The Animal" Mendoza - Baixo, Backing Vocals
A. J. Pero - Bateria, Percussão

Faixas:
01. Stay Hungry (Snider) – 3:03
02. We're Not Gonna Take It (Snider) – 3:38
03. Burn in Hell (Snider) – 4:43
04. Horror-Teria: (The Beginning) (Snider) – 7:45
1."Captain Howdy"
2."Street Justice"
05. I Wanna Rock (Snider) – 3:06
06. The Price (Snider) – 3:48
07. Don't Let Me Down (Snider) – 4:26
08. The Beast (Snider) – 3:30
09. S.M.F. (Snider) – 3:00

Letras:
Para o conteúdo das letras, sugerimos o acesso a: http://letras.terra.com.br/twisted-sister/

Opinião do Blog:
Quem assiste apenas aos videoclipes do Twisted Sister, repletos de cenas de comédia e com os membros do grupo em um visual extremamente bizarro, pode pensar que a banda seja uma grande gozação. A realidade é exatamente oposta.

O pequeno resumo da história do conjunto apresentou uma breve amostra do tanto que eles batalharam pelo sucesso. Mesmo apostando em uma veia artística divertida, o grupo fazia tudo com seriedade.

Algumas músicas da banda apresentam mesmo este lado descontraído, enquanto outras tratam de temas como o conflito entre pais e filhos, ou mesmo fortes críticas ao sistema educacional dos Estados Unidos. Sonoramente, a banda aposta em um Hard Rock de alto nível, com doses elevadas do melhor Heavy Metal tradicional, o que constitui uma identidade musical forte e distinta.

Acrescente-se o fato do principal compositor da banda, o vocalista Dee Snider, ser uma pessoa bastante inteligente e esclarecida, muito articulado, como se comprova quando assistimos a suas entrevistas.

Stay Hungry talvez seja mesmo o ponto mais alto da carreira do grupo – embora este que vos escreva não pense haver um álbum de menor nível na discografia deles – pelo fato de ter dois enormes sucessos no disco: “We’re Not Gonna Take It” e “I Wanna Rock”.  Duas faixas que entraram para a história do Rock ‘n’ Roll.

Enfim, mais uma vez se deve apenas dizer o óbvio: álbum e banda extremamente recomendados!

7 de março de 2012

AEROSMITH - AEROSMITH (1973)



Aerosmith é o álbum de estreia da banda norte-americana de Rock de mesmo nome. Seu lançamento oficial ocorreu em janeiro de 1973, sendo o disco gravado no Intermedia Studios, em Boston, nos Estados Unidos. A produção do trabalho ficou a cargo de Adrian Barber.

O início do Aerosmith remonta ao final da década de sessenta. O vocalista Steven Tyler tinha uma banda chamada The Strangeurs na cidade de New Hampshire.

Steven Tyler


Enquanto isso, o guitarrista Joe Perry e o baixista Tom Hamilton possuíam uma banda chamada Jam Band, que era calcada em uma sonoridade rock, mas com forte influência de Blues.

Perry e Hamilton se mudam para Boston onde conheceriam um estudante da famosa escola de música Berklee College Of Music, o baterista Joey Kramer. Este já havia conhecido Steven Tyler e o auxiliado tocando em uma banda com ele. Mais tarde, Kramer abandonaria seus estudos para entrar na banda Jam Band, de Perry e Hamilton.

Em 1970, a banda de Steven Tyler, agora se chamando Chain Reaction, toca em um mesmo evento com a Jam Band de Perry, Hamilton e Kramer. Logo de cara, Tyler fica fortemente atraído pela sonoridade da Jam Band e quis combiná-las.

Em outubro de 1970, as bandas se encontram novamente e passam a considerar a proposta. Tyler, que havia sido baterista e backing vocal da Chain Reaction, faz a ‘exigência’ que gostaria de ser o vocalista e frontman da nova banda e os demais acabam por concordar com isso. Surgia um novo conjunto, embora ainda sem nome.

Em uma tarde, o baterista Kramer sugeriu uma palavra que ele escrevia em todos os seus cadernos enquanto estudante, Aerosmith. O nome teria surgido em sua cabeça quando ele ouviu o álbum Aerial Ballet, de Harry Nilsson. Trata-se de uma palavra criada, inventada, sem qualquer significado. Embora com alguma relutância, os outros membros aceitaram a sugestão de Kramer para o nome do grupo.

Logo após isso, a banda recruta outro guitarrista, Ray Tabano, amigo de infância do vocalista Steven Tyler, começando a fazer apresentações locais. O primeiro show data de novembro de 1970, em uma escola de ensino médio (High School).

Já em 1971, a banda substitui o guitarrista Tabano por Brad Whitford, que também estudou na Berklee School of Music. Esta seria a formação clássica que se fixaria no Aerosmith, com um hiato de 5 anos entre 1979 e 1984, permanecendo a mesma: Tyler, Perry, Whitford, Hamilton e Kramer.

Aerosmith em sua formação clássica:


Fazendo seus shows locais, o grupo começou a conquistar um público fiel em suas apresentações. Depois de trocar de agenciamento por duas vezes, o Aerosmith consegue um contrato de gerenciamento com David Krebs e Steve Leber, já no ano de 1972.

Krebs e Leber conseguem convidar o presidente da Columbia Records, Clive Davis, para assistir a uma apresentação do grupo no Max’s Kansas City, na cidade de Nova Iorque. O interessante é que a banda não estava agendada para se apresentar no local naquela noite, mas acabaram pagando de seus próprios bolsos para garantirem um show e serem vistos por Clive Davis. Isso está de certa forma retratado na canção “No Surprize”, do álbum Night in the Ruts, de 1979.

Assim, a banda assina com a Columbia Records na metade de 1972, por supostos 125 mil dólares, conseguindo um acordo para o lançamento de um álbum de estúdio.

Em janeiro de 1973, a banda lançaria seu álbum de estreia, homônimo ao grupo!

MAKE IT

O álbum é aberto com a faixa “Make It”. A música apresenta um ótimo riff, com uma sonoridade bastante contagiante. É clara, logo de início, a influência de Blues no som do grupo. Tyler faz um inspirado trabalho nos vocais.



SOMEBODY

Outro riff muito inspirado abre a segunda faixa do trabalho, “Somebody”. Mais um bom trabalho de Tyler nos vocais que se casa perfeitamente com o trabalho das guitarras, fazendo uma ótima canção, muito empolgante.



DREAM ON

A terceira faixa de Aerosmith acabou se tornando uma das mais conhecidas músicas da história do Rock. Trata-se de “Dream On”.

“Dream On” é uma balada muito forte, com um ritmo lindo e cativante. Mesmo nessa canção, é possível reconhecer como a banda tinha fortes influências de Blues. A atuação vocal de Tyler é boa parte da explicação da canção ter-se tornado um grande clássico.

“Dream On” é o primeiro single lançado pelo Aerosmith para promover seu álbum de estreia. Atingiu a modesta 59ª posição da parada norte-americana em 1973. Entretanto, foi primeira posição daquele ano em uma rádio chamada WBZ-FM em Boston, ficando em 5º e 16º em outras duas estações radiofônicas de sua cidade natal.



Segundo Tyler, a inspiração para a composição de “Dream On” vem desde sua pequena infância, quando ele assistia a seu pai tocando piano clássico. A música se tornou praticamente obrigatória nos shows do Aerosmith.

Interessante notar que “Dream On” fez um sucesso muito maior quando a banda ‘estorou’ definitivamente com os lançamentos dos álbuns Toys in the Attic (1975) e Rocks (1976). Nessa época, “Dream On” foi relançada como single, em 1976, alcançando a 6ª posição da parada norte-americana.

A música também foi executada ao vivo, com a banda acompanhada por uma orquestra, algumas vezes – uma delas na festa de 10 anos da MTV americana, em 1991, com a orquestra sendo conduzida pelo falecido maestro Michael Kamen (que trabalharia no álbum orquestrado do Metallica S&M, de 1999).

“Dream On” faz parte da lista de 500 canções que moldaram o Rock and Roll do Hall Of Fame do estilo. Também está na 172ª posição da lista de melhores músicas de todos os tempos feita pela revista Rolling Stone.

Inúmeras versões da canção podem ser encontradas e por diferentes músicos e estilos musicais. Há versões como a de Ronnie James Dio em parceria com Yngwie Malmsteen, a versão do Rapper Eminem chamada “Sing For The Moment” ou mesmo a cantada pela cantora pop Anastacia, entre várias outras.

Incontáveis, também, são as presenças do clássico em outros tipos de mídia como filmes (Last Action Hero, 1993, Arnold Schwarzenegger) e games como Guitar Hero.



ONE WAY STREET

A quarta faixa do trabalho é “One Way Street”. É mais uma faixa com grande influência de Blues. É a maior faixa do álbum, com quase 7 minutos. Joe Perry faz um excelente trabalho na guitarra durante quase toda a canção – com solos muito inspirados. Mais uma vez destaque, também para a interpretação de Tyler. Excelente momento do álbum!



MAMA KIN

A quinta canção do álbum de estreia do Aerosmith é “Mama Kin”.

“Mama Kin” também foi lançada como single para promover o álbum e conseguiu alcançar a 75ª posição da parada norte-americana.

Steven Tyler tinha tanta confiança na canção que durante as gravações do álbum ele fez uma tatuagem em seu braço com a inscrição “Ma. Kin”. Segundo ele, seu braço era fino demais para o nome inteiro da música.

Tyler estava correto, a excelente “Mama Kin” se tornou um dos grandes clássicos do grupo e presença muito frequente nos shows da banda. Tanto que inspirou o nome de uma banda sueca homônima à canção. E também inspirou o nome de um clube noturno que a banda abriu em Boston, o Mama Kin Music Hall, hoje extinto.

Uma boa amostra da qualidade inquestionável da música é a ótima e conhecida versão da canção feita pelos Guns N’ Roses. Ela está presente no EP do grupo Live ?!*@ Like a Suicide (1986) e relançado em outro EP G N’ R Lies (1988). Há, inclusive, um vídeo com uma apresentação do Guns tocando a canção com a presença de Joe Perry e Steven Tyler.

A canção é também citada na música “Cry For Help”, da banda americana Shinedown. Aparece, também, no game Guitar Hero. O saxofone presente na música é tocado por David Woodford.



WRITE ME A LETTER

Outro grande riff bastante inspirado está presente na sexta faixa do álbum, “Write Me a Letter”. Outra faixa em que a banda transborda um excelente rock and roll calcado em fortes influências do Blues. O trabalho das guitarras é novamente muito inspirado e de qualidade soberba, em uma das melhores canções do álbum!



MOVIN’ OUT

A sétima faixa do álbum é “Movin’ Out”. Ótimas linhas de guitarra fazem uma bela introdução da canção que se desenvolve em um riff animado. O solo é também bastante inspirado. A boa atuação nos vocais de Tyler constrói uma música bem interessante.



WALKIN’ THE DOG

“Walkin’ The Dog” é a canção que fecha o trabalho, oitava faixa do disco.

A ótima faixa é na realidade uma versão para a canção composta por Rufus Thomas e que fez sucesso quando o mesmo a lançou em 1963. Na primeira prensagem do álbum, a música foi erroneamente creditada na capa como “Walkin’ The Dig”. Quando uma segunda prensagem foi lançada em 1976, a canção foi corretamente nomeada.

Ótima versão, acabou se tornando uma música com presença frequente nos shows do grupo. Excelente faixa.



Considerações Finais

Inicialmente, o sucesso do álbum de estreia do Aerosmith foi relativo. Em 1973, o trabalho atingiu a muito modesta 166ª posição da parada norte-americana.

Entretanto, tanto a crítica quanto o público acabaram abraçando o trabalho. Ele apresentou as bases da sonoridade rock-blues tão característica da banda, além de apresentar canções que se tornaram marcas do grupo como “Drem On”, “Mama Kin” e “Walkin’ The Dog”, muito pedidas em shows e nas rádios.

O reconhecimento a esse grande trabalho viria anos mais tarde, quando o Aerosmith alcançou o estrelato. O álbum foi relançado em 1976, quando atingiu a 21ª posição da parada norte-americana.

O gigantesco sucesso da banda décadas depois, permitiu que mais pessoas conhecessem o álbum e elevassem a sua vendagem, atingindo a marca de 2 milhões de cópias vendidas já em 1986.

Formação:
Steven Tyler – Vocal, Piano em "Dream On"
Joe Perry – Guitarra, Backing Vocals
Brad Whitford – Guitarra
Tom Hamilton – Baixo
Joey Kramer – Bateria, Percussão

Faixas:
01. Make It (Tyler) - 3:38
02. Somebody (Tyler/Steven Emspack) - 3:45
03. Dream On (Tyler) - 4:28
04. One Way Street (Tyler) - 7:00
05. Mama Kin (Tyler) - 4:25
06. Write Me a Letter (Tyler) - 4:11
07. Movin' Out (Tyler/Perry) - 5:03
08. Walkin' the Dog (Rufus Thomas) - 3:12

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/aerosmith/

Opinião:
O Aerosmith é uma banda tida como, se não a maior, um dos mais importantes grupos de Rock da história dos Estados Unidos (e porque não, do mundo).

O sucesso comercial e de público do grupo é incontestável, podendo ser explicado pela frutífera parceria entre o vocalista Steven Tyler e o guitarrista Joe Perry, a qual sempre rendeu músicas de muito boa qualidade. O fato de se ter uma formação regular e estável também contribui para toda a repercussão alcançada pelo conjunto.

E a banda sempre mesclou seu estilo rock and roll com elementos de outros estilos, como R&B, Pop, Heavy Metal, Rap, de maneira muito criativa e bem sucedida. Basta ver o enorme sucesso atingido pelo Aerosmith nas três últimas décadas.

Mas, pessoalmente, os álbuns da década de setenta, carregados do Rock com fortes influências de Blues, ainda permanecem como os meus favoritos, pois penso que a banda realiza esta fusão com extrema categoria, como poucos já fizeram.

O álbum de estreia da banda não é o mais bem sucedido comercialmente do grupo, longe disso. Mas traça de maneira forte e singular o estilo musical da banda, pelo menos em seu início. Define parâmetros musicais de um grupo que influenciaria um infindável números de outras bandas que surgiram depois.

Além disso, é o álbum que possui músicas do calibre de “Dream On” – uma das mais belas que eu já ouvi – e “Mama Kin”. Álbum e banda mais que recomendados.